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História O Mordomo - Capítulo 3


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Notas do Autor


Olá, demorei?
Capítulo não revisado, então talvez eu dê uma leve matada no português.
Enfim, espero que gostem.
Sweet kisses. :3

Capítulo 3 - Verdades


Verdades

 

 

  Aparentava ser um dia feliz para muitos, visto que, a renovação impregnava os cantos da mansão Huang. As paredes de cor bege, antes decoradas com belos quadros de Feifei, agora se encontravam vazios, sem essência alguma, e se o feito foi um avanço para Huang Chuanli, Zitao agora eliminava o pai de suas memórias.

  Um Yifan andava pasmado entre os corredores extensos, o que havia com seu chefe afinal? O moreno suspirou, buscando algum motivo para continuar ali além de Zitao.

  Sorriu desgostoso, consciente de que como proposto por si mesmo, nada o prendia ali além do garoto mais novo.

  O mordomo rumou em direção aos aposentos de Tao, depois de ter a certeza de não estar sendo perseguido por Meili. Deslizou os dedos pela entrada de amadeirada, titubeando por breves segundos. Passou as mãos por entre as madeixas cor de jabuticaba, ponderando a possibilidade do mais novo estar bravo consigo, e se esta fosse a situação, explicaria a ansiedade que erradicava suas veias sanguíneas em uma velocidade absurda.

  Tão absorto, não notou o estalar silencioso da tranca, e o par de safiras que tanto amava, direcionadas para si.

  - Zitao. – Piscou os olhos duvidoso, vendo o indicador do garoto lhe indicar a petição de silêncio.

  O Huang inclinou-se através da porta, espiando pelos cantos da casa, e em um ato calculado, puxou o Wu pelo pulso.

  A porta foi fechada, e não se demorou para que a tranca dobrasse duas vezes.

  Ambos permaneceram caladas, os corações bombeavam tão rápido, que a dúvida de poder ser captado estava de pé.

  - Eu não estou bravo com você, - Declarou tímido – sei que Meili é uma cobra, e você é meio lerdo com mulheres. – Revirou os olhos, afastando-se gradativamente para sentar-se sobre o acolchoado vermelho.

  Yifan abriu a boca diversas vezes, realmente não esperava este tipo de situação do menor, e bem no fundo, queria chorar em forma de desabafo.

  - Tao me desculpe, - O mais velho repetiu o processo, sentando-se na cama – eu não queria fazer aquilo com ela. – Notou ser silenciado em meio as lamúrias, os olhos escarlates agora caiam sobre o rosto formoso.

  Desde que Zitao atingira sua maioridade, Yifan não pode notar em como o rosto havia ganhado traços maduros. Mas a infantilidade, de nada mudou.

  - Eu vi uma mulher, - Declarou em um fio de voz, mordendo os lábios nervoso. - ela... disse para mim não ficar bravo com você.

  Yifan estava eletrizado, a boca secou-se ao escutar as palavras do menor. Ele não poderia estar falando de Feifei, poderia?

  - Fanfan, - O Wu saiu de seus devaneios, focando seus orbes no Huang, não evitando o espanto ao ver lágrimas inundando as safiras – é ela, não é? – perguntou, o toque de agonia era quase palpável, o mesmo sentimento que deixava seu corpo trêmulo. As mãos pressionavam seu peito, como se fosse um remédio para suas dores, no entanto, não passava de efeito placebo.

  O mais velho tentou argumentar, o que ele poderia falar afinal? Ambos sabiam que era a Huang, mas eram fracos demais para admitir e ter que carregar um título de saudade dolorosa. Por mais que Tao nunca tivesse o vislumbre do rosto cálido da mulher, Yifan ficou encarregado por tempos, em fazer o filhote imaginar a mãe como uma Deusa.

  - Por que não fala nada? – Bravo, o tom de voz do mais novo elevou, não mais se importando se alguém ouviria.

  - Fala Yifan! – As mãos do Huang apertaram o tecido da cama, a visão não estava tão nítida como antes, e o frio o fazia bambear. – Era minha mãe?

  Tao se sentia angustiado, sua vontade era de se descabelar, e que tudo não passasse de um sonho, e logo acordasse com seus 6 anos, quando ainda podia brincar com o Wu sem serem interrompidos.

  - Fanfan. – Tentou uma última vez, embriagado com tudo, prova disso era a tontura que sentia.

  O maior continuou paralisado, assimilando tudo de maneira lenta demais para o gosto do pequeno. Ele queria realmente acalma-lo, mas não entendia a razão de não conseguir se mover ou alfinetar algo, a imagem de Tao chorando nãos desgrudava de sua cabeça.

  Zitao levantou-se, rumando sobre o mordomo. Queria estraçalhar sua raiva em pedacinhos e afogar sua tristeza em um mar onde nunca mais poderia emergir. Com o resto de força que tinha, – visse não tão intensa – o Huang desferiu tapas sobre o peito do mais velho, que sem opções melhores, permitiu-se apanhar para o mais novo.

  A massa corporal começou a ser abalada, e o corpo sobre si parecia insatisfeito, visto que o rosto avermelhado pela frustração, parecia ter uma cachoeira de lágrimas.

  - Tao, para! – Pediu trêmulo, sendo empurrado contra o colchão.

  - Por que isso está acontecendo? Me fala! – Se sentou sobre o colo alheio, puxando o Wu pelo colarinho. – Você tem noção do quanto eu estou irritado? Primeiro Meili e meu pai, agora estou triste porque minha mãe do nada apareceu para mim, dizendo para não te odiar! – Disse tudo rápido demais, chacoalhando o corpo embaixo de si.

  - Isso tudo é culpa sua! – Ofegou, não notando que o mais velho chorava junto consigo, algo raro de se ver. – É culpa sua. – Repetiu, em um tom mais baixo comparado aos gritos de antes.

  - Suma da minha vida Wu, - Pediu, apertando o tecido em suas mãos – ‘tá doendo muito, aqui. – Declarou ofegante, molhando o terno do mais velho com suas lágrimas.

  Yifan estava incompleto, uma solidão imensa o acorrentava a uma sensação agonizante. Ele só queria poder fazer algo, abraçar o corpo menor, em uma medida única de acalmar o furacão nos corações.

  - Eu te amo Zitao. – Sussurrou, a sanidade fugindo de si aos poucos. Enlaçou o mais novo em seus braços, sentindo-o se aconchegar.

  - Eu estou ficando louco. – O Huang murmurou mais para si, retribuindo o afeto.

  Era como um remédio, o Wu era sua salvação, e por mais que muitos obstáculos o fizessem duvidar, enfim esse sempre chegava a conclusão que precisava do mordomo como se fosse sua vida.

  - Você acha? – Um sorriso fraco aparece nos lábios carnudos, a mão cálida lhe afagando os cabelos escuros.

  - Sim, não é normal alguém desejar matar a própria tia. – Yifan ri, um sentimento de leveza o invadindo, aos dois especificamente. Este era o efeito que cada um causava, era como se voassem até o olho do furacão.

  - Não suje suas mãos com ela, amor. – Como um toque brusco, Tao enrubesceu, o ar fugindo de seus pulmões mais uma vez. Estava com raiva, como podia ser tão fraco ao ponto de delirar com uma palavra que o Wu proferia?

  - Por que? – O garoto se cala, por um par de dedos sobre seus finos lábios.

  Os orbes do mais alto faiscaram, queria falar mil juras, no entanto, a beleza exótica do garoto o fazia perder as linhas.

  - Meili já está morta para mim. – Sorriu, afastando a destra da boca alheia, podendo ver o puxar de lábios contente.

  - Somos só eu e você agora? – Deitou o rosto nas mãos do maior.

  - Sim, meu pequeno. – Respondeu o mesmo, acariciando-lhe a bochecha.

  Naquele espaço decorado de ouro e quadros de famosos artistas, os lábios se encostaram, ninguém mais do que as paredes poderiam testemunhar aquele ato casto. O mundo parecia tão distante naquele momento, então este era o sentido de se sentir na lua?

  Baixos murmúrios não poderiam ser captados por curiosos de plantão, as línguas se movendo em perfeita sincronia ao menos poderia ser sonhada, e o melhor, era a sensação que as peles juntas causavam. Nada descrevia o ósculo lento, ambos estavam frágeis demais aos toques.

  O Wu rolou para o lado, debruçando-se afetuosamente sobre o menor. As mãos macias percorreram a nuca do moreno mais velho, e a cabeleira escura do mais baixo esparramaram pelo colchão. As bocas voltaram a se chocar de maneira precisa, e os dedos salientes se emaranharam entre as madeixas do maior, puxando a liga que o prendia para trás.

  O de olhos carmesim suspirou, tendo seus fios negros moldados ao lado do rosto. Tao jamais havia visto o Wu com os cabelos soltos, e não pode deixar de se apaixonar mais ainda. Pobre coração, o maltratava de um jeito tão gostoso.

  A lente de contato não estava mais sobre a ponte de seu nariz, o este não fazia ideia de por onde o objeto havia caído, estava entretido demais saboreando os doces lábios do pequeno.

  Eram como fogo e gasolina, precisavam um do outro para formar a combustão que o amor pedia, e ansiava desde sempre.

  - Seu pai vai me matar Taozi. – O moreno soprou um riso, dando o privilegio para o Huang vislumbrar os olhos escarlates, a boca vermelhinha pelo recém beijo e os cabelos lhe dando uma aparência de perder o fôlego.

  Zitao era realmente um garoto de sorte.

  - Ele não vai saber, Fanfan. – O vozear manhoso arranhou o ambiente, como um canto delicioso para dormir. O Wu sorriu pela milésima vez, ato que o garotinho mimado já o causava como se fosse uma profissão.

  - Não seja saliente. – O maior não podia negar, estava desejando demais fazer o pequeno só seu, lhe dar prazer até o corpo não aguentar e se derreter em um ápice, entretanto, tinha que resolver seu problema com Meili.

  - Eu juro que podemos fazer amor em outra hora. – Um tom avermelhado pintou as bochechas bronzeadas do de olhos azuis, arrancando uma risada do mais velho.

  - Você me chama assim, mas fica falando besteira. – Desferiu um tapa sobre o ombro forte, em um pedido para que saísse de cima de si. – Vamos, sai, tenho mais o que fazer.

  - Certo, certo. – Disse indiferente, descrente da sensatez do Huang.

  As safiras do menor se cerraram, em um olhar desconfiado.

  - Vai me desobedecer? – Perguntou, com uma aura soberana.

  - E eu estou te desobedecendo? – Sussurrou rouco, os lábios próximos demais ao pescoço intacto.

  - Você quer realmente que eu pare com isso? – Indagou perverso, marcando a pele alva com um chupão.

  O mais novo murmurou um palavrão, descrente demais para assimilar a audácia do maior.

 

[...]

 

  Tao estava afundado no ôfuro, tendo sua cabeleira sedosa enxaguada pelas mãos das criadas.

  Estavam todas desconcertadas desde que o príncipe entrou no ambiente, e já este, não entendia o motivo da timidez, todas eram profissionais demais para terem vergonha do corpo do menor.

  - Senhor Huang, tens um namorado? – A mais corajosa perguntou, recebendo olhares assustados das demais, e um curioso do Huang.

  - Não? – Respondeu incerto demais, perdendo a linha de raciocínio ao ter a mente invadida por um certo par de orbes escarlates, o que arrancou murmurinhos bisbilhoteiros das moças – Não! – Alfinetou com mais firmeza, cessando o discreto falatório.

  - O senhor é alérgico a algo? – Uma garota de cabelos loiros respondeu, com um pequeno espelho nas mãos.

  - Também não, por que estão assim? – O Huang calou-se, ao ver uma marca vermelha em seu pescoço, levemente roxeada.

  No momento, todas os observavam, com uma carranca nas faces. O príncipe só sabia engolir em seco e ficar corado, queria na verdade, descabelar o mordomo, ele o havia marcado e ao menos lhe avisou.

  - Deixem de ser salientes, eu me machuquei, só isso. – Pôs a mão sobre o local onde, horas atrás, os lábios do Wu se encontravam. Ah, se elas ao menos sonhassem que o filhote de seu rei havia rolado pela cama, com mãos bobas o segurando, e beijos - que variavam de inocentes a quentes – sendo compartilhados.

  Um coro em conformação foi ouvido, e todas voltaram aos seus afazeres.

 

[...]

 

  Zitao despediu as garotas de seu quarto, agora trajando um hobby de seda vermelho. O mesmo iria falar com seu pai, sabia que provavelmente receberia uma bronca por estar acordado até tarde da noite, mas precisava saber se o mesmo iria realmente velejar de cruzeiro, como o patriarca havia lhe prometido como presente de dezoito anos.

  Os pés passearam pelo chão frio, e não evitou arrepiar-se com o ar gelado que atingiu a pele que, em partes, estava desnuda. Passou pelo corredor extenso, e não pode evitar o desejo de chorar ao não apreciar mais os quadros de sua mãe. Por um lado, Tao estava com remorso de seu pai, não apoiou nem um pouco a retirada dos objetos que valiam mais do que todo o ouro daquela mansão.

  O Huang engoliu a lamúria, voltando a trilhar seu caminho para a sala do pai, porém, uma luz acessa lhe chamou a atenção. Era errado bisbilhotar os aposentos alheios? Era o quarto de seu pai, o mesmo não costumava dormir cedo, era um homem responsável e que cuidava das ações da família, e se estivesse doente? Por mais que Tao o odiasse no momento, o Huang mais velho era o único que lhe restava. Que mal poderia lhe fazer?

  Muitos, pois ao abrir a porta silenciosamente, o menor só queria que tudo não passasse de um pesadelo.

 

 

 

 



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