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História O milagre da estrela - Capítulo 21


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Capítulo 21 - Foto de gatos no perfil.


Acordei na manhã do dia seguinte apertando os olhos tentando reconhecer onde estava e vi Juliana sentada no chão, ao lado da tomada digitando freneticamente no notebook em seu colo. Ela já havia tomado banho e parecia pronta para gravar um comercial de shampoo ou algo do tipo.

— Ei, que horas são? – perguntei procurando meu celular embaixo da cama.

— Bom dia, são seis e vinte – ela respondeu animada.

— Meu Deus, você não dormiu? – esfreguei os olhos e espreguicei sentindo meu corpo reclamar pelas poucas horas de sono.

— Dormi. Levantei para fazer meus exercícios e estou aproveitando para finalizar alguns pontos da reunião. Vamos tomar café? Quero conversar com você sobre uma coisa importante antes de irmos para São Paulo.

— Vou tomar um banho primeiro e vamos – com muito esforço sentei na cama e falei levemente assustada com a disposição de Juliana.

— Ok, te espero no hall – ela passou por mim, me deu um beijo na bochecha e saiu do quarto esbanjando energia enquanto eu ainda reunia coragem para levantar de vez.

 

No meu celular havia uma mensagem de Rebeca perguntando se eu ainda iria visitá-la naquela tarde depois da entrevista e só então me dei conta de que não havia contado que já estava contratada. Pensei em ligar para atualizá-la dos últimos acontecimentos, mas ela surtaria e eu acabaria me atrasando para encontrar Juliana, então decidi apenas responder que a veria mais tarde e me arrastei para o banheiro.

Sai do quarto com um considerável bom humor e mentalmente enumerei os motivos da minha alegria. Estava confiante para meu primeiro dia no Colombo, aproveitaria o feriado do dia seguinte para planejar minha rotina de treinos e aulas, a ideia de passar mais tempo ao lado de Juliana me deixava muito entusiasmada e pela primeira vez em muitos anos eu me sentia leve e segura.

Tudo bem que eu estava indo contra todos os meus princípios de não me envolver com colegas de trabalho, mas Juliana me garantiu que ficaríamos bem e ela estava certa, somos adultas e poderíamos lidar com as consequências dos nossos atos de forma que não nos influenciasse profissionalmente. Ok, nós ficamos uma vez e eu já pensava no que aconteceria quando terminássemos, talvez eu não fosse tão madura assim.

Antes mesmo de entrar em uma pequena crise me dei conta de que para terminar algo, primeiro era preciso começar. E convenhamos que as chances de namorar sério com Juliana eram mínimas, possivelmente era até sobre isso que ela queria conversar e colocar um final naquele flerte de uma noite. Quem sabe até fosse melhor assim.

Mas e o beijo na bochecha ao se despedir? Uma voz soou no meu subconsciente trazendo de volta uma inconveniente esperança.

Eu estava em um ciclo vicioso de bem me quer, mal me quer quando o elevador parou no meu andar e dei de cara com Marina.

— Bom dia, Gabriela. Está indo tomar café? – ela perguntou segurando a porta do elevador para que eu entrasse com minha mala.

— Bom dia. Sim – respondi sem conseguir pensar em uma desculpa para dizer que pretendia encontrar Juliana.

— Ótimo, vamos juntas – ela disse simpática e eu não ousei discordar.

— É claro.

— Juliana e Rui não poderão se juntar a nós. A seguradora forneceu um carro reserva enquanto o de Juliana está na oficina, eles foram de Uber até a locadora buscá-lo e seguirão viagem de lá. Você e eu vamos assim que terminarmos o café, tudo bem?

— Tudo bem – respondi um pouco decepcionada por não ir com Juliana, mas em compensação teria Marina para conversar e logo me animei. – Espero que não tenha nenhum gambá no caminho.

— Fica tranquila, eu dirijo muito melhor do que a Jú – ela brincou.

 

A viagem com Marina definitivamente foi mais tranquila e nem vi o tempo passar. Conversamos sobre meu acidente no tecido e ela me falou um pouco do seu passado, além de contar histórias constrangedoras da infância de Juliana que eu certamente usaria para perturbá-la.

Chegamos ao Colombo e Marina me acompanhou até o prédio administrativo para eu assinar o contrato de trabalho no RH, de lá fomos para a reunião com a equipe da Lá Fée.

Duas mulheres e um homem aguardavam na sala, Marina me apresentou e eles pareceram bem felizes em me conhecer.

— É muito bom ter você conosco, Gabriela – uma das mulheres apertou minha mão enquanto Marina explicava que eu seria uma das professoras de acrobacia.

Patrícia era diretora de uma ONG que oferecia auxílio jurídico aos refugiados, Helen tinha um programa que promovia aulas de português e Paulo coordenava um instituto que atuava com a capacitação profissional e a inserção no mercado de trabalho. Os três estavam ali para firmarem uma parceria com Marina.

— É um prazer estar aqui – falei com sinceridade e me lembrei do que Juliana havia mencionado sobre a dimensão daquele projeto. A Lá Fée era muito mais do que apenas uma escola para crianças, era a chave de um recomeço para muitas pessoas, incluindo eu.

Juliana chegou e após cumprimentar todos veio em minha direção e me puxou pelo braço.

— Precisamos conversar – ela me arrastou para fora da sala sob o olhar atento de Marina.

— O que aconteceu? Você está bem? – perguntei ao vê-la estalar os dedos obsessivamente.

— Juliana! – alguém gritou atrás de nós e Juliana xingou baixinho enquanto duas pessoas se aproximavam. – Seu Instagram está há mais de vinte e quatro horas desatualizado, será que eu posso saber o porquê?

— Oi, gente! – ela os cumprimentou com um abraço.

— O que aconteceu com seu rosto?

– Só um arranhão, está tudo bem, Manu – Juliana revirou os olhos e nos apresentou. – Gabi, esses são o Diego, nosso social media, e Manuela, nossa fisioterapeuta e preparadora física. Pessoal, essa é a Gabi, nova acrobata do Colombo e professora da Lá Fée.

 — Hum... – Diego me avaliou por decidindo se gostava do que via, após alguns instantes resolveu que sim e estendeu a mão. – Muito prazer! Qual o seu Instagram?

— Gabriela Guaylla – respondi enquanto Diego e Juliana sacavam o celular para me procurar.

— Foto de gatos no perfil, por isso não consegui te encontrar antes – Juliana falou enquanto me seguia e Manuela quase engasgou com uma risada.

— Vamos ter que conversar sobre isso – Diego analisou o meu feed. – Precisamos harmonizar algumas coisas aqui.

— Deixe-a em paz, você já tem todas as redes sociais do Colombo e agora da Lá Fée para vigiar.

— Só estou fazendo o meu trabalho – ele balançou os ombros e piscou para nós antes de entrar na sala da reunião.

— Tem certeza de que está tudo bem? – Manuela perguntou passando a mão no rosto de Juliana.

— Está sim, obrigada - Juliana deu outro abraço em Manuela e abaixou a voz. -  Vou ao seu apartamento mais tarde para conversarmos melhor

— Era isso o que tinha para me dizer? – perguntei assim que Manuela também entrou na sala.

— O que? – Juliana perguntou confusa.

— Que você tem um caso com a fisioterapeuta e eu devo esquecer tudo o que aconteceu ontem para evitar um clima chato, já que todas trabalhamos juntas – falei seca. Se ela tinha uma namorada, eu tinha o direito de saber antes de a ter convidado para o meu quarto.

— Você está com ciúmes? – ela perguntou com um sorriso.

— Claro que não! Estou brava por você ter me colocado nessa posição, não faço com as pessoas o que eu não queria que fizessem comigo.

—Do que você está falando, Gabi?

— De você e da Manuela! Custava ter me contado? Eu nunca teria feito nada se soubesse que você tinha alguém.

— O que? Cruzes! A Manu é minha melhor amiga, nós crescemos juntas, meu Deus, não! – Juliana disse fazendo uma careta de nojo. – Se ela ao menos sonhar que você deduziu algo assim vai querer te matar ou prescrever uma insuportável rotina de exercícios.

— Então o que você tem de tão importante para me falar? – perguntei levemente envergonhada, em minha defesa elas pareciam muito um casal desses que a gente vê dançando agarradinhas nas boates.

— Venham vocês duas, já vamos começar – Marina colocou a cabeça para fora e nos chamou.

— Droga! – Juliana xingou enquanto segurava minha mão. – Eu juro que vou te explicar tudo quando a reunião acabar, por favor, não me odeie.



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