1. Spirit Fanfics >
  2. O Mal de Sangue Azul >
  3. A gêmea mais velha

História O Mal de Sangue Azul - Capítulo 1


Escrita por: Knighire

Notas do Autor


Eu gosto muito do universo de Reverse Falls. A ideia dos gêmeos serem malvados é algo tão incrível! Amo personagens corrompidos. Mas não costumo ver muitas fics focando na Mabel, principalmente no mundo Reverso. Então decidi criar uma para saciar minha vontade 'u')!
Eu não shippo Dipper x Bill, não shippo Dipper x Pacífica e definitivamente não shippo Mabel e Gideão. Posso fazer algumas implicações de Dipper x Mabel porque isso é algo "comum" em muitas fics de Reverse Falls, mas nada muito explicito.
No entanto gosto de Mabel x Pacífica, então por que não?
Também posso vir a mudar algumas tags e classificações com o decorrer da história. Also, o nome da fic é inspirado em uma fan-música com o mesmo nome que eu vi no youtube e a capa eu achei essa imagem no google kkkkkkkkkkk
Desculpe qualquer erro e boa leitura <3

Capítulo 1 - A gêmea mais velha


    A família Gleeful era sem dúvidas estranha e nenhum morador de Gravity Falls podia negar isso. Mesmo que inocentes aos atos horríveis que aconteciam dentro das paredes da mansão ou atrás das cortinas da Tenda da Telepatia, todos os cidadãos de certa foram poderia apontar pelo menos uma coisa estranha nos membros da família.

     Stanford Gleeful era, em poucas palavras, extremamente antissocial. Era possível contar nos dedos quantas vezes o homem havia sido visto fora dos portões da mansão. Ele era um pesquisador de alto nível, sempre ocupado e sem tempo para interagir com pessoas comuns. Nem mesmo uma vez foi visto assistindo a um dos shows de seus sobrinhos.

     Mason Gleeful era o gêmeo mais novo. Embora também tivesse suas tendências antissociais, ele sempre era visto comandando os shows na Tenda da Telepatia e as vezes na ruas. Inteligente e lindo, não escondia o fato de ser arrogante e se achar melhor do que todos da cidade. Ele tinha um mundo em suas mãos e estava pronto para comandar.

     Mabel Gleeful era a gêmea mais velha. A mais sociável dos três, fora dos shows era vista fazendo compras e as vezes até em encontros, mas nunca duas vezes com a mesma pessoa. Ela gostava muito de toda a atenção que recebia até demais e sabia fazer bom uso de outras habilidades, principalmente sua beleza e manipulação. O que ela queria ela conseguia, independente dos meios.

     Por fim vinha Will. Ele não era um Gleeful, apesar de também possuir olhos azuis semelhantes aos que marcavam a família, embora os seus fossem mais gentis e constantemente estivesse cercados por lágrimas. De motorista a cozinheiro, ele era o empregado da mansão para toda a cidade e por trás das paredes, o brinquedo preferido dos três integrantes daquela família.

      Outro fato curioso: tirando os shows dos gêmeos, era raro de se ver dois Gleeful ao mesmo tempo em algum lugar. Mesmo dentro da própria mansão, Stanford estava sempre trancado atrás das portas de seu escritório. Mason alternava seus tempos entre o quarto, a biblioteca e práticas para os shows. E Mabel...

     No momento em questão ela vinha caminhando por um dos corredores, nada feliz. Ela deveria estar praticando seu show com as facas, mas seu servo inútil não havia comparecido como solicitado mais cedo. Com uma mente diabólica para uma garota de 17 anos, ela já pensava em como iria punir Will por lhe desobedecer novamente.

     Sem bater na porta, ela entrou na biblioteca a procura de seu brinquedo, imaginando se o irmão tinha monopolizado ele novamente. Para seu desgosto, tudo que encontrou foi Mason deitado em um elegante sofá, cercado como sempre por livros.

--Querido irmão - Mabel sorriu falsamente - por acaso você não estaria brincando com Will escondido novamente, estaria?

     Mason não incomodou em responder. Virou uma página e continuou a ler. A garota respirou fundo, fechando a porta atrás de si e se aproximando.

--Mason, você sabe onde aquela criatura chorona está?

      Novamente sem resposta. Mabel se sentou no sofá de frente ao do irmão e sem delicadeza nenhuma pegou o livro dele, atirando no chão.

--Estou falando com você, Dipper.

--E estou escutando, minha adorável irmã - ele abaixou as mãos para pegar seu livro - e se não respondi, deve ser porque não sei onde Will se enfiou e não faço questão de saber.

--Hmm... - ela desviou o olhar do garoto, inspecionando suas unhas pintadas em tom azul - Ele deveria aparecer para nossa prática com facas, mas estou esperando a 15 minutos e nada.

--Isso realmente é terrível - o garoto comentou, um sorriso sínico em seu rosto - talvez ele tenha se cansado de ser sua cobaia. 

--Não seja ridículo, querido irmão - ela sorriu ironicamente - ele ama quando o uso como cobaia. 

     Will detestava ser cobaia. Frequentemente ele já estava chorando e implorando por misericórdia antes mesmo da primeira faca ser jogada. Era uma visão tão satisfatória que Mabel errava de propósito e estendia o tempo de prática.

--Por que está lendo esse livro novamente? - ela perguntou com desinteresse, voltando a focar a visão no irmão - Você já tem ele memorizado.

--Porque, querida irmã, ao contrário de você, gosto de ocupar meu tempo com coisas úteis.

--Então você não se importaria de sugerir algo para que eu possa fazer com o meu tempo, não é querido irmão? - ela cruzou as pernas - Ou vou gastar ele impedindo que você use bem o seu.

--Hmm... - Mason colocou uma mão sobre no queixo, olhando fixamente para o teto enquanto pensava - Poderia gastar indo brincar com os cidadãos da cidade. Você me parece um pouco reprimida esses dias.

     Mabel sorriu com a ideia e se inclinou um pouco sobre Mason, levando os dedos a deslizar sobre o peito dele.

--Eu poderia aceitar essa sugestão... Se você vier brincar comigo.

     Olhando para olhos azuis igualmente frios aos seus, ela se aproximou um pouco mais dele, apenas para que o livro anteriormente esquecido fosse colado entre os dois.

--Talvez outra hora. Agora estou ocupado.

     E voltando a mesma expressão sem emoções de antes, o rosto de Mason sumiu atrás do livro.

--E não me chame de Dipper novamente - ele concluiu.

     Mabel se afastou e levantou. Agora ela realmente estava de mau-humor. Ela agarrou o livro do irmão mais uma vez e o jogou contra uma das paredes. Mason a encarou, ainda sem demonstrar se sentir afetado com a ação.

     Uma ideia realmente divertida passou pela cabeça da garota. O amuleto em sua tiara brilhou em tom azul e com estalar de dedos, o livro pegou fogo.

--Mabel!

     Mason se levantou, agora irritado e caminhou até o monte de cinzas.

--Achei que você já tinha ele memorizado - a garota sorriu - divirta-se sendo as cinzas, Dipper - e piscando para ele, saiu da biblioteca.

     Mabel voltou para o seu quarto, batendo a porta atrás de si. Atormentar Mason era divertido, mas não o suficiente. O garoto era tão desprovido de emoções que a irmã tinha certeza que ele não se importaria se ela queimasse a biblioteca inteira. 

     Ela caminhou pelo quarto até sua penteadeira, se sentando e começando a escovar os cabelos. Isso não resolvia seu mau-humor, mas ajudava ter algo para ocupar as mãos. Porém isso também não durou muito, visto que nenhum fio sequer de seu cabelo estava fora do lugar, como sempre. Seus olhos azuis olharam de volta para ela, tão frios como de costume. 

     Ela deveria passar o resto da tarde praticando, mas não era a mesma coisa sem ter o demônio chorão para ser seu alvo. Se Mason não estava com Will, e ele não havia vindo quando ela tinha lhe chamado na única vez, então ele deveria estar no porão do tio-avô Stanford.

     Ela desviou o olhar para seu guarda-roupa, tão cheio de roupas que não saberia mais onde colocar novas se as comprasse.

--Compras... Compras nunca é uma má ideia.

     Alguns segundos depois, seus saltos nos corredores e descendo as escadas continuavam a ser o único som ouvido em toda a mansão. Chegando a entrada, ela cruzou os braços e bateu o pé de forma impaciente no chão.

--Will Cipher, você ter 10 segundos para aparecer antes que eu arranque seu único olho e te faça mastigar ele - ela declarou em voz alta.

     Exatos 10 segundos depois, um garoto saiu de uma das salas e veio em sua direção. 

--V-você c-chamou, S-Senhora? - ele perguntou.

--O que aconteceu com você? - ela sorriu divertida, olhando para ele.

     Will tentou abafar um soluço involuntário. Uma de suas mãos estava sem dedos, que ainda sangravam. Suas roupas, anteriormente brancas, estavam cobertas de sangue em todos os lugares. Até seus cabelos azuis estavam manchados de vermelho.

--E-eu-

--Bem, eu realmente não me importo - ela aumentou o sorriso - só lamento não ter sido eu a brincar com você hoje. Você tem 5 minutos para se arrumar, estamos saindo.

--S-Saindo..? - ele perguntou.

--Sim seu animal. Acho que seus ouvidos ainda estão inteiros. Seu tempo está passando. 1... 2... 3...

     Mabel observou com diversão enquanto Will subia correndo para seu quarto, o mais rápido que seus machucados lhe permitiam se mover.

~*~*~*~*~*~

--Carregue estas também.

--S-sim Senhora...

     Ela passou mais duas sacolas para ele, não se importando com estremecimento de dor por conta de seus braços ainda não estarem curados. A mão sem dedos estava enfaixada, tentando evitar o olhar de pessoas curiosas.

--Agora... Bem, acho que já comprei o necessário por hoje. Vamos voltar para o carro.

--C-claro, Senhora...

     Mabel saiu do shopping e esperou ao lado da porta de trás do carro, mexendo distraidamente em seu celular. Sua atenção foi atraída para Will quando escutou ele derrubar uma sacolas, não conseguindo equilibrar todas e abrir o porta-malas do carro.

--Não ouse derrubar mais nenhuma, sua aberração! - ela gritou, se aproximando - Faça isso mais uma vez e vou te deixar sem os dedos da outra mão!!

--É c-claro, Senhora - ele disse, se encolhendo com o tom de voz dela - n-não vai a-acontecer novamente... S-sinto muito, S-Senhora...

--É um inútil mesmo - ela desviou o olhar - só sabe pedir... Desculpas...

     Mabel se calou, observando a movimentação que acontecia do outro lado da rua. A porta de uma loja, uma panificadora, se abriu e dela não saiu ninguém menos que um garota de cabelos brancos, um pouco baixo para sua idade, usando um boné azul com um pinheiro no meio. 

     Gideão Pines não notou ela observando, muito ocupado em carregar uma caixa branca com todo o cuidado do mundo. Ele se despediu de algum funcionário dentro da loja e caminhou até um carro, onde colocou a caixa no banco de trás e depois entrou no da frente, logo em seguida indo embora.

--Senhora? - Will chamou.

     Os olhos azuis se voltaram para o demônio, que havia terminado de guardar todas as sacolas e observava Mabel em busca de novas ordens.

--Você viu aquilo, Will? Gideão saindo daquela loja.

--Vi sim Senhora. Parecia ser um bolo-

--É óbvio que era um bolo, criatura burra! - Mabel cruzou os braços - A pergunto é por que ele estava comprando um bolo na panificadora mais cara da cidade? Ele é pobre, não tem dinheiro para isso.

--Hmm... B-bom...

--O que? - ela deu um tapa na cabeça dele - Diga logo e pare de enrolar!!

--D-desculpe, Senhora! - Will se encolheu novamente - É s-só... H-hoje começa as f-férias de v-verão, então...

--Eu sei disso, criatura imbecil!! - ela lhe deu outro tapa - O que isso tem a ver com-

     E como em uma das mágicas de seus shows, tudo agora fazia sentido. O começo das férias de verão significava que esta era a única época do ano em que a população residente de Gravity Falls aumentava uma pessoa.

--Will, vamos para o ponto de ónibus.

--C-como você q-quiser, Senhora...

     Enquanto Mabel entrava no banco de trás do carro, um sorriso sádico se abriu em seu rosto. Parece que ela não ficaria mais entediada por um tempo. Não quando se tinha Pacífica Southwest para atormentar.

~*~*~*~*~*~

     Will parou o carro uma rua atrás do ponto de ónibus, como Mabel lhe instruiu. Ela disse para ele ficar no carro e não sair em hipótese alguma, sob a ameaça de perder os dedos dos pés para combinar com a mão. O garoto acenou freneticamente com a cabeça que iria permanecer ali, engolindo um soluço.

     Mabel caminhou até ficar em uma distancia segura, onde não seria vista. Ela viu o carro de Gideão estacionado ali, com o garoto mexendo em seu celular encostado no veículo. 

     Ele havia crescido e ficado bonito, isso ninguém poderia negar. A morena ainda achava um tanto fofo as sardas espalhadas em seu rosto, mas a paixão que um dia sentiu por ele não existia a muito tempo. Gideão tinha deixado claro que eles eram de mundos diferentes e nunca dariam certo enquanto os gêmeos tentassem obter o Diário 3, que continuava até hoje em sua posse.

     Mabel aprendeu ali que não deveria nutrir sentimentos por ninguém. O mundo era um lugar onde não existia amor correspondido. No final do dia, ela só poderia contar consigo mesma. No final do dia, ela estava sozinha. 

     A solidão não era algo estranho para si. Embora compartilhasse muitas coisas com Mason, constantemente ela se via sozinha em seu próprio mundo frio e cinzento. Amor era uma fraqueza, seu tio-avô Stanford dizia sempre. Amizades são para pessoas fracas. 

     Mabel Gleeful não era uma pessoa fraca.

     Saindo de seus devaneios, ela viu um ónibus encostar na parada. Alguns segundos depois, uma garota loira de olhos azuis mais escuros que os seus desceu, indo imediatamente em direção ao carro de Gideão.

     Pacífica Southwest era prima de Gideão Pines e passava as férias de verão em Gravity Falls desde os 12 anos. Em seu primeiro verão, se iniciou a guerra entre os dois contra os gêmeos, constantemente em busca de uma dupla obter o diário da outra. Ela também havia crescido desde então, sempre um pouco mais alta que o primo.

     Mabel a achava extremamente desleixada. Sempre era vista em roupas extremamente coloridas, com sorrisos e adesivos a disposição de quem quisesse um. Sem mencionar a galinha de estimação que ficava na Cabana do Mistério, onde Gideão morava.

     No entanto, alguma coisa estava diferente dessa vez. Pacífica sempre chegava animada para férias, em busca de saber as novidades do primo e pronta para uma nova tentativa de roubar o Diário 2 dos gêmeos. Dessa vez, Mabel notou imediatamente porque era uma ocorrência rara, a loira não estava sorrindo.

     Ela abraçou o primo, eles trocaram algumas palavras enquanto o albino guardava suas malas no porta-malas, então entraram no carro e foram embora para a brejo onde Gideão morava.

     Com certa curiosidade, Mabel voltou para seu carro e ordenou que Will a levasse para casa. O demônio observou nervoso, pelo retrovisor, algum sinal de que seria punido por qualquer motivo aleatório. Mas só o que encontrou foi os olhos azuis de sua senhora olhando pela janela, curiosidade estampada neles.

--Por que ela não estava sorrindo? - Mabel sussurrou para si mesma.


Notas Finais


Não sei com que regularidade vou postar. Tenho a tendência a ser preguiçosa pra escrever depois de um tempo, então não estranhem se eu sumir por meses :)
Já tenho até o capítulo 4 pronto, então com garantia vocês ainda tem mais 3 capítulos vindo ai!
Se você gostou, fique a vontade para deixar um comentário se quiser e até o próximo capítulo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...