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História O loirinho barulhento - (ITADEI x NARUSASU) - Capítulo 8


Escrita por: S4sukeG4y

Notas do Autor


Oi Babies, vocês ainda estão comigo?
Finalmente cheguei aqui com mais um capítulo aaaaa
Gente, esse capítulo tá gigante, então me perdoem se ficou cansativo. Falem pra mim qualquer coisa.

Boa leitura, pessoal :3

Capítulo 8 - Lar, doce Lar, mas nem tão doce assim.


Fanfic / Fanfiction O loirinho barulhento - (ITADEI x NARUSASU) - Capítulo 8 - Lar, doce Lar, mas nem tão doce assim.

— Naruto, dá para largar esse celular por um minuto? — esbravejo irritado com o loiro. Desde ontem, ele não tirava os olhos do eletrônico, como se a Rihanna estivesse convocando sua atenção urgentemente.

Escuto meu primo apenas resmungar em resposta e juro que quase joguei a escova com que penteava os meus fios loiros na sua cara ridícula, mas logo retomei os pensamentos de que precisaria estar lindo para ir a casa do Itachi hoje.

— Fala sério, o que pode ser mais importante do que me ajudar a ficar ainda mais gostoso para conquistar o Uchiha?— assim que a última palavra saiu da minha boca, vi Naruto levantar a cabeça rapidamente em minha direção, me dando a atenção que eu mereço pela primeira vez no dia. — O que foi?

— Nada não —abaixou a cabeça novamente assim que escutou um 'plim" notificando que uma nova mensagem havia chegado

Por um instante fiquei curioso a medida que via seus dedos se movendo freneticamente sobre a tela.  Quem seria o novo playground do Naruto? O termo usado não foi para ofende-lo, entendam, Naruto sempre foi galinha e isso dificilmente mudará. Mesmo que o seu coração fosse facilmente fisgado por alguém, na arte de se cansar ele conseguia ser ainda mais rápido e habilidoso, como se ninguém fosse digno da sua atenção por muito tempo. Com esses pensamentos, acabei por afastar minha curiosidade e voltei a me arrumar. Naruto jamais esperaria dois anos por alguém como eu fiz. Acredite, eu também fiquei impressionado com a minha paciência, mas, bem, Itachi merecia isso.

Ontem eu fui até sua sala de monitoria e coloquei o seu Mocaccino em cima da mesa quadrada que ele usava para dar aulas, e, bem, aparentemente meu plano deu certo uma vez que não havia nem sinal do copo quando fui checar um pouco mais tarde. Além disso, pude perceber o seu olhar menos disperso e perdido, parecendo mais centrado quando o vi passar pelos corredores do campus. Claro, avaliando o seu rosto por completo, ainda havia muito mais trabalho a ser feito, mas farei o que estiver ao meu alcance para deixá-lo mais leve e menos sobrecarregado. Não cheguei a conversar com ele ontem, mas sabia que itachi era um homem que não dava para trás em suas promessas, o que me rendeu o resto do dia pensando em como seria sua casa. Provavelmente organizada, mas talvez um pouco abandonada pelas horas que ele passava trabalhando.

Continuei me preparando e fiz questão de escolher a melhor roupa para a ocasião, estou decidido a deixar as coisas acontecerem, mas, claro, dar um empurrãozinho quando fosse preciso, afinal, deixar as coisas completamente a mercê do destino já tinham me rendido dois anos de espera e zero resultados! Com a personalidade tranquila e paciente de Itachi não iríamos a lugar nenhum, mas, para a nossa sorte, a pessoa apaixonada era eu, e eu não sou muito virtuoso quando o assunto é paciência. Sorrio para o espelho, observando o caimento do vestido no meu corpo. O tecido não era longo, mas era soltinho e floral preto. Preferi manter meus cabelos no meu típico penteado e apenas finalizei o "look" com um tênis branco que tinha uma plataforma própria para que eu aumentasse alguns centímetros, e isso me ajudaria muito na hora de beijar o Ita...Quase me estapeio mentalmente ao me dar conta de que os meus esforços só tinham me levado ate o ponto dele me reconhecer como um mero fã.

— Como se ele fosse aceitar os meus sentimentos, pff — murmuro mais para mim mesmo e suspiro enfadonhamente. Por um lado foi bom, pois de declarações ele já estava cheio, então eu seria apenas mais um se houvesse me aberto naquele momento. Talvez o universo tenha se compadecido com a minha causa no fim das contas.

Juntei toda a determinação que eu precisaria para hoje e tentei me concentrar em parecer o mais seguro e confiante possível antes de deixar o apartamento. Quando confessei aquilo para o Itachi, não foi mentira, todos os dias eu faço esse ritual ao sair de casa vestido de um jeito que a sociedade secretamente discrimina, possivelmente tendo que ser alvo de ataques no caminho, mas, cara, eu estava pronto para tudo aquilo desde que me conheci, e não iria modificar minha personalidade pela moralidade careta das pessoas.

— Caramba...— Naruto sussurrou por trás de mim, e eu sorri feliz preparado para escutar a surra de elogios que viria a seguir. — Não é possível que  o Uchiha não tenha se dado conta que você tá dando mole pra ele há dois anos. — desmanchei o sorriso na mesma hora. É, parece que o demônio loiro estava de volta, pensei.

— As vezes eu acho que você não tem amor a vida, Naruto. — Levanto a mão em sua direção e dou um tapa estalado em sua nuca. -Some ou eu te explodo, praga.

Meu primo finalmente deixou o cômodo com algum alarde, e após alguns minutos eu o segui até o elevador do prédio, contando os minutos para encontrar o meu homem.

                       ✨🌈✨

Algumas paradas durante o trajeto fizeram com que a chegada ao Campus fosse demorada demais ao meu ver, mas como eu mesmo disse: "ao meu ver", e creio que as minhas concepções estão um pouco deturpadas pela ansiedade que um evento futuro em particular estava me promovendo.

Notei todos os olhares desejosos em minha direção, até mesmo daqueles que insistiam em me atacar publicamente, daqueles que no fundo me invejavam, e isso me leva a sentir ainda mais pena deles. Poderiam ser mais ridículos? Negando constantemente a sua realidade e ainda por cima tentando desvirtuar a vida de outra pessoa bem resolvida em busca de se sentir melhor pela sua fracassada. Lamentável.

Fora isso, o dia estava verdadeiramente lindo, a beleza límpida do céu azul complementava o amarelo das folhas de Ginkgo que caiam das grandes árvores. Parei em frente a uma delas e dei uma olhada na minha pulseira inteligente.

— Droga —assim como eu havia previsto, estava tudo certo, menos o horário que cheguei. O Deus do tempo, Chronos, deve ter alguma coisa contra mim, pois quando não é oito é oitenta, ou estou terrivelmente atrasado ou infinitamente adiantado.— Foda-se, 30 minutos antes da primeira aula.

E para piorar, o paspalhão do Naruto me deixou de lado hoje de manhã, alegando que tinha que dar uma passada em outro lugar, o que só me deixou mais desconfiado. Depois eu descobriria esse lance dele.

— O que leva uma pessoa a xingar às 7:30 da manhã debaixo de uma das relíquias nacionais do Japão?— uma voz sem corpo sussurrou por trás de mim, me assustei e por instinto acertei um golpe em cheio no estranho.

Com as mãos sobre a boca e o semblante assustado me viro rapidamente em direção a figura que eu tinha acidentalmente machucado. — Oops...

— Não deveria bater nas pessoas assim do nada. —o desconhecido estava emborcado, tentando aliviar a dor do golpe na barriga. Aquilo me irritou, ele que deveria se atentar na forma que aborda os outros. As pessoas são imprevisíveis!

— Não deveria aparecer de surpresa atrás das pessoas.— devolvo ácido, massageando o meu cotovelo ou, mais precisamente, a arma do crime.

— Sabe, seus modos contradizem sua aparência.— profere, sorrindo de canto. De cara, o achei prepotente demais para o meu gosto. — Você me parecia mais meigo de longe.

Foda-se?

Demorou um tempo, mas logo cheguei a conclusão de que era o tal transferido de Suna cujo Naruto havia mencionado antes. O ruivo notou quando minha carranca foi se esvaindo e dando lugar a uma expressão de entendimento.

— Sabe, eu acho que a Ginkgo aqui ficou ofendida com tantos palavrões tão cedo. — o ruivo arrogante pronuncia, dando algumas batidinhas na árvore rara e originária da Ásia.

Era só o que me faltava!

—Ah é? Você não acha que deveria parar de escutar conversas alheias?—Fiz o possível para manter minha pose inabalável. Mas admito que tinha sido vergonhoso ser pego falando sozinho.

O ruivo me olhou de cima a baixo, parecendo se divertir com as minhas reações.

—Akasuna Sasori.— se apresenta e é plenamente ignorado por mim. — E para sua informação eu já estava aqui antes.

Ele está bastante enganado se acha que vou ser educado e dizer o meu nome. Como ele mesmo disse, não sou tão legal quanto pareço!

—Tsc — murmurei irritado dando as costas para o desconhecido, mas não antes de escutá-lo soltar um "Gostei de você."

Uma pena, eu o odiei.

Outras pessoas poderiam cair na dele, achá-lo interessante e galanteador, mas eu não. De tolos que acham que tem tudo nas mãos, o mundo está cheio. Não sou de seguir esteriótipos, mas ele me parece bastante o tipo de cara que vai acabar morando num quitinete alugado, segurando uma garrafa de cerveja barata sentado num sofá cor de creme sujo de frango frito. Não muito tempo depois iria descobrir a traição da namorada superficial que escolheu durante sua estadia na faculdade. Ok, talvez eu tenha exagerado um pouco, mas haviam grandes chances.

Caminho a passos lentos até a sala da professora Kurenai, feliz por ter que pagar a cadeira de farmacologia e consequentemente encontrar minha amiga de Farmácia, Tenten. Como esperado, a garota de cabelos castanhos enrolados em coques estava sentada no fundo da sala e tinha guardado um assento vago para mim.

— Você chegando cedo, eu perdi alguma coisa? — questiona com um sorriso assim que me sento ao seu lado. — Pode desembuchar, loira.

Dou uma risadinha discreta para não chamar a atenção dos demais estudantes.

— Semana passada eu abracei o Itachi. — admiti com um sorriso sonhador e as mãos juntas em frente ao rosto. Tal confissão me fez voltar ao momento em que senti sua mão grande apertar minha cintura e o seu cheiro mentolado tomar conta do meu interior, fazendo meu corpo todo esquentar.

Dessa vez quem riu foi Tenten, a garota teve que cobrir a boca com uma das mãos para amenizar a gargalhada que deu.

— Você ficou assim só com um abraço?— perguntou entre risos e recebeu um olhar repreensor da minha parte. — Tá, mas e o que isso tem a ver com você chegar cedo hoje?

— Cala a boca e escuta, quenga de farmácia —levantei o dedo do meio para ela e aproximei minha boca do seu ouvido para confidenciá-la. — Ele me abraçou e hoje eu vou para casa dele.

Tenten arregalou os olhos, visivelmente chocada com a minha constatação. Sorri orgulhoso. Sabia que iria causar essa reação na morena.

— Pelo visto, não tem nada mesmo que o Deidara não consiga, né? Quem diria...acho que dentre todas as pessoas que tentaram algo com ele, você foi o que chegou mais longe.

Admito, o trabalho foi árduo e, para muitos, cansativo demais para valer a tentativa, mas eu continuei firme e aqui estou eu, prontíssimo para chegar onde ninguém mais havia ido.

— Tem razão, o Deidara é foda! — pontuo orgulhoso, enrolando os meus cabelos loiros no meu dedo indicador.

— E convencido também! —a garota ri.

—Realista.— corrijo

— Convencido. — retruca novamente.

— Realista e alguém que se ama.— acrescento, pois não acho que sou convencido ou narcisista, apenas me valorizo o suficiente para elogiar quando hajo bem em situações que envolvem o meu "eu".

— Tudo bem, eu vou aceitar isso. — dá alguns tapinhas em meu ombro, concordando com os adjetivos escolhidos por mim.

Sorrimos um para o outro e o restante da aula falamos sobre a vida dela, depois resolvemos uma atividade conjunta que Kurenai havia passado. Estava com saudades da minha amiga e nosso diálogo foi bastante proveitoso, servindo para acalmar os meus nervos e me tornando mais confiante para enfrentar o restante do dia.

Com o passar das horas, o fim das aulas chegou e, para a minha surpresa, com muito mais rapidez do que nos outros dias.

Retirei o jaleco branco e saí de sala, quase esganando-me ao lembrar que não tinha combinado horário e ponto de encontro com Itachi. A única alternativa agora seria procurá-lo pela faculdade.

Sem nenhum sinal dele pelos corredores do meu bloco ou do seu, cheguei a conclusão de que ele tinha ido embora. Irritado comigo mesmo, suspiro e passo a andar até a saída do Campus, usando todos os xingamentos existentes no vocabulário para designar a minha pessoa. Perto do Itachi, parece que o meu "eu" esperto se torna um acéfalo. Qual era o meu problema? Síndrome da paixonite aguda, certeza.

Haviam três saídas ao todo, três passagens que os estudantes usufruíam o seu direito de ir e vir em Konoha University, mas optei por escolher o portão lateral que era o menos movimentado e também por ficar mais perto da minha casa. Não vou mentir, a decepção me acometeu como um resfriado certeiro num dia de inverno ferrenho, uma pedra, ou devo dizer, um iceberg acabou de se colocar em cima dos meus planos de conhecer o Itachi melhor, mesmo que através de um trato entre fã e ídolo.

— Otário, voce é um otário — aumento a velocidade dos passos e finalmente piso fora daquele lugar.
No entanto, mais uma vez, minha paciência foi colocada a prova quando alguém ou alguma coisa toma minha frente e  minha cabeça acerta em cheio uma superfície dura. — Que porra! —  praguejo massageando o local que sofreu a colisão.

Nem me dei o trabalho de olhar para o individuo, pois já estava suficientemente irritado no decorrer do dia, e caso eu abrisse minha boca sei que seria preso por agressão ou no mínimo iria parar na delegacia por violência verbal.

— Você está bem? — eu conheço essa voz. Não, não poderia ser...

levantei a cabeça abruptamente e lá estava ele, o motivo da minha frustração. O Uchiha mais velho usava um jeans escuro e uma camiseta slim fit branca que demarcava muito bem o seu peitoral bem trabalhado na gostosura. Pasmo pelo encontro inesperado e impressionado com o quão lindo ele ficava em uma roupa meramente casual, mal percebi ue fiquei olhando para ele por mais minutos do que uma pessoa normalmente faria. E pior, sem respondê-lo.

— Deidara — chama mais uma vez, gesticulando com uma das mãos em frente ao meu rosto.

— Ah sim, sou eu....Quer dizer, é claro que sou eu, é...— deixo frazes sem sentido escaparem dos meus lábios e vejo sua mão alcançar a minha cabeça.

— Machuquei voce aqui?— usa uma de suas mãos para afastar minha franja e observar analíticamente a região da minha testa.

Itachi era uns bons centímetros mais alto do que eu, então quando nos esbarramos minha cabeça provavelmente colidiu com o seu peitoral.

— Eu estou bem, não se preocupe.

Ele continuava com sua típica expressão séria mas vi um vislumbre de alívio percorrer pelo seu rosto depois da minha resposta.

— Meu carro está estacioado logo ali, me acompanhe, por favor — não pude deixar de notar o quão formal ele era mesmo quando estava prestes a me levar a sua casa, e eu tive que morder os lábios para conter a risada.

Fofo. Ele era fofo, mesmo que os outros não pensassem assim. Aquela pose de sério faz parte dele, eu sei, mas também acho que existe um sorisso muito lindo escondido por trás dessa expressão cansada. E eu vou tirar isso dele em algum momento, como fiz no banheiro masculino durante as Estaduais. Sorri bobo pensando que há minutos atrás estava quase batendo a cabeça contra um tronco de arvore centenas de vezes até ter um derrame, e agora, depois de ouvir sua voz, tive minhas esperanças renovadas a ponto de "soltar fogos no dia dos finados", como dizia o tolo do Naruto. Ok, talvez eu esteja exagerando sobre o derrame, mas todo resto é verdade. Eu juro.

Segui seus passos e não muito distante dali havia um Corolla preto estacionado. Observei ele ocupar o lugar do condutor e me sentei no banco do passageiro, sorridente.

— Voce mora muito longe? — questiono baixando a plaquinha com um espelho para dar uma checada nos meus fios loiros, e para minha tristeza, eu estava todo descabelado. Pelo amor de Deus, como o Itachi não correu de mim ainda?

— Um pouco.— confessa, girando a chave na ignicão. — Põe o cinto.

Fiz como ele pediu e aproveitei para dar uma checada no ambiente dentro do automóvel, procurando algo anormal. Que Itachi era extremamente perfeccionista e principalmente organizado, eu já sabia, então não fiquei surpreso com o quão limpo e arrumado era o interior do veículo.

— Posso ligar?— aponto para o som do carro e ele assente. O Uchiha já deve saber que Uzumakis não conseguem ficar parados, pois nem pareceu se importar com o quão inquieto eu parecia. E, sim, meus caros companheiros, dá para saber muito sobre alguém pela música que ela escuta. Apressei-me em aumentar o volume e me ajeito confortavelmente no banco, escutando a primeira tocar.
E, céus, era um rock pesado! Como eles chamam isso? Metálica?

Algumas partes chegavam a chamar minha atenção por parecerem preocupantes demais para alguém sequer ouvir.


"I close my eyes, and think of home
Another city goes by, in the night
Ain't it funny how it is, you never miss it til it's gone away
And my heart is lying there
And will be til my dying day"

"Eu fecho meus olhos e penso no lar
Outra cidade passa, na noite
Não é engraçado como é, você nunca sente falta até perder
E meu coração descansa ali e ficará
até o dia em que eu morrer [...]"

"Too much time on my hands,
I got you on my mind
Can't ease this pain, so easily
When you can't find the words to say,
It's hard to make it through another day
And it makes me wanna cry"

"Tempo demais em minhas mãos
Eu te tenho em minha mente
Não consigo aliviar esta dor, tão facilmente
Quando você não consegue achar as palavras para dizer
é difícil atravessar um novo dia
E isso me faz querer chorar [...]"


Em nenhum momento cogitei em trocar a canção ou desligar o som, pois, por mais impactante que fosse a letra ou a melodia, era um meio de conhecê-lo. Limitei-me a apenas direcionar o olhar até o seu rosto sereno, estupefato com o seu repertório musical bastante questionável. Em um dado momento ele me retribui o olhar e, para minha surpresa, suas bochechas estavam extremamente coradas. Ok, eu não estava esperando por isso.

— São do Sasuke. — esclarece — Quero dizer...esse pendrive é dele. — Se corrige, e eu não pude deixar de notar que essa foi a primeira vez que o vi gaguejar numa frase.

— Voce gosta delas? — perguntei sorrindo feliz por ter conseguido presenciar aquela reação incomum.

— Na verdade, prefiro músicas mais calmas.— falou baixo e eu tive que rir. Era engraçado ver alguém tão sério como Itachi notavelmente desconcertado por algo tão banal quando uma música. Tinha que me lembrar de agradecer seu irmãozinho depois por me proporcionar tais momentos exclusivos.

Aproveitei o gancho da sua respsota para ligar o meu bluetooth e conectar o meu celular no aparelho sonoro, procurando uma música que se parecesse com ele dentre minhas milhares de músicas espalhafatosas das rainhas do pop que preenchiam o meu Deezeer. Por sorte encontrei uma que talvez ele curtisse. Eu gostava desse cantor e lembrei que a maioria de suas músicas eram lentas e contidas, então cliquei na primeira que eu vi.

"Baby life was good to me
But you just made it better
I love the way you stand by me
Through any kind of weather
I don't wanna run away
Just wanna make your day
When you fell the world is on your shoulders
Don't wanna make it worse
Just wanna make us work
Baby tell me i will do whatever"

"Amor, a vida era boa para mim
Mas você acaba de torná-la melhor
Eu adoro o jeito que você me apóia
Seja qual for o tempo
Eu não quero fugir
Só quero fazer seu dia
Quando você sentir que o mundo
Está sobre seus ombros
Não quero torná-lo pior
Basta fazermos nosso trabalho
Amor, me fale, eu faço qualquer coisa[...]"


Conforme a letra foi se passando quem começou a ficar corado foi eu, pois em nenhum momento imaginei que a mesma seria tão relacionável com o que eu sentia por Itachi, e isso me fez querer trocá-la rapidamente. Mas essa vontade passou assim que virei e vi que ele parecia estar apreciando a canção. Mal sabe ele que eu a tinha baixado pensando nele, mas, enfim...isso seria a pauta de outro dia. Por enquanto, itachi ficaria alheio aos meus sentimentos até que eu bolasse a minha técnica de deixá-lo arriado os quatro pneus e o step por mim.

O percurso não foi nem tão rápido nem tão vagaroso, eu diria que ficava pelo meio termo. Contudo, em sua companhia o tempo parecia passar mais ligeiro do que o normal e logo estávamos de frente a uma bela casa e, PASMEM, em um belo bairro nobre. As casas, muitas até podiam ser consideradas mansões, pois tinham gramado bem verde e cercas bonitas em volta de um vasto território. Minha nossa. Fiquei tão estático que nem percebi que o carro já estava estacionado na garagem e itachi me olhava curiosamente.

— Deidara —chama sério, e eu murmuro um "sim" assim que meu cérebro volta a raciocinar — Por que escolheu conhecer minha casa?

Touché.

O que eu diria para ele? a verdade não era uma opção, vejam bem.

Então, Itachi, eu achei estranho demais continuar erotizando uma pessoa cujo eu não tinha mais informações do que as que estavam previamente descritas na sua matrícula acadêmica, hehe.

Definitivamente não.

—- Foi a primeira coisa que me veio a cabeça.— Falei. E não era mentira, eu só omiti a parte do meu amor platônico mesmo, mas não é grande coisa, né?— Coisa de fã — correção: coisa de trouxa apaixonado.

Ele assente e finalmente nos dois saímos do carro e entramos na casa. Não era uma mansão, mas era um lugar bastante espaçoso, definitivamente muito mais espaçoso do que o AP que eu dividia com o cara de miojo, vulgo Uzumaki Naruto. O piso era de porcelanato puro e branco, as paredes eram da cor creme e possuíam várias pinturas e quadros. Estranhamente, todos abstratos, nenhum retrato familiar ou foto individual. Quanto mais eu fuçava, mais misteriosa parecia a família Uchiha.

— É um ótimo lugar para se morar — tento usar a estratégia de elogiar sua casa para agradá-lo, mas vejo o contrário acontecer ali diante dos meus olhos. Os seus ônix pareciam perdidos e aparentemente discordavam de mim. Talvez essa casa não fosse tão agradável como parecia. Eu descobriria o motivo depois.

Dei mais alguns passos para a frente e notei que, mesmo sendo linda, a casa parecia ser mal gerenciada. Não desorganizada, desorganização não era do feitio de Itachi, mas como se ele fizesse pouco uso dos bens que haviam lá. Curioso...

— Vou preparar algo para o jantar — ele acena em direção a cozinha. Afobadamente, levanto do sofá e agarro seu braço.

— Eu vou com você — sorrio amarelo. A casa era grande demais e começou a me dar calafrios.

Eu não sabia cozinhar muito mais do que um ovo ou um lamén instantâneo, mas, bem, ele não precisaria saber disso agora. Do contrário, minhas chances diminuiriam de zero para pontos negativados.

— Tudo bem — concorda e não retira minha mão do seu antebraço. O que resultou num Deidara imaginando os dois entrando na igreja na mesma posição. Sacudo a cabeça, afastando os pensamentos psicopatas.

Mas quem poderia me julgar? dois anos passaram de maneira diferente para nós dois, e eu posso afirmar com veemência que não consegui ficar com nenhum outro alguém desde que botei os meus olhinhos azuis nele. Então, eu, mais do que ninguém posso ter pensamentos desejosos em relação a Itachi Uchiha, pois não era nenhum pouco legal ficar na seca tanto tempo  por alguém que não pensa em você mais do que um segundo por semana. Isso sendo otimista.

— Vou fazer onigiris, mas se preferir posso pedir uma pizza do sabor que preferir.— ofereceu, educadamente.

Nem fodendo, né!

Logicamente, eu não iria aceitar. Itachi cozinhando para mim seria bem melhor do que qualquer produto industrializado. Aproveito para conhecer os dotes culinários do meu futuro marido, hehe.

— Vou comer o que você fizer. —sorrio abertamente para ele. — Posso te ajudar em alguma coisa?

Sim, talvez eu atrapalhe mais do que ajude. Mas o que vale é a intenção, né? Espero que sim!

Itachi alterna o olhar entre os meus olhos e a minha mão que ainda estava agarrada a seu braço.

— Certo, se assim preferir— concordan — Na geladeira tem alguns tomates, se puder lavá-los e partir em pequenos pedaços, ficarei grato.

O jeito que ele falava era tão incrível que chegava a ser hilário. A grande enciclopédia humana, Itachi Uchiha, não se dava uma folga nem no conforto de casa. Ri baixinho e fiz como ele instruiu. Foi um trabalho fácil e rápido, então pouco tempo depois eu estava ao seu lado observando ele adicionar os ingredientes ao arroz quase pronto.

Seu olhar parecia bastante cansado, então ofereci-me para cortar o nori em tiras. Não queria que ele se machucasse durante o processo. Depois disso, ele começou a moldar os onigiris mornos habilidosamente. Sorri, tentando achar um defeito nele e falhando miseravelmente mais uma vez.

— Quero fazer também, me ajuda!
— esperei ele terminar de moldar o que estava em mãos e me dar uma resposta.

Quando se virou, quase tive um ataque do coração. Ele estava tão lindo. Sua testa estava um pouco suada pelo vapor do arroz e alguns fios negros escapavam do seu penteado frouxo. Abençoado seja o útero da matriarca dessa família.

— Primeiro molhe as mãos aqui. — acena em direção a uma água salgada. Fiz como o instruído e depois olhei para ele. — Agora venha aqui.

O jeito que ele me pedia coisas no modo imperativo estava me causando um arrepio gostoso na espinha.

— Pega o arroz — instruiu, e eu obedeci agarrando uma quantia razoável em mãos. — agora você vai amassa-los assim- conforme ditou, me surpreendi quando ele fechou suas mãos grandes sobre as minhas e começou a apertá-las, visando demonstrar melhor.

Sentir os seus dedos tocando os meus mesmo que para algo desse tipo mexia com a minha cabeça de maneira indescritível. Não vou mentir, comecei a imaginar essas mãos firmes na minha cintura, puxando o meu cabelo e apertando...DEIDARA! FOCO. Mas eu sabia que aquelas mais mágicas poderiam...FOCO!

— Assim, itachi?— questionei, repetindo seu gesto e amassando o onigiri em movimento ritmados. Suas mãos ainda estavam sobre as minhas, aplicando a força necessária na preparação dos bolinhos de arroz.

Achei que talvez eu pudesse errar de propósito para obter mais atenção das suas mãos, mas já estava indo longe demais. E seu eu me deixasse levar, poderia acabar assustando ele.

— Ótimo, agora desse jeito. — suspirei surpreso quando ele usou o indicador para empurrar o meu dedo contra a massa — Assim vai caber o atum e o tomate, ok?

Kami me proteja, esse homem vai me enlouquecer sem nem se dar conta do que esta fazendo. O quão humilhante seria o meu atestado de óbito ou minha nota de falecimento? pensei.

"Garoto morre de amores". Literalmente!

— Entendeu, Deidara? — seu dedo pressiona o meu mais uma vez, tentando repassar a prática e ao mesmo tempo me tirar do transe. Funcionou.

— Sim...—sussurro baixo e continuo fazendo o mesmo procedimento com o restante da massa.

— Isso. Agora enrole-os com o Nori.— soltou-se de mim e trouxe os noris recém cortados para perto. — Bastam duas voltas para deixá-los firmes, veja.

Assisti ele realizar a proeza atentamente, admirando o quão empenhado ele era em realizar até a mínima coisa. Me pergunto o quanto tempo de pratica ele levou para aperfeiçoar tantas técnicas. Provavelmente anos para alguém normal, mas nada que a genialidade de Itachi não resolva em dias. Deus tem os seus favoritos, afinal.

— Pronto, senpai. — coloquei o ultimo onigiri numa bandeja e sorri satisfeito com o resultado final. Tínhamos feito um ótimo trabalho, e talvez eu tenha me tornado 1% mais útil na cozinha.

Ele retirou alguns da bandeja e guardou em um recipiente no forno antes de se voltar a mim. Coloquei a bandeja sobre a mesa e vi ele tirar pratos e talheres do armário. Lavamos as mãos e sentamos para degustar a refeição. Assim que provo o primeiro bolinho de arroz, sinto meu estomago vibrar de emoção.

— Wow, você é bom nisso.—elogiei o seu trabalho.

— Eu tive a sua ajuda.— explica educadamente. Fofo.

Itachi não queria ficar com todos os créditos. No fundo eu sei que ele não gosta de toda a atenção que recebe.

— O mérito é nosso, então.— sorrio e dou mais uma mordida, deliciando-me com o sabor maravilhoso da comida.

Dou uma espiadinha em Itachi e notei que ele parece mais relaxado agora. Comemos silenciosamente e trocamos apenas algumas palavras necessárias. Mas o silêncio não era nada desconfortável. Após terminarmos, ofereci-me para lavar a louça, mas ele recusou várias vezes. Suspirei e voltei para a sala, sentando-me no sofá espaçoso.

Quando pedi para vir para cá hoje, não fazia ideia de que programas iria rolar, mas na minha concepção as coisas estavam fluindo muito bem. Depois de alguns minutos, itachi reaparece e senta ao meu lado.

— Onde está seu irmão?— pergunto na lata.

Sei que posso parecer um pouco invasivo demais às vezes, mas há situações que não consigo me conter. Esse sou eu.

— No quarto. —responde simplório. — Voce quer assistir alguma coisa?

Itachi parecia ter planejado tudo por nós dois, e eu estava achando divertido o jeito que ele estava se esforçando para seguir o roteiro. No entanto, eu tive a ideia de improvisar um pouquinho. Itachi tem que entender que as coisas nem sempre vão acontecer conforme o planejado.

Tomei a liberdade de me aproximar dele e o notei franzir o cenho, mas apenas agarrei o controle que estava ao seu lado.

— Eu escolho.— enfatizei.

Dei uma olhada no catálogo da Tv e cliquei em um filme de romance chato. Sabia que Itachi não gostava desse tipo de filme, e para falar a verdade, nem eu. Mas, vejamos, o que seria um ótimo sonífero para alguém visivelmente cansado? Eu sei, eu sou um gênio.

Por ter me aproximado anteriormente, estava bem perto dele e reparei quando ele relaxou melhor no sofá. O moreno automaticamente descansou a cabeça no estofado e ouvi sua respiração começar a pesar. Cedo ou tarde, meu plano daria certo.

—Deidara? — sua voz estava baixa e saiu mais como um sussurro rouco, provavelmente por causa do sono. — Desde quando você é meu fã?

A pergunta era boa e eu não vi nenhum problema em ser sincero ao responde-lo. Eu não iria me comprometer admitindo isso.

— Dois anos.- tentei soar o mais suave possível para lhe deixar ainda mais confortável para dormir. — Desde que te vi.

— E como foi? — dessa vez me surpreendi, era raro ele puxar algum assunto.

— Eu vi você lendo um livro debaixo da árvore de Ginkgo, você estava usando uma camisa cinza por baixo de um casaco do clube de matemática, era azul e tinha o seu nome nas costas. — descrevi o mais detalhadamente possível.

— Acredito em você. — ele confessa, respirando fundo e fechando os olhos lentamente.

Você pode confiar em mim, Itachi.


Ao fundo tocava uma música melosa e na TV passava-se um casal igualmente meloso fazendo votos de amor. Aquilo me parecia nojento, mas admito que não julgaria, poderia me tornar tão quanto ou mais boiola do que eles se Itachi me permitisse. De soslaio, vejo que finalmente o começo do meu plano deu certo. Jamais quis ser um peso para ele, então desde que fiz o pedido prometi a mim mesmo que garantiria algumas horas de sono para ele, pois estava cansado de vê-lo exausto e sobrecarregado o tempo todo na Universidade. Mas como eu disse, esse era apenas o começo do plano. Enquanto ele dorme, eu poderia botar a outra parte em prática, e então "mataria dois coelhos en uma cajadada só."

Foi complicado, mas eu consegui levantar e deixar a visão do seu rosto sereno para trás. Com algum custo, andei pelos diversos cômodos e notei que havia vários quartos ócios, sem nada nem ninguém dentro. Todos igualmente sem graça, cor e vida faltavam. Decidi, então, subir para o primeiro andar. Assim que girei a maçaneta do primeiro quarto, descobri que estava destrancado. Sorte. O cômodo era espaçoso, mas também não possuía muitos móveis, apenas uma cama, um guarda-roupas e um criado-mudo. Ah, e mais atrás havia uma poltrona de couro. Fui direto em direção a gaveta e abri revelando alguns papéis e no fundo uma foto. A foto parecia desgastada. Nela havia uma mulher linda de cabelos e olhos negros e ao lado um homem parecido com Itachi, só que mais velho. 

No verso da fotografia havia uma pequena nota em letras negras.

"A reminiscência da chuva é estarrecedora. Antes, incolor e inodora insistia em derramar-se pelas vidraças claras. Posteriormente, gotas grossas e vermelhas que fediam a corpos putrefatos." - Uchiha Sasuke.

Puxei o celular do bolso e tirei uma foto do texto e do retrato, depois posicionei no mesmo local de antes.

Mais a fundo havia um closet. Entrei nele e passei a vasculhar entre as portas, depois de uns 5 minutos procurando me deparei com uma caixa de madeira. Curioso, abri e notei que haviam alguns lenços, mas estavam ali apenas para disfarçar o conteúdo de baixo. No interior do objeto havia o que eu mais temia encontrar: Os saquinhos repletos da mesma droga de anteriormente.
Eu não conseguia compreender.

Itachi era viciado?

Sasuke?

Ou os dois eram?

Devolvi a caixa ao mesmo lugar e senti o gosto de ferro na boca, só então percebi que havia mordido o lábio com força demais para que o sangue escorresse. Passei as mãos pela parede e senti uma camada a mais de material dura, que tornava as paredes mais grossas. Com uma breve análise não foi difícil de perceber que denotava o uso de isolantes acústicos. Mas por quê?

Achei que já estava na hora de sair do cômodo, então apressei meus passos e fechei a porta suavemente. Entretanto, para o meu azar, assim que me virei dei de cara com o irmãozinho de Itachi.

— Você é o Deidara, não é? — Sua voz possui uma entonação arrogante e seu rosto uma expressão desconfiada — Você tem dois minutos para explicar o que estava fazendo no quarto do meu irmão.

Por um momento, permaneci calado e estático, preocupado se tinha sido pego no pulo, mas logo me recompus e me mostrei confiante. Ele não viu nada.

— Voce deve ser o Sasuke — usei minhas habilidades cênicas - adquiridas durante um cursinho da disciplina de artes- e sorri para o garoto moreno.— Eu só vim procurar um banheiro.

—Tsc.

O Uchiha mais novo ainda parecia descrente das minhas palavras, mas, aparentemente, escolheu ignorar minha existência e voltar para o seu quarto. Só então, eu pude voltar a respirar novamente. Pense num sufoco! segurei o peito e respirei fundo. Essa foi minha deixa, irei voltar para o andar de baixo.

Ao que parece, o filme estava no final e Itachi ainda dormia tranquilamente. Sentei-me ao seu lado, dessa vez próximo bastante para ouvir o seu ressonar baixinho e limpar a minha mente preocupada.

Só Kami sabe o quão povoada de pensamentos negativos a minha mente ficou quando adentrei aquele quarto e encontrei todas aquelas coisas. É óbvio que eu nunca, em hipótese alguma o denunciaria ou agiria contra ele. Mas estava verdadeiramente preocupado com as consequências dos seus atos.

E se ele fosse pego?

Aquilo valia o risco?

Observei o seu rosto tranquilo e suspirei aliviado, desejando que ele se abrisse mais e que me contasse o que o perturbava tanto na maior parte do tempo. Porque eu sei que havia algo. Mas tenho noção que vou precisar conquistar o meu espaço para isso.

De repente, ele se mexe e seus olhos vão se abrindo aos poucos. A medida que ele desperta, vejo a preocupação voltar novamente ao seus olhos e decidi, mesmo que inconscientemente, que faria aquilo mudar em algum momento.

— Minha companhia é tão tediosa a ponto de você cochilar, senpai? — brinco e vejo um vinco se formar em sua testa.

— Não foi nada disso, eu...— tenta se explicar, visivelmente nervoso. — Eu...

— Estou só brincando, Itachi — nossa proximidade permitiu que eu empurrasse o seu ombro com o meu — Deve saber que poucas coisas são melhores para um fã do que apreciar o ídolo dormir.

Sua carranca sumiu e percebi que ele gostou da resposta.

— Mesmo assim, peço que me perdoe pela falta de atenção — Itachi se ajeita melhor no sofá e me olha sério. — Ainda me sinto em dívida com voce, eu nunca recebi um presente como aquele.

Senti meu coração ficar aquecido com aquela confissão. Saber que ele havia gostado tanto ao ponto de se sentir em dívida fez com que todos os minutos e centavos gastos parecessem irrelevantes. Se ele bem soubesse...

— Por que não me acompanha até a porta, hm? — olho o relógio e noto que já se passam das 22:00 horas, por sorte esse bairro era bastante seguro.

— Não vai me deixar nem te levar?— levanta uma sobrancelha questionante. — É sério?

— Não, itachi — mordo o lábio inferior, tristemente. Cada vez que me aproximava mais dele e o tinha mais perto sentia dificuldade em deixá-lo. — Vou de taxi, tá?

Por mais agradável que pareça tê-lo na viagem de volta, sabia que seria melhor se ele ficasse e descansasse um pouco mais. Além disso, eu aproveitaria a solitude para refletir sobre minhas descobertas de hoje.

Ele concorda, mesmo contrariado.

Itachi faz como pedi e me acompanha até a saída. Olhei de lado e reparei que ele parecia pensativo.

— Você se divertiu? — não consegui segurar a pergunta que estava me sufocando. Mesmo que não gostasse de mim do mesmo jeito que eu gostava dele, seria revigorante saber que pelo menos a minha companhia era confortável.

— Eu espero que não tenha frustrado suas expectativas de fã —pela primeira vez no dia ele me deu um sorriso genuíno, um sorriso que facilmente fazia minhas pernas ficarem bambas. — Eu consigo ser bem chato, ao contrário de você.

Se ele bem soubesse que o seu rápdo cochilo foi um dos meus principais objetivos ao ir para sua casa, com certeza não pensaria assim. E eu realmente gostei de cada segundo admirando seu rosto calmo.

— Oh, não se preocupe com isso, ainda sou o seu fã número um. — sorrio largamente, entrando na onda. Graças aos meus ancestrais safadinhos, vergonha na cara não estava presente no sangue Uzumaki. — Você é fofinho quando ronca. —falei sem me preocupar e notei itachi coçar a nunca sem graça. Acho que ele não sabe o quão bonito ele é quando faz isso.

De repente, ele para de andar. E só aí percebi que era o momento de nos despedirmos.

— Eu gostei muito do nosso trato, acho que foi mais do que justo, ok? — fiz uma pergunta retórica e dei uns passos a frente ficando na ponta dos pés para depositar um beijinho em sua bochecha. —Você não é chato, você é incrível. Hm.

Eu não deixaria que meus lábios se demorassem na sua pele até porque tinha consciência de que não seria correspondido. Contudo, quando ia me afastar, senti uma de suas mãos subirem até minha cintura e corresponder com um abraço desajeitado.

GHRRRR. Esse homem vai ser meu!

— Boa noite, Deidara — pronuncia com sua voz grave, mas baixa.

Okay, talvez uzumakis pudessem se desconsertar quando o assunto eram Uchihas! Mas olha isso! Como não se apaixonar?!

O fato dele ter retribuído o meu abraço já era surpreendente o bastante, e agora falar desse jeito comigo. INFORMALMENTE. Puts, eu acho que morri, mas passo bem. Muito bem!

— Noite, Itachi —sussurro de volta e com um esforço sobrehumano, afasto nossos corpos.

Em algum momento parei de usar os honoríficos e notei que ele não se incomodou com isso. Mais um ponto para o Deidara.

Virei de costas e acenei para o primeiro táxi que passou, que logo parou em frente a casa. Entrei sem olhar para trás. Encostei a cabeça no vidro e me pus a pensar nos acontecimentos de hoje.

As fotos, a frase e a caixa.

A família uchiha era uma grande incógnita, um enigma difícil de ser desvendado. Ainda mais quando os membros eram tão fechados. Mas, bem, eu tinha provas, tinha o início de um plano, e sei que vou bolar a estratégia perfeita. Irei para casa e avialarei melhor o caso. De uma coisa eu tinha certeza, irei resolver esse mistério de uma vez por todas. Dessa vez não iria esperar.

Irei até o fim, nem que para isso eu precise usar os métodos menos convencionais.



Notas Finais


E aí, curtiram?

Perguntinha básica!!!

Vocês preferem que eu faça capítulos menores??? Me respondam aí nos comentários :3


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