História O Monstro em Mim - Sprousehart - Capítulo 22


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Categorias Cole Sprouse, Lili Reinhart
Personagens Cole Sprouse, Lili Reinhart
Tags Sprousehart
Visualizações 53
Palavras 2.514
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ok, coração quase para de bater aqui '-'

Esse capitulo é um dos meus favoritos, espero que gostem ❤

Capítulo 22 - Capitulo 21


Fanfic / Fanfiction O Monstro em Mim - Sprousehart - Capítulo 22 - Capitulo 21

Eu tapei a boca de Charles, tentando evitar que papai o ouvisse e entrasse no quarto.

— Por favor, irmãozinho, pare de chorar! — eu sussurrei em seu ouvido. Ele tinha que parar, porque homens não choram. Papai sempre dizia aquilo. E da última vez que Dante não obedeceu, papai ficou muito bravo. Ele sempre está bravo, mas Dante saiu muito machucado. Enquanto eu balançava meu segundo irmão mais novo, tentando acalmá-lo, outro grito estridente ecoou pelas paredes de casa.

Eu odiava quando mamãe chorava. Ela era tão bonita. Quando papai não estava em casa, ela sempre nos fazia biscoitos e brincava com a gente. Papai não sabia. Na verdade, ele não podia saber. Aqueles momentos com apenas nós três e a mamãe eram sempre muito divertidos. Não precisávamos usar os ternos durante todo o dia, nem tínhamos que ficar sentados assistindo aos programas que papai mandava. Eles eram sempre sobre matemática, números e palavras difíceis. Mamãe era diferente. Ela era bonita demais para chorar.

— Está demorando mais do que a última vez para acabar — Dante falou baixo, enquanto se espremia mais ao meu lado.

— Cole, eu não quero que a mamãe chore. — Charles soluçava no meu colo. Quando ouvimos o barulho de vidro quebrando do lado de fora ele estremeceu.

Nosso amigo Roberto tinha um pai. Ele tinha uma mãe também. E ele gostava dos dois. Eu amava a mamãe, mas não gostava do papai. Eu sei que sou um menino ruim por isso; sempre peço desculpas para Deus todas as noites, e domingo de manhã na igreja também. Nossos pais são anjos de Deus para cuidar de nós enquanto somos pequenos. Sempre pedi desculpas por não gostar do anjo papai. Meus irmãos não gostavam também, então eu pedia desculpas por eles. Talvez Deus entendesse que como eu era o mais velho, precisava cuidar dos meus irmãos mais novos. Ele pode dar o castigo deles para mim, meus irmãos são muito pequenos.

Mais um grito da mamãe.

Dante tremeu ao meu lado, e Charles pulou de susto, chorando mais forte desta vez. Eu olhei para meu irmão. Os olhos de Dante estavam arregalados, e ele tinha os lábios tão apertados um no outro que estavam
rachando. Mas ele era meu assistente no comando das navegações, ou seja, quando papai começava a gritar e a quebrar as coisas, ele precisava assumir o segundo lugar para cuidar do caçula. Coloquei Charles em seu colo e levantei.

— Fiquem aí — disse e voltei-me para Dante: — Tape a boca dele. E não saiam deste quarto até que eu volte.

Corri até o canto do quarto, alcançando um bastão de brincar feito de madeira. Dei um último olhar para meus irmãos e peguei a chave pendurada na porta. O medo nos olhos deles foi tudo que eu precisava para sair e trancá-los lá dentro.

Ouvi Dante me chamando, mas eu não podia voltar. Precisava cuidar deles e garantir que mamãe não chorasse mais. Segurei o bastão pesado com as duas mãos e caminhei até o final do corredor. A porta meio aberta me mostrou por que conseguíamos ouvir minha mãe.

Eu olhei lá dentro, e ela estava deitada no chão. Consegui ver seu corpo se mover. Ela não usava muita roupa e meu pai estava sentado na cama olhando para ela, enquanto fumava aquela coisa fedida que ele gostava tanto.

— Você já deu seu show. Agora cale a boca! — ele gritou e se levantou. Eu tinha ficado chateado muitas vezes, mas quando ele chutou minha mãe na barriga, e vi sangue em sua boca, senti algo diferente de tristeza. Não entendia o que era aquilo, mas entrei no quarto e parei ao lado dela.

— Não machuque minha mãe! — gritei tentando levantar o bastão bem alto.

Mamãe me olhou, seus grandes olhos marrons se abrindo, amedrontados. Ajoelhou-se e me empurrou para fora.

— VÁ PARA O SEU QUARTO, COLE! NÃO SAIA DE LÁ! — Ela soluçava e engasgava muito, havia tantas lágrimas saindo de seus olhos.

— Mamãe, eu vim proteger você! — Ela chorou mais forte, e meu pai gargalhou.

— Você, sua merdinha! Vá para o seu quarto e fique lá chorando como a menininha que é! — Ele me olhou e pegou no cabelo de mamãe, puxando enquanto me fitava. Ela gritou mais uma vez. Corri para frente, minhas pernas curtas quase me fazendo tropeçar, e bati o bastão com toda minha força contra o braço dele. Vi o exato momento em que ele se deu conta do que eu fiz. Vi, porque conhecia aquele olhar. Ele estava muito furioso. Soltou minha mãe e me puxou pela camiseta.

— NÃO! SOLTE O MEU BEBÊ! THOM, POR FAVOR, POR FAVOR, DEIXE ELE EM PAZ! — Papai me jogou no chão e a pegou pelo pescoço.

— Esses meninos serão três bichinhas do caralho pelo jeito que você os trata. Sua vagabunda! — Ele deu um tapa que fez seu rosto virar. Levantei-me novamente e corri para ele. Desferindo socos por suas pernas e mordendo qualquer lugar onde alcançava. Eu só conseguia ouvir os gritos de minha mãe no fundo. Meu pai me segurou. Vi quando seu punho se lançou no meu rosto. O grito da minha mãe foi a última coisa que ouvi quando apaguei.

❤❤❤

No primeiro dia, quando abri os olhos, a primeira coisa que escutei foi um zumbido nos meus ouvidos. Estava escuro. Eu estava com muito sono, então, caí para a escuridão novamente.

Despertei com uma sensação de estar sendo afogado. Senti água por todo o meu nariz e boca. Respirar era quase impossível. Fui puxado para trás e finalmente recuperei o ar. Enquanto ofegava, abri os olhos e estava num lugar diferente. Um homem grande me puxou e jogou sobre uma cadeira, prendendo meus braços e pernas. Eu gritava e me debatia, chorando, pedindo pela minha mãe. O homem me deu três tapas, eu senti o ardor por todo o meu rosto. As cordas apertando meus tornozelos e pulsos doíam tanto quanto. Onde minha mãe estava?

Eu chorei de alívio quando vi meu pai entrando na sala. Ele estava assobiando, com as mãos no bolso e um sorriso no rosto. Ele acenou para o homem, que saiu e foi para o canto. Chorei mais forte.

— Papai, esse moço foi tão mau comigo, mas vou perdoá-lo. Já perdoei, até. Eu serei bom, me deixe ir para casa com mamãe e meus irmãozinhos!

Meu pai jogou a cabeça para trás e riu, junto com todos os outros homens do lugar. Seus soldados. Papai cuidava de negócios importantes e sempre tinha muitos homens que trabalhavam para ele.

— Você vai aprender muito com esse tempo que vamos passar juntos. — Ele se inclinou e desferiu um tapa no meu rosto. — E quando sairmos daqui você não falará mais “papai”, “mamãe”, e muito  menos“irmãozinhos”. — Cada palavra foi um tapa mais dolorido do que o anterior.

— TUDO BEM! — gritei fraco. — Serei bom, eu serei um bom menino, pai! Por favor... eu estou com medo!

— Você aprenderá a não chorar. E não será fraco! — Ele olhou para o homem no canto da sala e sorriu maldosamente. — Vamos começar.

Naquela noite eu tomei meu primeiro tiro, foi na perna. Doeu, queimou, ardeu. E eu desmaiei, chorando.

No segundo dia, eu acordei com um balde de água gelada sendo jogado em minha cabeça. E tive meu primeiro ferimento de faca. Papai assistiu enquanto três de seus soldados faziam cortes em minhas costas.

Quando eu gritei, ele me bateu e olhou nos meus olhos, falando que eu havia falhado, de novo.

No terceiro dia, papai me fez tirar a roupa. Então uma mulher entrou na sala. Ela tocou em mim, e papai me mandou tocar nela. Eu não fiz, então, ele atirou em sua cabeça. Na minha frente.

No sexto dia, papai se sentou na minha frente, esperando enquanto eu bebia água. Quando terminei, ele chegou perto e sussurrou no meu ouvido.

— O código é “A Famiglia em primeiro lugar”, guarde segredo.

Eu o olhei confuso. Ele deu um sorriso e se levantou. Então, um soldado tomou seu lugar na minha frente. O homem me bateu no rosto e gritou.

— QUAL É O CÓDIGO?

Eu senti meu dente rasgando a pele da minha boca. E fechei os olhos, negando-me a falar. Ele me bateu mais algumas vezes, mas eu não falei. Precisava guardar o segredo do papai. Ele pegou um canivete e começou a empurrar abaixo da unha do meu dedão.

— QUAL A PORRA DO CÓDIGO?

Eu gritei.

— “A FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR”. — Meu pai riu e me soltou da cadeira, jogando-me no chão, enquanto quatro soldados desferiam socos e chutes em mim. Quando meus olhos se fecharam, ele sussurrou no meu ouvido.

— Fraco.

Eu parei de acreditar em Deus naquele dia.

Os próximos quatro dias seguiram com mais tortura. Na maior parte, papai me dizia que eu era fraco e jogava algum jogo mental, onde eu sempre perdia. No décimo primeiro dia, papai jogou uma mulher nua na sala. Um de seus soldados tirou a roupa e ficou atrás dela. Eu não sabia o que estava acontecendo. Não entendia. Ele a estava machucando, e por mais que eu pedisse para parar, ele não parava.

— Por favor! Por favor! — Ela chorava e gritava, tentando se afastar do homem. — DÓI! — Ele se movimentava atrás dela, que era tão pequena em comparação a ele. Os gritos da moça pareciam os da minha mãe, penetrando meus ouvidos. Mas eu não podia chorar, não queria chorar! Pare os gritos! Ele não vê que está machucando a moça?

— Você quer que ele pare, Cole? Acabe com o sofrimento dela — meu pai falou, do outro lado da sala.

A mulher me olhou e estendeu a mão.

— Por favor! Faça parar!

— Pare de machucá-la, pai, faça isso. Eu imploro! Guardarei os segredos, eu prometo que sim!

Meu pai tirou uma arma da cintura e desamarrou uma de minhas mãos.

— Coloque uma bala na testa dela, e toda a dor vai acabar. — A mulher me olhou de olhos arregalados e gritou, chorando mais forte ainda.

Peguei a arma e apontei para ela, mas quando fui atirar, mirei no soldado, fazendo a bala acertar seu ombro. Meu pai soltou uma gargalhada e bateu palmas. Comecei a tremer na cadeira. Eu tinha matado aquele homem? Mas ele a estava machucando! Não importava, não era certo ferir os outros.

— Você não o matou, mas veja bem, agora ela vai sofrer as consequências do que você fez.

Quando ele disse isso, dois soldados apareceram sem suas calças, e eu vi o que estavam fazendo.

Eles usavam o instrumento de xixi para fazer mal a uma menina? Eu não queria ter mais meu instrumento de xixi, se ele servia para machucar mulheres daquela forma. A menina começou a gritar. Meu ouvido doía, ela já estava rouca. Eles batiam tanto. Em algum momento, ela me olhou, com olhos vazios.

— Me mate, acabe com isso, por favor. — Eu balancei a cabeça, negando, então ela começou a implorar. Gritava cada vez mais alto. Peguei a arma e mirei, enquanto ela olhava nos meus olhos, e atirei.

Foi quando tirei a primeira vida. Meu pai fez aquilo com mais três mulheres. E eu atirei. No décimo segundo dia, papai me deu outro código. Eu perdi três unhas, mas guardei o segredo. No décimo terceiro dia, os soldados levaram uma televisão grande, colocaram na minha frente e saíram da sala. Eu estava quase fechando os olhos de exaustão quando o aparelho foi ligado. Era eu na tela. Assisti em choque tudo o que tinha acontecido com as meninas, e vi quando matei cada uma delas. Cada minuto foi gravado.

Quando não consegui olhar mais, fechei meus olhos e apenas ouvi. Os gritos, a agonia sem fim, o desespero, a dor. E, naquele dia, algo se quebrou dentro de mim.

No décimo quarto dia, papai chegou cedo. Sorrindo abertamente, ele me mandou ir tomar um banho e me fez vestir um terno do meu tamanho. Quando fiquei pronto, fui tirado daquela sala. Nós nos sentamos numa mesa elegante, onde um belo café da manhã foi servido. Eu não disse uma palavra. As roupas machucavam meu corpo já ferido, e me mover era quase impossível. Mas eu tinha sido um garoto ruim, então, merecia o castigo.

— Você vai para casa hoje, Cole — meu pai comentou enquanto me observava comer. Eu assenti e tomei um gole do suco. Tinha um gosto horrível. — Antes de irmos, você deve entender uma coisa. — Eu o olhei, esperando que falasse. Duvidava que qualquer palavra pudesse ser pior do que aquela sala. — Seus irmãos não devem saber o que aconteceu aqui. Giorgia também não.

— Mam... Giorgia sabe que estou aqui? — Thom levantou uma sobrancelha.

— Você ia falar “mamãe”, mas voltou atrás e falou o nome dela. Aprendeu a lição, Cole, estou orgulhoso. — Ouvir que ele estava orgulhoso era algo que sempre quis, mas quando finalmente aconteceu, não fazia diferença nenhuma. Eu o odiava.

— Legal — resmunguei.

— Você sabe que por ser um bastardo, eu pensei que nunca teria orgulho de você. — Juntei minhas sobrancelhas, não entendendo.

— Um o quê?

— Um bastardo. — Ele apoiou os cotovelos na mesa e sorriu perversamente. — Acha que minha esposa é sua mãe? Pobre menino ingênuo... Você saiu do ventre de uma prostituta. Nada mais é do que um fardo para Giorgia.

Naquele momento eu me perdi.

❤❤❤

Quando o carro do meu pai estacionou em frente à nossa grande casa, eu não queria descer. Meu pai percebeu isso e me empurrou, então, entramos. Charles e Dante estavam sentados no sofá da sala de estar, e Giorgia andava de um lado para o outro. Assim que nos viu, ela correu para mim, ajoelhando-se e me apertando em seus braços.

Uma parte de mim queria abraçá-la de volta. Sentir alívio por estar em casa e em “segurança”. Mas não fiz isso. E quando ela olhou nos meus olhos com lágrimas caindo, tudo o que eu vi foram as mulheres que matei. Os gritos delas imediatamente encheram minha cabeça, e eu me retorci, tentando sair de seus braços. Charles desceu do sofá de mãos dadas com Dante e veio me abraçar, mas eu corri para o lado de Thom. Charles fez um bico.

— Cole, vamos ficar juntos agora, irmãozinho.

Olhei para ele e tudo o que vi foi pureza. Como meu irmão era limpo! Nenhum sangue em suas mãos, nenhuma morte em seus ombros. Eu não podia sujá-lo daquela forma. E Dante? O menino de ouro. Sempre obediente, um bom coração, generoso. Eu só faria mal a eles. Eu era um menino ruim, e eles eram bons. Deveria poupá-los de terem que ficar comigo. Acabaria contaminando-os. Eu era o irmão mais velho e faria o que fosse preciso para que nada de ruim os alcançasse. Mesmo que o mal fosse eu. Charles estendeu os braços e sorriu, mostrando sua banguela.

— Um abraço, irmão. — Eu respirei fundo.

— Eu sou um homem agora. Você é só um bebê. Vocês dois são. — Meu pai olhou para mim e sorriu.

— Vamos, Cole. — Olhei para minha mãe que estava no chão, parecendo desolada, para Charles, cujos lábios tremiam, e Dante, com cabeça baixa, e lhes virei as costas.

Eu protegeria minha família até mesmo de mim.
 


Notas Finais


... '-'


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