História O Medo de Um Futuro - Capítulo 1


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Categorias Yu Yu Hakusho
Personagens Hiei, Kazuma Kuwabara, Keiko Yukimura, Kurama Youko, Yukina
Tags Hiei, Hieixleitor, Leitor, Yuyuhakusho
Visualizações 18
Palavras 2.242
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


YuYu Hakusho pertence a Yoshihiro Togashi. A fic, a mim xD

Espero que gostem da fic, é uma simples fic angst (aborda sobre as angústias da ansiedade e suas inseguranças), mas prometo que o final será... surpresa! (?) xD

Capítulo 1 - Capítulo 1


Foram anos de duras experiências. Perdas e decepções uma atrás da outra. Cada um de seus amigos e conhecidos iam desaparecendo. Teria que encarar mudanças inesperadas e até indesejadas. A ansiedade reforçava mais o pessimismo que já era como uma frondosa árvore dentro de mim.  

Eu sentia como se estivesse decompondo aos poucos, ainda em vida. Olhava para aquela casa vazia, estava prestes a mudar dali. Aquele lugar tinha sido um grande refúgio dentro daquele Mundo dos Humanos. Meus olhos estavam pesados, com olheiras visíveis de tanto chorar. Mas também não me negava o ato de chorar, pois aliviava o básico e não guardava nada dentro da minha garganta, dentro do meu peito.  

Olhei para a janela e vi o quintal lá fora. Aquela árvore grande e cheia de folhas agora estava quase seca, ainda que estivesse firme ali. Era como se fosse um autorretrato. Tantas vezes que ali, naqueles galhos grandes e troncudos, uma pessoa muito especial descansava escondido e só eu o poderia ver. E ele apenas me permitia vê-lo. Depois que ele me avisou que estaria fora do Mundo dos Humanos e talvez não retornasse mais, senti que viria um mar de tormentas para mim. Ele era a única pessoa com quem me relacionava livremente. Era a pessoa que amava, apesar de todas as diferenças que existiam entre nós.  

Até que nos primeiros anos, eu tinha uma positividade em relação ao retorno dele, mas depois... tudo mudou. Eu sabia que nossas vidas e nossos mundos eram totalmente diferentes. Eu, uma simples humana que vivia em  Ningenkai , o Mundo dos Humanos. Ele, um demônio de fogo que vivia em  Makai , no Mundo das Trevas. Nunca imaginei que encontraria um tipo como  Hiei . Um ser que poderia me causar pavor, mas me trouxe tão boas experiências que,  infelizmente , eram momentos passados.  

Saí de onde estava sentada e fui até o quintal, sentei-me debaixo da árvore. Voltei a olhar para cima. Do galho que era mais próximo a janela do meu quarto, ele poderia entrar as noites e passávamos quase uma madrugada inteira juntos. Como amigos e como amantes. A madrugada sempre me foi agradável desde pequena, e com a companhia de  Hiei  era melhor ainda. Ele desabafava o que queria de si, eu fazia o mesmo. Tínhamos uma relação múltipla de amizade, de amor, de paixão. Naquele período do dia, éramos felizes por algumas horas. Isso me custava longas tardes de cochilo e sono meio desregulado, mas o que importava isso!  

Mas até as  lembranças  que tive com ele me doíam, pois nada aquilo voltaria de novo. Estava eu, sozinha naquela casa antes tão cheia e eu querendo sempre privacidade. Pois naqueles dias, foi o que tive de sobra, mas a privacidade veio com a amargura da solidão e depressão.  

Meus olhos novamente se inundavam em lágrimas. Alguém longe dali parecia tocar piano. Tínhamos piano aqui em casa faz tempo... A canção por si era triste e eu estava ainda mais. Ah, aquele leve angústia dentro do corpo... mas ainda bem que estava leve no momento. Alguns dos meus velhos amigos de escola eu tive o prazer de reencontrar, mas nem sempre poderia vê-los. Yusuke e  Keiko  já estavam casados e moravam longe do bairro em que vivo. Do  Kuwabara , nada mais soube.  Minamino  ainda permanecia com sua família, mas eu nunca mais falei com ele. Quase não nos encontrávamos.  

Tudo naquele lugar estava sereno e melancólico. E a saudade de todos os momentos felizes em que vivi com meus amigos, família e  Hiei  apertava furiosamente. Como queria saber dele e como estava. Será que havia se envolvido com alguma  youkai  da espécie dele?  Heh ... talvez sim e me tivesse esquecido.  

A janela do meu quarto estava quebrada no canto direito abaixo, acidente causado por uma forte ventania de madrugada. Eu fiquei assustada com aquele fenômeno e se ele não estivesse ali, já teria surtado de medo. Ele foi me ensinando a ser mais corajosa, mais valente na vida. Ele me estimulava de um jeito que nem meus pais fizeram. Fui uma adolescente muito feliz e graças a ele. A vida não era tão carregada como agora, mas passei por alguns problemas pessoais. Mas tudo é mais fácil de encarar quando você tem um suporte. O próprio  Hiei  havia me falado isso e eu não entendia muito bem, era só uma menina e ele um cara mais experiente.  

Mas agora, eu estava sozinha na dor e na insegurança. Tudo pareceu desaparecer. A firmeza do chão parecia fraquejar. Era assim que eu sentia. Ninguém tinha mais paciência comigo, nem família, nem amigos... e não tinha ninguém para desabafar minhas dores. Cada vez mais, sentia angústia em relação a vida e a morte. A tudo. Estranhava as coisas, até as mais acostumadas a conviver. Terrível.  

Entreguei-me ao choro enquanto ouvia aquela música de piano longe. Quando aquela dor terminaria? Quando eu encontraria a paz interior?  

Escutei um barulho nos galhos e me assustei facilmente, como nos últimos meses. Qualquer susto me doía e, às vezes, disparava o ritmo cardíaco. Apenas fechava os olhos e me preparava para morrer. Mas era apenas uma falsa cama diante de tal momento de fim. Eu tentava manter meu autocontrole o máximo que podia. Com a mão no peito, olhei para cima e vi apenas galhos se movendo. Lembrei-me dele. Só que eu o esperava na janela do quarto, com direito a uma grande Lua iluminando a janela e boa parte do quarto. Ainda eram cinco horas da tarde e o céu já mostrava seus sinais de crepúsculo. Consegui ficar mais calma e me levantei, encostando no tronco áspero. Olhei para todos os lados. A música havia parado. Agora, um silêncio sinistro cantava em meus ouvidos tão aguçados diante de qualquer barulho. Minha visão também tão aguçada conseguia ver as casas ao redor, suas janelas, não haviam pessoas nelas. Eu fechei os olhos.  

 

— Olá...  

 

A voz mais grave e levemente rouca me fez abrir os olhos e olhar justamente em direção para ela.  

Não... não podia ser.  

—  O que houve? Não me conhece mais, [Seu Nome]?  

—  ... você... era a última pessoa que esperava ver agora...  —  foi o que consegui dizer. O mesmo. Parecia mais forte e até um pouco mais esticado. Aqueles olhos grandes, profundos, severos e de íris vermelha me encaravam com surpresa.  

—  Senti que precisava retornar. Alguém muito importante para mim está precisando de um apoio.  —   ele  se aproximou e ficou em frente a mim. Ele me olhava com certa preocupação, percebi isso.  

Eu não falei nada. Vulnerável eu estava. A presença daquele homem já havia me trazido em segundo um pouco de calma. Ele acariciou a bochecha molhada e deslizou o dedo até os meus lábios.  

—  Jamais imaginei que a veria assim, [Seu Nome]. Justo você, que sempre me consolou quando estava exatamente assim, como você agora. Com angústia de tudo e de todos.  

Eu apertei os lábios. Queria me jogar nos braços dele, como fazia antes. Mas não sei como ele estava agora e se ainda tinha humor para minhas calorosas recepções. Ele puxou pelo meu braço com calma e deu o abraço que nem conseguia corresponder direito. Coloquei a cabeça no ombro dele e desabei em prantos. Ele nada fez. Ficamos assim por aproximadamente três ou quatro minutos, até quando consegui envolver os meus braços em torno da cintura dele. O choro havia cessado.  

—  Será que podemos conversar um pouquinho?  —  ele perguntou ao pé do ouvido.  

—  ...claro,  Hiei . Eu estou precisando muito de um apoio amigo.  —  disse também ao pé do ouvido também.  

 

—  Então foi isso...  

Eu consegui explicar boa parte do que tem me acontecido nesses últimos anos e ele disse que tinha algo para me revelar, eu ainda não conseguia me abrir totalmente cem por cento. Ele contou sua história pela primeira vez e isso me fez criar novamente a confiança perdida em alguma parte do meu corpo.  

—  Nossa... você teve uma vida muito pior que a minha e eu aqui... lamentando por uma parte que me aconteceu.  

—  Não estou aqui comparando nossas vidas, sua bobinha! Quero lhe mostrar que cada um de nós carrega suas dores, mágoas, decepções... e é isso que nos fortalece, e não enfraquece!  —  disse apertando de leve o meu nariz.  

—  E por que... não deixou claro que voltaria?  

—  Porque a vida que eu levava em  Makai  não me dava a firmeza de uma decisão.  —   Hiei  se esticou na cadeira e apoiou os pés na mesa da escrivaninha  —  por isso pedi um tempo entre nós para podermos nos separar. Eu tinha uma missão para ser cumprida.  

—  É, eu me lembro disso. Você me falou e eu compreendi.  

—  Mas... nesses últimos anos eu andei assim que nem você, [Seu  Nome]...  andava ansioso, angustiado, entediado e... acredita? Até a solidão que antes me confortava estava me irritando. Então eu usei o  Jagan  aqui e vi você em um estado pior...  

Eu abaixei a cabeça.   

—  Então... você também sentiu minha falta...  —  disse ainda nessa posição.  

—  ...sim. Como poderia esquecer alguém que foi importante para mim?  

Eu levantei a cabeça e sorri. Aí eu fui até ele e sentei perto, em uma outra cadeira que puxei para me sentar.  

—  Esses momentos ainda vão aparecer ...  mas é preciso não desistir.  —  aconselhou ele.  

—  Eu sei ...  mas sozinha tudo é mais complicado de se resolver.  

—  Quer dizer isso para mim, que fui quase a vida toda sozinho?  

—  ...precisamos nos ver mais, Hiei.  

—  Não tenho muito tempo para ficar nesse mundo. Vim em emergência porque o que descobri me angustiou.  —  disse em seu costumeiro tom sério e ríspido. Mas ele sempre falava assim, até calmo.  

—  Entendo ...  mas o pouco de tempo que tiver, venha me visitar... aliás, estou de mudança. Essa casa está um túnel do passado assombroso!  

—  ...o passado sempre aperta, não é?  

—  Não, exatamente ...  mas as angústias de um futuro incerto, sim.  

—  Para mim é tudo ruim!  —  ele se levantou e ficou andando pelo quarto que tinha apenas alguns caixotes, a escrivaninha e a cama. O ar frio do quarto emanava um clima de despedida e de uma passagem para nova fase.  

—  Tivemos bons momentos aqui...  —  suspirei  —  bom... para mim foram bons momentos... e para você, Hiei?  

—  ...eu também.  —   ele  disse, sentando-se na cama e olhando tudo  —  até que em certos momentos... o passado nem incomoda tanto.  

—  Você... quis me ver para tentar confortar?  

Algo estranho passou pela minha cabeça e nossos olhos se fixaram um no outro.  

—  Sim. Aliás, como você sugeriu... precisamos nos encontrar vez em quando. Farei o possível para te ver com mais frequência, [Seu Nome].  

Por mim, ele ficaria ali comigo sempre. A chama do meu amor de antes parecia acender. Pelo menos, perto dele. Para quem andava quase arrastada pela tristeza e angústia, era surpreendente aqueles momentos de conforto que sentia em meu corpo e mente, só com o reencontro. A vontade de chorar constante até tinha sumido.  

Eu fui até ele e sentei ao lado, virada para ele. Eu me atrevi a deslizar os dedos pelos cabelos dele. Tão negros, espetados e... macios. Ele apenas curvou os lábios em um sorriso simples e fechou os olhos.  

—  Saudade disso...  —  falamos ao mesmo tempo e  nos  olhamos surpresos. Foi quando nos abraçamos com força e eu não queria sair dali nunca mais. Como era bom ter alguém para se entregar! Para se confiar! Para amar!  

Ele apenas afastou a cabeça do lado da minha para beijar tão ternamente. Era como se fosse nossa primeira vez. Nem nossas primeiras experiências foram tão assim... carinhosas. Suaves, seria a melhor palavra. Éramos ali mais maduros e mais frios. Não estávamos com aquela euforia dos tempos em que éramos mais novinhos. Mas a euforia era o de menos, o importante é que estava restaurando minhas forças internas nos braços de alguém que eu ainda amava, mesmo depois de anos longe.  

—  Quando você vai mudar daqui definitivamente?  —   Hiei  perguntou.  

—  Daqui há três dias.  

—  Vamos curtir esses três dias para diminuir essa ansiedade e solidão!  

—  Sério?! Vai ficar comigo esses três dias?!  —  fiquei tão emocionada como se ele tivesse falando que ficaria para sempre.  

—  Não poderei me estender mais que isso ...  mas prometo que poderei vê-la em seu novo endereço.  

Eu deveria entender aquilo. Sentia um pouco de descontentamento, mas o mínimo que eu poderia ter dele comigo já era muito bom. E eu não queria desapontá-lo em nada ali. Ele também parecia tenso. Também conhecia as agonias da ansiedade, pânico e depressão desde cedo e soube lidar com isso. E ele quer que eu faça o mesmo. Era bom encontrar alguém que me entendesse por ter sentido na pele. Não me dava prazer ao saber dos seus sofrimentos, mas a confiança ampliava em desabafar todas minhas angústias.  

De repente, ele tirou algo de dentro da roupa e me deu.  

—  Ah ...  mas que joia e essa?  —   eu surpresa , olhando para aquela bolinha de cor azulada e brilhante.  

—  Eu carrego essa gema desde que nasci, havia perdido e reencontrei graças a uma pessoa. Quero que fique com você. Olhe fixamente para ela nos momentos de tensão. Quando eu fazia isso, minha mente se acalmava demais.  

—  Mas e você? Não precisará de volta?  

—  Você me empresta quando eu pedir!  —  disse em tom brincalhão. Ele é um cara sério que só conseguia falar de forma mais descontraída comigo, e a sós.  

—   Hiei ...  —  beijei-lhe a bochecha e me mantive abraçada a ele.  

Como era bom poder me livrar daquela solidão pesada com ele ao meu lado... nem que fosse apenas por três dias.



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