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História O Mundo Sombrio de Seungwan - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, camaradas! Esse capítulo contém uma atmosfera um tiquinho mais assustadora do que a maioria dos outros. Boa leitura, espero que gostem!

— Capítulo betado pelo próprio autor, @astrounatic.

Capítulo 5 - Tardes chatas, hora da bruxa, vestes de noiva e relâmpagos


Fanfic / Fanfiction O Mundo Sombrio de Seungwan - Capítulo 5 - Tardes chatas, hora da bruxa, vestes de noiva e relâmpagos

A tarde daquele dia tinha sido, de modo franco, bem chata. Bem mesmo. É isso, sem palavras difíceis ou alongamentos desnecessários: tinha sido um completo tédio!  Wendy, que quase já não tinha tempo nem mais pra respirar, teve que passar o dia arrumando-se, se maquiando e experimentando calçados, já que, aconteceria naquela noite o vocês-sabem-o-quê.

    Vocês-sabem-o-quê, porque isso já foi falado tantas vezes que até já está ficando chato: o batismo das trevas de Son Seungwan era naquele dia! Pff. 

    E, pra sua própria felicidade, o fato do dia estar sendo entediante tinha lá a sua vantagem: o tempo demorava a passar! 

    Bom pra ela, afinal de contas.

   Mas, a sua felicidade não durou muito, porque o que é bom se acaba rápido. A noite começou a chegar, despretensiosa, logo depois da tardinha, que não foi pra lá de muito agradável.

    E quando viu, estava lá ela, se encarando no espelho do seu quarto, vestida de um véu negro e uma roupa de noiva, dessas de casamento de gente rica, só que, invés da roupa ter uma cor alva, como a neve, era negra, feito o seu véu.

Seu vestido dizia muito sobre a ocasião. Vestes de casamento — que simbolizavam uma união e uma aliança —, com as quais ela entraria, na meia-noite (a hora da bruxa), para “casar-se”, não-literalmente, com um noivo que nem sequer estaria presente.

Pelo menos, não com a sua presença física. Ela assim esperava, pra falar a verdade.

    

    Onze horas e trinta e nove minutos da noite. Engoliu em seco, estando ainda frustrada, indecisa, chateada, confusa. Todos esses adjetivos, na real, nem chegavam perto da turbulência de emoções que havia no coraçãozinho da garota. 

Estava perto de explodir, e temia que acabasse por fazer isso mesmo, numa explosão de sua magia que latejava no seu corpo. 

Seus pais a olharam, orgulhosos, relevando a postura intrínseca, meio desgostosa da própria filha. Então, deram as mãos e, como se jamais tivessem estado naquela sala, os três desapareceram. 

Quando abriram os olhos, se depararam com outro panorama. Um posto de gasolina, jogado às traças. Espera, espera aí! Não era exatamente um posto de gasolina. Não era não, porque quando a matriarca da família disse umas palavras estranhas, o cenário modificou-se: de lugar abandonado, deram-se de cara com um lugar mais peculiar.

Ora, ora, ora! Era a igreja das sombras. Ao vivo, a cores. Cores estas bastante sem-vida, sem graça, sem quase nada. O tempo era lúgubre. Havia uma torrezinha, com um sino, lá no topo. Seguia à risca o modelo aristocrático, meio melancólico, de capelas cristãs. A única exceção, obviamente, era que não era uma igreja cristã  — e sim satânica, muito que bem, obrigado. 

Um arrepio correu-lhe o corpo. Um pressentimento ruim, sei lá. Não que ela não estivesse acostumada com o ambiente. Seungwan frequentava todos os cultos, desde que se entendia por gente. Não que fosse uma religiosa fervorosa, vocês sabem que não. Ia ali por pura obrigação.

Era acostumada com a atmosfera de funeral que o local tinha. 

Entrou, engolindo em seco a saliva que formava-se em sua garganta. Sorriu, forçando. O sino tocou. Meia-noite. As portas se abriram e a menina pôde olhar os rostos já conhecidos do seu conventículo.

Todos os ali presentes estavam para testemunhar seu batismo das trevas. Não pôde deixar de relacionar os bruxos dali como lobos em pele-de-cordeiro. De dia, fingiam ser pessoas normais, dissimulavam. Quando a noite chegava, entretanto, mostravam suas garras. Era quando a máscara caía e eles assumiam o seu papel verdadeiro.

    Seu pai, o dentista da cidade? Bruxo. 

    A ginecologista que não parecia ter mais de vinte anos? Bruxa.

    A professora solteirona de quarenta anos? Bruxa.

    A agradável senhora idosa que distribuía doces pras crianças e dava pão para os pombos? Mais uma bruxa!

    Era até amedrontador de pensar.

    Até ela mesma usava uma máscara. Fingia ser uma estudante normal, de notas medianas, que, por acaso, era líder de torcida de sua escola. Ela até fingia ter uma vida ordinária, sem muitas coisas interessantes. Uma mentira, uma farsa.

    Deu mais um passo, indo em direção ao sacerdote, que sorria largamente. Ele sorria e ela queria sair dali, fugir, chorar. 

    Você consegue. Vá em frente. 

    O padre pediu para que ela se aproximasse. Fez-se silêncio em toda igreja; o padre tinha um aspecto soberbo, meio macabro, dono de um olhar que causava calafrios em qualquer pessoa. Era um homem que sabia intimidar somente com o silêncio. E parecia gostar, definitivamente, de causar a sensação de mal-estar nos outros.

      — Estamos aqui hoje — começou o reverendo. — Para profanar e realizar o batismo d’uma jovem garota, que hoje morre. Morre para dar lugar à vida de uma bruxa, que há de ter um futuro glorioso. 

    O homem parecia estar muito contente e este contentamento se notava em cada uma de suas palavras.

    — Son “Wendy” Seungwan, você crê em Satanás, o anjo caído, que rebelou-se contra o Falso Deus e preferiu ser expulso de sua glória a ter seu orgulho ferido?

    Assentiu. O padre tossiu.

    — Sim, padre — respondeu, até que enfim o satisfazendo. Este, por sua vez, pegou um potinho, onde parecia haver sangue e desenhou uma cruz invertida, na testa da garota, que não estava, é óbvio, nada confortável.

    — Son “Wendy” Seungwan, você aceita Lúcifer, a Estrela da Manhã, único e verdadeiro Deus?

    — Aceito.

    O homem, ladino, pegou a mão da garota e cortou, com uma adaga, o que a fez morder o seu lábio, após sentir a dor causada pelo corte.

    Respingou, molhando a ponta de uma pena-tinteiro. Abriu um livro que estava sob o altar, sendo contemplado pelos olhares dos bruxos atrás de si. Seungwan, sem escolha, pegou a pena. Assinou seu nome, letrinha por letrinha, segurando as lágrimas que ameaçavam molhar seu rosto. Ela realmente sentiu algo morrer dentro de si.

    Sua alma? Seu livre-arbítrio? 

    Um relâmpago raiou o céu, logo, seguido de um trovão. É. A chuva era apenas um prelúdio.


Notas Finais


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