1. Spirit Fanfics >
  2. O menino de Amarelo (Yellow) >
  3. 4. O menino de amarelo para as coisas simples.

História O menino de Amarelo (Yellow) - Capítulo 4


Escrita por: i4mvenuss

Capítulo 4 - 4. O menino de amarelo para as coisas simples.


Fanfic / Fanfiction O menino de Amarelo (Yellow) - Capítulo 4 - 4. O menino de amarelo para as coisas simples.

Por todo o caminho ele pensou no homem que havia apanhado. Pensou em Jungkook irritado, pensou no que poderia ter o afetado tanto. Pensou até mesmo que fez mal em ter dito o que aconteceu. Sentia uma mínima vontade de ir até o cara machucado e ajudá-lo.

Aquilo foi muito ruim, e ele ainda estava no chão quando Jeon arrancou o carro do lugar.

Jimin sentiu-se confuso por alguns segundos. Bater em alguém era algo muito maldoso, e assistir Jeongguk fazer isso, lhe deixou assustado, com medo. No entanto, quando ouviu o motivo, quis sorrir. Amigos. Eles eram amigos... Caramba. Ser amigo de alguém é algo muito grande, ele pensava.

Por isso, neste exato momento, ele tentava ocultar os sorrisos pequenos que dava enquanto Jeon dirigia. Ele não se incomodava e nem sentia vontade de lhe bater! Ficou mais leve o peso de seu coração. Poxa, queria tanto abraçar o empresário novamente... Gostava muito de abraçar.

— Jungkook-hyung... — baixinho, ele chamou e se arrastou para o meio, deixando que fosse visto de maneira melhor pelo homem através do retrovisor. — Eu também gosto de você.

Depois do que ouviu, ficou calado por um momento, mas muito eufórico por dentro, e só agora conseguiu falar alguma coisa. Estava sendo sincero, sempre tentou ser sincero, não conseguia esconder muito o que sentia, nem o que desejava falar.

Viu que foi espionado rapidamente pelo retrovisor. Ele respondeu após voltar a atenção na estrada: — Hum.

Jimin riu, unindo os ombros à orelha.

— Mas não deveria ter batido nele... — repreendeu. Jimin não via resultado em violência, mas Jungkook não dava a mínima, então, este deu em ombros. — Você é bem forte... — pensou ao falar. — Você malha, Jungkook-ssi?

Jungkook não calculou o momento em que Jimin passou para o banco da frente, espremendo-se de maneira desengonçada até finalmente estar sentado no banco ao lado do motorista. Ele olhou o empresário e sorriu.

De relance, o homem também o olhou, mas precisou focar na direção ou provavelmente iria bater com o carro se continuasse olhando o menino. Também não o respondeu.

Jimin prosseguiu.

— Você não está com roupas de trabalho... — continuava com as orbes interessadas no homem. — Jungkook-ssi, você é muito bonito. — sorriu de novo. Mas não obteve respostas também. Foi quando lembrou do problema do homem para com elogios. — Eita. — cobriu a boca com as duas mãos e arregalou os olhos minimamente. — Desculpa.

Jungkook quis sorrir, porque gostou de ouvir aquilo, mas ponderou-se.

— Perdeu outra estrelinha. — disse.

Jimin cedeu os ombros, olhando a estrada.

— Ainda tenho três, não é? — ele apoiou uma mão no banco e começou a cutucá-lo por baixo.

— Sim. — acenou.

— Você ainda tem quatro... — levantou a outra mão e contou os dedos, deixando exatamente quatro deles. — Estou perdendo muito fácil... — suspirou, abaixando o braço.

Jungkook nada disse. Ele não sabe o motivo e origem daquela ideia, mas ele o loiro parecia levar realmente muito a sério, e isso era confuso, o fim das estrelinhas como o fim da amizade seria levado a sério também?

Balançou a cabeça, negando. Não, não.

Jimin ficou calado por alguns minutos. Ele olhava o lado de fora através da janela e dizia algumas coisas bem baixinho, o moreno percebeu. Às vezes queria rir, ou pedir para que ele falasse um pouco mais alto porque não conseguia ouvi-lo bem.

Entretanto, deixava ele sussurrar palavras para si mesmo, e fazia isso despreocupadamente, como se não houvesse alguém ao lado, ouvindo-o ou podendo julgá-lo como um maluquinho, sem parafusos. Apesar de ele ser mesmo, segundo Jungkook.

— Jungkook-hyung, pare o carro! — pediu de repente, assustando o outro.

— O quê? — o olhou de lado, o cenho junto e expressão confusa. — Por quê? Já estamos chegando.

— Logo, hyung! Logo! — pediu afobado, querendo abrir a porta do carro enquanto mirava algo através da janela.

Jungkook parou numa rodovia de pouco movimento, destravando o carro. E foi rápido quando viu Jimin sair dele como um raio, empurrando a porta e correndo para fora.

— Jimin! — chamou e saiu do carro também, desesperado ao vê-lo correr para fora. — Pra onde vai?!

Observou ele correr ainda mais para longe. Bufou, não tinha como pará-lo. Por que ele corria? Pensava. Disse algo ruim? Fez algo ruim? Não fez nada?

Por deus, seu coração batia desenfreado agora.

Até que o viu se agachar na estrada.

— Park Jimin! — vociferou, irritado por não saber o que acontecia. — Saia da rodovia! — gritou com agonia vendo-o no meio da pista.

De repente, porém, ele se levantou, virando-se para o homem com algo em mãos. Sorria contente.

— Olha, Jungkook! — disse, elevando a mão para o alto, mostrando algo que o homem não via pela lonjura.

Jeongguk apertou os olhos para ver, ainda impaciente. Um carro passou bem próximo ao menino, que sobressaltou com a buzina alta, mas sorriu para a coisa em sua mão logo depois.

Um carro!

Jeon estava nitidamente de cabelo em pé! Aquele garoto iria matá-lo do coração antes de chegar aos quarenta. Ah, sim, ele ia.

— Jimin... — respirou todo o ar que precisou, controlando-se. — Volte para mim já! — duramente apontou o dedo para o chão, bem perto de si.

Jimin sorriu, começando a andar até ele calmamente ao mesmo tempo que se divertia com o que carregava.

— Mais rápido, venha! — mandou e pôs as mãos no quadril, respirando pesado.

Ainda sorrindo, Park passou a andar mais rápido, protegendo o que tinha em mãos. Quando chegou perto do homem, parou e o olhou com euforia.

— Olha! — ergueu as mãos, lhe mostrando o que achou. Era um animal.

Um cachorro filhote.

— O que é isso? — franziu a testa, desentendido. Quer dizer, sabia o que era, mas não o que fazia na mão do garoto.

— É um cachorrinho, hyung! — disse, abrindo o sorriso ainda mais, levando a mão bem à frente do homem. — Parece com você! É muito fofo. — encolheu os ombros, rindo. — Vou chamar de Junjun!

Jungkook contorceu o rosto em indignação.

— Devolva isso, vamos. — tentou pegá-lo das mãos do menino, mas ele abraçou o animal, negando com a cabeça.

— Eu vou ficar com ele! — cerrou as sobrancelhas, olhando desafiador para o homem.

Jungkook fez o mesmo. Aquela coisa daquele tamanho estava desafiando-o, era isso?

— O que quer fazer? — alisou as têmporas e respirou fundo.

— Criar... — esfregou a bochecha na cabeça do filhote, que choramingava. — Jungkook... Ele foi abandonado... — disse num murmúrio. — Está com fome, sede, frio e... Triste.

— Como sabe? E como irá cuidar disso? — tentou novamente tomá-lo da mão do loiro, que recuou um passo.

Jimin alternou o olhar para o cachorro de pelagem negra e olhos claros. Acariciou sua cabeça, percebendo-o parar com o choro fraco gradativamente. Sorriu.

— Eu sei, hyung... — disse baixinho, fechando os olhos e acolhendo o filhote num abraço mais apertado.

Jeongguk pensou por alguns segundos. Com certeza o mais novo não iria soltar o animal. — Tudo bem. — inalou forte, vendo o sorriso crescer nos lábios do garoto e seus olhos abrirem expressivamente feliz. — Entre no carro.

Jimin quis gritar, pular em Jungkook, abraçá-lo e dizer o quão estava grato por isso. Não havia pedido permissão, mas estava alegre por Jeon tê-lo aceitado também.

Eles voltaram para o carro e entraram, porém, o menino voltou para o banco traseiro, e quando Jungkook o viu colocar o animal que, ao menos sabia por onde havia andando, em cima dele, quase grunhiu.

Mas não lhe repreendeu.

Ainda inconformado com a situação, Jimin disse: — Foi maldoso o que fizeram... — brincava com filhote, notando quando o veículo voltou a andar. — Por que fazem isso? — amuou-se, formando um bico muito nos lábios.

Jeon o olhou através do espelho.

— As pessoas abandonam quando não gostam mais, ou quando nunca quiseram. — respondeu simplista.

O garoto focou a atenção no filhote ao parar de divertir-se com ele. — É... — o pegou no colo. — Você acha fácil, hyung? — encostou-se no banco, deitando a cabeça nele e não deixou de acariciar o bichinho.

— Hum? — parou o carro no sinal, mas não conseguiu olhar o menino quando este estava bem escondido atrás do banco, novamente.

— É fácil não gostar mais de algo?

Jungkook queria vê-lo, observar suas reações enquanto falava, mas ele continuava no cantinho do banco, como se realmente não quisesse ser visto.

O sinal foi liberado, precisou voltar a andar com o carro. — Eu não sei. — disse.

Jimin não respondeu. Ao invés disso, apoiou a cabeça na janela e buscou desviar a atenção somente para a movimentação de carros do lado de fora. Jeon também não falou nada mais. E eles continuaram em silêncio, mas não mudos de pensamentos, até que chegassem.

Jeongguk passou com o carro por uma estrada estreita de barro, fez algumas voltas e Jimin via muitas árvores. Parou em frente a um portão. Era grande e abriu sozinho. O menino arregalou os olhos e abriu a boca, surpreso ao notar a casa do homem enquanto entravam.

— Jungkook-hyung, você mora aqui?! — perguntou, admirado. Jungkook apenas tentou disfarçar o riso soprado. — É muuuuito grande!

O carro parou e Jimin quis sair tão apressadamente dele que quase esqueceu-se do animal em seu colo. Ele pegou o filhote com cuidado e fechou a porta do carro, mas estancou no lugar para ter a certeza de que enxergava bem a casa enorme.

Ficou tão encantado que sentiu-se tímido de repente. Jungkook estava bem ao seu lado, parado. — A gente vai ter que entrar aqui mesmo? — continuava olhando para frente.

— Sim. — acenou, sorrindo de canto por vê-lo tão expressivo.

Seu ego inflou.

— Ah... — mordiscou o lábio e deu um passo para trás. — Mas... Tem gente aí, né? — ele parecia nervoso.

— Não. Eu moro sozinho, não há ninguém além de nós dois. — revelou.

— E o Junjun! — ergueu os braços e apontou o cachorro para o rosto do homem, sorrindo.

Jungkook fez careta, mas falou: — É... o Junjun. — deu de ombros.

Ele pôs as mãos nas costas do mais novo e passou a empurrá-lo para frente, estimulando-o a andar e entrar consigo na casa. Honestamente, sentia-se esquisito. Nunca se preocupou ou assumiu a ideia maluca de levar alguém para entrar em sua casa, imagine lá, jantar.

Mas ele parou do nada.

— Você tem estátuas no jardim! — embasbacado, ele correu até as estátuas. — Hyung... é igual as dos livros! — tocou uma delas. A iluminação na grama deixava tudo ainda mais surreal para o menino.

Jeongguk cruzou os braços, e passou a observá-lo.

— Você sabe quem são?

Após ouvi-lo, Jimin deu passos para trás e analisou as quatro esculturas com o olhar.

— Apenas duas... — mirou Jungkook, ansioso por dentro. E como resposta, ele acenou com a cabeça para que Jimin começasse a falar.

O loiro pôs cuidadosamente o cachorro no chão e começou a andar até uma das obras. Interessado, ele tocou, sentindo a textura áspera sob os dedos miúdos.

— Mil oitocentos e oitenta ou novecentos e quatro... — o empresário disse.

— Auguste Rodin. — respondeu. Querendo ter a confirmação do que disse, alcançou o olhar do homem e ele assentiu mais uma vez. O garoto estava certo. Então, continuou: — O pensador... — riu, de repente. — Eu vi nos livros da biblioteca, é engraçado ver outra igual de perto.

Dedilhou os dedos pelos braços da escultura do homem que, em sua posição, encontrava-se pensando. Ele sorriu uma última vez e correu até uma outra mais próxima, mas ouviu um latido esforçado e viu o animal correr atrás de si também.

Ele corria pela grama, querendo chegar até o loiro. Jimin gargalhou e se pôs a correr para longe dele, esquecendo-se da outra estátua.

Jungkook juntou o cenho, mas continuou no mesmo lugar.

— Você não é tão rápido, Junjun! — sorria e tentava despistar o filhote que parecia determinado a chegar até o garoto.

Entretanto, Jeon teve uma ideia. Sorriu ladino, e foi até o cachorro. — Junjun... Que tal uma ajuda? — agachou-se e pegou o cachorro do chão, colocando os braços. Se levantou.

Jimin paralisou no lugar e olhou o homem, desconfiado.

Não houve tempo para redenção quando Jungkook marcou uma corrida até o menino, este que arregalou os olhos e procurou mais espaços para se perder em meio ao jardim grande.

Afobado, começou a correr sem calcular exatamente o que havia em sua frente. E então, só ouviu um grito do homem quando pisou em falso, caindo numa grande piscina iluminada.

O coração do empresário parou por dois segundos.

Desesperado pela terceira vez naquele mesmo dia, Jungkook pôs o cachorro no chão como se não fosse nada e rapidamente correu até a borda, pulando na água.

Ele buscou pelo garoto com olhos e viu uma coisinha amarela bem no cantinho da piscina. Jeon mergulhou, submergindo na água, mas quando voltou, foi com o menino em seus braços.

Na superfície, Jimin puxou todo o ar que precisou, esfregando o rosto com as mãos. Quando abriu os olhos, viu o moreno no mesmo estado que si, inteiramente molhado. Ele olhava-o com uma careta brava.

Ainda assim, o menor sorriu.

— Eu não percebi que tinha uma piscina aqui... — comentou, explicando sua falta de atenção.

Jeon não o respondeu. Jimin sentiu as mãos dele em seu quadril e também percebeu que seus pés não tocavam nada, era apenas o homem quem lhe sustentava. Essa situação o fez sorrir ainda mais.

— Eu sei nadar. — mais uma vez, comentou. Mas Jungkook não lhe soltou. — Você está todo molhado também... — levou uma das mãos até a franja grande do homem, tocando. — Desculpe. — sentiu-se culpado e retirou a mão. — Vou perder outra estrelinha...? — encolheu os ombros, receoso.

Depois de muito tempo, Jungkook se moveu, erguendo um só braço para tocar os fios loiros do outro, separando-os da testa molhada. Ele disse:

— Da próxima vez que algo assim acontecer com você, eu vou perder meu coração, garoto. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...