História O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Diário, Romance
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Palavras 2.618
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Saga, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - 02.05.18 Quarta (noite)


Fanfic / Fanfiction O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 11 - 02.05.18 Quarta (noite)


De: [email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Dia cheio O_O

 

Boa noite, amiga! Caramba. Ainda estou meio… Sei lá… Nas nuvens?

Ok, vamos lá. Tem coisas legais, e outras nem tão legais assim pra contar, mas vou começar do início (minha nossa, Issac, jura?). Começar contando pelo fim não vira.

Bom, a busca por trabalho durou praticamente a tarde toda. De boa, isso é um saco. Se eu consegui algo? Bem, sim e nao… Está mais pra “não”, só que, calma! Vou por partes.

(pega um cházinho/cafézinho, e senta que lá vem história…)

Apesar de hoje ser quarta, quando saí senti um clima de segunda-feira (acho que por causa do feriado de ontem). Entreguei meu currículo em vários lugares que eu encontrava. Desde borracharia até escritórios no centro. Na borracharia, o cara me olhou de baixo até em cima, praticamente me medindo. Ele levantou a sobrancelha, pegou o papel da minha mão e deu uma risadinha. Perguntou se eu estava zoando. Aí ele… putz… Ele devolveu meu currículo e falou “não estamos contratando bonequinhas de porcelana”.

Sim, ele falou exatamente isso.

E tinha um pessoal por perto (funcionários e clientes da borracharia) que rachou de rir. Sério, eu não sabia onde enfiar a cara. O que há com essa gente? PORRA! O problema era por eu estava arrumado? Claro que eu estava, eu quero a droga de um emprego!

E se eu tenho uma aparência longe de ser truculenta que nem eles, meio andrógino, E DAÍ? Precisa ter jeito de Rambo pra fazer essas coisas?

Não, não precisa. Eu sou perfeitamente capaz.

Às vezes eu me olho no espelho e amaldiçôo o fato de eu ser… assim. A Hellen dizia que eu era lindo exatamente por ser como sou, mas, sei lá… Palavra de (ex)melhor amiga não conta (sei que ela só tentava me agradar).

A verdade é que minha aparência faz as pessoas me julgarem.

Que se fodam, eles…

Depois disso eu fiquei mal um tempo. Dava a impressão de que todo mundo iria rir de mim se eu chegasse com um currículo. Sabe aquele sentimento ruim de que a merda vai se repetir, não importa onde você vá? Então.

O pior é que entrei numa loja e gaguejei. Não consegui falar direito, amiga… Mesmo sendo algo super simples como pedir emprego e deixar currículo. As pessoas ficaram me olhando como se eu fosse um alien (puta que pariu, que coisa ruim). Dei meia volta e achei melhor ir almoçar. Escolhi o primeiro restaurante que achei. Era simples de tudo, com aquele esquema de self-service. A garçonete me atendeu pra perguntar se eu queria beber algo também, e ficou me encarando de um jeito… Pensei “pronto, até aqui?”, mas depois, na hora de pagar ela meio que deu umas piscadas e mordeu o lábio, e perguntou se eu queria dar um passeio qualquer dia desses.

Tipo… Hein?

Amiga, me diz uma coisa… Eu estava imaginando coisas ou ela deu em cima de mim? Eu achei que sim (na verdade, tive certeza). Ela parecia legal, e era até bonita. Mas pra mim não teria como ser nada além de uma simples amiga… Você sabe o motivo. Eu pedi desculpas, e disse que não tinha interesse. E ela ficou murchinha, tadinha.

Mas isso fez eu me sentir muito melhor (não o fato de eu ter chateado ela, mas sim por ela ter se interessado em mim). É que… significa que a olhada que eu recebi dela não era de “cruzes, que menino estranho”, e sim algo mais positivo. E lembrei daquelas meninas na praça, que comentei outro dia (que ficaram me apontando e cochichando entre si). Uma esperança bem pequenininha nasceu em mim de que elas não estavam me achando um “E.T.”, e sim algo semelhante à garçonete… Humm, talvez.

Aff… Hahaha!

Amiga, eu estou me sentindo um “total freak” agora. Um homossexual se sentindo aliviado porque recebeu cantada de uma mulher! Bem bizarro, eu sei. A Hellen dizia que eu era o cara mais “fofo” que ela já tinha conhecido, mas… Eu não dava bola (não dizem que “fofo” é um feio arrumado? Ou era outra coisa?). Mas, enfim… Acho que eu estava mesmo precisando daquela “cantada” pra levantar meu astral (pra fazer eu acreditar que não sou assim, tão ruim). O bom é que não era a Hellen falando (que falava só pra me deixar felizinho), e sim uma total desconhecida que não me deve absolutamente nada. Foi espontâneo. E foi ótimo porque depois disso eu consegui continuar a saga da entrega de currículos.

Com minha bike, andei por quase toda Vale do Ocaso. Entendo bem melhor a cidade, agora. Eu poderia ser até motorista de Uber, hahaha. Só que, tipo… Eu gastei todo o meu dinheiro no Pântano dos Mosquitos – o que é muito melhor que um carro, não me entenda mal!

Só quando estava começando a escurecer é que voltei pra casa. Acontece que tinham interditado a avenida que eu estava passando, e no desvio prcisei passar ao lado do cemitério.

Lembra que eu comentei como esse horario do pôr-do-sol é misterioso e ao mesmo tempo estranho e cheio de sentimentos densos? Ok, agora imagine isso tudo, só que ao lado do cemiério…

Meu Senhor do céu… Você não imagina, amiga. Bem nessa hora, eu ouvi um grito vindo lá de dentro.

Sim, um grito. Horrendo. Eu juro que pensei que fosse desmaiar ali mesmo, porque correr eu não consegui. Mas depois do grito vieram uma porção de xingos. Aí eu meio que relaxei, hehe. E o medo foi substituído pela curiosidade.

O portão era a poucos metros de onde eu estava, então entrei. No meio de vários túmulos de concreto (alguns bem pomposos, até) tiha um senhor agachado, rogando todas as pragas que devia conhecer. Quando ele me viu, me xingou também… O_O … Perguntou por que eu tava parado olhando e mandou eu ajudar. Fiquei tão sem reação que não restou mais nada além de eu ir ver o que ele queria, mesmo. Ele tinha metido a enxada no pé… Ahrg, que corte feio, amiga. Mas ajudei ele a ir até a casinha onde ele trabalhava (dentro do cemitério, mesmo) e ali ele mesmo meio que se medicou. Velho teimoso, não quis que eu chamasse ambulância, nem nada. Disse que já tinha feito isso centenas de vezes e um monte de blá blá blá… Ajudei ele a limpar e a fazer a atadura no pé.

E foi assim que consegui um bico enquanto o Seu Antonio (o caseiro lá do cemitério) não fica bom. Hoje mesmo terminei de arrancar uns tufos de mato pra ele, que crescem por todos os lados perto das lápides e dos túmulos, entre as rachaduras de concreto. A partir de amanhã vou ter que limpar as passarelas de paralelepípedo e lustrar com cera os tumulos do pessoal que paga pela manutenção.

Amiga... Vou limpar tumulo!  Hahahahhahaha... To rindo é de nervoso, aqui!

MAAAS... Você está errada se acha que foi isso que me fez chegar flutuando em casa.

Acontece que... Eu falei com ele! Sim, meu vizinho! Aahhh, meu Deus, só de lembrar daqueles olhos brilhantes gela meu estômago…

Então. Agora vai fazer pouco mais de uma hora. Eu cheguei com a bike e, quando parei para abrir meu portão ouvi alguém correndo atrás de mim. Eu tinha acabado de voltar do cemitério, então eu meio que… É, eu assustei. Mas aí vi ele, com aqueles cabelos se movendo enquanto ele corria… Na minha direção! Meu coração virou um tambor e eu fiz aquela cara de tonto mudo (de novo) por um tempo. Até que ele chegou perto de mim meio ofegante (se eu disser que não pensei bobagem com aquela respiração gostosa dele, estaria mentindo), e estendeu a mão.

Oh, você não é o garoto que vi no mercado outro dia?”, ele perguntou, meio que inclinando a cabeça pro lado (que lindo!). Eu dei uma respirada e desembuchei. Disse que sim, meio gaguejando (pra variar ¬¬) e aí ele mostrou na outra mão um jornal. Na hora eu fiquei meio “hein?”, mas aí lembrei que falaram no telefone que eu receberia o primeiro exemplar de minha assinatura ainda hoje.

Ele se apresentou. O gato loiro se chama Nicolas (o nome combina muito com ele), e ele disse que ficaram um tempo rondando o meu portão sem saber o que fazer (pelo jeito a fama de que minha casa estava abandonada era grande). E como ele não tinha ido trabalhar, foi ver o que “o estranho” queria ao rondar a vizinhança.

L-U-C-K-Y <3

Por causa disso eu conversei um pouco com o Nicolas. Ele falou “Então você é meu novo vizinho? Fiquei sabendo que alguém tinha comprado o casarão, mas pensei que fosse alguma empreiteira que iria demolir tudo. Hãã, você veio com seus pais?”.

Ele com certeza deve ter pensado que eu era um adolescente de uns 16 anos, porque quando falei que tenho 20 ele ficou impressionado. E quando eu disse que estava morando sozinho, o queixo dele caiu (imagina um loiro gato, e pasmo… era ele).

Eu meio que gostei, hehe. Ele estava conversando comigo tão de boa… Sorria com facilidade, e passava a mão no cabelo de vez em quando. E ele me olhou nos olhos de um jeito que… Ahhh… Se ele me chamasse pro quarto naquela hora eu iria. E dane-se que ainda sou virgem (é, eu sou, você nem imaginava?). Eu daria minha virgindade pra ele sem pensar duas vezes. E o pior é que enquanto ele falava da cidade, de como é Vale do Ocaso, eu fiquei pendurado nos olhos dele e em cada palavra que aquela boca maravilhosa proferia. Eu tava com 30% de atenção no que ele falava (porque eram realmente coisas mais banais da cidade) e os outros 70% de atenção em cada detalhe daquele deus grego gostoso.

Sim, ele é gostoso pra caralho. Não vou medir minhas palavras… Lindo e tesudo. Deve ter uma bunda deliciosa, também (hey, um garoto pode sonhar, não pode?). E ele falava com desenvoltura, também. Do jeito que sabe sobre as coisas da cidade (e da forma como conversa com naturalidade e carisma) poderia ser um guia turístico, tranquilamente… As pessoas viriam até Vale do Ocaso só pra ouvir ele falar, de tão delícia que é aquela voz sexy.

Ah, céus…

Naquele momento, ele tinha olhos só para mim (a rua é meio deserta, e a frente de meu portão é afastado de todas as outras casas, como eu já mostrei a você - por isso eu era a única coisa para a qual dava para ele olhar - LUCKY AGAIN). E eu não travei dessa vez… Consegui conversar com ele como um ser humano normal. Fui parando de gaguejar, e consegui fazer as perguntas certas (sobre a cidade e talz) e dar risada nas horas certas em que ele soltava alguma piadinha banal, daquelas de quem ainda está se conhecendo, sabe?

Acabei descobrindo que, na minha nova/velha casa, morava um velho solitário há cerca de oito anos. Ele morreu de enfarto e, por causa do hábito misantropo dele, ninguém tinha sentido falta do coitado mesmo depois de uma semana de sua morte… (imagine isso!)

Ele criava cães, cinco deles, e treinou os bichos para pegarem as correspondências e as encomendas que ele fazia. De acordo com o Nicolas, até as compras de mercado ele fazia por telefone, sem querer sair, e os cães levavam as sacolas para ele (eu não consigo imaginar isso dando certo… bizarro pra caralho).

Eu, hein! Espero não me tornar um Sr. Roberto (é como chamam o velho que morou aqui antes de mim).

Então, ainda de acordo com o Nicolas, certo dia alguém foi entregar alguma coisa no portão e viu que os cachorros estavam com a boca suja de sangue e fedendo à carniça. Foi essa a dica de que tinha algo errado… O velho morreu, e por isso os cachorros ficaram sem ração. Quando a polícia entrou teve que atirar dardos tranquilizantes nos bichos, porque estavam agressivos e muito famintos, querendo comer qualquer coisa que vissem na frente. E o Sr. Roberto estava… Bem, você deve imaginar, não deve? É uma descrição bem nojenta, a que Nicolas me deu.

(foi por isso que a casa estava tão barata… o pessoal da região sabia da história e acabou criando um tipo de estigma sobre o local… sorte a minha!)

O Nicolas me contou isso como se fosse uma história de terror. Acho que ele estava tentando me assustar, ou algo assim. Mas eu não conseguia parar de olhar para ele, admirado. Juro: ele deve ter pensado que eu estava assustado com a historia, porque eu estava com a boca entreaberta e olhando pra ele quase sem piscar. Mas a verdade é que eu ainda estava (e ainda estou!!!) meio bobo porque ele estava conversando tão de boa comigo. Nossa, ele tem uma risada TÃO gostosa de ouvir... Sabe aquele som que parece que vibra dentro do seu peito? Ahh... Eu podia ficar ouvindo ele falar o dia inteiro. Nem que ele ficasse só lendo um discurso entendiante. Com aquele conjunto de voz, aparência e carisma, até se ele lesse bula de remédio teria um brilho singular.

Mas o tempo foi passando, e ele olhou pro relógio e disse que precisava entrar. Eu respondi “ah, ok… tudo bem” e tenho certeza de que soei meio decepcionado, porque ele hesitou antes de sair. Perguntou se eu ficaria bem, sozinho (que lindo!). Eu ri, falei que “estou sobrevivendo, até agora”, e ele riu de volta… Comentou que achou legal saber que tem um novo vizinho, e que o casarão não está mais abandonado. E então ele estendeu a mão e eu apertei.

Queria ter eternizado aquele momento… Parece que a mão dele tinha uma corrente elétrica, que percorreu todo o meu corpo. Não sei se é impressão minha (ou se o tempo parou só na minha cabeça), mas parece que o aperto de mão e aquele silêncio entre a gente durou uns milésimos de segundos a mais do que o necessário.

Ok, ok. Eu sei que estou vendo coisas onde não devia. Não se preocupe, não vou criar expectativas sem bases. Não quero me machucar…

E depois disso ele se foi. Eu entrei pelo portão barulhento (tenho que por óleo naquilo!), mas fiquei meio que espiando ele por trás de uma das árvores daqui da casa. Ele não olhou para trás. Seguiu até a casa jardinada dele e entrou.


 

… Ai, amiga…


 

Nicolas... Nicolas... Nicolas! Ou será que aqui, entre a gente, eu poderia chamá-lo de NICK?

Do jeito que eu tô falando dá até a impressão de que estou apaixonado. Ele é bonito e simpático, mas... Sério, eu já sofri antes gostando de caras inalcançáveis (não quero repetir aquela dose de dores). E tem outra: eu acabei de conhecer o cara! Foi uma conversa entre novos vizinhos, e nada mais.

É muito cedo pra eu dizer que gosto de alguém.

Mesmo porque, me deu aquele sentimento ruim com a palavra “inalcançável”. A situação pode parecer “toda fofa” ao se olhar de fora, mas isso doi um pouco, amiga. É melhor eu maneirar meus pensamentos e, principalmente, os sentimentos.

Boa noite, amiga... Acabei deixando o e-mail grande demais hoje (qualquer dia desses posso escrever um livro, kkkkk… só que não ¬¬).

Bye-bye, minha amiga misteriosa. Sonhe com os anjos.

Eu sonharei com dois anjos, hoje: com você… E com o Nick. =)

Mas você é melhor, porque com você posso me abrir sem receios. Com você eu sou o Isaac sem filtros. Um Isaac nu, sem as máscaras que a sociedade impõe.


 

… Obrigado, amiga. Falar com você tem sido para mim um lenitivo sem precedentes!

Obrigado, obrigado, obrigado!


Notas Finais




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