1. Spirit Fanfics >
  2. O monstro domado >
  3. Capítulo 3

História O monstro domado - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura meninas!

Capítulo 4 - Capítulo 3


— Eu não posso acreditar que estamos esperando simplesmente Giorgia DeRossi para almoçar.

Alessa exclamou, sorrindo de orelha a orelha.

— Você acha que foi dela que o os filhos herdaram aquele humor?

Perguntei, preocupada.

— Não. Trabalhei em um evento da Famiglia com ela uma vez; não passamos muito tempo juntas, mas ela sempre foi um doce, a classe em pessoa. Provavelmente puxaram ao pai, Thomas DeRossi é um bastardo gigante.

Assenti aliviada.

— Menos mal, então.

Alessa sorriu e deu um gole no chá.

— Falando nela, olha só quem chegou.

Olhei para trás, para vê-la andando em nossa direção com um discreto sorriso no rosto, cabelos perfeitamente alinhados e uma vestimenta que dizia “sou puro poder”. Ela era belíssima.

— Meninas.

Cumprimentou-nos com um leve abraço, beijinhos na bochecha e sentou-se.

— Como vocês estão?

— Muito bem, Sra. DeRossi.

Ela sorriu para mim e disse:

— Querida, seremos da mesma família daqui um mês, então, me chame apenas Giorgia, por favor.

Sorri e concordei.

— Alessa, querida, já faz um tempo que não nos vemos.

— É bom trabalharmos juntas novamente.

— Somos uma bela dupla, sim?

Seus olhos recaíram sobre minha mão, que estava em cima da mesa, e ela abriu um sorriso brilhante.

— Lucca esteve em sua casa ontem, não é?

— Esteve. Nós conversamos, e ele fez o pedido oficial.

Dizer que aquilo foi um pedido era uma piada. Dava a impressão de que eu tivera o livre arbítrio para dizer “sim” ou “não”. Lucca simplesmente pegou o anel e enfiou no meu dedo sem nenhuma delicadeza nos gestos ou palavras.

— Ele foi gentil?

Eu quis rir da pergunta, mas me controlei e decidi mentir. O que, no caso, além de ser a única coisa que eu podia fazer, era o que o destino me reservara a partir do momento que soube do casamento.

— Ele foi um perfeito cavalheiro.

Ela assentiu, hesitante, e forçou um sorriso, o que me fez desconfiar que sabia bem do que seu filho era capaz.

— Tenho certeza de que sim.

Deu um aperto discreto em minhas mãos por cima da mesa, logo soltando-as e voltando o foco ao casamento.

— Bom, vamos ao trabalho, afinal, será um casamento enorme, e não temos todo o tempo do mundo. Alessa, você é muito boa com organização, então, por que não montamos um cronograma?

— Eu estava pensando nisso. O tempo está muito apertado, poderíamos separar determinados dias para organizar cada detalhe.

— Sim, isso é bom. Primeiro o lugar. Será um casamento na igreja, num jardim ou em um belo salão? O que você gostaria, querida?

Oh, sim... eu sabia exatamente o que queria. Sempre sonhei com o dia em que finalmente encontraria minha alma gêmea e me casaria. Já tinha tudo em mente. O casamento dos sonhos.

Pelas próximas horas, nós discutimos ambientação, decorações, convidados e cada detalhe da cerimônia.

Durante esse tempo eu não pensei sobre meu terrível noivo, sobre a vida que me aguardava nem no lado ruim da situação.

Pensei apenas no quão normal parecia estar sentada com minha irmã e minha futura sogra, planejando o dia mais importante da minha vida.

Preocupações ficariam para depois; eu podia fingir que estava vivendo meu sonho e no que fosse possível para realizá-lo.

(...)

— Tive uma reunião com Thom DeRossi esta tarde.

Meu pai falou durante o jantar, naquele mesmo dia, fazendo meu garfo congelar no lugar e deixando-me mais atenta do que nunca ao assunto.

— Sim?

— Alguns Capos não estão felizes com a sugestão de esposa que ele deu ao filho.

— Como assim, sugestão dele?

Meu pai suspirou e olhou para mim.

— Lucca não queria se casar, até falou em abrir mão do controle da Famiglia, mas Thom não aceitou isso.

— Eu não sabia que Lucca precisava seguir qualquer regra de Thom.

Alessa entrou na conversa.

— Bem, ele não precisa. Mas o fato de ter escolhido minha filha não me dá o direito de me meter nos assuntos particulares dos DeRossi.

— Tudo bem, e por que os Capos não estão felizes com o casamento?

Perguntei, insegura. Afinal, uma esposa da máfia precisava ser respeitada. Como filhas, nós tínhamos que permanecer puras e intocadas até a noite de núpcias, eles nos deviam respeito, e se os Capos não me aceitassem isso poderia causar uma guerra dentro das famílias.

— Provavelmente são as mulheres deles falando demais. Não se preocupe, irmã, elas estão apenas invejosas porque você vai ser a mulher mais importante da máfia e não a filha delas. Não que isso seja grande coisa, mas...

Anita deixou as palavras no ar diante do olhar cortante que meu pai deu a ela.

— Estão preocupados que você não aguente a pressão de ser a mãe da Famiglia.

— Pelo amor de Dio, papa, é apenas um casamento! Não é como se ela fosse tomar o lugar dele no controle das atividades ilegais que a organização faz.

— Atividades essas que pagam seu cartão, sua bela casa e seus luxos, então, por que você não fecha a boca e come ou apenas vai para o seu quarto?

Ele fez soar como uma pergunta, mas nós sabíamos que era uma ordem.

Então, Anita jogou seu guardanapo sobre a mesa e arrastou a cadeira, pisando fundo ao sair. Sabíamos que ela o havia irritado, então, ninguém falou mais nada.

Nosso pai não era um homem ruim, mas minha irmã conseguia tirá-lo do sério de uma forma que nós não entendíamos. Rígido e controlado, faria qualquer coisa que fosse necessário, porque a máfia sempre viria em primeiro lugar.

Assim como Lorenzo, nosso irmão mais velho, mais ambicioso e mais estourado, que acatava incondicionalmente as ordens do meu pai e sempre estava pronto para fazer qualquer coisa que a Famiglia precisasse, até sacrificar a si mesmo.

Parei de contar quantos tiros já levou mostrando sua lealdade, por isso, sabia que seria o próximo Capo Bonucci. Bernardo sempre foi o mais protetor comigo e com minhas irmãs.

Embora eu me desse bem com todos, não havia conforto melhor do que os braços do meu irmão.

Ele não tinha qualquer problema em desafiar meu pai, nunca se colocou à frente de uma bala pela Famiglia propositalmente e nunca fez sacrifícios para mostrar lealdade.

Nunca quis demonstrar qualquer concorrência para Lorenzo, e estava no caminho certo.

Já Anita era a alegria da casa, sempre foi aliás. Não havia nem mesmo um enterro que minha irmã não pudesse animar.

Sem contar que demonstrar seu desprezo pela Famiglia nunca foi uma dificuldade; ela estava feliz em anunciar para quem quisesse ouvir que odiava tudo o que a Cosa Nostra representava.

O que já havia lhe causado muitos problemas. E Alessa... Bem, ela foi minha caixinha de segredos por tanto tempo quanto eu podia me lembrar.

Não havia nada sobre mim que ela não soubesse. Não me recordo de uma única vez ter visto algo derrubar minha irmã; ela era como minha rocha.

Sempre sorrindo, sempre se colocando no lugar dos outros, nunca fez de sua prioridade provar qualquer coisa a alguém. E não havia uma única pessoa que não pudesse conquistar.

(...)

Eu estava quase dormindo quando meu celular tocou. Olhei no relógio e já passavam de uma da madrugada. Estranhando o horário, fiquei ainda mais indecisa sobre atender quando vi o número desconhecido na tela. Mas a curiosidade venceu.

— Alô?

— Abriela

Aquela voz...

— Lucca?

Eu a reconheceria mesmo se a ligação fosse tomada por ruídos de um sinal ruim. Acho que mesmo se uma multidão estivesse gritando, eu poderia encontrá-lo por um sussurro.

— A não ser que você tenha outros homens te ligando a esta hora, sim, sou eu.

Como ele ousava? Insinuando que eu recebia telefonemas de homens?

— Não, eu só... Como conseguiu meu número?

— Sei muitas coisas sobre você. De qualquer forma, eu liguei por uma razão

Sua voz era firme e, ao mesmo tempo, rouca.

— Sim?

Engoli em seco, com medo do assunto que levara à ligação, ainda por cima àquela hora.

— Falta apenas uma semana para o casamento, por favor, não me diga que você encontrou outra pessoa.

Seria uma humilhação enorme para mim e para minha família. Assim que as palavras saíram, quis me dar um tapa. Eu deveria querer desesperadamente que ele desistisse de se casar comigo, então, onde é que estava com a cabeça? Não era hora para pensar na humilhação que meu pai passaria.

— Por que diabos eu trocaria você por qualquer outra?

Sua voz adquiriu um tom diferente, de surpresa talvez. De qualquer forma, era pelo menos um tom diferente da constante frieza com a qual me acostumei.

— Eu não sei, papa me disse que os Capos não aprovam o nosso casamento. 

Sussurrei, e sua risada sem humor encheu meus ouvidos.

— E você, por alguma razão, achou que eu mudaria de ideia, baseado na opinião dos Capos?

— Eles são importantes nas decisões da Famiglia.

— Negócios da Famiglia, sim, não com quem eu devo me casar.

Ele praticamente rosnou, e sua voz ficou dura novamente.

— Você é inocente demais para entender os homens, como esses pensam.

— Minha inocência é um problema para você?

— Não, baby, absolutamente, não. Eu não me casaria com qualquer outra delas.

Meu coração parou uma batida.

— Humm, eu...

Minha cabeça entrou em curto. Por um momento desconfiei que pudesse ter imaginado a palavra baby saindo de sua boca, então, apenas murmurei algo diante daquele desabafo.

— De qualquer forma, eu te liguei porque na última festa de aniversário de Evangeline Berlot você ficou com Marco Berlot numa sala por alguns momentos; exijo que me diga exatamente o que estavam fazendo lá.

— O quê?

Eu ainda estava pensando quando as palavras saíram. Quase ri, ele estava com ciúmes?

— Você me ligou para perguntar isso?

— Liguei porque posso. E você vai me responder antes que eu perca a pouca paciência que tenho e vá até aí arrancar a resposta pessoalmente. Agora diga-me!

Rosnou.

Eu queria perguntar se aquilo era ciúme ou se estava apenas mantendo o controle sobre sua “posse”.

— Eu não me lembro. Marco só me procura para falar sobre minhas irmãs. Evangeline irritou Anita na festa, eu a estava procurando quando ela sumiu, então, ele entrou na sala para me perguntar o que tinha acontecido.

Lucca ficou em silêncio por alguns segundos.

— Foi só?

— Sim, foi apenas isso.

— Muito bem. Eu quero que preste atenção no que vou dizer, e não quero ter que repetir. Fora seu pai, seus irmãos, meus irmãos e, logicamente, eu, você não ficará nunca mais sozinha numa sala com qualquer homem. Se eu souber, se eu sonhar, eu vou degolá-lo.

— Lucca, por Dio!

Eu exclamei, horrorizada ao ouvi-lo falar aquilo.

— Sim, eu tenho um problema pescoços, então, cuidado. Por que você não dorme um pouco agora?

— Lucca, eu apenas...

— Agora. Eu já falei até mais do que pretendia.

— Não há problema em conversarmos, passaremos o resto de nossas vidas fazendo isso. Eu o ouvi respirar fundo, sem me dar chance de continuar falando.

— Boa noite, Abriela. Descanse.

E desligou. Não sabia por que Lucca tinha reagido daquela forma, mas, com o tempo, esperava aprender a lidar com ele. Uma coisa era verdade, passaríamos o resto da vida juntos, e eu estava mais do que determinada a fazer dar certo.

( Baby).


Notas Finais


Espero que estejam gostando, Vocês querem outro capítulo hoje?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...