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História O Meu Doce Amor - Capítulo 10


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Notas do Autor


Depois de quase duas semanas de atraso, cá estou XD

Capítulo 10 - Yukawa Hideki


Fanfic / Fanfiction O Meu Doce Amor - Capítulo 10 - Yukawa Hideki

Isis, Priscilla e eu observamos o lago por muito tempo. Ao fim de uma espera de quase meia hora, Tiffany retornou do prédio marrom esbaforida, vermelha como um pimentão.

- Aleluia! – comemorou Priscilla.

- Desculpe, levou mais tempo do que pensei. – Tiffany respondeu encabulada, enquanto segurava consigo alguns papéis.

- Podemos ir agora? Meus pés estão me matando! – Priscilla tornou a reclamar enquanto levantava ora um pé, ora outro.

- O que é tudo isso? – perguntei apontando para os papéis nas mãos de Tiffany.

- Ah, são da cerimônia. Nada de mais! – ela respondeu simplesmente. – Vamos ao santuário agora?

- Sério? O que eu vou fazer lá? – Priscilla parecia mais incrédula do que nunca.

- O mesmo que faria se fosse numa igreja! – ironizou Isis. – Ou você ora, ou você observa.

- Não mesmo! – Priscilla soltou uma breve risada. – Acho que prefiro voltar para o carro antes que eu resolva arrancar esses sapatos!

Nós quatro nos observamos por algum tempo, tentando intimamente descobrir o que as outras estavam pensando. Depois de alguns segundos, quebrei o silêncio.

- Mas eu queria tanto dar uma olhada lá dentro! – disse apontando para a majestosa construção atrás de nós.

- Eu posso ir descendo com a Priscilla enquanto vocês duas visitam o lugar. – Isis começou lentamente, apontando para mim e Tiffany. – Para falar a verdade eu não fico muito a vontade em um templo de outra religião.

- Tem certeza disso? Não vai atrapalhar? – questionei tristemente, mas enquanto meu rosto se iluminava de alívio.

- Relaxa! O tempo que vamos levar para visitar o santuário será igual ao que a Priscilla vai levar para descer essa encosta. – Tiffany respondeu risonha.

Sendo assim, nos separamos em duas duplas: Isis acompanhou Priscilla de volta ao estacionamento, enquanto esta resmungava a cada passo que dava, enquanto Tiffany e eu rumamos para a ponte vermelha, a fim de adentrar ao imenso santuário.

Nossa visita foi rápida e direta. Tiffany realizou seus próprios rituais ao passo que eu olhava abobada para tudo a minha volta, me perdendo dela levemente várias vezes. Qualquer pessoa que me visse ali naquele estado, provavelmente pensaria em quão desrespeitosa eu estava sendo.

Saímos de lá pouco tempo depois e pegamos novamente a passarela de volta ao estacionamento. Embora parecesse mais relaxada agora, Tiffany ainda apresentava em sua voz um “quê” de preocupação – e estava literalmente agarrada aos papéis, como se aquilo valesse sua própria vida.

Começamos então a descer o longo caminho de pedras envolto pelos grandes pinheiros. O sol naquela hora já refulgia sobre nós e não havia muitas pessoas por ali, apenas alguns perdidos de quando em quando. Os pássaros cantavam alto, pousando algumas vezes sobre os toriis.

- Er, você ficou brava comigo ou qualquer coisa assim? – perguntei de repente, respondendo automaticamente ao meu próprio impulso.

- Por termos ficado para trás? Claro que não, você é a turista aqui. – Tiffany respondeu simplesmente.

- Não! Não por isso... Mas por ontem. – continuei, sem jeito.

Tiffany observou-me em silêncio enquanto descíamos a ladeira lado a lado. Ouvia-a suspirar fundo depois de soltar uma risadinha soprada, e então tornar a falar.

- Não fiquei brava com você. Que culpa você tem? Estou brava é com aquele homem que te perturbou. Ele não vai mais fazer isso, pode ter certeza.

Acima de nós um grande grupo de pássaros precipitou-se sobre um dos toriis, voando um atrás do outro em grande algazarra.

- Afinal, o que você disse para ele? Porque parecia que você sabia com quem estava falando. – parei-me a sua frente, impedindo-a de continuar.

- Eu conhecia? – ela retrucou, com um sorriso meio torto aparecendo em seus lábios.

- Foi o que pareceu. – insisti, cruzando os braços.

Tiffany não me olhava diretamente. Vi seus olhos amendoados passarem por mim, passearem por todos os cantos possíveis e então fixar em algum ponto às minhas costas.

- Lara... – ela murmurou.

- Tiffany, eu sei que você deve estar escondendo mais coisas, e entendo que não queira me contar. Mas esse cara me atacou, não acha que eu deveria saber quem é?

- Lara, olha! – ela exclamou enquanto virava-me pelos ombros, apontando para algum lugar entre as árvores.

- Aquilo é... – estreitei os olhos para tentar enxergar melhor. – Uma raposa!

Alguns metros adiante, uma figura avermelhada e esguia espreitava por entre as folhagens. Embora estivesse ali de forma despreocupada, observando a sua volta enquanto remexia as espertas orelhas, o animal parecia ter nos notado e em sua orgulhosa personalidade, não nos deu atenção.

- Caramba, não acredito! Quando a Priscilla souber! – comemorei, enquanto procurava silenciosamente meu celular na bolsa.

- Eu também não acredito. Em tantos anos, esta é a primeira vez que vejo uma. – Tiffany observava o animal com afinco, os olhos não desviavam por um único instante.

Antes que eu pudesse mirar minha câmera para o bicho, ele precipitou-se de um pulo, entrando e sumindo novamente entre os arbustos, me deixando para trás atônita e decepcionada.

Encontramos Isis e Priscilla já no carro, enquanto esta última afagava tristemente os pés já sem as torturosas botas. Tivemos que aguentá-las o caminho todo enquanto discutiam nossa visão e decidiam de quem era a culpa por ambas não terem participado de tal acontecimento.

Ao chegarmos na casa, nos apressamos em torná-la minimamente apresentável, já que Hideki nos visitaria e, com nossa presença, Tiffany havia relaxado um pouco em suas tarefas. Dividimo-nos para realizar tais trabalhos e, depois de algum tempo, nos juntamos novamente na cozinha para o almoço.

- Cara, eu estou tão ansiosa para conhecer esse cara! Tem tanta coisa que eu quero perguntar! – Priscilla disparava animada, enquanto deixava cair pela terceira vez o udon por entre seu garfo.

- Se você ficar falando tanto, como Tiffany vai traduzir tudo? – questionei, sorrindo.

- Verdade! Como vamos conversar com ele? – Priscilla mirou Tiffany, esperando por sua resposta.

- Sinto muito, mas ele só fala japonês. Vou ter que traduzir tudo, então pega leve, tá? – ela respondeu rindo, acrescentando mais um guioza em seu prato.

- Droga! Então não vou mesmo conseguir falar seus podres para ele. Sua aula de inglês não me valeu de nada! – Priscilla resmungou enquanto apontava para mim, se referindo às frases que eu a obriguei decorar.

- Se não fosse o que a gente te ensinou, você estaria presa na imigração até agora! – Isis disparou, fazendo todas rirem.

Emburrada, Priscilla tornou a lutar com seu udon, ao mesmo tempo que o riso de Tiffany cessou e ela nos olhos longamente antes de continuar.

- Eu só queria avisar vocês que...

Antes que ela pudesse terminar sua frase, a sonora campainha ressoou por toda a casa, anunciando a chegada de seu noivo.

- O quê? Ele já chegou? – Tiffany murmurou, enquanto levantava-se indo em direção à sala.

Rapidamente, eu e as outras duas a seguimos sem nem pensar em tirar a mesa ou cobrir tudo o que ainda estava sobre ela. Ao chegar à sala, avistamos finalmente Yukawa Hideki, o noivo de Tiffany.

O homem era um tipo realmente alto e magro; seu rosto era longo e cheio, com as bochechas muito bem marcadas, o que lhe dava uma aparência jovial; os olhos eram pequenos e negros, assim como seu cabelo espesso e bem arrumado; seus lábios eram escurecidos, provavelmente por cigarro, e eram envoltos por um cavanhaque ralo e bem cuidado.

O rapaz parecia um adolescente americano moderno, usava tênis, uma calça escura quase encoberta por um longo casaco caqui. Um cachecol negro pendia suavemente de seu pescoço e, por baixo, vários cordões com pingentes distintos. Embora eu o imaginasse de uma forma muito diferente, Hideki tinha uma aparência agradavelmente bonita, e se eu não soubesse o que ele era nunca desconfiaria de nada.

Acho que passamos um longo tempo admirando-o com caras débeis, pois Tiffany aproximou-se de nós com ele em seus calcanhares, enquanto levantava sua voz para introduzi-lo a nós.

Calmamente, ela apresentou cada uma de nós, enquanto nos entreolhávamos. Seu noivo nos observava atencioso, acenando com a cabeça e soltando frases que nem imaginávamos o que era. Isis e Priscilla riam entre si, enquanto eu tentava disfarçar minha cara de tacho. Mesmo que sua aparência fosse muito convincente, ele não deixava de ser um criminoso, e aquilo sim não iria me convencer.

Nós três nos sentamos juntas no sofá maior, enquanto Hideki acomodou-se no apoio-de-braço da poltrona em que Tiffany estava claramente para tentar mostrar alguma intimidade. Ela tinha a voz trêmula, e suas mãos tremiam também enquanto acenava para cada um de nós, ela não olhava ninguém nos olhos.

Priscilla e Isis bombardearam Hideki com as mais diversas perguntas, fazendo Tiffany se perder em suas frases várias vezes. Ele as respondeu prontamente, sorrindo de vez em quando enquanto falava. Mantive-me o mais discreta possível, embora estivesse me corroendo por dentro, sabia que uma crise naquele momento não traria bons resultados.

Ele parecia completamente seguro de si e do que dizia, ao contrário de sua jovem noiva, que afundava cada vez mais nas almofadas. Explicou-nos que era herdeiro de um conglomerado de empresas voltadas para construção, e daí vinha toda sua riqueza. Soltei uma breve risada sarcástica, que não tenho certeza de ter passado despercebida. Isis e Priscilla ouviam-no abobadas, sem nem perceber o clima tenso que se formava entre nós.

Enquanto o homem falava, observei seu comportamento com relação à Tiffany. Seguindo os costumes japoneses, ele não demonstrava qualquer tipo de afeto ou coisa do tipo, apenas pousava a mão em seu ombro de quando em quando, inclinando-se para falar próximo ao seu rosto quando queria nos perguntar algo. Ela o respondia prontamente, sorrindo brevemente e corando como louca. Eles não pareciam necessariamente um casal.

Perdida em meus pensamentos, acordei repentinamente com uma cotovelada de Priscilla, que me fuzilava com os olhos.

- Responde minha filha! – ela resmungou.

- O quê? Ah, me desculpe eu não ouvi. – respondi secamente, encarando o casal a minha frente.

- Ele quer saber por que você está tão quieta! – Priscilla exclamou para mim com um tom ligeiramente irritado.

- Eu não tenho nada para dizer. – respondi.

Hideki encarou-me com desdém, seu sorriso de segundos antes havia desaparecido por completo. Tiffany fechou os olhos com desgosto enquanto apertava as mãos com força sobre as coxas. Senti finalmente que ele havia percebido minha indiferença, e não gostava nem um pouco daquilo.


Notas Finais


Leiam também: Gorillaz: Make Me Feel Good (https://www.spiritfanfiction.com/historia/gorillaz-make-me-feel-good-7861946)

"Depois de Paula Cracker, o coração do doce e gentil 2-D se fechou para tudo e qualquer pessoa que quisesse transpor a armadura que ele criou para si próprio em auto-defesa. Ele só não imaginava que não conseguiria ser capaz de impedir que o tiro de uma AK 47 estilhaçasse por completo essa barreira."


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