História O Livro do Chaos - Capítulo 14


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Categorias Mitologia Celta, Mitologia Nórdica
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Chaos, Mitologia, norte, Saga
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Palavras 2.865
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Survival, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Sinto muito pela demora, escrever um livro e mais difícil do que eu pensava, mas agora estamos finalmente nos trilhos, este é o primeiro de quatro desafios que nosso herói terá de enfrentar, com vocês o caminho do caçador

Capítulo 14 - Primeiro Marco: A Corça


Fanfic / Fanfiction O Livro do Chaos - Capítulo 14 - Primeiro Marco: A Corça

   Raven se aproximava cautelosamente medindo o próximo movimento, os olhos azuis atentos e o machado erguido contra Chaos, os pés firmados no chão de terra a três passos de distância, Chaos mantinha a espada a postos, ambos já estavam cansados, apesar do frio sentia a roupa colar no peito pelo suor, cada respiração formava nuvens de vapor, decidiu ele mesmo começar o próximo ataque, avançou sobre Raven em um movimento lateral, ela aparou o ataque e reverteu o movimento, espada e machado colidiram com um estalo, Chaos prosseguiu o ataque enquanto a garota aparava os movimentos esperando uma abertura, mas cometeu um erro, apoiou todo o peso em uma única perna, Chaos abaixou em um movimento circular atingindo-lhe a perna de apoio com uma banda, Raven caiu de costas, ele apontou a espada para o peito dela enquanto o machado quicava para longe.

- O que eu te disse? - perguntou ainda com a lâmina sobre ela.

- a arma em mãos não é a única arma…uh… e mantenha a postura equilibrada - respondeu Raven desanimadamente com a vasta cabeleira ruiva espalhada pelo chão, Chaos ofereceu-lhe a mão e a ajudou a levantar.

- mas Lord Chaos, como eu vou lembrar de tudo isso e ainda se concentrar na luta?

- não vai. Você tem que sentir, tem que ser natural como respirar.

ela tinha estado distraída nos últimos dias, mas Chaos não podia culpá-la era difícil treinar com toda aquela gente olhando, sempre que o treino começava várias pessoas se reuniam em volta observando e fazendo comentários, por vezes até mesmo torcendo, nada disso ajudava, mas ele sabia que em uma luta de verdade qualquer coisa pode acontecer, é preciso manter o foco, por tanto tornou a “plateia” parte do treinamento.

- Acho que já chega por hoje… ah, Raven você melhorou muito até agora.

- obrigado Lord Chaos.

Raven se afastou envolta em incentivos das outras mulheres do grupo, sorrindo e agradecendo constrangida, e é claro tropeçando em uma pedra, de fato estava melhorando, sua postura e reflexos evoluíram de forma surpreendente, não só isso, quando a encontrou na caverna a moça estava quase esquelética, com olhos fundos e braços parecendo gravetos, agora poucos mais de dois meses depois estava com mais saúde, parecia mais alta, com formas mais suaves, mais… voluptuosa. Chaos agora se sentia meio hipnotizado quando a olhava, talvez pela vasta cascata de cabelos vermelhos acetinados que agora caiam-lhe até a cintura em longas mechas onduladas que brilhavam ao sol, Raven agora era como um ponto no meio de uma folha branca, por mais que tentasse olhar em volta sua visão sempre voltava para ela.

Chaos lavou esses pensamentos da cabeça em um riacho próximo, a água estava semi-congelada mas foi bom para despertar os sentidos. A caravana vinha seguindo para o Oeste como Aela o instruiu, e ele aos poucos foi conhecendo seus novos protegidos, começava a se afeiçoar de verdade a todos, e os via cada vez menos como um fardo para carregar, Aela disse que ele saberia quando volver para o sul, oeste e depois norte, que haveria monólitos para guiá-lo, mas estavam avançando para o oeste a semanas e não encontrou nada, no meio da floresta a caravana se arrastava com dificuldade e tinham várias vezes que fazer a volta para encontrar um espaço entre as árvores, faziam apenas um par de meses desde a queda de Deads Borough, e agora estava ali, Lorde de um povo que não era o seu e guiando um comboio de caravanas, pensando se algum dia sua vida voltaria ao normal, o som de passos o afastaram de seus pensamentos, Siegfried se aproximava bufando animado com alguma coisa.

- Lord Karl, encontramos uma coisa que o senhor precisa ver.

passando alguns olmos enormes e cheios de musgo várias pessoas paravam espantadas, quando ele se aproximou pensando que era mais um monstro, lá estava ele, o gigantesco bloco de pedra se erguia a quase três metros de altura, com runas e imagens intrincadas esculpidas na própria rocha, mostrava uma árvore com nove frutos nos galhos cada um diferente dos outros embora pendessem da mesma árvore, no alto dela havia uma águia, um esquilo se agarrava a lateral e um dragão se enrolava nas raízes, na escultura a árvore estava florida e os animais dormiam, a Árvore de Yggdrasil, abaixo do desenho esculpido da árvore havia outro, uma corça em alto relevo esguia e bela, quando olhou as runas sobre a imagem elas brilharam em cinza e ouviu a voz de Aela na cabeça como se estivesse lendo, vozes fantasmagóricas e sinistras a acompanhavam, sussurrando em seus ouvidos:

- Jaz diante de ti o primeiro monolito, a corça será vossa primeira caça.

- Silêncio será seu aliado, pois seus cascos não podem ser alcançados.

- cuidado com o vento sobre a marca, vá sozinho ou encontre desgraça.

- Aos pés desta antiga e grande pedra, deposite seus chifres dourados.

e então subitamente parou, não só as vozes mas todos os outros sons, Siegfried movia a boca mas não havia som, outras pessoas também falavam sem som, mas não estava surdo podia ouvir os sons da floresta, galhos remexidos pelo vento, pios de pássaros, e o som de coisas se arrastando, chegando cada vez mais perto.

- …dos Patronos certamente, o que acha Lord Karl

Siegfried o olhava esperando uma resposta, os outros também

- vocês ouviram? esse...- Chaos via a nítida confusão em volta

- ouviram o que Lord Karl? - perguntou Torbjorn um homem corpulento de cabelos e barbas castanhos

- todo mundo espera aqui, montem o acampamento, tenho que fazer uma coisa, - se lembrou do aviso - e aconteça o que acontecer não me sigam.

 Todos assentiram meio confusos com sua atitude, Chaos avançou floresta a dentro em meio a um silêncio pensativo se afastando dos outros.

A floresta estava barulhenta e vivida conforme ele avançava, tentava fazer silêncio, vários minutos se passaram antes de ver a primeira corça, um animal belo e esguio pastava a poucos metros dele, mas algo lhe dizia que não era aquela, encontrou coelhos, arminhos e javalis malhados. Melros, tordos e cardeais além de uma coletânea de fadas que não sabia o nome, algumas do tamanho de uma criança outras pequenas como passarinhos. Encontrou Dainos e Gamos, e até um urso que achou melhor manter distância mas nada de Corça mágica.

Já estava cansado de procurar e começando a ficar meio perdido, recostou-se em uma árvore para recuperar o fôlego, e foi quando ela saiu de trás de uma árvore bem a cinco metros de distância, era realmente uma linda corça, sua pelagem era branca destacando o focinho e olhos negros, os chifres eram dourados, não apenas amarelos, eram feitos de ouro os chifres e os cascos, e falando nos cascos estavam envoltos em chamas, um fogo branco bruxuleava nas patas do animal e a cada passo fazia crescer grama flores ou mudas de árvores, possuía um brilho quente que espalhava um perfume pela floresta e atraía outros animais que se reuniam em volta dela, e Chaos estava ali para matá-la.

Chaos ficou pensando em como fazer isso enquanto seguia a corça silenciosamente, não tinha um arco e mesmo que tivesse não conseguia atingir uma parede a um metro de distância, também não levou a faca de caça só sua espada, observava a corça brincando despreocupada com outros animais, dando pulinhos e bramindo feliz enquanto animaizinhos e pássaros a rodeavam e ele a espreitava das sombras, começou a questionar por que uma Patrona o pediria para matar um animal inocente, mas sabia que os inocentes eram sempre o maior sacrifício, e era provavelmente isso oque Aela queria, sacrifício. Chaos se aproximou um pouco mais e a corça ergueu o focinho farejando o ar, ele rolou rapidamente de volta para onde estava, e se escondeu entre as raízes de uma bétula, percebeu que o vento soprava na direção dela, Freya o avisara uma vez que os animais se guiam pelo cheiro mais que pela visão, se lembrou da voz fantasmagórica de Aela “cuidado com o vento sobre a marca” marca era outro jeito de dizer presa, o que mais ela tinha dito? não conseguia se lembrar, algo sobre silêncio, e sobre pegar os chifres dela, foi então que Chaos bolou um plano, com um salto se equilibrou em um galho a cinco metros de altura e se aproximou sobre as árvores, a corça não poderia fareja-lo do alto, conseguiu ficar sobre ela enquanto ela parava para beber de um córrego que cortava a floresta, era aquela a chance, Chaos sacou lentamente a espada o ferro parecia mais escuro, como se sentisse suas intenções, olhou mais uma vez para aquela linda corça de chifres e cascos dourados e pulou sobre ela do alto da árvore mirando a cabeça, tudo aconteceu em um segundo, Chaos brandiu a espada com ambas as mãos para um corte limpo e preciso depois girou o corpo e puxou os braços com toda a força em diagonal, a corça se assustou, houve um nauseante ploft caindo na água limpa do córrego seguido por Chaos que caiu em cima das pedras, a corça bramiu aterrorizada e correu mata a dentro, as vozes tinham razão, quando a corça correu tornou-se um borrão indistinto que desapareceu em um piscar de olhos, nunca seria capaz de alcançar aquele animal… mas não precisava, Chaos sorriu, se abaixou e recolheu o par de Chifres dourados caídos junto ao córrego. O golpe havia funcionado, de acordo com as vozes só precisava levar o chifre de volta, então quando pulou mirou neles, com o susto a corça abaixou as orelhas e ele girou o corpo com toda a força para cortá-los, pois leu em um livro a muito tempo que aqueles chifres cresciam de volta, conseguiu manobrar a lâmina para não ferir a corça embora ainda tenha arrancado um tufinho de pelos do animal.

Levou mais de duas horas para encontrar o caminho de volta cansado e dolorido, o sol já se abaixava por entre a intrincada abóbada de galhos desfolhados das árvores quando chegou no monolito de pedra, todos o esperavam em volta dele com as caravanas postas em um semicírculo, Freya e Frey discutiam sobre uma vigésima lua ou coisa assim, Raven se sentava em uma das caravanas fasendo tranças em Pan. Siegfried Jorleif e Tormund faziam queda de braço, enquanto Asta e Frigg os observavam aos suspiros, até os lobos já chegavam para a noite, quando o viram o receberam como um herói voltando de uma cruzada, com vivas, tapinhas nas costas um pouco fortes demais dos homens e abraços constrangidos das mulheres, as crianças pulando em volta, ficou sabendo que todos ficaram preocupados depois dele sumir de repente, queriam procurá-lo mas Siegfried os lembrou que Chaos havia dado ordens para ficar, é claro que não foram bem ordens e ele o chamou de Karl mas enfim, todas aquelas pessoas felizes em vê-lo o lembrou de sua tia, ela sempre ficava feliz de-tê lo em casa, e sempre se preocupava quando saía mas nunca ia atrás dele, pois confiava nele. Chaos agradeceu a todos e foi até o grande monólito se ajoelhando diante dele os chifres e a pedra começaram a ressonar um com o outro e ele os colocou em um pequeno altar diante da pedra, o que gerou uma explosão de luz e cores, uma brisa fresca de primavera soprou da pedra enquanto runas brilhavam e dançavam no ar, e então tudo desapareceu deixando apenas uma chave de pedra no lugar dos chifres, belamente esculpida e adornada de runas, Chaos ouvia novamente a voz de Aela, dessa vez sem os fantasmas

- Recolha a chave caçador pois ela é o teu prémio, o primeiro passo da vossa jornada jaz completo, ó aquele que foi para o Oeste e da primavera a brisa encontrou, vá para o sul, para o oeste uma vez mais e então no norte encontre teu destino, na mesa de pedra seu povo o aguarda, rumando à velha torre que apresenta a esperança e a destruição, se o inverno sobre ela suas garras bater, seus ossos e sangue lançados a terra serão.

Chaos apanhou a chave e se virou para os companheiros

- os Aesir falaram comigo, devemos agora ir para o sul - disse erguendo a chave enquanto todos aplaudiam animados.

Depois de tudo foi até a caravana que lhe cabia e desabou nos tapetes grossos que serviam de cama, pediu que trouxessem seu jantar quando estivesse pronto, e ficou lá deitado no interior escuro da caravana correndo as três cicatrizes do rosto com os dedos, depois acendeu a lamparina e pegou a chave enquanto Raven entrava pela cortina com Pan ao lado, trazia também uma bandeja de madeira com três potes de ensopado sobre ela, como esperado tropeçou e jogou a bandeja sobre ele, mas Chaos a segurou a tempo, aparou a bandeja com uma das mãos e a segurou pela cintura com a outra, quando lutava a jovem era bastante coordenada, mas em geral vivia tropeçando nos próprios pés.

- ah, sinto muito eu sou tão desastrada.

Raven se segurava nele com uma mão sobre o pescoço e outra nas costas como se tivessem acabado de encenar uma valsa, Chaos sentiu-se estranho como se seus órgãos internos tivessem começado a girar dentro dele e o coração tentasse sair do peito aos empurrões, sentia o rosto vermelho. Depois de quase um minuto de constrangimento silencioso, ele a pôs de pé e coçou a cabeça.

- não, tudo bem, já estou acostumado, obrigado por trazer a comida

Ele Raven e Pan se sentaram na caravana comendo a sopa, como Pan não comia sozinha Raven a sérvia sorrindo e disendo - diga aaah... - Chaos a olhava hipnotizado mais uma vez, quando o viu olhando Raven apenas sorriu, e uma carga elétrica percorreu todo o seu corpo como uma pancada, Pan o olhava também e ele se sentia culpado, mas não entendia o porque, seu corpo estava lhe dando choques como se tivesse algum defeito, por que sentiria culpa? e porque só quando Pan o olhava? nada fazia sentido, teria a ver com a tarefa do caçador? não saberia dizer, por isso agradeceu quando foi interrompido por Frey que entrou correndo na caravana,

- Frey… - comprimentou Chaos mas ele não lhe deu ouvidos.

foi até a mochila e pegou uma faca, tinha runas encravadas e parecia feita de um tipo de pedra, mas era polida e bem aparada de forma que mal se distinguia de uma feita de ferro, rosnou um - sai da frente! - ao passar por ele e saiu, Chaos obviamente foi atrás dele.

- ei, o que está acontecendo? - disse quase correndo para acompanhar o rapaz

- não posso falar agora tenho que encontrar minha irmã - ele parecia muito nervoso

- ok então eu vou com você, dois procurando será mais fácil.

Frey se virou e o agarrou pelo casaco

- Você não entende, lordezinho, só eu posso ajudá-la, você não é o caçador! e enquanto eu estou aqui perdendo tempo com você ela pode estar sendo devorada por uma fera. esse é o nosso fardo. não se meta!

Frey o largou e correu mata a dentro, deixando Chaos para trás, ele sabia que Frey não queria ajuda mas não deixaria nenhum amigo dele ser devorado por feras, correu mata adentro, só depois se dando conta de que suas armas e a mochila haviam ficado na caravana, agora era tarde demais para voltar, pela segunda vez em um só dia estava sozinho na floresta, não via Frey, Freya ou fera em nenhum lugar, depois de passar por um regato quase uma hora de busca mais tarde encontrou Freya sentada em uma rocha, abraçava as pernas e olhava a água escura.

- Freya, aí está você, seu irmão… - lágrimas escorriam dos olhos dourados dela, pingando no regato, só podia vê-la graças a claridade da lua espelho. - oque ouve? você está bem?

- não queria colocá-lo em perigo, não quero colocar ninguém em perigo, por isso me afasto quando a vigésima lua chega, a fera está atrás de mim, não de você ou do meu irmão, nem de ninguém do acampamento, se eu ficasse, seus lobos não iriam detê-la.

- Freya do que está falando? - disse chegando mais perto

- a culpa é minha, fui eu que… - Freya ergueu a cabeça subitamente olhando em volta - Não! Chaos ela está se aproximando, por favor fuja.

- Não vou abandonar você, seu irmão também não, ele está te procurando deve chegar logo, vamos enfrentar essa fera.

Chaos tentou parecer confiante mesmo tendo esquecido sua espada, mas em sua cabeça tinha dúvidas, enfrentou o lobo antes mas tinha sua espada, sem falar que morreu enfrentando o lobo, olhava em volta atento procurando pela fera, mas não via nada, até que Freya se curvou, e se pôs de quatro sobre a rocha, a cauda alongada chicoteando no ar e as orelhas felinas grandes e pontudas, uma camada de pelos dourados rajados de negro em listras, os olhos ainda dourados mas agora animalescos e selvagens, não era uma fera era um Lince, um felino enorme e carnívoro.

 


Notas Finais


Nosso caminho continua e mais surpresas nos aguardam, (espero não demorar tanto para escrever.)


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