História O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Boyslove, Diário, Romance
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Palavras 1.623
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - 24.04.18 - Terça


Fanfic / Fanfiction O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 2 - 24.04.18 - Terça


De: [email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Testando isso aqui…


 

Hã… “Querido diário”?

Nossa, não mesmo… Assim não dá. “Diário” é uma coisa meio idiota… Brega pra caralho.

É que eu decidi que, assim que eu chegasse na casa nova depois da mudança, eu começaria a escrever sobre meus dias. Tipo num diário, mesmo. Mas… “querido diário” soa artificial demais. Quem é que fala com a porra de um objeto? Perdoe meu palavreado, mas é que eu não vou olhar para um caderno e dar bom dia pra ele.

Não, eu não vou.

Se eu tô de mau humor? É, acho que sim… É que hoje foi um dia foda. Me imagine abrindo os braços e colocando um letreiro: “O dia da mudança”. Fiquei nada menos que cinco horas no carro com um cara que tem um péssimo gosto pra musica! E eu nem conheço ele direito… No meu lugar, qualquer um estaria de mau humor.

Pelo menos não tinha aqueles papos estranhos de quem não tem o que falar e inventa qualquer merda.

Aiai, ok, eu estou azedo demais, eu sei. Péssimo começo.

Essa coisa de “escrever sobre meus dias” foi ideia de uma amiga minha, a Hellen. Eu conseguia conversar de boa com ela antes que ela começasse a namorar (ô namorico pedante e grudento o daqueles dois). Sinto como se tivesse perdido aquela amizade de antes, sabe? Ela se afastou muito. E depois da faculdade só piorou. Arranjou a turma dela… Meio que matou nossa "dupla dinâmica". Já tem quase um ano que a gente já não tem assuntos em comum, embora eu tenha encontrado ela esses dias...

Enfim, não estou aqui para falar dela. Isso só vai piorar meu humor.

E também não quero fazer um diário...

Acho que vou mandar isso pra mim mesmo por e-mail. Tenho aquele “isa.sk8.2010” que eu fiz no “hotmail” quando era criança. Não acesso aquilo mais, então vai ter que dar pro gasto. Posso fingir que é uma amiga imaginária, por que não?

É, farei exatamente assim… Finalmente aquele e-mail ridículo vai servir pra alguma coisa.

Então… Oi, amiga imaginária. Hã… Vou começar a te mandar umas porcarias de vez em quando… (aff, ainda acho que meu mau humor tá afetando o que escrevo).

Vou tentar melhorar: eu sou o ZakRod. Bem, na verdade, esse é o apelido que eu uso no StarCraft II (e em praticamente todo jogo online)… Meu nome mesmo é Isaac Rodrigues e tenho 20 anos de puro tédio e monotonia (vamos ver se uma mudança de casa pode fazer algo por mim). Eu sou meio retraído, nunca fui de ter “uma galera”, e faço o melhor miojo que você já comeu na vida… E juro solenemente contar tudo.

… (só espero não me arrepender disso algum dia).

Esse aí, com cara de quem não sabia que ia ser fotografado, sou eu.

[foto anexa no início]

Foi a Hellen que tirou, da ultima vez que a gente se encontrou, há duas semanas. Eu fui na casa dela achando que seria legal, mas… Só um monte de papo furado e raso (e ela chamou uma galera da facul dela, então… Definitivamente foi uma merda).

A luz está estranha porque ela colocou uns abajures psicodélicos na sala. Mas eu meio que gostei da foto. Apesar de que não sou de me achar grande coisa, afinal, olho pra essa mesma cara toda vez que estou diante do espelho…

Bom, chega de falar da minha cara esquisita. Estou no meu primeiro dia nessa nova cidade, e ainda não conheço ninguém. Quando eu digo "ninguém", quero dizer que ainda não topei nem com os vizinhos, pra você ter uma ideia! Minha mãe pediu pra eu esperar até semana que vem pra fazer a mudança, no feriado do dia do trabalho, mas como já estava tudo pronto não quis esperar. Ficar remoendo ansiedade é pior, e eu já estava de saco cheio de ficar lá ouvindo merda com aquelas indiretinhas.

Quer saber do que eu estou falando sobre as “indiretas”? Bom, sei que prometi contar tudo, mas… Ainda não estou exatamente a vontade com isso de “escrever sobre meus dias”. Eu nem DORMI na nova casa, nem VIVI aqui ainda… Então… Um passo de cada vez. Me dá um tempo pra acostumar, ok?

Tenho que respirar. Pegar o jeito, ainda.

Não me odeie…

Minhas coisas couberam todas numa caminhonete de um conhecido de meus pais (aquele que falei no início do e-mail, que tem péssimo gosto musical), e o resto veio tudo espremido na minha mochila (notebook, eletrônicos, e… minhas cuecas). E quando cheguei, hoje as 4h da tarde, provavelmente todos ainda estavam trabalhando (a rua estava quietona, e o que mais chamava atenção eram as flores de uma casinha aqui perto… deve ser de alguma vovó zelosa).

Estou só eu aqui na casa. Hoje deveria ser uma data marcante… “Dia 24, o dia que Isaac se mudou”. Mas, não. Estou tomando Guaraná Antárctica quente e sem gás (porque não deu tempo de gelar e chacoalhou demais no carro), e não tem ninguém aqui comigo pra dizer “oi, Isaac, bem vindo”. Mas não estou reclamando! Isso são só pensamentos bestas que vieram alto demais. É que esse silêncio, de estar somente eu aqui é... uma mistura de tranquilizante com esquisito. Por isso me veio esse pensamento nada a ver.

Agora são… 19h46. É aquele horário em que o dia foi embora e a noite começa a se instalar. Daqui onde eu estou olhando ainda consigo ver o topo das árvores lá fora, contrastando com o céu. Daqui a pouco nem isso vai dar pra ver mais.

A sensação é esquisita… Já parou para observar o anoitecer dessa maneira? Sem ninguém perto? Sem barulho de carro e de gente tagarelando?

Parece que ela (a noite) tem uma coisa misteriosa. Principalmente num lugar como esse que vim morar: sem aquela muvuca de cidade grande. Parece mágico! Só que ao mesmo tempo o silêncio da humanidade junto com o barulho dos insetos faz com que tudo pareça mais denso. Exato, essa é a palavra: denso.

É como se… Putz, é difícil de explicar, porra. “Esquisito” define. Ainda mais que vou morar sozinho. Eu, as aranhas no teto, e esse monte de poeira que ainda tenho que limpar.


 


 

… Acho que deixei passar uns cinco minutos desde a ultima frase que escrevi, porque meu PC até entrou em proteção de tela, aqui. Mas acho que, depois de pensar um pouco, agora eu tenho a definição perfeita: olhar pra esse inicio de noite dessa maneira, com tudo silencioso, é como se, de alguma forma algo dentro de mim ecoasse. Não tem ninguém comigo, não tem barulho de música, nem de televisão, nem de gente gritando, nada… Só eu, a natureza e o céu. E isso meio que me força a olhar pra dentro de mim mesmo.

Entendeu? E é aí que a coisa começa a ficar melancólica. É aí que começa a doer. Acho que ninguém gosta de olhar (de verdade) pra dentro de si mesmo. É meio assustador. Os pensamentos começam a vir, e eu acabo perdido, sem saber o que fazer com eles. Acho que a gente está vivendo numa era onde ignoramos demais nosso “eu” e nos distraímos com as tecnologias.

É por isso que nunca teve tanta gente deprê na face da Terra. Ninguém quer dar essa pausa. Porque cansa olhar pra si mesmo. Aliás, não cansa… Dói.

Isso faz sentido?

… Acho que todo mundo devia fazer um diário! As coisas vão vindo de um jeito que… Caramba. Talvez um dia eu crie coragem de colocar aqui todas as coisas que se passam na minha cabeça (sim, “um dia” porque ainda não tenho essa coragem toda).

Acho que foi uma boa ideia essa da Hellen: escrever sobre mim, para mim (ninguém vai ler essa porcaria, mesmo). Aliás, se eu pensar dessa maneira pode ser que eu acabe pulando algumas coisas. Tenho que botar na cabeça que eu estou escrevendo pra outra pessoa: você, amiga.

Seja lá onde você estiver, seja lá quem você for…

Mas tenho certeza de que você tem um sorriso bonito. Daqueles que faria eu querer ser seu melhor amigo forever.

Então, amiga… Eu vou tentar contar nesses e-mails tudo sobre mim, da melhor forma que eu conseguir. Tudo o que me vier à mente, desde pensamentos insanos até acontecimentos que eu normalmente não falaria nem pra Hellen... Tipo, tudo mesmo, com todos os detalhes que eu me lembrar, ok? Mas… Na medida que eu for me sentindo mais a vontade, também. Só não garanto que vai ficar bom, porque eu não sou muito dessa coisa de ler e escrever. Provavelmente o que vou colocar aqui é uma serie de relatos monótonos. Afinal, foi disso que minha vida foi feita até hoje: monotonia.

Mas pode ser que eu goste de ler isso daqui há uns anos, sei lá…

Quem sabe agora, morando sozinho aqui em Vale do Ocaso, algo mude, não é? Ok... Por enquanto tenho que transformar essa casa num lar aceitável. No momento estou sentado no chão da varanda de madeira e com o notebook no colo (é um daqueles modelos da "Positivo", que dá pro gasto para as coisinhas que preciso fazer). Minhas caixas com a mudança estão empilhadas lá na sala vazia.

Não estou afim de mexer nisso... Ah, que saco. Muita casa para poucos móveis.

Acho que vou dormir com eco, hoje. E com o som dos milhares de insetos que comentei. Parece uma sinfonia de outro mundo. Simplesmente… Nossa. É outra vida isso aqui.

E apesar da sensação de solidão, pelo menos vou ficar longe de “certas coisas”, agora…

Antes só do que mal acompanhado, não é o que dizem?

Pelo menos tenho você.

Boa noite, amiga…


Notas Finais


Aviso: O nickname “ZakRod”, para StarCraft II, é fictício.
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.




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