História O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 17


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Boyslove, Diário, Romance
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Palavras 1.560
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - 09.05.18 Quarta


Fanfic / Fanfiction O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 17 - 09.05.18 Quarta


De: [email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Eu sou um cubo mágico desmazelado

 

 

Boa noite, amiga! Olha eu aqui mais uma vez… Você não está enjoada de mim, não?

Bom, foi tudo tranquilo no trabalho. Tão tranquilo quanto a morte deveria ser.

Mas por dentro eu não estou tranquilo. Tem um incêndio maldito queimando aqui dentro, e aposto que você sabe quem é o responsável…

(se você respondesse que o responsável sou “eu mesmo”, por ser um babaca que se deixa levar por sentimentos, eu te daria um troféu pela sinceridade e pela precisão, amiga… mas suspeito que você pensou no Nicolas, e é dele mesmo que eu estava falando).

Eu já tomei banho e estou com um agasalho de moletom, sentado no chão da minha sacada e olhando pra esse monte de árvores, e ouvindo uma orquestra de insetos (aprendi a amar esse som).

E também olhando para a casa florida.

 

… Hoje, quando voltei, ele estava conversando com a vizinha da frente (a frente dele!). Parece que era sobre alguma praga que atacou os vasos dela, porque o Nick estava explicando uns trecos sobre podagem e pesticidas. Quando eu passei ele me cumprimentou (deu uma impressão que o rosto dele se iluminou quando falou “e aí, Isaac!”, eu gostei disso), e a senhora ficou me olhando meio com a boca aberta e depois ela cochichou algo com ele.

Cacete, por que as pessoas acham que fazer isso está ok? Ela virou descaradamente no ouvido dele, escondeu a boca com a mão em concha e falou sei-lá-o-quê. Por que não fala na cara?

Bom, o fato é que o Nicolas deu aquele sorriso lindo e respondeu pra ela “É ele, sim”. E me chamou… Com isso, imagino que ela deve ter perguntado sobre eu ser o novo morador do Pântano dos Mosquitos. O que mais seria?

Enfim, eu fui até lá. Ele estava deslumbrante, com uma jaqueta jeans toda estampada em preto e vermelho. Se alguém dissesse que ele estava servindo de modelo pra uma revista de moda, eu não duvidaria. Gato e estiloso… Um pacote completo pra me foder.

Er… Eu não quis dizer naquele sentido, e sim no sentido de eu me ferrar por olhar para ele dessa forma…

Ah! Você entendeu!

Ele me apresentou pra senhorinha. A dona se chama Maria Onésia.

E aqui peço licença (e perdão) para dizer que meu subconsciente maldito fez a associação inevitável com “maionese” (me perdoe esse meu subconsciente sem educação). Naquela hora tive que tossir para evitar o riso. Mas pelo jeito que ela me olhou, acho que meu disfarce não funcionou muito. Ela me cumprimentou só balançando a cabeça, e parecia que tinha chupado limão. Então, ela respirou fundo, colocou a mão no ombro do Nicolas e falou em alto e bom som “Obrigada, querido, por ser um dos poucos homens gentis que eu conheço… Vou fazer o que falou e depois digo se deu certo”. E deu as costas, entrando na casa dela.

Agora, seja sincera… Aquilo que ela disse, não foi indireta. Foi diretíssima, bem no meio das bolas.

Mas quer saber? Tô pouco me fodendo. Não tenho que ficar grilado só porque a Senhora Maionese não foi com a minha cara.

Assim que ela fechou a porta, o Nicolas olhou pra mim e abafou um risinho. “Não é difícil de irritar ela, relaxa”, ele falou. E eu segui ele até o outro lado da rua, na frente do portão dele. E ele começou “Eu sei porque você riu”. Eu só arregalei os olhos e falei “Sabe?”. Aí ele meio que mordeu o lábio (quase morri) e revelou que, quando era criança, tanto ele quanto a molecada de lá chamavam a Maria Onésia de Dona Maionese. Falou que já recebeu dezenas de castigos por esse motivo, e que por isso imaginou o porquê de eu ter disfarçado o riso.

Que péssima primeira impressão eu passei”, falei, e ele concordou, achando a maior graça.

E nessa hora, nossa… Não sei como explicar. Teve um silêncio meio longo, mas eu não me senti constrangido. Fiquei olhando pra ele, e ele de volta.

Dessa forma mesmo: um olhando pro outro sem falar nada, e sem fazer expressão nenhuma. Deve ter durado uns dez segundos (parece pouco, mas conta aí… quando duas pessoas estão se olhando em silêncio é… nossa…).

Ah, minha querida amiga… Só de lembrar o meu coração se acelera (e aperta), e dá vontade de chorar (é como se tudo se concentrasse nos olhos, uma merda isso). Eu quis beijar ele… Era tudo o que eu queria fazer. Avançar e testar aquela boca. E… Ele me olhava como se eu fosse um cubo mágico complicado de se resolver, sabe?

 

O

Que

Raios

Se

Passa

Na

Cabeça

Daquele

Homem?

 

É o que eu queria saber, porque ele simplesmente ficou me encarando… Sem avançar nem retroceder. E eu permaneci admirando aquelas pedras verdes, aquele brilho que está me deixando meio burro.

Pareceu um jogo pra mim. Sustentar aquele olhar. Mas acho que o Nicolas deve ter ficado sem graça, porque ele meio que balançou a cabeça e olhou pro lado (quase como se estivesse espantando um pensamento… só queria saber QUAL).

Foi quando ele puxou assunto perguntando o que eu faço naquela “casa enorme” quando não estou trabalhando no cemitério (a casa nem é tão grande assim, é só o terreno que é gigante, e a casa tem um andar em cima - o que não é grande coisa).

Você também não acha que ele falou disso só para espantar algo da própria cabeça? Não dá essa impressão? Isso me deixou aflito e com vontade de aprender a ler mentes.

É que… Aquele olhar não foi normal. Ninguém encara os outros assim, do nada. Pensei tanto agora a pouco que estou com a cabeça girando…

No fim acabei comentando sobre os games que jogo (principalmente StarCraft). Expliquei que eu não faço muitas coisas ainda, e que a casa nem está mobiliada (pois é, ainda não comprei nada para a casa).

Aquele momento (depois daquela encarada), pareceu artificial… É como se, ao começar a mergulhar, um medo viesse e a gente tivesse voltado pro raso. Eu ainda vou entender o que se passa naquela cabeça loira do Nicolas. Juro que vou! Ou eu não me chamo Mário!

(ok, eu não resisti à piada… hehehe)

O mais frustrante é que nessa tentativa de permear por assuntos rasos e seguros, ele atolou o pé numa lama desgraçada quando perguntou “E sua mãe? Vai ver ela nesse domingo?”.

Naquela hora meu subconsciente gritou “Porra, Nicolas!”.

Por que ele tinha que falar justo dela? Eu acho que ele percebeu meu desconforto, porque se desculpou. Eu expliquei que a gente não estava exatamente se falando, e ele fez uma cara meio triste.

Se eu pudesse ter um minuto que fosse para falar com a minha mãe…”, ele falou (meio amuado), e depois ficou quieto, olhando pro tênis. E eu, que já estava com o peito meio dolorido por causa dessa bagunça de sentimentos e dúvidas, fiquei ainda pior. Não respondi nada (eu ia falar o quê, droga?).

E aí ele olhou pra mim de novo, só que dessa vez não daquela forma penetrante de quem quer me desvendar. Não… Dessa vez ele tinha um sorriso meio triste, e tenho certeza que os olhos dele estavam úmidos. “Liga pra ela ainda hoje… Resolve isso o quanto antes, pra não se arrepender depois”.

Ele falou isso enquanto colocava a mão no meu ombro. Tive a impressão de que ele ia falar algo a mais, só que em vez disso ele se virou e entrou na casa florida meio cabisbaixo…

Eu…

Ah, que merda. Eu não fiz nada errado, fiz?

Isso foi foda. Ver ele assim.

Foda. Foda. Foda. Uma flecha ardida direto no peito.

Eu fiquei parado na frente da casa dele um tempo, meio desnorteado. E só então que vim pra cá, pro meu quarto.

Ainda estou sentado no chão da minha sacada, mas está começando a ficar frio… Preciso entrar logo, senão vou ficar resfriado de novo.

Novamente queria que você estivesse aqui comigo pra me explicar o que foi essa porra toda. Não consigo tirar aquele olhar da minha cabeça… (ou melhor, aqueleS olhareS… tanto o enigmático quanto o triste). Simplesmente não consigo!

Eu não queria, mas… Acho que preciso admitir, nem que seja só para você, que estou gostando do Nicolas. Não adiantou tomar cuidado, apenas… está acontecendo!

Como se controla isso? Mas que droga, como eu paro essa porcaria? Como se cancela esse inferno se instalando aqui?

Eu não quero… Eu definitivamente não quero isso… Não quero me sentir assim…

Porque tá doendo, droga.

 

 

… E aquele vídeo…

Ah, merda… Por que eu gravei aquilo?

Eu vou apagar.

É muito podre de minha parte ter guardado algo assim. Estou me sentindo a pior pessoa do mundo. Eu simplesmente não tenho o direito.

 

 

Ok, o vídeo já era. Deletei sem assistir, porque a expressão que quero me lembrar do Nick agora é outra.

Queria poder fazer o mesmo com essa dor. Deletar.

Aiai… Vou tomar um banho e depois vou seguir o conselho que o Nick me deu.

Sim, amiga. Vou ligar hoje mesmo para minha mãe. Não vou esperar quinta, como eu tinha dito.

E seja o que Deus quiser.

Boa noite, amiga… Que seus sonhos sejam lindos.

 

Abraços de seu ZakRod.


Notas Finais


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