História O Mundo Lá Fora - Capítulo 1


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Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.719
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Mistério, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Há um lugar, uma planície, completamente deserta, exceto por uma casa bem grande, bem espaçosa, bem confortável. Essa casa conta com um jardim, cheio de flores, árvores e plantas magníficas enfeitando o belo local. Na casa, mora um garoto, seus pais e um cachorrinho, e eles viviam felizes nesse maravilhoso lugar. Porém, havia algo que o garoto da família era terminantemente proibido de fazer: ele era proibido, sob qualquer circunstância, sair da residência para se aventurar mundo afora. A casa era rodeada por um muro bem alto, feito de pedras e vinhas. O garoto não conseguia entender o porquê de ele não poder passar desse muro, mas ele tinha bastante medo de atravessar, pela forma sombria como os pais o contavam que aquilo podia ser horrível para o menino. “Se aventurar para além dos limites pode ser perigoso demais pra você, garoto. Por favor, sob hipótese alguma, não tente ultrapassar esses limites”. Era o que sempre diziam ao menino quando ele perguntava o que havia lá fora para ser tão perigoso ao ponto de ser proibido de ser alcançado, mas ninguém dava mais detalhes sobre o mundo do lado de fora. Sempre mudavam de assunto ou falavam que o que havia lá fora não importava, mas sim, o que eles tinham do lado de dentro. O mais próximo que o garoto conseguia ver do que havia fora da propriedade era através das brechas no muro da casa, e isso quando ele via que estava sozinho, sem ninguém olhando.

Certo dia, o menino acordou e, como de costume, foi ao jardim de casa brincar com o seu cachorro. Quando ele viu que seus pais se distraíram e viu que não estava sob supervisão de ninguém, o garoto seguiu até o muro e procurou por algum buraco pelo qual ele poderia olhar através, para ver o que havia além do que lhe era permitido ver. Normalmente, o garoto nunca conseguia ver nada demais, apenas um horizonte que parecia não ter fim, um chão composto apenas da mais verde grama e um céu onde só podia-se encontrar apenas uma imensidão azul, quase nenhuma nuvem. Porém, dessa vez, o menino encontrou algo que ele não estava acostumado a ver – algo como um coelho, com pelos bem brancos, orelhas bem compridas, e o animalzinho olhava fixamente para o menino. O cachorro começou a latir para o muro, para o animalzinho, e o menino tentou arranjar alguma forma de silenciar o cachorro, para não chamar a atenção dos pais, então o menino o trouxe para dentro de casa. Quando o garoto voltou, o animal ainda estava ali, encarando o menino.

– Ei amiguinho. – Disse o menino ao coelho. – Como vai você?

– Bem. – Respondeu o animal, surpreendendo o garoto.

– Você fala? Como...

– Você também fala. – O coelhinho se aproximou. – Eu nunca tinha visto ninguém como você antes.

– É que... meus pais não me deixam sair de casa.

– Por que não?

– Eu não sei. Eles nunca me contaram o motivo.

O menino ouviu sua mãe chamando por ele.

– Tenho que ir. – Disse o garoto.

– Você parece meio triste, isolado neste lugar. – Observou o coelho. – Volte aqui amanhã. Talvez a gente possa conversar melhor.

O menino acenou e se despediu do coelho, que foi embora saltitando. Após voltar para casa, o menino percebeu que, para sua sorte, ninguém havia desconfiado de nada.

No dia seguinte, ainda seguindo o costume, o garoto levou seu cachorro para brincar nos jardins de casa. Porém, assim que chegou ao jardim, lembrou-se do animal estranho que havia visto no dia anterior, e lembrou-se também de que seu cachorro não havia gostado muito dele. Então o garoto levou o cachorrinho de volta para casa e seguiu até o muro, no mesmo local onde tinha avistado o coelho. Só que, quando chegou e olhou através do buraco, não havia nada além da grama do outro lado. “Deve ter sido minha imaginação”, pensou o garoto. “Algum tipo de sonho estranho ou coisa do tipo”. Então, o menino virou-se para voltar para casa, quando ouviu uma voz o chamando do outro lado do muro. O garoto voltou e o coelho havia surgido ali, como que por mágica, do outro lado do buraco na parede.

– Você voltou. – Observou o coelho. – Pensei que você iria me deixar esperando aqui para sempre.

– Eu gosto de vir aqui, de vez em quando. – Disse o menino. – Apenas observar o mundo lá fora, e ver o quanto ele parece tão vazio. Bom, pelo menos é o que parece visto daqui...

– Seus pais não o deixam sair de casa, não é? Eu me pergunto por quê. Tudo aqui fora é tão bonito. Flores lindas em todo lugar, paisagens maravilhosas aonde quer que você olhe, e outros animais assim, como eu, que vivem livremente por aí, espalhando todo seu amor e carinho a todas as pessoas que veem.

– Eu queria poder sair. – Disse o garoto, tristemente. – Ver tudo isso que você falou, conhecer todos esses animais que você me contou.

– Quem sabe, algum dia, eu não te mostre o que há por aqui, nesse lugar onde eu vivo.

O garoto ouviu sua mãe lhe chamar de volta para casa.

– Amanhã. – Continuou o coelhinho. – Amanhã nos veremos de novo, e eu posso te mostrar as coisas que acontecem por aqui. Já que você não pode ver o mundo aqui fora, eu trago o mundo daqui até você! Isso apenas se você me deixar entrar.

O garoto ouviu sua mãe o chamar mais uma vez.

– Tudo bem! – Confirmou o garoto, cheio de animação. – Amanhã eu te ajudo a vir aqui em casa e me contar mais sobre esse mundo em que você vive!

O menino voltou para casa. Ele estava bem animado. Pela primeira vez na sua vida ele ia ter algum tipo de contato com o mundo que ele desejava tanto conhecer. As histórias que o coelho lhe contaria impressionar-lhe-ia pelo resto de sua vida. Havia apenas um porém: ele precisaria esconder o coelho dos outros, ou poderiam expulsar o pobre animalzinho de casa.

No dia seguinte, agora fugindo do costume, o garoto, após acordar, não levou seu cachorro para brincar no jardim, mas sim, alguma ferramenta que o ajudaria a criar uma passagem para o coelhinho poder entrar em casa. Quando chegou no local onde costumava encontrar seu mais novo amigo, ele viu o coelho ansioso, malmente se aguentando em felicidade parar poder entrar em casa pela primeira vez. O garoto também estava bastante feliz com isso, pois pela primeira vez ele havia feito um amigo que não fosse seu cachorro. Um amigo com o qual ele poderia conversar à vontade sobre assuntos, sobre descobertas que o deixaria maravilhado. Então, o menino começou a cavar num ponto logo abaixo do muro, na terra, para conseguir abrir uma passagem grande o suficiente para o coelho poder passar. O animalzinho estava tão ansioso que começou a ajudar a cavar a passagem. Logo, o coelho pôde passar sem dificuldades pela passagem que ele e o garoto haviam feito. O animal parecia menor visto de mais perto, quando não é visto por uma brecha em um muro de pedra. O garoto o escondeu debaixo da blusa e o levou às pressas para o seu quarto, no segundo andar da casa. Chegando lá, o menino se trancou no quarto junto com o seu novo amigo.

– Então, como é o mundo lá fora? – Perguntou o garoto, cheio de curiosidade.

O coelho começou a descrever como seria se o menino fosse com o coelhinho para fora da casa. Foi descrito um lugar maravilhoso, onde tudo era perfeito, onde o sol iluminava o dia de todos com raios de felicidade interminável, e a lua encantava e acolhia todos que a aproveitavam para descansar. As flores desabrochavam e pareciam sorrir para todo mundo que as olhasse. Árvores que davam frutos que eram tão deliciosos que a vontade de os comer nunca acabava. Os dois começaram a conversar sobe esse lugar, e acabaram se perdendo no meio da conversa. Não perceberam que a noite já chegara e estava começando a ficar tarde, então o garoto e o coelhinho caíram no sono, o menino ainda imaginando o quão incrível seria escapar da casa pelo menos uma vez, apenas para ver o que havia além dos limites de casa.

No dia seguinte, assim que o garoto acordou, ele notou algo estranho: o coelho havia sumido, e a porta que o garoto havia esquecido trancada agora estava quebrada, forçada demais até a tranca se partir. O garoto se levantou e desceu as escadas ainda procurando pelo coelho. Assim que ele chegou à sala, o seu corpo inteiro congelou.

Pendurado ao lustre, o cachorro do menino encontrava-se enforcado com arame farpado. Gotas e mais gotas de sangue pingavam no chão, formando uma poça logo abaixo do cão. Na parede da sala, o pai e a mãe do garoto estavam pendurados pelas mãos com pregos na parede, os estômagos estraçalhados e suas vísceras esparramadas no chão embaixo dos seus pés, sendo devoradas por alguma coisa, um animal, com os pelos completamente negros, garras assustadoramente grandes, o monstro medindo uns dois metros de altura e chifres curvos enormes. Quando o garoto chegou na sala, a figura horrenda virou-se para ele, mostrando olhos bem grandes e bem amarelados, de aparência intimidadora e assustadora, uma bocarra com fileiras de dentes afiadíssimos, encharcada de sangue, o sangue dos pais do garoto. O monstro terminou de mastigar um dos órgãos dos pais do menino e disse:

– Era por isso que eles não te deixavam ir embora. – A voz do monstro era assustadoramente arrepiante, como se aquilo que o menino ouvia se agarrasse à sua alma, a arrastando até os limites do próprio desespero. Mas o menino reconhecia, de alguma forma, aquela voz. Tinha uma semelhança sombria com a voz do coelho que costumava conversar com ele todos os dias. – O mundo lá fora está cheio de animaizinhos como eu, prontos para espalhar “amor e carinho” para todos que encontram. Você me disse que queria poder se aventurar por aí, mundo afora. Agora que as únicas coisas que o impediam de fugir estão mortas, você pode vir comigo. Juntos, nós vamos espalhar o máximo de amor e carinho que nós conseguirmos passar, para todas as pessoas que vermos por aí... – O monstro começou a se aproximar do garoto, bem lentamente. – Nós vamos ser tão felizes juntos... amigo...



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