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História O Legado dos Shinigamis - Capítulo 17


Escrita por: Dani_M_2004

Notas do Autor


Capítulo duplo hoje, isso mesmo. Que a porradaria comece.

Capítulo 17 - Controle


Fanfic / Fanfiction O Legado dos Shinigamis - Capítulo 17 - Controle

Queria dizer que tudo ocorreu bem, mas seria uma baita mentira. Nós sobrevivemos por sorte, ou destino, dependendo do que você acredita.

Era segunda, o dia amanheceu nublado e com grandes chances de chuva. Acordei com aquele pressentimento de novo. Eu dividi um guarda-chuva com Aiko até a escola, e mesmo que quando chegamos a chuva já tinha diminuído para uma garoa, a professora das primeiras duas aulas ainda não tinha chegado, por conta da chuva. Todos os alunos da minha sala estavam conversando e brincando. Não havia professores ainda para substituí-la.

Nos juntamos aos outros três. Asami pegou uma toalha pequena da bolsa e veio secar os meu braços que estavam molhados. Ela perguntou antes se podia, claro. Sorri em agradecimento antes de notar que Kota parecia incomodado.

— Kota, tá tudo bem?

— Não sei... é que... tô com um sensação ruim, não sei explicar — disse colocando a mão no peito.

— Eu também sinto — concordei.

O meu colar brilhou, muito mais intensamente que da vez que fomos atacados por um Gillian.

— Hollow — todos se levantaram.

Nos olhamos e chegamos a um entendimento. Precisávamos ir, mesmo se algum shinigami chegasse primeiro. Corremos para a porta da sala, mas antes de sairmos, Ren chamou.

— Kuchiki, Kurosaki, Ishida! — acho que ele só sabia nossos nomes. — Onde vocês todos vão?

— A gente... — Aiko tentou inventar uma desculpa.

— A gente precisa ir ao banheiro. A comida mexicana de ontem não caiu muito bem! — mentiu Kota.

Nós então corremos para fora da escola. Kota e Asami tiraram anéis do bolso e colocaram no dedo. Com um pequeno choque, agora eles estavam em sua forma espiritual, com suas zanpakutos.

— Isso não é justo — Aiko fez um bico, segurando uma bolinha azul. — Por que vocês podem fazer isso?

— Cortesia do senhor Urahara — Asami mostrou o anel com uma pequena caveira desenhada.

— E eu tenho que ficar aqui com os Soul Candys... — ela engoliu a bala, saindo de seu corpo real.

Tatsuo já tinha um arco de energia na mão, a roupa de quincy já posta.

— Como...? — franzi as sobrancelhas.

— Ah, por causa disso aqui — ele mostrou uma pulseira com uma cruz. — A pulseira me torna invisível para humanos normais, assim como vocês, e nessa forma, minhas roupas de quincy aparecem.

— Faz sentido — eu sorri. — Mas eu não preciso de nada disso — com um pouco de concentração, consegui de passar da esfera real para a espiritual.

— Heh. Muito bem, capitã. Gostei da sua zanpakuto — Kota sorriu.

Asami me olhava com os olhos brilhando de admiração. Só então percebi que era a primeira vez que eles, com exceção de Aiko, me viam em um kimono de shinigami e com minha espada. Balancei a cabeça para evitar de corar com o olhar de Asami.

Peguei meu celular e notei quatro pontos vermelhos.

— Eles estão na praia da cidade. Quatro deles — disse.

Todos assentiram e Kota tinha aquele sorriso maldoso no rosto.

— Mal sabem eles que estão no meu território.

Não demorou muito para chegarmos na beira da praia. A visão fez meu estômago se revirar em ansiedade. Realmente, haviam quatro hollows. Mas muito diferente do que imaginávamos. Eles eram grandes, o corpo parecia de um mamute, mas a cabeça era algo que eu não conseguia identificar. Eram verdadeiros monstros.

Os hollows estavam encharcados, cobertos por algas e estrelas do mar. A pressão espiritual deles era diferente dos hollows normais. Era como sentir a correnteza das águas. A deles era parecida com a correnteza de um rio.

— Eles são como se fossem...

— Hollows marinhos — completou Kota, ele não estava mais feliz em lutar. Seu olhar era de raiva. — Ele são parecidos com os que atacaram o cruzeiro anos atrás.

— Sakura, sabemos que você têm suprimido seu poder espiritual até agora. Se você quiser ficar de fora... Nós podemos cuidar disso — Asami colocou a mão no meu ombro.

— Não. Claro que eu vou lutar. Não vou deixar vocês se arriscarem sozinhos.

— Então, preparem-se — Tatsuo preparou uma flecha. — Porque, pelo que eu tô vendo, eles são como se fossem Gillians.

Cada um de nós ficou contra um deles. Asami ficou à minha frente, espada pronta em mãos. O cabo dela era cinza escuro, com detalhes em azul escuro e algo que parecia um diamante na ponta do cabo. O tsuba era redondo e prateado. Ela sacou a arma e me olhou por cima do ombro.

— Você me dá cobertura? — perguntou sorrindo.

Assenti, com determinação.

— Ilumine com suas chamas, Amaterasu!

Seus corpo foi tomado por chamas, uma ave, não, uma fênix se formando no topo de sua cabeça. Ela atacou sem dó o hollow. Asami parecia uma estrela cadente naquela forma, principalmente pelo modo leve com que se movia.

A poucos metros de distância, ouvi Aiko e Kota gritando, respectivamente.

— Envenene pela raiz, Doku no megami!

— Inunde, Suijin!

Até onde eu sabia, a lâmina de Aiko liberava um veneno ao cortar o inimigo que o enfraquecia aos poucos. Ela atacou, tentando fazer o máximo de cortes possíveis, mesmo que pequenos já eram o suficiente. Kota também atacou, mas sua shikai pareceu menos eficaz nesse hollow do que naquele Gillian que enfretamos. Talvez esse, por ser do mar, tinha maior resistência aos poderes do Kota.

Tatsuo era quem tinha maior sucesso em causar danos com suas flechas de energia. Eu também o vi usar algumas flechas com aspecto de fogo.

Voltei minha atenção à batalha à minha frente quando ouvi um grunhido de dor de Asami. O hollow havia conseguido fazer um corte no braço esquerdo dela. Aparentemente, eles eram mais rápidos que os Gillians, apesar de estúpidos igual. Não parecia profundo, e por sorte não era o braço que ela usava.

Mas vê-la machucada acendeu uma raiva em mim.

Estiquei o braço e apontei o dedo indicador para o hollow.

— Hadou no Yon: Byakurai! — um trovão foi disparado de meu dedo e atingiu o tronco do monstro.

Ele urrou de dor e Asami me deu um sinal de positivo. Continuei fazendo os mesmos disparos. Eu não tinha muitas opções. A minha lâmina em si não faria nenhum dano, eu precisava do poder de Kiyohime e não tinha certeza se ela iria me emprestar seu poder. Asami continuava fazendo cortes. Por ser do elemento fogo, parecia causar muito dano.

E deu certo, até um momento em que o hollow se enfureceu e acertou um golpe em Asami. Ela caiu na areia, machucada. Corri até ela sem pensar.

— Você está bem?

— Isso não foi nada — conseguiu se colocar de joelhos com muito esforço. Tentou sorrir mas a dor se fez presente e ela gemeu.

Do nosso lado, o hollow que Tatsuo estava lutando contra já havia sido derrotado. Mas Aiko estava ferida, sendo amparada pelo maior. Aparentemente, ainda não tinha passado tempo o suficiente para o veneno realmente fazer efeito, então o hollow atacou enquanto pôde. Kota tomou um decisão impulsiva e invocou sua máscara de hollow. Senti sua pressão espiritual crescer de maneira notável.

— Isso não é bom... — sussurrou Asami.

— O que não é...? — mas eu não tive a chance de perguntar.

Antes que me desse conta, senti uma pancada no corpo inteiro e fui lançada a metros de distância, quase me enterrando na areia. Até meus ossos tremeram. Ouvi, de maneira distorcida, a garota gritando.

— Sakura!

Ela se distraiu quando eu fui atingida. Assim que consegui ficar de joelhos, com a visão ainda turva vi que o hollow preparava uma espécie de Cero para aniquilar Asami. Ela estava machucada e não era rápida o bastante para desviar a tempo.

No meu ponto de vista, tudo ocorreu em câmera lenta. Minha mão foi instintivamente para o cabo da minha espada. Eu não tinha outra escolha. Asami estava prestes a ser morta na minha frente e eu nunca poderia deixar isso acontecer. Meus amigos estavam se machucando em batalha. Tinha que protegê-los. Eu tinha que protegê-la. Meu coração batia forte quando me preparei para usar meu shunpo.

Eu não havia percebido até aquele momento, mas eu já sabia quem eu era. Eu era Sakura Kuchiki, futura capitã do Gotei 13. E eu iria usar o meu poder para proteger minha família e todos aqueles que eu amava, nem que custasse minha vida. Iria me tornar capitã e tentar fazer desse mundo um mundo mais justo e seguro, para que nunca mais, nunca mais alguém sentisse o luto como Fiona sentiu. E qualquer hollow que ameaçasse machucar quem amo iria sentir o gosto da minha lâmina.

Eu saquei minha espada e não foi preciso dizer nada. Kiyohime e eu, pela primeira vez, estávamos em total sincronia. A lâmina se acendeu em chamas negras e, com um impulso do meu pé, eu entrei na frente de Asami e bloqueei o Cero com minha espada.

— Fique longe dela — disse com um olhar irritado.

Agora com o poder da minha zanpakuto, eu cortei o hollow ao meio e ele desapareceu em cinzas.

Asami já estava de pé. Ela me lançou um sorriso, maravilhada com a minha força. Não, mais que isso, era orgulho em seu olhar. Eu queria correr e abraçá-la, dizer o que eu queria dizer, mas ouvi o grito do Kota. Aiko e Tatsuo tentavam ajudá-lo, mas o garoto se debatia na areia. A máscara de hollow ainda estava no rosto e seu poder estava instável, tendo picos altos e baixos.

— Kota, por favor, se acalma! — gritava Aiko.

— Cara, somos nós! Seus amigos! — apesar das palavras de Tatsuo, ele tinha o arco em mãos.

Porém, Kota não parecia ele mesmo. Parecia uma besta indomável, como um tubarão que fareja o sangue.

— Ele não pode ficar com a máscara por mais de um minuto, se não perde o controle — gritou Asami.

Eu me aproximei para tentar controlá-lo ou pelo menos neutralizá-lo. Andei em volta do garoto, tentando encontrar uma abertura.

— Kota, sou eu. Sakura. Vamos, cabeça de ostra, eu sei que você está...

Mas assim que me dei conta, uma de suas espadas já havia atravessado minha barriga. Ele retirou a lâmina e eu comecei a ficar tonta e cai no chão, a vista escurecendo. Ouvi os gritos dos meus amigos como se eles estivessem distantes.

A última coisa que eu vi antes de apagar foi Kota caindo no chão, inconsciente, e sua máscara se partindo em pedaços.



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