História O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Boyslove, Diário, Romance
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Palavras 4.111
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - 06.05.18 Domingo


Fanfic / Fanfiction O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 15 - 06.05.18 Domingo


De: [email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Abiga, eu dô resfriado…

 

 

Boa tarde, amiga! Como foi sua sexta? Bom, a minha foi…

Bem...

Como sempre, vamos por partes.

Primeiramente, me desculpe pelo silêncio de ontem. Eu quis escrever este e-mail com mais calma para me lembrar de tudo (e também, acabei assistindo os campeonatos de StarCraft e Heroes of The Storms que está tendo).

 

Enfim… Depois que eu enviei aquele último e-mail pra você, fui até a casa do Nicolas. Aquela noite estava absurdamente LINDA, e com aquele perfume misterioso que parece vir das estrelas. Eu estava sorrindo que nem um bobo, mas quando cheguei na frente da casa de flores ele estava sentado na escadinha de entrada com uma garota…

Uma garota absolutamente linda.

Eu quase dei a volta pra desistir de tudo (não estava afim de ficar vendo ele se pegando com uma namorada durante uma festa onde não conheço ninguém), mas aí ouvi a moça gritar “É ele, o Isaac?” (ou seja, me viram!) e aí ela veio correndo na minha direção… E me abraçou. Nossa, eu não sabia o que fazer. Ela parecia excessivamente contente, pegou em meus ombros e me olhou como se pudesse enxergar minha alma.

Juro que deu medo.

Quando o Nick falou que um garoto tinha mudado pro velho casarão eu não acreditei”, ela falou, sem largar meu ombro. Pra minha sorte, o Nicolas apareceu atrás e esclareceu. Ele falou no meio de um riso “Essa louca aí é minha irmã”.

Caramba, naquela hora eu quis me jogar de costas, com os braços abertos, e gritar “uuufa”.

Depois que ele explicou eu olhei melhor pra ela, e… Putz, não é a tôa que eu tinha achado a garota muito bonita. Eles se parecem demais. Ela também tem olhos verdes, e o cabelo é uma cortina loira que vai até os quadris.

Jaqueline Belson, o nome da irmã de meu vizinho (de quebra descobri o sobrenome dele). O Nicolas a chama de Jack, e ela chama o irmão de Nick (se alguém me falasse só os apelidos, eu juraria que são dois rapazes). Mas eu não aderi aos apelidos, com eles (só falo “Nick” aqui com você).

Até que a Jaqueline parece ser boa pessoa, mas me alugou bonito enquanto esperávamos a carona. O Nicolas mal conseguia falar um “A”. Ela conversava sobre tudo, me perguntava de onde eu vim, se eu tinha irmãos (não, não tenho), se eu não tinha medo de morar sozinho no casarão, e… Se eu tinha namorada (ela perguntou isso com a mesma naturalidade que se pergunta “você curte rock?”).

Olha, eu juro que tentei não olhar pro Nick nessa hora, mas esses meus olhos me traíram, e eu olhei. Ah, cara… Tenho certeza que fiquei vermelho, mas que merda! Ele estava só olhando como quem não quer nada, sabe? Pelo jeito desinteressado que ele estava agindo, percebi que ele não tem o menor interesse nesses detalhes da minha vida (embora eu esteja muito curioso sobre tudo na vida dele).

O fato é que eu respondi um “não” meio sem jeito. Achei que eu fosse ter que contar sobre mim, mas não.. Ela simplesmente continuou com outros assuntos, com a maior naturalidade do mundo, sem se importar muito com o fato de eu ser solteiro. Parecia uma metralhadora de comentários, cheia de pilha. Me fez rir em várias horas, e isso fez com que eu acabasse achando ela legal.

Pouco tempo depois chegou um carro com um casal. Mariana e Samuel, uns amigos da Jaqueline. Tinham um estilo bem hippie. Falavam tudo meio “tranquilão” e devagar. Teve umas horas que eu quis apertar o botão de “acelerar” pra eles terminarem as frases mais rápido.

Que maldoso eu, né… Desculpe.

A Jaqueline me puxou pra parte de trás do carro junto com ela, e o Nicolas sentou do meu lado. Eu fiquei exatamente entre os irmãos Belson. As duas beldades. Mas a beldade que me interessava estava à minha esquerda, desligado demais do papo da Jack e dos hippies nos bancos da frente (eu também, nem prestei atenção no que falavam - era assunto interno, daqueles que um estranho bóia total, sabe?).

O Nicolas parecia entediado, mas olhou pra mim e deu uma piscada. “Valeu por vir”, ele falou. Ahhh… Eu fiquei meio aéreo. Só consegui dar um sorriso de volta, mais nada.

Nossa, que piscadela mais… Oh God. Sem palavras. Virei pro outro lado e só balancei a cabeça (a cara dele gozando me veio à mente… maldito momento de lembrar do vídeo proibido).

Eu não queria me sentir assim. Juro que não queria essa coisa brotando que nem erva daninha no peito… Ficar perto dele é tipo estar grudado numa tomada de alta voltagem. Sentia o toque da perna dele na minha, os ombros encostados nos meus… Tão quente… Embora eu também sentisse o mesmo no lado da Jack, era algo indiferente. Só o meu lado esquerdo que estava vibrando. Eu não conseguia ficar “de boa” (como o casal da frente insistia pra mim - o novato). Ficava encolhendo os dedos do pé dentro do tênis…

No fim, a viagem de carro não durou nem 5 minutos. A casa em que entramos era daquele casal (Mariana e Samuel), e já estava cheia de gente.

Uma casa bonita. Com decoração toda zen, mas de ótimo gosto! Ficou evidente que eram pessoas bem de vida. Móveis todos rústicos, combinando, parecia aquelas revistas de decoração, mas com tema meio indiano. A única coisa que destoava era a música. Era eletrônica, ou techno, sei lá o estilo (eu costumava chamar de “putz-putz”, rs)… Tinha umas luzes presas na parede girando, e uma porta larga que dava para um enorme quintal dos fundos, onde tinha uma piscina. Ninguém me avisou que teria isso… E mesmo se eu soubesse, acho que não teria levado roupa de banho.

Na hora que a Jaqueline passou pela porta, todo mundo gritou, assoviou, e começou um coro de “Jack! Jack! Jack!”. Eu, todo tapado e burro, descobri só naquela hora que a festa de boas vindas era para ela.

O Nicolas deve ter percebido que eu estava meio estranho, porque perguntou “Está tenso?”. Nossa, amiga. Que vexame ter deixado transparente que eu estava me sentindo um peixe fora d’água. Mas no fim eu só dei de ombros, meio que concordando.

Era verdade, ué.

Eu não estou acostumado a festas. Principalmente uma onde eu mal conheço duas pessoas. Fiquei me perguntando: que tipo de relação aquele povo todo tem com o Nick? Não, não é ciúme… É curiosidade. Por exemplo, quem ali ele conhecia bem? Quem ele conhecia só de vista? Foi o que eu fiquei pensando quando peguei uma latinha de cerveja que ofereceram.

E olha que eu nem curto alcoólicos. Mas tem hora que simplesmente… Precisa. Sei lá.

Acho que fui meio pedante. Eu colei no Nicolas (porque eu não conhecia mais ninguém) e a gente ficou sentado perto da piscina, conversando sobre coisas seguras. Seguras, que eu falo, é: filmes, games… Descobri que ele curte jogar também, só que não no PC, como eu. Ele joga em PlayStation4 (que eu não tenho). E ele disse que qualquer dia eu poderia ir na casa dele para jogarmos juntos.

Jogarmos… juntos…

Eu fiquei, tipo “oh, meu Deus”. E a cena de ele se masturbando veio na minha mente de novo. Maldito subconsciente… Eu engasguei com a cerveja, foi meio ridículo.

Ele riu e deu aquela batidinha nas minhas costas. “Nossa, a ideia de curtir um game comigo é tão ruim assim?” ele perguntou, obviamente brincando. Eu só dei risada, tentando evitar de olhar pra ele, porque eu sei que já estava ficando vermelho (uma boa parte pelas lembranças, e uma outra parte pela cerveja… sou fraco para álcool).

Depois de um tempo o pessoal começou a se jogar na piscina, e a gente teve que se afastar. Só que… Olha a merda. A Jaqueline veio correndo pro meu lado e me agarrou. Ela gritava “Vem Isaac! Vem Isaac!”. Caímos juntos na água (que, surpreendentemente, estava aquecida).

E aí… A parte mais bizarra: ela pegou meu rosto e me lascou um beijo na boca.

… Aham… Isso mesmo que você leu.

Caramba, aquilo foi estranho. Mas não foi beijo de língua, não. Só um selinho, daqueles estalados. Deu pra notar que ela já estava meio alta. Deve ter misturado um monte de coisa.

Pela segunda vez naquela noite eu pensei que iria ter que dar aquele discursinho chato de “então, eu não curto minas”, mas aí ela nadou até um outro cara e… deu um selinho dele também! Eu devo ter ficado com os olhos do tamanho de pratos, porque o Nicolas começou a rir de mim. E aí a Jack foi até uma garota, e a beijou também… E depois outra… Achei estranho, mas meio que fiquei aliviado (tipo, não era só comigo). Ouvi a voz do Nicolas se sobressaindo no meio da muvuca: “Ela é meio doidinha mesmo, é o jeitinho Jack de ser, desencana!”.

Então tá, né… E eu já beijei garotas antes, então não é como se ela tivesse roubado algo de mim.

Quando eu menos percebi, o Nicolas estava do meu lado… Pulou por si mesmo. Estava todo molhado e com a camiseta colada no peitoral. A camiseta branca dele ficou meio transparente… “De-Li-Ci-O-So!”, foi o meu subconsciente gritando lá no fundo.

Eu tenho certeza que ele notou eu encarando os mamilos dele mais do que o necessário. Putz, lembrando agora, ele com certeza percebeu, porque estava com os olhos colados em mim. Estava meio sério, de um jeito… sei lá, misterioso (que droga ele estava pensando? Merda! Porque eu tive que encarar? Ele deve ter sentido nojo de mim, isso sim).

Eu quis morrer naquela hora. Mas ao mesmo tempo… Uma parte de mim já tinha morrido e ido pro céu. Nuss, eu tive que desviar rápido e pensar em outras coisas, porque eu estava começando a ficar duro em plena piscina.

Aqueles cabelos grudados no rosto dele… Aquela boca carnuda semiaberta, molhada… Ele cuspindo a água…

Parecia que tudo acontecia em câmera lenta diante de mim.

Bem que o Nicolas poderia fazer a mesma coisa que a Jaqueline, né?

… Hum, pensando melhor, não. Eu não iria curtir ver ele dando bitocas em outras pessoas.

No fim, ter entrado na piscina foi até que divertido. A gente brincou um tempo de vôlei na água (colocaram uma rede separando a piscina em dois lados), só que a Jaqueline me puxou pro time contrário ao Nicolas. Mas depois uma galera saiu pra dançar na sala, outros foram jogar truco, e uma galerinha ficou num canto fumando (acho que era maconha), e o vôlei de piscina foi esquecido.

O Nicolas não fez parte de nenhum desses grupos. A gente saiu da água e ficou sentado na beirada com os pés lá dentro (estava tão quentinha… piscina aquecida é outro nível, hehe). Eu achei que era uma boa hora para matar aquela curiosidade, sobre ele conhecer ou não o pessoal. Perguntei, e ele disse que tinha ido ali só por causa da irmã, e que mal conhecia aquelas pessoas – era galera da Jaqueline, não dele. “Antes de voltar pra casa, ela me fez prometer que eu viria, mesmo sabendo que eu não conheço bem os amigos dela… Daí eu vi você de bobeira levando o lixo pra fora e te arrastei junto comigo”, ele explicou, rindo e mordendo a língua de lado, como se tivesse feito uma traquinagem (eu quis responder algo como “pode me chamar sempre que estiver sozinho”, mas não fiz isso… seria avançar um passo arriscado demais… eu acho).

Nesse papo fiquei sabendo que a irmã dele estava fazendo um intercâmbio no Canadá e depois de um ano finalmente voltou. Apesar de ter ficado afastada tanto tempo, ela mora junto com o Nicolas naquela casa cheia de flores (o que significa que ela também é minha vizinha!). E eu joguei aquele verde “Não é ruim quando você quer um momento mais íntimo com a sua namorada?”.

 

Nessa.

Hora.

Eu.

Gelei.

 

E esse gelo não foi pela expectativa da resposta, não. É que ele me olhou mais demoradamente, como se estivesse tentando ler minhas segundas intenções.

Minha pergunta deu tanto na cara, assim? Poxa, foi só uma curiosidade que qualquer cara hétero poderia ter! Pelo menos, eu acho que sim…

Mas, bem… Depois daquele olhar raio-x ele virou pra baixo e balançou a cabeça. “Que nada, não tô com ninguém… Sou solteiro”, foi a resposta dele.

Entendeu? Ele é sol-tei-ro.

Lindo, gostoso, bom de papo, e solteiro. Só falta descobri se ele… hãã… curte caras. Caras como eu. Mas não tenho a menor ideia de como sondar isso. E não adianta falar que ele está dando sopa, porque… Eu não quero interpretar os sinais dele de forma equivocada. Pode ser MESMO que ele só esteja sendo legal comigo.

Eu já fui legal com algumas minas, quando estava no ensino médio, e elas confundiram minha gentileza com cantada. E isso era super, super, chato.

Por isso, vamos com calma, senhor Isaac Rodrigues!

Mas, enfim… Quando ele falou isso meu subconsciente deu um pulo e socou o ar. Mas por fora eu só falei “oh”, e encarei um sapato de salto perdido no fundo da piscina.

O que você está achando da cidade?”, ele perguntou, pra quebrar aquele gelo estranho que ficou entre a gente. E eu contei pra ele as coisas que falei pra você (ÓBVIO que só a parte INOCENTE, sobre passeios fotográficos e busca por emprego).

Ele riu quando eu falei que estou trabalhando no cemitério, no lugar do Seu Antônio (um riso divertido, não de deboche… ele foi bem legal). Confesso que fiquei morrendo de vergonha na hora, mas isso deu uma pauta pra gente conversar.

Acho que essa coisa de morar sozinho num casarão e trabalhar no cemitério é, no fim das contas, realmente bizarro aos olhos das pessoas.

Acho que, porque eu estava meio tímido, ele disse que sou um garoto intrigante (com ele me analisando daquele jeito, não tinha como ser diferente). Disse que meu olhar é meio… penetrante, como se eu estivesse tentando lê-lo (sim, ele falou exatamente isso). Ah, amiga, eu fiquei quase em choque naquela hora. Meu subconsciente gritou lá no fundo da minha mente “vou mostrar pra ele o que é penetrante”. Senti minha cara fervendo de vergonha de mim mesmo e de minha mente depravada.

Eu dei de ombros, meio constrangido, e bem nessa hora a Jack apareceu com umas amigas. Ela me puxou e disse que eu tinha que ir dançar. “Você é gatinho demais pra ficar de papo furado com meu irmão”, ela falou (é… o_o). Eu não queria. Eu simplesmente detesto dançar quando tem gente por perto… Sei lá. Não faz meu estilo.

Mas eu fui. Olhei pro Nicolas com um mix de alívio (porque eu não sabia o que responder sobre o “olhar penetrante”) mas também lamentando sair de perto dele. Justo quando eu senti que… Sei lá. Senti que a gente estava se investigando. Ele só me olhou de volta, vendo eu ser arrastado pela Jaqueline… Aquele maldito olhar insondável não me deu nenhuma dica do que ele estaria pensando.

Afinal, o que raios eu esperava? Como sou idiota…

Estava tocando algum pop que eu não conheço (minha praia é rock, Breaking Benjamin, Trapt, 30’Seconds, essas coisas), e a Jack começou a dançar na minha frente, tentando me ensinar o que eu tinha que fazer.

Eu não tinha bebido o suficiente pra fazer aquilo. E de longe percebi que o Nicolas estava assistindo, com um risinho de canto de lábio… Como quem se diverte com meu infortúnio.

Desgraçado… -_-’

Todo mundo ali estava meio bêbado. Tinha duas minas se beijando num canto. Eu só consegui pensar “Uau!”. Bem que o Nick poderia ter ido pra fazer a versão gay do beijo homossexual, né? Comigo, claro.

(…pfff… tô zoando aqui, mas, sinceramente, se isso acontecesse eu acho que desfaleceria no meio da festa)

No fim das contas eu comecei a me mexer, e depois de uns minutos eu descobri que é bem divertido dançar pop com um bando de gente que está pouco se fodendo pra “coreografia correta”. A Jaqueline, apesar de bêbada, estava muito diva com aqueles cabelos loiros enormes virando pros lados.

Ela colocou os braços em meus ombros e foi aí que eu fiquei preocupado…

Eu definitivamente não quero criar um clima estranho. Ainda mais se a menina for a irmã do vizinho gato.

Mas ela não falou nada, nem avançou. Só ficou dançando, com os braços apoiados em meu ombro e os olhos fechados, enquanto mexia a cabeça no ritmo da música. Eu meio que não sabia o que fazer com as mãos… Cintura? Costas? Ai, Jesus… No fim optei por colocar minhas mãos nos ombros dela também. Pra ficar o menos íntimo possível.

De vez em quando eu olhava procurando o Nicolas. Ele começou a conversar com um cara, lá na beira da piscina. A Jaqueline estava tão “em outra vibe” que acho que nem notou meu desânimo.

Chegou uma hora que eu disse que precisava usar o banheiro. Até que era verdade, mas… Mesmo se não fosse, eu teria inventado essa desculpa pra sair da pista de dança improvisada (uma sala sem os móveis). Assim que eu saí, fui novamente para perto do Nicolas. Ele ainda estava com o rapaz lá, e falava alguma coisa sobre a viagem da irmã. Amei perceber que o cara estava afim da Jaqueline (isso aê, não coloca seus olhos no meu Nicolas!).

Quando a gente ficou sozinho de novo ele perguntou se ela tinha me alugado muito. Eu não disse nem que sim, e nem que não. Eu meio que ri, olhando pro chão.

Ela é sempre tão espontânea assim?”, eu perguntei, apontando a piscina. Ele pareceu entender que eu falava do beijo.

Acho que ela está tentando enturmar você no pessoal dela”, ele respondeu. “É o jeito da Jack… Sei que ela é estranha, mas vai por mim: beijar na boca e dar um abraço apertado é quase a mesma coisa para ela”.

Foi mais ou menos o que ele falou. É difícil lembrar as palavras exatas. Mas isso me deixou mais tranquilo. Ela tem mesmo um jeito todo hippie, de boa com a natureza, e até vi ela compartilhando o “cachimbo da paz”, se é que me entende. Ainda bem que ela não fala mole igual a Mariana e o Samuel. Ela é ligada no 220, parece uma criança de sete anos que tomou café.

Depois de um tempo ela veio dizendo que a gente iria dormir lá, e eu dei GRAÇAS quando o Nicolas disse que ele não queria (porque, de boa, aquele povo já estava ficando meio zureta, e eu não consegui me enturmar nem um pouco naquela vibe). Eu aproveitei a deixa dele e falei quase como um desesperado “eu também não quero ficar”. Ela ficou meio triste. Não por mim, foi mais pelo irmão. Durante a festa eu percebi que ela tentava levar ele pro lado “zen” da vida. Só que não é a praia dele (nem a minha).

No fim, o Samuel (o hippie dono da casa chique) emprestou um dos carros dele pra gente voltar pra casa sozinhos, porque todos ali estavam sem condições de dirigir. Quando a gente passou de novo pela sala, cheia de gente deitada aqui e ali (umas três ainda dançando, pra lá de Bagdá), eu percebi que atrás do sofá tinha duas pessoas. Não dava pra ver bem, mas pelos sons tenho certeza de que estavam transando.

Caraca… rs.

Lembrei da música do Eduardo e Mônica… “Festa estranha, com gente esquisita”, hahaha. Se bem que o pessoal parecia legal, mesmo que não seja o estilo de gente com quem eu costumo fazer amizade.

O Nick é mais meu tipo ;-) (brincadeira… eu não estou me iludindo, só zoando… acho)

Entrar no lado do passageiro, somente com o Nicolas no carro, ao volante, foi tenso. Eu não sei como ele estava, porque não fiquei dando bandeira. Sentei no meu lugar e fixei o olhar num ponto qualquer da janela. Mesmo assim, apesar de eu estar nervoso, desejei que nossas casas não fossem tão perto…

Ele quebrou o silêncio primeiro. “Você costumava ir a muitas festas antes de se mudar?”. É claro que não, né… Para mim isso é óbvio, eu sei. Não faço esse estilo, de sair muito. Há uns anos a Hellen até tentou me arrastar pra umas baladas (outro dia conto sobre isso), mas eu me sinto melhor num ambiente mais caseiro. Foi isso que eu expliquei a ele, e me surpreendi quando ele concordou, dizendo que também é mais “de boa”.

Ele comentou que a Jaqueline sempre foi assim, e que quando os pais deles eram vivos, tinham medo que ela se desviasse. Eu fiquei meio surpreso, então perguntei sobre isso, sobre os pais deles… Morreram há três anos num acidente durante uma viagem (pegos por raios na beira da praia), e deixaram a casa florida como única herança.

É muito ruim quando a gente ouve algo assim, né? Naquele outro e-mail eu estava falando merda do meu pai, e na mesma noite ouvi do Nicolas que ele daria tudo pra poder ficar mais uma horinha com o dele.

Olha, tudo bem… Eu sei que às vezes pareço meio ácido demais sobre meus pais, mas… Eu ainda estou com muita coisa acumulada sobre eles. Entalada na garganta, sei lá. Esse tempo longe está sendo crucial pra eu meio que me refazer. Catar meus cacos e olhar no espelho sem me sentir um merda.

Não quero meu pai morto. Não sou cruel assim. Só não quero mais dividir o mesmo teto.

E eu mudei bruscamente de assunto, sei disso… Foi mal. É que me senti mesmo culpado quando lembrei do que falei do meu pai. Ele ainda é um monstro que vive dentro de mim e que eu ainda não aprendi como lidar.

Aiai…

A viagem de volta, como eu comentei antes, foi mais rápida do que eu gostaria. No fim das contas, a conversa sobre a Jaqueline e sobre os pais dele tomou todo o tempo. Ele guardou o carro na garagem, e na hora de se despedir deu aquele aperto de mão “de brother”, com um tapinha nas costas. Abriu aquele sorriso de matar Isaac mais uma vez e falou “Aê, sério mesmo… Valeu por me salvar de ficar sozinho”. Eu dei de ombros (ô mania infernal essa minha) e respondi “Precisando, é só chamar”. E ele falou “Você também, Zak… Se precisar de ajuda na sua casa assombrada, eu e a Jack estamos a uma corridinha de distância”.

Ahhh… Ele me chamou de “Zak”… Eu fiquei meio bobo na hora. Só concordei e dei tchau…

O que eu ia fazer? É claro que minha vontade era pular em cima dele e agarrá-lo todo. Por isso que a escolha sensata foi dar a volta e seguir pro meu portão de Drácula. Na minha casa vazia… Sem o calor de ninguém.

Depois de ter ficado tanto tempo no meio daquela barulheira cheia de gente, foi um pouco estranho deitar sozinho, sabendo que a pessoa mais próxima estava a 60 metros de distância (o Nick, na casa dele).

É… Confesso que naquela noite a solidão doeu bem fundo.

Acho que não é só a solidão. Tem algo a mais, sei lá. Uma angústia ruim que surgiu, eu não sei bem. Não gosto de me sentir assim quando penso nele.

Putz, que raiva de mim mesmo.

E pra “ajudar” (só que não) eu fiquei meio resfriado. Estou até agora tomando chá com limão e gastando um monte de lenços de papel (meu nariz está com a ponta assada, já).

Sobre ontem… Meu sábado foi quase morto. Fiquei o dia todo (todo MESMO) jogando, ou assistindo o campeonato, e de nariz escorrendo. E hoje também, mesma coisa (embora eu já esteja melhor)…

Fiquei com os acontecimentos da sexta à noite em looping na cabeça, por isso quis contar com tantos detalhes neste e-mail.

Eu não quero esquecer nada, sabe?

(no fim das contas, o saldo foi meio que positivo, acho… se bem que, dos irmãos Belson, não era da Jack que eu queria ter recebido um selinho…)

Sempre que acontecer coisas diferentes assim, vou tentar lembrar dos mínimos detalhes, para que um dia eu mesmo possa voltar no e-mail “isa.sk8” e ler tudo (a propósito, nem adianta mandar nada nesse antigo, porque eu programei uma mensagem automática de resposta).

Bom, eu vou parar por aqui. Curtir um pouco essa solidão e tentar entender por que está doendo tanto…

Que seu finalzinho de domingo seja maravilhoso, amiga!

Até mais!


Notas Finais


💘💘💘

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