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História O meu desejo - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa noite amores, olha mais um capítulo aí pra vocês, eu espero que gostem!

Tenham uma boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo 2



"As vezes eu queria me desconectar.”
                                     - Sakura Haruno -


Dois dias se passaram e Sakura se encontrava sentada na mesa da cozinha com seus pais para o café da manhã, o silêncio predominava enquanto a mesma olhava para um ponto qualquer da mesa sem interesse nenhum na comida, Kizashi volta e meia a observava e me Mebuki  comia e os olhava com um semblante triste.

— Vamos Sakura comece a comer logo. — Kizashi falou em um tom moderadamente severo.

— Não quero.

— Você tem que entender que não tem querer, deve se alimentar e ponto final.

— Kizashi, não fale assim com ela.

— Como não falar? Está claro que está mimada e fazendo birra em plenos 21 anos de idade, ela não é uma criancinha pra ser tratada como uma.

— Porque vocês dois não me deixam quieta no meu canto, eu não quero fazer nada e mesmo que quisesse não poderia.

— Não faz porque não quer, ser cadeirante não significa ser uma inútil e desistir de viver, a milhares de cadeirantes pelo mundo que não agem como você está fazendo, muitos jamais dispensariam os tratamentos que você não quis continuar.

— Se eu não quis é porque sei que não tem jeito.

— Há um jeito e você sabe muito bem, mas seu medo fala mais alto do que a vontade de voltar a andar pelo jeito.

— Tenho metade das chances, não vou me arriscar por algo que pode falhar.

— Chega dessa discussão! Desse jeito não dá. Sinto falta da hormônia de tempos atrás, podíamos tentar recuperar isso, somos uma família, Sakura escute o seu pai e a mim, nós queremos o seu bem, você é a nossa única filha.

— Eu sei mãe, mas creio que eu jamais possa voltar a ser o que eu era antes desse acidente. — dito isso ela empurrou a cadeira puxando as rodas para trás e com certa dificuldade se retirou da cozinha, seus pais suspiraram fundo vendo que as coisas se tornavam mais difíceis com Sakura a cada dia desses dois anos.

Sakura pensamentos on

O que está acontecendo comigo? Porque não consigo aceitar? Minha cabeça vive uma confusão e toda vez que eu tento ver algo de positivo as lembranças ruins surgem e nublam a minha mente, me empurrando para um vazio amargurador. Meus pais, não é certo o que estou fazendo com eles, mas as vezes é mais forte do que eu e as palavras simplesmente saem, eles fazem tudo por mim e eu não mostro nenhum esforço.

Antes eu era vaidosa, sempre cuidava da minha aparência sendo uma das garotas mais bonitas da faculdade, que por onde passava os rapazes enlouqueciam, porém eu era muito inconsequente nas minhas ações e queria sempre o mais arriscado, sentir a adrenalina vibrar pelo meu corpo e como consequência dos meus atos ao pegar uma moto emprestada de um dos meu antigos amigos, ultrapassei o limite recomendado de velocidade e quando vi já tinha perdido o controle. Fiquei dois meses em coma induzido no hospital, quando acordei não consegui me mover da cintura pra baixo, mas meu médico disse que poderia ser uma paralisia temporária por causa do impacto, fiquei em observação e a situação continuou a mesma até que fui submetida a exames e constou uma fratura na coluna vertebral, me deram como chance de recuperação fazer uma cirurgia, porém com cinquenta por cento de falhar e ter complicações, então eu por medo não aceitei, foi proposto sessões de fisioterapia para que os meus músculos e nervos não atrófiassem e talvez eu pudesse ter pelo menos alguns poucos sinais como reflexos motores, aceitei e durante esses dois anos não teve nenhum avanço. Entrei em depressão e me afastei de todos, não queria ver olhares de pena. Fui me entregando a situação e parei de me cuidar, a vaidade se foi e pelos problemas que foram surgindo como retenção de urina e fezes desenvolvi várias problemas nesse tempo, debilitando a minha saúde. Eu estava desistindo aos poucos e agora nem fisioterapia queria mais.

Chegando no meu quarto parei a cadeira diante da escrivaninha e me encarei no espelho vendo o quão horrível estou, não sou nem a sombra do que fui um dia e por várias vezes pensamentos de morte me rondam. Minha vida estava estagnada, como eu poderia trabalhar com movimentos limitados, como iria me casar e ter filhos um dia se ninguém nem olhava mais pra mim, eu não queria ser um peso na vida de ninguém. Um aperto forte no peito me fez arquear para frente e a dor no local do acidente voltou mais forte ainda, o desespero da situação estava me sufocando e uma pressão forte na cabeça começou me deixando tonta e com ânsia de vômito, comecei a me sentir muito mal e quis pedir ajuda mais a minha voz estava sufocada e nada saia pois o ar começava a faltar, eu já não sabia de onde vinha a dor excruciante, tentei ir para a cama mas perdi as forças nos braços e despenquei no chão, logo depois senti meu corpo tremer fortemente e tudo ficou escuro.

Acordei com a visão turva e a claridade dificultava ainda mais, aos poucos foi ficando nítido até que percebi pelas paredes brancas e o cheiro característico que eu estava em um hospital, tentei me mover mas do pescoço para baixo eu estava imobilizada, tinha um médico fazendo anotações ao meu lado e o chamei.

Sakura pensamentos off

— A senhorita não pode se mover agora, recebeu medicamentos e anestesia local para dor e para não exagerar nos movimentos acima da cintura.


— O que houve comigo?


— Foi uma crise de Pânico que resultou em uma convulsão, pedi que fizessem um novo exame para ver se a queda da cadeira para o chão não agravou a fratura na coluna. Gostaria de perguntar porque não informou sobre as dores?


— Porque achei que fosse irrelevante já que disseram que poderia doer as vezes, mas não imaginei que a dor seria tão intensa.


— Nada em relação a saúde do corpo e da mente são irrelevantes. — alguém disse passando pela porta e Sakura tentou olhar quem era mas o outro médico estava tapando toda a sua visão.

— Doutor Uchiha.


— Estou responsável pela paciente a partir de agora, pode me passar o prontuário dela por favor.

— Claro, aqui está, com licença irei me retirar.


— Toda. — Só então Sakura pode encarar o homem parado com semblante sério a sua frente, era incomodo para ela olhar fixamente pois além de ser muito bonito, os olhos dele passavam uma grande firmeza e segurança, além de sua seriedade. Ela observou passar as folhas do prontuário lendo cada informação com devida e dedicada atenção, ficou nisso por alguns minutos e depois a encarou e isso a fez baixar o olhar.

— Sou o doutor Uchiha, a partir de hoje estou responsável por você como paciente e também tomarei frente no seu tratamento senhorita Sakura.


— Ah, deve haver algum engano, que eu saiba estou aqui porque tive uma crise, não estou em tratamento algum.


— Está a partir de hoje, você vai ter sessões de fisioterapia domiciliar e hospitalar para impedir que seus nervos e músculos atrofiem agravando o seu caso.


— Eu não aceitei tratamento nenhum e ninguém me informou sobre. Meu caso é irreversível.


— Seus pais me deram autorização para iniciar seu tratamento e eu gostaria muito que você colaborasse sendo complacente, segundo seus dados a sua situação é reversível mas posso lhe dar uma melhor certeza assim que o resultado dos exames chegarem.


— Eu não quero tratamento nenhum, você será apenas mais um que vai perder tempo, será que eu não posso tomar minhas próprias decisões só porque estou impossibilitada de andar? — Sasuke reparou o tom de voz dela sair do normal demostrando nervoso e o mesmo estreitou os olhos, mais não deixou de encará-la.


— Seus pais me disseram que você tem tido transtornos comportamentais e que piora a cada dia, isso te torna dependente deles para situações sérias relacionadas a sua saúde, tanto fisica quanto mental, mas, é verdade ninguém pode te forçar se não quiser, porém, eu posso ser bem mais eficaz em trazer resultados positivos através dos meus métodos, a senhorita poderia  me dar uma chance e a si mesma porque no fundo eu sei que não quer ficar presa em uma cadeira ou entrevada em uma cama para o resto da sua vida, vou te deixar sozinha para pensar e depois voltarei, disposto a começar as sessões, então reflita e deixe de ser um pouco egoísta, pense nos seus pais um pouco mais.



— Porque vocês todos não desistem logo?


— Seus pais te amam, eu não sei o motivo dos outros médicos que tentaram te tratar mas eu sou diferente, não costumo desistir até obter êxito, e se for um desafio, melhor ainda. Logo volto com o resultado dos exames. — Sasuke havia conseguido deixar Sakura de boca aberta e talvez, ele pensou, só talvez tivesse causado um certo impacto.



Ao sair do quarto dela ele foi em direção a sala de espera encontrando os pais de Sakura aguardando.

— Senhor e senhora Haruno.


— Doutor, como nossa filha está?


— Bem o bastante para rejeitar o tratamento, fui um pouco incisivo com ela, vi claramente que a paciente tem dificuldade para aceitar as coisas, ela se acomodou a situação de um modo negativo mas arrisco a dizer que a filha de vocês está criando um pouco de caso, digo que se fosse uma menina de doze anos estaria fazendo manha e pirraça. Gostaria de pedir a permissão de vocês para visitas em casa como profissional para realizar algumas sessões, obviamente terá algumas que precisarão ser feitas aqui mas a maioria pode ser feita na comodidade de casa, isso gera mais segurança e tranquilidade, e também queria pedir a permissão de vocês para levá-la a uma unidade do hospital, onde quero que ela conheça algumas pessoas com histórico semelhante ao dela.

— Nós entendemos doutor, mas qual é o intuito disso? Fará bem a ela?


— Bom, eu havia dito antes que tenho métodos diferenciados por isso consigo êxito, quero causar um impacto na paciente, ela precisa acreditar e ver um lado positivo.


— Tudo bem então, tem nossa permissão.


— Obrigado, logo vou levar os resultados dos exames, vocês podem visitá-la, já está no horário.



Sasuke saiu da sala de espera e seguiu para o seu escritório, olhou a quantidade de fichas de pacientes que ainda teria que atender e já estava com sua cabeça estourando, a paciente Sakura Haruno era uma mulher difícil aparentemente, apesar de ser nova. Ele tinha criado uma estratégia em sua mente para fazê-la ver sua situação de maneira diferente e assim facilitar as coisas, mas começava a pensar se seria tão fácil assim. Sem demonstrar naquele momento, ele se sentiu substimado quando a moça de cabelos rosa desbotado a sua frente lhe olhou com olhos petulantes lhe chamando de qualquer um.

— Então senhorita Haruno, vou ter que provar que não sou qualquer um. — o mesmo falou em voz alta até que ouviu a porta ser aberta e Kakashi passar por ela.

— E então como foi com a paciente?


— Qual paciente?


— A filha do casal que teve entrada ontem.

— Ah, é uma paciente difícil de conversar, ela nega o tratamento, mas teve uma boa recuperação da crise de ontem.


— E o que vai fazer?


— Pretendo mostrar a ela a chance que tem em mãos.


— Ah sim, vai usar os seus métodos nada convencionais, não se esqueça de que não pode ir contra nenhuma regra ou lei.


— Você sabe muito bem que os métodos não quebram regra nenhuma e se quebrar eu me responsabilizo.

— É eu sei, de qualquer forma eles sempre deram certo. Boa sorte então.


— É, vou precisar pela primeira vez. — meia hora depois de atender o último paciente Sasuke recebeu os exames de Sakura e ali mesmo na sala ele resolver vê-los. Observando o raio x ele pode ver com mais exatidão onde a fratura ficava e de fato concluiu que não poderia haver uma recuperação sem fazer a cirurgia antes, só que pelos seus cálculos as chances não eram de cinquenta por cento e sim setenta por cento visto que provavelmente os médicos que a atenderam antes não estavam dando atenção devida ao caso dela, esse resultado o deixava mais satisfeito pois seria mais fácil ter uma resposta positiva dela e contando com isso logo se retirou da sala e foi até o quarto da mesma, ao chegar lá deu dois toques na porta e abriu, notou a mesma olhando para a janela com o olhar perdido, se aproximou um pouco e chamou sua atenção.

— Trouxe o resultado.

— Hum.


— Tenho notícias boas.


— Então é uma novidade mesmo, pois diga.

— Bom, mesmo com a queda no chão não houve complicações, a fratura continua igual, mas os médicos que te atenderam antes não deram a devida atenção na época.


— O que quer dizer com isso?


— Eles erraram nas chances de sucesso caso você fizesse a cirurgia, calcularam cinquenta por cento de chances de sucesso, mas avaliei esses novos exames e as chances são de setenta por cento. — Sasuke viu um pequeno brilho surgir nos olhos verdes dela mas rapidamente se converteram a dúvidas novamente.

— E você não pode ter errado?



— Não senhorita, eu não errei.


— Mas ainda há trinta por cento de chances de dar errado, continuo não querendo arriscar. — Sasuke respirou fundo e lembrou do que havia planejado. Então ele foi até a cadeira de rodas que estava no canto e a puxou pondo do lado da cama. — O que está fazendo?

— Com lincença, vou te levar a uma ala médica especial. — ele a pegou no colo e a pôs sentada na cadeira, logo em seguida começou a empurrar pra fora do quarto seguindo pelo longo corredor.

— Tem permissão pra fazer isso?


— Claro que tenho.


— Você não é um médico convencional não é?


— Não, não sou.


Sasuke abriu uma porta grande que dava para uma outra ala, e quando Sakura viu do que se tratava a mesma pois a mão no peito sentindo um grande pesar.

— Essas pessoas, todas elas lutam todos os dias por uma chance como a sua, são dependentes do trabalho dos enfermeiros, algumas estão a tanto tempo aqui que os parentes mal aparecem pra visitar, olhe para elas senhorita, veja como o sofrimento deles são piores do que o seu, você tem uma família do seu lado, tem atenção e carinho, tem a chance de voltar a andar, e muitas delas aqui não tem e ainda sofrem com outras doenças.


— Porque me trouxe aqui? — Sakura perguntou pondo a mão no rosto para tentar esconder o seu choro.



— Pra você ver e acreditar que o seu mundo não está perdido, que você precisa acreditar nas pessoas que querem te ajudar. Eu quero te ajudar mas preciso que você deposite confiança em mim.


— Eu tenho medo, muito medo.


— Eu sei disso e é normal, mas veja como um grande obstáculos, que você precisa superar e vencer. Olha, no momento eu preciso que aceite pelo menos as sessões, com o tempo se você mudar de vez a sua idéia, podemos conversar sobre a cirurgia. — como Sasuke viu que aquela visita ali a estava deixando abalada demais resolveu levá-la de volta para o quarto, no caminho ela foi silenciosa e não havia lhe dado uma resposta, acomodou ela na cama e a observou.

— Vou me retirar, pedirei que tragam a sua janta, daqui a dois dias você poderá ir para casa. — ele não iria pressionar, então resolveu sair pois já se sentia cansado e estava quase na hora de ir para casa, ao abrir a porta Sakura o chamou.

— Eu aceito as sessões.


— Que bom.

— Como vão ser?


— Descanse por hoje, amanhã conversamos sobre isso, boa noite.


— Boa noite.


Sasuke pôde ir pra cada mais satisfeito, o caminho começava a ser construído, devagar mas já tinha dado o primeiro passo e isso era importante, mas não pôde evitar pensar no porque Sakura tinha os olhos tão entristecidos, não sabia de fato pelo que ela tinha passado e quais marcas tinha de seu passado, porém começava a ficar curioso sobre isso, mesmo não entendendo o porque.


" Enxergue o mundo de outras pessoas, depois olhe para o seu.”
                                  - Sasuke Uchiha -









Notas Finais


Espero que tenham gostado! Até o próximo!

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Bjinhos! 😘😘😘


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