História O mistério do amor é maior que o mistério da morte. - Capítulo 5


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Categorias Eterna Magia
Tags Conrado, Eterna Magia, Eva, Malu Mader, Thiago Lacerda
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Palavras 5.027
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu disse que não ia demorar dessa vez, ne? Ta aí, mais um capítulo pra vocês. Esse ficou grandinho, me digam se preferem capítulos grandes ou menores. E ah, mais uma vez tivemos uma contribuição da leitora maricris2016, ela escreve muito bem e está me ajudando. OBS: O Augusto é o Fabio Assunção, gente. Desculpem, mas ja to shippando kkkkk

Capítulo 5 - Me abraça.


Alguns dias depois...

O Sol estava naturalmente mais brilhante aquela manhã. Pelos dias que se seguiram, Eva evitou ao máximo encontrar-se com Conrado, embora o que quisesse mesmo era não ver mais a cara do seu ex jeca tatu, tinha que se submeter a encontros devido a Clara, momentos em que era sempre vaga, fria e reticente. Tratamento esse, que não estava agradando nem um pouco o filho de Loreta. Ainda mais, porque a pianista estava cada vez mais próxima do engenheiro. Conrado sentia grande vontade de chamar a morena para uma conversa adulta, onde colocariam os pingos nos is e ele iria poder voltar a ser o Conrado que foi durante os 7 meses de relacionamento com Nina. Ao menos agora, ele poderia ficar mais tranquilo, pois sua esposa estaria de volta no fim da tarde.

Eva estava sozinha em casa em frente o seu piano, perdida entre as notas e seus pensamentos que se dividiam entre o passado e o presente, e em todos esses momentos, ele, quem ela tentou manter o máximo afastada de sI, estava presente. Talvez este era um dos únicos momentos em que ela se permitia manter-se a sós com Conrado, mesmo que apenas dentro de si mesma. Porém, tudo interrompeu-se com a chegada de uma visita inesperada.

''Como vai, Eva? Será que podemos conversar?'', disse a matriarca O’neill, ao adentrar a grande sala.
Eva espantou-se com o aparecimento repentino da ex sogra.  ''Loreta? Aconteceu alguma coisa? Foi algo com a minha filha?'', Disse a pianista, ficando de pé, visivelmente preocupada.

''Calma, minha neta está perfeitamente bem. Não é sobre isso que vim falar com você'', respondeu a mais velha, deixando Eva ainda mais curiosa sobre o motivo da visita. ''Mas então...? Sobre o que veio falar?''

Loreta deu mais alguns passos aproximando-se do piano, e disse sem rodeios, como de seu costume ''Acredito que saiba perfeitamente sobre o que quero falar.''

Eva sempre detestou a forma com que Loreta a tratava, e jamais iria deixá-la tratar com desdenho, ainda mais sendo a mãe de sua neta. ''Bom, devo lembra-la que apesar de ser uma descendente de Valentina, não herdei poderes de adivinhações, e como a senhora pode ver, aqui não há nenhuma bola de cristal, então por favor, seja clara.'' Retrucou a pianista, visivelmente já sem paciência para os desaforos da ex sogra.

Se Eva não deixaria um desaforo barato, Loreta então não iria tratá-la como uma rainha, como a morena estava acostumada. ''Sim de fato. Mas você tem inteligência suficiente para saber do que vim falar com você, menina.'' Rebateu.

Eva logo entendeu, já que ela e a mais velha só tinham duas coisas em comum: Clara e Conrado, e se a mesma havia esclarecido que não se tratava de Clara, só poderia ser sobre a primeira opção, o que fez Eva não sentir o mínimo de vontade de conversar, mas iria ouvir o que a ex sogra tinha a dizer.

''Tudo bem, Loreta, vamos ao escritório, lá podemos ter mais privacidade para conversarmos. Vou pedir a Rita que sirva um café'', disse, já chamando a funcionária da casa.

 ''Chamou, Dona Eva?'', disse Rita aparecendo imediatamente na sala após ouvir o chamado da pianista.

''Chamei sim. Leve para o escritório dois cafés e alguns bolinhos de chuva, por favor. Loreta, vamos.'', disse adiantando-se e indo rumo ao escritório.

Enquanto as duas seguiram rumo ao escritório da mansão dos Sullivan, Rita foi para a cozinha, onde Inácia questionava Afonso sobre a visita de Loreta.

''Tem certeza Afonso, a Loreta veio falar com a Evinha?''

''Bom, dona Inácia, eu acho que sim. Quando ela chegou, já foi logo perguntando pela dona menina.'', respondeu o antigo motorista da família.

A visita da mãe de Conrado gerou burburinho nos empregados da casa, ''Ah, não sei não viu! Boa coisa não deve ser. Afinal a dona Loreta, nunca morreu de amores pela dona Eva.'', disse Ilda, uma das cozinheiras.

''Não quero me meter, mas deve ser algo grave, pois as duas foram para o escritório. Bom, eu vou levar a bandeja com o café para elas.'', respondeu Rita.

Inácia segurou a medalhinha de Nossa Senhora na intenção de espantar qualquer sentimento ruim com relação a vista da irmã, não negando o fato de estar preocupada.

''Sente-se, Loreta, por favor, fique a vontade. Aqui, podemos conversar com mais privacidade.'', disse a pianista sentando em uma das cadeiras do escritório, e oferecendo a outra para a ex sogra sentar.

No mesmo momento Rita apareceu pedindo licença e deixando uma bandeja em cima da mesa, se retirando em seguida e fechando a porta.

Assim que a porta foi fechada, Eva começou a falar ''Estou surpresa com sua visita. Ainda mais por saber sobre o assunto que quer tratar comigo''

''Bom, como você já sabe, serei direta, Eva. Você bem sabe, que nunca me agradou o seu envolvimento com meu filho, não é mesmo? A não ser pelo fato de que serei eternamente grata pela minha neta'', disse a mãe de Conrado olhando fixamente para os olhos de sua ex nora.

 ''Sim, Loreta, sei que minha presença na vida do Conrado não te trouxe felicidade... Porque eu sou aquela que... como todos dizem mesmo? Ah, levou seu adorado filho para o mau caminho. Acho que faço jus ao nome que me deram, não é mesmo?'', respondeu a morena em tom de ironia e sarcasmo. Estava farta da história de que ela havia planejado tudo e que Conrado não tinha vontade própria.

''Olha, Eva. Eu acompanho o sofrimento do Conrado por causa de você desde quando ele era um menino. Eu enxuguei muita lágrima do meu filho que foi derramada por sua causa. Sempre achei que você só queria se divertir com meu filho, usa-lo como um brinquedo desses que uma criança mimada quer ganhar de presente, e depois, partir seu coração.'', cuspiu Loreta.

''Olha, Loreta, eu sei disso tudo que você está falando. Se veio aqui pra repetir tudo que eu já ouvi de você. da Nina, do meu pai...de todos, perdeu seu tempo. Sempre te amedrontou o fato de seu filho se afastar de você, conhecer uma nova vida, conhecer novos lugares, tal como ele sempre sonhou. Só que como eu disse, você está perdendo seu tempo, porque nada disso importa agora. Tudo isso ficou no passado, e a única coisa que me une a seu filho agora, é a filha que temos juntos.'', respondeu a pianista visivelmente irritada.

''Olha aqui, menina. O que você tem de idade, eu tenho quase o dobro de experiência, e eu sei muito bem que você ainda gosta do meu filho e mais uma vez, apareceu pra confundir a cabeça dele. O Conrado está completamente diferente desde sua chegada em Serranias e a última coisa, a última coisa que eu quero, Eva, é ver a vida do meu filho ser desgraçada de novo'', retrucou a ex sogra.

As palavras de Loreta deixaram Eva ainda mais irritada. ''Mas era só o que faltava! Eu não tenho culpa se o seu filho está confuso. Você veio aqui para pedir que eu me afaste? Para eu poupar de estragar a ''felicidade do seu filho''? Você não sabe do que você está falando, Loreta. Quem está correndo atrás de mim sem me dar paz desde que cheguei é seu filho. Você deveria ter essa conversa com ele, e não comigo. Não está nos meus planos correr atrás de um homem que jogou na minha cara que ficou comigo só por desejo, só pela filha, que não sabe o que quer, que foi muito mais fácil jogar a culpa toda para mim... Não. Isso já acabou. Um dia, eu me propus a conquistar seu filho, e eu consegui, Loreta. Hoje... Eu me proponho a esquece-lo.'', Disse a pianista, em pé, de costas para a mais velha, pois não queria que ela visse seus olhos marejados. Já havia chegado a hora de enterrar de vez aquele homem.

''Eva, por favor, você quer mesmo que eu acredite que o Conrado correu atrás de você? Meu filho ama a Nina, sempre amou. O que ele sentia por você era paixão, doença, Eva. Mas fico mais tranquila sabendo que você não pretende estragar a felicidade do meu filho, e que, pela primeira vez, terá juízo suficiente para não fazer besteira.'', rebateu a mais velha, também se levantando, já havia dito tudo que queria dizer.

As duas foram interrompidas por Inácia. ''Evinha? Será que posso entrar?'', Disse  a governanta dando batidinhas na porta, obtendo uma resposta positiva de Eva.

''É o engenheiro, Evinha... está ao telefone.'', disse a doce irmã de Loreta.

''Ah sim, obrigada, Inácia. Já estou indo. Loreta? Tenha um bom dia'', disse a morena deixando as duas irmãs no escritório.

Inácia não pôde conter sua preocupação e curiosidade. ''O que veio falar com ela, minha irmã? Você não veio brigar com Evinha, veio?'', perguntou a funcionária dos Sullivan.

''Nada, só colocar alguns pingos nos is. Tenho que ir. Preciso terminar de fazer algumas entregas.'', limitou-se a responder, deixando a mansão logo em seguida.

Inácia continuou preocupada, mas sabe que a irmã era dura o suficiente pra não querer contar o real motivo daquela conversa.

Enquanto isso, na sala, Eva conversava com Augusto ao telefone.

''Estava pensando em lhe convidar para um passeio noturno, mas como sei que sua irmã chega hoje de viagem, vocês devem querer fazer um jantar em família...'', disse o engenheiro na tentativa de conseguir a companhia de Eva naquela noite.

''Hm...Acho que a última coisa que minha irmã deve querer hoje é um jantar em família, mas sim a luz de velas, não concorda?'', rebateu a pianista. Que mulher iria trocar uma noite com o marido após semanas longe dele, por um jantar em família? A família pode esperar. Pelo menos era o que ela faria.

''Você está certa. Pensei em explorarmos algum lugar da natureza por aqui. Fiquei sabendo hoje que existe um lugar não muito longe, onde tem uma bela cachoeira. Podemos conversar e fazer um picnic à luz noturna. O que me diz?'', disse o rapaz.

''Olha, devo confessar que não é o tipo de passeio que eu aprecio, mas creio que possa ser divertido. Que horas você vem?'', respondeu a pianista. Realmente, um passeio no meio do mato naquele fim de mundo não era algo que ela iria amar, mas, considerando que não teria outra opção melhor praquela noite, resolveu aceitar.

''Assim que eu sair de uma reunião que tenho com o seu pai e com Conrado. Creio que no máximo umas 18h estou aí'', respondeu o paulista, despedindo-se em seguida da pianista.

O dia percorreu normalmente, Eva evitou pensar na conversa nada agradável que tivera com sua ex sogra e já batia 17:30h no relógio da pequena igreja de Serranias.

''Como a senhora acha que eu devo ir vestida? Como vamos em um encontro próximo a uma cachoeira, tem de ser algo confortável'', dizia a pianista para a mãe, enquanto mexia no seu armário de roupas.

''Nossa, Eva. Pensei que ficaria para jantarmos em família com a sua irmã'', respondeu Pérola, sentada na cama cheia de roupas esparramadas.

''Eu não acho que a Nina deva querer um jantar em família esta noite. E como a senhora mesma me aconselhou a seguir em frente, deveria deixar de lado os seus achismos e me apoiar'', retrucou a morena enquanto vestia uma saia longa com botas de cano alto, uma blusa de cetim amarela, e um lenço branco no pescoço.

''Minha querida, não é que eu não lhe apoie, é só que...'', antes que pudesse terminar a frase, Pérola foi interrompida por Eva.

''Assim está perfeito. Vou descer, acho que meu engenheiro chegou.'', Disse piscando para a mãe e deixando o quarto.

Na sala, todos conversavam amigavelmente. Nina havia acabado de chegar, e estava abraçado com Conrado.

''Eva? Como você está linda! Tudo isto para me receber, minha irmã?'' Disse, se desvinculando do amado para ir abraçar a pianista.

''Também!'', respondeu Eva, alternando o olhar entre Augusto e Nina, ignorando completamente a presença de Conrado. ''Seja bem-vinda de volta, minha irmã'', completou, enquanto o abraço das duas era interrompido por uma serelepe Clara.

''Tia Nina, tia Nina! Que saudades!'', gritava a menina em torno da mãe e da tia.

Rapidamente Nina pegou a pequena no colo.

''Adivinha o que a tia Nina trouxe pra você de São Paulo?'', falava a valentina, enquanto sorria abertamente para a doce sobrinha.

''Uma boneca?'', respondeu a menina de forma eufórica.

''Sim!!! Vamos lá no meu quarto pegar, que o Afonso já subiu minhas malas'', disse a mais velha, subindo as escadas de mãos dadas com a pequena.

Todos olhavam a cena com muito encanto.

''Vamos todos tomar um café enquanto esperamos o jantar'', disse o patriarca, Max.

''Augusto e eu aceitamos o café, mas quanto a o jantar, deixaremos para a próxima, papai'', respondeu a morena, sentando-se ao lado de Augusto no sofá da sala.

''Você está linda, Eva. E quanto ao jantar, eu não quero atrapalhar, caso queira ficar, podemos fazer nosso passeio outro dia'', respondeu o paulista.

''Não se preocupe, Augusto, a Eva nunca foi muito ligada a essas convenções familiares'', retrucou um ciumento ex caipira, se auto condenando em seguida por ter feito um comentário tão desagradável sobre sua ex mulher.

''Só pensei que Nina depois de uma viagem cansativa, fosse preferir um jantar íntimo na casa de vocês, pelo menos é o que eu optaria. Mas não se preocupe, meu querido cunhado, oportunidades de jantar em família não faltarão. Papai, o café fica pra outra hora, vamos antes de escurecer, Augusto'', Retrucou vitoriosa. 

Conrado preferiu não rebater, não iria entrar em um ring de luta ali, no meio de todos. Suas pendências com Eva eram pra ser resolvidas apenas entre os dois, e não na frente da família, especialmente na frente do intruso paulista.

''Tudo bem, minha filha. Mas posso saber onde vocês dois irão?'', perguntou Max.

''Vou levar sua filha pra um passeio na natureza, Sr. Max. Vamos na cachoeira véu da noiva. Pesquisei e fiquei sabendo que se trata de um belo lugar pra apreciar a natureza e um bom vinho'', respondeu o galanteador Augusto.

''Cachoeira véu da noiva? Vocês irão lá a noite? Você nem conhece a região, Augusto. Acho perigoso. Além de me surpreender o fato de Eva aceitar um convite para um passeio assim...'', revidou Conrado. Apesar do nítido ciúme, que Pérola não pôde deixar de perceber, ele realmente havia se preocupado com a resposta do moço. Serranias tinha lugares lindos, mas perigosos pra um recém chegado. O fato de Augusto levar Eva a um lugar que ele já havia ido com ela enquanto sua esposa o fez sentir ainda mais raiva.

''Pra você ver, Conrado... o que não fazemos por uma boa companhia'', respondeu uma sorridente Eva.

Augusto e Eva resolveram ignorar o aviso de Conrado quanto ao perigo do passeio e partiram rumo ao destino sob palavras de ''cuidado'' ''se cuidem'' ''não voltem tarde'', de Pérola e Max.

Conrado permaneceu sentado tentando esconder sua raiva e seu ciúme. A vontade que tinha era de ir atrás dos dois, pegar Eva pelo braço e fazê-la parar com todo aquele teatro.

Dentro de 20 de minutos de carro, e alguns 10 a pé, Augusto e Eva chegaram até o local do passeio. O Sol já estava se pondo, o que fez a beleza do lugar ficar ainda mais admirável. 

Augusto estendeu uma toalha de mesa no chão, abriu um vinho e colocou uma cesta com comida do lado. Serviu duas taças de vinho, entregando uma a Eva, e propondo um brinde.

''Ao que o senhor deseja brindar?'', neste momento, Eva subiu seus olhos para os de Augusto. Apesar de já terem se encontrado outras vezes, ela nunca havia reparado na beleza do rapaz. A luz laranja do sol fazia com que os olhos azuis ficassem ainda mais atrativos, a barba cerrada e o cabelo louro brilhavam de forma dourada. Eva não foi capaz de brindar, sentiu uma vontade imensa de beijar o paulista, e como não é do feitio de negar seus próprios desejos, assim o fez.

O rapaz foi surpreendido por um beijo lento, mas com muita vontade. Retribuiu imediatamente, na mesma intensidade. Após perderem o fôlego, pararam para beber um pouco de vinho.

''Substituímos o brinde por um beijo'', disse a morena enquanto bebia mais um pouco do seu vinho.

''Achei uma substituição justa'', respondeu o engenheiro, indo de encontro a boca da pianista para um breve selinho.

O sol começou a dar lugar pra uma grande lua cheia. 

Augusto estava encantando com a beleza do lugar. ''Aqui é muito lindo. Você já tinha vindo aqui, Eva?'', perguntou.

Eva exitou um pouco em responder, mas se resumiu a um sim, enquanto olhava para o céu.

''Com o Conrado, certo?'', indagou o rapaz. Eva  o olhou de lado, e mais uma vez, disse apenas sim.

Augusto sabia que a relação dos dois era pesada e queria tentar entender onde estava pisando. Não é como se estivesse amando Eva, mas sentia que ela era uma mulher que ele poderia facilmente se apaixonar.

''Eva... me desculpe se estiver sendo invasivo, mas você e o Conrado... vocês ainda sentem algo? Você ainda é apaixonada por ele?'', Eva foi pega de surpresa com a pergunta. Pensou um pouco antes de responder. Não queria magoar e tampouco afastar Augusto dela, então ser totalmente sincera com relação a seus sentimentos sobre seu atual cunhado, estava fora de cogitação.

''Olha, Augusto, você já deve ter percebido que eu e Conrado temos uma relação difícil devido ao nosso passado, mas hoje nosso vínculo se resume ao fato dele ser o pai da minha filha e o marido da minha irmã. Eu sei que parece confuso, mas não vejo motivos pra ficarmos falando do Conrado aqui, não foi pra isso que você me trouxe aqui, certo?'', respondeu a morena.

Augusto entendeu que não era hora e que ela não estava a vontade pra falar sobre aquele assunto. Imediatamente os dois começaram outro beijo. Dessa vez sem lentidão. O beijo tinha pressa. Os beijos quentes despertaram outros desejos, mas se deitar na mata uma vez na vida já estava de bom tamanho pra Eva, ela não iria repetir o ato.

Desvinculando-se dos lábios carnudos do rapaz, Eva disse ofegante ''Meu querido, eu também quero, mas eu realmente prefiro que seja em um lugar limpo e uma cama macia, por favor'', disse tirando um riso do engenheiro.

Ele estava com uma de suas mãos no cabelo de Eva, e a outra na cintura. ''Olha, desse jeito eu vou achar que a senhorita está fugindo de mim, ein'', disse o paulista.

Eva fitou o par de olhos azuis após ouvir aquela frase. ''Se você me conhecesse melhor, saberia que eu não sou uma mulher de fugir'', indo para outro beijo após a fala.

Augusto desceu os lábios para o pescoço da pianista e começou a deixar beijos molhados na região. O corpo de Eva imediatamente reagiu, mas ela ainda tinha juízo o suficiente pra saber que não iria se deitar no meio do mato de novo.

''Isso é covardia, viu?'', disse a morena de olhos fechados.

''Covardia é o que você faz comigo, Eva'', respondeu o rapaz ofegante.

''Não seja por isso, o passeio acabou'', disse a pianista se levantando e cortando o barato do belo engenheiro.

''Tudo bem, dona Eva. Já está ficando tarde mesmo, é melhor voltarmos'', disse o moço, enquanto recolhia as coisas do chão.

Enquanto caminhavam até o carro, Eva o agradeceu pelo passeio. ''Foi uma noite muito agradável, Augusto''.

''Sim, muito... inclusive preciso de um banho frio quando chegar em casa. A senhorita tem esse poder'', respondeu brincando.

''Oh, me desculpe. Se quiser posso me comportar mais da próxima vez'', retrucou a pianista, entrando no jogo dele.

''Tudo que eu quero é que você não se comporte'', respondeu Augusto, parando a morena para um beijo apaixonado.

Após o beijo voltaram a andar e logo já estavam no carro. O caminho para a cidade foi tranquilo e de muitas risadas. Não passa de 20:30h quando chegaram na porta da mansão dos Sullivan. Eva constatou que Conrado e sua irmã ainda estavam ali, pois o carro de seu cunhado estava estacionado próximo a casa.

''Vamos entrar, Augusto'', disse Eva, já fora do carro. ''Não, minha querida. Estou muito cansado, e como eu disse, este pobre rapaz precisa de um banho frio... não posso ficar mais do seu lado assim..'', respondeu o engenheiro.

''Eu sei que eu sou irresistível, Augusto'', brincou a pianista. ''E é mesmo'', respondeu Augusto, puxando a morena pra um beijo de despedida.

''Pronto, então me deixa entrar antes que você me ataque na porta da casa do meu pai'', saiu a pianista, entrando dentro da mansão de seu pai com um sorriso largo no rosto.

''Minha querida, você está radiante'', disse Pérola ao ver a filha atravessar a porta da sala. 

''O passeio foi muito agradável, mãe... onde está Clara?'', respondeu a morena.

''Já está no seu quarto, estava lutando contra o sono aqui'', disse Nina.

''Bom, eu também vou subir, estou exausta. Vou tomar um banho. Boa noite mãe, boa noite, Nina'', disse enquanto subia as escadas e mandava um beijo pras duas sentadas no sofá.

Eva chegou em seu quarto e encontrou Conrado colocando Clara na cama pra dormir.

''Oi, Conrado, eu não sabia que você estava aqui. Faz muito tempo que ela dormiu?'', perguntou a pianista, sentando-se na beira da cama ao lado da filha, enquanto acariciava o cabelo da menina.

''Não.. acabou de adormecer. Ela estava lutando contra o sono pra esperar você chegar. Disse que tinha uma coisa pra te pedir'', respondeu o ex jeca tatu em um tom baixo, pra não acordar a filha.

''Me pedir uma coisa? Ela disse o que?'', indagou a pianista, curiosa.

''Não, e você demorou no seu...encontro, então ela dormiu'', respondeu.

Eva não deu atenção a implicância de Conrado, deixou que ele falasse de seu encontro.

''Sua mãe esteve aqui hoje, Conrado'', disse a pianista enquanto se levantava da cama.

''O que? Minha mãe? O que ela queria?'', perguntou Conrado.

''Me falar as belas e lindas palavras que ela sempre me disse, e me pedir pra me afastar de você'', disse enquanto pegava uma toalha e um roupão no armário.

''Minha mãe fez o que? Ela não tinha esse direito. O que quer que diga respeito sobre nós, deve ser tratado apenas entre nós, eu vou falar com minha mãe'', respondeu Conrado, irritado.

''Não existe mais ''nós'', Conrado. E quanto ao que você vai falar com sua mãe eu não tenho nada a ver com isso. Agora me dê licença que vou tomar um banho, estou exausta. Feche a porta quando sair'', disse a morena deixando-o sozinho e indo para o banheiro. Não tinha mais forças físicas nem emocionais pra discutir com Conrado, muito menos pra lutar contra seu sentimento. Preferiu um belo banho de banheira a medir forças com seu coração.

Conrado desceu as escadas com cara de poucos amigos, chamando Nina pra irem embora.

''O que foi, Conrado, porque está com essa cara?'', perguntou Nina.

Conrado se limitou a dizer que seus encontros com Eva nunca são muito amistosos, o que era de conhecimento de Nina. Ela só não imaginava que a razão da briga dos dois fosse um sentimento que aflorava cada dia mais dentro do ex caipira, sentimento este que nunca morreu dentro da pianista.

Pérola percebeu que tinha mais coisa ali e ficou preocupada com o rumo da relação de Eva e Conrado, mas era tarde pra ir questionar qualquer coisa a filha, e sabia que a mesma não iria querer conversar com a mãe.

Nina e Conrado seguiram para sua casa. Conrado passou parte do tempo calado enquanto dirigia. Nina estranhou, perguntou, mas não obteve uma resposta que justificasse tamanha estranheza. 

Eva mal conseguiu dormir aquela noite. Queria passar mais tempo em Serranias, ainda tinha um mês até sua próxima turnê começar. Queria aproveitar este tempo pra matar toda a saudade da sua pequena, mas não sabia como enfrentar, ou melhor, como guardar todo o sentimento que nutria por Conrado. Cada segundo perto do seu ex caipira era uma tortura. A tortura era maior quando ele insistia em dizer que queria ela, que não conseguia tirá-la da cabeça. Que vida injusta era aquela em que o homem que ela ama demorou tanto a perceber que a mulher que ele quer era ela? Eva não iria se sujeitar a um amor de migalhas. Não era justo com ela, que sempre foi uma mulher de entregas. Não podia continuar pensando em um homem que passou 7 anos do seu lado sem amá-la de verdade. 

E Augusto? Eva gostava da companhia do rapaz, gostava dos momentos que estavam passando juntos, mas aquilo era o suficiente pra ocupar um espaço que só Conrado ocupou em toda sua vida? Estava inundada em seus pensamentos e precisava dormir para parar de se martirizar. 

O problema é que Eva não sabia a verdade. A verdade é que do outro lado da cidade, tinha um Conrado acordado, negando-se a aceitar a realidade que só agora ele percebeu: ele ama a mãe da sua filha. Olhou pra Nina que adormecia ao seu lado. Não podia fazer com Nina o que fez uma vez. Não podia ser covarde. Iria engolir o amor garganta abaixo? E se Eva se apaixonar por Augusto? Estava enlouquecendo. 

Os primeiros raios de sol acordaram a pequena Clara, que fez questão de também acordar sua mãe. ''Mamãe, acorde, já tá de manhã'', disse manhosa.

''Clara, minha filha, é muito cedo, volte a dormir mais um pouco'', respondeu Eva, ainda de olhos fechados. ''Não, mamãe, acorde.'', disse a menina, já ficando de pé em cima da cama.

Eva deu-se por vencida, sabia que sera impossível voltar a dormir. Fizeram sua higiene matinal e Eva trocou a roupa da menina, mas continuou com seu robe de seda preto, e desceram pra tomar café. Apesar de cedo, Max já havia ido pra empresa, Pérola também já estava saindo pra livraria.

''Minhas meninas caíram da cama'', disse Pérola ao avistar as duas descendo as escadas.

''Sua neta me acordou e não me deixou dormir mais'', respondeu Eva.

''Bom dia, meus amores. Eu estou indo pra livraria, ontem chegaram as novas encomendas, preciso verificar uma a uma...tomem café da manhã'', disse a matriarca dando um beijo na filha e na neta, e saindo.

Afonso havia ido dar uma revisão no carro de Max, em Morro Alto. Inácia foi a feira, toda quinta a governanta reabastecia as verduras e legumes da casa. Rita havia colocado a mesa do café.

''Mamãe, eu quero ir na livraria da vovó pegar um livro de fadinha'', disse a pequena.

''Agora filha? Na hora de ir pra escola a mamãe passa lá e pega pra você'', respondeu a pianista.

''Não mamãe, por favor'', disse com olhos pidões.

''A mamãe ainda nem trocou de roupa, meu amor'', disse a morena apontando pra própria roupa.

''Dona Eva, se a senhora quiser eu posso ir lá com a Clarinha'', ofereceu Rita.

Eva aceitou o favor de Rita e deu orientações pra moça não soltar a mão da filha, embora fosse próximo, Eva sempre tinha muito cuidado com a segurança da filha. E assim as duas saíram, ficando apenas Eva na grande mansão.

Passando perto da casa dos Sullivan pra ir pra empresa, Conrado avistou um sujeito muito estranho entrando na residência.

Preocupado, o mineiro decidiu parar o carro e seguir a pé até a grande casa.

Ainda na mesa de café, Eva ouviu passos dentro da casa, estranhou, já que estava sozinha, mas pensou ser Rita.

''Rita, esqueceu alguma coisa?'', perguntou sem obter resposta. Alguns minutos depois ouviu o barulho de um vaso caindo, imediatamente levantou-se pra verificar o que havia ocorrido, e se deparou com um sujeito de roupa preta, barba grande e chapéu na sala da sua casa.

O sujeito sorriu de uma forma medonha para a pianista, que sentiu um frio na espinha. Antes que pudesse pensar, sentiu seu corpo ser jogado contra a parede da sala com força, e percebeu o que estava acontecendo: estava sendo atacada por um homem nojento e desconhecido. Tentou gritar e se debater, mas o homem tapou sua boca com uma mão, enquanto beijava seu pescoço e colo com força e violência. Eva sentiu as lágrimas descerem do seu rosto, seu coração estava descompassado, e sentia as pernas tremerem de medo.

Como uma alucinação, ouviu a voz de Conrado, gritando contra o homem que a atacava ''larga ela, seu desgraçado'', Conrado pegou o homem pela camisa e o tirou de cima de Eva. O homem correu, Conrado pensou em ir atrás dele, mas quando viu o estado de Eva, priorizou socorrer a ex mulher.

A pianista chorava encostada na parede, enquanto ajeitava o próprio robe no corpo. As mãos ainda tremiam. Nunca em toda sua vida havia passado por tal situação. Passou as mãos pelo rosto tentando enxugar as lágrimas.

''Eva...meu Deus, você está bem? Você quer ir pra um hospital?'', disse enquanto abraçava a mãe de sua filha. Após ela se acalmar, foi até a cozinha pegar um copo de água.

''Beba, Eva... me fale, como você está? Vamos, se troque, eu vou te levar até a polícia, precisamos achar esse desgraçado'', dizia o homem.

Eva estava mais calma, já não chorava. Estava sentada no sofá da sala e Conrado encontrava-se agachado na sua frente. Ele percorria cada parte do corpo da mulher, verificando se ela estava machucada. Ele também havia se assustado muito.

Eva fitou os olhos de Conrado, que nada entendia.

''O que foi, Eva? Você está sentindo algo?'', perguntava preocupado.

''Conrado... me abraça, forte, me abraça, por favor'', pediu praticamente implorando.

Conrado não pensou duas vezes, abraçou a mãe de sua filha como se fosse a última coisa que fizesse na vida, Afundou sua mão em seus cabelos, passando toda segurança, amor e carinho que fosse possível caber dentro de um abraço.

Nina entrou na casa no exato momento.

''Conrado? Eva? O que está acontecendo aqui?''

 

 

 


Notas Finais


ME DIGAM O QUE ACHARAM <3


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