História O Mistério da Casa do Lago - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags Ailee, Bonecos, Creepypasta, Kooknam, Mistério, Namkook, Policial, Srtamatsuoka, Suspense, Vkook!brotp
Visualizações 55
Palavras 6.428
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Repostando aqui essa fic.
É isto, é nóis.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction O Mistério da Casa do Lago - Capítulo 1 - Capítulo Único

O MISTÉRIO DA CASA DO LAGO — CAPÍTULO ÚNICO

"LET'S SING A LULLABY".

 

— Jungkook, não sei quando você vai receber essa mensagem, mas quero que saiba que você tinha razão. Eu nunca deveria ter vindo para cá. — a voz de Taehyung estava trêmula e chorosa — Ele não me deixa sair, eu preciso de ajuda. Preciso de você!

Foi a última vez que eu ouvi a voz do meu melhor amigo antes dele desaparecer misteriosamente. Eu costumo escutar essa mensagem milhares de vezes, já que, de alguma forma me sinto culpado. Ele precisava de ajuda, provavelmente só queria ter quem o escutasse, e, justo para seu maior surto de loucura, eu não estava lá para consolá-lo.

Hoje completam exatos um ano e quatro meses desde que Kim Taehyung saiu de férias para uma cabana isolada perto de um lago, na ilha Haulling. O lugar era bastante isolado, no meio de uma floresta, parecia uma ilha deserta, apesar de existir uma minúscula população pelos arredores — embora morassem distantes uns dos outros.

Na época, havia acabado de concluir o curso de investigação e me lembro bem de não terem me deixado pegar o caso, visto que era em um lugar distante de Busan e eu era novato. O máximo que pude fazer fora dar algumas informações sobre Tae e ajudar a interrogar algumas pessoas.

O desaparecimento do meu melhor amigo só me incentivou ainda mais a me dedicar nessa profissão, e já estou trabalhando como detetive da polícia de Busan fazem onze meses.

Há poucos instantes Jimin me entregou uma pasta de arquivos com um novo caso. Coincidência do destino ou não, um jovem de vinte e três anos chamado Jung Hoseok foi dado como desaparecido trinta e duas horas atrás. Ele estava passando as férias com um pequeno grupo de amigos em Haulling, na mesma casa que Taehyung estava da outra vez.

 Não é o primeiro caso de desaparecimento que temos neste local. — Jimin comentou — Nem este e nem o de Kim Taehyung.

— Isso não faz sentido. — murmurei — O que essa casa tem que quase todos os que vão para lá somem?

À partir dali, eu havia tomado a decisão de reabrir a investigação de Taehyung e trabalharia nos dois casos ao mesmo tempo. Algo me dizia que, se eu solucionasse um, com certeza resolveria o outro. Mas além do fato de estarem no mesmo lugar e suas idades serem parecidas — Tae tinha aquela idade quando desapareceu —, que ligação essas vítimas poderiam ter?

Ou pior: o quê ou quem faria as pessoas desaparecerem naquela casa? E se havia um grupo ali, por que não desapareceram todos, mas apenas um deles?

Durante as entrevistas com testemunhas próximas à vítima, contaram que ele era um jovem comum, alegre, ambicioso e um tanto quanto curioso; não tinha inimigos, nem muitos problemas com a família.

Só havia um jeito de solucionar o caso; eu teria de vasculhar aquele lugar pessoalmente, e foi o que decidi por fazer.

 

[...]

 

Era um sábado à tarde quando aluguei a casa para ficar no mínimo dez dias ali, trabalhando de forma secreta em minha investigação. Por ser uma civilização pequena, a notícia de que um detetive da cidade grande estaria nos arredores, espalharia-se rápido e consequentemente o meu trabalho ficaria ainda mais complicado.

Próximo da casa morava um homem que, mesmo não sendo o proprietário, acompanhava os clientes e mostrava-lhes local. Devia ter trinta e poucos anos, chamava-se Kim Seokjin, morava sozinho e não falava muito. Confesso ter estranhado, mas aquele comportamento era esperado já que pelo visto ele não via muitas pessoas.

Eu jamais conseguiria viver assim.

— Você quer que eu lhe mostre tudo? — ele se ofereceu gentilmente.

— Não, não precisa. Eu gosto de explorar sozinho, obrigado.

Depois disso, ele então fez uma breve reverência — que tive a educação em retribuir — e saiu.

 

Eu não entendia que graça e beleza alguém poderia ver em um lugar como aquele, não só pela ambiente, mas em onde ele se encontrava. Sei que gosto é relativo, porém, me parece ser um tipo de fetiche estranho.

Não haviam muitas flores; era tudo tão verde que chegava a causar vertigens, e não era um tom forte e bonito, mas sim uma cor escura quase negra, sem brilho. O ar gélido e a cantoria dos insetos, ecoavam em meio a tantas árvores.

Quanto àquela casa de madeira de estilo ocidental, tão assustadora por dentro quanto por fora, parecia um cenário de filme de terror. Quem visse o exterior daquele lugar diria que estava abandonada — e naquela ilha que o sol quase não batia, a maior parte do tempo via-se o céu pálido e com praticamente nenhum pássaro sobrevoando pelos ares, o que ajudava a deixar o cenário mais aterrorizante.

O chão da casa também era feito de madeira e rangia sempre que alguém pisava sob ele. Possuía uma grande falta de cor ali, quase tudo cinza, sem muitos enfeites.

Haviam quadros de garotos que mais pareciam ser uma obras do século XVII, mas pela data transcrita nas legendas foram pintadas no século XX. Perguntei-me se estes quadros chegaram ali junto com a casa, ou se simplesmente colocaram quadros antigos depois.

Na sala de estar não vi nada interessante; dois sofás pequenos, uma lareira com uma pequena televisão antiga em cima, um minúsculo corredor que levava até a cozinha, um banheiro e uma escada que levava aos dois quartos.

Contudo, o que mais me chamou a atenção, não era o cenário macabro, e sim um boneco que estava ao lado da televisão, de tamanho e aparência de uma criança de um ou dois anos de idade. Eu não sabia ao certo de que material era feito, também fiquei com receio de tocar. Era tão bem feito que por um momento pensei que fosse uma criança de verdade.

Um garotinho com uma camisa e calça jeans com suspensório, uma pequena boina, e na etiqueta da blusa estava escrito “KN – Hospital de Bonecos”.

Hospital? Provavelmente um lugar de conserto para bonecos quebrados, rasgados ou algo assim.  Lembro-me que Tae falou de um lugar parecido na ilha, e que ele estava louco para visitar, por ser encantado por bonecos. Eles não só consertavam como vendiam bonecos. Nunca entendi como ele conseguia gostar de coisinhas tão assustadoras assim. Eu odiava essas criaturinhas feiosas e sem vida, — um trauma de infância, sempre tive medo delas.

Pouco antes de eu nascer, a minha mãe tinha certeza de que teria uma menina, até chegar o dia em que eu vim ao mundo e ela descobriu que os médicos se enganaram. Por um longo tempo o meu quarto ficou repleto de bonecas, algumas que ela ficou com receio de jogar fora e preservou numa prateleira no meu quarto. Era horrível tentar dormir e ter a sensação de ser observado por vários olhos de cera assustadores.

Será que se eu entrar numa loja dessas vou desmaiar? Se todos os bonecos forem iguais àquele então... Eu estou ferrado. Só que infelizmente, tenho que correr riscos e passar por cima dos meus medos, pelo meu trabalho e pelo meu amigo. Poderia acabar encontrando alguma informação valiosa no tal  hospital.

Num lugar pequeno e com pouca coisa para explorar, certamente um hospital de bonecos pode ter chamado a atenção, sendo inevitável que Hoseok ou até mesmo Taehyung não passassem por lá, num breve momento para bisbilhotar.

Fui até a casa de Seokjin e perguntei-lhe onde ficava esse lugar e ele teve a gentileza de me levar lá de barco, inclusive.

Engoli a seco só de ver a vitrine com aqueles bichos demoníacos — vulgo bonecos de porcelana em tamanho grande, — e um letreiro com fontes clássicas escrito “Hospital de Bonecos” no vidro.

“Preciso suportar, preciso suportar”, repeti para mim mesmo, e, após uma série de frases de consolo em minha mente, finalmente empurrei a porta; e no momento em que uma campainha de sininho tocou quando entrei, vi que não havia mais volta.

O lugar dava medo, eu pensei em correr assim que vi as prateleiras com diversos bonecos, alguns meio quebrados, outros incrivelmente perfeitos. Devo admitir, apesar de achar medonho, eles eram realmente bonitos, pois pareciam pessoas reais. Falando nisso, haviam brinquedos de pessoas em tamanhos reais, o que acabou me deixando ainda mais nervoso.

Em meio a tantas prateleiras, eu caminhava vagarosamente nos pequenos corredores para admirar cada tudo ali, sentindo diversos calafrios me percorrerem a espinha diante das figuras sem vida. Nenhuma tinha me chamado tanto a atenção, quanto um boneco que possuía os braços amarrados e para cima, como uma marionete, encostado na prateleira.

Ele tinha olhos de cera, uma boca rósea claramente pintada e cabelos castanhos tão bonitos que era inacreditável que fosse só fibra. Tinha um rosto familiar, o que tornava-o ainda mais misterioso.

— Posso ajudá-lo em alguma coisa?

Assustou-me ao cortar o silêncio com uma voz rouca e grave de um homem alto que surgiu de repente. Ele usava uma camisa social azul claro, quase branco, e uma bermuda preta, em seu crachá estava escrito “Dr. Kim”.

Provavelmente o dono da loja.

— Por enquanto estou só olhando. — forcei um sorriso por educação. — Esses bonecos são realmente uma obra de arte.

— Obrigado, eu mesmo os fiz. — ele estendeu a mão para que eu pudesse apertar. — Eu sou o Dr. Kim Namjoon, médico de bonecos. Seja muito bem-vindo.

— Muito prazer, eu sou o dete... Jungkook. — Por um segundo, havia esquecido de manter a minha identidade.

— De onde você é, Jungkook?

— Busan. Estou passando as férias aqui por um tempo, é um ótimo lugar. — menti. — Ah, e eu gostei muito desse boneco aqui.

— Mesmo? Ele é novo, mas o único dentre todos aqui que não está à venda.

— Uma pena, é tão bonito...

— Ele se chama J-Hope, é o meu companheiro na loja.

Confirmei com a cabeça e continuei fingindo estar fascinado com aquilo, só estando surpreso com a semelhança entre aquele boneco e Jung Hoseok.

— Ele me lembra um pouco o meu amigo, o nome dele é Jung Hoseok. Faz tempo que não o vejo, ele desapareceu aqui, nesta ilha. Será que você não se lembra dele?

O homem ficou surpreso a ponto de arquear uma sobrancelha, logo respondeu:

— Lamento pelo seu amigo, mas não me recordo do rosto dele. — Rapidamente busquei o meu celular e mostrei-lhe uma foto da vítima.

— Tem certeza de que não o conhece? — perguntei, na esperança de que algo naquele médico maluco me desse algum sinal.

— Não, eu sinto muito.

— Ah, tudo bem.

Ele então pediu licença e saiu, deixando-me mais à vontade, enquanto chegava outro cliente na loja que fora dar atenção. Olhei para vários cantos até encontrar uma porta entreaberta, mas não consegui enxergar muita coisa, apenas o que parecia ser uma manequim em tamanho adulto real sendo construída e estava amarrada pelo pescoço ao teto.

Fiquei curioso e acabei me aproximando, pensando em talvez ser a “ala hospitalar” dos brinquedos mas, pouco antes das minhas mãos tocarem a porta, o homem apareceu novamente e me impediu, fechando rapidamente a porta.

— Desculpe, esta área é restrita aos funcionários. — disse ele.

— Ah, esta não é a ala hospitalar? Eu apenas queria ver como era. Estou hospedado na Cabana Sandeul e há um boneco que precisa de conserto. Queria ver como funcionava o Hospital.

— Infelizmente eu não poderei fazer nada se não o trouxer aqui para analisar o caso. Há mais alguma coisa em que posso ajudá-lo?

Bastava para aquele dia.

— Não. — respondi — Obrigado.

 

 

Seokjin fez a gentileza de me esperar enquanto eu visitava a loja e confesso ter ficado surpreso com a atitude. Ainda iria demorar muito se praticamente não me expulsassem de lá. Teria pena de Seokjin caso ficasse ali parado.

— Obrigado por me esperar, talvez eu não conseguisse voltar sem você aqui. — agradeci.

— Por nada.

Enquanto voltávamos para a cabana, passei a refletir um pouco. Por que eu simplesmente não mostrei o distintivo e o exigi que me mostrasse o quarto? Se bem que seria arriscado, pois estava sozinho e ninguém sabia quem eu era, ou seja, se algo acontecesse comigo, seria muito difícil de me defender.

Além do mais, por mais que quisesse, algo dentro de mim dizia que eu deveria manter a minha identidade em segredo por um tempo.

Estou começando a me arrepender de não ter trazido reforços.

— O que o trouxe aqui? — Seokjin quebrou o silêncio — Você não parece estar muito empolgado.

— Bem, meu amigo me falou muito deste lugar, ele gostava muito daqui. Então resolvi vir e explorar. Ele se chama Kim Taehyung, será que você o conhece?

Apesar de Seokjin estar de costas para mim, consegui ver sua reação olhando por uma parte do lado de seu rosto; ele soltou um riso irônico e logo perguntou:

— Você não está aqui a passeio, está?

— Não. — confessei — Taehyung desapareceu há quase dois anos atrás e ninguém sabe o que pode ter acontecido com ele. Se está morto ou não, se foi sequestrado ou perdido. E eu preciso saber a verdade.

— Kim Taehyung, certo? Um garoto loiro e carismático de vinte e poucos anos? Eu o conheci.

Franzi o cenho em surpresa. Naquele momento o meu entusiasmo aumentou, pois senti que alguma informação valiosa estava por vir, pois se Seokjin conseguiu se lembrar de Tae depois de tanto tempo, provavelmente deve ter acontecido algo marcante.

— Eu o avisei para ir embora daqui e voltar para casa enquanto pôde, mas ele não me escutou. Nunca me escutava quando eu o alertava.

O tom de voz dele estava mudando, como se estivesse prestes a surtar, mas seu interior não quisesse deixar. Por um momento, pensei que ele surtaria, depois começou a sussurrar:

— Você deveria ir também, detetive, ou o que aconteceu com ele, também acontecerá com você.

O meu sangue gelou. Eu nunca mostrei o meu distintivo ou o deixei à mostra, mas como ele sabia que eu era um detetive?

— Como você sabe quem eu sou? — questionei.

— Nada que vem de fora é mantido em segredo aqui em Haulling. As bonecas observam tudo naquela casa. Tudo.

— Seokjin, você sabe o que aconteceu com Taehyung?

— O mesmo que aconteceu com Jung Hoseok.

 

[...]

Eram quase dez horas da noite quando fechei as portas e janelas da cabana e deixei apenas uma pequena fresta aberta na janela da sala de estar. Fazia muito frio e eu acabei por me deixar no sofá, me enrolando com um edredom, pensando no que Seokjin havia me dito mais cedo sobre Tae.

Ele só pode ter ficado louco. Bonecas não tem vida, mas como ele sabia? Como?

Eu só posso estar imaginando coisas, devo ter ouvido algo que ele não deve nem ter dito — tenho ficado paranóico. Jimin tinha razão, eu estava me sobrecarregando demais com o trabalho.

Sabia que me dedicar era bom, ainda mais para quem estava começando, porém, eu costumo exagerar a ponto de me deixar extremamente cansado. E em meio às confusões em minha mente, acabei por adormecer. Não sei ao certo quanto tempo se passou, mas logo sinto mãos delicadas tocarem meu rosto e acariciarem as minhas bochechas.

Acorde, Jungkook.

Aquela voz que há tempos eu não ouvia, que ficou gravada apenas em minha memória, estava presente em meus ouvidos. A que conseguia ser grossa e suave ao mesmo tempo — meu melhor amigo, ao qual ficava do meu lado nos momentos mais difíceis e era quase um irmão para mim, Kim Taehyung.

Quando abri os olhos, ele estava lá, com uma aparência um pouco diferente do comum. Estava mais pálido e com os lábios mais róseos, que se destacavam em sua pele, os cabelos sedosos e cheiro doce, como um boneco de porcelana esculpido a mão cuidadosamente.

— Eu sinto tanto a sua falta. — murmurei.

Por que você não acreditou em mim? Por que me abandonou quando eu mais precisei da sua ajuda?

— Me perdoe Tae, estou tentando consertar meus erros agora. Eu vou fazer justiça para você.

Tome muito cuidado, Jungkook. — ele me alertou — Veja o que fizeram comigo, transformaram-me em porcelana e cera, e farão o mesmo com você.

— Quem?

Não posso dizer agora, ele pode nos ouvir.

— Tae, por favor...

Ele está aqui. Você tem que acordar. Acorde, Jungkook! Acorde!

Como alguém que passou alguns minutos debaixo d’água e havia acabado de voltar à superfície, assim despertei-me daquele pesadelo, acordando assustado e arfando, com o coração esmurrando o meu peito.

Foi tudo tão real que chegou a dar medo, eu realmente senti a presença de Taehyung, mas era apenas uma fantasia. Menos aquelas batidas na porta, que foram o que me fizeram acordar.

— Já vai! — grito, caminhando até a porta.

Para a minha surpresa, era o cara da loja, Kim Namjoon.

— Posso ajudar em alguma coisa? — arqueei a sobrancelha.

— É, quase. — ele coçou a nuca — Primeiramente, me desculpe por hoje mais cedo. E segundo, você disse que havia um boneco aqui que precisava de conserto, não é? Eu posso ver?

Acabei hesitando, mas no final dei espaço para ele entrar. A verdade era que aquele boneco asqueroso estava escondido debaixo de um pano, tudo porque eu não aguentava ver ele olhando para mim. Namjoon acabou rindo por eu ter feito isso.

— Por que não deixa o boneco aqui? — ele comentou — Que besteira.

— Olha essa cara de “vou te pegar de noite” que ele tem.

— Quantos anos você tem? — e riu da minha cara de novo.

— Enfim, tem conserto?

Ele analisava atentamente cada detalhe do boneco, com um cuidado que parecia absurdo, já que não era como se ele fosse sentir dor ou coisa do tipo.

— Têm rasgos na roupa, a pele está um pouco descascada e um braço descolando, mas isso dá para resolver facilmente.

Ele havia trazido duas maletas enormes para consertar o brinquedo, e dentro delas haviam ferramentas diferentes para o trabalho. Botões, cola, agulhas de diferentes tamanhos, cera, olhos esbugalhados, linha de costura, tintas, fibra de cabelo, tudo o que se pode imaginar. Até mesmo forrou a pequena mesa da sala de estar para “operar” o boneco.

O cuidado era incrível, parecia que estava tratando de um ser humano de verdade. No final, ficou novo em folha.

— Que incrível. — comentei quando ele me entregou o objeto.

— Este você não precisa pagar pelo conserto, considere como um pedido de desculpas.

— Ah, não se preocupe, não guardei rancor. — contudo, aquilo me fez levantar suspeitas, com o seu extremo nervosismo ao me ver entrar ali. — Vi na etiqueta que esse brinquedo foi comprado em sua loja. — comentei — Como consegue fazer bonecos tão realistas?

Foi a partir dali que eu comecei a sentir medo daquele homem, pois ele havia se aproximado de mim com um sorriso no canto dos lábios e segurou o meu rosto pela mandíbula, fitando-me como se analisasse cada traço da minha face e respondeu:

— Muitas coisas me inspiram. A minha meta é montar a face perfeita, e é quase tão bonita quanto a sua.

Discretamente deslizei as mãos para trás, tentando puxar a arma que escondi na barra da calça, entretanto, antes que eu tivesse a chance de puxar, Namjoon me largou e pegou suas maletas.

— Bem, estou indo agora. É melhor você trancar as portas, do jeito que está cansado, pode acabar adormecendo e alguém pode entrar.

— Não precisa se preocupar comigo. — tentei não parecer tão rude — Acho melhor você ir, está ficando tarde.

No instante em que abri a porta para Namjoon, Seokjin estava lá. Parecia estar prestes a bater na porta, mas eu a abri antes que o fizesse; ele e Namjoon não trocaram uma única palavra, apenas uma reverência rápida.

— Posso entrar? — Seokjin perguntou — Serei breve.

— Entre.

Ele esperou até que eu fechasse a porta para falar:

— O que ele estava fazendo aqui?

— Veio consertar um boneco, apesar de eu estranhar que tenha vindo a esta hora da noite.

— Olha, eu sei que é difícil, mas você tem que sair dessa ilha o mais rápido possível, você corre perigo.

— Então, me diga porque, eu não entendo! Esta casa é cheia de mistérios, a minha missão ao decidir vir para cá foi para desvendá-los. — cruzei os braços — Não posso chegar na delegacia com a desculpa de que desisti do caso porque a casa é assombrada por espíritos de bonecos. Isso faz sentido para você?

Seokjin não conseguiu dizer nada, até mesmo desviou o olhar até a lareira e decidiu observar o boneco sobre a lareira.

— Por que você deixou isso aqui? — interrogou-me.

— Já estava aqui quando cheguei.

— Não estava aqui da última vez que eu olhei a casa. Foi ele quem trouxe, não foi, o Namjoon?

— Não, já estava aqui. É um dos bonecos realistas que esse cara fez.

— Eu o conheço desde que ele era criança, trabalhava na casa dele no jardim na época.  — contou-me — Essa obsessão doentia por bonecos ele herdou da falecida mãe.

— O que mais você sabe sobre ele? Sabe o que esconde atrás da porta onde ele guarda os brinquedos quebrados?

— Quanto menos você souber, é melhor para você mesmo, porque todos os que chegam aqui, ficam curiosos desse jeito; por isso acabam do jeito que terminam.

Eu era uma pessoa bastante teimosa e nunca desistia — enquanto não conseguisse o que queria ou resolvesse logo algum problema, e aquele fora um dos casos.

— Essa é a última vez que vou te avisar, Jungkook, vá embora daqui!

 

[...]

 

Após a saída de Seokjin, decidi ir ao banheiro lavar o rosto para esfriar a cabeça. Era horrível a sensação de sentir que as respostas estavam debaixo dos meus pés, mas que teria muito que cavar para encontrá-las.

Senti que algo ruim estava para acontecer e que em pouco tempo, as coisas ficariam feias, mas eu não sabia o que fazer.

Fechei a torneira e olhei para o espelho, quase gritando ao ver a mesma imagem de Taehyung que vi no meu sonho. Do meu lado não havia ninguém, mas no espelho ele estava lá, e do outro estava Jung Hoseok, na mesma versão do boneco que vi na loja.

— Ele é perigoso, Jungkook. — Tae foi o primeiro a se pronunciar — Está sempre nos observando.

— As bonecas contam tudo para ele.

— Parem, vocês são apenas frutos da minha mente! — gritei — Me deixem em paz, por favor!

— Está correndo perigo! — Hoseok alertou — Você é o próximo alvo.

A luz do banheiro estava apagada, e não me dei o trabalho de acender de tanta pressa que estive ao entrar lá, a luz do corredor conseguia ser suficiente para que eu pudesse enxergar.

Havia algo na parede, como se estivesse escrito algo, foi quando acendi a luz e vi algo escrito com um tipo de tinta vermelha. “Ele vai pegar você também”.

Tive um grande surto ao ler aquilo, olhando diversas vezes para ter certeza de que realmente havia algo ali. Meu coração queria explodir, e eu arfava incansavelmente, chegava a parecer um ataque de asma, porque em toda a minha vida, nunca me senti tão ameaçado.

Ainda que me negasse rigorosamente a acreditar no que me era dito, me doeu admitir que tudo fazia sentido. Ou poderia ser uma brincadeira de Seokjin e aquele médico maluco, entretanto, o fato de pessoas sumirem naquela casa era real.

Não aguentei, fui atrás de Seokjin naquela mesma hora, decidido a forçá-lo a me dizer tudo, nem que eu tivesse que prendê-lo por omitir a verdade. Ele sabia todos os detalhes e que vidas estavam em jogo, não fazia sentido querer me esconder tudo.

Não dou a mínima para o que possa acontecer comigo, mas mesmo que eu vá embora, depois de mim haverão outros que não farão ideia do que se passa aqui. Eu não me tornei detetive apenas para possuir um título, e sim para fazer o bem, para fazer a justiça.

 

 

No meio da noite, eu enlouqueci, fui até a casa de Seokjin e esmurrei a sua porta, chamando-o várias vezes. Tudo estava fechado e com as luzes apagadas, como se não houvesse ninguém lá; mas eu sabia que ele estava.

Cheguei a desistir, até sem querer puxar a maçaneta no intuito de tentar fazer barulho e percebi que a porta nunca esteve trancada e seu rangido ao ser aberta foi um tanto quanto agonizante.

A casa estava silenciosa e escura demais e eu não conseguia enxergar o interruptor.

— Seokjin! — chamei-o — É o Jungkook, você está aí?

O típico protagonista idiota de filme de terror que não percebe a noção do perigo e deixa perguntas imbecis no ar, eu estava fazendo esse papel.

Parecia que um furacão havia passado ali, a casa estava completamente revirada. Móveis quebrados, jogados e espalhadas por todo o canto, pedaços de vidro espalhados. Um verdadeiro caos.

O que está fazendo?

Tomei um leve susto ao ouvir aquela voz a ponto de quase gritar, mas era apenas o Taehyung da minha imaginação, que me acompanhava para onde quer que eu fosse. Por um segundo achei que fosse algum assassino atrás de mim.

Ali! — ele apontou.

Eu vi, por uma pouca iluminação vinda da janela, o corpo de Seokjin caído sobre uma poça de sangue. O mais assombroso era que sua boca estava costurada e seus olhos foram substituídos por botões. Havia uma etiqueta em sua camisa: “KN - Hospital de Bonecos, “O homem que falava demais”.

Aquele louco psicopata o havia transformado num maldito boneco.

Então, isso significava que todos aqueles bonecos realistas eram na verdade pessoas que Kim Namjoon matou? Não, não podia ser, e se ele tivesse feito o mesmo com Taehyung? Eu não conseguia imaginar algo tão horrível acontecendo a ele.

— “O homem que falava demais”... — repeti — Como é que ele sabia que Seokjin estava tentando ajudar?

Os bonecos sabem tudo, é o que sempre dizem por aqui. — explicou o Tae fantasmagórico.

— Ah, tá’ bom, foi um boneco que contou isso à ele? Você está louco?

Eu não acreditava nessas coisas, até que começaram a fazer sentido.

— Eu acho que quem está ficando louco sou eu, conversando com uma réplica do meu falecido amigo criada na minha mente em versão boneco.

Ri em sarcasmo para depois perguntar para mim mesmo em voz alta:

— Uma coisa me incomoda muito: se Seokjin sabia das coisas que Namjoon fazia, então por que não fez nada pra impedir?

Foi a vez do Hoseok aparecer para responder:

Talvez por medo de tornar-se a próxima vítima. E para esperar para ver até onde Namjoon iria.

Consegui achar uma lanterna no meio de uma gaveta caída no chão. Peguei e passei pelos cantos da casa em busca de alguma pista. Eu vi alguns desenhos em cima da mesa, coloridos que em minha concepção não foi Seokjin quem os fez. Tinha a assinatura de Taehyung.

Em um desenho estava ele — com uma expressão exageradamente feliz, sentado à mesa e jantando com Namjoon. No outro, o louco tentando beijá-lo e já um tem o que parecia ser Tae cozinhando biscoitos.

Era provável que Namjoon o havia sequestrado e feito aquelas coisas com ele.

— Venha conosco, Jungkook. — Tae segurou a minha mão. — Tem algo que queremos te mostrar.

 

 

Eles me levaram até o quarto de Seokjin, onde havia uma televisão minúscula ligada com a tela cinzenta e cheia de faíscas sobre o armário de gavetas baixo e uma cadeira em frente.

Sentei-me na cadeira, e do nada um tipo de filme começou a passar na TV. Taehyung estava caminhando até a entrada do hospital de bonecos. Eu lembro daquela roupa, ele estava usando-a quando viajou para cá, eu sei porque o levei até a rodoviária.

O pior de tudo era o modo como o dono da loja, o Namjoon, olhava para ele, como se ficasse obcecado por tanta beleza. Não o culpo, Tae é — ou era, muito bonito.

Ele ficou muito tempo pensando em Taehyung, a ponto de fazer diversos desenhos dele e dos dois juntos como um casal, observar cada passo dele e tentar fazer uma réplica de cera de si, mas sem sucesso.

O meu amigo, percebendo tudo, começou a ficar com medo, mas em algum momento da viagem, o louco médico de bonecos acabou sequestrando-o e vestido-o que nem um boneco.

Taehyung ficou assustado. A cena agora era deles reunidos em uma mesa lilás, num quarto colorido, onde haviam pratos de porcelana com bolo branco e Namjoon servia chá para o loiro.

Não quero beber isso. — Tae reclamou.

E recebeu um tapa por isso. Maldito.

— Você está sendo um esposo muito mal, Taehyung.

Aquilo era loucura. Se eu já achava que aquele cara não era normal, hoje eu tenho plena e total certeza, porque em toda a minha vida eu nunca vi um psicopata com a mente tão infantil e ao mesmo tempo, bizarra.

A tela da televisão ficou preta por alguns segundos até que finalmente voltou e focou diretamente em uma mesa onde alguém fazia desenhos. Eu palpitaria por ser Tae, visto que desenhava algumas cenas que vivenciou ao lado de Namjoon.

Então ele olha pela janela daquele quarto, Seokjin está lá.

— Ajude-me, por favor! — ele pede — Aquele louco me prendeu aqui e não me deixa sair.

— Não posso fazer nada. Ele vai me matar também.

— Preciso fazer uma ligação. Nem que você grave e mande para essa pessoa para mim, por favor.

Seokjin suspirou e respondeu:

— Você tem trinta segundos.

Assim que Tae pegou o gravador, eu só pude ouvir a primeira palavra que ele disse enquanto suas mãos tremiam:

— Jungkook! — sussurrou.

Acho que foi aquela ligação que ele fez para mim pouco antes do seu desaparecimento. Aquela que ignorei e achei ter sido coisa da cabeça dele e agora, me sinto culpado por não ter dado ouvidos quando ele me pediu ajuda.

Voltando a atenção ao televisor, dessa vez, me assusto com os gritos de prantos e pedidos de piedade de Taehyung. Ele estava ajoelhado, com os olhos vermelhos e o rosto encharcado por suas próprias lágrimas, temendo por sua ida. À sua frente estava Namjoon com uma barra de ferro em mãos. Após seu crime, ele disse:

— Ao menos como um boneco de cera você não vai mais me trair assim, TaeTae.

A gravação terminou ali e só então, percebi que o tempo todo estive comum diário em mãos, um que Tae trouxe para anotar toda a sua viagem e acabou descrevendo parte do horror que sofreu nas mãos daquele sequestrador e assassino. Provavelmente Seokjin deve tê-lo roubado e protegido até agora.

Entretanto, folheando algumas páginas, encontro algo um tanto quanto curioso nas últimas páginas; uma folha cortada ao meio de tonalidade verde escura nas bordas e o meio com tons bem claros.

Esta é Dieffenbachia. — Tae fantasma apareceu novamente, com um vaso de folhas iguais àquela em mãos — Ela contém toxinas suficiente para matar um grupo de pessoas com um gole do seu chá.

— Por que está me dando isso? — questionei-o tomando o vaso de suas mãos.

Termine o que eu não pude concluir.

 

[...]

 

Remar um barco não era tão difícil quanto imaginei, e mesmo com pouca prática acabei pegando o jeito e remei até o Hospital de Bonecos, pronto para pôr o plano em prática. Desta vez, eu senti que o jogo de Kim Namjoon ia finalmente acabar e o bem venceria novamente.

O loiro ficou surpreso em me ver, jamais imaginou que eu pisaria ali de novo e com um grande sorriso no rosto.

— Jeon Jungkook? — ele saiu de trás do balcão principal para me receber. — Posso ajudá-lo?

— Sim, é que eu tenho outro boneco que precisa de reparos.

— Que boneco?

— Eu.

Ele ficou um pouco confuso, mas em pouco tempo me levou para a “Sala de Operações”. Finalmente pude ver o que tinha atrás da porta que ele não me deixou ver da primeira vez que estive aqui.

Literalmente parecia um consultório médico, só que com alguns bonecos de pano pendurados por uma corda no teto e outra em seus pescoços e prateleiras com bonecos quebrados e rasgados. Estava enfrentando um dos meus maiores medos apenas para derrotar Kim Namjoon.

— Esse lugar me dá medo. — Hoseok surgiu de repente.

Eu odiava quando esses fantasminhas apareciam do nada e me desconcentravam.

Namjoon me pôs sentado em uma cadeira preta no meio da sala e me pediu para tirar a camisa para ver se tinha algo de errado comigo. Às vezes ele arqueava a sobrancelha, olhava diretamente em meus olhos e desviava, dizia o quanto eu era bonito.

— Não tem nada de errado com você. — ele confessou, soltando a ponta do meu queixo. — Você está perfeito.

Foi aí que me levantei, ficando tão próximo dele que ele ficou até mesmo ofegante, com meus lábios entreabertos e mirando em sua boca.

— Estou doente por falta de amor.

Se eu não tivesse que manter a minha postura e atuação, certamente estaria rindo da expressão que ele fez, como se realmente tivesse pena ou de certa forma “se identificasse” comigo. Eu fui direto no ponto fraco dele, o alvo que não tenho certeza se ele é possuidor, o coração carente.

— Você vai me dar amor, hyung. — fingi um sorriso enquanto acariciava as suas bochechas — Não vai?

— Eu... Eu vou, sim. Vou cuidar de você, fazer roupas lindas, nunca vou te deixar sozinho.

Aquilo soaria romântico se não se tratasse de um assassino.

— Gostaria de jantar comigo hoje, Jungkook? Tem alguém que quer conhecê-lo.

A primeira coisa que me veio à mente, foi algum cúmplice ou mais uma vítima, pois vindo de Kim Namjoon nada poderia ser bom.

— Vou amar conhecê-lo. — respondi.

 

[...]

 

Não sei dizer se ele construiu a casa em baixo da loja ou ao contrário, mas era teoricamente uma residência subterrânea e rústica, porém, com cores vivas e tão bem arrumada que não parecia que um homem como aquele vivia sozinho ali. Reconheci alguns cantos da casa graças ao vídeo e olhar para aquele lugar e pensar em tudo o que Tae enfrentou me deixava angustiado.

Sem saber ao certo se poderia depositar o mínimo de confiança em Namjoon naquela noite, porque recentemente descobri como ele observava suas vítimas de dentro da casa do lago: ele instalou uma câmera naquele boneco que ficava em cima da lareira.

Mas uma coisa é certa: desconfio que ele realmente tenha caído na minha conversa.

Ele me levou até a mesa de jantar que mais parecia ser uma versão em tamanho real de um chá de bonecas de uma criança de cinco anos, só que o “boneco” também era real.

Eu quase vomitei ao ver quem estava sentado junto à mesa, o cadáver de Taehyung conservado, com a pele substituída por um material que o fazia parecer falso e os cabelos penteados do jeito que ele gostava.

— Veja o que esse monstro fez comigo, Jungkook. — desta vez o “fantasminha” assumiu o corpo do boneco. — E olhe só as roupas ridículas estilo anos cinquenta que ele pôs em mim.

— Estou com tudo sob controle, deixe comigo. — sussurrei.

— Disse alguma coisa, Jungkook?  — Namjoon voltou com uma pequena pilha de pratos em mãos e distribuiu à mesa.

— Não, eu só estava me apresentando.

Taehyung riu.

— Talvez ele esteja com ciúmes de você.

— Ah, tá! — Taehyung zombou do comentário de Namjoon.

— Sabe, Jungkook, Taehyung e eu tivemos um relacionamento há um tempo atrás, mas não deu muito certo. Mas hoje estamos bem, somos amigos, como pode ver.

— Ainda bem que ele não me pôs nesse meio. — “Hoseok” apareceu. — Não se esqueça do chá, detetive Jeon. Não se esqueça.

Foi bom ter me lembrado, a folha da Dieffenbachia está guardada comigo e escondida, eu só tenho que esperar o momento certo para fazê-lo beber.

— Já que o jantar ainda não está pronto, não quer tomar um pouco de chá enquanto esperamos? — sugeri.

— Ah, eu não fiz chá hoje. Mas se você quiser, eu faço.

— Por favor, não se incomode. Eu quero fazer esse favor para você.

— Mesmo? É muita gentileza a sua.

Era hora. Deixei o Kim sentado à mesa, na companhia do boneco Taehyung e fui para cozinha, que era a poucos metros dali e preparei o chá com uma das folhas que encontrei no vaso de plantas de Seokjin.

— Está pronto. — Hoseok avisou-me enquanto sorria.

— Espero que ele goste de melanina.  — murmurei — Só que essa aqui não é temporária.

Me segurei para não gargalhar da ingenuidade de Namjoon ao sorrir para o chá que lhe era servido.

— O cheiro está muito bom. — comentou.

— Obrigado, querido, foi feito com muito amor.

E um pouco de veneno.

— Cuidado. — alertei-o — Está um pouco quente.

Foi um alívio vê-lo erguer a xícara, assoprar o chá e bebericar aos poucos.

— Que erva é essa? — perguntou-me.

— Esqueci o nome, acho que é latim, é boa para relaxar. Às vezes dá sono.

Só que eterno.

— Vou dar uma olhada nos biscoitos. Com licença. — e deixei-o sozinho mais uma vez.

Até mesmo os biscoitos que fiz foram banhados com o caldo da planta venenosa. Não há mais nenhuma escapatória para Kim Namjoon.

Eu estava ansioso, contando os segundos de cada minuto, observando os sintomas começarem a aparecer para Namjoon, e meu coração só acelerou ainda mais quando ele começou a tossir incansavelmente.

— Você está bem? — perguntei enquanto trazia a bandeja de biscoitos.

— Acho que me engasguei.

— Não faz mal, respire fundo. Prove um biscoito.

— Não consigo respirar. — sua voz estava falhando.

Agora sim eu pude sorrir sem culpa.

— Então deixe-me ajudá-lo. — sorri com o canto dos lados.

Imediatamente enchi a xícara dele com mais chá, e, segurando firmemente pela nuca dele, o forcei a engolir cada gota, fazendo-o resistir e tentar segurar as minhas mãos, mas o efeito das primeiras xícaras já estava se espalhando pelo seu corpo.

— O que você fez comigo, Jungkook? — e o som da sua voz estava cada vez mais fraco.

— Estou te dando uma passagem de graça direto para o inferno, seu maníaco psicopata!— Jeon...

 

— Shh... — tapei a sua boca com a mão, encostando a minha cabeça à sua — Não fale muito, é melhor ficar quietinho. Vamos cantar uma canção de ninar agora, onde você morre no final. O homem tolo e os biscoitos envenenados.

Ele já não me respondia mais, não podia.

— Está morto! — Hoseok exclamou — Conseguiu, Jungkook.

— Acabou, Jungkook. Conseguimos.

— Não, não acabou! — gritei com os dois.

E, sem mais delongas, eu bebi todo o chá que sobrou no bule, ignorando as repreensões das duas réplicas chatas e que vivem me perturbando.

— Está louco!? — Taehyung gritou — Estávamos juntos nessa!

— Ajuda? Vocês são frutos da minha mente! Estão nos meus sonhos, seguem os meus passos, não me deixam em paz, eu não aguento mais vocês.

— Nós te ajudamos. — Hoseok cruzou os braços — Como chegou até aqui?

— Vocês nunca falaram comigo. Tudo o que eu descobri foi pelo diário de Taehyung e por Seokjin. Mas eu finalmente vou ficar livre de vocês.

Aquelas foram as minhas últimas palavras, e foi assim que eu dei fim em todo aquele pesadelo. E pude descobrir enfim porque ninguém sobrevive na Casa do Lago.

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 


 



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