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História O Mundo Através Dos Nossos Olhos - Capítulo 2


Escrita por: Ba_Valt

Notas do Autor


Bom, vamos lá né
Um aviso rápido: Provavelmente o começo vai ser meio maçante ou acelerado, mas prometo que não vou decepcionar ngm

Capítulo 2 - Um


Maria Martinez di Benedetti nunca tivera problemas em fingir interesse e simpatia em assuntos alheios, mas para ela, aquilo já estava se tornando irritantemente ridículo.

Sua única saída era continuar à bebericar do vinho tinto e tamborilar educadamente seus dedos enluvados na poltrona enquanto o rapaz a sua frente tomava à frente da conversa jogando todos os tipos de fatos enfadonhos sobre suas aspirações ao que dizia respeito ao próprio trabalho. 

Talvez ela pudesse fingir desatenção e derrubar um pouco de seu vinho no próprio vestido, podendo assim se retirar da mesa, mas claro que aquilo não era uma opção. Seu pai provavelmente a mataria se soubesse que havia estragado um vestido tão caro pra fugir de uma situação tão ridícula como aquela. Não, Maria teria que aguentar o jovem Afonso até o final do jantar.

- É como eu disse antes Srta. di Benedetti um belo quadro necessita de um grande turbilhão de emoções em jogo.

Afonso Marinius, a nova promessa entre os amantes à pintura. Seria um rapaz fascinante se não fosse tão falatório. Bonito, rico e entusiasmado, Afonso Marinius poderia ser muito bem o sonho de consumo de qualquer jovem moradora de Veneza, com sua mandíbula forte, cabelos castanhos ondulando entre as orelhas e olhos negros profundos; poderia facilmente capturar todos os olhares de quem quisesse, se claro, não fizesse tanta questão de andar por aí melado de tinta até às orelhas.

Felizmente não fazia o seu tipo.

Àquela hora, suas criadas já estariam ajudando-a a escolher uma nova peça para uma noite notória de danças. Carmélia adorava arrastá-la todas as sextas para uma "noite na cidade". Como ela mesma dizia.

Depois de longos dias olhando para suas telas e se sujando toda, as duas encontravam sempre um estranho lugar para dançar na escuridão do clube mais distante de casa.

Normalmente as duas costumavam sair dos salões de baile com a maquiagem borrada e as luvas retiradas e jogadas em seus ombros; enquanto eram encaradas pelas damas da alta sociedade com olhares duros e acusadores. Ora, Maria era mulher mas também era humana, e jovem afinal; mesmo passando boa parte do fim da tarde se divertindo, sempre voltava ao solar para fazer suas orações noturnas e praticar a culinária de que um dia tanto precisaria quando arranjasse um bom marido, mantendo a saia bem abaixo dos joelhos.

Essa vida corrida nunca intrigou Maria.

Desde tenra idade, sua irmã Lunna amava a cozinha, e sua mãe sempre elogiava seus bordados e postura à frente de todos. Seu irmão mais velho, Brenni, tinha mãos fortes para qualquer tipo de serviço e abençoado com uma mente apurada para a aritmética, nunca trouxera vergonha para casa.

Enquanto isso, Maria, a mais nova entre os três irmãos Benedetti preferia ficar acordada e isolada em seu quarto dando vida com seus lápis, vestida com seu macacão favorito, ou correndo com seus vizinhos ao longo da beira dos canais de Veneza. Quase sempre ela voltava para casa coberta dos pés a cabeça de poeira e carvão mas seus pais nunca disseram uma única palavra, afinal, eles já tinha dois outros filhos que se encaixavam perfeitamente nas normas que alta sociedade exigia; então por que iriam querer arruinar a felicidade de uma única filha?

Mas então a maioridade veio; necessariamente a três meses, seguida por dias escuros na casa dos di Benedetti.

Brenni até que fizera bom uso de sua aritmética e se alistou ao exército como engenheiro, terminou falecendo um mês depois de seu aniversário, em uma missão na Etiópia. Seu pai diz que foi um choque de guerra que o matou. Sua mãe atingida pela dor caiu em uma tristeza profunda, que por sua vez estava tão fraca que acabara falecendo depois de dias lutando contra uma gripe.

Ah que dias difíceis foram aqueles, se a perguntasse quando acontecera tudo aquilo, provavelmente ela responderia que a anos, não a alguns meses.

Na sequência dessas perdas, os di Benedetti restantes foram forçados a fazer algumas escolhas difíceis. Sem a mãe e o irmão, o pai de Maria se viu no dever de insistir que ela parasse de agir de forma tão infantil e começasse a se portar como uma verdadeira dama.

Ela teria que agir como uma jovem mulher e transformar a sua arte em uma carreira profissional, ou se renderia aos velhos modos e arranjaria um bom partido para lhe sustentar.

Então aqui está ela em um encontro no qual seu pai quase a obrigara a ir. Afonso Marinius, filho de um homem com quem seu pai trabalha no Ministério das Relações Exteriores. Ela não podia esquecer que aquela poderia ser uma grande oportunidade. Até tinha cancelado todos os seus planos com Carmélia e trançado o cabelo para o rapaz que até agora passara a noite inteira falando sobre si mesmo. Maria duvidasse que ele notasse a diferença entre ela e a metade das cadeiras neste salão.

Maldição. Maria ansiava por suas próprias pinturas e telas, não as do lorde Afonso. Ela até tinha uma vitrine marcada para amanhã de manhã, e esperava que depois desse jantar pudesse fazer uma breve visita à exposição para ter certeza que tudo estava em seu devido lugar. Mas parecia que ela nunca chegaria lá se o lorde Afonso continuasse falando sobre suas quebras de expectativas entre o real e o mágico.

Então sem aviso prévio, seu copo de vinho, já vazio, salta de sua mão quando um homem em um terno cinza justo bate em sua mesa de jantar. Efetivamente derramando todo o vinho tinto de Afonso em sua camisa social, com um baque surdo.

- Oh Deus, sinto muitíssimo senhor, devo ter tropeçado nos meus próprios pés. - Tentava explicar o estranho, que não parecia nem um pouco nervoso. Ele tinha um sotaque que envolvia as palavras que falava. Maria já havia participado de muitas festas de intercâmbio com o pai para perceber quando o italiano não é a primeira língua de alguém.

Afonso não esperou por mais explicações e se pôs de pé tentando enxugar sua camisa com um guardanapo de pano branco; o que inutilmente só fez espalhar mais ainda o carmesim.

- Seu idiota! Eu acabei de receber de volta da lavanderia! - Afonso explodiu, mudando todo aquele seu semblante sereno e arrogante, suas sobrancelhas claras se juntaram de raiva. Agora todas as atenções do salão estavam voltadas para o senhor Marinius.

O estranho atrapalhado inclinou a cabeça com as sobrancelhas também juntas, de confusão.

- Mais uma vez senhor, sinto muito por minha falta de atenção. - Dito isso ele segura a manga de um garçom que passava com uma pilha de guardanapos, e os entrega a Afonso, que parecia estar se saindo muito bem em manchar mais ainda a camiseta.

- Tenham uma boa noite. - Ele resmunga e caminha rapidamente em direção à saída, provavelmente envergonhado.

Embora seu jantar estivesse sido muito bom e ela esperava terminá-lo, Maria não podia deixar de ser grata ao estranho, ela não sabia o que poderia ter feito se aquilo continuasse como estava indo. Era a hora de se despedir, felizmente.

- Bom, foi um prazer Afonso, - ela range os dentes através da mentira, - mas eu realmente tenho que acordar muito cedo amanhã, e acho também que... você deveria colocar sua camisa novamente na lavanderia.

Com um beijo educado na bochecha do jovem, Maria passa por ele em direção à saída. Se vendo livre entre os canais de Veneza, solta um leve sorriso para o canal. Ainda tinha tempo para uma pequena visita à galeria de artes de Veneza.




Notas Finais


Obrigado por lerem, vcs são tudo 😔✊🏼


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