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História O (não) beijo do vampiro - Capítulo 1


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Notas do Autor


Não acredito que finalmente estou postando essa história. Esse plot ronda minha mente há anos e sempre procrastinei para escrever, até que, não sei o que deu em mim, ele simplesmente saiu ausidhed Bem, a intenção é ser uma fic bem bobinha e leve de acompanhar, o retrato perfeito de dois tontos apaixonados.

O que antes era para ser uma oneshot, acabou se dividindo em três capítulos, que vão ser postados semanalmente, ou em caso de imprevistos, assim que estiverem prontos. Espero do fundo do meu coração que gostem, é a minha primeira tentativa de escrever sozinha uma fic mais "longa", e me diverti muito no processo.

Chega de enrolação, boa leitura.

Capítulo 1 - Ato I - Introdução


Criaturas mágicas sempre viveram entre nós. Escondidas, protegidas, distantes, mas ainda assim entre nós.  Não me pergunte a origem das coisas pois não sei, não faço ideia de quem foi o grande vampiro criador, de qual carrocinha caiu o primeiro lobo, ou onde os unicórnios enfiavam os chifres para se passarem por cavalos normais. Sou um vampiro, não uma enciclopédia de informações inúteis. Claro, me lembro de - quase - todos os grandes eventos históricos que, não só presenciei no decorrer dos séculos, como também vivi. Sou mais velho do que muitos países, me transformei antes mesmo de muitas línguas surgirem,  mas pouca ou nenhuma diferença me faz saber qual foi o primeiro orc a levantar sua clava e exigir direitos iguais. 

Como vampiro, podem dizer que sou privilegiado. Minha existência sempre foi motivo de medo, mas também igualmente glamourizada. Os humanos fizeram sozinhos o trabalho de nos aceitar e não precisamos levantar um dedo sequer para isso. É só analisar toda a evolução, desde o expressionismo alemão que deu origem a nosferatu, até a estética vampiresca homoerótica de nova orleans mostrada em entrevista com um vampiro. Veja todas as representações de drácula, Vlad o empalador deixou de ser motivo de pesadelo das crianças para se tornar motivo de riso delas… sério, fui ao cinema assistir hotel transilvânia por pura curiosidade e não acreditei no que estava vendo. 

Parece que foi ontem que estava sofrendo para enviar cartas escritas à mão com um pena, e hoje as pessoas tem a pachorra de me encher a porra do saco porque demoro dez minutos para responder a porra de uma mensagem. Caso não saibam, trabalho como curador em um museu, e não, não me contrataram só pela minha idade okay? Mas sério, qual é a dessa pressa? o que acham que as múmias vão fazer? sair correndo por aí? Faça-me o favor. Enfim… voltando ao que queria dizer mas nunca disse: Essas tecnologias irritantes facilitaram a minha vida na mesma intensidade que me estressam, uma troca equivalente. 

    Gosto da adrenalina de caçar, nunca fui de matar, apenas bebo o suficiente para me saciar até conseguir achar a próxima pessoa e assim por diante. Contudo, como fomos expostos para o grande público, não é de se surpreender que agora temos leis especiais para nós. No casos dos vampiros, temos direito a uma certa cota dos bancos de sangue, lugares específicos para comprar animais de consumo, e se quisermos, desde que seja consensual, podemos beber de humanos mas é uma puta burocracia.

Há décadas vivemos assim e ainda temos que aturar ativistas azucrinando… como se o nosso consumo de sangue não fosse tão cruel quanto o consumo deles de carne. Se minha opinião vale de alguma coisa, pelo menos com os vampiros esses pobres animais morrem sem sentir dor, nossas presas são cobertas por uma substância que estimula a liberação de endorfinas, seleção natural eu acho, assim as presas ficam quietinhas.

De todo modo, nunca fui muito fã dessas outras modalidades de alimentação, podem me chamar de conservador ou tradicionalista, mas para mim, sangue bom é sangue fresco, de um coração que ainda bate. E por isso me submeti a humilhação de me inscrever em um “clube vermelho”, um nome tosco para descrever um bando de humanos esquisitos com fetiche em serem mordidos, e outro bando de vampiros que se aproveitam disso. É quase como um site de namoro, nós colocamos nossos interesses e preferências, ele cruza com o humano ideal, trocamos algumas mensagens e voilá!

Minhas preferências são sempre as mesmas: Tipo sanguíneo O (positivo ou negativo, tanto faz), homem, por volta de 185cm para mais de altura, boa forma física, e que tenha entre os vinte e vinte e cinco anos. Tenho meus “gostos”, claro, mas eles não interferem no meu paladar… Pelo menos era o que eu achava até abrir a porta e encontrar um filhotinho de cachorro de quase dois metros, com um sorriso tão brilhante e olhos tão inocentes, que me pareceu um crime ele estar no mesmo site que aquela gente bizarra. Acho que foi a primeira vez em séculos, ou milênios, que senti meu coração bater. 

Foi assim que conheci o homem que hoje tenho a honra de chamar de namorado. O único ser humano em toda a minha existência que não desprezei. Ele é o caralho de um raio de sol que não me queima, o inferno de coisa mais preciosa desse mundo, as vezes me pego pensando que quero esganá-lo de tão amável que é. Eu odeio amá-lo e não trocaria esse sentimento por nada. Não devem estar entendendo nada já que não o apresentei, farei isso então.

Eijiro Kirishima tem vinte e quatro anos, formado em educação física, e dono de uma academia onde também trabalha como personal trainer. Nas horas vagas ele também faz um bico como técnico de um time de baseball de garotinhas. Adora artes marciais e vive me obrigando a assistir algum campeonato de ufc, ou wwe, ou que seja, os quais não ouso dizer que são imbecis pois nada que o deixa animado é imbecil. Também tem dois goldens enormes, crimson e red, ambos com o sobrenome riot que eu não faço ideia de onde tirou… felizmente os dois se dão muito bem com minha gata ground zero, são iguais aos dono. 

Zero o ama mais do que ama a mim, a pessoa que a alimenta todos os dias e gasta montanhas de dinheiro com brinquedos. Na primeira vez que nos encontramos, ele estava sentado no meu divã, sem camisa, e tagarelando sem parar sobre como a decoração é linda enquanto eu o preparava para mordê-lo… acreditam que a arrombadinha da zero, ficou se esfregando nas pernas dele, e quando ele a pegou no colo, ela me deu uma unhada bem quando dei o bote. Ela ficou miando o tempo todo, e eu tive que parar no meio do jantar, só para colocá-la pra fora. O que não adiantou de nada já que ela arranhou minha porta todinha. 

Depois dessa sessão, como humanos gostam de chamar, ele me passou suas informações pessoais e disse que eu poderia chamá-lo diretamente, sem o intermédio do site… e foi exatamente o que fiz. Na segunda vez que veio aqui, ele trouxe presentes para zero e um vinho para nós, sem perceber ficamos horas conversando. Depois disso não paramos de trocar mensagens e, finalmente, na nossa terceira sessão, ele me chamou para sair.

O encontro foi ótimo. Ele me buscou para um almoço, depois passamos o dia em um aquário, tomamos um café mais a tardezinha, cinema, jantar, fomos para a casa dele e bem, tudo o que precisam saber é que ele é simplesmente o melhor homem ou criatura com quem tive o prazer de me deitar. Nunca esperaria que o homem que pediu permissão para segurar minha mão, e passou meia hora tropeçando depois de me beijar, faria com que eu me sentisse desse jeito.

Vê-lo nu com outros propósitos fez com que eu repasse em coisas que fui burro o suficiente para não reparar antes, como por exemplo, os piercings no mamilo. Piercings esses que queimaram gravemente a minha língua pois ele se esqueceu que eram de prata. Eu o perdoei fácil, tinha coisas bem maiores com as quais me preocupar. 

Depois disso é história. Começamos a namorar oficialmente, ele me levou para conhecer sua academia, o levei para o museu, apresentamos um ao outro para nossos amigos, e até mesmo conheci as mães dele… sim, no plural. Eijiro quase me matou quando sugeriu essa ideia,  eu já me via sendo recebido com alho e uma estaca de madeira, mas as duas foram super simpáticas e acolhedoras.

Os meses passaram, as coisas ficaram mais sérias e decidimos morar juntos. No caso, eu fui para o apartamento dele e revolucionei o lugar. Gostava da rotina, gostava de preparar um lanchinho para ele toda manhã, gostava dele me buscar no trabalho a noite, de como o lugar tinha nossa cara e tudo funcionava bem. Nossos gostos não poderiam ser mais diferente mas se encaixavam perfeitamente. Falávamos sobre o futuro, sobre juntar dinheiro para Eijiro atualizar sua academia, mudar para um lugar maior e adotar outra gatinha para equilibrar a casa. De uns meses para cá ele parecia interessado em se transformar, passava horas e horas pesquisando sobre, e eu nunca aceitei… é uma decisão grande demais para ser tomada na fase de lua de mel.

Tudo corria bem e um certo dia, sentados no sofá, conversávamos sobre as coisas ruins, que todos odeiam, mas nós amamos. Comecei falando da série true blood, uma tese detalhada sobre como ela é uma aberração mas vale a pena porque Eric Northman é gostoso pra caralho. Eijiro teve a audácia de olhar no fundo dos meus olhos e dizer que ele não é tudo isso, citando suas palavras, “O Alcide é bem mais gostoso do que ele”. Esse comentário infame lhe rendeu uma bela série de almofadadas, como ele ousa elogiar um lobo em minha presença?

É clichê mas é verdade, vampiros e lobisomens não se dão nada bem. Em conflito desde os primórdios pois esses vira latas costumavam invadir nossos territórios e marcar como seus. São bestas, feras que só sabem fazer bagunça, largavam corpos como embalagens dilaceradas de algum fast food. Não tem a menor classe, são excessivamente quentes, cheiram a cachorro molhado que secou no sol e se molhou de novo, sem contar que tem um gosto péssimo. Não gosto de lobisomens nem mesmo os fictícios, não convivo com lobisomens, não pretendo conviver. Eles que sigam morando no mato como os selvagens que são… Onde foi que parei mesmo? ah sim! nossos prazeres secretos.

Ainda que continuasse rindo, Eijiro ao menos teve a decência de retirar o absurdo que disse. Esse cabeça oca não ficou nem ao menos intimidado com o meu ataque, não sei por que isso ainda me surpreende, foi por esse motivo que me apaixonei. A conversa seguiu e era a vez dele de compartilhar os seus segredinhos constrangedores, aquele hobbie secreto que os caras da academia nunca poderiam descobrir. Estava pronto para qualquer coisa boba, achei que fosse falar sobre alguma animação infantil, cantora pop do momento, e outras coisas não consideradas “másculas” - o que é uma classificação escrota  em tantos níveis que fico agoniado só de pensar em explicar - e de certa forma, acertei.

— Sou fã da saga crepúsculo. Li todos os livros, vi todos os filmes no cinema duas vezes, e se não fosse pela minha mãe eu com certeza teria feita uma tatuagem disso.

— Você é fã do que? — Perguntei confuso.

— Crepúsculo  Katsuki… Você prometeu que não iria zombar de nada que eu dissesse. — Ele me repreendeu com um dedo levantado, e isso só fez com que minhas sobrancelhas se franzissem ainda mais.

— Não estou tirando uma da sua cara, tonto. Não conheço isso aí que tá falando.

— O QUÊ? VOCÊ NÃO CONHECE CREPÚSCULO?

— Não, por quê? eu deveria conhecer?

— -TSUKI! COMO VOCÊ NÃO CONHECE CREPÚSCULO? Por acaso vivia em um mausoléu? estava preso em alguma catacumba por aí? — O comentário besta dele lhe rendeu um peteleco leve na testa. Que porra ele é adorável até falando merda, inferno.

— Eu tinha mais o que fazer da vida além de ficar sentado no sofá. — A realidade: não faço ideia do que estava fazendo quando esse tal crepúsculo surgiu — Do que se trata?

— Não vou falar, vai ter que ver! — E ele se levantou em um pulo, correndo de meias pelo corredor e me ignorando quando falei que era perigoso — EU TENHO UM BOX COM TODOS OS DVDs — gritou do quarto de hóspedes segundos antes de um barulho ensurdecedor de coisas caindo do maleiro. Se eu soubesse o que aconteceria entre a gente por culpa desse filme, não teria permitido que apertasse o play…



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