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História O Mundo Através Dos Nossos Olhos - Capítulo 3


Escrita por: Ba_Valt

Notas do Autor


Eu sempre quis trabalhar essa idéia aiai

Capítulo 3 - Dois


Ela sempre se sentira mais calma entre suas próprias obras.

Quando era mais nova, Maria costumava agarrar as calças do pai e passar um bom tempo mostrando as maravilhas que via. Garotas de olhos redondos se derretendo nas árvores dos vinhedos. Vacas de aparência avermelhadas pastando ao longo das margens dos canais. Formas de aparência peculiar movendo-se pelos os campos de trigo da fazenda de seu avô na Sicília.

Sua pai sempre ria, provocando-a por sua imaginação hiperativa.

"Você pinta seus pensamentos no céu, Maria."

A medida que fora ficando mais velha, seu pai já não mais brincava com ela. Quando ela mencionava as garotas de olhos estranhos espiando por baixo das gôndolas nos canais, ele começava a olha-lá com uma certa preocupação.

Quando completara seus 10 anos, seu vizinho Martins fora mandado para um lugar chamado Instituição de Genebra, ela se lembrava vividamente da noite em que os médicos vieram buscá-lo. Pelas conversas abafadas dos pais e pelas fofocas da cidade, a pequena Maria só podia deduzir que o velho Martins vinha se machucando, lutando contra coisas que não existiam. Atormentado pelo o que seu pai chamava de delírios.

A partir de então, Maria entendeu que nem todos podiam ver as coisas que ela via. Ela não poderia dizer a mais ninguém sobre o mundo secreto do qual fazia parte. Limitando-o apena à uma tela pintada.

Mas agora, em sua própria galeria de pura criação entre suas próprias ilusões, é aqui onde Maria se sente mais confortável.

Ela anda distraidamente de uma peça à outra. Cada tela é coberta por um pesado lençol branco para proteção contra poeira e sujeiras até a inauguração de amanhã. Nossa, como o tempo havia passado depressa. Maria mal podia acreditar que ela finalmente estava ali.

Quando seu pai lhe disse que ela teria que fazer de sua arte uma carreira ou deixá-la para trás, ela não esperava nada além de encomendas regulares para amigos da família por aqui e por ali. Uma galeria? Isso era algo que ela nunca tinha imaginado acontecer.

Ela se lembrava como se fosse ontem, uma autora local havia pedido sua ajuda para restaurar um quadro importante da igreja, e quando a cidade viu o seu trabalho, todos pegaram fôlego fazendo assim o talento de Maria di Benedetti ganhar vida.

Cameron originalmente queria chamar a galeria de algo elegante e ameaçador como O Oráculo, mas aquilo não fazia muito o estilo de Maria. E então ela optou por O Mundo Perdido Através das Tintas, apenas para exagerar a verdadeira essência de seu trabalho.

Parada em outro corredor onde suas pinturas mais simplórias e mortas estão armazenadas, seu salto fica preso na borda de um tapete puído, derrubando assim o lençol pesado que ela estava ajustando em uma das telas.

- Eu esperava mesmo poder dar uma espiada. - Uma voz com sotaque arrastado vem da direção da porta.

Maria assustada com o momento endireita e ajusta o lençol caído depressa.

- O horário de visita está fechado, senhor. - A resposta sai de sua boca instintivamente antes que ela tenha a chance de reconhecer aquela voz. Era o homem atrapalhado do restaurante.

O intruso entra mais na sala, seus sapatos ecoam à cada passo dado na grande sala; sob as poucas luzes que Maria acendeu, ela finalmente consegue sua primeira boa olhada no sujeito. Ele não é tão alto quanto o Afonso, no entanto, suas feições esguias são realçada vividamente por seu terno cinza bem cortado e seus sapatos elegantes de homem de negócios.

Sua mandíbula é pontiaguda com alguns resquícios da barba aparentemente feita a algum tempo, destacando assim o seu tom de pele cor de oliva pálido, não muito diferente do dela. O roxo de sua gravata realça o contraste em seus olhos negros, Maria nunca havia conhecido alguém com íris negras antes, mas mesmo assim, seus dedos coçaram por um lápis de cor.

O estranho lhe dá um breve sorriso torto.

- Bem, é claro que o horário de visitas está fechado, esse é o melhor momento para admirar as telas, não acha?

Ele abre os braços como se quisesse englobar as maravilhas do museu deserto.

Os olhos de Maria percorrem as paredes familiares do museu em nuca de socorro, mas o segurança que ela passou ao entrar, não está mais à vista.

- Como você chegou aqui? - Sua mente está lhe dizendo que é o tipo de situação onde ela deveria se sentir assustada, mas Maria fica não deixa de se sentir intrigada com o estranho atrapalhado e agora, misterioso. Ela se ergue mais para acentuar sua confiança. Estar na presença de outra pessoa a faz se sentir estranhamente centrada.

O homem ri com sua pergunta.

- Vamos apenas dizer que minha família tem... conexões antigas com este museu; e eu posso ser ou não um visitante noturno regular.

No silêncio de Maria ele continua.

- Eu reconheço o seu estilo de arte pelo mural da igreja da cidade, mas não fazia idéia de que a autora era a mesma mulher bonita que vi no jantar mais cedo.

Maria sente suas bochechas arderem com o elogio repentino. É comum que os homens italianos fossem ousados em seus elogios, mas ninguém jamais ousou dizer esse tipo de palavra a ela quando sua irmã mais velha, era uma opção muito mais desejável.

- Eu dificilmente pensei que o senhor fosse se lembrar de um pequeno detalhe como uma senhorita de uma mesa que acidentalmente trombou. - Era a mais pura verdade, esse homem exalava riqueza e profissionalismo, que tipo de interesse ele teria por uma jovem e peculiar garota de Veneza?

- Mas não foi um acidente, senhorita. Estava bem visível de que você estava lutando para prestar atenção naquele rapaz. - O homem encontra seus olhos pela primeira vez e Maria se vê presa pelo contato.

- Todo o restaurante podia ouvi-lo gabando-se de sua carreira e achei que poderia lhe oferecer uma chance de fugir.

Então mais uma vez, ela enrubesceu. Nossa, como ela odiava aquilo.

- Bom, como você poderia me culpar? - Ela gesticula com as mãos, - com a escolha entre uma conversa de duas horas sobre a construção de igrejas e visitar sua própria exposição de arte, acho que fica meio óbvio qual cenário você escolheria.

O maldito solta mais uma risada de leve. Ele não é mais um homem de negócios rico e inatingível, agora é só mais um homem bonito que por acaso acha Maria e suas obras interessantes.

- E sim, eu também gosto de passear pelos museus europeus, mas recentemente me vi atraído por está galeria, especialmente por suas exposições, senhorita...?

Maria ficou alguns segundo esperando ele terminar a frase, mas então percebeu que ele havia feito uma pergunta. Sobre o que mesmo? Ah é, seu nome.

- di Benedetti. Maria di Benedetti.

O estranho assente diante do nome.

- Me diga senhorita di Benedetti, você alguma vez já recebeu alguma comissão pelas suas telas?

Maria se sente estupidamente surpresa com a pergunta do homem. Não havia dúvidas de seu talento, mas mesmo assim, não parecia ser algo bom o suficiente para alguém gastar dinheiro com aquilo. Afinal, as pessoas admiravam sua arte, mas também a achavam peculiar demais, ninguém iria querer uma coisa daquelas penduradas em suas casas. Nem que fosse de graça.

- Senhor? - Ela pergunta um pouco atordoada com a pergunta. Provavelmente gaguejando.

O estranho encontra os olhos dela e diz:

- Você se importaria se continuarmos em inglês? Meu italiano é totalmente novo.

Maria concorda sentindo seu pequeno cérebro se ajustando aos costumes do inglês americano que seu pai insistiu que ela aprendesse.

- Embora muitas pessoas, pelo o que ouvi é claro, considerem seus trabalhos artísticos estranhos, busco conforto no mistério de suas telas. - Ele se abaixou estendendo a mão para pegar uma folha de uma árvore caída e esquecida no piso de mogno do museu. - Me pergunto se a senhorita talvez gostasse de pintar para mim.

O estranho faz uma pausa, pôs a folha perdida num bolso do terno olhando ao redor como se para ter certeza de que ninguém mais está ouvindo.

- Eu me chamo Nicolas e venho de uma rica família grega na América. E estou disposto a pagar muito por uma de suas criações, senhorita di Benedetti.

Antes mesmo que as últimas palavras saíssem de sua boca, Maria já estava assentindo com a cabeça. Era exatamente disso que ela precisava. Com a quantia certa, ela podia encontrar fundos para alugar um apartamento com um estúdio para suas telas. Talvez até seu pai começasse a levá-la mais a sério, talvez as damas da alta sociedade parassem de impotuná-la sobre encontrar um marido. 

Ligeiramente, Maria encontra um pedaço de papel em sua bolsa e tira também de lá um lápis. Na correria ela nota que escrevera o nome do homem errado no topo da página, e olha pra ele à sua frente.

- Há algum detalhe que o senhor possa oferecer sobre o tipo de pintura em que o senhor está interessado? Estilo, assunto, material, tamanho. Até mesmo um sobrenome seria útil.

Ela prepara o lápis contra o papel ansiosa pela voz do seu futuro empregador, mas o homem apenas avena com a mão em rejeição.

- Os detalhes da pintura são extensos demais para um simples lápis e papel. Talvez possamos discuti-los durando o almoço amanhã à tarde, digamos que pelas... treze horas?

O sorriso torto e amarelo do estranho está de volta e Maria se pergunta se essa proposta de almoço é totalmente profissional. Estranhamente Maria se pegou se perguntando se ela realmente quer que seja. 

Foco Maria Martinez. Ela grita mentalmente.

- Podemos nos encontrar no mesmo restaurante que nos esbarramos está noite. E quanto ao sobrenome... Pietro já está bom. Boa noite, senhorita di Benedetti.

Sem mais ou menos, Nicolas Pietro da meia-volta e se dirige para a saída. Seus passos ecoam agressivamente no chão de mogno encerado.

Pela primeira vez desde seu aniversário de 18 anos, Maria realmente se sentia animada por encontrar um homem para almoçar no delicatessen local.




Notas Finais


Obrigado por vieram até aqui :)


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