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História O Médico e o Monstro - Capítulo 2


Escrita por: fenixaries_

Notas do Autor


Olá! Para você que está chegando agora por essa fanfic, saiba que ela tem um tema meio pesado/tenso (quem conhece Dr. Jekyll e Mr. Hide sabe do que eu estou falando), fugindo até mesmo da proposta inicial de super-heróis que o projeto pedia, eles serão um pouco... anti-heróis, devo dizer? Então, se decidir continuar, saiba que terá sangue, sexo e caos nesse universo fictício. Espero que goste :)
Betada pela maravilhosa @DirtyMadFiesta <3

Capítulo 2 - The X-periment


Após uma desgastante cirurgia que durara quase oito horas, Yixing deixou a sala de operação e retirou a máscara, respirando aliviado por ter salvo (ou prolongado) mais uma vida. Para a estatueta de Jesus Cristo pendurada na parede, benzeu-se, antes de rumar até a cantina do hospital. Precisava comer algo urgentemente ou seria ele a estar deitado em uma das macas.

Distraído enquanto mexia na comida com o garfo, ouviu a voz de Jongin - seu amigo e médico pediatra - às suas costas.

— Você está um lixo! — ele provocou, pondo a bandeja em cima da mesa e sentando-se junto de Zhang. Não vira Yixing o dia todo, e a resposta estava nas enormes olheiras do amigo. — Qual foi a de hoje? Biópsia? Craniotomia?

— Alguém aqui nesse hospital tem que trabalhar, não é mesmo? — rebateu para Jongin, que parecia sempre estar lambendo os dedos melecados de frango frito em alguma mesa da cantina, ao invés de tratando pacientes.

— Que audácia! — Kim fingiu estar ofendido. — Pois fique sabendo que trabalhei dobrado. Oh Sehun teve que cuidar do pai no interior e me pediu para cobrir o plantão dele.

Ao ouvir aquele nome, Yixing cuspiu o arroz involuntariamente.

Zhang nunca fora um cara tímido quando se tratava de relacionamentos, mas tinha que admitir que o também pediatra e colega de trabalho de Jongin, despertava em si os sentimentos mais pecaminosos. Sentimentos esses que, em um dia de fraqueza e tensão sexual, o fizeram roubar um beijo de Oh enquanto estavam sozinhos em uma das salas de descanso.

Nunca mais conseguiu olhar em seus olhos após o episódio de total falta de profissionalismo.

Mas o outro pareceu gostar do beijo, já que, além de retribuir o contato, também demonstrou um interesse maior em Zhang.

Sua sorte era o cara ser mais tímido que uma colegial, e ficava todo corado só em topar com o neurologista pelos corredores do Hospital Santa Maria, então apenas tentava não enlouquecer toda vez que Jongin citava que Oh havia perguntado por si.

— Ah… — Tossiu na tentativa de desengasgar o arroz. — Por isso você está um lixo também.

Jongin deu uma risadinha soprada antes de enfiar uma colher cheia de frango na boca. Sabia que se não falasse nada, o outro ficaria calado até a hora de ir embora.

— Falando no Sehun… Por que não dá uma chance a ele? — Recebeu um olhar quase assassino com a insinuação. — Ah, qual é, Yixing? Seu pau vai criar teia de aranha assim.

— Isso não tem nada a ver com a minha vida sexual — disse. — É só que… eu trabalho muito, não tenho tempo para essas coisas.

— Que desculpa mais esfarrapada! Veja meu exemplo: muito bem casado e ainda arranjo tempo para cobrir o plantão alheio.

— Espera só daqui a alguns meses quando a família aumentar — Yixing rebateu.

Jongin abriu um sorriso grandão. Sempre fora seu sonho ter um filho, a especialização escolhida denunciava muito sobre sua personalidade babona por crianças, e Zhang tinha certeza que ele seria o melhor pai do mundo. Mas apaixonar-se por alguém, dividir seu tempo e lotar a cabeça com discussões de relacionamento ao invés de seu trabalho, era algo que, definitivamente, não estava nos planos de Yixing.

— Você está querendo fugir de algo que é natural do ser humano: o amor. — Jongin insistiu e Zhang começou a desconfiar que o amigo estivesse comungado com Oh. — Não seja tão insensível.

— Não sou insensível. — Yixing deu de ombros. — Apenas não quero ter minha carreira transtornada por conta de um namoro.

Jongin deu uma pausa na refeição só para sussurrar algo em sua direção, olhando para os lados como se guardasse um segredo de estado.

— Já ouviu o boato que está correndo pelo hospital? — Yixing negou. Claro que não sabia, quando não estava em cirurgia, estava enfurnado em alguma sala com um livro de medicina na mão. — Ouvi do meu chefe que o doutor Jekyll irá promover você.

— Me promover?! — perguntou, surpreso.

— Não vê que o neurologista-chefe já está muito velho e cansado? Trocando as plaquinhas dos pacientes, receitando medicamentos erroneamente… — Jongin continuou sussurrando. Yixing o olhou como quem perguntava como ele sabia de todas essas coisas se, ele mesmo, que trabalhava no setor de neurologia, estava por fora das fofocas. — As pessoas falam, Yixing, e parece que o maior candidato como sucessor ao cargo é… você!

Jongin apontou para ele com o garfo.

Há anos Yixing vinha se preparando, virando noites estudando, trabalhando até o dia seguinte, muitas vezes sem remuneração extra, apenas com o intuito de acumular mais experiência e se tornar o melhor cirurgião neurologista da Ásia. Sonhava alto demais, sabia disso, mas aparentemente, finalmente começaria a ser reconhecido pelo seu esforço.

— Isso é verdade?

Jongin confirmou com a cabeça, voltando sua atenção para o prato.

Ter contado aquela notícia assim, tão repentinamente, foi um erro. Dos grandes. Um erro que faria Yixing presenciar algo que não deveria.

Yixing conseguia ser extremamente ansioso para algumas coisas, e a fome que o engolia anteriormente, sumira em um estalar de dedos. Agora, ele não conseguiria se acalmar, provavelmente nem mesmo dormir, enquanto não ouvisse aquilo da boca do próprio Junmyeon Jekyll.

Voltou ao planeta Terra quando Kim tossiu falsamente e apontou com a cabeça para o rapaz alto que vinha em sua direção.

Nem percebeu quando o amigo terminou de comer tudo; agora Jongin se levantava da cadeira e recolhia a sua bandeja, enquanto saía de fininho mesmo que Yixing o implorasse com os olhos para que não o deixasse sozinho com aquele homem.

— O-olá, do-doutor Zhang… — ele gaguejou.

Yixing se controlava ao máximo para não encarar os ombros largos marcados no jaleco.

— Olá, doutor Oh — respondeu o cumprimento.

Timidamente, Sehun deixou uma caixinha de leite fermentado sabor banana em cima da mesa, este que ficou sabendo (através de seu informante Jongin) ser o sabor favorito do neurologista. Colado de uma maneira enfeitada demais atrás da caixinha, estava um papel colorido dobrado.

— Te-tenha um bom dia, d-doutor Zhang!

E ligeiro da mesma forma que chegou, ligeiro saiu, correndo como se fosse se desmanchar em vergonha caso passasse mais algum minuto ao lado do mais velho. Yixing não achou de todo mal, dividir o mesmo espaço que Sehun o deixava... nervoso.

Pegou o leite fermentado em mãos, um pouco receoso pelo que aquele papel poderia conter. Seus pensamentos estavam mais do que corretos: era o número de telefone de Oh Sehun, desenhado em uma letra caprichada.

— Fofo… — Yixing sussurrou em um sorriso, antes de furar a embalagem com o canudinho e beber.

 

*

 

“Quando a mariposa encontra um raio de luz, ela voa na direção dele e, às vezes, morre.”

 

Após o almoço, Yixing retornou ao setor de neurologia e caminhou até sua sala para recolher seus pertences e ir para casa. Com a mochila pendendo em um dos ombros, cruzou os corredores e cumprimentou alguns funcionários que o desejaram um bom dia de descanso. No entanto, antes de finalmente bater o ponto, planejava encontrar alguém.

Ao entrar no elevador, o ascensorista fez a pergunta padrão:

— Boa tarde, senhor. Para qual andar deseja ir?

— Boa tarde! Décimo andar, por favor — respondeu.

Aquele era o andar do escritório do doutor Junmyeon Jekyll e Yixing estava mais do que curioso para perguntá-lo sobre a possível promoção da qual ouvira falar.

O ascensorista confirmou com a cabeça e pressionou o botãozinho do elevador, que fez a porta ser fechada logo em seguida. Enquanto subiam os andares lentamente, Yixing se deu conta que aparecer sem aviso prévio poderia ser um tanto incômodo e invasivo, afinal, não tinha ideia se o doutor estava ocupado com seus afazeres. Não sabia ao menos se ele estava no hospital. Maldito Kim Jongin que lhe contara a notícia antes da hora e o deixara ansioso daquela forma.

Respirando fundo na tentativa de se recompor, limpou a garganta e chamou a atenção do ascensorista. Era melhor que fosse para casa e aguardasse um convite oficial.

— Com licença, eu mudei de ideia. — Yixing disse. — Poderia me levar ao térreo, por favor?

Àquela altura, já estavam no nono andar. Quando a porta se abriu, um homem e uma mulher de meia idade adentraram o elevador. Eles vestiam roupas caras e requintadas. Yixing os reconheceu, faziam parte da administração do Hospital Santa Maria.

— Ele está arruinando a própria carreira — o homem disse para a mulher.

— Coitado, tão novo…

— Ainda bem que seu pai não está mais entre nós para ver o que o filho está causando à imagem deste hospital. Ele teria vergonha!

— Não podemos deixar que a notícia se espalhe mais, devemos conter a imprensa.

O homem se deu conta de que ele e sua colega não estavam mais sozinhos. Tossiu levemente, ajustou o terno e seguiram até o destino em completo silêncio, com apenas algumas pessoas entrando e saindo pela porta, transitando entre os andares. Enquanto o elevador descia até o térreo, Yixing se perguntava sobre quem aqueles dois estavam falando.

Para bater o ponto, o caminho mais curto era atravessar a Emergência Pediátrica. Quase todo santo dia passava por ali e havia sido daquela forma que conhecera Jongin. Dessa vez, avistou Oh Sehun, mas o outro se encontrava distante demais para que notasse sua presença. “Graças a Deus!” pensou. Zhang cessou os passos para observar o pediatra com calma; ele estava consultando uma pequena paciente com o estetoscópio e mantinha as sobrancelhas franzidas, daquela forma que sempre fazia quando estava concentrado em algo. Desde quando havia começado a memorizar traços da personalidade de Sehun? Balançou a cabeça negativamente e seguiu seu caminho, tratando de tirar aquele sorriso bobo que nem notara que nascera em seu rosto.

Caminhou até a entrada do hospital com os olhos focados no celular; mais precisamente, algum aplicativo de motoristas particulares. Estava muito cansado após as oito horas ininterruptas de cirurgia e não confiava em si mesmo para conduzir seu carro naquele estado.

Sua atenção passou do celular para a entrada do hospital quando ouviu um burburinho, além disso, muito mais pessoas do que o normal estavam de pé na calçada, o que Zhang estranhou quando viu que haviam alguns repórteres sendo impedidos de entrar pelos seguranças. As mesmas duas pessoas que anteriormente dividiram o elevador consigo, agora estavam tentando acalmar a pequena multidão.

— Com licença, o que está havendo? — Yixing perguntou para uma funcionária da limpeza, que parecia mais interessada no carro da polícia que vinha chegando do que em varrer o chão.

— Boa tarde, doutor Zhang! O senhor não soube? — Yixing negou com a cabeça. Mas que hospital cheio de boatos era aquele? — O doutor Jekyll matou um paciente.

Yixing permaneceu estático por alguns segundos, sem poder acreditar.

— O quê? — perguntou novamente, só para ter certeza de que tinha ouvido certo.

— É verdade — ela confirmou. — Acabei de realizar a limpeza da Emergência e lá só o que se fala é sobre um paciente que estava estável, mas que quando o doutor retornou ao leito, ele convulsionou e morreu. Estão fazendo o exame de corpo de delito agora.

— Isso aconteceu agora?!

— Aconteceu há pouco mais de uma hora, senhor.

Então ele ainda deve estar no prédio” Yixing pensou.

A funcionária se benzeu e se lamentou, mas logo em seguida se aproximou mais ainda da multidão, para que pudesse ouvir alguma novidade. Já era de se esperar que a notícia tivesse corrido tão rápido em tão pouco tempo, aquele hospital estava infestado de fofoqueiros.

Em uma atitude impulsiva (que, se soubesse o que aconteceria no futuro, não teria tomado), deu meia volta e apressou o passo até que estivesse apertando o botão do elevador freneticamente, ainda que soubesse que não chegaria mais rápido por conta disso. Nem se importava mais tanto com sua suposta promoção, mas estava preocupado com o estado de Junmyeon. O conhecia de longas datas, antes mesmo do pai dele falecer e deixar o hospital sob sua direção; já haviam jantado e bebido juntos algumas vezes, em confraternizações da empresa. Não o conhecia intimamente, nunca foram melhores amigos, mas Yixing sabia, tinha certeza, que Junmyeon jamais machucaria alguém. Pelo menos para garantir isso diante todo hospital, Zhang o conhecia o suficiente.

— Décimo andar, por favor! — Yixing pediu quando o elevador chegou depois do que pareceu uma eternidade.

O ascensorista o encarou com um certo desdém, mas fez o que lhe fora pedido. Provavelmente estava pensando sobre o quanto o neurologista era indeciso.

Na verdade, não sabia exatamente por que estava indo até o escritório de Junmyeon. De que seria útil, afinal? Talvez fosse apenas sua curiosidade o levando a tomar decisões estúpidas, ou o tédio de uma vida completamente previsível. Quem sabe? Mas só queria conversar com ele e ajudar de alguma forma, nem que fosse oferecendo-lhe apoio.

Deu duas batidinhas na porta e aguardou resposta. Alguns segundos se passaram. Mais duas batidinhas na porta. Nenhuma resposta.

— Doutor Jekyll? — Yixing chamou.

É, tinha sido uma péssima ideia ter ido até lá. Era óbvio que, mesmo que Junmyeon estivesse em seu escritório, após o ocorrido (este que Zhang ainda acreditava veemente não ter passado de um mal-entendido), ele não estaria apto a receber ninguém. Muito menos Yixing, com quem não possuía vínculos.

Estava prestes a dar meia volta, até que ouviu um barulho alto vindo do lado de dentro. Soava como um grunhido de dor, seguido de um arrastado de móvel, talvez uma cadeira. Preocupado com o que poderia estar acontecendo e com a possibilidade de Junmyeon estar sendo agredido por alguém, Yixing girou a maçaneta na esperança de que a porta estivesse destrancada. A porta abriu-se e Yixing mal pode acreditar no que vira.

— Doutor Jekyll! — gritou, correndo até ele.

Não tinha ninguém na sala além de Junmyeon. Os objetos da mesa - laptop, relógio e alguns enfeites - estavam todos espalhados pelo piso. Junmyeon estava se debatendo no chão, a boca espumando. Suas íris moviam-se com tanta rapidez que os olhos pareciam completamente brancos.

Ok. Ele era médico. Não havia motivo para entrar em pânico. Mas tudo afetava diferente quando era alguém que ele conhecia.

Yixing não sabia o que tinha levado Junmyeon àquele estado, mas decidiu iniciar os cuidados padrões sobre um paciente com crise epiléptica, pois era o que parecia estar ocorrendo ali. Posicionou-se atrás de Junmyeon e segurou sua cabeça para a lateral, assim, caso ele começasse a vomitar, não engasgaria. Então, esperou que passasse. Checando seu relógio no pulso, já contava mais de cinco minutos de crise e nenhum sinal de melhora, o que era preocupante quando não se sabia o motivo que levara Junmyeon a convulsionar. Yixing estava perdendo alguma coisa e foi por esse motivo que seu cérebro instintivamente levou-o a olhar para cima da mesa. Os únicos objetos que haviam permanecido intactos, eram: um béquer pequeno e uma seringa vazia.

O que diabos Junmyeon tinha feito a si mesmo?

Tudo começou a ganhar uma nova perspectiva. Junmyeon teria injetado alguma droga? Ou, quem sabe, atentado contra a própria vida? O que não era uma possibilidade completamente descartável, visto a situação em que ele estava metido.

O prognóstico passou de uma simples crise epiléptica para overdose. Ele precisava de tratamento especializado urgente. Yixing não tinha muito o que fazer ali, sem equipamentos apropriados, e tentar transportar uma pessoa de qualquer jeito durante uma crise não era o recomendado.

Pegou o celular e ligou para a Emergência do próprio Hospital Santa Maria, a fim de buscar ajuda. Porém, por algum motivo, o hospital estava mais lotado que o normal naquele dia. Ninguém atendeu.

Abaixo de si, uma voz estranha começou a falar:

Eu vivo dentro de você, como uma ave engaiolada.

Os músculos de Yixing enrijeceram automaticamente e, um pouco assustado, buscou Junmyeon com os olhos: ele ainda espumava pela boca e se contorcia, porém, como se não bastasse a situação toda já ser sinistra por si só, ele também sorria.

Yixing achou que o mais prudente ali seria benzer-se, antes de voltar sua atenção novamente para o celular.

Deu uma olhada na sua lista de contatos e tinha salvo apenas o número de Kim Jongin. Mas que merda! Era mesmo um antissocial viciado em trabalho, não havia uma pessoa sequer além de Kim a trocar mensagens consigo no dia-a-dia. Pensou em ligar para Jongin mesmo, mas então lembrou que ele não seria de muita serventia, já que o amigo tinha ido para casa após cobrir o plantão de Oh Sehun. Claro! Ele agora tinha o número de Sehun.

Não era daquela forma que Yixing planejava ligar para Sehun pela primeira vez, mas, bem… não tinha tempo para ficar pensando naquilo, não quando o diretor daquele hospital estava tendo a porra de uma overdose na sua frente, ainda repetindo a mesma frase macabra:

Eu vivo dentro de você, como uma ave engaiolada.

O que diabos isso queria dizer, afinal?

Procurou no bolso frontal da calça e tateou o papelzinho colorido. Digitou o mais rápido que pôde em seu celular e esperou o toque.

Torceu para que Sehun não estivesse ocupado na Emergência Pediátrica, mas aquilo era, definitivamente, uma emergência.

Alguns toques depois, Sehun atendeu.

Alô?

— Oh? Sou eu, Zhang Yixing!

A voz firme no outro lado da linha deu lugar a gagueira e uma respiração ofegante. Sehun nunca imaginou que Yixing o procuraria. Ao menos não tão cedo.

O-lá, doutor Zha-ang.

— Olá, doutor Oh. Está ocupado no momento?

Na ve-verdade não. Esto-ou no intervalo do lanche.

Oh, céus! Quais seriam as melhores palavras para explicar que não estava ligando para chamá-lo para sair ou algo do tipo?

— Escute, não tenho tempo para explicar nada agora, mas estou precisando muito de você — disse em um tom quase desesperado, Junmyeon não parava de gargalhar. Yixing já estava com medo e deduzindo que o seu mal não era nada relacionado à medicina. — Estou no escritório do doutor Jekyll, no décimo andar, e preciso que você traga uma equipe de emergência agora, entendeu? O mais rápido possível. Ele está morrendo!

Não sabia o que o pediatra pensaria sobre aquela ligação. Estaria ele desapontado, talvez? Mas de uma coisa ele sabia: Oh era um profissional e deixaria seus assuntos pessoais - assim como toda timidez - de lado quando a vida de outra pessoa estava em risco.

Tu-tudo bem. Mantenha ele estável, eu estou indo. — Sehun respondeu rapidamente e Yixing desligou a ligação logo após agradecer.

Voltou sua atenção para Junmyeon, que começou a ter refluxos. Yixing se aproximou para impedir que engasgasse em seu próprio vômito. Foi quando Junmyeon agarrou com força o seu pulso, tão forte que Zhang gritou de dor.

— Eu vivo dentro de você, como uma ave engaiolada...

Jekyll disse olhando nos olhos de Yixing e, quer saber? Fodam-se os cuidados médicos, ele só queria sair correndo dali.

Lágrimas escorriam dos olhos de Junmyeon. Lágrimas de sangue. Tão abundante que o líquido vermelho escorria por todo o seu rosto. Junmyeon agora estava calmo e sorridente, como se há poucos segundos não estivesse próximo da morte.

Yixing tentava se soltar de seu aperto, mas era em vão.

— Doutor Jekyll, você está bem? — Zhang perguntou. Mas era bem nítido que nada ali estava bem. — Está… me machucando.

Junmyeon fechou os olhos e disse com uma voz gutural, demoníaca:

— Eu vivo dentro de você, como uma ave engaiolada. Porém, às vezes, a porta se abre e eu voo.

Aquilo apavorou Yixing, que começou a se tremer inteiro e tentar, a todo custo, soltar seu pulso da força sobre-humana de Junmyeon.

Quando doutor Jekyll abriu os olhos, eles estavam completamente pretos. Não teve tempo de reagir, pois foi jogado para longe e bateu com violência na parede. Tinha certeza que sua cabeça estava sangrando, conseguia sentir o líquido quente escorrer.

— Doutor Junmyeon… O quê... — Yixing tentava enxergar alguma coisa, ou pelo menos, dizer alguma coisa, mas sua visão estava turva e sua língua embolada.

— Junmyeon não está mais no controle. — Jekyll disse, em seguida, gargalhou. — Eu sou muito melhor que ele. Junmyeon é fraco, mas eu sou forte. Gostaria de provar essa sensação de poder também, doutor?

Enquanto Yixing tentava, com dificuldade, levantar-se do chão, percebia que Jekyll se aproximava dele com algo na mão, mas não conseguia identificar o que era.

— Doutor Zhang!!! — Uma voz conhecida gritou.

A porta foi aberta e por ela, entrou Sehun. Só sentiu o momento em que Oh interferiu no que quer que fosse que Jekyll tentara fazer consigo - o que certamente não era nada bom -, se pondo entre ele e Jekyll, em um abraço. As vozes que vinham do corredor se tornaram cada vez mais audíveis, e aquilo assustou Jekyll, que em um piscar de olhos, apenas desapareceu. Sehun foi ao chão logo em seguida, com uma seringa - agora vazia - fincada em seu pescoço.

A equipe médica não tardou em socorrê-los, e a maca que outrora serviria para transportar Junmyeon, agora transportava Oh Sehun inconsciente.

 

*

 

O plano de Yixing de ir para casa naquela tarde e descansar foi por água abaixo. Agora ele se encontrava encostado na parede de uma das salas particulares do hospital, assistindo a uma equipe médica trabalhar. O prognóstico não era muito bom.

Depois de conseguirem fazer Sehun parar de gritar e convulsionar, o médico responsável pelo atendimento, Jackson Wang, veio em sua direção.

— Fizemos tudo o que podíamos, agora nos resta esperar para ver como ele vai reagir e torcer para que acorde do coma — ele disse e Yixing suspirou melancólico. Como tudo tinha acabado daquela forma? Ainda não sabia. Apenas o mínimo esforço para pensar lhe parecia difícil. — Como está sua cabeça? Ainda dói?

— Eu vou ficar bem, não foi nada.

Para a sua sorte, o corte em sua cabeça fora superficial e agora apenas uma pontada aqui e ali se fazia presente. Nada com o que tivesse que se preocupar, aparentemente.

— Evite forçar o seu pulso também. Não vai poder trabalhar por algumas semanas, até que seus movimentos estejam totalmente recuperados.

Yixing dedicou sua atenção para o próprio pulso direito. Estava enfaixado e parecia mau, muito mau. Era doloroso até mesmo mexer os dedos. Nunca pensou que Junmyeon fosse tão forte ao ponto de causar uma contusão em outra pessoa apenas com uma mão. Na verdade, nunca pensou que Junmyeon fosse capaz de fazer alguma coisa como aquela. E se, por mais difícil que fosse acreditar, os boatos envolvendo o seu nome tivessem alguma chance de serem verdade?

Ainda encarando sua destra, pôs-se a pensar no que faria de sua vida agora que estava de licença médica. Durante anos, tudo que aprendera a fazer foi apenas trabalhar. Havia se acostumado com isso. Não gostava de admitir aquilo, mas sem seu trabalho, Yixing não tinha nada. Não tinha família, não tinha amigos (além de Kim Jongin, claro), não tinha um namorado, não tinha um hobby… até mesmo sua casa era monótona e entediante. Se sentia perdido.

— Quer que eu prescreva os medicamentos para você? — Yixing se limitou a concordar. Não podia nem mesmo escrever a merda de uma receita com sua mão dominante imobilizada. — Ok, então. Não vou dar uma de mãe porque acho que você sabe como trocar os curativos em casa, não sabe? — Wang usou um tom sarcástico e Yixing devolveu apenas com um rolar de olhos.

Um som agudo veio do monitor digital e ambos olharam para lá no mesmo momento. Por um segundo, Yixing pensou que Sehun teria acordado, mas após Jackson checar rapidamente, constataram que tinha sido apenas o oxímetro que havia escorregado do dedo de Oh.

Como Zhang poderia ao menos pensar em ir para casa quando Sehun estava deitado ali por culpa dele? Era para ser ele ali. Não alguém inocente e doce como Oh Sehun.

— O que tinha na seringa? — Yixing perguntou, apontando com a cabeça para Oh.

— Ainda não sabemos. A coloração e textura não se parecem com nenhum medicamento que eu já tenha visto. — Jackson respondeu em um tom desesperançoso. Não saber o que era não ajudava em nada para o tratamento e, quanto mais tempo se passava com Sehun inconsciente, menos chances tinha dele voltar à consciência. — De qualquer forma, recolhemos resíduos e amostras de sangue para tentar identificar o composto. Está no laboratório agora.

Yixing encolheu os ombros. Estava de mãos atadas.

— Vocês são amigos? — Jackson perguntou e Yixing arregalou os olhos como se tivesse sido pego em uma espécie de flagra.

— Mal nos conhecemos — respondeu, e antes que o outro pudesse emendar seja qual fosse a pergunta estúpida que estava pensando, Yixing se certificou de impedir. — Já ligaram para os pais dele?

— Ainda não.

— Eu faço isso!

Jackson quis dizer algo. Talvez tenha notado a forma demasiadamente preocupada que Yixing encarava Sehun. Entretanto, decidiu deixar para lá. Tinha muito trabalho a fazer, o hospital estava quase que literalmente um inferno naquele dia, sabe-se lá porquê.

— Tudo bem — disse, acenando para a enfermeira que o chamava na porta do quarto. — Manterei você informado assim que obtiver o resultado dos exames.

— Obrigado, Wang.

— Zhang. — Curvou-se brevemente antes de sair.

Yixing esperou o outro sumir de vista para caminhar lentamente para perto de Sehun. Ele respirava sem a ajuda de aparelhos e seu peito movia-se lentamente para cima e para baixo.

— Me desculpe — sussurrou Yixing.

Pedia desculpas por tê-lo chamado até o maldito décimo andar, por aquele ter sido o primeiro telefonema entre os dois, por não ter conseguido fazer nada para impedir que se machucasse.

O que tinha na cabeça quando foi procurar Junmyeon? Ou melhor, por que Junmyeon estava agindo daquela maneira? Ele estava completamente fora de si, parecia até mesmo… outra pessoa. Não havia mais dúvidas do que o doutor Jekyll era capaz, as pontadas em sua cabeça, o punho inchado e Oh Sehun em estado de coma provavam aquilo.

Deu uma checada básica nos equipamentos, mesmo que Jackson Wang já tivesse feito isso. Seu interior culpado gritando que agora era seu dever cuidar de Sehun até que se recuperasse completamente. Quis afagar seus cabelos lisos, que aparentavam ser tão macios, mas jamais poderia fazer isso. Nem se, lá no fundo de seu coração, tivesse algum sentimento pelo pediatra.

— Preciso confessar uma coisa. Sempre o vi pelos corredores do hospital e quis falar com você, mas, bem… como vou explicar isso? Eu não sou muito bom com relacionamentos, doutor Oh. — Yixing começou a falar com aquela pontadinha de vergonha. Estava falando com alguém que estava em coma, era como falar sozinho. Entretanto, não teria coragem para falar aquelas coisas enquanto Sehun estivesse acordado, então, continuou. — Na verdade, eu fujo de relacionamentos. Apenas tive um namorado na época de escola, mas não foi um exemplo de relacionamento saudável, então eu me fechei para essas coisas, entende? — Yixing sorriu amarelo por conta das lembranças que vieram junto de sua fala. — Oh, céus, é claro que não entende. Olha só para você! É alguém gentil, fofo, que ama crianças e dedica sua vida a cuidar delas… Tenho certeza que teve uma criação recheada de amor. — Respirou fundo, antes de completar: — Por isso eu não posso permitir que você se aproxime de mim, porque não acho que eu seja a pessoa certa para você.

Era um pouco humilhante o que estava fazendo, principalmente porque não conseguiu conter a umidade nos olhos e aquele, definitivamente, não era o momento certo para chorar.

— Desculpe. — Fungou. — Eu já volto. Preciso ligar para um familiar seu e informar a sua condição.

Tinha que ir até a recepcionista do setor para pegar o número de telefone dos pais de Sehun e dar aquela notícia nada agradável. Como explicaria o ocorrido para o senhor e senhora Oh? Deveria contar a verdade em detalhes? Pensaria em um bom discurso no caminho.

Assim que Yixing virou o corpo para ir em direção à porta, algo agarrou o seu pulso, tão forte que acreditou que quebraria. Yixing gritou de dor, com o mesmo pulso enfaixado sendo apertado pela mão grande de Sehun.

— Doutor Oh! — Yixing reclamou enquanto tentava se soltar. — O que está fazendo?

— Não incomode a minha família! — Sehun rosnou com uma voz que nada se assemelhava com aquela doce e serena que conhecia.

— Me solte! — Tentou puxar seu braço, mas de nada adiantou. Oh era… forte demais.

Sehun não acatou seu pedido. Ele parecia alheio ao seu redor, com o olhar desfocado e distante, mas a fala seguinte de Zhang o trouxe de volta à consciência.

— Está... me machucando! — exclamou.

Após pressionar os olhos, como se quisesse acordar de um transe, Sehun afrouxou os dedos e Zhang segurou o pulso dolorido com cuidado. Doía tanto que o fato de Sehun ter acordado de repente e agora estar sentado na maca eram as menores de suas preocupações.

— Doutor Zhang! — Sehun disse, agora o olhando com preocupação. — Meu Deus! Me desculpe! Eu… eu não sei o que deu em mim.

Dizem que os olhos são a janela da alma. Yixing queria dizer que estava com raiva, mas foi só encarar os olhos brilhantes do pediatra, que pôde notar que ele estava mesmo arrependido. Mais que isso, ele parecia não entender nada do que estava acontecendo, como se um ponto de interrogação pairasse sobre sua cabeça.

— Me perdoe mesmo! — Sehun continuava se desculpando.

Yixing não disse nada por um longo período de tempo, apenas massageava a região da contusão, sentindo aos poucos o músculo parar de latejar.

— Está tudo bem?

Uma enfermeira que ouviu os gritos de Yixing do lado de fora, veio averiguar a situação. Ela estava parada na porta, esperando uma resposta. Ele tornou a cabeça em direção a Oh Sehun e só então se deu conta de que ele estava… acordado. Sehun estava sentado na cama olhando ao seu redor, para as suas roupas hospitalares, para o oxímetro em seu dedo e para a bagunça que estava Yixing. Era o mais puro semblante de confusão. Talvez a sua reação exagerada tivesse uma explicação médica ou lógica.

— Sim… Está tudo bem — Zhang confirmou e a enfermeira assentiu com a cabeça. Graças a Deus não teria necessidade de chamar a segurança.

— O paciente já despertou? — Ela parecia surpresa, assim como o próprio neurologista. — Irei chamar o doutor Wang para examiná-lo.

Ela saiu da sala em seguida, deixando Yixing e Sehun sozinhos novamente.

Por algum motivo, Oh notou que Zhang estava receoso de se aproximar, então apenas se encolheu sobre a maca, esperando que não tivesse feito nenhuma merda. Durante toda a sua infância e adolescência, Sehun sofreu com sonambulismo de classificação severa; chegou a fugir de casa perambulando nas ruas no meio da madrugada, quebrar objetos e causar danos físicos a si mesmo e aos outros também. Era literalmente um pesadelo. Teve de passar por inúmeras sessões de psicoterapia para que os casos do distúrbio do sono tivessem uma melhora considerável. Há muito tempo não tinha episódios de sonambulismo, mas justamente por não haver uma cura, que não poderia desconsiderar a possibilidade.

— Eu fiz isso com você? — perguntou para Yixing, apontando para o seu pulso.

— Não.

— De alguma forma, eu machuquei ou magoei você?

— Não, doutor Oh. Você não fez nada de errado.

— Eu feri alguma outra pessoa?

— Não, Sehun! — Yixing exclamou, sem perceber o tom informal usado. — Você não me machucou e nem fez mal a ninguém. Você… me salvou. Se não fosse por você, só Deus sabe o que teria acontecido comigo. — Yixing limpou a garganta, Sehun tinha os olhos arregalados. — Você não lembra de nada?

Oh tocou as têmporas e fechou os olhos. Tentou recordar do que acontecera, mas apenas o esforço lhe causava uma dor de cabeça aguda.

— A última coisa que me lembro foi de abraçá-lo — respondeu. Agora era Yixing quem estava com os olhos arregalados.  — Depois disso… apenas um branco.

— Você se lembra onde estávamos antes de você apagar?

— Não — disse, fazendo uma careta fofa. — Minha cabeça está doendo...

Zhang ponderou se deveria contá-lo os detalhes, que Junmyeon tinha se transformado em alguma coisa e injetado um líquido de origem desconhecida em seu pescoço. Conhecendo a personalidade de Sehun, sabia que o pediatra ficaria apavorado. Decidiu que era melhor revelar apenas quando todos estivessem com os resultados dos exames em mãos.

— Eu conto tudo pra você depois, está bem? Agora você precisa descansar.

Yixing se aproximou devagar e tentou guiá-lo para uma posição confortável. Pôde perceber o sorrisinho tímido de Sehun, ainda que ele tentasse ao máximo controlar. Ter Yixing cuidando de si, como seu médico particular, trazia uma sensação boa para seu peito. E por um momento, era só aquilo que importava.

— Não deveria descansar também? — Sehun se preocupou ao ver Yixing bocejando. Ele possuía as olheiras escuras e uma expressão nitidamente cansada.

— Eu preciso de uma jarra de café, só isso. — Yixing sorriu apenas para mostrar que estava bem, ou quase isso. — Já passei mais horas acordado do que isso quando estava estudando para o vestibular.

Diferente de Zhang, após deitar a cabeça no travesseiro, as pálpebras de Sehun começaram a pesar e, aos poucos, ele era rendido pelo sono.

— Doutor Oh — sussurrou.

— Hm? — Sehun abriu um pouco os olhos para encará-lo.

— Mais cedo, quando eu disse que ligaria para sua família, por que você disse para não incomodá-los?

— Meu pai tem uma condição cardíaca rara. — Sehun explicou pausadamente, voltando a fechar os olhos. — Uma ligação como aquela... poderia matá-lo de preocupação.

Yixing não soube o que dizer, apenas assistiu Sehun adormecer. Respirou fundo, pegando o smartphone e ligando para a recepção. Pediu para que ninguém tentasse entrar em contato com os familiares de Sehun, pois o quadro do paciente se revertera milagrosamente.

Oh devia se importar muito com seu pai. Jongin uma vez lhe disse que toda folga que tinha, Sehun ia visitá-lo. Mas nunca ouviu nada relacionado à mãe do pediatra. Havia tanta coisa que não sabia sobre ele… Era errado querer saber mais? Tinha certeza que era.

Assim como dissera anteriormente, foi até a cantina em busca de cafeína. Uma grande multidão de pessoas se amontoava por lá com, aparentemente, o mesmo objetivo que o seu. Ouviu a conversa de alguns enfermeiros que reclamavam sobre novos pacientes que chegaram com sintomas estranhos. Ignorou. Após comprar um copo enorme de café quentinho, voltou o mais rápido possível para o quarto de Sehun, não queria deixá-lo sozinho, em caso dele precisar de algo. Ele respirava pesadamente em um sono profundo e calmo. Yixing achou que Sehun era bonito até mesmo quando não fazia esforço nenhum.

Pouco tempo depois, Jackson Wang voltou à sala, com alguns papéis em mãos. Deu uma olhada nos aparelhos e tornou sua atenção para Yixing.

— Você vai querer ver isso.

Zhang nem falou nada, apenas pegou os resultados dos exames de sangue e eletroencefalograma.

— Meu Deus… — Foi a única coisa que saiu de sua boca.

— Em todos os meus anos como médico, eu nunca vi nada do tipo. — Wang disse. — Ele tem taxas extremas de epinefrina e substâncias desconhecidas no corpo, além de altas doses de beta-HCG também, o que significa que… se ele não tiver um sério tumor nos testículos, então o que tinha dentro daquela seringa era produto de algum cientista maluco. O que me impressiona mais em tudo isso, é ele ainda estar vivo.

As atividades neurais mostradas no eletroencefalograma também eram preocupantes, tão intensas que um só ser humano seria incapaz de suportar.

— O laboratório conseguiu algum resultado com a seringa? — Yixing perguntou.

Wang balançou a cabeça negativamente.

— Os resultados foram inconclusivos. A amostra era insuficiente para testes. — Wang respirou fundo. — Vamos continuar monitorando ele, ok?

Voltando à estaca zero, Yixing sentou-se na poltrona em estado de alerta, a cafeína começava a fazer efeito e sua mente não parava de reprisar o ocorrido na sala de Junmyeon. Em que diabos tinham se metido? Apesar de acreditar na competência dos profissionais do Hospital Santa Maria, tinha um péssimo pressentimento.

As horas passaram-se e Yixing não conseguia pregar os olhos. Foi até sua sala e pegou alguns livros sobre neurologia, quem sabe encontrasse algo de útil naquelas páginas. Em seguida, voltou para o leito de Sehun e passou a madrugada inteira lendo e relendo os capítulos. No entanto, algo interrompeu seus estudos. Repentinamente, a energia do prédio foi desligada e um alvoroço começou. Gritos podiam ser ouvidos do lado de fora. Alguns dos gritos se assemelhavam a berros de pavor. Com a ajuda da lanterna de seu celular, Zhang levantou-se para ver o que era. Assim que abriu a porta da sala, deu de cara com um homem de cabelos lisos e brancos. Ele tinha uma corrente de metal que ia de uma orelha à outra e passava por cima de seu nariz. Os olhos azuis brilhavam em um tom quase neon e, em sua mão destra, segurava uma espada parecida com as usadas na esgrima. Yixing olhou para aquele rapaz e quase pôde sentir seu coração sendo esmagado. Era seu ex-namorado da época do ensino médio. Era o mesmo cara que, por causa de ciúmes, o espancou sem piedade e deixou Yixing largado no terraço da escola.

— B-Baekhyun? — Yixing tremeu.

Byun Baekhyun estava com a aparência diferente, um pouco exótica, até. Mas o mesmo olhar assassino, igual ao da última vez em que se viram, estava ali.

O gerador do hospital fez com que a energia do prédio fosse restaurada e ele conseguisse ter uma visão do corredor. Era assustador! Dezenas de corpos, inclusive o de Jackson Wang, estavam ensanguentados no chão, cortados como se fossem míseros pedaços de carne num prato. A espada de Baekhyun pingava. Yixing congelou, até mesmo sua mão pareceu perder os movimentos e deixou seu celular ir ao chão. O rapaz não lhe respondeu nada e começou a dar passadas em sua direção. Zhang notou quando ele apertou sua palma ao redor do cabo da espada afiada, pronto para cortá-lo também. No entanto, algo segurou seu braço e o afastou do assassino.

— Não toque nele! — Uma voz grave, conhecida, mas ao mesmo tempo tão estranha, rosnou.

Se não fosse o efeito da cafeína o deixando tão alerta, teria desconfiado do que viu: Oh Sehun de pé ao seu lado, com as íris brancas e uma expressão feroz. Byun Baekhyun - ou o que quer que ele tenha se tornado - avançou na direção de Oh, mas o pediatra rapidamente e com uma facilidade incrível, tomou a espada de sua mão, o empurrou contra a parede e cortou sua garganta bem devagar, como se estivesse curtindo aquilo. Yixing apenas conseguia sentir medo. Medo de Sehun. Em apenas um dia, todos o que achava que conhecia, mudaram drasticamente.

— O que você fez? — Yixing perguntou em um fio de voz.

Sehun pressionou as pálpebras algumas vezes e suas íris tornaram-se castanha-escuras novamente. Ele arregalou os olhos e seu peito passou a subir e descer rapidamente. Apavorado, muito diferente de apenas alguns segundos atrás, largou a espada. Olhava para o corpo sem vida no piso, para a poça de sangue que ele mesmo fizera e para as mãos manchadas de vermelho. Desta vez, Sehun lembrava de tudo, de cada detalhe e, principalmente, de como alguma parte dentro de si gargalhava.

— Eu… matei uma pessoa.

 


Notas Finais


Sim! Nosso primeiro x-exo apareceu: Byun Baekhyun. E tão logo como veio, já se foi...
Ou devo dizer o "segundo" x-exo? Porque o Sehun parece meio... diferente.
Me deixem saber o que estão achando. Eu sei que essa fic irá flopar legal, mas é meu otp e um assunto que sempre quis escrever, então estou feliz com o resultado dela mesmo assim!
Como de praxe: nos vemos no próximo capítulo, nos comentários e no twitter @imfromeldorado


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