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História O mais desejado dos Uchihas (Respostada) - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Desprezo


As narinas de Sasuke queimaram e seus lábios tremeram, enquanto olhava para Naruto, vendo como a vida, literalmente, deixava o seu corpo, seus olhos, sua alma.

Nunca antes tinha visto a morte no olhar de alguém que não estava mortalmente ferido. Mas os olhos dele ficaram feridos. O golpe de morte era figurativo e não literal, mas apenas tinha infligido tanto dano.

Toda a cor fugiu de sua face. Ele estava perigosamente pálido, e balançava como um ramo no vento.

As lágrimas encheram seus olhos, e ele podia vê-lo mordendo o interior de sua bochecha, em um esforço para chamá-las de volta. Suas mãos foram para o seu rosto, cobrindo as cicatrizes, quase como se procurasse esconder da vista e do julgamento dos outros.

Aqui estava um ômega que desprezava ser fraco diante dos outros, e uma linha tinha sido cruzada que nem ele poderia fingir indiferença.

A mandíbula de Itachi contraiu, e ele olhou duro através dos Akasunas que tinham soltado a língua.

Sasuke esperou, esperando que Naruto fosse se defender e, talvez, ele queria saber o que o loiro iria dizer. Ele o agrediria como um ômega que não tinha qualquer problema com informar o que estava em sua mente. Naruto certamente fez isso com ele.

Em vez disso, Naruto caminhou com dificuldade por ele, seu andar lento e doloroso, como se levasse tudo o que ele possuía apenas para permanecer em pé. Foi o arrastar de um ômega muito mais velho, um enrugado com a idade, o peso de uma vida inteira caindo sobre ele.

Itachi olhou para os Akasunas ofensivos em descrença. Tobirama e Rock Lee franziram a testa, e depois Tobirama fez um movimento em direção a Naruto, mas ele olhou para cima, e quando viu Tobirama dando esse passo para frente, ele endureceu ainda mais e se apressou em um ritmo mais rápido para fora do salão. 
Sasuke balançou a cabeça, ainda incapaz de acreditar que a animosidade aberta dirigida a um ômega que devia inspirar pena aos outros. Não tanto ódio.

As cicatrizes tinham sido tão vívidas contra a pele tão pálida que, de fato, ele parecia mais morta do que viva.

— Que diabos foi isso? - Sasuke exigiu, sua mandíbula dura com raiva.

Ele avançou em direção a Gaara, e o ruivo apoiou-se tão rapidamente que sua perna manca dobrou. Seus membros enroscando e ele caiu com força.

— Sasuke, - disse Itachi bruscamente. - Você está amedrontando o ômega.

Sasuke fez uma careta mais dura, mas ele parou seu avanço e, em seguida, para perplexidade óbvia de Gaara, ele estendeu a mão e o pegou, colocando-o em pé mais uma vez.

— Você está ferido? - Sasuke perguntou. - Minhas desculpas. Não tive a intenção de assustá-lo. Estou indignado com o que eu acabei de testemunhar, e estou intrigado em porque ninguém colocou um fim a isso.

Gaara engoliu com esforço visível, com os olhos piscando nervosamente entre os quatro alfas que estavam à sua frente.

Atrás de Gaara, os algozes de Naruto deslizaram discretamente na direção oposta, mas Sasuke os chamou.

— Vocês não vão sair desta sala sem eu permitir, - disse ele em um tom gelado. - E não vou dar-lhe até que tenha uma explicação para a depreciação do ômega.

Os lábios de uma das ômegas Akasuna se curvaram e raiva iluminou nos olhos da mulher. Ela fervia bastante, e suas mãos foram para os quadris.

— Isso não é menosprezo, isso é a verdade, - disse a mulher em tom altivo.

— E ainda assim Naruto defendeu vocês, - disse Itachi suavemente. - Eu me pergunto por que ele se incomodaria.

A mulher ruborizou, e as bochechas crescendo vermelhas. Os olhos baixos de vergonha, o beta se mexeu desconfortavelmente ao lado dela.

— Ele é o michê de Sasori. - o beta murmurou.

Sasuke trocou olhares com Itachi, Tobirama e Rock Lee. Então seu olhar pousou em Gaara. Era óbvio que ele não encontraria respostas aqui. Nada que o satisfizesse de qualquer maneira.

— Onde é que Naruto foi? - Sasuke perguntou.

Seu irmão olhou surpreso. Itachi parecia confuso com a pergunta de Sasuke, e Sasuke supunha que ele pudesse entender sua confusão. Ele tinha muito abruptamente virado o tema da conversa. Mas a verdade era que ele não poderia suportar ficar de pé na frente dos algozes de Naruto. Que tipo de pessoa iria procurar humilhar outra, de tal forma?

Eles tinham a questão do castelo Akasuna para determinar, bem como o destino dos membros do clã, e ele ainda estava perguntando sobre o paradeiro do ômega. Ele não tinha certeza se por que perguntou, mas o olhar em seus olhos, a desolação absoluta que tinha lavado a cor para fora de seu rosto, ainda o assombrava.

— Ele muitas vezes gasta o seu tempo sozinho, - Gaara sussurrou. - Normalmente, em seu quarto.

— E onde está o seu quarto? - Sasuke perguntou com paciência.

— Subindo as escadas, - Gaara respondeu. - Todo o caminho até o fim do corredor. Na torre. Próxima à câmara de Sasori.

Sasuke notou a hesitação em sua voz, viu a forma como o seu olhar deslizou para o lado quando mencionou a proximidade com câmara de Sasori. 
Ele se perguntou o quanto de verdade havia nas provocações dos outros. A ideia de que esse ômega tinha sido amante de Sasori virou seu estômago.

Como ele poderia dar-se voluntariamente a um abusador de ômegas? Ele bem sabia o que havia acontecido com Hashirama. Ele tinha sido o único a apontar Madara para o calabouço. E ainda tinha de bom grado dado seu corpo para um monstro?

Seu desgosto quase o sufocou.

Ele olhou para Rock Lee.

— Peça a Gaara para lhe dar um passeio de exploração. Certifique-se de que ele não sofra nenhuma dor ou lesão.

Gaara corou, seus olhos nublaram com constrangimento em referência a Sasuke pela sua perna danificada.

Para Itachi e Tobirama ele disse:

— É uma boa ideia para vocês acompanharem Rock Lee. Nós vamos nos encontrar no pátio depois de ter visto tudo o que há para ver. Chamar os membros do clã em conjunto para que possamos resolver todos.

— E aonde você vai? - Itachi perguntou, suas sobrancelhas desenhadas em conjunto, enquanto olhava para seu irmão mais novo.

— Tenho assuntos a discutir com Naruto, - disse Sasuke.

(...)

Sasuke estava na porta do quarto de Naruto, olhando através da abertura de sete centímetros e meio para onde Naruto estava sentado em uma esteira gasta.

Suas pernas estavam tiradas protetoramente ao seu peito, e ele se perguntou se Naruto tinha alguma ideia de como vulnerável tal posição a fazia olhar.

Então ele soltou um gemido baixo que estava tão cheio de desespero que agarrou em sua garganta, apertando até que era difícil de respirar.

Sasuke hesitou, sua determinação anterior para falar com Naruto minguando. Ele estava sofrendo. Privadamente. Longe de olhares curiosos e do desprezo dos outros. Sasuke devia ir embora e não o deixar saber que ele esteve lá.

Mas ele não podia. Não fazia sentido para ele por que estava fascinado por esse ômega em particular. Ele o intrigava. Naruto era um mistério que ele estava determinado a resolver. 
Estava em dívida com Naruto por ajudar a seu tio encontrar Hashirama. Sim, ele fazia, e não deixava nenhuma dívida não paga.

Empurrou a porta abrindo mais e deu um passo à frente. Quando Naruto não se mexeu, ele limpou a garganta, alertando-o de sua presença.

Sua cabeça levantou e seus olhos piscaram em alarme. Sua postura foi imediatamente na defensiva, e tão automática que parecia que tinha muita prática em se defender. Esse pensamento o fez franzir a testa.

— Por que você aceita isso deles? - Ele perguntou sem rodeios, porque não havia nenhuma maneira sutil para perguntar o que queria saber. 
Seus olhos arregalaram, como se o ômega não pudesse acreditar que ele tinha sido tão direto.

— Por que você sofre o abuso e permite que as suas palavras a desmascarem. Você não me parece um ômega muito manso.

Naruto ergueu um ombro em um encolher de ombros delicados que a envolvia em uma expressão de derrota. Esgotamento transmitia em seus olhos e não havia renúncia de tal forma que o fez recuar.

Nunca tinha presenciado tais olhos expressivos, e não tinha certeza de que gostava. Toda emoção estava lá para ver nas piscinas azuis. Sua indiferença de cedo se foi, e agora percebeu o quanto Naruto tinha de trabalhar para manter o rosto inexpressivo. A fachada tinha desmoronado. Bastava olhar de perto para saber exatamente o que ele estava sentindo. Ele nunca seria um guerreiro. Ele se doava demais.

— Eles só falam a verdade, - Naruto disse em uma voz frágil. - Devo brigar com eles por se atrever a dizer o que é verdade?

Sasuke franziu a testa, seu estômago se revoltando com o pensamento. E mesmo assim ainda não conseguia aceitar.

— Você era o michê de Sasori?

Naruto se encolheu com a indisfarçável questão, mas Sasuke nunca tinha sido um para medir as palavras. Madara era muito superior, com palavras doces. Sasuke tinha o hábito desconcertante de falar o que vinha na sua mente.

Então, Naruto levantou o olhar para encontrar ao seu, e o alfa piscou na estagnação que substituiu a lavagem de emoção. Era como se alguém tivesse mergulhado uma vela acesa, mergulhando numa sala na escuridão.

— Sim, eu era o michê dele, - ele disse amargamente. - Isso é de bastante conhecimento comum. Pergunte a qualquer um na fortaleza. Eles vão dizer-lhe tudo sobre isso.

Sasuke não podia ajudar na sua expressão ou o desgosto que penetrou em sua boca. Ele balançou a cabeça, incapaz de compreender o porquê.

Naruto empurrou-se da esteira e caminhou alguns metros antes de virar, com os braços firmemente cruzados sobre o peito. Mais uma vez, ele observou o amparo de sua postura. Era como se cada movimento fosse de único propósito o de autopreservação.

— Gostaria de falar com você sobre um assunto pessoal. - disse Naruto em um tom cuidadoso.

Perplexo com a abrupta mudança de assunto, ele apenas balançou a cabeça, curioso para saber o que o ômega iria dizer a ele.

— Eu não quero ficar aqui por mais tempo, - disse ele. - Não tenho para onde ir. Nenhuma família para me ajudar. Os Akasunas não são meus parentes e não se importam o que acontece comigo. Eu não posso depender de sua generosidade para fornecer para mim.

Sasuke começou a interrompê-lo, para dizer que os Akasunas tinha pouco a dizer no que acontecia neste castelo, mas Naruto continuou em uma voz trêmula, a única dica de como ele estava instável.

— Por favor, meu senhor, deixe-me continuar antes que a minha coragem me deixe.

Sasuke acenou com acordo, e Naruto tomou uma respiração profunda. Ele ficou de costas para Sasuke, para que o rosto cheio de cicatrizes estivesse escondido da vista. Ele não sabia se Naruto fez isso de propósito ou se era puramente instintivo para esconder essa parte de si mesmo.

— Eu gostaria de procurar refúgio em uma abadia¹, mas precisaria de transporte e... moeda... do qual eu não possuo, - ele sussurrou. - Eu ajudei o seu tio, entretanto, não foi por isso que eu fiz tal coisa, mas eu seria eternamente grato se você julgaria conveniente fornecer para minha entrada na abadia.

Suas sobrancelhas se uniram enquanto olhava para Naruto em descrença. Foi a última coisa que ele imaginou que pediria.

Suas mãos nervosamente tremularam e Naruto esfregou autoconsciente sobre seu rosto cheio de cicatrizes antes de puxar a máscara de outrora para cima para esconder a deformidade.

— Eu estaria disposto a ficar pelo tempo que você precisar de ajuda para assumir a liderança sobre o clã Akasuna. Eu posso lhe dar informações. Eu também posso dar-lhe... facilidade.

Seu rosto corou e seu olhar caiu. Limpou as mãos no tecido da calça mais e mais enquanto esperava.

— Facilidade. - Sasuke repetiu, sem saber ao certo o que o ômega tinha acabado de oferecer. Ele tinha uma ideia, mas com certeza não.

— Gostaria de atuar como seu amante, - Naruto desabafou. - Por quanto tempo você quiser ou precisar, desde no final da nossa... ligação... você iria me escoltar até uma abadia para que eu pudesse entrar.

Exclamou, incrédulo para o ômega. E então Sasuke riu, porque o que mais havia para fazer? O ômega falou de entrar numa abadia e no momento seguinte se ofereceu para agir como michê para ele.

Talvez ele não tivesse acreditado totalmente na verdade do que Naruto era para Sasori até agora. Naruto negociou com o seu corpo como um michê experiente, e ele estava revoltado com a ideia de que o ômega iria vender-se a ele, uma negociação como se isso fosse uma troca comum de bens e serviços.

Mais cor manchou seu rosto, e seus olhos brilharam com... dor? Como Naruto poderia estar ferido?

Nada sobre esta ômega fez qualquer sentido para ele, e teve a ideia de que ele nunca o conheceria plenamente. Iria provavelmente enfurecê-lo para sempre tentar compreender o funcionamento interno de sua mente.

— Eu sei que não sou nada para se olhar, - disse ele calmamente. - Eu não culpo você pelo seu desgosto. Isso é por que tenho habilidade na... cama.

Naruto sufocou a última palavra como se estivesse sufocando. A cor fugiu de seu rosto, e ele parecia doente.

Jesus, mas isso se tornava mais confuso o tempo todo. Agora, o ômega estava convencido de que seu desgosto era sobre a cicatriz em seu rosto.

Ele suspirou, irritado por Naruto. E, mais do que um pouco chocado que Naruto se ofereceu sem cuidados. Ele não tinha mostrado até mesmo um pouco de auto respeito.

Sim, não apenas o tornou irritado. Isso o fez bem sangrento de furioso.

— Não tem mais orgulho? - Ele exigiu. - - Você se oferece a cada alfa que cruza seu caminho, ou é porque você se encontra sem um protetor, agora que seu amante está morto. Será que algum alfa serviria?

Naruto ficou totalmente branco. 

— Protetor?

Uma gargalhada rouca e seca escapou, e o som era gutural e feio no silêncio. Sasuke pensou que ele iria dizer mais, mas segurou a boca fechada e nivelou um olhar para o alfa.

Seus olhos eram frios, sem sentimentos. A fachada estava de volta. Nenhuma emoção refletida. Era como olhar através das águas de um lago no inverno.

— O que você diz, Sasuke Uchiha? Você vai aceitar a minha proposta? Nós temos um acordo ou não?

Sasuke balançou a cabeça, gosto sumindo de sua boca. 

— Eu não tenho desejo nas sobras de Sasori Akasuna.

Ele girou nos calcanhares e saiu do quarto, mas não antes que ele viu o flash de angústia substituir a frieza no olhos do ômega. 


 


 

 


Notas Finais


¹local que abriga uma comunidade religiosa monástica; mosteiro. Também servia como refúgio para mulheres sem teto.


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