História O Monstro em Mim - Sprousehart - Capítulo 20


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Categorias Cole Sprouse, Lili Reinhart
Personagens Cole Sprouse, Lili Reinhart
Tags Sprousehart
Visualizações 27
Palavras 3.870
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Voltei ❤

Capítulo 20 - Capitulo 19


Fanfic / Fanfiction O Monstro em Mim - Sprousehart - Capítulo 20 - Capitulo 19

Meu ânimo no dia seguinte não estava melhor. Quase não toquei no café da manhã e me mantive na cama. E os outros dois dias que passaram foram da mesma forma. Cole quase não parou em casa. Eu estava tão chateada, tão abalada, mas ele não pareceu perceber. Ou escolheu ignorar.

No quarto dia após a minha descoberta, Goretti estava longe da minha vista, então, quando a campainha tocou, corri até a porta e abri. Na minha frente tinha uma moça alta e magra com roupas largas e um cabelo ruivo curto. Eu sorri.

— Posso ajudá-la?

— Meu nome é Stefa. — Ela baixou a cabeça, fazendo as curtas mechas avermelhadas caírem em seu rosto.

— Tudo bem... — eu disse, lentamente.

— Eu queria saber se posso falar com a senhora Sprouse.

— Sou eu — respondi, desconfiada.

Ela respirou fundo e finalmente levantou a cabeça.

— Fui revistada na entrada do condomínio e por um segurança ali no portão também. Posso entrar? — Ainda desconfiada, eu concordei, dando um passo para o lado e fechando a porta logo depois. Me mantive em uma distância segura e cruzei os braços.

— Eu não acho que algum soldado a deixaria entrar aqui. Quem é você?

— Sou uma das garotas da Fascino. Os soldados me conhecem de lá, e eu disse que vim para ver o senhor Sprouse. — Ela soltou de uma vez, assim que sentou no sofá.

Eu nunca fui de perder a cabeça, ou julgar alguém, mas o fato de aquela prostituta estar na sala da minha casa me tirou do sério. E não tinha nada a ver com a profissão dela, mas ela trabalhava em uma das boates do meu marido, e eu sabia que Cole não era nenhum inocente, nem de longe. Ele já tinha dormido com muitas mulheres por aí, se é que ainda não dormia. Mesmo com o turbilhão dentro da minha cabeça, forcei-me a agir como a dama educada que sempre fui. Afinal, ela não arriscaria a própria vida entrando na casa do chefe apenas para me afrontar.

— Ok. Há algo que eu possa fazer por você? Com toda certeza não veio bater um papo de funcionário para patrão com meu marido. Principalmente chegando aqui e dizendo que veio vê-lo.

— Sinto muito ter dito isso, mas era a única maneira de me deixarem entrar. E a única coisa que eu quero com meu patrão é o meu salário.

— Então...? — incentivei. A garota ficou quieta, encarando os nós dos dedos, fazendo-me perder o fio da paciência que me restava. — Olha, Stefa, não sei por que você veio aqui e sinceramente não me importo, contanto que vá embora agora. Se você tem no mínimo alguma estima pela sua própria vida, Cole não vai gostar de saber da sua visita.

— Eu estou grávida. — Fiquei quieta por algum tempo.

— Oh, entendo. Isso é ruim. — Eu não tinha entendido qual a razão de ela estar me falando aquilo, mas tinha a impressão de que iria pedir ajuda. As meninas das boates não podiam ficar grávidas. A Famiglia se certificava de que houvesse muita proteção e anticoncepcional para não haver riscos. Ela me olhou com lágrimas nos olhos.

— Eu não quero que entenda minha vinda aqui como desrespeito. Por favor, senhora Sprouse.

— Calma! Quantos anos você tem?

— Vinte e três. Senhora, eu... eu soube do que aconteceu com o Chefe, e sabia que era minha única chance vir e tentar falar com a senhora enquanto ele não estava. Ele não tem me procurado mais, nem nenhuma das meninas da Fascino, isso aconteceu meses atrás. Então, não, meu bebê não é fruto de uma traição, ele não tem culpa dos meus erros. — Ela soluçou. A mulher falou tão rápido que precisei parar e processar cada letra, depois cada palavra, então, tudo me atingiu.

— Você está esperando um filho do meu marido? — As palavras tinham um gosto ruim na minha boca.

Não.

Eu não podia acreditar naquilo.

Stefa cobriu o rosto com as mãos e chorou.

— Perdoe-me, por favor! É apenas um bebê... o Chefe vai matá-lo assim que souber.

Levantei-me do sofá, tão rápido quanto pensei ser possível, e fiquei de frente pra ela, puxando-a para ficar de pé em dois tempos.

— Ele não esteve com você desde nosso casamento? Quantos meses a criança tem?

— Eu dormi com ele apenas uma vez, três meses atrás. — Afastei-me dela, de repente sentindo falta de ar. Meus olhos arderam com lágrimas. Eu sentia como se houvesse mil lâminas perfurando meu peito. Queria desesperadamente gritar e perguntar a Deus por que estava fazendo aquilo comigo. Seria algum castigo? Será que eu merecia tanto sofrimento, tanta dor?

Além de não ser capaz de gerar uma vida, eu seria humilhada vendo outra dando um herdeiro ao meu marido?

— Eu não posso... eu...

— Senhora Sprouse, não está parecendo bem, há alguém que eu possa chamar?

— Não! — Eu não queria ser grossa, mas aquela situação era no mínimo impossível de se lidar. Sentei-me no sofá e a encarei. Stefa correu e se ajoelhou na minha frente, com lágrimas escorrendo pelo rosto, assim como eu. — Cole nunca aceitaria isso. Ele não quer um filho meu, imagina de... — Ela abaixou a cabeça, assentindo e compreendendo o que eu quis dizer.

— Sei disso, e eu provavelmente morrerei antes do meu filho vir ao mundo. Foi por isso que vim até aqui. — Franzindo a testa, encarei-a, ainda não entendendo. — Ouvi por aí o quanto a senhora é boa. Eu jamais poderia ser uma mãe, uma boa mãe. E eu não confiaria a ninguém mais a vida do meu filho.

Mantive meus olhos fixos nela, finalmente compreendendo.

— Quer que eu cuide do seu filho?

— Dizem que mãe é quem cria, não é? Quem cuida, quem dá amor. Eu não sou esse tipo de mulher. Mesmo que eu o ame agora, não seria o que ele precisa. É por isso que peço que a senhora fique com meu filho e seja a mãe que eu não poderia ser. — Eu não poderia estar mais surpresa com aquilo.

— Mesmo que eu esteja morrendo para dizer sim, é impossível. Todos vão tratá-lo como um bastardo. Ele nunca seria respeitado. E como eu vou saber se essa criança é realmente dele?

— Não quero ofendê-la, mas a senhora acredita mesmo que eu viria até aqui, inventar algo assim, colocando minha vida em risco se não fosse? Já vi o Chefe matar um homem bem na minha frente, com meus próprios olhos. Eu jamais provocaria a raiva dele com uma mentira como essa. — Ela respirou antes de falar novamente. — Estou de três meses. Poderíamos dizer que ele nasceu prematuro. Um tempo compatível ao que você e o chefe estão casados. Ninguém saberia, apenas vocês dois, e se eu ficar viva, o que provavelmente não vai acontecer, nós três saberíamos. A senhora pode usar uma barriga falsa. — Arregalei os olhos, surpresa com sua proposta.

— Jesus! Você tem ideia do que está dizendo? Trair a Famiglia dessa forma... não posso forjar uma gravidez.

Ela respirou fundo e concordou, com mais lágrimas banhando seu rosto.

— Tudo bem, eu... apenas estava desesperada. Posso tentar a adoção, ou... tirar.

Eu me levantei, em choque.

Certo che no! Ele tem o sangue dos Sprouse, não vai pra nenhuma adoção! E você não vai matar um bebê, eu não aceito isso!

— Então diga-me o que fazer! — ela soluçou. — Eu cresci com uma mãe que não me amava, não quero me olhar no espelho daqui a alguns anos e ver que me tornei a mesma pessoa que ela. Sou uma prostituta, isso é o que eu sei fazer. Sei satisfazer homens! Não tenho uma única unha maternal em mim!

Ajoelhei-me ao lado dela, e mesmo ela sendo maior e mais velha, tentei consolá-la.

— Está tudo bem. Não chore. — Olhei-a por um tempo, enquanto pensava sinceramente naquilo. Eu podia encarar como uma brincadeira do destino comigo, ou a minha única chance de realizar meu sonho. E, por outro lado, ainda havia aquela inocente criança. Que culpa ela tinha? Sem pensar demais, eu suspirei e falei as palavras que me colocariam em um problema gigante:

— Acho que posso conseguir uma barriga falsa em algum lugar. — Ela chorou mais forte e me olhou, sorrindo. Que Deus me ajudasse, mas eu criaria aquela criança.

❤❤❤

Meu telefone parecia pesado em minhas mãos, como uma bomba que ia explodir a qualquer momento. O nome da minha irmã piscava na tela. Ela, obviamente, queria saber o resultado dos exames, já que garantiu que eu os receberia hoje. Estava me sentindo tão sobrecarregada, queria deitar e dormir por um mês inteiro.

Estava com tantos problemas em meus ombros. Stefa, Lorenzo, a mentira que precisaria nascer junto com aquela criança e o mais preocupante, fazer Cole concordar comigo.

— O jantar vai ser servido, donna. — Pulei ao ouvir a voz de Goretti.

Santo Dio, Goretti! Você vai me matar a qualquer momento. — Ela riu e se aproximou.

— Venha comer antes que a comida esfrie, sim?

— Sei que a senhora tem coisas a fazer, mas pode jantar comigo esta noite? Cole não tem hora para voltar, então... — Ela assentiu.

— Claro, senhora. O que quiser. — Eu revirei os olhos para sua formalidade.

— Pare com essa coisa de ’’senhora’’. — Ela balançou a cabeça, rindo, e começou a me servir na cozinha mesmo. — Teve notícias de seus filhos recentemente?

— Minha filha continua na mesma. Vendendo o corpo para andar de carro de luxo e roupas bonitas. — De repente seu rosto iluminou. — Meu menino está conhecendo alguém.

— Mesmo?

— Sim. Seu nome é Juliana, menina doce. Trabalha como recepcionista num cassino da Famiglia.

— Ela é de alguma família? — eu perguntei, enquanto mordia minha panqueca de frango.

— O pai dela é um soldado da máfia, ela está dentro, mas não tão dentro. Assim como meu menino. — Eu sorri.

— Fico feliz, ele é bom para você, então, merece uma boa mulher para cuidar dele também.

Nós continuamos comendo e conversando sobre coisas do dia a dia, sobre tudo o que fosse comum em nosso mundo. Mas minha mente não parava de pensar em Stefa. O que ela estaria fazendo? Onde estaria? Será que se alimentou? Será que estava cuidando das necessidades do bebê? Graças aos céus eu tinha pego o número dela.

A batata que eu comia parou na metade do caminho para a boca. Eu estava louca. Não só prometi a uma mulher que cuidaria do filho dela – filho que no caso era do meu marido –, mas nem o consultei a respeito disso. Stefa não parecia nada maternal, e eu não queria nem pensar qual destino esse bebê teria se não ficasse comigo. A empolgação já crescia em meu interior.

— Menina — ela balançou a mão na minha frente —, mundo real chamando. — Eu encarei a mulher na minha frente seriamente antes de falar.

— Goretti, você tem trabalhado para a Famiglia por toda sua vida, certo?

— Trabalhei em quatro casas, por quase dez anos em cada uma, graças ao meu bom Deus — o orgulho em sua voz era evidente.

— Certo. E todas essas famílias tinham crianças? Filhos, eu digo.

— Sim! As quatro, na verdade, menos a senhora e o senhor Sprouse. Mas é compreensível, são recém-casados, afinal. — Eu assenti.

— Você conheceu algum bastardo? Em seu tempo aqui. — Ela apoiou a mão na mesa, segurando o rosto.

— Que eu me lembre... hum... Não. Eu nunca, mas uma amiga minha trabalhou em uma casa onde aconteceu algo assim. — Ela fez uma careta e balançou a cabeça. — Uma coisa horrível de acontecer.

Eu cutuquei minhas unhas, tentando parecer o mais desinteressada possível.

— Entendi. Eu pergunto, porque tenho curiosidade. Nunca conheci nenhum. — Ela assentiu e olhou para os lados antes de se inclinar em minha direção.

— Eu vou dizer, mas isso não é conversa que se repita. — Concordei, então, ela suspirou. — O homem engravidou a prima da esposa, com quem ele tinha um caso antigo. Nasceu um menino. A prima morreu no parto. Com quem o bebê ficou?

— Com o pai?

— Com o pai e a esposa dele. Cresceu com as duas crianças do casal. O menino tentou a sorte em algum cargo alto, mas ele nunca teria respeito, então, ficou como soldado mesmo.

— Ah. Pelo menos ele foi aceito na Famiglia. — Goretti me lançou um olhar cético antes de responder.

— Menina, ele era uma criança indesejada. Concebida fora do casamento. O pai perdeu toda sua moral e seu respeito, e a esposa perdeu a honra. É desonroso ter um bastardo dentro da Família, a pior coisa na verdade. — Eu assenti, começando a desconfiar que eu estava, com toda certeza, muito ferrada.

❤❤❤

2:15 da manhã.

Meus pensamentos foram direto para Cole torturando meu irmão para conseguir informações. Eu não era inocente a respeito de como as coisas aconteciam dentro da máfia. As lágrimas já haviam secado no meu rosto, e a compreensão de que nunca mais veria Lorenzo foi dolorosa. Para toda e qualquer atitude que foge às regras há sempre uma punição. E a violação de algumas leva à morte. Meu irmão não só saiu com a noiva de um membro, ele conspirou contra o poder real da coisa. Cole tinha a obrigação de matá-lo, assim como Casey tinha o “direito” de matar Evangeline. Ser um homem feito significava ser um soldado, um capo ou um chefe da Famiglia.

Na idade certa, quando os pais dos meninos da nossa sociedade acreditavam ter chegado o momento, eles passavam por um ritual de iniciação, onde um simples filho com um sobrenome se tornava um alguém de poder. Mais um mafioso. E Lorenzo tramou contra não só um homem feito, mas vários. Não podia acreditar no que tinha ouvido. Meu irmão estava planejando o assassinato do meu marido apenas por poder? Eu nunca enxerguei meu irmão daquele jeito, nunca imaginei aquele tipo de coisa vinda dele. Lorenzo sempre foi muito ambicioso, e isso o condenou. Ninguém tramava contra o poder, contra qualquer homem da Famiglia e vivia para contar a história. Aquele tipo de complô envolvia muito mais do que uma pessoa querendo o lugar de Cole; comecei a suspeitar que era algo bem maior do que eu podia imaginar. Quando éramos crianças, Lorenzo, sendo o mais velho, era ausente em nossas brincadeiras e momentos juntos. Mas isso não era motivo para que simplesmente não o amasse, porque eu amava. Muito. E o pior de tudo era que eu não conseguia colocar a culpa só nele. Desde pequeno, foi completamente inserido na sua cabeça que o poder, o dinheiro, a influência, eram as coisas mais importantes na vida. Eu só podia pensar que aquelas ideias haviam criado raízes profundas no cérebro do meu irmão.

Tramar a morte do chefe da Famiglia era o nível mais alto de traição que existia dentro da máfia. Meu irmão estava insano. Eu não era insensível ou imune ao que ia acontecer. E amava o meu irmão. Mas era algo que eu não podia evitar, e não podia pedir a meu marido que não o eliminasse. Lorenzo, uma hora ou outra, encontraria uma forma de concluir seu plano.

Fechei os olhos e tentei me concentrar no sono que sentia.

❤❤❤

— Você é tão lindo. Menino bonzinho! — Eu sorria, com meu cachorro no colo na manhã seguinte, enquanto descia a escada. — Mamãe ainda não te deu um nome, você tem cara de quê, hein?

—Tenho quase certeza de que ele não vai responder a isso.

Sobressaltei-me.

— Cole! Cazzo! Que susto!

— Venha ao meu escritório. Sem o cachorro.

Dando um beijo no meu pequenino, deixei-o no chão e segui atrás de meu marido. Ele ficou fora por todo o dia, e eu estava uma pilha de ansiedade. Sentia que ia ter um colapso a qualquer momento. Será que ele tinha mudado de ideia? Será que resolvera dar uma segunda chance a Lorenzo?

Assim que entramos, ele se serviu de uma bebida e tomou num gole só. Encostei a porta e afundei na cadeira à sua frente. Esperei pacientemente que falasse algo, mas Cole apenas se aproximou, pegou minhas duas mãos e me colocou de pé. Então ele baixou a sua boca sobre a minha, e eu separei os meus lábios para ele. Sua língua entrou, e tudo ao meu redor desapareceu enquanto o provava. Ele chupou o meu lábio inferior em sua boca, então a minha língua. Era inebriante. Sugou levemente e se afastou, fitando meus olhos.

— O que foi isso? — Sua expressão era impassível, mas ele acariciou meu rosto.

— Você é minha esposa. Não vejo problema em beijá-la quando quero. — Eu franzi a testa, e um lado da boca de Cole se inclinou, fazendo surgir um sorriso. — Há um problema nisso?

— Não.

— Muito bem.

— Meu irmão? — perguntei subitamente.

Cole ficou tenso. Soltou-me e sentou-se em sua própria cadeira.

— Você sabe o que aconteceu, por que quer ouvir em detalhes?

— Eu tenho o direito de saber. — Envolvi os braços em torno de mim mesma. — Ele é meu irmão.

— Ele era seu irmão. E era um traidor, recebeu a consequência disso.

Ele não parecia afetado, nem mesmo com remorso pelo que fez. Mas é claro que não sentiria. De quantos homens já teria tirado a vida? Quantas vidas a máfia já levou? Deus nos deu a vida, e Ele deveria ser o único a tirá-la de nós, mas homens poderosos como Cole, seus irmãos e todos da máfia gostavam de agir como se fossem os donos do mundo, e, ali, eles eram. Olhei para o belo rosto do meu marido e de repente senti meu estômago embrulhar; a risada de Lorenzo veio como um trovão em meus ouvidos. Cobri meu rosto com a mão e solucei. Em um segundo saí correndo para nosso quarto e me afundei na cama. O rosto de Lorenzo invadiu minha mente. Meu corpo todo tremia. Todo o dinheiro que tínhamos não era o suficiente? Comandar nossa família não era o bastante? Ele era tão jovem, tinha toda a vida pela frente. Mas não a viveria.

Eu esperei que Cole me seguisse, que fosse até mim para me consolar, para pelo menos me abraçar, mas ele não o fez. E por que eu ainda esperava aquele tipo de solidariedade? Todo o nosso casamento não tinha sido uma prova de que eu não receberia nada de bom? Amar sozinha, cuidar sozinha, venerar e querer... isso era o que eu faria.

As batidas do meu coração imploravam por algo dele. Por alguém que se tinha um coração também, há muito tempo deveria ter parado de bater.

Levantei-me da cama, pois, depois de não sei quanto tempo, minha garganta grudava e minhas mãos tremiam. Fui ao banheiro lavar o rosto. Joguei a água gelada sobre minha pele e me encarei pelo espelho. Rosto
e olhos vermelhos e inchados. Descabelada. Lábios tremendo. Droga, eu ia chorar de novo. Respirando profundamente, abri a porta e saí. Surpreendi-me ao vê-lo de pé no meio do quarto, seus olhos fixos em mim. Um olhar assassino que eu só tinha visto quando atacou o fotógrafo em nosso casamento. Abri a boca para falar, mas ele rugiu antes de mim.

— Eu vou perguntar uma vez apenas.

Um arrepio correu pela minha espinha. Há muito tempo eu não sentia medo dele, mas o pânico novamente me tomou.

— Cole, você...

— Isso é algum tipo de vingança? — ele rosnou enquanto se aproximava, fazendo-me ir para trás até bater na parede. — Porque eu matei seu irmão traidor, acha que pode ficar escondendo as coisas de mim?!

— E-eu não... — Cole bateu na parede ao lado da minha cabeça, assustando-me.

— Uma mulher esteve aqui ontem, e eu descobri apenas porque um dos meus soldados a reconheceu. O que tem a me dizer? — Ele levantou o celular, mostrando uma foto de Stefa parada em frente à nossa porta, e depois outra, de eu a recebendo. Fechei os olhos. Minha boca ficou seca de repente.

— Por que você está tão bravo? É apenas uma mulher me visitando. — Era perigoso mentir para ele, mas pior ainda seria arriscar a vida de Stefa. Cole era muito explosivo.

— Não é apenas uma mulher, é uma das prostitutas de um dos bordéis da Famiglia. E eu não estou bravo, estou fodidamente furioso! O quê. Ela. Queria?

— Eu não posso falar — sussurrei. Cole juntou as sobrancelhas, quase arregalou os olhos e sustentou uma expressão incrédula no rosto.

— Você não percebe como isso pode ser perigoso? Aquelas mulheres não são boas como você, Lili. Se ela estiver aprontando algo, eu preciso saber o quanto antes.

Fechei meus olhos. Ele nunca me deixaria em paz se eu não dissesse.

— Prometa-me que não vai matá-la.

— O quê? — Eu encontrei seus olhos e segurei seu rosto com as duas mãos. Ficando na ponta dos pés, selei nossos lábios.

— O que eu disse. Prometa-me que não vai matar essa mulher.

— Eu não posso te prometer isso.

— Cole, por favor... — Ele pegou meus pulsos e tirou-os de seu rosto, quebrando nosso contato.

— Se você não me disser, eu vou atrás dela, da família dela e...

— Ela está grávida! — Ele pareceu atordoado, como se não fizesse sentido.

— Por que seria da sua conta que ela esteja grávida? Puta fodida, ela quer sua ajuda para se livrar de uma conversa comigo, é isso? Não vou poupá-la de punições apenas...

— O bebê é seu — respondi com uma voz dura, até mesmo amargurada.

Cole me encarou. Sem piscar. Por alguns minutos ele apenas me olhou como se eu fosse uma criatura de outro mundo. Sua mandíbula trincou.

— Besteira. Você é ingênua o suficiente para acreditar nisso? Eu não dei um filho nem a você, não daria a uma prostituta qualquer.

— Ninguém seria louco o suficiente de tentar te enganar dessa maneira, Cole.

— Bobagem.

— É seu, e você sabe disso. Acredite em mim, saber que meu marido seria pai e que o filho não é meu não foi a melhor notícia que recebi.

— Não é meu, impossível.

Ele estava me irritando.

— É seu. Você será pai! — minha voz se alterou.

— Eu disse a você, não quero filhos. — Olhei em seus olhos verdeados determinados. — Sei exatamente quem é essa vagabunda e vou acabar com isso. — Ele ameaçou. Virou as costas e saiu pela porta. Demorei apenas um segundo para sair atrás dele, gritando seu nome pedindo para parar. Mas ele não me ouviu. Soltou-se dos meus braços e mandou que um dos soldados que estava ali me segurasse.

Assim que a porta bateu, debati-me contra o homem, até que ele me soltou, e corri para o nosso quarto atrás do meu celular. Só havia uma pessoa a que eu confiaria aquilo. Chamou três vezes antes de ele atender.

— Você está bem? — ele perguntou imediatamente, cheio de preocupação na voz.

— S-sim, você pode falar agora ou é um mal momento? — Eu estava ofegante. Em pânico.

— Pela sua voz você não parece bem. Eu posso falar, o que houve?

— Preciso da sua ajuda — sussurrei.

— Você está me preocupando, Lili. Diga de uma vez.

— Você se lembra quando me fez aquela proposta? Sobre uma nova vida e ir embora?

— Sim... lembro-me perfeitamente — ele disse pausadamente.

— Preciso que você estenda a oferta a outra pessoa. — Ele ficou quieto por uns minutos antes de falar novamente.

— O que você está tramando, Lili? — Eu soltei a respiração que nem percebi estar prendendo.

Dio, Dante... Você não faz ideia.

Se ele não me ajudasse, eu encontraria outra maneira, qualquer uma. Mas Cole não mataria Stefa e o bebê, nem por cima do meu cadáver.
 


Notas Finais


Porra Lili, tu é muito boa, sério!

Espero que tenham gostado ❤


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