História O mistério de Belle Montreux - Capítulo 12


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Visualizações 4
Palavras 1.718
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Hentai, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Segredos


"Algo em mim lhe incomoda, Ted?... Reparei que não pára de olhar tem algum tempo..." Lucian está sério e por alguma razão Pierre revira os olhos. Era verdade, Ted não conseguia desviar sua atenção da pele deformada do jovem que encarava o horizonte. Era incapaz de disfarçá-lo. 

"Não... Eu não..." nenhuma desculpa coerente vem a sua cabeça. Ted não o fez por mal. Não é uma marca que se vê todos os dias. 

"É meu rosto, não é?" Ted não sabe se nega ou confirma. Não quer ser a causa de uma explosão do homem como também não quer se passar por mentiroso ou inconveniente. Arthur percebe a tensão se formando e seu cotovelo já se encontra com as costelas do amigo. "Não há necessidade de repreendê-lo, Arthur... não é como se eu não estivesse acostumado com todos olhando para a minha cicatriz o tempo todo. As pessoas são naturalmente curiosas."

"E como você conseguiu?"

"Ted!" Outra vez Arthur não se contém em sua cotovelada, tirando uma expressão de dor de seu amigo. 

"Deixe-o, Arthur... é uma pergunta deveras invasiva... mas todos a fazem. A consegui em um acidente... Com ácido. Quando eu tinha 12 anos." 

"E como..."

"Isso você não precisa saber..." Lucian corta Ted antes que ele possa concluir.

É como Dalia mesma disse: eles são evasivos. 

"Mudando de assunto..." Arthur limpa a garganta. Já não sabe mais como consertar as situações em que seu amigo os coloca. "São apenas vocês dois? Digo... a família de vocês..."

Lucian revira olho. Outra investida errada dessa vez daquele que estava tentando ser o mais cuidadoso com as palavras.

"Somos apenas Pierre e eu. Não há ninguém. Um é a única família que o outro tem..." o olhar de Pierre parece ter ficado distante. "E eu sei que vocês estão prontos para perguntar o que aconteceu... ou ao menos você..." o 'você' foi direcionado a Ted. Todos perceberam. Não foi necessário que Lucian indicasse fisicamente. "Antes que perguntem. Havia uma família. Tínhamos pais e uma irmãzinha. Ela se chamava Annabelle. Os cabelos dela eram da mesma cor dos de Pierre. Eles eram muito parecidos..."

"Eram?"

"Morreram. Morreram todos. Annabelle, a mamãe... Nosso pai." Os dentes dele se cerram. 

"De que?" É Ted novamente.

"Acidente."

Sempre acidentes. 

Hoje em dia, Lucian pode até falar sobre o assunto abertamente. No entanto, naquele tempo em que as memórias e traumas ainda estavam crus, qualquer um que perguntasse ouviria a mesma história, as mesmas justificativas. 

Em nenhum momento ele citaria o dia em que seu pai entorpecido o amarrou a uma cadeira e corroeu sua pele permanentemente com ácido. Jamais citaria o quanto o homem marcara os corpos dele e de seus irmãos com os mais diversos tipos de tortura e abusos. Ninguém nunca ouviria de sua boca o relato de quando teve que assistir sua irmã morrendo de overdose enquanto o corpo desfalecido de sua mãe decorava a sala. Nem quando seu pai implorou pela vida enquanto a tesoura atravessava seu corpo movida pelo ódio do garoto aos prantos. Ninguém jamais tiraria algo desse assunto da parte dele ou de Pierre. Então, apenas acidentes.

A viagem é tão silenciosa que é quase assustador. Ted e Pierre nem ao menos esperaram a noite para pregar os olhos; deixando Arthur mergulhado no silêncio frio da cabine junto àquele que o ignora. 

As mãos sempre vestidas escrevem incessantemente em uma folha branca. As linhas curvas obedecem um padrão caprichoso. Mesmo de longe Arthur consegue perceber a perfeição da letra cursiva de Lucian. Mesmo com o balançar do vagão, seu traço segue uma linha imaginária de precisão milimétrica. 

Os dedos de Lucian param apenas quando o barulho de Arthur mexendo em sua bolsa o interrompem.

Caderneta e caneta na mão. Uma carta começa a ser escrita. Uma carta direcionada a Lucy.

De nenhuma maneira sua caligrafia se compara a de Lucian. É até considerada relaxada a maneira como ele conduz a tinta no papel. No entanto, os sentimentos direcionados a destinatária anulam qualquer 'imperfeição' que o gesto possa ter. 

"É uma carta?" Pela primeira vez Lucian puxa assunto. Não parece tão interessado na resposta uma vez que seu olho não muda de direção em nenhum momento, mas ainda é alguma coisa.

"Ah sim! Uma carta para minha noiva." 

"Uma noiva?" Finalmente Lucian faz algum contato visual, atravessando Arthur com seu olho negro. "O cavalheiro deixou sua futura esposa sozinha para embarcar em uma viagem tão longa?..." Arthur sorri fracamente. Não é como se tivesse sido totalmente sua vontade.

"Eu sempre acabo ficando algum tempo fora de casa por conta do trabalho. Bem... Nada muito além de três dias. Mas de alguma maneira ela já se acostumou com esse tipo de coisa." Lucian solta um riso baixo, do fundo da garganta enquanto balança negativamente a cabeça. 

"Tem certeza?"

"É claro!" Arthur não tinha certeza. Em verdade ele sabia que Lucy não era tão conformada. Apesar do sorriso doce que sempre o apoiava em tudo, ele sabia que ela não deveria estar tão confortável. Saber disso doía naquele momento. Era loucura. "Nos casaremos quando eu retornar. Tivemos um acordo." Novamente Lucian ri. "Q-qual a graça?"

"É engraçado ver como as pessoas fazem juramentos e promessas tão significativas as cegas. Como pode ter certeza de que voltará? Ou de que ele estará o esperando quando voltar?" Arthur engole em seco. 

"O-o que quer dizer com isso, Lucian?"

"Esqueça..." Os dois tentam voltar a escrever. Arthur parece mais desconfortável enquanto Lucian sustenta um sorriso de canto que vinca a pele queimada de seu rosto onde deveria estar o resto da extensão de sua boca.

"Está escrevendo uma carta também?" 

"De alguma forma. Não tem nenhum destinatário romântico. Mas não deixa de ser uma carta." 


"Era um relatório. Todas as vezes em que fazíamos algo ou tínhamos algum progresso eu deveria redigir um relatório e enviar a uma pessoa que enviaria para a chefia. Sempre." Chá Earl Gray toma conta do ar. Rachel apenas ri em silêncio da cena na sua frente. Lucian encara o nada, sugando de maneira demorada seu chá enquanto a pequena mulher que os acompanha parece ter sido domada pela paz. Sua cabeça repousa pesada sobre a coxa do homem. Nenhum rosnado, mordida ou saliva. Uma cena peculiar.

"Cara... você era um bastardo arrogante... Não que agora você esteja muito diferente. Mas até eu me incomodaria. Ainda bem que eu te conheci depois dessa fase." Já deve ser o quinto cigarro de Rachel. Lucian não precisou dizer nada. Apenas seu olhar mortal foi suficiente para ela amontoar as bitucas em um guardanapo, longe da natureza.

"Meu alívio seria nunca ter te conhecido. Você sempre foi uma miserável..." 

"Ah, da um tempo, Lucian... éramos bons amigos. Quer dizer... você sempre acabava espancando o Nick mas éramos bons amigos..." Rachel pisca um olho.

"Diga por você mesma. Se não fosse o trabalho eu já teria os matado. Eu estaria muito melhor se me mantivessem sem o desprazer de tê-los conhecido." Por alguma razão Alex começa a ficar inquieta. Os botões coloridos de sua camisa passam a ser alvo da atenção da garota, apesar disso Lucian não parece incomodado.

"Você nunca se perguntou o porquê de terem nos apresentado? Quer dizer, você e o Nick ja se conheciam de outros tempos. Mas não acha que é só coincidência vocês terem seguido o mesmo trabalho, não é? De qualquer maneira, vocês estavam seguindo vertentes diferentes, por que seus caminhos foram cruzados?" Lucian suspira.

"A maior pergunta é o porquê de terem empurrado você. Como você disse, eu e ele nos conhecíamos, eu sempre o detestei mas tínhamos convivência. Não era como eu e Dalia. Eu também a detestava mas havia o agravante de que éramos completos estranhos. Mas você... você não tem nenhuma relação com nada. Seu trabalho é completamente diferente..." a expressão do homem é inconformada. Nunca tinha parado para pensar em tal assunto.

"É loucura não é? Nick era um gênio. Tinha algum resquício de esquizofrenia talvez, era quase uma criança no corpo de um adulto perturbado, mas ainda era um gênio, autodidata, superdotado. Você, outro gênio, poliglota, memória fotográfica, outro autodidata, um lutador de sentidos afiados como os de animais. O que eu tenho a ver com vocês? Eu mal consigo falar duas línguas. É um inferno me comunicar com meus subordinados do que restou da Yakuza, eu não falo japonês..."

"Hontoudesuka? (verdade?)"

"Seu filho da mãe..."


Ao chegarem no destino, Arthur sente cada osso de seu corpo estalar. Apesar de optarem pela primeira classe, ainda é desconfortável dormir em algo que está em constante movimento.

Na estação foram recebidos por Dalia e Leone. Como teriam chegado antes deles? 

"O trem parou algumas vezes. Aviões são mais rápidos e os atalhos que os caminhões pegam também. As vezes chegam primeiro." Leone responde a questão de Ted.

"O circo já iniciou a montagem no píer, Lucian. A cidade é pequena mas acredito que faremos sucesso aqui..." o salto alto de Dalia pode ser ouvido a metros de distância. A mulher possui tanta elegância e imponência em seu caminhar que é de se duvidar que viaje com um circo.

"Belle Montreux fará sucesso. Você não é nenhuma atração. Não deve se incluir na frase..." Os dois trocam farpas a todo momento, em cada frase e em cada olhar. Se Dalia fosse um homem, é de se duvidar que Lucian seria tão contido.

"Por que o circo se alojou no píer? Há algo especial la?" Arthur detesta esse tipo de tensão. Qualquer coisa necessária para amenizar o clima era utilizada por ele. Mesmo que fossem apenas comentários deslocados para mudar de assunto.

"Essa semana é a semana de aniversário da cidade. Há um festival no píer. O circo se instalou na praia. Ficaremos a semana inteira aqui... Eu tenho assuntos para tratar antes de ir até lá. Fiquem a vontade para perambular por ai. Pierre vá com eles." O garoto que até então não escreveu nenhum bilhete apenas sorri enquanto Lucian vira a esquina cochichando algo com Dalia e Leone. Algo que eles não deveriam ouvir apesar da curiosidade. 

Na verdade, os dois mesmo queriam compartilhar suas teorias até então formadas. O único impecilho no momento era o menino ruivo que os encarava curioso. Ele parecia mais o confiável ali, mas ainda assim era arriscado dizer algo perto dele.

"E então, para onde vamos?" Ted se põe pensativo quando uma doce risada feminina corta seu raciocínio.

"Os três jovens gostariam de uma resposta? Poderia esta humilde cigana ler o que suas mãos dizem sobre seus destinos?"



Notas Finais


Eu estou me recuperando de um belo bloqueio criativo. Sorry qualquer coisa.

Lucian fala japonês também pois ele é muito foda


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...