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História O Livro dos Pássaros - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Fiquei muito feliz com a recepção que tivemos. Espero não decepcionar ninguém, <3

Boa leitura!

Capítulo 2 - Inconveniente como um abutre


— Precisa parar de chorar. Quer que todo mundo te veja? — Indra pergunta gentilmente ao irmão, enquanto o menor se encontra em suas costas. Havia torcido o tornozelo enquanto brincavam próximos ao rio. Indra havia avisado que correr perto das pedras não daria certo. 

— Não me importo. — Ashura responde, ainda carrancudo. — Sei que você não vai deixar ninguém rir de mim. Você nunca deixa. 

— É verdade. — Indra ri de si mesmo. — Não se preocupe, eu protejo você. 

— Pra sempre, certo?

— Pra sempre. 

#

Alguns dias após o festival, Sakura definitivamente ainda possuía a mesma opinião sobre matrimônio e filhos. Por isso, quando Nara Shikamaru retornou a Konoha com a grande novidade do mês, ela era a única que não estava 100% feliz com o noivado. 

— Você já soube? — Naruto a interceptou no meio da rua enquanto ela caminhava em direção ao hospital para seu plantão que começaria em trinta minutos. — Shikamaru ficou noivo!

— Bom dia pra você também. — Sakura o respondeu com irritação. 

— O que foi, Sakura-chan? Está chateada comigo? — indagou confuso. 

— Não é com você que estou chateada. — ela respondeu sem realmente o olhar.

Era com o mundo que Haruno estava furiosa. 

Enquanto Shikamaru organizava todas as coisas em seu clã para o casamento e a chegada de Temari, Sakura sabia que em Suna, a loira provavelmente estava se despedindo de toda a sua antiga vida para se tornar uma simples dona de casa em outra vila. 

O mundo era realmente cruel com o sexo feminino. 

— Nós podemos conversar em outro momento? Estou atrasada para o trabalho. — Sakura tentou dizer da forma mais gentil possível, mas o loiro foi deixado para trás com uma expressão confusa e preocupada no rosto. 

Chegando ao hospital, Sakura trocou de roupa e dirigiu-se para começar seu plantão. Quando um enfermeiro lhe entregou as fichas de alguns pacientes que ela tinha que atender logo, seu mau humor retornou com força total. 

— Não pedi para pararam de mandar Yukiatsu pra mim? — ela reclamou ao ver a ficha do jounnin ali de novo. 

— Desculpe, Haruno-san. — o rapaz se desculpou. — Mas a administração continua fazendo isso porque você é a única médica que ele não importuna por horas a fio. 

Sakura estava com vontade de socar alguém enquanto atravessava o corredor em direção à ala onde Yukiatsu Zumen se encontrava. Ao abrir a porta, os olhos verdes percorreram as macas até se encontrarem com os olhos azuis de Yukiatsu.

Faíscas começaram a sair dos olhos dele assim como saíam dos dela. 

— Você de novo? — ele reclamou irritado. — Caramba, o pessoal daqui não gosta mesmo de mim. 

— Estou tão feliz quanto você. — Sakura retrucou se aproximou dele com a cara fechada. — Por acaso, você está se acidentando de propósito só pra ficar aqui sendo paparicado pelas enfermeiras? 

— Pode ter certeza que quase perdi um braço porque estava a fim de uns beijinhos. — ele resmungou.

Ela começou o processo de tirar as ataduras do ferimento recente no braço dele para trocar por novas. Normalmente, fazia isso com todo cuidado e gentileza do mundo. Mas aquele era Yukiatsu Zumen, provavelmente o cara mais mulherengo que já pisara na aldeia. 

— Ei, Haruno! Gostaria de ter esse braço por mais uns anos, se não se importa. — ele vociferou depois de urrar de dor pelo aperto forte que ela deu ao amarrar uma das ataduras. 

— Ah, me desculpe. — ela disse cínica. — Pra um jounnin de Kirikagure, você é bastante delicado, não?

Ele fechou a cara ainda mais enquanto a observava trocar a bolsa de soro ao lado da cama dele. 

— O que você tem? Está mais mortífera do que de costume. — provocou fazendo-a se virar com um olhar de desprezo mais pesado do que o habitual. 

— Nada que seja da sua conta. — ela respondeu e fez mais algumas anotações na ficha dele antes de se virar para sair dali. — E trate de melhorar logo. Não quero ver sua cara amanhã. 

Ela saiu daquela ala e foi tratar de pacientes que verdadeiramente mereciam sua atenção. 

Haruno Sakura era uma mulher pacífica e gentil com todos ao seu redor na maior parte do tempo. Simpatia era praticamente seu nome do meio, como costumavam dizer. 

Só que em algumas raras exceções, como a de Yukiatsu Zumen, isso mudava drasticamente. 

Não é por ele ser por um jounnin de outra vila. Ela não era xenofóbica. Muito pelo contrário. Gostava do fato de Konoha recepcionar tão bem shinobis ao ponto deles quererem sempre regressar para novas missões e estadias na aldeia. 

Seu problema com Yukiatsu Zumen era puramente pelo “santo não bater”. 

Desde a primeira vez que o vira, não fora com a cara dele. E ele parecia ter a mesma reação para com ela, o que também tinha sido bem raro.

Yukiatsu era alguns anos mais velho. Tinha 23 anos, lindos olhinhos da cor do mar, cabelos quase da cor de mel e feições muito bem colocadas. Ele era um gato, ela tinha que admitir. Ainda por cima, era simpático com todo mundo, estava sempre fazendo piadas e tentando animar o ambiente. Além disso, era um shinobi extremamente habilidoso. Um jounnin pertencente a Kirikagure, que segundo boatos, herdaria a liderança de um poderoso clã daquela vila em breve. Tinha um certo ar de mistério naquele uniforme estrangeiro que ele usava e deixava todo mundo com as pernas bambas. 

Mas Sakura odiava o fato dele dar em cima de qualquer rabo de saia que aparecia na sua frente. Achava prepotência até. Ele agia como se qualquer mulher no mundo fosse se apaixonar por ele. E talvez essa confiança toda ajudasse porque, de fato, todas as enfermeiras e várias médicas jovens daquele bendito hospital eram completamente apaixonadas por Yukiatsu. 

Exceto ela, que o odiou desde a primeira cantada que ele lhe deu, na primeira vez em que sofreu um ferimento grave enquanto fazia uma missão no País do Fogo e foi até o hospital de Konoha para se tratar. Sakura foi a responsável por atendê-lo, três anos antes, logo após o fim da guerra, quando ela começou seus pequenos trabalhos no hospital. Logo após pedir que calasse a boca e não desse em cima dela, Yukiatsu se irritou com o fora. 

E desde então, viviam em pé de guerra. O que só piorava toda vez que eram obrigados a se ver, já que a diretora do hospital sabia da fama de mulherengo do rapaz e tinha pleno conhecimento de que mandar outras médicas lhe atenderem resultaria em horas de papo furado ao pé da cama dele. Sobrava para Sakura a tarefa de cuidar de Yukiatsu, já que por se odiaram, ela só fazia o que tinha fazer e já cuidava de atender o resto dos pacientes, e como ele compartilhava do desprezo por ela, tratava de ficar bom logo para desocupar um leito e voltar logo para cumprir sua missão. 

Mas pelo visto ele gostava tanto de fazer missões em Konoha que já tinha até um apartamento na aldeia. Sakura escutou algumas enfermeiras falando sobre isso certo dia, enquanto estavam ansiosas para serem convidadas a visitar o lugar. 

Arrogante, cínico e mulherengo. 

Era uma das poucas pessoas do mundo que ela não faria questão de ajudar se ele pegasse uma doença infecciosa e estivesse à beira da morte. 

Horas mais tarde, pouco antes de sair de seu plantão, Sakura foi checar se Yukiatsu ainda continuava lá. Sim, continuava. Inclusive, quando ela abriu a porta, havia um bando de enfermeiras ao redor da cama dele, respondendo animadas ao seu jeito galanteador. 

— Yukiatsu! — Sakura bradou. 

— E a minha fã número 1 está de volta! — ele resmungou fechando a cara ao vê-la. 

— O que vocês estão fazendo todas aqui? — a diretora do hospital surgiu atrás de Sakura, assustando a ela e a todas as enfermeiras naquela ala. 

— Eu acabei de chegar. — Sakura tratou de informar antes que a corda arrebentasse para o seu lado também. De jeito nenhum que levaria bronca por causa daquele imbecil. 

— Zumen precisa de tantas pessoas assim para trocar ataduras? — a mulher bradou furiosa por ter aquele bando de enfermeiras cercando o rapaz como se ele fosse o último homem no mundo. Pareciam um bando de abutres. 

— Não grite com as moças, Mori-sensei. — Yukiatsu usou aquele seu tom charmoso. — A culpa é minha de ficar distraindo-as com minhas aventuras em Kirigakure. 

— Poupe-nos de suas conversas fiadas, Zumen. — vociferou a diretora. Ela olhou para Sakura e diminuiu o tom de voz ao se dirigir à ela. — Você já pode ir. Quanto às suas namoradas, Zumen, quero todas na minha sala assim que o expediente finalizar. 

Sakura tratou de sair do recinto o mais rápido possível. Tinha conseguido escapar ilesa da situação e não queria abusar da sorte. 

Ela foi ao vestiário do hospital para trocar de roupa e sair logo dali. Só queria ir para casa, tomar um bom banho quente e cair na cama por várias horas depois daquele exaustivo dia. 

#

Sasuke continuou indo para o sul, caminhando pelas estradas daquela terra estranha para si, buscando aumentar a distância entre si e Konoha, como se isso pudesse cortar suas ligações com a vila. 

Ele chegou a outro vilarejo como o anterior, pequeno e cheio de civis. Ao ser recepcionado por um dos anciãos, ele pensou em perguntar onde estava. 

Mas não faria diferença. Não quando não se importava mais.

A sensação de não ter um rumo era excruciante e estava o consumindo aos poucos, num sofrimento silencioso. 

Foi por isso que quando ele viu alguns dos adolescentes se adiantando para caçar, na manhã seguinte, decidiu ir junto para ajudá-los a conseguir comida para suas famílias. 

Precisava sentir que sua existência ainda era útil para alguma coisa naquele mundo. 

Quando encontraram a presa que buscavam, ficaram em choque quando Sasuke usou sua velocidade shinobi e não demorou nem dez segundos para pegar o bicho. 

No almoço, ele foi tratado como se fosse um deus sobre a terra. As pessoas se aproximaram na casa do ancião onde ele estava hospedado, para dar uma olhada no rapaz. 

Ele partiu no dia seguinte. 

Ainda para o sul. 

#

Sakura soube desde o primeiro momento que estava sonhando. Era um sonho sim, afinal, ela jamais poderia controlar o fogo daquela maneira. 

No sonho, ela está em cima de uma rocha alta, no meio de um riacho. Uma pequena cachoeira está à sua frente, e é por isso que ela está lá. Para ver seu reflexo nas águas. 

No começo, fica parada. Uma pose estranha para a kunoichi. E de repente, começa a se mover com uma sutileza e delicadeza que a Haruno não está acostumada. De início, ela não soube o que estava acontecendo. 

Mas quando uma de suas mãos puxa uma fita vermelha que estivera enrolada nos braços e começa a rodá-la no ar ao seu redor, Sakura percebeu que estava dançando. 

E era uma dança bonita de se ver. 

Pelo reflexo da cachoeira, Sakura pôde ver a si mesma, dançando sob a pedra, acima das águas, como uma ninfa de mitos e lendas antigos. Seu cabelo está diferente. Não com o corte habitual acima dos ombros. Suas madeixas róseas estão enormes, passando da cintura por vários centímetros, e esvoaçando conforme ela se move sutilmente, naquela linda e delicada dança. 

Com alguns movimentos mais lentos, ela recomeça a enrolar a fita de volta no braço. E é quando Sakura nota que seu tom de pele parece diferente também. Sua pele possui um tom muito mais escuro do que a palidez com que ela está acostumada, numa linda cor bronzeada. 

E então, sem nada mais nas mãos, ela faz alguns movimentos concentrados e uma pequena chama surge a alguns centímetros de sua palma. 

Como em qualquer sonho, ela não parece ter controle sobre o que acontece. Quando tenta parar, aquele corpo a ignora completamente e continua dançando. 

Ela continua se movendo, ainda controlando aquela chama sob as palmas das mãos e espalhando-a ao seu redor. 

O fogo começa a tomar forma no ar, adquirindo a figura do que parecia ser um dragão esguio e completamente feito de chamas. 

A moça continua dançando, enquanto o dragão gira ao seu redor, obedecendo o ritmo de seus movimentos e acompanhando-a naquela dança hipnotizante. 

Sakura está admirada com os próprios movimentos, mesmo não tendo controle sobre eles naquele lindo sonho. 

E então, ela ergue os braços pra cima num movimento dramático e o dragão gira ao seu redor uma última vez. Ao apontar as mãos para a cachoeira, o dragão segue o movimento e faz o mesmo, seguindo em direção às águas caindo e se apagando logo em seguida, ao entrar em contato com elas. 

Ela para com um movimento de finalização, dando fim àquele espetáculo mágico. 

Sakura gostaria de bater palmas para si mesma mas não conseguia assumir o controle daquele corpo.

Em vez disso, relaxa sob a pedra e olha para baixo, para seu reflexo na água ao redor da pedra. 

Haruno fica surpresa ao ver olhos amarelados como ouro lhe encarando de volta, e não verdes. As feições de seu rosto também estão diferentes, mais delicadas e sutis, lhe dando uma aparência melhor. 

Sakura nunca se sentiu tão linda quanto naquele sonho. 

Foi quando notou as roupas, também bem diferentes do que ela já vira. 

Pareciam com as de uma dançarina do ventre. Tecidos vermelhos, vários detalhes e acessórios de ouro, inclusive braceletes e pulseiras. 

Sakura nunca se sentiu mais adorável. Ao menos estava tendo um sonho bom, depois de um longo dia de trabalho. 

— Harumi! — ela escuta uma voz ao longe. 

Se vira e olha para a margem do riacho. 

Um lindo rapaz acena de lá, lhe observando com um belíssimo sorriso. 

— Nishiki-kun! — ela acena de volta. 

— Lamento interromper sua dança. — ele diz com a voz elevada, para que ela escute mesmo a alguns metros de distância. — Poderia me conceder alguns minutos de sua companhia? 

Ela se adianta, segurando os tecidos sedosos de sua saia para mergulhar as pernas no riacho e caminhar até onde ele está. A água bate na altura de seus joelhos, e ela caminha devagar, tomando cuidado para não escorregar até que chegue em terra firme. 

— Pensei que tivesse partido esta manhã. — Harumi comenta ao ficar de frente para Nishiki. 

— Como poderia? Você nem ao menos foi se despedir. — ele diz num tom divertido e ela fica surpresa. — Não se alarde, estava brincando. — ele trata de acrescentar. — Nós decidimos adiar o contato com alguns dias. 

— Essa guerra com as terras do norte realmente irá acabar? — Harumi se encontra esperançosa. 

— No que depender de mim, estaremos todos comemorando a paz quando o verão chegar. — Nishiki garante com um sorriso. O coração dele se esquentando ao ver o sorriso lindo dela. 

— É uma bela notícia, Nishiki-kun. — ela gira de emoção, agitando os braços e encantando-o ainda mais. 

— Harumi. — ele fica sério após um tempo em silêncio. — Você pensou em minha proposta?

Ela fica séria também. 

— Sim. Minha resposta ainda é a mesma, Nishiki-kun. — adotando uma postura firme, ela responde: — Não posso me casar com você. Não posso me casar com ninguém. Devo cumprir o juramento que fiz aos deuses de que jamais daria minha mão em matrimônio algum. 

— Reconsidere, Harumi. — ele mostra-se aflito com as palavras dela. — Por favor, por tudo que lhe é sagrado. Dedicarei minha vida a realizar cada capricho seu. Terá tudo o que desejar se estiver ao meu lado. 

— Não desejo nada que já não tenha. Minha liberdade ainda me vale mais do que a seguridade e conforto de um bom casamento. 

— Faltam poucos dias para que complete seus quinze anos. Sua senhora vai obrigá-la a se casar e eu gostaria de ser esse homem. Por favor, me aceite como marido, embora não queira me entregar seu coração. 

— Não posso ir contra meus princípios. Mesmo que seja retirada de minha casa por ter chegado à idade de casar, não posso sucumbir a esse destino. 

Nishiki ainda se encontra aflito, e continuaria a insistir. Porém, seu irmão mais novo surge por entre as árvores, interrompendo a conversa. 

— Nishiki. — Nishiyama o chama. Ele parou uns segundos, colocando os olhos cruéis sobre Harumi, mas depois volta a olhar para seu irmão. — Uma nova reunião acaba de ser convocada. 

— Do que se trata? — questiona Nishiki, surpreso. 

Ambos os rapazes se vestem do mesmo modo. Roupas parecidas com as de samurais antigos, que lembravam à Sakura o modo como samurais do País do Ferro se vestiam. Havia uma katana presa à corda em suas cinturas. 

— Os anciãos desejam discutir sobre o tratado de paz que você pretende oferecer ao Norte. — Nishiyama responde. 

Nishiki se entreolha com Harumi. Ela entende o que se trata imediatamente. Havia gente contra o fim daquela guerra. 

— Preciso ir. — ele diz a ela. — Poderemos continuar mais tarde? 

— Se você insiste. — ela concorda. 

Ele lhe faz uma reverência cavalheiresca antes de partir. Ela o observa se afastar. 

Nishiyama continua parado, e quando o irmão mais velho já está suficientemente longe, ele volta-se para Harumi. 

— Você aceitou o pedido de meu irmão? — ele questiona num tom contido de raiva. 

— Não. — ela lhe responde num tom grosseiro. Gosta muito de Nishiki, mas o mesmo não pode ser dito de seu odioso irmão mais novo. 

— Ótimo. — ele sorri satisfeito. Sakura podia até se arrepiar com o brilho maldoso e desejoso nos olhos dele. 

Ele começa a se afastar também, deixando-a sozinha às margens do riacho. 

Olhando novamente seu reflexo na água corrente, Harumi suspira exausta. 

Sua infância está chegando ao fim. 

#

— Eu tive um sonho maluco na noite passada. — Sakura comentou com Ino enquanto as duas relaxavam nas termas na tarde seguinte. Era o dia de folga da Haruno. 

— Foi um sonho erótico? — Ino indagou maliciosa. 

— Não, sua pervertida! — Sakura ralhou jogando água no rosto da amiga, que riu. — Eu era uma espécie de dançarina do ventre que fazia truques com fogo. E tinha um samurai lindo, rico e líder de grandes terras me pedindo em casamento. 

— Ele se parecia com alguém que conhecemos? — Ino ficou na expectativa. 

— Na verdade, não. — Sakura ficou pensativa. — Não alguém que eu conheça, pelo menos. 

— Tá, e você aceitou o pedido?

— Não. — Sakura respondeu com certo orgulho. — Eu fiz tipo um juramento divino de que jamais me casaria. 

— Que barra, hein? — Ino debochou e voltou a ficar séria, se encostando melhor na beira da banheira quente onde estavam. — Certo, vamos a assuntos que realmente importam. 

— Tá bom. — Sakura se emburrou pelo desinteresse de Ino. — Fala logo. 

— Um passarinho contou a outro passarinho, que contou a um passarinho, que veio me contar que alguns médicos de Kirigakure ficaram sabendo da sua Clínica Infantil de Assistência Médica Mental e estão interessados em implementar o projeto no hospital da vila deles. 

— O quê? — Sakura se sobressaltou, fazendo a água da banheira se agitar. 

— Ei, ainda é segredo, igual o noivado do Shikamaru era. — Ino falou sussurrando, com medo de mulheres nas outras termas as escutarem. — Você tem que fingir que não sabe. Acho que o Hokage vai te chamar em breve pra discutir isso. 

— Kami-sama! — Sakura não podia acreditar. Do mesmo jeito que Suna fizera, agora Kirikagure estava reconhecendo o trabalho bem feito que ela fizera em Konoha e queria o mesmo. 

Mal podia esperar pelo chamado de seu antigo sensei para falar sobre isso. 

— É maravilhoso, Ino! — Sakura se adiantou para abraçar a amiga e lhe dar um beijo no rosto. — Obrigada por ser uma futriqueira de primeira. Agora posso preparar um belo discurso para que o pessoal de Kirikagure tope de primeira o projeto!

— De nada, testuda. — Ino respondeu rindo. — Conte comigo sempre para ótimas fofocas!

#

Ainda não era verão, mas em dias quentes como aquele, Sasuke não podia deixar de se recordar de sua infância em Konoha. 

Ele sentou no meio de um enorme pasto, numa planície que parecia ser infinita. Nuvens brancas se moviam devagar no vasto céu azul lá em cima. 

Quase podia ver seus dois companheiros de time se aproximando para importuná-lo e tentar chamá-lo para ir ao Ichiraku, para comerem lámen juntos, mas ao abrir os olhos, Sasuke se viu sozinho em meio à imensa e bela natureza ao seu redor. 

Seu falcão o encontrou naquela tarde, pouco depois dele retomar a jornada. Pousou no ombro do Uchiha para que ele tirasse o pedaço de papel preso à sua perna. 

A Clínica de Sakura-chan foi solicitada para Kirigakure também. Mais uma grande vitória nossa!

Outra das mensagens de Naruto. 

O Uchiha escreveu uma resposta. 

Deseje-lhe parabéns novamente. 

Colocou na perna de seu falcão e o deixou voar novamente, em direção a Konoha.

Ele continuou seu caminho para o sul. 

#

Na noite seguinte, Sakura voltou a sonhar com aquele mundo. 

Ainda está no corpo de Harumi, sendo uma mera telespectadora de sua vida. 

A moça está prestes a fazer 15 anos e vive numa terra distante, dominada por clãs de samurais que sustentavam uma guerra por terras, riquezas e poder. 

E com distante, Sakura também queria dizer que estava sonhando com uma época de um passado distante. Pelo modo como falavam e viviam, eles realmente estavam num passado bem remoto. 

Harumi mora numa casa de artes. A princípio, Sakura pensou que ela morava numa caixa de gueixas, mas as gueixas são artistas de quinhentos anos atrás em diante. Definitivamente, está numa época mais antiga do que as gueixas. É uma artista anterior a elas. 

Uma senhora é responsável pela casa e pelas meninas que vivem ali. Todas com menos de quinze anos, órfãs de guerra que foram permitidas ficar se pudessem se dedicar à dança para sustentar a morada. E sempre que completam seus quinze anos, a época de casar, elas deixam o lugar. 

Normalmente, os homens que passam pela casa para assistir os espetáculos de dança delas acabam se apaixonando e pedindo-as em casamento quando estão prestes a debutar, então elas sempre deixam a casa com a companhia de um homem. 

Harumi parece ser diferente. 

Faltam poucos dias para que complete quinze anos, e embora tenha recebido muito mais pedidos que qualquer outra garota que passou por aquela casa, ela não aceitou nenhum, nem mesmo o de Nishiki, o grande senhor daquelas terras. 

Nishiki, que possui apenas dezoito anos de idade mas já é o líder de todas as terras do Sul, herdadas após a morte de seu pai em batalha. Comandando um exército de samurais e cuidando de todo um povo. 

Eles cresceram juntos, Sakura nota. Nas memórias de Harumi, ela pode vê-lo andando pelo vilarejo e observando Harumi enquanto ela trança seus cabelos nas varandas externas da casa de artes. Ele sempre a amou, Sakura também percebe, já que o olhar dele não nega isso. Possui um carinho e uma gentileza na voz, nos olhos e nas ações sempre que está com ela. 

E nas memórias dela, também há Nishiyama, o irmão um ano mais novo dele. Sempre insatisfeito por ficar em segundo plano e não ter tanta voz quanto o irmão, por conta de ter nascido depois. Há inveja em cada uma de suas ações. 

Ele almeja tudo que Nishiki possui, inclusive a atenção e o carinho de Harumi. 

Ele também a pediu em casamento algumas vezes, mas ela negou com toda a certeza do mundo. Mesmo que não tivesse jurado nada aos deuses, ele jamais se casaria com alguém tão desprezível quando Nishiyama, que a vê como um simples objeto, e não como uma pessoa. 

Harumi é a dançarina mais famosa daquela casa. Graças aos truques com fogo que ela consegue fazer, todos que já a viram dançar ficam hipnotizados e sempre voltam para admirá-la mais vezes. 

Ela espera que isso seja suficiente para que a senhora deixe-a ficar, mesmo depois de seu aniversário. Espera que ela leve em consideração a renda extra que Harumi traz para a casa, e não a empurre para fora, porque ela não deseja um casamento. 

Mas caso isso aconteça, o que ela poderá fazer? Aceitar qualquer proposta de casamento só para ter um teto sob sua cabeça? 

Nishiki com certeza a deixará residir em sua imensa e luxuosa residência, mas insistirá para que ela se torne sua esposa? 

Ela não tem certeza se consegue vê-lo como um homem e marido, e não como seu grande amigo de infância. 

Infelizmente, ele representa tudo que ela não deseja. Ela não quer ser esposa de um grande líder para se tornar um mero enfeite ao seu lado. Não quer se tornar uma mulher cheia de riquezas que passa seus dias em casa, rezando para que seu marido retorne da guerra. Não quer ser responsável por gerar grandes herdeiros que continuarão o legado e irão para o campo de batalha em busca de status e reconhecimento. 

Ela prefere a vida que possui agora. Passando seus dias treinando seus movimentos de dança, enfeitando seus longos cabelos com fitas, e sonhando acordada com o dia em que ela terá total liberdade para andar sozinha sobre o mundo, podendo ir a qualquer lugar que quiser, ver as maravilhas que os viajantes descrevem em seus relatos. 

Enquanto isso, ela aguarda com nervosismo seu aniversário de quinze anos, ainda recebendo muitos pedidos de casamento e negando a todos aqueles homens, que ficam cercando-a como abutres, esperando pelo momento certo para conseguirem um pedaço seu. 

#

Sakura queria ter prestado atenção nas palavras de seu antigo sensei enquanto ele lhe anunciava animado que Kirigakure estava solicitando sua presença para discutirem a aplicação da Clínica Infantil no hospital de lá. Queria de verdade. Só que seus pensamentos estavam imersos em seu sonho da noite anterior. 

— Sakura? — Kakashi a chamou, despertando-a. — Você está bem? Está me ouvindo?

— Estou sim. — ela falou rapidamente. — Desculpe, estou meio aérea. Mas estou muito feliz pela oportunidade e pelo voto de confiança. 

— Eu imaginei que ficaria. Falei muito bem do projeto para Mizukage-san, para garantir que tudo ocorreria bem para você. — Kakashi estava sorrindo por debaixo da máscara. 

— Não se preocupe. Vou seguir o mesmo protocolo que seguimos com Suna. — Sakura lhe garantiu. 

— Vai dar tudo certo. — Kakashi estava bem positivo quanto a isso. — Eles estão solicitando sua presença logo, então disse que você estaria lá assim que pudesse. Pode partir amanhã de manhã? 

— Claro, claro. — ela concordou, se empolgando com a missão. — O mais cedo possível. 

— Certo. Eu pediria a Naruto para acompanhá-la até Kirikagure, só que nós dois sabemos… — ele fez uma careta maliciosa. — É melhor não afastá-lo tanto tempo de Hinata por enquanto.

Sakura riu. 

— Vamos deixar o casal ser feliz nos primeiros meses. — ela concordou. 

— Eu vou mandá-la com um shinobi de Kirigakure que estava aqui nos últimos dias. — ele escreveu algo no papel à sua frente, tentando desviar o olhar dela. — Você não conheceria Yukiatsu Zuren, por acaso?

— Sensei! — Sakura bradou furiosa. 

— Ei, ele já estava voltando para Kirigakure de qualquer forma. — Kakashi se defendeu, rindo da reação irritada dela. — Uniremos o útil ao agradável. 

— Ele não é nada útil, e muito menos agradável. — Sakura retrucou. — Por favor, vou com qualquer pessoa, menos ele. 

— Ah, fique feliz em saber que ele também não ficou nada satisfeito em ter que escoltá-la pra lá. — Kakashi tentava manter o bom humor para convencer a ex-aluna. — Mas sejamos francos, Sakura, vocês precisam resolver suas diferenças. Pelo que dizem, o rapaz vai se tornar líder de um dos grandes clã de Kiri em breve. Com o apoio dele, você vai conseguir a aprovação da Clínica lá em dois segundos. 

— Quer que eu vire amiga dele? — Sakura perguntou irritada. 

— Quero que parem de se bicar. Pelo menos até conseguir a aprovação em Kiri. Depois pode surrá-lo à vontade, eu não poderia me importar menos. 

Revirando os olhos de puro desgosto, Sakura cedeu. 

— Tudo bem, prometo não ser mal educada com ele enquanto estivermos lá. — ela disse. — Mas é bom o senhor me dar muito crédito depois por esse imenso sacrifício. 

— Acredite, você será recebida de volta com a maior festa que essa aldeia já viu em toda a sua história. — Kakashi garantiu sorridente.


Notas Finais


Pra quem não lembra: Kirigakure é a vila da névoa. Vamos ter várias ceninhas por lá.

Aqui para vocês imaginarem como o que a Harumi veste nessa primeira fase: https://i.pinimg.com/564x/63/5e/ac/635eac0d7e24a2f7b50f44bb7169a937.jpg Ela é tipo uma dançarina do ventre mesmo, como a Sakura disse.

Quanto ao Indra... calma, que ele vai já entrar em contato com o Sasuke-kun também.

Estou vendo como vou fazer para montar a playlist pra vocês porque as músicas que me inspirei não têm no Spotify, por não serem famosas mundialmente (são japonesas né). Todas estão no youtube, mas eu preferia que fosse uma plataforma de música, não de vídeo. Vou pensando aqui...

Espero que tenham gostado, bbs <3

Insta: https://www.instagram.com/writer.plutoniana/


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