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História O Menino dos Meus Poemas - Capítulo 3


Escrita por: plutoniana

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 3 - Terceiro verso


“Com esses anos se passando

Vi meu choro ficar 

Cada vez mais distante

Mesmo que os motivos pra ele

Só tenham ficado mais constantes.”

_Sasuke Uchiha, Vida Indigna

#

Londres, Inglaterra | 2001

A banda favorita de Sakura sempre foi Coldplay, mesmo antes de se tornarem moda no mundo inteiro. Ela e os irmãos já os conheciam mesmo quando tocavam em pubs pequenos por Londres, ainda gravando seus primeiros EPs e cobrando poucas libras para serem assistidos por duzentas pessoas em baladas nos bairros badalados da capital inglesa.

O primeiro show deles que ela foi aconteceu em 1999, quando ainda tinha 12 anos. Seu padrasto, Dan, a levou pessoalmente, e foi fenomenal. O segundo show em que foi aconteceu em 2001, quando eles já tinham viralizado mundialmente com Yellow. Nesse, ela já tinha 14 anos, e foi junto com o namorado e os amigos dele. 

Era pra ser uma noite incrível, assim como da outra vez, ainda mais porque estaria cercada de gente da sua idade dessa vez. Seu namorado da época até conhecia o cara que estaria vendendo bebidas no pub mais próximo do show, e eles iriam pra lá assim que terminasse. 

No entanto, a noite perfeita foi estragada logo antes de entrarem na casa de shows. 

Na porta, ainda esperando na fila, um dos seguranças passou recolhendo os documentos de identificação do pessoal, para checarem se as reservas para os lugares vips estavam todas corretas. Sakura já começou a ficar nervosa logo ali, ao tirar sua identidade da bolsa e já perceber os amigos de seu namorado olharem esquisito para a foto de um menino na identidade dela. 

E minutos mais tarde, o segurança voltou pra devolver os documentos, mas parou num canto e começou a berrar o nome de todo mundo, pra chamar um por um para irem até ele pegar seus documentos de volta.

Quando ele começou a gritar o nome de registro dela — o nome que estava naquela maldita identidade — Sakura ficou paralisada por uns instantes, querendo morrer ali mesmo. Mesmo anos mais tarde, ela ainda se lembrava perfeitamente da sensação tão humilhante que foi ter que andar até o segurança e pegar seu documento. 

Ele olhou pra ela de forma quase debochada enquanto lhe entregava sua identidade de volta, assim como o seu ingresso já carimbado e pronto pra entrar. 

Quando se virou, absolutamente todo mundo na fila estava lhe olhando. Uns com pena, outros com desprezo, e outros — como seu namorado — totalmente envergonhados por estarem passando por aquela situação constrangedora em público. 

Sakura percebeu que ele estava extremamente irritado e envergonhado por estar passando por isso na frente de seus “parças”. Porque agora tanto eles quanto o resto da fila pensavam que ele estava namorando um “veadinho” que “finge ser mulher”. 

E ela soube disso porque ele a puxou para um canto antes de entrarem e falou esse monte de coisas na cara dela, puto por ter passado por uma “humilhação dessas”. 

Ele nem ao menos perguntou se ela estava bem. 

O Coldplay estava incrível naquela noite, e teria sido mágica, como da outra vez, se não fosse o fato de Sakura ter passado o show inteiro se segurando pra não chorar.

Quando chegou em casa, ela desabou.

Chorou o fim de semana inteiro, pra ser mais exato. E na madrugada de domingo, ela ligou pro namorado para terminar. O idiota ainda teve a cara de pau de perguntar o motivo. Ela desligou o telefone na cara dele. 

A partir daquele dia, Sakura decidiu que nunca mais ia ficar daquele jeito. Jogada na cama, chorando no travesseiro por causa de filhos da puta. Nunca mais.

No dia seguinte, enquanto todo mundo estava tomando café da manhã, ela desceu as escadas, já arrumada pra ir para a escola, e anunciou pra todo mundo que seria a primeira pessoa daquela casa a ter um diploma da faculdade, e isso não demoraria a acontecer. Porque ela tinha passado a noite inteira fazendo um planejamento de estudos para conseguir terminar seu ensino médio com, no máximo, dezesseis anos, para ingressar na faculdade logo em seguida. 

Sua mãe, Tsunade, ficou toda empolgada com a ideia, mas decidiu perguntar o porquê da decisão. 

A resposta foi bem simples: porque ela não queria mais perder nenhum segundo para correr atrás das coisas que queria. Ia fazer tudo por conta própria, sem depender do dinheiro de Dan e Tsunade. 

Lutaria para se formar, arrumar um bom emprego, trocar toda a sua documentação, concluir todos os detalhes de sua transição, e seria a pessoa do qual sua mãe teria orgulho e prazer de esfregar na cara o quão bem sucedida sua filha era para os vizinhos transfóbicos do bairro de classe média alta em que moravam.

E Sakura ia poder ter o prazer de esfregar na cara do resto do mundo que tudo que conquistou foi em cima de sua própria luta. E nunca mais ia deixar ninguém lhe desmerecer por nada disso. 

#

Nova York, Nova York, 2017

Na manhã de terça-feira, Sakura acordou e percebeu que perdera duas ligações de Naruto. Ela tentou ligar de volta, mas parecia que o celular dele estava desligado. 

— Com certeza a bateria dele deve ter acabado de novo. — ela resmungou para Sasori enquanto se maquiava em frente ao espelho do banheiro do apartamento dele. — É nisso que dá morar numa van. Não se tem coisas básicas. Tipo eletricidade. 

— E é nessa van que você quer jogar a Ino? — o ruivo perguntou de volta enquanto tomava banho dentro do box. — Até parece que ela ia durar uma hora nesse estilo de vida do Naruto. 

— Não é um estilo de vida. É só uma espécie de hobbie. — ela respondeu enquanto terminava de passar lápis de olho e olhava para sua paleta de sombras. — Ei, como é que são os autores de Romance?

— Está perguntando isso porque quer saber como deveria se maquiar? — Sasori riu. — Acredite, eles são bem piores que os de Suspense. Tipo… num nível quase alarmante. 

— Exatamente por isso que estou perguntando. — ela disse mordendo o lábio inferior nervosamente.

Todos os autores de Suspense com o qual trabalhou sempre foram pessoas extremamente educadas, sérias e elegantes. E ela sempre se vestiu à altura para encontrá-los, mesmo que fosse apenas para bater um papo de cinco minutos sobre alguma cena que queria que reescrevessem. 

Já Sasori sempre dizia que os autores de Romance com quem trabalhava eram todos lascados da cabeça. 

— E ainda dizem que Suspense e Terror são gêneros de gente perturbada. — Sakura resmungou enquanto passava uma sombra quase do tom de sua própria pele nas pálpebras, apenas para realçar o olhar. 

Sasori passou atrás dela pelo banheiro, já com a toalha enrolada na cintura. 

— Mas voltando ao assunto: sempre pensei que Naruto fosse tipo aqueles mochileiros patrocinados pelo Instagram pra divulgar lugares remotos do mundo. — ele continuou enquanto andava por seu closet e separava as roupas que usaria para ir ao trabalho naquele dia. 

— Os únicos patrocínios que ele recebe vem diretamente do bolso do meu pai. E às vezes de nós, os queridos irmãos ajustados e empregados dele. — Sakura respondeu com sarcasmo. — E você realmente considera a América um lugar remoto?

Sasori sempre demorava um segundo a mais para se lembrar de que o “pai” do qual Sakura falava era Dan, o “paidrasto” dela. Na frente dele, ela o chamava pelo nome. Nas costas, ele era seu pai. 

O cara era um figurão em Londres. Dono de uma empresa de bebidas energéticas bem sucedida, proprietário de alguns Teslas e de grandes propriedades nas principais cidades do país — com direito até a algumas casas de verão na Escócia e na Irlanda. E claro, um pai e marido bem orgulhoso. Só se estressava com suas crianças de vez em quando. Tipo quando Naruto e Deidara pegaram seu carro para irem a uma festa na casa dos amigos quando estavam no ensino médio. E o bateram num poste. Sakura se lembrava de acordar de madrugada com Tsunade desesperada porque Dan desmaiou por um minuto ao ser informado do estado do carro por uma ligação.

Dan sempre foi um cara legal. Pena que fez filhos com parafusos a menos na cabeça.

— Mas quer saber? Ainda seria legal ser filha biológica dele. Eu queria o cabelo reluzente e loiro. E os olhos azuis. Igual dos meus irmãos. — Sakura sempre ficava meio chateada com isso. 

— Eu adoro seus olhos. — Sasori respondeu. — São mais bonitos que meros olhos azuis, se quer saber. 

— Dá pra parar de puxar meu saco? — ela retrucou com um sorriso. — Como estou? — se virou pra ele, já pronta após terminar sua maquiagem. 

Ele a olhou de cima a baixo. Estava usando uma calça jeans da Colcci, assim como uma blusa de mangas longas cinza por debaixo do sobretudo jeans. 

— O jeans é o tecido do dia? — ele brincou. 

— Estou tentando parecer apresentável. Dá pra colaborar?

— Sakura, você sabe muito bem que tudo que veste fica mais do que apresentável. — ele resmungou o que Temari dizia reclamava praticamente todo dia. Que Sakura conseguia ficar elegante até usando um saco de batatas. 

— O que há com vocês, ingleses? — a loira sempre ficava deprimida. — Me apresenta seus irmãos?

— Já falei que não precisa disso tudo. — o ruivo disse enquanto vestia uma calça social preta qualquer. — Vai por mim. Os autores de Romance são deprimentes quando a gente compara com os de Suspense. É capaz de ainda te acharem uma boçal por estar tão bem vestida para conhecê-los. 

— Na minha terra, valorizamos boas primeiras impressões. — Sakura disse enquanto passava por ele para arrumar sua bolsa de novo e mandar uma mensagem para Ino, perguntando como andava o conserto de seu closet. E do estado de suas roupas. 

Sasori decidira que ela ficaria no apartamento dele até tudo em seu apartamento estar em ordem. Porque se tivesse que acordar todos os dias e olhar aquele buraco no teto, com certeza Ino seria envenenada no café da manhã. 

— Se tiver sorte, você provavelmente vai pegar a Tenten. — o ruivo disse enquanto ajustava sua camisa nos braços antes de começar a abotoá-la. — Ela é a autora mais legal do departamento. E já que meus autores vão passar pra um de vocês, provavelmente vai ser pra você. Quer dizer… torça pra ser você.

Olha, sendo sincera, Sakura amava Temari e Sai, mas na situação atual, era óbvio que ela estava torcendo pra ficar com os autores mais fáceis de lidar.

— E pra sua sorte, ela adora jeans. — ele acrescentou de bom humor. 

Sakura sorriu em sua direção enquanto digitava no celular. 

#

Ficou muito claro que o tal “dia da ascendência” tinha mexido com Sasuke. No dia seguinte, quando Karin chegou para acordar Sarada e arrumá-la para a escola, ele estava na varanda, escrevendo em um de seus cadernos com um copo de vinho do lado. 

Ela poderia muito bem ter ido lá e comentado que estava muito cedo pra já estar bebendo. Mas sabia que não era exatamente “cedo” para o homem, já que ele virou a noite bebendo e escrevendo. 

E o tal caderno nas mãos dele, ela reconheceu como o caderno onde ele costumava escrever sobre a família. Um monte de poemas e contos sobre os merdas da família Uchiha. Banqueiros e moradores de Minnesota, o segundo estado mais frio dos Estados Unidos. Uma família muito tradicional e bem quista. Seriam perfeitos, se claro, não fosse pelo seu filho mais novo que ficou famoso sendo uma porra de um escritor. E ainda de “literatura de bicha”, como costumava dizer o pai de Sasuke. 

Já fazia quase dez anos desde o primeiro livro que Sasuke publicou, e Fugaku ainda não falava com ele desde essa época, revoltado com o fato do filho ter se tornado famoso por causa de um livro cheio de poesias sobre a porra de um garoto.

Às vezes, Sasuke tinha certeza de que seus pais preferiam que ele tivesse virado ator pornô ou coisa parecida. Qualquer coisa menos ficar conhecido no mundo inteiro como um renomado autor bissexual.

Já fazia dez anos que ele realmente não voltava a Minnesota. E seus pais nunca foram lhe visitar em Nova York, nem mesmo quando Sarada nasceu. 

A condição que sua mãe tinha imposto era que conheceriam Sarada quando ele concordasse em ir para a igreja e começar sua “limpeza espiritual” pra se livrar de todos os pecados cometidos. 

Na opinião deles, seus pecados tinham todos nomes. Nove nomes, pra ser mais específico. Seus nove livros. Todos falando majoritariamente sobre garotos.

No último Natal, Sasuke ligou para a mãe. Desejaram boas festas um para o outro, ela perguntou sobre a saúde de sua filha, e ele perguntou se seu pai ainda enchia a cara de champanhe naquele dia tradicional pra suprimir um pouco de seu complexo de inferioridade por causa do tamanho do pinto. Sua mãe ficou em silêncio, e disse que ligaria de novo no ano novo. E óbvio que ela não ligou. 

Sasuke bufou enquanto arrancava mais uma página de seu caderno e jogava no chão da varanda, junto com mais outras quinze bolinhas de papel já espalhadas por ali. Todas contendo versos de poemas onde ele só xingava os pais usando rimas.

Sua vontade era de bater em alguém, exatamente como na adolescência, movido por hormônios. Esse era o efeito que seus pais lhe causavam: pareciam prendê-lo ao adolescente de quinze anos revoltado com o mundo por ter que fingir ser hétero quando a única coisa que queria era que Shinobu ainda estivesse em Saint Paul. E não que tivesse voltado pra Londres. 

Sasuke só queria voltar para a biblioteca do colégio, onde sempre ficavam depois da aula pra ler livros aleatórios. Ou pra Shinobu ficar criticando e editando seus poemas, como se já fosse um escritor famoso e ele o seu editor literário.

As coisas eram bem mais fáceis naquela época. Quando o mundo era pequeno e só existia Saint Paul, bicicletas pela rua, neve durante nove meses do ano, e poemas e livros depois da aula. 

— Você mandou um email para a Editora? — Karin veio perguntar enquanto Sarada ia escovar os dentes, as duas prestes a sair. 

— Escrevi. — ele resmungou parando de escrever no caderno pra fechar os olhos e levar a mão à têmpora. 

Na verdade, ele só pegara um email antigo — um das dezenas que já mandara à Editora — pedindo desculpas por ter tratado tão mal o novo editor que tinham lhe enviado. Por ser ótimo com as palavras, era muito fácil pra ele só trocá-las por sinônimos do email antigo e fazê-lo parecer que era um novo pedido de desculpas, quando na verdade era só a mesma baboseira educada e formal de sempre. 

— Eles já enviaram uma resposta? — Karin indagou. 

— Sei lá, ainda não peguei o celular pra ver. 

Ela revirou os olhos e começou a procurar pelo celular dele. Encontrou debaixo do sofá e olhou as notificações, vendo o email de resposta que a Editora tinha mandado há vinte minutos. 

— Seu novo editor literário vai vir de te ver em breve. — ela disse, suspirando já esgotada por saber que em breve aquele apartamento seria palco de mais um UFC. 

— Que ótimo. — Sasuke cantarolou numa felicidade e empolgação ensaiadas. — Mal posso esperar pra conhecer meu mais novo parceiro de equipe. 

— É bom você se comportar dessa vez, Sasuke. — Karin disse em tom de ameaça. — Tô falando sério. Tô cansada de ter que levar esses caras de volta pra casa deles enquanto choram de desgosto por viverem no mesmo mundo que você. 

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— Ao que parece, seu closet vai estar pronto de novo até quinta-feira. — Temari comentou enquanto olhava a foto que Ino tinha acabado de enviar no celular de Sakura. — E o banheiro também estará utilizável. 

— Que maravilha. — Sakura resmungou enquanto terminava de fazer o backup com seus dados pessoais em seu computador no Departamento de Suspense. 

Tinha que limpar tudo antes de subir para o andar de Romance. Enquanto tudo estava sendo transferido para o pendrive, ela ia limpando sua própria mesa, juntando suas coisas numa caixa para levar tudo pra cima. 

— E ela também mandou uma selfie com umas roupas limpas. — Temari comentou rindo. — Devem ser as que a lavandeira já arrumou. 

Isso ainda não isentava sua irmã da merda que fizera. Sakura só se daria por satisfeita quando o closet inteiro estivesse de volta, com tudo limpo, cheiroso e sem mancha alguma. 

Enquanto colocava seus bloquinhos e post-its coloridos dentro da caixa, Sakura olhou em volta, para seus colegas do departamento, e percebeu que alguns estavam olhando para suas calças. 

Ela parou um instante e olhou pra baixo, achando que tinha esquecido o zíper aberto ou coisa assim, mas estava no lugar. 

— Ei. — Sai se aproximou, já carregando todas as suas coisas em sua própria caixa. — Sei que isso é chato, mas acho que eu devia te avisar. — ele murmurou baixinho. — A galera tá especulando sobre o que você tem dentro das calças. 

— O quê? — Sakura arregalou os olhos e olhou em volta, vendo as pessoas desviaram o olhar automaticamente. — Minha nossa, isso é desrespeitoso em tantos níveis que eu nem sei por onde começar. 

— Isso é sério? — Temari riu debochadamente e olhou diretamente para os dois idiotas de Terror em frente ao bebedouro. Ela falou bem alto: — Como se desse pra saber se alguém tem pênis ou não só olhando para as calças. Tem uns e outros por aí com pau tão pequeno que podia ser facilmente confundido com um clitóris. 

Os dois se encolheram, desconfortáveis, e depois saíram andando na direção de suas mesas, como se fossem mesmo trabalhar, quando todo mundo sabia que em quinze minutos estariam de volta ao seu posto no bebedouro pra passar o dia falando e matando tempo. 

— Odeio a minha vida. — Sakura se jogou sobre a cadeira, já com tudo dentro da caixa e só esperando seu backup terminar. Faltava 14%. — Já estou exausta e ainda são dez da manhã. 

— O Sasori vai fazer um escândalo se a gente contar. — Sai murmurou. 

— Então todo mundo de bico quieto. — Sakura respondeu e suspirou. — A última coisa que eu preciso é dele fazer uma cena na frente dos meus novos colegas de departamento lá em cima. 

— Tinha era que fazer cena aqui. — Temari resmungou ainda olhando para seus ex-colegas de andar desprezíveis. Ela tinha vontade de mandar todo mundo à merda aos berros, mas sabia que iria parar no setor de Recursos Humanos dez minutos depois se fizesse isso. — Que ódio. 

— Como é que você consegue ficar quieta numa situação dessas? — Sai questionou com certa curiosidade. 

— Como é que você consegue ficar quieto sabendo que todo mundo fala que você é um maníaco com fetiche em anime? — Sakura retrucou. 

— O quê? — ele quase berrou. — As pessoas ainda falam isso? Cara, já faz três anos que eu fui pego assistindo anime aqui. E nem era um hentai. Era só um shounen com um pouco de ecchi. 

Sakura deu de ombros. 

— Nossa, que bando de fodidos. — Sai agora estava revoltado, falando e cuspindo as palavras baixinho enquanto olhava pra todo mundo. 

Sakura terminou de seu backup e recolheu o pendrive. Apagou tudo do computador e o desligou, e aí os três pegaram suas caixas com suas coisas e foram para o elevador. Temari ainda mandou o dedo do meio pra todo mundo ali antes das portas fecharem. 

Quando as portas se abriram de novo, agora no andar de cima, os três começaram a andar pelo departamento de Romance, dessa vez como funcionários do lugar, e não como forasteiros querendo usar a cafeteira. Sasori logo veio até eles, terminando de conversar com alguns dos colegas enquanto terminavam de decidir quais autores seriam repassados para quem depois de irem embora. 

— Ah, oi. — ele veio sorridente. — E aí? Prontos pra suas novas mesas?

— Estou pulando de felicidade. — Temari falou com a cara fechada. 

— Olha, eu consegui mexer uns pauzinhos pra vocês duas ficarem com mesas uma na frente da outra, como sempre foi. — ele disse sorridente, e deu pra ver que estava se esforçando muito para tentar animá-las com o novo departamento. — Sai, consegui uma mesa pra você perto da cafeteira. 

— Opa, aí sim. — o moreno sorriu, mais aliviado. 

Sasori fez um sinal para eles o seguiram até as duas mesas onde as meninas ficariam. Enquanto passavam pelas várias mesas dos outros, Sakura notou que o departamento inteiro parecia uma bagunça com aquele monte de transferências que estavam acontecendo. Tinha grupos de gente amontoados uns nos outros, tentando organizar papelada, falar com autores, ajeitar mesas, e ainda tendo que lidar com gente de outros departamentos, como eles três. 

— Aqui. — Sasori chegou nas duas mesas, uma de frente para a outra, onde Temari e Sakura ficariam. — E ainda é perto dessa janela. — ele indicou a enorme janela com vista para a cidade lá fora. 

— Que legal. Tudo o que eu mais queria era ficar perto de uma janela com vista para os prédios velhos e sujos de Nova York. — Temari comentou com sarcasmo. 

Sakura a olhou feio enquanto Sasori só revirava os olhos, não se deixando afetar pelo mau humor da melhor amiga de sua namorada, e já ia se afastando com Sai para levá-lo até a mesa dele. 

— Dá pra ser menos grossa? — Sakura indagou a ela quando eles se foram. — Ele tá tentando, tá? Não é culpa dele estar acontecendo todas essas merdas por aqui. 

— Eu sei, mas estou furiosa. — Temari bufou. — Não é justo a gente estar sendo tratado desse jeito. Você tem a porra de um PhD em Narrativa de Suspense, mulher! — ela falou isso em tom acusatório. — E aquele velho nojento vai simplesmente te jogar pra esse chiqueiro aqui? — ela indicou o departamento de Romance ao redor delas. — Isso é sujeira. 

— Eu concordo. — Sakura comentou enquanto passava o dedo pela superfície de sua mesa e notava os farelos de salgadinhos ainda ali. — Esse lugar é realmente um chiqueiro. Onde será que ficam os armários de limpeza deles?

— Você já vai começar com a faxina? — Temari riu. 

— É claro. Ninguém deve limpar essa mesa aqui há anos. Tá até gordurosa. — Sakura fez uma cara de nojo enquanto olhava em volta, procurando pelo armário onde guardavam produtos de limpeza e lenços. 

Meia hora mais tarde, sua mesa já estava limpa e cheirosa, e ela estava organizando suas coisas nela enquanto transferia suas coisas do pendrive para o computador, que ao menos era mais novo e melhor que o que ela tinha no andar de baixo. Temari já tinha feito o mesmo na mesa em frente. 

Sasori e Sai voltaram logo em seguida, trazendo canecas com café. 

— E aí? O que estão achando do ambiente? — o ruivo perguntou. 

— Ah, tá uma maravilha. — Temari respondeu enquanto olhava um grupo de editores ali perto discutindo porque um lançamento de um dos romances mais aguardados do ano iria atrasar duas semanas por causa de toda a merda que estava acontecendo ali, com todas as transferências. — Eu me sinto num circo. 

Sasori riu, achando engraçado. 

— Olha, geralmente somos mais organizados. Quer dizer… só um pouquinho. — ele deu de ombros. — É uma semana complicada pra todo mundo. 

— E quando iremos começar o treinamento para o novo gênero? — Sakura perguntou solícita. 

— Depois do almoço vai rolar uma palestra com os supervisores daqui. — ele respondeu. — Organizaram uma apresentação de adaptação pra vocês aprenderem sobre como funciona o trabalho de um editor de Romance. 

— Você faz parecer que é difícil. — Sai debochou. 

— Suspense e Romance são duas coisas bem diferentes, acredite. — o ruivo assegurou. — Mas vocês são bons, vão pegar o jeito fácil. 

Uma coisa era pegar o jeito fácil. Outra coisa era gostar do trabalho. Sakura, por exemplo, não deu duro num PhD em Narrativa de Suspense para acabar num departamento de um gênero “mequetrefe” como aquele. Não mesmo. 

Sai tirou seu inalador de mentol do bolso da calça e o cheirou duas vezes. 

— Dá pra você parar com isso? — Temari ralhou baixinho. — Já vão começar a achar que você é viciado nessa merda. Ótima primeira impressão pros nossos novos colegas.

— Mas eu sou mesmo, ué. — o outro deu de ombros. — Isso aqui é gostoso pra porra. E sério mesmo que você quer impressionar essa gente? — ele apontou pra dois caras ali perto que estavam quase saindo na porrada um com o outro porque ambos queriam pegar a mesma saga de romance de época que estava sendo escrita por uma das melhores autoras do departamento. 

— É, acho que tem razão. Não vale o esforço. — a loira concordou. 

— Oi, oi. — uma mulher bem vestida com roupas sociais brancas e cabelo pintado de azul chegou perto deles com um sorriso. — Vocês são os que vieram do Suspense, né?

— Oi, bom dia. — os três a cumprimentaram com sorrisos de volta. 

— Gente, essa aqui é a Konan. — Sasori os apresentou. — Vai ser a supervisora de vocês. 

— Ah, você é a supervisora do Sasori. — Sakura abriu ainda o sorriso ao finalmente conhecer a chefe dele, depois de tanto tempo só ouvindo falar das doidices dela. 

— E você deve ser a namorada do Sasori. — Konan sorriu ainda mais ao apertar a mão dela. — Adorei o cabelo, a propósito. — ela apontou o cabelo cor-de-rosa da moça. — Sasori sempre falou muito bem de você. É bom finalmente conhecê-la. E vocês dois também. — ela acrescentou para Temari e Sai. — Sempre me perguntei quem eram, já que viviam aqui na nossa cafeteira.

Todo mundo riu um pouco.

— Bom, já que já estão aqui, acho melhor passar logo quem serão os autores de vocês. — Konan começou a mexer nos papéis da pasta que tinha nos braços. — Assim já podem ir ali no nosso acervo e pegar os livros deles pra já conhecerem um pouco dessas figuras. 

Sasori tinha se sentado em cima da mesa de Temari e estava tomando seu café de forma simples enquanto Konan dava os papéis dos autores para cada um dos três. 

— Ah, olha amor, fiquei com a Tenten. — Sakura comemorou enquanto olhava os nomes na lista que Konan tinha acabado lhe entregar. 

— Amém. Deus ainda está conosco. — o ruivo sorriu. — Quem mais?

— Hã… Shikamaru Nara, Hinata Hyuuga… — ela começou a falar em voz alta todos os nomes na lista enquanto Temari resmungava baixinho que tinha pego um autor que ela odiava desde adolescente porque sempre achou os romances dele uma baboseira clichê só. — E, espera… — Sakura notou que o último nome da lista tinha sido riscado com caneta preta e outro tinha sido escrito à mão ao lado. Ela não estava conseguindo ler direito porque a letra era muito pequena, então pegou seus óculos de leitura de dentro da bolsa e os colocou pra ler. — Hã… Sasuke Uchiha, eu acho. 

Sasori estava engolindo o café naquele exato momento, mas arfou com tanta força que sentiu o líquido quente ir rasgando sua faringe porque tinha acabado de descer pelo lugar errado. Ele começou a tossir com força enquanto era afetado por falta de ar e susto. 

Alguns dos editores ali perto estavam todos olhando pra Sakura também, só que com uma cara de pavor, como se ela tivesse acabado de pronunciar que tinha assassinado alguém. Enquanto isso, Sasori continuava tossindo enquanto era socorrido por Temari e Konan, que batiam em suas costas e tentavam fazê-lo respirar de novo. 

Sakura não estava entendendo porra nenhuma. Agora as pessoas estavam lhe olhando como se ela fosse uma terrorista, mas não sabia o motivo. 

Demorou um minuto pra perceber que não era dela que estavam com medo, mas do nome que tinha acabado de pronunciar. 

— Senta aí. — Konan colocou Sasori pra sentar na cadeira de Temari enquanto ambas o ajudavam a recuperar o fôlego, já que tinha embranquecido pelo pequeno ataque que tivera. — Tudo bem? — ela indagou quando ele se recostou contra a cadeira, de olhos fechados e já respirando normalmente. 

— Ah, estou ótimo. — ele murmurou antes de se levantar num pulo e começar a berrar. — Qual é sua? Enlouqueceu?

— Ei, dá pra se acalmar? — Konan o devolveu no mesmo tom. — Eu fiz o meu melhor, mas não deu pra ir contra o Sarutobi. Ele que participou das escolhas dos nossos principais autores, e ele praticamente ordenou que colocássemos o Sasuke com a Sakura.

— Você podia ter insistido mais! — Sasori tentou argumentar. 

— Como é que vou insistir com o cara que paga o meu salário? Olha, eu te amo, Sasori, mas não vou perder meu emprego por você. 

— Ah, puta que… — Sasori estava revoltado, e aparentando quase um desespero ensandecido.

— Ei, com licença! — Sakura os interrompeu. — Será que dá pra alguém me explicar quem é Sasuke Uchiha?

Konan a olhou boquiaberta. 

— Você não sabe quem é Sasuke Uchiha? — ela indagou como se Sakura fosse de outro planeta. — O autor de “Brisa de Verão”. — ela citou o romance mais famoso dele. — E de “Poesia Verde”. — acrescentou o livro de poemas mais famosos também. — “Vida Indigna”? “Os que esperam por amor”? 

Sakura continuava olhando pra ela com cara de paisagem. 

— Puta merda, você não lê romance mesmo. — Konan xingou e logo em seguida se tocou disso. — Ah, desculpa, eu não…

— Tudo bem, estamos bem acostumados a xingar. — Temari respondeu enquanto ela e Sai também esperavam explicações sobre quem era Sasuke Uchiha. 

— Gente, Sasuke Uchiha! — Konan abriu os braços enquanto olhava pra eles. — O autor mais vendido da Editora inteira. Os romances dele já venderam tipo umas 100 milhões de cópias no mundo todo. Ele tem todos os prêmios literários que se possa imaginar pra todos os livros que já publicou. 

— Quantos livros ele já publicou? — Sai indagou. 

— Nove. — Sasori resmungou. — Três romances, seis de poesia romântica. 

— Fantástico. — Sakura comentou com ironia. — Mas qual é o problema dele? 

Konan e Sasori se entreolharam. 

— Ele é meio… perturbado da cabeça, digamos assim. — Konan nem sabia direito como explicar. — Tipo… hã… — ela buscou uma comparação que podia tentar fazer para exemplificar, mas todas as que pensava eram referências de romances, e Sakura não conheceria. 

Sasori revirou os olhos. 

— Sabe o Coringa do Cavaleiro das Trevas? — ele perguntou uma referência que Sakura ia entender na hora. 

— O quê? Ele é terrorista? — ela arregalou os olhos. 

— Não, mas ele é doido igual aquele Coringa. — Sasori bufou. — Tipo… ele parece ter o dom de enlouquecer as pessoas. Todos os editores que trabalharam com ele ou pediram demissão ou foram afastados porque ficaram meio malucos depois de ajudarem ele a publicar.

— Isso sem contar todos os outros que ele traumatizou ao longo dos anos. — Konan murmurou pensando em todos aqueles editores que ela já tinha encontrado chorando sozinhos na sala de reuniões. — Tipo, uma vez, ele falou um monte de merda pra uma das nossas editoras e ela ficou meio biruta das ideias. Eu a peguei chorando na frente da cafeteira como se o mundo fosse acabar só porque tinha esquecido de como se trocava o filtro da máquina. 

— Uau. — Sai parecia impressionado. — Parece emocionante. 

— Então vocês tem um autor que causa depressão em todo mundo que fala com ele? — Sakura ergueu as sobrancelhas, não parecendo lá muito convencida. — E como é que ninguém nunca pensou em romper contrato com ele?

— Tá brincando? O cara é o nome mais famoso da Editora. — Konan respondeu com um suspiro. — Romper com ele é o mesmo que romper com a grana que sustenta metade desse departamento aqui. 

— Não pode dar o Sasuke Uchiha para a Sakura. — Sasori voltou à discussão original com a supervisora. — Ela não tem experiência alguma com Romance e vocês ainda querem dar aquele merda pra trabalhar com ela?

— É como eu te falei, Sasori. O próprio Sarutobi ordenou que o Sasuke fosse designado para a Sakura. Eu não podia fazer nada, e olha que eu ainda tentei mantê-lo com nosso pessoal mesmo. Mas você sabe como é… todo mundo aqui arreda quando se trata de Sasuke Uchiha. 

Sakura só ficava olhando de um para o outro enquanto eles discutiam sobre isso. Sai e Temari faziam o mesmo, se divertindo com a aparente briga. 

De repente, o rosto de Sasori se iluminou, como se ele tivesse acabado de compreender tudo. 

— Ah, puta merda! — ele olhou surpreso para Sakura. — É assim que aquele velho desgraçado vai se livrar de você. 

— Hã? — ela perguntou, confusa. 

— Ele não pode simplesmente te demitir sem nenhuma causa. — o ruivo começou a falar tudo o que tinha constatado. — Não depois do incidente da foto. Porque ele sabe que se fizer isso, você ganharia um processo bonito por transfobia e iria arrancar uma grana preta da Editora. 

Sakura começou a entender onde ele queria chegar. 

— Então ele me mandou diretamente pra esse tal Sasuke, só pra me ver fracassar? — ela perguntou com cautela. 

— E assim ele tem um motivo plausível pra te demitir. — Sasori concluiu e cerrou os punhos, urrando com os dentes cerrados como se quisesse bater em alguém. — Que filho da puta!

Se o resto do departamento não estivesse um caos, as pessoas teriam ligado pra ele estar xingando em voz alta daquele jeito. 

— Sinto muito. — Konan disse com certa compaixão para Sakura. — Olha, todo mundo aqui também detesta o velho, se serve de consolo. Olha como está nosso departamento por causa dele. Inclusive, depois daqui, vamos beber um pouco. Se quiserem ir para falar mal do Sarutobi, são super bem-vindos. 

— Tudo bem. — Sakura continuava sentada em sua nova cadeira, agora um pouco mais pensativa enquanto Sasori continuava andando entre as mesas, puto da vida e se segurando pra não continuar gritando. 

— Ah, vamos adorar sair pra beber, a propósito. — Temar concordou.

Konan achou melhor deixá-los a sós por enquanto, mas deixou avisado que se precisassem de alguma coisa, era só chamá-la. Ela se afastou para ir recepcionar os autores de Aventura e Ação que estavam sendo transferidos e tinham acabado de chegar por ali também. 

— Miserável. — Sakura murmurou enquanto olhava para a notificação na tela de seu novo computador, avisando que o backup de dados tinha sido concluído. 

— Eu sinto muito, Sakura. — Sasori disse enquanto vinha se sentar na mesa dela. — Eu tentei mas…

— Eu sei que não é sua culpa isso tudo. — ela respondeu com um sorriso, ainda mais por ver tanto o esforço dele em tentar melhorar ao máximo as coisas pra ela. E isso tudo enquanto tinha que lidar com o fato de que estava sendo transferido para o outro lado do mundo, onde não conhecia ninguém. — Obrigada por se preocupar. 

Mesmo assim, Sasori ainda parecia arrasado. 

Sakura, no entanto, sentia que já tinha passado por coisas piores, então não estava tão preocupada assim. 

— Bom, melhor começarmos a nos preparar então pra esse novo trabalho como editores romancistas. — ela disse com um sorrisinho para seus dois colegas. — Porque eu não pretendo ser demitida por causa de um mauricinho metido a Alex DeLarge em Laranja Mecânica. 

— Sakura... — óbvio que ele estava preocupado, já que ela ainda não tinha levado a sério as coisas que eles disseram sobre aquele puto do Sasuke Uchiha.

— Qual é? — ela interrompeu o namorado antes que ele começasse de novo. — Você me conhece. Acha mesmo que eu vou ficar com medo desse maluco? Vamos lá, Sasori. Faz dois dias que a minha irmã mais nova explodiu meu banheiro e meu closet, com direito a canos de esgoto despencando do teto e tudo mais.

Ele riu um pouco, recordando-se disso. 

— Depois do almoço a gente vai assistir um monte de palestras chatas sobre como sermos editores de romance, certo? — ela decretou com convicção para os amigos. — E eu vou lá no acervo pegar exemplares dos livros desse maluco porque quero conhecê-lo logo o mais rápido possível. Quanto mais rápido fazê-lo publicar seu décimo livro, mais rápido eu tiro aquele velho idiota da minha cola. 

— Olha, tem certeza de que é uma boa ficar tão calma assim? — perguntou Sai, meio inseguro. — É que eu tive a impressão de que ele realmente faz as pessoas “despirocarem” legal. 

— Então acho que estou na vantagem. — Sakura comentou de bom humor. — Porque já faz anos que eu “despiroquei” mesmo. 

Eles demoraram uns dois segundos pra entender, mas depois se acabaram de rir da piada. 


Notas Finais


Um dia atrasada, porém ainda aqui, haha. Esse capítulo é teoricamente a segunda metade do capítulo 2, talvez por isso ele esteja com a impressão de ter sido mais rápido, rs. Mas não se preocupem que o capítulo que vem vai vir inteiro, e vai trazer o "encontro do milênio" entre o Sasuke e a Sakura, rs. Espero que tenham gostado <3

Playlist da fic liberada: https://open.spotify.com/playlist/574NAY8W8QDeTF6pTpmBN2?si=9dc1e8a3b4554c59

Instagram: writer.plutoniana

Cronograma de atualizações: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1t5DKJYcCh_KA6E9p385Eqy_cw1MLKYhjYMR1-lrFvi0/edit#gid=598226027


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