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História O lírio e o girassol - Capítulo 1


Escrita por: e KakasakuProject


Notas do Autor


Olá, pessoas! Tudo bem? Eu espero sim.

Bem, para começar ando um pouco sumida, mas é por um bom motivo. Ando trabalhando em projetos maravilhosos para entregar à vocês, estou super feliz com o andamento. Para quem me acompanha, conto com a paciência e carinho de vocês, além da minha rotina de trabalho existe minha vida pessoal também. Espero que me entendam quando eu demorar um pouco para atualizar minhas fics. Beijo.

Agora vamos falar de coisa boa, e eu não estou falando de Tecpix, mas sim da minha recente parceria com o maravilhoso @KakaSakuProject
Estou adorando fazer parte dessa equipe incrível e talentosa, e estou aqui torcendo para ser uma boa adição no time. Então gente, essa é minha primeira fic KakaSaku e estou muito ansiosa com o feedcback de vocês, aguardo os refrescos, obrigada!

Quero deixar meus agradecimentos para a espetacular @Diabolicat que foi a grande responsável por essa capa e banner encantadores, ficou lindo né?! Para a sensacional @mldpm que betou essa fic inteira e me ajudou demais mesmo despois das 00h (rs). Sérios, vocês são as mais gatas do mundo!

Quero deixar meus agradecimentos também para minha paixão @XxAfrodite que se não fosse por ela, jamais estaria aqui fazendo parte de tudo isso. Obrigada por tudo, tudo mesmo. Você tem um lugar especial no meu coração, sabe disso não é?! <3

A fic é toda inspirada na música Girassol do Alceu Valença, um artista da minha terrinha. Nas notas finais vai tá o link para quem quiser ouvir.

Ah, não se esqueçam de conferir os outros trabalhos do projeto. Sério, é cada obra deliciosa. Corram e aproveitem o mundo KakaSaku, não vão se arrepender!

Enfim, depois de um textão desejo a vocês uma boa leitura.
Amo vocês.

Capítulo 1 - Capítulo único: Amor de verão


Fanfic / Fanfiction O lírio e o girassol - Capítulo 1 - Capítulo único: Amor de verão

“Mar e sol
Gira, gira, gira, gira
Gira, gira, gira, girassol”

 

— ... É o bar da Kurenai, ela tem o melhor chope artesanal num raio de mil milhas cara, não ‘tô brincando. Aqui, descendo a rua principal, é a praça da vila. Tem a feira ao ar livre que é bem da hora, amanhã te levo lá. Naruto já conhece, então não é novidade pra ele. Ah, tem um cassino bem aqui, do lado esquerdo! ‘Tá vendo? É pequeno, eu sei, mas-

“Eu sei, Nara. Tudo é pequeno.”

Shikamaru repetiu essa palavra inúmeras vezes, achando que o amigo sentado no banco traseiro do seu carro não iria gostar da cidade, mas Kakashi estava agradavelmente surpreso. Contemplando um tanto abismado que apesar de pequena, Konohagakure era realmente uma belíssima cidade litorânea, cercada por um oceano azul profundo e montanhas elevadas, formando um imenso vale de tirar o fôlego. Na viagem de quase sete horas de carro para a fazenda da sua família, Shikamaru agiu como melhor guia possível: exibindo com muito orgulho a maioria das lojas, contando histórias sobre as ruas movimentadas e das modestas casas coloridas que passavam. Seu aspecto havia mudado, não chegava nem de longe ser o homem que normalmente era visto na empresa, a aparência desinteressada sumiu, dando espaço a um Shikamaru comunicativo e extrovertido. Kakashi lembrou que nos últimos meses de trabalho seu subordinado não parou de falar sobre sua cidade natal, seus familiares e seu aguardado Festival das Flores. Recusou o máximo de vezes possíveis os convites para passar o recesso de verão com os Nara e Naruto. Quando a insistência para que aceitasse não cessou, indagou-se se parecia ser assim: um solitário.

Por mais relutante que estivesse, agora estava feliz por ter aceitado. O ar aconchegante das montanhas invadia o seu peito, e no fim seria um bom e merecido descanso.

— Estamos chegando, Hatake. — Naruto apontou pela janela o florido campo de girassóis que balançavam ao sol.

O carro fez uma curva mais abrupta na estrada de pedra acidentada virando à direita, dando de frente para as enormes porteiras gastas, acima da entrada estava gravado na madeira escura ‘’Himawari no Ro’’. Logo a frente um clássico casarão de campo surgia, acompanhado de mais e mais hectares de flores que surgiam em sua visão, formando um colorido de amarelo sem igual. Mais ao fundo conseguiu ver as pás de um cata-vento rústico movendo-se preguiçosamente ao ritmo do vento. Shikamaru estacionou em frente à casa onde já havia algumas pessoas o esperando; uma senhora na meia-idade e um pequeno grupo. 

— Demoram tanto! — A senhora Nara interceptou o filho que era só sorrisos quando desceu do carro para abraçá-la, ela mantinha uma expressão avaliadora quando segurou o rosto dele em suas mãos. — Você está tão magro, qual o seu problema? Ainda tá fumando, não é? Ainda bem que Shikaku não está aqui para ver seu único filho mantendo esse hábito nojento. — Ele revirou os olhos, desinteressado, e a mulher bateu na lataria do carro, surpreendendo Kakashi e arrancando uma risada do amigo ao seu lado. — O que estão fazendo aí dentro? Naruto venha falar comigo! Você também, bonitão. Venham!

Naruto estava em casa, parecia bem à vontade com Yoshino Nara e seus funcionários. Abraçou e brincou com todos, e quando seu chefe parecia sobrar, foi o responsável pelas apresentações. Havia três rapazes, mas foi interrogado pelas moças: Ino, Tenten e Karin que pareciam bastante interessadas no novo visitante. Sentia-se estranhamente retraído pela súbita atenção que lhe era direcionada, não que fosse cercado pelo público feminino — Era um homem bonito e com um emprego estável. Até tivera alguns casos esporádicos, mas nada substancial. — No fim, mantinha-se sozinho, crendo que sua vida preenchida pela rotina não haveria de ter espaço para uma paixão. Acreditava tanto nisso, que suas amantes optaram por desistir também de um relacionamento sem perspectiva.

Não as culpava.

— [...] Vai ficar o verão inteiro? — Ele confirmou com um aceno e Ino riu, jogando o cabelo longo e loiro sobre o ombro esquerdo. — Tenho certeza que vai adorar, Kakashi. É lindo o verão aqui. Devia ter vindo visitar mais vezes.

— Também vou ficar. Sentiu saudades, Ino?  — Naruto perguntou alisando os braços dela, que o olhou feio. — Passei a viagem toda pensando em você.

— Engraçado ouvir isso, ainda me lembro que você passou todos os seus dias aqui, ano passado, babando pela Sakura. — Os presentes gargalharam, soltando uma série de piadas com o comentário de Naruto, como se algo absurdamente engraçado houvesse sido dito. Pela cara de poucos amigos que o Uzumaki fez, Kakashi presumiu sem muito esforço que ele havia levado um fora. 

O ronco de uma caminhonete se fez presente, estacionando perto do grupo. Da traseira da montanha azul-piscina, saltou um ruivo com uma sacola de aniagem grande cheia de carambolas maduras e vistosas.

— Olha aí, quem estava faltando! — Shikamaru correu, abraçando o amigo que correspondeu com saudades o gesto. A porta da caminhonete do lado do motorista bateu, fechando-se, e Kakashi se surpreendeu com a mulher à sua frente. Assim que seus olhos pousaram sobre ela, não teve dúvidas que essa era a tão falada Sakura.

Dizer que a achou linda seria simplista demais, não faria jus aos expressivos olhos verdes esmeraldinos e a pele bronzeada pelo trabalho ao sol. Uma das alças do seu macacão jeans surrado, pendia em seu braço, expondo a regata branca e justa que marcava os seios médios. Ela aproximou-se, abraçando Shikamaru também. Brincou com Naruto, bagunçando ainda mais os fios loiros dele. Kakashi só conseguia olhar, hipnotizado pelo sorriso amplo e fácil da moça em sua frente. 

— Sakura Haruno. — Ela estendeu uma das mãos para cumprimentá-lo, enquanto a outra segurava o chapéu de palha em sua cabeça, quando uma rajada de vento quente passou. A brisa soprou o cheiro cítrico de laranjas e limões que emanava dela.

Respirou fundo, atordoado pelo aroma que invadia suas narinas, pulmões e algum lugar dentro da sua cabeça que não conseguia resistir ao simples encanto da mulher ao seu lado. Havia retornado para adolescência? Não conseguia acreditar.

Respondeu depois de alguns segundos.

— Kakashi Hatake. — Apertou a mão dela, era morna e firme. — É um prazer.

— Seja bem-vindo, senhor Hatake — Novamente o sorriso dela brilhou mais que o céu de junho. — Já conheceu o vale?

 

**

Os dias corriam velozes e com eles cresciam os olhares admiradores do visitante para com Sakura Haruno. Jovem, inegavelmente bonita e energeticamente trabalhadora. Sempre havia alguma coisa para ela fazer: descarregar suprimentos, preparar adubos, reparar algumas cercas e trabalhar em sua estufa. Como ele sabia de tudo? A assistia na maioria das vezes pela janela do seu quarto, fingindo ler algum livro. Assistia Sakura dentro dos seus macacões de campo e galochas enlameadas, os bíceps suaves e pernas fortes pelo exercício da rotina. Em determinadas ocasiões, Sakura o via ali, sentado. Sorria ou acenava, e aquele pequeno gesto era capaz de fazê-lo reprimir sua respiração.

Às vezes ele sorria de volta. 

Kakashi a enchia de curiosidade. Os amigos que o acompanhavam saíram na maior parte do tempo: seja para paquerar suas colegas de trabalho ou alguma desavisada da vila, ir à cachoeira ou para os bares dançar. Ela mesma sempre ia quando seus serviços estavam finalizados, mesmo que chegasse um pouco atrasada. Por outro lado, viu o senhor Hatake acompanhar os passeios três vezes, ou ele estava em sua janela ou dormia encostado no antigo pé-de-tangerina com um livro em seu colo. No começo chegou a pensar que talvez ele não gostasse da cidade ou da companhia dos moradores da fazenda, mas descartou esse absurdo quando o via sorrir — minimamente — porém, com muita cordialidade. Em todas as conversas que era citado, engajava-se no assunto e volta e meia se oferecia para carregar alguma caixa pesada para outro cômodo ou lavava as louças do jantar. Não era uma questão de afinidade, e observando-o melhor percebeu que ele era apenas um homem cansado. Estava de férias, mas dava alguns telefonemas e pelo tom ela sabia que se tratava de trabalho. Era tola demais por pensar isso dele, se fosse um burguês esnobe jamais estaria aqui com seus subordinados aproveitando o verão.

Ela nunca foi chefe de ninguém, mas sabia a enorme demanda que Yoshino sofria para manter tudo funcionando, então não foi difícil respeitar o comportamento meio taciturno e comedido do Hatake. Na verdade, uma parte dela o admirava. Ele sempre cuidava da própria vida, ajudava sempre que possível e nunca o viu ser grosseiro.

“É assim que os homens maduros agem? A mulher que tiver o senhor Hatake tem muita sorte’’.

 

As risadas preenchiam à noite fresca na varanda, alguns estavam deitados na rede ou deitados no sofá, e outros sentados no chão, mas todos riam abertamente da história suspeita do Naruto. 

— [...] e nossa, eu só conseguia pensar ‘’essa desgraçada vai me matar”, foi bizarro. — Quando outra explosão de risadas eclodiu, fez o loiro ficar vermelho. — Não riam, porra! Eu achei que ia morrer pelo pau. 

— Ninguém morre por causa de um boquete. — Kakashi deu um gole generoso na sua cerveja pelo gargalo, soltando uma risada enviesada.

Sakura instantaneamente o olhou, não acreditando em seus ouvidos. Aquela palavra dita por ele era surreal demais, fazia o senhor Hatake parecer inacreditavelmente acessível... De um jeito totalmente novo. Ele estava sentado no chão um pouco distante dela, o braço direito forte e pálido descansava no assento do sofá, seu outro braço descansava entre as pernas esticadas preguiçosamente, a mão segurando a garrafa entre elas. A regata escura exibia os músculos bem delineados e esbeltos, provocando Sakura a admirá-lo, o cabelo platinado em completo desalinho caindo sobre suas sobrancelhas, e aquela pinta provocante no queixo era boa demais… Talvez seja por causa da bebida, ou por alguma outra coisa que não conseguia raciocinar que a fez chegar nessa conclusão, mas ela gostava muito do que estava vendo.

— Eu sei que não, mas foi o meu primeiro boquete — Respondeu, deitando-se ao lado de Tenten. — Muitas sensações para um adolescente.

— E quem foi a corajosa, Uzumaki? — Gaara provocou, sorrindo.

— Konan, minha monitora no acampamento de verão. Gostosa, com cabelo colorido... — Olhou para Sakura, que bufou. — Infelizmente, ela foi para a faculdade e a gente não se encontrou mais.

— A prova que relacionamentos de verão nunca duram. — Karin remarcou, ajustando os óculos em seu rosto. — Sakura está certa por nunca embarcar em um.

Dessa vez foi Kakashi que a olhou, o rosto impassível sob o copo em seus lábios.

Ele havia sondado a razão pela qual Naruto havia levado um fora, a resposta de Shikamaru tinha sido exatamente essa: ‘’ela não curte amores de temporada, nunca a vi saindo com um turista. Não me pergunte o motivo’’. Saber disso havia causado um impacto considerável em Kakashi e não precisou pensar muito para descobrir o porquê desse comportamento. Ela era linda, resplandecendo o charme do vale, todos os homens olhavam para ela, era impossível não olhar. Poderiam sair para todos os lugares tropicais que a cidade tinha a oferecer e engatar um romance, mas e depois? Não haveria nada, e Sakura havia calculado os danos que sofreria. Era uma mulher esperta demais para chorar por causa de uma paixão de temporada.

E isso foi mais que o suficiente para desestimulá-lo em qualquer investida, não pelo medo da rejeição, mas pela prudência de não machucar uma garota legal como ela. Além do mais, quantos anos Sakura tinha? Dezoito? Vinte? Jovem demais para um cara que estava chegando aos trinta e quatro. Não havia chances. Apreciá-la de longe em uma atração platônica era o caminho mais sensato. Bom para ambos, seguro para seu orgulho e seguro para as convicções da bela senhorita Haruno.

Estranhamente, um lado egoísta da sua mente pedia para arriscar ter um mísero beijo. 

 

**

Kakashi não fazia a mínima ideia da temperatura atual, mas estava quente o bastante para fazê-lo desistir do seu quarto e ir ler perto de sua já conhecida árvore de tangerinas. A copa frondosa lançava uma sombra refrescante e o vento parecia mais ameno ali. O livro em questão era uma romance de teor erótico de um escritor local que havia comprado visitando a feira da cidade. Apesar de ficar um tanto perplexo com os contos escritos ali, o Icha Icha Paradaisu prendia sua atenção. Antes de ir embora compraria o restante da coleção. Era tão bom que quase o fazia esquecer de Sakura, quase...

Estava terminando o capítulo treze quando a avistou carregando algumas caixas para a enorme estufa entre as flores, e não precisou pensar mais de uma vez, correu para ajudá-la.

— O-oi! Bom dia, senhor Hatake. — Ele apenas acenou levemente com a cabeça, tirando as caixas pesadas dos seus braços. — Muito obrigado!

Era isso, ‘’o senhor’’, a barreira invisível entre os dois.

— Tente não ligar ‘pra minha bagunça, okay? — A voz dela saiu baixa, enquanto abria a porta. — Não recebo muitas visitas na minha área de trabalho, então não repare.— Soltou uma risadinha nervosa, dando espaço para ele passar. — Sério.

Ele entrou, observando tudo que podia, guardando dentro de si a mais nova pequena maravilha que havia adquirido sobre Sakura Haruno, fragmentos de sua vida e personalidade. Por exemplo: ela adorava café preto e amargo pela manhã, cochilava depois do almoço, não gostava de chocolates e sorria a maior parte do tempo. Era comunicativa, tinha um atrito com um dos trabalhadores da fazenda vizinha, cantarolava baixinho pelos cantos e era uma floricultora de qualidade. Agora acabara de conhecer o reino dela, o lugar a qual dedicava uma parte generosa de seu tempo. Kakashi tinha se perguntado algumas vezes como seria aquela estufa por dentro, se era solar e expansiva como Sakura, e para sua sorte, era ainda melhor.

O toque dela estava presente em tudo, nas pinturas coloridas dos vasos empilhados no canto, na bancada de madeira com várias mudas e ferramentas de jardinagem espalhadas, nos livros e mais livros abertos — Em um deles o desenho de uma variante de um enorme girassol com toda a estrutura da flor sinalizada.

— Oh, esse é o meu bebezinho. — Aproximou-se de Kakashi, que estava junto à mesa. — Pode pôr as caixas aqui debaixo da bancada, obrigada. Essa belezura aqui, — seu dedo indicador deslizou sobre o livro. — Chama-se Helianthus annuus L. — Quando ele a olhou com uma cara de paisagem, desatou-se a rir, aproveitando pela primeira vez a companhia dele sem sentir-se absolutamente nervosa. — Ou, para os mais íntimos, Helios flames. Adorável, não é?

— Bem diferente dos que estão lá fora.

— Precisamente. Aqueles são girassóis-americanos, os mais comuns de se ver.

— Por quê? Eu vejo uma diferença entre eles, mas... — Olhou novamente o desenho. — O que torna esse tão especial assim?

Ela gostou da curiosidade demonstrada, e aquele velho sentimento de timidez desvanecia-se de segundo em segundo.

— Hmm, porque o Helios flames... — pôs a mão no queixo de maneira pensativa — É um tipo especial, um primo distante do girassol comum. Um híbrido nativo de países mediterrâneos que passa a maior parte da sua vida regado à muita luz solar, mas só consegue florescer de verdade no outono ou em lugares fechados.

— É absolutamente adorável ficar no escuro.

Os dois trocaram uma série de olhares significativos, ambos segurando a vontade crescente de rir.

— É um espertinho, senhor Hatake? — Ele soltou uma risada anasalada, Sakura gostou bastante do som. — Venha, vou te mostrar minhas belezuras.

Kakashi sentiu o peito esquentar e expandir, era o efeito dela sobre todas as coisas ao seu redor. Tão magnética, tão natural. Se o chamasse para ir conhecer os portões do inferno, iria com gosto. Só para aquela sensação de conversar de verdade com ela, perdurasse por muito mais tempo. A seguiu até o outro extremo da estufa, em uma parte mais escura, onde havia um canteiro pequeno, porém bem cuidado de Helios flames sob luzes fracas e artificiais. Vistos de mais perto, eram ainda mais impressionantes. Diferente do girassol comum, esses possuíam uma coloração mais avermelhada nas pétalas, misturando-se ao amarelo característico da flor.

— É bonito. — Admitiu. — Tem uma cor mais quente.

Ela ficou de joelhos de frente para o canteiro com um sorriso impertinente, insistindo em despontar em seus lábios. ‘’Quente, é?’’

— Vou te falar um pouco sobre eles, mas primeiro você tem que conhecer o básico. Sente aqui. — Deu dois tapinhas no chão liso ao seu lado. — Espero que esteja preparado para ficar completamente ofuscado.

Se ela soubesse que já havia o ofuscado há dias, sem precisar de flores para isso.

— É mesmo? — Provocou, sentando perto dela. — A senhorita pode tentar.

O ignorou, estalando a língua fingindo impaciência.

— Todas as variações existentes de girassóis, sem exceções, possuem um ciclo de vida curto. É uma planta que nasce, floresce, dá sua semente e morre no mesmo ano. Então o ponto alto da vida de um girassol é no verão, quando pode se abrir de verdade. — Kakashi apenas ouvia Sakura falar cheia de propriedade. — Não é que ele seja tímido, entende? Ele só precisa de estímulo, um estímulo bem particular que só a luz do sol nessa época pode trazer. Ele não segue o sol apenas por ser uma planta heliotrópica, seria sem graça demais se fosse só isso, tem um poder por trás. Um simbolismo. — Os dedos seguros e experientes passeavam sobre as pétalas da flor, a voz um sussurro. — Ele espera o ano inteiro pela luz do seu amor, e esse amor o motiva a fazer coisas maravilhosas. Da semente temos o quarto óleo comestível mais consumido no mundo, alimento para aves, ingrediente para bolos, pães, biscoitos. A noz dentro da semente é usada para várias iguarias culinárias, além de ser um antioxidante natural poderoso. Das pétalas murchas e machucadas fazemos sabão, e te garanto que o cheiro é uma delícia. Do caule, cestas e tantos outros produtos que eu poderia passar o dia inteiro falando...

— Tudo isso em um ano? É um amor poderoso. 

— Em uma estação. — Novamente seus olhos se encontraram. — O restante do ano é só preparação, é no verão que a magia de verdade acontece. — Um aspecto melancólico nublava as orbes verdes. — No fim de tudo, os girassóis representam renovação. É lindo o amor entre a flor e sol, não é? Amor aparentemente ínfimo, mas que vai ressurgir. No próximo verão o sol estará de volta, dedicando os mesmos sentimentos de antes. Tudo na vida seria mais fácil se acompanhasse esse ritmo.

— De renovação de sentimentos? A vida já segue esse ciclo. — Sentiu a garganta subitamente seca, ainda era uma conversa sobre flores? — Você fala como se fosse impossível uma pessoa dedicar os mesmo sentimentos depois de um ano.

— As plantas conseguem, a gente não. Nosso amor de estação não é renovável.

— Isso não é verdade, amor é amor. Se for de verdade, irá se renovar.

Ela sorriu, o riso que não chegou aos seus olhos.

— Você conhece a lenda do Helios flames?

Ele não respondeu.

— Na antiga Grécia há alguns milênios atrás, quando os deuses ainda andavam sob a terra, a ninfa Clítia, filha do Oceano, se apaixonou profundamente pelo titã Hélios. Ela o assistia em todos os verões, indo de leste a oeste com sua maravilhosa carruagem de fogo. Clítia corria para o campo para vê-lo, banhando-se na luz, sentindo o calor dos seus raios solares, imaginando como seriam as carícias feitas por Hélios. — Ela mantinha a cabeça baixa, enquanto suas mãos trabalhavam na terra do canteiro. — Depois de vários dias observando a ninfa o desejar, ele a correspondeu e Clítia se entregou. — Com um alicate pequeno, cortava as folhas secas das flores. — Ele jurou que em todos os verões voltaria para encontrá-la, e ela o esperou. Então, quando a estação prometida chegou, tudo parecia devidamente certo e perfeito, mas Hélios a deixou para ficar com a sua irmã, a ninfa Leucótoe. O coração de Clítia partiu-se em vários pedaços e ela chorou, trancando-se dentro de um quarto escuro, chorando por nove dias seguidos e se alimentou apenas de suas lágrimas. — Outro corte — O deus do sol Apollo, vendo a pobre criatura definhando em sofrimento, a transformou na Chama de Hélios, uma flor que gira em torno de si mesma para olhar seu Amado passear de leste a oeste em sua enorme carruagem de fogo.

Um silêncio instalou-se na estufa, Kakashi não sabia o que deveria dizer, se é que deveria dizer alguma coisa. 

— Não é bem uma história feliz. — Falou depois de um tempo, sentindo aquela mortalha tensa apoderar-se do ambiente. — É por isso que gosta tanto dessa flor?

— Sim, e não... — Sorriu sem humor, indo em direção a pequena pia, lavando as mãos sujas de terra. — Não é feliz, mas explica o nome da flor e o meu ponto sobre o amor de estações, senhor Hatake. — Arrumava alguns vasos na prateleira, de maneira que ele não poderia ver seu rosto. Kakashi sabia que ela estava evitando contato visual. — Clítia passa o ano inteiro recebendo sol pleno, mas só floresce de verdade no outono e no escuro, no auge da sua tristeza pelo titã traidor. O preço por amar demais...

Silêncio outra vez.

Aquela era uma Sakura diferente, os movimentos mecanizados e a postura tensa. O frescor característico havia desaparecido, dando lugar para uma coisa que ele tinha completa ciência que não a pertencia. Não o mostraria flores tão lindas para contar uma fábula trágica a troco de nada, não, não. Kakashi era um homem maduro, sua mente trabalhando e juntando furiosamente todas as peças daquela conversa. Decifrando as sublinhas, lendo as letras miúdas. Ela estava mostrando algo além, muito além. Podia não a conhecer intimamente, mas ele conhecia aquele velho amargor na voz que só um coração ferido saberia reproduzir.

— Não sei quem a machucou, e sinceramente não quero te ofender, mas posso dizer com toda certeza que você não é Clítia, você não é alguém que merece florescer no escuro. — Ela mantinha-se de costas, impossibilitando ver suas reações, mas notou o braço de Sakura tremer suspenso no ar, no movimento de arrumar a prateleira. — A única coisa em comum que você tem com esse girassol, é a vivacidade presente no vermelho; na cor. Você foi feita para luz solar, para amor de verão, primavera e todas as outras estações que vier... 

Ela sentiu o fôlego estagnar e o corpo paralisar, imóvel, sem conseguir sair do lugar. As palavras se perderam dentro da sua boca e seus pensamentos deram infinitas voltas. 

“É assim que me vê?’’

Escutou os passos do senhor Hatake irem para longe, afastando-se:

— Obrigada pelo seu tempo, senhorita Haruno.

E com um baque, a porta fechou. 

 

**

O tempo correu, os dias viraram semanas e as semanas tornam-se o último mês dos visitantes em Konohagakure. O fim do verão se aproximava e com ele o tão aguardado Festival das Flores.

Kakashi não sabia muito bem sobre o que se tratava, mas era importante para os trabalhadores do campo e até mesmo ele parecia contagiado. Na verdade, não só para ele aquele sentimento, mas para a vila inteira. A colheita das flores de girassol havia se iniciado: parte seria vendida para floriculturas e outra parte seria usada no festival, então todos os dias carros e mais carros apareciam para transportá-las para seus devidos lugares. As ruas começaram a ser devidamente decoradas com bandeirinhas coloridas, guirlandas floridas de verão nas portas e na rua principal foi montado um arco gigantesco de dálias e amor-perfeito. Na praia uma enorme fogueira estava sendo preparada. Na fazenda não foi diferente, mesmo em meio ao trabalho que parecia dobrado, os moradores da Himawari no ro enfeitaram com esmero o casarão, a estufa, o cata-vento e todas as outras instalações. Graças a Tenten, Kakashi descobriu que era necessário comprar uma roupa de linho branco* e que deveria escolher com cuidado uma flor, para dela fazer um colar ao estilo havaiano que deveria ser usado no dia do festival. O significado da flor em seu pescoço haveria de se concretizar, trazendo o que foi pedido junto com boa fortuna que duraria o ano inteiro.

Naruto havia escolhido prímula que significava juventude e felicidade, mas segundo Karin, entre os jovens ela significava sexo fácil, e que o Uzumaki usou a mesma no ano passado. Gaara preferiu cravos que traziam tranquilidade e realização dos sonhos. Shikamaru fez o seu colar de íris-roxa que atraía sabedoria e elevação espiritual, não tinha um outro sentido nela, ele respeitava as tradições. 

Para as mulheres era diferente, invés do colar era usado a coroa, e todas as meninas pareciam eufóricas. Ino tinha encomendado suas orquídeas de muito longe, invocando sobre si o poder da feminilidade, paixão e sorte. Angélicas transmitindo união e harmonia para Tenten e as delicadas flores de açucena vindas do Sul representavam esperança e longevidade para Karin que trabalhava junto às amigas. Sakura estava em dúvida. Kakashi a viu com um ramalhete de flores violetas que não conhecia o nome e fitas vermelhas que ela usou para dar forma a sua coroa, mas logo depois de um dia ela havia descartado a ideia, colocando-as em um jarro em sua estufa.

Sentia um comichão apertando-lhe o corpo todas as vezes que a via, sua mente gritava para ir lá e falar com ela, ir calcular os danos da última conversa que tiveram, saber o quanto ela o desprezava. Jamais a doce Sakura agiria com indiferença estampada, mas ele sabia que havia cruzado uma linha de onde não teria mais volta. Já não dividiam o mesmo ambiente, seus olhos não se cruzavam e quando se encontravam das suas bocas saíam apenas palavras de cumprimentos educados. Não iria embora sem se redimir, não suportaria a ideia de ir sabendo que a tinha ofendido. 

O festival seria sua chance, precisava das flores certas para isso.

 

**

Não ser frágil para Sakura significava não amar: nada de namoros, nada de namoros com turistas, nada de beijos roubados em uma sala escura, nem promessas de amantes. Tudo parecia certo assim, havia transformado seu coração em uma fortaleza impenetrável. Tinha lá suas aventuras, mas tudo era executado da maneira mais cirúrgica possível, sem ligações ou mensagens, sem esperanças futuras...
Então por que raios se sentia tão frustrada pelo último encontro que teve com o senhor Hatake? A persistente sensação de erro em afastá-lo ecoava em sua mente. Pior, a persistência da sensação de que deveria ouvi-lo, de que deveria acreditar nele.

Como foi que ele disse? 

‘’Vívida, merecedora de amor em todas as estações que vier...’’

Talvez estivesse jogando. Os homens sabem bem o que dizer quando querem levar uma mulher para cama, e Sakura tentou sufocar os sentimentos borbulhantes que ele lhe provocava, repetindo para si mesma que ele só a via como uma menina boba que servia apenas para um momento de prazer. Porém, a voz da verdade gritava mais alto, revelando que seus anseios eram uma completa mentira. Os olhos negros e gentis a desejavam, nítido como dia, mas ele não a enxergava como uma caipira boba, ele a respeitava. Nunca invasivo, nunca aproveitador ou sacana. Na fatídica conversa na estufa, o senhor Hatake expôs todos os pequenos flertes que tiveram sob a mesa, os risos, os olhares, foi corajoso e sensível em dizê-la que a queria com palavras tão doces. Como não havia reparado antes?
E mesmo quando o repeliu com tanta força, foi infinitamente compreensivo em não abordar mais o assunto, não a pressionar ou tratá-la diferente. Muito pelo contrário, foi Sakura que correu, que fugiu. 

‘’Como tiro esse homem da cabeça?’’

Pensou dias a fio sobre isso, no fim, chegava sempre no mesmo lugar: devia se desculpar. Elaborou seu pedido de desculpas do único jeito que sabia, na linguagem das flores. Os jacintos estavam lindos esse ano, então tentou trabalhar em uma coroa, as flores traduziriam com sinceridade seus sentimentos de arrependimento, mas desistiu. Sakura não queria pedir só desculpas, queria abrir uma porta. Ela precisava de mais, e a cada vez que olhava o rosto bonito e expressivo do senhor Hatake, mais certeza tinha. Mais, ela precisava de muito mais...

 

**

“Um girassol nos teus cabelos
Batom vermelho, girassol
Morena, flor do desejo
Ah, teu cheiro em meu lençol”

 

Os últimos raios de luz irradiavam nos céus, colorindo em laranja o oceano que beijava a areia branca da praia em Konohagakure. As vozes em cantoria se tornavam uma só na melodia das sanfonas, violas e violões. As palmas cadenciadas e as batidas dos movimentos dos pés davam ritmo a música com o baque dos tambores. Havia flores, comida, sorrisos e sons por todos os lados. Crianças, velhos, enamorados e toda sorte de gente estavam ali, aproveitando. Kakashi estava deslumbrado, guardaria para sempre dentro de si essa imagem da cidade em festa. Ele estava muito bonito, as roupas tradicionais de linho lhe caíram perfeitamente bem, rendendo olhares das moças no festival. A barra da calça lisa ficava um pouco acima do seu tornozelo e a gola da camisa em V era bem trabalhada com bordado azul-escuro, dando uma provocante abertura para seu peitoral definido. Porém os olhares dissiparam quando as moças prestavam atenção no colar em seu pescoço, aquelas flores não eram para elas, aquele homem tinha alguém.
Caminhou entre as pessoas, indo para perto da enorme fogueira que crepitava na noite. Um grupo bastante grande dançava feliz ao redor das chamas, não tardou em encontrar os amigos que se remexiam juntos com Karin, Ino, Gaara e Tenten, claro que perto deles estava ela completamente radiante, Sakura Haruno.
Seu coração tropeçou em uma batida, a mera visão daquela mulher o fazia vacilar. O quadril movia-se graciosamente no compasso da música, as mãos segurando o vestido alvo na altura das coxas, exibindo um pedaço da sua carne torneada. Um sorriso brincava nos lábios perigosamente vermelhos e seu cabelo balançava como um véu ao vento. Inevitavelmente seus olhos se encontraram, e todas aquelas pessoas tornaram-se borrões e corpos, pouco a pouco Sakura foi parando de dançar, completamente abismada com as flores que o senhor Hatake ostentava em seu colo. Havia feito para ela, lírios para ela. Sakura tentou estrangular o calor que tomava seu peito, o estranho sentimento de felicidade. “Será que sabe o significado dessa flor?”

 

As horas já corriam avançadas, agora só restavam os jovens e os solteiros. Poucas pessoas dançavam, outras se amassavam na areia e outras estavam caindo bêbadas pelos cantos, amanhã não se lembrariam nem da metade das coisas que haviam feito. O culpado disso seria o delicioso licor de ameixas-silvestres que foi servido em abundância durante a festa, produzido caseiramente pelos moradores. Kakashi agora mesmo encontrava-se agradavelmente dormente.

— Oi! — Sakura surgiu de repente atrás de si, sussurrando em seu ouvido, lhe causando um sobressalto. Ela deu uma risadinha pelo resultado da sua travessura, sentando-se ao lado dele no pequeno banco de pedra do perto do mar, balançando os pés dentro da água salgada. — O que faz aqui no escuro, Kakashi? — A voz doce acariciou todas as letras do seu nome, causando uma bagunça em sua mente.

Havia mesmo escutado isso?
O que ele estava fazendo no escuro... Se respondesse que estava fugindo das sensações que ela o provocava, as coisas ficariam estranhas outra vez?

 — Girassóis são realmente a sua flor... — Disse por fim, desconversando. Talvez seria sensato não falar, mas ela merecia ouvir e ele precisava dizer. — Você está linda...

Ela arregalou os olhos verdes e um rubor encantador se espalhou em seu rosto. Kakashi queria dizer mais, dizer que a coroa de Helios flames que usava na cabeça a fazia parecer uma mágica fada da floresta, dizer que o seu cheiro de laranjas mexia profundamente com os seus sentimentos, dizer que pensaria nela todos os dias quando voltasse para casa. Queria expressar tantas coisas e Sakura parecia tão aberta para ele essa noite, mas o medo de arriscar outro impasse foi maior. Então passaria o restante da madrugada ao lado dela, absorvendo tudo que ela estivesse interessada em dar. 

— Alguém me disse que possuo a vivacidade deles... — A já conhecida eletricidade aterradora surgiu enquanto se olharam, mas dessa vez foi Kakashi que desviou os olhos, corando. Sakura voltou sua vista ao oceano em sua frente, tentando em vão conter o sorriso em seus lábios com os dentes.

A tensão comprimia o ar, mas não era incômoda ou importuna, era expectante. O vento, as ondas e o fôlego no pulmão de ambos ansiavam pelo próximo passo.
E antes mesmo que considerasse qualquer coisa, Sakura estava em pé em sua frente com as mãos deslizando suavemente pelo colar de lírios em seu pescoço, pelos ombros fortes até chegar em seu peitoral, sentindo a sutil camada de pelos pela gola da camisa. O contato foi tão inesperado que enviou uma corrente de excitação em seu âmago.

— Me-me diz... eu... te deixo nervosa, Kakashi? — A voz era apenas um sopro, a respiração irregular enquanto seus dígitos exploravam. Ele não respondeu, estava de olhos fechados, perdido nas carícias. Estava sonhando? — Você me deixa nervosa... Demais. — Ela avançou os lábios pelo seu pescoço, sentindo o perfume. Kakashi não conseguiu se controlar, gemeu baixinho. E isso a motivou, as mãos agora agarravam com uma certa força sua nuca e o cabelo grisalho.

Kakashi não era mais dono do seu próprio corpo, seus dedos conseguiam apenas segurar as bordas do banco, procurando na pedra fria algum apoio para aquela avalanche de sensações. Ela investiu outra vez, beijando a pele atrás de sua orelha, a língua quente provocando-o, instigando-o a sentir o calor que existia em seu corpo.

— Eu-e... Ah... — Ela gemeu, manhosa. Encaixando as pernas na cintura Kakashi, sentindo a ereção dele tocar sua parte sensível. — Deus... vo-você está assim por mim?  — Seu quadril rebolou involuntariamente e ambos suspiraram ofegantes. — Só com isso? Me quer tanto assim... — Kakashi segurou a cintura de Sakura com força, arrancando outro suspiro. 

— Sakura — Chamou, sentindo a língua em sua mandíbula e em seu queixo. — S-sakura... — Segurou os ombros dela, afastando-a de si. Nunca em sua vida havia recebido um olhar como aquele, com tanto desejo. Se sentiu um criminoso por interromper algo que estava prestes a aflorar. — Eu não entendo.

— Eu quero você. — Ela o encarou por alguns segundos, lambeu os lábios e sorriu. Como se tudo fosse simples assim, o tempo todo. — Você por acaso sabe o significado do seu colar?

— Amor, paixão... — Sentia-se tímido, não deveria já que havia escolhido aquela flor para dizer que estava apaixonado, perdidamente apaixonado por ela.

— Não é só paixão! — Segurou o rosto dele entre suas mãos, buscando sua completa atenção. — Significa amor duradouro, desejo eterno. Lírio é para os amantes, é dizer que só existe aquela pessoa no mundo. Quando um homem usa lírios é para dizer que ele deseja ardentemente uma mulher. — Ela aproximou os lábios para perto, sussurrando. — Você me deseja ardentemente, Kakashi? — O hálito de Sakura tinha cheiro de amoras-silvestres, quente e convidativo. — O que mais você precisa entender?...

O que mais deveria ser dito? Nada seria suficiente, não havia mais necessidade de porquês, de poréns. Ele a queria e ela o queria de volta também. Tão linda e sensual, se entregando completamente.
Ele rompeu a distância, sentindo a boca dela sobre a sua, suave e macia. O beijo em princípio foi apenas um tocar de lábios, mas Sakura estava faminta e não demorou para deslizar a língua ansiosa para dentro, enroscando-se na dele. Kakashi gemeu, um gemido rouco e necessitado. Se fosse jovem e imaturo, estaria constrangido por parecer um garoto perto de uma mulher, completamente à sua mercê, mas não era mais jovem e Sakura Haruno estava o fazendo se sentir um maldito sortudo por apenas alguns toques, em chamas por apenas um beijo. — E o mérito era dela, apenas dela.

Transpareceria todas as sensações que ela estava provocando, sem vergonha ou orgulho. E ela adorava, todo novo suspiro dado era prontamente devorado servindo de combustível para o seu prazer.

— Tão boa, tão linda... — Ele beijava com devoção o decote dado de bom grado perto do seu rosto, sua mão esquerda servia de apoio, segurando firme a base da coluna de Sakura que mantinha a cabeça tombada para trás, perdida em seu torpor. A outra mão subia pela coxa direita, apertando, testando em sua palma os músculos trêmulos pelo desejo. Kakashi sentia seu corpo gritar pelo simples prazer carnal de tocá-la — Ah, Sakura, como eu pensei em você desse jeito...

Era forte demais, pungente demais. Já não conseguia esperar mais.

— Vamos. — Ela saiu de seu colo, puxando-o pelo braço. Kakashi riu, levantando.

 

“Desço pra rua, sinto saudade
Gata selvagem, sou caçador
Morena, flor do desejo
Ah, teu cheiro matador!”

 

No fim, acabaram na estufa da fazenda, e assim que pôs os olhos nos lençóis e almofadas no chão, foi completamente atingido pela a realização de que Sakura havia premeditado aquele encontro, então foi demais para suportar. Ela desabotoava com pressa os botões frontais do seu vestido, com o rosto corado e lábios inchados devido aos beijos trocados. Como haviam chegado até ali, era um mistério.
Atraente, viva e desejosa, era assim que Sakura estava se sentindo nos braços de Kakashi, faminta por algo forte. Faminta pelos olhos vorazes que não perdiam um só movimento do seu pequeno strip tease: o laço do ombro esquerdo sendo desfeito, em seguida o direito. O tecido caiu expondo os seios médios que subiam e desciam no ritmo da sua respiração afetada. Ele suspirou necessitado quando o vestido e a calcinha branca abandonaram o corpo esbelto dela, deslizando pelas pernas firmes, terminando no chão. Sakura com o seu perfume inebriante estava o levando ao limite, sem precisar de nada mais que seu corpo nu.

Sem delicadeza alguma, ele arrancou a camisa de maneira quase afobada, tirando uma risadinha da mulher linda em sua frente, e Sakura encarou sem cerimônia alguma o abdômen absolutamente bem trabalhado de Kakashi, era gostoso como sempre imaginou que seria por baixo das roupas. Ele caiu de joelhos sob os lençóis.

— Venha aqui. — Puxou Sakura pela cintura para mais perto, soltando uma lufada de ar quente no ventre dela, sussurrou contra sua pele. — Uma palavra, Sakura... Me diga o que quer... — Seu nariz raspou pelo quadril largo, pela barriga plana. Apertou com força a bunda farta.

Ela já não conseguia pensar em mais nada, apenas em manter-se em pé diante do prazer proporcionado.

— Ah...Ka... — As mãos moveram-se erráticamente para os cabelos devidamente bagunçados dele, quando o sentiu depositar um beijo casto em seu monte de vênus. — Ka-kashi... — Apertou os olhos com força, seu corpo antecipando o que viria a seguir.

— Estou aqui, querida. — Beijou outra vez no mesmo lugar. — Estou aqui por você, é tudo pra você... Sabe disso, não é? — Os dedos subindo pela parte interna das coxas dela. — Eu quero que seja apenas pra você, Sakura. — Ela gemeu baixo. — Me diga o que quer... 

Ver aquele homem de joelhos em sua frente, com a voz embargada em volúpia era como ir ao céu e voltar várias e várias vezes. Estava tão, tão entregue que se desmancharia de prazer a qualquer segundo. Venerada, o adjetivo ideal para esse sentimento que lhe era oferecido. Adoração nítida, estampada nos olhos escuros e sensuais de Kakashi.

— Sua língua...

Quase chorou quando o sentiu beijar primeiro a carne das suas coxas, lentamente de um jeito atiçador, em nenhum momento quebrando o contato visual, desafiando a racionalidade dela. Seu corpo inteiro tremia, necessitando de contato na parte sensível entre suas penas que precisava tanto dele. A língua quente resvalou perto da sua virilha de uma maneira tão gostosa que quase a fez perder o equilíbrio, segurava desajeitadamente os ombros sardentos dele, buscando suporte.

— Por favor... — O hálito quente tão perto de lá. — Por favor... 

Sua língua deslizou exploratória e gentil, foi impossível Sakura segurar o grito quando a sentiu, sua intimidade já está tão sensível, que gozaria a qualquer instante, e ele percebeu. Kakashi tomou as mãos dela sobrepondo-as com as suas, rumando aos seios delicados, pedindo que Sakura o mostrasse como ela queria; pedindo que o ensinasse o jeito que gostava de ser estimulada. Suas mãos tornaram-se apenas um par, ela apertava e ele seguia os movimentos, sussurrando o quão perfeito era o seu corpo, o quanto ele a queria desde do primeiro encontro. Uma onda de deleite atravessava seu corpo inteiro, a cadência da boca e mãos de Kakashi a deixaria louca.

— Porra, o seu cheiro é incrível... — O sentiu enfiar um dedo em sua entrada e gemeu alto. — Você tá tão molhada, tão pronta... — Ele beijou, sugou e lambeu o seu clitóris, e ela quase desmaiou quando o flagrou fazer tudo aquilo com os olhos fechados, como se estivesse a saboreando, deleitando-se nela. — Quer gozar, meu bem?

— S-sim! — Pediu, fraca.

— Hmm...

Ele introduziu outro dedo aumentado o ritmo das suas investidas, a língua escorregando de cima a baixo, experiente e provocativa. Empurrando Sakura para aquele vórtice de sensações. O mundo tornava-se um borrão branco, o conhecido abismo a chamando para entregar-se, mas diferente das outras vezes, aquele orgasmo lhe era oferecido com dedicação, com vontade e exclusivamente para o seu prazer, que a fez gritar e cair sobre o homem em sua frente, trêmula e afetada.
Uma visão divina: Kakashi com o queixo molhado e com um sorriso safado na boca.
Mal havia se recuperado do que acabara de acontecer, e lá estava ele, a incendiando novamente. Era imoral, obsceno o jeito que ele lambeu os dedos embebidos pela sua excitação. Avançou nos lábios dele, sentindo uma satisfação mundana quando sentiu o seu próprio gosto, assistindo o sorriso desaparecer no rosto dele dando espaço para uma expressão necessitada e entregue. Ela o empurrou, fazendo-o se deitar nos lençóis.

— Eu quero outra vez, Kakashi... — Ela rebolou no colo dele, arrancando um gemido rouco. Ele parecia tão indefeso embaixo dela, os braços largados e olhos cerrados. Sakura sentia-se uma deusa, contemplando-o se perder com um simples movimento, entorpecido quando ela o chamava pelo nome.

— O q-que... você quiser... — Não existiria resposta mais certa para fazer crescer aquela urgência em tocá-lo.

Então devorou seu pescoço, mordeu os ombros largos e desceu para o peitoral e o abdômen firme, traçando uma linha imaginária de beijos e língua. O corpo viril e alvo, adquirindo um encantador tom de vermelho onde fora marcado; ele mantinha a boca entreaberta, completamente inebriado. Havia pensando nela de tantas maneiras, e agora Sakura estava executando todas suas fantasias do jeito mais fantástico possível. Ela logo o livrou da calça e da cueca que usava, facilitando o seus toques no pênis inchado e duro. Sakura estava com pressa, suas mãos fazendo um doce movimento de vai-e-vem. Kakashi daria o que ela queria, estava ali unicamente para isso, para satisfazê-la em tudo que ela pedisse. 

— Você quer que eu te coma? — Colou seu corpo com o de Sakura, roçando seu pau na barriga dela, fazendo-a arfar com a brusca mudança na posição. — Eu quero muito, Sakura... — A abraçou mais perto, deixando um beijo molhado perto da sua orelha. — Quer que eu implore? — E foi ele que gemeu quando a sentiu pegar no seu membro com força e a mão quente. — Me deixe fazer amor com você, Sakura. Eu preciso disso. Por favor.

Explodiria, ele estava causando um incêndio dentro do seu interior, no centro da sua intimidade... O beijou outra vez, com mais luxúria ainda. As mãos grandes e precisas de Kakashi enviavam um rastro de fogo por onde passavam, causando uma febre no seu ventre. Novamente seus dedos seguros estimulavam o pequeno botão no meio de suas pernas, enquanto ela mantinha-se masturbando-o. Ambos perdidos no prazer, sem palavras a serem ditas, apenas gemidos e suspiros entrecortados pelo tesão latente. Quando a situação se agravou para perto de outro orgasmo, Sakura precisava mais do que mãos dessa vez. Rapidamente ficou de quatro, olhando para Kakashi sob o ombro direito, e ele teve que respirar fundo para não gozar apenas com aquela visão.
Inclinou-se sobre ela, saboreando a pele salgada e perfumada das suas costas, aquele cheiro de limões e tangerinas dominando seus pensamentos. Sakura se contorceu ansiosa quando ele alternou uma das mãos entre seus mamilos intumescidos, beliscando e provocando enquanto a outra continuava na deliciosa fricção em sua buceta.

— Ka-kakashi... — O sentiu entre suas pernas. — Eu preciso. Agora. — E ele adoravelmente a obedeceu.

Ela estava tão pronta para recebê-lo dentro, que seu pau foi completamente abraçado e engolido por Sakura, que parecia estar cem vezes mais excitada do que ele poderia estar. Mas sinceramente não acreditou nisso. Kakashi estava no paraíso, aquela mulher era a prova concreta que estava em algum lugar do céu, enredado nos braços da Deusa da beleza e sedução. Seu quadril chocando-se com força na bunda empinada e redonda, não resistiu a um aperto, pondo um pouco mais de pressão.

— Assim, assim...

— Gosta com força, meu bem?

Ela gemeu, sentindo um arrepio dominar seus braços, fazendo-a fraquejar.

— Sim...

— Você é tão safada, Sakura. — Ele murmurou, mordiscando a pele da sua nuca. Era quase impossível falar, dada a certa selvageria que investia nela. — É... tão gostosa! C-caralho, eu quero tanto você...

Seus corpos pareciam terem sido feitos para aquele momento específico, para mexer naquela sincronia sem igual. Sakura segurava os lençóis entre os dedos com desespero, com os sentidos ébrios. Aquela velocidade era animalesca, mas ela queria mais e mais. Kakashi gemia tão rouco, que era quase um rugido. O suor escorria pelas costas, seus músculos formigando com o orgasmo iminente, a quentura delirante que subia pelas suas pernas, tombando a sua razão. Nunca em sua vida havia sentido essa sensação com tanta força. Sakura gritou alto quando gozou outra vez, esmorecendo nas almofadas, completamente perdida em seu torpor. As contrações do seu prazer foram tão fortes, tão aguçada que ele se desmanchou em seguida, urrando pelo júbilo de estar com aquela mulher quente, bela e excitante.

O mundo exterior era apenas uma lembrança vaga, nada mais importava a não ser o que eles faziam ali. A madrugada seria longa, preenchida pelos sons de dois amantes que afogavam docemente nas águas cristalinas do desejo.

 

Os raios de sol surgiam, a luz invadindo a estufa e banhando em amarelo-pastel o homem que dormia serenamente ao seu lado. Automaticamente Sakura sorriu, reinvocando em sua memória todas as carícias de algumas horas atrás. Sentou, sentindo o corpo sensível, deliciosamente sensível. Havia finalmente se entregado, mas agora mesmo a vontade estava acendendo dentro de si. Bem, se ele tiver interesse em fazer sexo novamente, o chamaria e fariam mais duas vezes. Assim o teria em suas mãos e evitariam conversar sobre o que viria depois...

Haveria depois?

Balançou a cabeça, tentando desanuviar seus pensamentos e temores. Ele não tinha prometido nada, não tinham jurado amor ou feito planos para depois, mas porque sentia-se triste? 

Não se arrependeria do que havia rolado entre eles, jamais deixaria o medo da distância embotar a sua decisão em relação a Kakashi. Ela o queria também, ela o procurou porque o quis, não se arrependeria. Porém, qual seria o próximo passo? Trocariam seus números de telefone e esperaria que ele a ligasse? Ou fingiriam que nada havia acontecido?

Bastaria conviver com a lembrança de uma noite e nunca mais o ver?

Estava tão absorta em suas dúvidas, que teve um pequeno susto quando sentiu os lábios quentes de Kakashi em seu ombro nu, tentou sorrir com o gesto, mas um bolo se formava em sua garganta. Não bastaria conviver com a lembrança de uma noite...
Já tinha um bom tempo que ele tinha despertado, assistia Sakura perdida olhar para um canto vazio com uma expressão igualmente oca. Sabia exatamente o motivo daquela contemplação silenciosa, sabia que precisavam conversar, mas o que deveria ser dito? Uma agitação pressionava seu peito.

Aniquilando todas as suas expectativas, Sakura foi a primeira a falar, expondo o futuro dessa relação;

— Você pensa em voltar ano que vem?

A voz era apenas um sussurro baixo e distante, em nenhum momento ela conseguiu o olhar apropriadamente, não tinha forças para isso. Tentou aparentar indiferença na pergunta, mas o tremor a denunciou no mesmo instante.

— Ei, olha pra mim. — Delicadamente puxou o queixo dela em sua direção, havia tantas emoções nas orbes verdes sutilmente marejadas que partiu seu coração. — Sakura, eu não volto ano que vem. — Sua mãos deslizaram pelas laterais dos rosto dela, em um ato carinhoso. Concluiu de maneira firme. — Volto antes, bem antes. Porque você é a minha paixão de verão, de primavera e de toda estação que vier...

 


Notas Finais


E foi isso...

https://www.youtube.com/watch?v=MxeTMbTBVXY&ab_channel=LetraseTradu%C3%A7%C3%B5es

Espero que tenham gostado, de verdade!
Um beijo enorme no coração de vocês <3

Até breve!


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