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História O muro que nos separa - Capítulo 9


Escrita por: btzssousa

Capítulo 9 - Cap 04 - O conselho (A)


Fanfic / Fanfiction O muro que nos separa - Capítulo 9 - Cap 04 - O conselho (A)

Because

When the sun shine, we shine together

Told you I'll be here forever

Said I'll always be your friend

Took an oath, I'mma stick it out to the end

Now that it's raining more than ever

Know that we'll still have each other

You can stand under my umbrella

Boyce Avenue - Umbrella


Na casa das Tsurugi:


Estava me sentindo sem graça por estar ali, eu queria muito poder ir no cinema com os meus amigos; tentei disfarçar, mas era nítido que a minha vontade era de estar em outro lugar.


A japonesa me olhava com um certo receio, ela parecia querer falar alguma coisa, mas nada saía de sua boca.


— Vamos dar uma volta? - falei de imediato. A última coisa que eu queria, é que ela se sentisse mal por minha causa.

Reparei num brilho repentino que apareceu em seus olhos; a japonesa concordou.

— Gostaria de te dar uma coisa primeiro. - ela tinha uma expressão séria. - ta lá no meu quarto. - a Kagami pegou na minha mão e me guiou pela escada.

No quarto da Kagami:

Eu nunca havia parado pra imaginar como seria o quarto da japonesa, mas acredito que nada que eu imaginasse chegaria aos pés do verdadeiro.

O quarto era grande e ao mesmo tempo muito confortável, ela deveria passar bastante tempo ali. A cama ficava bem no centro, o que
realçava a grande estante de livros que ficava em frente a ela.

Fiquei pasmo com o tamanho daquela estante, ela ia do teto ao chão. Tentei visualizar algum livro conhecido, mas eram tantos títulos, que acabei me perdendo; não pude deixar de me perguntar se ela havia lido tudo aquilo.

— Não vai entrar? - a Kagami me olhava confusa.

Eu estava tão avoado admirando sua coleção de livros; não havia reparado que ainda estava na porta.

— Me desculpe, mas é que sua estante... Uau. - falei olhando pra ela.
— Todos os livros que eu já li na vida estão ai. - ela sorriu sem jeito.
— Você já leu todos? - falei surpreso.
— Sabe como a minha mãe quer que eu seja perfeita. - a japonesa suspirou. - isso também inclui ler bastante.

Por um momento eu me vi naquela situação.

— Eu te entendo. - botei minha mão direita em sua bochecha.
— Bom. - ela olha dentro dos meus olhos. - vou pegar seu presente.

Ela vai até uma cômoda e pega dois embrulhos.

— Eu deveria dar isto pra uma pessoa especial... Não vejo ninguém que mereça mais esse presente do que você. - ela me entregou uma das caixas.

Abri o embrulho e dentro havia uma pulseira com um pingente pela metade.

Ela fez um sinal pra que eu esperasse e abriu o outro embrulho. A japonesa tirou outra pulseira da caixa, mas nessa havia a outra metade do pingente que ela me deu.

— Eu nos vejo assim, sabia? - a olhei confuso.
— Como assim?
— Somos perfeitos juntos, Adrien. - ela pegou a pulseira da minha mão e juntou os pingentes. - Nós nos completamos. - seu olhar era ansioso.

Fiquei parado pensando naquilo por um tempo.

— Eu... - ela me entrega a pulseira novamente.
— Não precisa dizer nada agora. - ela da um sorriso tímido.

Enquanto eu passava a mão pelo pingente acabei lembrando da Ladybug, era dolorido admitir isso, mas como eu queria que fosse ela a me dar aquele presente.

Nos últimos meses eu tentava esconder meus sentimentos da azulada, sabia que ela era apaixonada por outra pessoa - achei que fingir não sentir, séria menos doloroso do que demonstrar; eu estava completamente enganado.

Aquele momento com a Kagami parecia tudo tão certo, tão fácil. Não pude deixar de me perguntar como seria se eu me permitisse dar uma chance a ela.

Alguém bate na porta.

— Com licença. - olhamos pra porta. - estão esperando por vocês na sala de jantar. - o mordomo disse.

Eu e a Kagami nos olhamos.

— Vamos? - ela me estendeu a mão.

Na sala de jantar:

Passamos o almoço todo ouvindo sobre como a marca Agreste estava crescendo no mercado, meu pai parecia satisfeito com o que ouvia dos empresários; enquanto eu estava entediado.

Depois que acabamos de comer, pedi licença da mesa e sai com a Kagami pra dar uma volta pela mansão.

No jardim:

— Adrien, eu acho que devemos conversar. - a japonesa fala séria.

Parei na sua frente.

— Você me deixa confusa, sabia? - sua voz era distante.
— Desculpe. - a palavra pulou da minha boca.

Ela suspirou.

— Você sabe pelo o que está se desculpando?
— ... - abaixei a cabeça.
— Adrien, vem cá. - ela pegou na minha mão e me levou até um banco que tinha no jardim.

Ela parecia estar pensando bastante no que falar, sua expressão era mais séria que o normal.

— Eu amo você, Adrien. - ela botou uma das mãos no peito. - e acredito que você saiba disso.

Fiquei em silêncio; não sabia o que falar.

— Eu só queria que você fosse mais claro com o que sente. - ela soltou a minha mão. - seus sentimentos são confusos e isso acaba me confundindo também.

Aquilo me pegou desprevenido. Ela não era a primeira a falar dos meus sentimentos, mas nunca fui de dar trela pra isso.

Pra mim eu sempre fui bastante claro e direto com o que sentia, principalmente com a Ladybug, mas tudo era diferente agora; eu não estava vestindo uma roupa de super herói, eu só era o Adrien ali.

Isso complicava as coisas pra mim, eu como cívil era mais tímido e não ficava tão a vontade com os meus sentimentos, mas eu precisava tentar.

— Sinto muito por isso. - botei a mão em seu ombro. - eu não queria te deixar confusa.
— Eu tenho uma pequena noção de seus sentimentos, Adrien. - ela me encarava. - só seja sincero com o que sente, esta bem?


Sorri pra ela.


A abracei e ficamos assim por bastante tempo.



De noite:


Passamos o restante da tarde conversando e andando pelo jardim.
Eu poderia não ter ido no cinema com os meus amigos, mas passar esse tempo com a Kagami foi incrível.
Pude entender mais sobre os seus sentimentos e os meus também.


Quando entramos na casa novamente já estava de noite. Notei que os empresários já estavam indo embora.
Andamos até a porta principal e vimos nossos pais conversando.


— Mãe? - a Kagami falou.
— Kagami, aonde você estava? - a sra.
Tsurugi falava brava.
— No jardim, mãe. - a japonesa abaixou a cabeça.
— Avise da próxima vez. - a senhora se virou novamente pro meu pai. - Tenha uma boa noite sr. Agreste. - ela entrou.

Meu pai me olhou sério.


— Vamos, Adrien.


Me despedi da japonesa e fui andando com o meu pai.


Quando estava na metade do caminho até o carro, ouvi a Kagami me chamar; virei pra trás e sorri.


Ela veio até mim, botou sua mão na minha bochecha e me deu um selinho.


— Lembra-se do que eu te disse: "seja sincero com o que sente". - ela piscou pra mim.


Olhei pra cima e vi a Ladybug passar rapidamente. Dei um abraço na japonesa e fui pro carro.



No quarto do Adrien:


— Eu falo que você é confuso. - o Plagg riu.
— Não temos tempo pra isso. - falei abrindo a janela. - Plagg, mostrar as garras.

Na patrulha:

Cheguei no local onde sempre nos encontrávamos; a primeira coisa que eu notei ao chegar foi a silhueta da azulada. Ela estava sentada no final do telhado, olhando pra frente.

De repente senti um arrepio percorrer pela minha espinha, ver a Ladybug sempre me causava isso.

Comecei a caminhar em direção a azulada, mas como percebi que ela não notou a minha presença, botei a mão no seu ombro.

— Oi Bugboo. - ela me olha e dou um sorriso. Decido sentar ao seu lado. - alguma novidade na cidade?
— Oi Chat. - ela fitava meu rosto. - não, isso ta muito estranho...
— Ta assim a dois meses... Será que o Hawk Moth desistiu? - nós dois sabíamos que essa não era a verdade.

Fiquei pensando em mais algumas possibilidades.

— Hã... Não sei, provavelmente não. - ela faz uma expressão pensativa. - Temos que conversar sobre um assunto. - ela parecia séria.
— Sou todo ouvidos. - falo meio distraído.
— Você sabe que não podemos ter as identidades reveladas, né? - revirei os olhos. - Bom, e se o Hawk Moth estiver tentando descobrir quem somos?

Ao ouvir aquilo comecei a prestar muita atenção no que a azulada falava.

— Isso daria a ele chance de nos derrotar mais facilmente. - falei pensativo.
— Exatamente. Temos que tomar mais cuidado, até porque agora somos só nós dois.
— Gosto disso. - ri da situação.
— É sério. - ela fechou a cara.
— To brincando, my lady. - dei uma piscadinha pra ela. - e se você começar a pensar em pessoas novas pra nos ajudar?
— Não sei... - ela parecia distante.
— Ou, podemos pensar novamente em um jeito de voltar com os antigos heróis. - sorri ao falar.
— Eu vou pensar nisso depois.
— Temos que agir rápido. - falei arrumando a minha postura no telhado.

Ficamos um pouco em silêncio observando a cidade. Sei que eu deveria estar pensando em um jeito de reverter essa situação e ajudar a Ladybug, mas eu não conseguia parar de pensar na Kagami.

"Seja sincero com o que sente" - isso ficou martelando na minha cabeça. Como eu vou ser sincero com a japonesa, se nem com a azulada eu sou?

Eu não podia dar continuação a minha relação com a Kagami, sem ao menos falar com a Ladybug. Fiquei tenso, mas isso era o certo a se fazer.

— My Lady? - virei o rosto pra ela. - Eu queria te perguntar uma coisa.
— O que?
— É... Eu não sei bem como falar isso. - respiro fundo antes de continuar. - eu estou conhecendo uma garota...
— Conhecendo uma garota? - ela fala surpresa.

Analisei bastante a reação dela.

— Eu gosto bastante dela, mas você sabe que eu ainda tenho sentimentos por você... Tenho noção de que não é de mim que você gosta, mas eu... - fiz outra pausa. - eu queria muito saber, se realmente não existe uma possibilidade de você me amar também. - eu tentava olhar em seus olhos.

A Ladybug tinha uma expressão séria.

— Chat, olha... - acabei a interrompendo.
— Tudo bem se a resposta for não, mas eu não podia seguir em frente pensando que talvez pudesse ter uma chance pra nós dois.

Ela fica pensativa.

— Chatnoir, eu fico muito feliz que você esteja conhecendo alguém. - eu olho pra frente. - Mas você sabe muito bem o que eu sinto e nada vai mudar.
— O que ele tem de tão especial? - murmurei.
Tudo. - seu tom de voz era triste.

Ficamos em silêncio.

— Olha, ta ficando tarde e eu tenho que ir. - ela se levanta.
— Tudo bem... - olho sem graça.
— Sinto muito, Chatnoir. - ela pega seu ioiô e joga no telhado mais próximo.

Fiquei um tempo pensando em tudo, eu era muito bobo de acreditar que um dia ela fosse me amar.

Uma tristeza invadiu meu peito e senti lágrimas brotarem pelo meu rosto; eu tinha que sair dali.

Enquanto eu corria pelos telhados, um prédio me chamou atenção. Ele estava todo iluminado e o terraço que ficava no topo, também. Cheguei mais perto e vi a Marinette encostada na grade de proteção.

Eu senti precisava de uma amiga naquele momento, precisava dela.

No terraço da Marinette:

Fui até o telhado de sua casa e desci até onde ela estava. Ouvi a azulada murmurar alguma coisa, mas não entendi o que era.

Ela virou pra trás.

— falando sozinha, princesa? - falei.

A azulada tinha uma expressão assustada.

— O gato comeu sua língua, foi? - sorri pra ela, que fez uma careta.
— Não, eu só estou surpresa.
— Surpresa? - sento na grade.
— Sua visita.

Suspirei e fiquei um tempo observando a lua. Tinha me esquecido de como a vista ali era linda.

— Eu precisava conversar com uma amiga. - dei uma risada sem graça. - sei que não nos falamos muito, mas sinto que posso confiar em você.

O que não era mentira, a Marinette era uma das pessoas mais confiáveis que eu já conheci.

— Fico feliz por me considerar sua amiga, mas o que aconteceu?

Conto pra ela sobre a minha conversa com a Ladybug; acabo falando dos meus sentimentos e de como eu estava confuso em relação a japonesa.

— Eu não tenho muita sorte com a minha vida amorosa. - murmurei.
— Somos dois. - ela falou desanimada.

Fiquei curioso ao ouvir aquilo. Nunca pensei na Marinette sendo azarada no amor, aquilo parecia impossível pra mim.

Pensei em perguntar do Luka pra ela, mas eu não podia; isso acabaria revelando a minha identidade.

— O que? - ela perguntou.
— Eu só não consigo imaginar você sendo azarada no amor. - ouvi ela suspirar.

Eu comecei a ficar curioso. Desci da grade e parei ao seu lado, queria saber mais sobre isso.

— Quer conversar?
— Fala mais sobre a Ladybug. - ela tentou mudar de assunto.

Fico desapontado por ela não confiar em mim.

— Está bem... Eu tive um encontro hoje. - me lembrei do Luka.
— Não vi nada de azar nisso. - falei rapidamente.
— Sim, mas é que...
— Mas é que? - olhei pra ela.

Senti uma ansiedade de repente.

— Eu sou apaixonada por outra pessoa. - ela retribuiu o olhar.

Aquilo me pegou de surpresa. Se ela não gostava do Luka, quem será que ela gosta? Fiquei um tempo nas possibilidades.

— Chatnoir? - sua voz era preocupada.
— Não sou eu não, né? - falei me lembrando da "última" vez que nos vimos. - é que você se declarou pra mim aquele dia...
— A-ah. - notei que ela ficou sem graça. - pode ficar tranquilo... Não é você.

Não vou negar que não fiquei desapontado ao ouvir aquilo, ela tinha sido a primeira garota a dizer que gostava de mim como Chatnoir.

— Posso saber quem é? - falei sem pensar. Ela me olhou aflita. - Mudando a pergunta, você conversa com a pessoa sobre isso?
— Não... Ele não sabe que eu gosto dele.

Percebi que aquele assunto realmente mexia muito com ela, eu tinha que ser cuidadoso.

— Por que você não contou?
— Porque eu não quero ser rejeitada. - ela apoiou seus braços na grade. - e ele ta praticamente namorando também...
— Ah, entendo.

Ficamos em silêncio.

Eu detestava ver a Marinette sofrendo, ela era a minha melhor amiga. Naquele momento eu estava me sentindo mais triste por ela do que por mim.

— Uma princesa como você, não deveria sofrer por amor.

Ela sorriu pra mim.

— Por que você não da uma chance pro garoto de hoje? - falo fitando a grade.
— O Luka. - ela sussurra.
— Sim.
— Não posso usar ele dessa forma.

Por mais irônico que seja, eu me vi naquela situação.

— Marinette, você não está usando ele. Você tem que se dar a oportunidade de conhecer outras pessoas. - boto a mão no peito. - falo isso por mim mesmo também.
— Será que somos tão azarados assim? - ela brinca.
— Aparentemente sim. - falo rindo. - Mas é sério, se permita sentir coisas novas.
— Eu estou fazendo isso, só que é...
— Difícil, eu sei. - nos encaramos.

Naquele momento, eu não consegui pensar em mais nada, apenas sentir; estar perto da azulada daquele jeito, me deu a estranha sensação de querer estar mais perto. Ela era tão bonita...

A azulada parecia tão confortável quanto eu, ela virou o rosto delicadamente e apoiou sua cabeça no meu ombro.

— Obrigado, Chat.
— O melhor dos conselhos pra você, minha princesa. - dou uma risada.

De repente o telefone da azulada toca. Acabo percebendo que é bem tarde.

— Acho que essa é a deixa. - pego sua mão e dou um beijo. - obrigada pela conversa, eu estava precisando.
— De nada. - ela ri.

Pisco pra ela e pulo até um telhado próximo.



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