História O Mónos Mártyras - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Itachi Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Deisaku, Sasosaku, Sasusaku
Visualizações 45
Palavras 2.105
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura :)

Capítulo 3 - Apotychía


 

Capítulo 2
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Novembro, 2
Apotychía

As coisas dele estavam na frente da porta, ainda. Talvez tivesse dormido fora, ou a preguiça de levar tudo para dentro acabou por assolar sua primeira vez naquele apartamento. Mas este não era o fato a ser discutido naquele momento, e sim o porquê de ele não estar ali. Eu estava agudamente ansiosa para vê-lo. 

"O que achou do seu vizinho?", Jiraya apareceu na minha frente enquanto eu andava pela pista de gramado que se estendia até o estacionamento do prédio. 

"Quê vizinho?", eu respondi com outra indagação, emburrada. "As coisas dele ainda estão na frente do apartamento." 

A cara de Jiraya se retorceu, ele pareceu pensativo naquele instante. Mexeu no cabelo grisalho e balançou a cabeça, retirando o cigarro do meio de seus lábios enrugados. 

"Deve ter dormido fora. Com alguma namorada...", seu tom era de total provocação, parecia interessado em saber qual seria a minha reação com aquele comentário. 

Indiferença. Primeiramente, eu tinha um namorado. Além do mais, nunca havia visto a cara do sujeito na vida, não poderia me basear apenas pelo julgamento físico feito por Jiraya, um velho de 70 anos e pouco que estava acostumado a ver as mesmas caras todos os santos dias. Ele também saia com uma das moradoras, uma enfermeira da universidade que tinha peitos enormes, mas aquilo não era parâmetro. 

"Que bom para ele. Estou atrasada, até mais!"

Ele não insistiu, provavelmente percebeu meu mal-humor. Liguei o carro e saí, conferindo minha leve maquiagem no espelho interno do veículo. E, como dizia Ino, nem o efeito da florzinha do Snapchat me salvava. Mas fazer o quê? Pra aprender culinária você não precisa estar tão bem arrumada. 

Uma paz interior veio por me atingir quando eu passei pelo Lago Coney e não vi aquele mundaréu de gente procurando por corpos mortos. Nem policiais, loiros ou sujeitos desconhecidos às margens do lago, apenas um casal que provavelmente estava inerte à situação do dia anterior. 

Estacionei o carro nas vagas diagonais, desenhadas obviamente a mão por algum portador de Mal de Parkinson. Os estacionamentos daquela faculdade não eram levados a sério, especialmente quando viam-se carros completamente em cima das faixas amarelas, ocupando duas ou três vagas. Olhei no relógio novamente, eu estava tão atrasada que Ino e Suigetso certamente já haviam entrado. 

Deitei a cabeça na minha na carteira, a aula era completamente chata. Um som, que associava-se a um zumbido, provinha de uma das garotas sentadas próximas à mim. Esta usava fones da Bits, aqueles gigantes que parecem protetores de orelha, que provavelmente tinham a capacidade de emitir um barulho ensurdecedor. Mordi os lábios com a finalidade de me conter e não dizer à ela para abaixar a intensidade daquela merda ou desligá-lo. 

Por isso, pessoas como eu dormem. Evitar problemas sempre é a melhor opção. 

Pensei em que desculpa eu daria para não ir à Starbucks hoje, afinal, eu não poderia simplesmente contar sobre Sasori. Conhecendo Ino e seu jeito altruísta, iria querer fazer o favor de me dar todas as maquiagens que carregava consigo e ainda borrar meu rosto inteiro, talvez até com a intenção de me separar de Deidara. Suigesto também seria capaz de querer conhecer Sasori e tirar suas próprias conclusões. 

Vou encontrar o ruivo, isso é um fato. Mas encontrar um menino na escada do laboratório da Stanford não significa que você vai pegar ele. Só quer dizer que você vai encontrar um menino na escada do laboratório da Stanford. Isso é o que eu digo, na verdade. O que eu desejo, eu acho. 

Se não fosse pela desajeitada garota que tropeçou em uma mochila e caiu em cima de mim, provavelmente todos os estudantes iriam embora e eu ficaria na classe, dormindo. Olhei no relógio, eu tinha quinze minutos para convencer Ino e Suigetso de que eu tinha que estudar com uma amiga. 

Já no meio do pátio, eu vi os dois juntinhos, como se fossem um casal. Teve uma época que os dois tiveram um rolo, Suigetso gostava dela. Porém, Ino começou um relacionamento sério com um baterista retardado de uma banda de bar e eu fiz meu amigo parar de gostar dela. Não que eu tivesse dado em cima dele, não foi assim. Eu apenas conversei com Sui e mostrei a ele que não é só porque uma garota não o queria que o mundo estava perdido. Na vida, há trocentas oportunidades, só precisamos saber aproveitá-las e evitar arrependimentos. 

"Sakura! Por que não nos encontrou hoje?", o garoto-peixe perguntou, puxando-me para um abraço. 

Eu sorri amarelo. 

"Me atrasei."

Ino segurava dois pedaços de tecidos distintos, um em cada mão. Ela sustentava uma expressão de dúvida enquanto balançava ambos freneticamente e os colocava sob a casaco. 

"Como foi a aula hoje, Sakura?", indagou Sugetso, superinteressado. 

"O mesmo de sempre, só acordei porque uma garota caiu em cima de mim", falei, dando de ombros. Ele riu, concordando com a cabeça. "Não sei porque caralhos eu escolhi este curso."

Nesse momento, Ino nos olhava em pura indignação. 

"Você sempre pergunta como foi a aula da Sakura, mas nunca quer saber da minha!", bradou ela, amassando os tecidos. E quem diria que a loira estava atenta à nossa conversa? "Vocês são falsos."

Suigetso riu e eu também não pude evitar. 

"É claro, a aula da Sakura é o que nos sustenta uma vez por semana. Além do mais, ela sempre tem novidades para contar, enquanto você sempre diz a mesma coisa: "hoje eu desenhei um vestido, hoje eu desenhei uma calça...", explicou Suigeto, imitando Ino. 

"Eu tenho novidades!", berrou, irritada. "O seu curso também é sempre a mesma coisa, mas eu sempre pergunto."

"Mesma coisa, mas eu tenho certeza de que você não saberia resolver uma questão sequer da minha prova."

"E nem você da minha!"

Eu permaneci à deriva, ouvindo a discussão dos dois. A qual eu tinha certeza de que demoraria uns dois séculos para ter um fim. Cruzei os braços e tossi alto, tentando chamar a atenção de Ino e ver se ela notava que eu estava um pouco incomodada. Eu sabia que Suigetso não teria a minima capacidade para isso. 

"Vamos para a cafeteria logo, chega de discussão", a loura resolveu e saiu andando na frente, sendo seguida por Sui, que ria. 

Fiquei lá parada, com as mãos nos bolsos e a cara de bunda. Não sabia o quê falar, ou o quê fazer. Meu corpo travou quando Ino virou para trás e ergueu as sobrancelhas. Ela perceberia que eu estava mentindo, com certeza. 

"Quer ajuda para andar, Haruno?"

Balancei a cabeça e engoli em seco. Olhei para trás e mexi no cabelo, as primeiras coisas que um mentiroso faz antes de inventar algo. Então sorri amarelo e comecei:

"Então... é porque hoje eu não vou poder ir. Combinei que ajudaria uma colega de classe a resolver alguns exercícios. É coisa séria, ela pode ser expulsa se não conseguir a nota". Depois que me dei conta do que eu estava dizendo e percebi que Ino e Suigetso assentiram, acreditando piamente em tudo, me senti uma perfeita mentirosa. "É isso."

"Por que não nos falou antes?", Suigetso perguntou, fingindo-se irritado. "Assim eu teria vindo de carro."

Ino concordou.

"É verdade. Como eu vou embora?"

Fiz uma careta e fiquei alguns minutos pensando na resposta para aquela pergunta. Eu revesava olhares entre o rosto da loura e o chão de pedras. 

"Peça para Deidara ir buscá-la. Se não, Suigetso pode te acompanhar."

Ela mostrou a língua e Suigetso pareceu ter uma tremenda vontade de erguer o dedo do meio. Os dois foram embora, ambos irritados. Porém, ao envés de fazer o certo e escolher meus melhores amigos de infância, eu dei de ombros e saí correndo feito uma louca desesperada até chegar ao laboratório. 

Havia um prédio lá perto, e ao passo que eu me aproximava do laboratório, eu me arrastava pela parede de tijolos vintage do prédio. Queria ver se Sasori já estava lá, ou se haviam mais pessoas. E então, percebi que a escada estava vazia, nenhum sinal do ruivo. Naquele momento, eu comecei a soar frio e pensar que aquilo poderia ser um trote, ou até pior: algum daqueles caras que matou Gaara que tivesse me reconhecido. 

"Bu!", a voz rouca e grossa, porém em formato de sussurro, penetrou em meus ouvidos, fazendo-me pular e colar as costas na parede. "Espionando alguém?"

Um sorriso escapou de meus lábios e, como se o chão fosse uma espécie de imã para meus olhos, eu só consegui olhar para ele. Os cabelos vermelhos ficavam ainda mais intensos com o sol da tarde refletindo sobre eles. A repentina aproximação de Sasori, quase prensando-me na parede, me fez corar e ficar ofegante. Eu sentia estar fazendo algo muito errado. Na verdade, era errado, eu tinha Deidara. 

"Por que você... me chamou?", eu perguntei, tentando fazê-lo se afastar. 

Lutava contra meu próprio corpo. Era como se Sasori tivesse se tornado o imã, porém um mais forte, que atraía o meu corpo por inteiro. Era quase que irresistível e eu rezava internamente para que ele não desse em cima de mim, porque eu não conseguiria me controlar. Pensar em Deidara não era o suficiente, por mais que isso me destruísse por dentro. 

E enquanto todos estes sentimentos de culpa, desejo e receio lutavam dentro de minha mente, um simples sopro de ar que saiu diretamente dos lábios de Sasori para meu rosto, fez-me perder a sanidade. 

"O que você acha?" 

Eu não disse nada, apenas deixei a onda daquele momento me levar. Senti seu corpo pressionando-me ainda mais contra a parede, sua respiração praticamente regulava a minha em mesma intensidade. As mãos dele passaram a alisar minha cintura, descendo para a bunda. Encaixou os lábios nos meus, começando uma dança insaciável e deliciosa, completamente eletrizante. A culpa e a consciência de que aquilo era totalmente errado só me faziam querer experimentar mais de Sasori. Experimentar mais do erro. 

"Você é tão gostosa." 

Sua boca era pressionada em meu pescoço, mas ele não o chupava, tinha receio. Eu também não queria uma marca, Deidara iria descobri-la, por mais que eu tentasse esconder. O garoto apertou minha bunda, fazendo-me arfar com aquelas mãos macias e mágicas. Mordeu meu lábio inferior e, sem que eu esperasse, pegou-me no colo, massageando-me a coxa. 

"S-sasori."

Ele sorriu entre o beijo, nossas línguas travavam uma batalha que certamente não teria derrota por nenhuma das partes. Enrolei as pernas em sua cintura e ele envolveu-me com os braços que, a propósito, eram musculosos e possuíam duas coisas que me enlouqueciam: veias saltadas, comedidamente, é claro, e uma gigante tatuagem Maori. Sua pele era macia e o gosto doce de seus lábios, viciante. 

Mas então, quando as coisas começaram a esquentar, o celular de Sasori vibrou dentro do bolso. Pude senti-lo por causa de nossa proximidade. Nos separamos, mesmo com certa resistência. Ele fez uma careta e atendeu o aparelho. 

"Tá, eu já estou indo!", bradou, irritando. "Quê diabo você está dizendo? Certo, certo... estou aí em cinco."

Eu o encarava, ofegante. Sasori guardou o celular novamente e mordeu o lábio inferior, se aproximando novamente de mim. Porém, dessa vez, sem o desejo se antes, ou pelo menos, sem expressá-lo tão bem. Selou nossas bocas como se fosse uma despedida. De fato, era. 

"Amanhã, aqui?", sussurrou. 

Eu quase respondi que sim, mas me lembrei de Ino e Suigetso. 

"Não posso me encontrar com você neste horário", disse eu, firmemente. 

Sasori sorriu, balançando a cabeça para os lados, como se dissesse "sem problemas". Ele segurava minha cintura com certo zelo e relutância em soltá-la. 

"Que tal me passar seu telefone?"

Eu dei de ombros e ele me deu o celular, para que assim eu pudesse escrever meu número. O fiz, então Sasori carinhosamente beijou minha testa e foi embora. Fiquei lá, parada e ofegante, olhando para as suas costas largas, até que ele desapareceu. Escorreguei até o chão, o sol já estava quase a se por inteiramente. Pensei em Ino, em Deidara. Aquilo era uma tremenda traição a ambos, algo horrível. Mas inevitável. 

O quê eu falaria para Deidara? Ou, melhor, como eu reagirei ao me encontrar com ele da próxima vez? E se um gemido em nome de Sasori escapar por meus lábios quando eu me relacionar com meu namorado? 

E foi assim que eu me levantei novamente e joguei a mala sobre os ombros, caminhando até o estacionamento da Stanford. Aquilo era assunto para pensar em outra hora, no momento eu só queria chegar em casa e fazer minha exaustidão cessar enquanto eu comia uma bela pizza e esperava o vizinho da frente chegar. 

Teria coisa melhor? 


Notas Finais


E foi isso. O que acharam?

Beijos, até o próximo!
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Tatuagem Maori: Os Maoris são um povo nativo da Nova Zelândia, a tatuagem está entre seus costumes, representando crenças e mitos mais valorizadas dentro da tribo do tatuador e do tatuado, sendo que cada desenho pode representar um sentimento ou característica da personalidade. A tatuagem é composta por desenhos geométricos e tribais que contam a história da pessoa tatuada. Atualmente, ela faz sucesso entre todos os povos, não só os Maoris.
No filme Moana, podemos observar estes desenhos nos braços de alguns homens da tribo.


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