História O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 64


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Boyslove, Diário, Romance
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Palavras 2.743
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Atenção: este e-mail é de semana passada (veja data do título). Leiam com isso em mente (peço mil desculpas pelo atraso enorme T_T).

Capítulo 64 - 03.08.18 Sexta


Fanfic / Fanfiction O Monótono Diário de Isaac - Capítulo 64 - 03.08.18 Sexta


De: [email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Estou cansado disso tudo… E ainda não acabou

 

 

Ah, que semana, amiga…

Aliás, me desculpe. Boa noite, antes de tudo! Estou deixando meus modos de lado, acho.

Minha dor de cabeça está forte hoje… Tenho estado assim esses dias: não durmo bem, e fico com dor de cabeça o dia todo.

Na segunda-feira fomos à delegacia. Os gêmeos ficaram me esperando pela manhã, sentados na minha nova (e minúscula) mesa de jantar. Fizeram questão de ir comigo. Como eles têm a chave (e eu já fale para eles pararem com o hábito de pedir licença pra entrar) nem perguntaram se eu queria a companhia deles, simplesmente disseram “vamos te levar, e ponto final”.

Ok, vou parecer um ingrato agora, mas… A verdade é que eu queria ir sozinho. Tenho vergonha de tudo o que passei, por mais que eles fiquem falando toda hora que eu sou a vítima, e não tenho do que me envergonhar. Mas a verdade é que… tudo o que aconteceu…. é degradante.

Quando desci (já vestido e com dentes escovados porque o banheiro fica no andar de cima, junto com meu quarto) eles se levantaram quase como uma espécie de solenidade. O Nicolas estava com a chave do Gol, e tinha uma expressão de dignidade no rosto. Imagino que fosse aquela máscara extra de força e coragem que as pessoas colocam para dar apoio às outras mais fracas.

Ele não disse nada, apenas continuou me olhando (sei que ele estava tentando me ler). Já a Jack, veio para perto de mim e segurou minhas bochechas, perguntando se eu estava pronto. Ela tem feito isso ultimamente (apertar minhas bochechas e puxá-las) no intuito de me arrancar uma risada. Geralmente funciona, mas naquela manhã de segunda, não deu. Eu só fiquei parecendo uma gosma desanimada e bochechuda olhando pra ela.

Quando a porta do carro foi aberta para mim, me enfiei no banco de trás (eles queriam que eu sentasse no passageiro, mas por algum motivo me senti mal ali – é como se o banco da frente fosse exposto demais e, como eu já iria me expor, não queria uma dose extra, sabe?).

A delegacia em que fomos é de Vale do Ocaso, mesmo. A Jaqueline disse que a da nossa cidade é melhor do que a de Eloporto nesse aspecto, pois estamos numa cidade pequena, com menos incidências. Logo, eles dariam mais atenção do que o da metrópole vizinha.

Assim que entramos, perguntaram do que se tratava, e eu falei que fui lá para fazer um “B.O.”. Eu devo ter falado tão pra dentro que o policial da recepção não entendeu, e foi a Jack que repetiu no meu lugar. Não sei se está certo isso, mas, eu gostei de poder depender dela naquela hora.

Pena que ela não poderia contar tudo em meu lugar.

O policial pediu para esperarmos um pouco, e não demorou muito até que nos levassem para a sala de um senhor com cara de Papai Noel. Quando eu e a Jack sentamos (pois só tinha duas cadeiras diante da mesa, e com isso o Nick ficou de pé atrás de mim) vi que na placa de identificação dele estava escrito “Delegado Vicente Blanco”. Ele começou nos cumprimentando, e já de cara achei ele simpático (tinha um sorriso bondoso e jeito tranquilo de falar).

Assim que ele cruzou os dedos das mãos, perguntou “E então, por que três jovens estão me encarando numa manhã de segunda-feira?”. Pelo jeito como falou, ele deve ter imaginado que iríamos relatar algum roubo, ou coisa parecida. Então a Jack olhou pra mim, me incentivando a desembuchar.

Não tinha mais como depender dela. E não foi exatamente fácil dizer, com todas as palavras “Vim denunciar um estupro”. Naquela hora, o delegado Vicente perdeu o sorriso e uniu aquelas sobrancelhas grossas de Monteiro Lobato. Ele fez um “Oh” meio chocado, e olhou para a Jaqueline perguntando o que tinha acontecido.

É claro… Ele pensou que ela tivesse sido a vítima, e não eu. Por esse motivo me senti ainda mais estranho ao ter que fazer ele voltar a atenção para mim. “Er… Foi comigo…”.

De início ele ficou me olhando, confuso (deve estar acostumado com homens sendo os estupradores, e não os estuprados). Mas depois que deu uma encarada em meus acompanhantes (deve ter buscado resquícios de piada no rosto deles) voltou para mim e perguntou, abaixando um pouco o tom de voz: “Você que foi estuprado, rapazinho?”.

Me senti um pivete quando ele falou daquela maneira mas, vindo de um “Papai Noel” de farda, não é tão ruim.

Eu confirmei, e então ele pediu licença e se levantou para pegar um papel. Começou a pedir meus dados (nome, sobrenome, RG, data de nascimento, etc) e pediu as mesmas coisas das “testemunhas” (Jaqueline e Nicolas). Quando ele terminou de preencher o papel, pegou o celular e começou a gravar nossa conversa.

Muito bem, garoto… Você poderia me contar exatamente o que houve? Não oculte nenhum detalhe… Fale tudo o que lembrar”.

E eu contei. Comecei desde o que aconteceu na DouxFun, até chegar naquele incidente do dia 27, no quintal da minha casa. O delegado Vicente ouviu com atenção e raramente me cortava (e quando o fazia, era só para pedir um detalhe extra). No relato sobre a briga do Nicolas com o Marcus ele pediu também para que o próprio Nick relatasse sua versão.

Num dado momento, nas vezes em que eu tinha que entrar em detalhes mais constrangedores, o Nicolas apoiou a mão em meu ombro, e a Jack segurou minha mão. Putz, eu quase explodi em gratidão naquela hora (quase na mesma proporção da vergonha que eu estava sentindo). Simplesmente não tenho como expressar o quanto esses dois foram importantes naquela hora (e eu estava querendo ir sozinho! Pfff…).

Uma das partes chatas é que o delegado perguntou mais de uma vez, para confirmar, sobre a questão da não-penetração e da ejaculação. Nossa, foi chato demais ter que ficar falando sobre essas partes. Ele não parecia exatamente convencido, sabe? Por mais gentil que fosse, ele tem uma mente meio retrógrada pra isso. E então ele precisou chamar outra pessoa. Desta vez, uma policial que, além de ser mais jovem, era mulher. O nome dela era Rebecca.

O delegado explicou rapidamente pra ela o detalhe que o estava incomodando: o fato de não ter acontecido uma penetração naquilo que eu chamei de estupro. E, para minha sorte, ela foi enfática quando explicou que qualquer ato sem consentimento é um estupro, mesmo que seja só um toque rápido nas partes íntimas (tipo passar a mão na bunda). Só de falar no assunto ela ficou indignada e irritada (e a Rebecca também pensou que a vítima era a Jack, pois colocou a mão no ombro dela e disse “força”).

A surpresa dela quando soube que era eu foi semelhante que o delegado Vicente havia demonstrado.

E então começou a segunda parte da chuva de perguntas: as provas. Perguntaram se eu tinha algum tipo de evidência, qualquer que fosse, e eu comentei que não lavei as roupas nem os sapatos desde aquele dia. A Rebecca disse que foi correto da minha parte (e olha que nem foi premeditado: eu apenas tinha sentido nojo de misturar com as outras roupas).

Eles (delegado Vicente e a policial Rebecca) disseram que era para eu entregar as roupas do jeito que estavam o mais breve possível, e o delegado também insistiu que eu fizesse um exame rápido num posto ali do lado. Não era um posto de saúde comum, e sim parte do IML. O médico que me viu é daqueles forenses, que analisa vítimas de agressões, de acidentes, e… mortos.

Ele fez umas perguntas básicas (uma versão resumida do ocorrido… eu já estava ficando de saco cheio), e precisou me olhar “ali” (a Jaqueline e o Nicolas não estavam junto nessa hora, era íntimo demais).

Eu… Odiei… Aquilo…

O exame foi inconclusivo, e a única coisa em meu corpo que delatava algum ocorrido era um roxinho da bofetada que ele me deu quando eu mordi a boca dele semana passada (ah, e ele também reparou que já tive experiências anteriores com penetração e precisou perguntar a respeito – cruzes, que vergonha…. Tive que falar sobre o vibrador QUE EU NEM ESTOU TENDO VONTADE DE USAR ULTIMAMENTE POR CONTA DESSA PORCARIA TODA… desculpe o surto… mas foi horrível ter que contar sobre o vibrador para um ser que não tem nada a ver com minha vida).

O médico forense percebeu meu desconforto, e explicou que era parte do processo, disse para eu não me preocupar, que era informação sigilosa, etc (imagino que ele tenha esse discurso decorado para acalmar os pacientes, porque é o trabalho dele). Pelo menos todos ali estavam sendo respeitosos com o ocorrido (e a coisa do vibrador não vazou). É apenas essas formalidades e exames e perguntas que me deixaram cansado (física e psicologicamente).

Quando terminamos, fiquei de passar ainda no mesmo dia para entregar a sacola com as roupas sujas (com o esperma do filho da puta, e com um pouco de vômito meu – que também odeio lembrar).

Ao perguntar o que seria feito do Marcus, o delegado Vicente explicou que mandariam uma viatura para interrogar “o acusado”.

Bom, nós voltamos pra casa e eu peguei as tralhas de roupas que eu tinha deixado dentro da sacola. Desta vez preferi ir sozinho, de bicicleta (eu não queria ficar atrapalhando os dois, que já estavam bem atarefados com a floricultura que, sim, está prosperando aos poucos).

Como eu parei para comer algo no intervalo entre ter voltado para casa e ir novamente à delegacia, foi somente depois de uma hora que apareci por lá novamente. E a cena que presenciei quando cheguei foi quase inacreditável… Eu havia deixado minha bike na entrada (seria irônico se a roubassem na porta da delegacia, não acha?), e estava com a sacola aguardando na recepção (é um local bem pequeno e simples, parece uma casa). Enquanto o delegado Vicente não vinha me atender, ouvi uma voz bem conhecida saindo de um carro, lá na frente.

Adivinha?

O Marcus estava falando alto, gritando que iria matar “aquela bicha desgraçada” (sim, eu…), e quando ele entrou percebi que estava com uma algema às costas, com a Rebecca segurando ele com a ajuda de outro policial.

Fiquei boquiaberto. As provas ainda nem tinham saído de minha sacola, mas o cara já estava algemado… Isso deu um nó em minha mente. Quando o Marcus me notou lá, cuspiu na minha direção (mas não acertou) e começou a falar que, se estivesse com os braços livres, me espancaria ali mesmo. E, antes de entrar na mesma salinha onde eu tinha conversado com o delegado Vicente, gritou “Eu devia ter feito o serviço direito, e arrancado sua língua junto com seus dentes”.

Nessa hora, vi a policial Rebecca dar um sorriso que só depois entendi: aquilo que ele falou seria usado contra ele.

Agora, amiga, você deve estar se perguntando “que raios aconteceu no intervalo entre eu sair e voltar à delegacia”. Bom, se você não está se perguntando isso, pode ter certeza de que eu me perguntei. Acontece que a interrogação que a Rebecca foi fazer na casa do Marcus era apenas rotineira. Mas ele começou a ter atitudes desrespeitosas, cantou ela e depois tentou suborno. E, quando reparou que nada funcionava, partiu para a “padroeira” dele: a santa ignorância.

A policial Rebecca abriu espaço para que o policial entrasse com o Marcus na sala do Vicente, e depois veio até mim. “Foi ele que te prendeu no banheiro e te violentou?”.

A pergunta dela veio acompanhada de uma cara de desgosto. Eu disse que sim, e ela praguejou, inconformada: “É pra limpar esse tipo de lixo que eu trabalho”. Me senti bem por ser ela a estar lá. Não sei explicar, é como se ela me entendesse melhor que os outros (melhor que os caras dali).

Sem mais conversas, deixei a sacola com ela, e voltei para casa. Ao chegar, tive que recontar ao menos umas quatro vezes a história toda para os Belson. Tanto o Nicolas quanto a Jaqueline ficaram pasmos com a ousadia do Marcus (de ter cantado a policial), e com isso começamos a perguntar para a Jaqueline como ela havia tido a coragem de namorar com ele.

Eu era uma adolescente idiota, fascinada por músculos”, foi a resposta. Ela disse que ele sempre havia sido bruto, mas que a cegueira tinha feito dela uma tapada. E eles só se separaram porque ele partiu para outra. De acordo com a Jack, o “orczinho” não é o tipo de cara que deixam terminar com ele.

Cruzes…

Nos outros dias, não tivemos novidades. O Marcus ficou em “prisão preventiva” (está lá até agora) e nós ficamos aguardando que nos contatassem. Foi apenas ontem, quinta-feira, que o delegado Vicente me ligou dizendo que na semana que vem vai ter uma audiência de custódia (tipo uma chance para o acusado se defender), e que eles abriram o B.O. para uma espécie de processo criminal (ou algo assim) pois perceberam que “nesse mato tem coelho” (palavras do delegado Vicente).

Fui instruído a arranjar um advogado (isso me deu um frio na espinha), porque “o peixe é bravo e vai brigar no anzol” (também palavras do delegado). Parece que o Marcus está dando trabalho para eles, com gritaria na cela temporária o dia todo – o babaca está cavando a própria cova, olha isso!

Quanto ao advogado, a Jaqueline disse que sabe com quem falar. Ela conhece um mundo de pessoas, e tem uma gama de amizades que supera o limite do Facebook dela (não estou exagerando, é sério). Está marcado para essa segunda-feira de nos encontrarmos. É uma advogada. A mulher é estrangeira, mas fez o doutorado no Brasil. O nome é Lílian Figueiredo (é de Portugal), e eu estou simplesmente… nervoso.

A mera ideia de que isso tudo virou caso criminal, com audiências, advogados, promotores, juízes e tudo o mais, me dá calafrios. Parece tudo irreal, sabe? Uma sensação de que estou flutuando acima de meu corpo, vendo tudo acontecer como se eu não fosse eu.

Achou isso estranho?

Eu sei. É esquisito pra caralho, mas é assim que estou me sentindo.

Sobre o resultado da perícia com relação às minhas roupas, só semana que vem, também. Eles disseram que eu não vou mais poder tê-las de volta, porque tiveram que recortar pedaços para amostras.

Sinceramente? Por mim, eu tacava fogo naquilo (só lamento pelo tênis, que eu gostava).

Neste momento estou na varanda de minha casa, assistindo a chuva cair. Esses dias molhados estão fazendo com que as plantas fiquem ainda mais vistosas (o que é excelente para os negócios). Mas o mais legal é que não estou sozinho no Pântano dos Mosquitos: dessa vez a “festa do pijama” (que já virou evento oficial pro Lucas nas sextas-feiras) é na sala de minha casa. O Nicolas trouxe a televisão extra dele (que ficava no quarto) e colocou sobre uma estrutura de madeira simples que ele pregou durante a tarde (simples, porém eficiente para o propósito de deixar a televisão numa altura boa).

O Nicolas e o Lucas estão assistindo um desenho, e a Jaqueline foi dar uma volta com o namorado (e vai passar a noite fora). Tem um bolo de chocolate esfriando em cima da mesa, e daqui a pouco, assim que o desenho acabar, vamos comer para dormir.

O Nicolas parece ficar cada dia mais lindo e mais especial, mais divertido e carinhoso. E nessa segunda, dia 6, começam as aulas dele na faculdade. Fico imaginando o Nick lá, no meio de um monte de pessoas diferentes… Ahh… Vou confessar somente a você: estou sim com um pouco de receio (aquela coisa: ele pode conhecer alguém mais interessante), mas tento sempre afastar o pensamento, quando vem.

Eu? Ciumento? Nah, imagine… (sim, estou sendo sarcástico).

Bom, vamos ver no que isso tudo vai dar. Só sei de uma coisa: estou com um prazer sádico de saber que, enquanto escrevo para você olhando a chuva, o Marcus está enfiado numa cela. Tudo bem que é temporária, mas mesmo assim…

Espero que continue lá (sinceramente, espero MESMO, pois se ele sair eu tô ferrado – e o Nick, e a Jack, e talvez até o Lucas).

Creio que por enquanto é isso, amiga…

Que você tenha um final de semana (e início) promissor.

Boa noite, minha querida irmã de alma!


Notas Finais


💙
💙
💙
💙
Oi genteeee! Readers, fujoshis e fudanshis de meu coração, que saudade!

Bem, imagino que tenham reparado que postei somente hoje o e-mail de sexta-feira (03/Agosto). Espero que não tenha sido muito confuso… ó_ò

Peço desculpas pelo atraso. Eu tenho tentado, todas as vezes, postar o e-mail no mesmo dia em que o Isaac envia (para coincidir com a realidade), mas desta vez falhei.

Não foi esquecimento, pois os acontecimentos do diário estão planejados há tempos. São questões que estão complicadas em minha vida pessoal e profissional, uns abacaxis atrás de outros que vão aparecendo, e isso acabou me atrasando.

Espero que não aconteça de novo mas, de qualquer forma, peço que compreendam e perdoem este caracol atrapalhado…

Um super abraço melequento de um caracol que ama escrever, e ama ainda mais poder compartilhar com vocês essas histórias do coração ^_^

K I S S E S x K I S S E S

Lyan K. Levian 🐌


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