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História O Nosso Fio Vermelho - Capítulo 77


Escrita por: imakinox

Notas do Autor


oioioioi gente!
como estão? espero que todos bem!
trouxe um capítulo REPLETO DE COISAS! segura a emoção que a montanha russa desse arco começou! é um capítulo muito importante, então toda a atenção é necessária! eu espero, de verdade, que vocês gostem! eu amei escrever ele, sério! ♥
a música que usei no capítulo é a "everything" E É A CARA DELES! OUÇAM! é linda e perfeita! recomendo demais e tá na playlist da fanfic ♥ me digam o que acharam depois ♥ https://youtube.com/playlist?list=PLv8GR2J2FVhry3SrPmMiKeYZHDzYXbVT6 | https://open.spotify.com/playlist/17abD1nIiIxLY80RH0R2Ym?si=4031e0ef6d5642fe
agora sim, boa leituraaaaaaa

Capítulo 77 - Ligação


"And how can I stand here with you
And not be moved by you?
Would you tell me how could it be
Any better than this?"

___________

Três meses. Esse foi o tempo que se passou desde que Eren recebeu a proposta em seu emprego para tornar-se coordenador júnior. Ainda não tinha uma resposta fixa sobre o que faria, uma vez que as coisas entre ele e Levi estavam se tornando cada dia mais frias e isso o preocupava.

Seria muito simples o questionar do motivo, se ele próprio também não estivesse estranho. A falta de carinho era notável, as mãos já não ficavam mais juntas como antigamente e os “eu te amo” se tornavam cada vez menos rotineiros.

Se antes se viam quase todos os dias, agora se viam apenas nos finais de semana e muitos deles não estavam mais dormindo juntos, como de costume. O abismo que se formava entre ambos estava ficando maior a cada dia e nenhum dos dois fazia algo para diminuir essa distância.

Eren preferia alimentar suas paranóias a questionar e receber uma resposta vaga e um tanto quanto mentirosa vinda de Levi. Talvez a sombra de um passado onde havia questionado o Ackerman sobre o que escondia e o mesmo desconversar e logo após o mundo desabar estava afetando-o de forma direta e não tinha a coragem de questionar algo, somente aceitar aquela situação.

Já Levi se limitava a não tocar muito no assunto, perguntando vez ou outra se Eren já havia dado a resposta e algumas vezes se ofereceu a escolher o local onde o namorado moraria, mas nunca passava disso. Com medo de invadir o espaço e a liberdade de Eren sendo inconveniente, achou melhor agir assim; porém, não achou que as coisas piorariam e os dois se afastariam de uma forma alarmante.

Eren havia voltado a morar em seu loft depois de instalar um sistema de alarme e câmeras de segurança. Achou melhor voltar, já que ainda estava pagando pelo local e também não estava muito a fim de ver sua mãe com o namorado como se os dois fossem jovens – por mais que durante o mês que ficou na casa de sua mãe tenha mudado sua visão quanto a Kruger, ainda não estava acostumado a ter que dividir sua mãe com outra pessoa. Claro que ouviu Carla e Levi falarem sobre segurança e sobre andar sempre em alerta, além de o obrigar a trocar todas as trancas do loft.

Havia contado tudo o que aconteceu a Armin e Historia, além da pequena crise que estava passando em seu relacionamento também e os amigos aconselharam o óbvio: sentar e conversar. Sabiam que os dois se davam bem e não viam motivos para não bater o problema de frente e resolver logo o que tanto estava afastando-os.

Agora Eren estava se trocando para ir ao aniversário de um ano de Ymir junto de Levi. Seria algo simples na casa do casal, apenas para os mais próximos, então se vestiu de forma casual com uma calça jeans preta, seu all-star branco e uma camiseta verde com um escrito no peito.

Suspirou fundo enquanto arrumava o cabelo no coque rotineiro, pensando se aquele dia ele e Levi dormiriam juntos ou se cada um seguiria seu rumo após o pequeno compromisso.

Sentia saudades. Saudades de conversar sobre qualquer coisa com ele, de contar como havia sido seu dia, de perguntar sobre concertos – por mais que não entendesse nada daquilo –, sentia falta dos carinhos diários e mimos também, sentia falta do baixinho como um todo. Não estava gostando nem um pouco da situação dos dois e se perguntou se realmente valia a pena o questionar do motivo para tudo aquilo, embora a paranóia maior em sua cabeça crescesse cada vez mais quando pensava que aquilo tudo era um início de término e bater de frente com a questão implicaria na separação de ambos e Eren, de fato, não queria aquilo.

Passava seu perfume e dava uma última conferida no espelho, quando ouviu a campainha tocar. Estranhou, pois ainda faltava um tempo até o horário combinado por Levi. Desceu a pequena escada e abriu a porta, vendo Olympia com um sorriso no rosto e seus vestidos floridos de sempre, dessa vez era um marsala com alguns girassóis pequenos estampados na barra da saia rodada midi.

— Olá, Eren! Quanto tempo — a morena sorriu, meiga como sempre e Eren sorriu de volta.

— Nossa, quanto tempo mesmo — Eren exclamou, abrindo a porta. — Entra.

Olympia entrou e Eren caminhou até uma banqueta, afastando outra para a vizinha se sentar também.

— Você sumiu por um tempo, aconteceu alguma coisa? — Olympia questionou e Eren somente suspirou.

Havia acontecido, sim, muitas coisas e contou tudo o que aconteceu naqueles três meses; desde Reiner invadir seu loft, os e-mails estranhos, a promoção no trabalho e o afastamento que estava tendo atualmente com Levi. Olympia ouvia tudo com atenção e em silêncio, deixando Eren apenas expor toda sua frustração de meses para fora.

Após falar, Eren se levantou para pegar um copo de água enquanto ouvia Olympia falar sobre seu antigo relacionamento e o perigo que isso poderia causar, já que Reiner sempre se mostrou incrivelmente resistente e persistente quando se tratava dele. Não conseguia entender que obsessão era essa, desde a época de escola esse comportamento havia aparecido e depois que começaram com algo a mais do que somente uma amizade o loiro mentalizou em sua cabeça que Eren era única e exclusivamente dele, quase como um objeto pessoal e ninguém podia relar a mão ou sequer chegar perto.

Eren ouvia tudo atentamente e suspirava pesadamente como se desse conta do quão lerdo havia sido por não ter percebido nenhum daqueles sinais. Todos falavam, mas por que ele não conseguia ver? Por que havia sido tão cego naquela época?

Voltou à realidade quando ouviu o nome Levi sair da boca da vizinha. Encarou ela com as sobrancelhas arqueadas e suspirou mais uma vez.

— Desculpe, não ouvi nada do que disse.

— Eu imaginei — ela riu abafado. — Eu disse que a questão entre você e Levi pode ser um pouco mais delicada do que você pensa.

— Por que você diz?

— Bom, você disse que tudo isso começou quando houve a notícia da promoção e que você teria que se mudar. Parou para pensar que, talvez, isso não seja por conta da promoção em si, mas da distância que vocês ficarão longe um do outro? Serão mais de quatrocentos quilômetros e cinco horas de viagem, não é algo fácil de digerir.

Eren parou para pensar e aquilo fazia algum sentido, mas antes de falar algo, Olympia foi mais rápida.

— Não acho que Levi queira terminar com você, só de ver você falando dá para ver o quão apaixonado ele é por você e o quanto ele te ama. Isso está totalmente fora de cogitação — ela sorriu meiga. — Acho que ele não quer invadir o seu espaço, só isso.

— Invadir meu espaço? — Eren arqueou as sobrancelhas. — Mas por que ele acha que estaria invadindo alguma coisa?

— Bom... — pareceu pensar um pouco antes de prosseguir. — Talvez ele tenha medo de propor algo para você e você não gostar ou achar que isso está tirando a sua liberdade, já que é um fator que você mencionou minutos atrás.

— Propor algo? — Eren refletiu. — Não sei explicar, mas ele não invade nunca o meu espaço e a minha liberdade. Ele me deixa respirar, se eu saio com Armin e Historia ele não fica mandando muitas mensagens, só quando eu chego e ele ainda pergunta se foi divertido. Não tem cobrança e nem desconfiança, ele confiava em mim cegamente — disse sincero, sentindo o coração se aquecer ao falar sobre isso. — Não consigo imaginar o que ele irá propor para se sentir assim a ponto de se afastar. Bem, eu também me afastei, mas por conta dele. Isso tudo me deixa confuso — suspirou frustrado.

— O que você pensa sobre ele tirar a sua liberdade, Eren? — Olympia questionou.

— Bem, ele não tira. Não imagino ele fazendo isso em momento algum, entende? É tudo muito natural entre nós, então não consigo pensar em algo que ele proponha que...

— E se vocês morassem juntos?

Eren parou no mesmo momento. Ele e Levi morando juntos. Como um casal quase que casado, juntando escovas de dente e dividindo tarefas e contas domésticas. Vivendo todos os dias juntos, fazendo lista de supermercado e faxinando em conjunto. Céus, talvez nem nos seus melhores sonhos ousou em sonhar algo desse tipo. Era surreal demais e não era algo negativo, pelo contrário. Era algo que queria e muito. Só não propôs para Levi por motivos de: ele vivia falando que recusou ofertas em diversas cidades por não querer se mudar e talvez aquilo soasse repentino demais, como um jovem apaixonado que queria morar e casar logo com o seu amor. Não que fosse uma mentira: estava apaixonado por Levi e tinha sim planos de ficar ao lado do baixinho o resto de sua vida, mas como saberia se isso também estava nos planos do mais velho? Nunca haviam conversado sobre isso, na verdade esse assunto nem sequer teve um abertura para ser conversado.

— Seria algo maravilhoso — Eren disse após pensar muito e nem percebeu que estava sorrindo bobo ao imaginar toda a rotina de ambos vivendo juntos.

— E se, talvez, Levi estiver distante por medo de propor isso a você?

E quase como se todas as peças estivessem juntas, montando todo o quebra-cabeça, uma luz se acendeu na cabeça de Eren que encarou a vizinha com os olhos verdes brilhantes bem abertos.

— Sem chance! Ele falaria, não falaria?

Ela sorriu, colocando a mão em frente à boca como sempre fazia e fez um sinal negativo com a cabeça. — É você quem namora ele, Eren. Você sabe os costumes e os sinais que ele te dá. Ele falaria sobre isso com você?

— Eu acho que sim — Eren disse prontamente.

— Eu acho que não — Olympia rebateu. — O medo de, possivelmente, te sufocar e tirar sua liberdade em uma oportunidade única pode ter feito ele se afastar. Ele te respeita, respeita seu espaço e provavelmente não quer parecer inconveniente falando para morarem juntos em uma fase assim da sua vida — ela deu de ombros.

— Não... — Eren negou com a cabeça fortemente. — Sem chance! Ele não faria isso...

— Bom, eu acho que é isso que acontece — ela sorriu. — Posso perguntar algo para você?

— Pode sim.

— Você quer se casar com ele?

Eren parou para pensar e a resposta era sim, óbvio. Levi despertava lados desconhecidos nele e mesmo que nunca tenha se passado pela sua cabeça tomar um passo tão grande assim com alguém, se fosse com ele não teria problemas. Se fosse com Levi, as coisas dariam certo. Se fosse com ele, tudo caminharia para um lado ótimo e bom, já que as coisas entre eles estavam leves e confortáveis nesse relacionamento atual – exceto, claro, por essa pequena crise que estavam enfrentando.

Agora parou para ver que toda aquela distância e afastamento poderiam ter sido evitados com uma simples conversa e se o palpite de Olympia estivesse mesmo certo, não tinha motivos para os dois continuarem daquela forma.

Olhou para a vizinha, decidido. Conversaria com ele naquela noite e não se afastaria mais, nunca mais. Iria esclarecer as coisas e colocaria as cartas na mesa.

— Já sei a resposta — Olympia disse, se levantando. — Já estou de saída, preciso me encontrar com uma pessoa.

— Por isso está elegante assim — Eren disse, caminhando até a porta.

— Talvez. Boa sorte e converse com ele essa noite. Esclareçam as coisas entre vocês. Sempre se deram tão bem e conversaram, isso é pequeno diante tudo que já passaram.

Eren concordou e viu a vizinha se afastar.

Fechou a porta e olhou no celular, vendo uma mensagem do namorado falando que logo estaria lá e sentou-se no sofá para esperar.

_____

Levi estava em seu apartamento terminando de se arrumar. Quando terminou de pentear seu cabelo e pegou o presente em cima da sua cama para levar até o aniversário de Ymir, ouviu a campainha tocar.

Suspirou e foi atendê-la, ao abrir a porta viu seu vizinho, Yigu.

— Boa noite, Levi — sorriu largo como sempre.

— Boa noite, entra.

— Está de saída?

— Sim, mas ainda está um pouco cedo. Está arrumado, vai sair também?

— Sim, vou sim. Mas antes resolvi passar aqui para ver como você estava, já que faz tempo desde a última vez — o loiro sorriu. — Como você está? E as coisas entre você e Eren?

— De mal a pior — foi sincero. — Ele recebeu uma promoção, mas para conseguir essa vaga tem que mudar de cidade e desde então nos afastamos.

— Mas se afastaram por quê? — o loiro arqueou as sobrancelhas. — Achei que vocês iriam morar juntos de uma vez, já que dormiam na casa um do outro quase a semana toda.

Levi somente suspirou e encostou-se no sofá preguiçosamente. Estava cansado daquela situação. Sentia saudades de Eren e como sentia. Saudades dos carinhos, dos “eu te amo”, das risadas gostosas do garoto e de suas brincadeiras sem um pingo de graça, mas que eram únicas dele. Nesses três meses as coisas se esfriaram de uma forma assustadora e isso estava o matando por dentro. Era culpado, claro que era; no entanto, não queria que Eren o interpretasse de forma errada e que pensasse que estivesse querendo barrá-lo de viver. Jamais faria isso.

Contou tudo o que o atormentava para seu vizinho enxerido e o viu gargalhar logo após.

— Vocês são retardados — disse, apenas para ver Levi revirar os olhos. — Ficam nesse cu doce de não conversarem! Já pensou se Eren quiser isso tanto quanto você?

Levi o encarou. Não sabia o que pensar sobre aquilo, mas será que era uma possibilidade?

— Não. Acredito que ele queira viver essa fase sozinho. Se ele quisesse, já teria falado sobre isso — deu de ombros.

— Levi, de tanto falar dele, você ficou lerdo demais — o loiro fazia sinais com a mão e recebeu um dedo do meio em resposta. — Eren não quer se afastar das pessoas mais importantes para ele e em um palpite pessoal meu, essa ideia sequer passou pela cabeça de vento dele por estar com preocupações maiores em sua cabeça. Se você tem propostas na orquestra regional de lá e calhar a mudança, por que não conversar sobre?

Levi somente suspirou fundo, massageando as têmporas e fechou os olhos, pensando em tudo aquilo que o vizinho havia dito. Aquele enxerido sabia muito bem pegar em certos pontos que o fazia refletir de uma forma anormal, como se falasse exatamente o que ele precisava ouvir.

— Vocês sempre conversaram tanto, me impressiona se afastarem dessa forma quando era necessário apenas uma conversa para esclarecer tudo. Sei que tem medo de invadir o espaço dele, mas uma hora ou outra um de vocês tomariam essa atitude de propor algo do tipo, não é? — Yigu questionou e viu Levi suspirar fundo mais uma vez.

— Sim, é verdade.

— Converse com ele e diga que essa questão te fez ficar inseguro quanto a distância e que gostaria de morar juntos, caso ele quisesse. Mas apaixonado do jeito que você está, melhor pedir logo em casamento — gargalhou ao ver o rubor das bochechas branquinhas de Levi ganhar mais intensidade.

— Ainda está muito cedo para isso, eu não quero apressar as coisas e...

— Levi, acorda! Vocês foram feitos um para o outro e é nessas loucuras que as coisas dão certo. Conheço tantas pessoas que casaram com dois, três meses e estão juntas até hoje, por anos — gesticulava com as mãos, atrapalhado. — O amor não escolhe tempo, idade ou circunstancia. Ele apenas chega, invadindo nosso peito, queimando nossa alma e fazendo borboletas dançarem de forma gostosa no nosso estômago. Vocês conhecem as manias um do outro, sabem os defeitos um do outro, por que não morarem juntos? Não tenho dúvidas de que Eren negará isso.

Levi ficou em silêncio, apenas absorvendo tudo aquilo que o vizinho disse. Viu o loiro se levantar com um sorriso no rosto e espreguiçar-se no meio da sala.

— Levi, o amor não é questão de tempo. Não é questão de apressar as coisas ou algo do tipo — chamou a atenção do baixinho que o encarou. — Sabe, quando você menos espera uma pessoa incrível pode chegar e arrumar tudo aquilo que estava quebrado dentro de você por anos. Eren foi essa pessoa para você e você sabe disso. As coisas entre vocês sempre aconteceram de forma natural, não pense muito sobre isso. Quando chegar a hora de tomar um passo, vai acontecer de forma natural e você não ficará se martirizando dessa forma, como está agora — virou-se e caminhou até a porta. — Já estou indo.

— Obrigado — Levi agradeceu, surpreendendo o loiro. — Eu jamais pensei que fosse me tornar seu amigo e compartilhar coisas tão pessoais assim.

— Nem eu. Você era bem irredutível no começo, sabia? — o loiro sorriu e Levi riu abafado. — Fico feliz que estabelecemos esse vinculo.

— Você me ajudou muito quando se tratou de Eren, obrigado.

— Estou comovido. O que aconteceu com a carranca ranzinza?

— Vai tomar no seu cu — Levi falou e Yigu gargalhou.

— Converse com ele hoje. Sei que se acertarão e você me contará as boas novas em breve — ele piscou e Levi viu o loiro ir rumo ao elevador.

Levi fechou a porta de seu apartamento e pegou seu celular, enviando uma mensagem para Eren de que estaria lá em breve. Pegou o presente de Ymir e quando estava saindo novamente, ouviu o celular tocar.

— Levizinho, meu amor.

— O que foi?

— Que mau humor, não se resolveu com Eren ainda?

— Pretendo essa noite. O que foi?

— Nada. Queria ouvir sua voz linda e máscula e contar uma coisa também...

Levi revirou os olhos. — Você é uma fofoqueira, sua quatro olhos de merda. Sei que Erwin está ouvindo. Onde vocês estão? Que coisa é essa?

— Nossa, somos tão previsíveis assim? — Levi ouviu a voz do loiro ao fundo. — Estamos indo para o aniversário de Ymir também e não queremos que o clima fique ruim porque vocês dois não conseguem resolver seja lá o que for.

— Não tem clima ruim nenhum, estamos bem. Inclusive, estou indo buscá-lo agora.

— É o que esperamos. Não quero ver sua cara de bunda a festa toda — Hange falou apenas para provocá-lo.

— Sou obrigado a ver essa tua cara feia sempre e nem por isso reclamo. A vida é assim — rebateu e ouviu gargalhadas do outro lado da linha.

— É, ele não mudou nada. Nos encontramos lá, então. Até.

— Até.

Levi desligou a ligação e saiu de seu apartamento. Erwin e Hange não disseram o que queriam contar.

____

Não demorou muito e chegou até o loft de Eren, buzinando uma única vez e vendo o namorado sair rapidamente e entrar no carro.

— Boa noite, Vi — Eren disse e Levi inevitavelmente sorriu ao ouvir o apelido que não ouvia há umas semanas.

— Boa noite, amor — fez um carinho no rosto do namorado antes de dar partida no carro e somente aquilo foi o suficiente para Eren soltar o ar que estava preso desde o momento que entrou no carro.

— Amor? — Eren chamou, olhando para a janela.

— Hum? — Levi murmurou, prestando a atenção no trânsito, mas feliz pelas coisas estarem sendo mais naturais aquela noite. Há semanas não estavam tendo uma conversa direta ou com apelidos carinhosos.

— Podemos conversar depois do aniversário da Ymir? — mordeu o interior da bochecha, meio temeroso quanto à resposta do baixinho.

Pararam no sinal vermelho e Levi tomou a atitude de deixar um beijo no rosto do namorado para chamar a sua atenção e quando Eren virou-se, deixou um selinho rápido nos lábios dele e ambos sorriram logo após.

Por que era tão difícil isso acontecer nos últimos meses? Sentiram o alívio invadir o interior de ambos e as mãos sem que perceberem se procuraram e se enlaçaram saudosas pelo toque e calor que uma emitia a outra – outra coisa que também havia sido perdida nesse tempo.

— Eu também queria conversar com você — Levi disse, deixando Eren surpreso.

— Podemos dormir juntos hoje?

— Sim, podemos sim. Estou com saudades disso — Levi foi sincero. — Mas terei que acordar bem cedo amanhã e pegar estrada. Tenho um último ensaio com uma orquestra de outra cidade, é indispensável.

— Tudo bem, só de dormir com você já tá bom. Também estava com saudade disso tudo — Eren parecia mais leve, como se um peso tivesse sido tirado de suas costas.

Por um momento, parecia que não havia mais confusão, incerteza ou dúvida no interior de ambos e a atmosfera tão familiar se fez presente no interior do veículo deixando tudo mais agradável e confortável.

Continuaram conversando coisas do cotidiano, mas que há dias não falavam. As mãos não se afastaram por um minuto sequer e a música do rádio só fazia tudo ficar mais leve e tranqüilo. Eren fez uma piada com uma coisa que Levi tinha dito e ouviu uma risada gostosa como resposta, com direito aquele costume lindo e bobo do baixinho colocar a mão em frente à boca, e não pôde evitar sorrir também.

Como conseguiram ficar sem aquilo?

— Sentia falta disso — Levi confessou enquanto estacionava o carro próximo a casa de Marlo e Hitch.

— Eu também sentia e muito. Não gosto quando a gente se afasta, dói muito.

Levi olhou para o namorado, vendo o rubor nas bochechas de Eren se formarem após a última frase.

— Eu posso te beijar? — foi o que disse e Eren o encarou no mesmo instante e somente concordou com a cabeça.

Levi se aproximou e encostou os lábios nos de Eren, começando um beijo calmo e saudoso. A mão do Ackerman acariciava gentilmente o rosto do namorado como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, enquanto a mão de Eren ia rumo a nuca, roçando o dedo ali em um carinho sutil. As línguas se chocaram e dançavam de forma lenta em um ritmo único, juntas. O contato teve que ser finalizado pela falta de ar, mas Levi o finalizou com vários selinhos carinhosos e ao abrir os olhos viu Eren sorrindo para si.

— Eu te amo, pirralho — Levi quem disse primeiro. — Senti sua falta.

— Eu também te amo, Levi — Eren disse dando um último selinho em Levi. — Senti saudades também.

— Vamos?

Eren apenas assentiu e ambos caminharam até a casa de Hitch e Marlo de mãos dadas, tocando a campainha e sendo recepcionados pela loira, que os levou até a área externa que era onde estava acontecendo a pequena festa.

Não havia muitas pessoas ali. Somente alguns parentes da família da loira – já que a família de Marlo estava em outro país no momento –, alguns músicos amigos de Marlo e Erwin e Hange já haviam chegado.

Se sentaram na mesa onde o casal de amigos estava, mas antes Levi entregou o presente de Ymir para Hitch que exibiu para todos o quão sortuda havia sido pela filha ter um tio tão bom que a mimasse sempre.

— Boa noite, pombinhos — Hange cumprimentou e Erwin acenou.

— Boa noite — ambos disseram juntos.

Hange e Erwin olharam para as mãos juntas e a expressão no rosto dos dois e sorriram juntos. Parece que a tensão que havia ali tinha diminuído, mesmo que um pouco.

Começaram a conversar despreocupadamente. Hange e Eren conversavam sobre um seriado qualquer, enquanto Levi ouvia Erwin fofocar da vida de alguém com muito entusiasmo – a cara poderia enganar, mas o casal de amigos eram fofoqueiros de marca maior,

A conversa foi interrompida quando Marlo chegou na mesa com a pequena Ymir no colo, que chorava e fazia birra.

— Levi, ajuda aqui! Ela viu você e não para com ninguém — Marlo dizia meio desesperado e os quatro da mesa soltaram um riso.

Levi estendeu os braços para pegar a loirinha e a colocou em seu colo. No mesmo instante a pequena parou de chorar e sorriu ao tocar as bochechas magras com as mãos, fazendo com que todos da festa observassem a cena.

— Fala titio Levi, Ymir — o Ackerman sentou a menina na mesa, brincando com as mãozinhas gordinhas e fazendo a loirinha sorrir, além do namorado e do casal de amigos sentados na mesa também.

— Ela não fala nem papai direito, acha que vai falar titio? — Marlo revirou os olhos, vendo Hitch se aproximar.

— Ti-tio Le-vi — a neném disse pausadamente, como se quisesse imitar o que o baixinho tinha dito momentos atrás, fazendo os pais arregalarem os olhos.

— Não estou vendo isso — Hitch disse no mesmo instante. — Marlo, ela falou... Ela falou mesmo! — parou em frente e filha com o celular na mão filmando. — Fala mamãe, meu amor! Fala.

— Ma-ma — a loirinha bateu palmas e riu.

— Não, não e não! — Hitch parecia emocionada. — Ela nem sequer pareceu querer falar algo, somente murmurava algumas coisas, mas nada concreto assim. O que você fez, Levi?

— Eu tenho os meus talentos — deu de ombros, sentindo-se a última bolacha do pacote pela pequena loirinha falar seu nome primeiro.

— Fala papai, Ymir — Marlo falou.

A loirinha olhou para o pai, para a mãe e para Levi e sorriu sapeca. — Levi!

— Sinceramente, eu desisto — o moreno disse, fazendo uma negativa com a cabeça e olhando incrédulo para a própria filha e arrancando gargalhadas de todos.

Levi viu Hitch se afastar e ir na mesa de seus parentes e falar algo como “esse é o tio Levi que eu tanto falo, dá pra acreditar?”  e logo após ouviu risadas vindas em sua direção como se aprovassem aquela aproximação. Levi viu Ymir olhando e apontando para o chão e entendeu. Colocou a menininha em pé, a segurando com os bracinhos estendidos para o ar e olhou para Eren.

— Ymir, vá até o Eren — falou para a menininha e apontou, Eren encarou Levi e entendeu o recado, afastando a cadeira da mesa e virando-a na direção da pequenina.

— Vem aqui, vem — Eren bateu nas próprias coxas e a menina olhou para ele e para Levi. Hitch via a cena de longe e já sacou o celular se aproximando novamente.

Ymir só se equilibrava em pé, mas dado passos nunca havia acontecido. Sempre que tentavam algo a filha sentava e negava fazer qualquer coisa que lhe era imposta – a mesma coisa quando se tratava de falar algo – refletindo claramente uma personalidade um tanto quanto difícil e, talvez, ela seria um reflexo de um mini Levi.

Porém, a loirinha gargalhou e olhou para Levi e Eren e começou a dar passinhos desajeitados e desequilibrados, mas conseguiu chegar até Eren que a pegou no colo e fez uma festa em “comemoração” a pequena grande conquista. Ymir gargalhava e Hitch olhava desacreditada. Como que os dois conseguiam fazer a própria filha fazer coisas que eles não conseguiam? Mas, para sua sorte, conseguiu filmar tudo.

— Vocês levam jeito para a coisa — Erwin comentou ao ver Eren ajeitar a cadeira para perto de Levi novamente e os dois darem atenção para a loirinha, sorrindo e arrancando sorrisos também.

Era adorável de se ver. Eren era sorridente e todos sabiam disso, mas ver Levi se preocupar e ser cuidadoso com Ymir, conversar e brincar, era uma novidade muito gostosa de apreciar e somente aqueles dois conseguiam despertar aquele lado dele.

— Quando o nosso nascer queremos que você seja igual, viu Levi? — Hange brincou e Levi encarou o casal no mesmo momento com a sobrancelha arqueada.

— Não vai dizer que... — o Ackerman comentou e o casal se olhou e sorriu um para o outro, deixando Levi e Eren curiosos. — A coisa que você iria me contar no telefone...

Hange apenas assentiu novamente e Erwin sorriu largo.

— Eu tô grávida de novo, Levi! Tá crescendo uma pessoinha aqui dentro de novo — acariciou a própria barriga e o casal de amigos sorriu.

— Não! Não, não e não! — Eren sorriu largo. — Meu Deus! Eu tô muito feliz por vocês! — comentou eufórico e olhou para Levi animado, vendo o namorado sorrir para os amigos.

O fato de Hange ter tido um aborto espontâneo abriu uma ferida muito grande na morena e todos sabiam que, no fundo, no fundo, Zoe não tinha fé de que conseguiria engravidar novamente devido à complicação que teve anteriormente. O processo do luto foi dolorido e Levi esteve bem presente, oferecendo o ombro para o casal de amigos e acompanhando de perto e lembrava bem de como foi doloroso para ambos, mesmo que estivesse de poucas semanas, era uma perca imensa e não era algo fácil de digerir.

Agora mais uma vez, Hange foi agraciada com a notícia de estar grávida. A euforia veio junto com o receio; no entanto, por ter tido uma experiência no passado, agora saberia melhor como lidar com toda a questão da gestação e, ciente da questão de seu útero, tomaria cuidado em dobro. Mas a felicidade estava estampada no olhar do loiro e da morena, como se estivessem ganhando o melhor prêmio de suas vidas – o que não deixava de ser verdade, já que o sonho de ambos era ter um filho.

— Eu estou muito feliz por vocês — Levi sorriu verdadeiramente. Felicidade e conforto sendo transmitidos com aquele pequeno gesto e os amigos sorriram também, como se pudessem e confirmassem a parceria de anos somente com aquele movimento.

— Parabéns! — Marlo comentou, ouvindo toda a conversa.

— Nossa Ymir terá uma amiguinha, ou amiguinho, para brincar! Quem sabe os dois, não é Levi? — a loira foi bem sugestiva, recebendo um olhar de desaprovação do Ackerman e uma gargalhada do casal gestante.

— Meu palpite é que será um garoto, loiro como esse diabo aí e os olhos sendo uma mistura dos dois — Levi comentou, dando de ombros.

— Será? Eu queria muito uma menina — Erwin comentou.

— Ele não erra, hein — Hitch comentou, lembrando-se. — Quando eu estava grávida, ele acertou em cheio que seria uma menina loira de olhos azuis. Aqui está o pacote — apontou para a filha, arrancando sorriso de todos.

— Ela ainda tocará violino, escute só — pegou na bochecha rosada de Ymir e apertou levemente, ouvindo uma gargalhada gostosa.

— Tá repreendido — Marlo comentou. — O que custa puxar só um pouco para os pais? Meu Deus, já não basta ser indecente igual ele — se referia a Levi e viu o baixinho lhe mostrar o dedo e todos gargalharam.

— Indecente é o seu cu — Levi falou, sem medir o palavreado na frente da pequena Ymir.

— Seu cu — a loirinha disse, fazendo todos olharem para ela assustados e a pequenina sorriu, como se estivesse falando a melhor coisa do mundo.

Aquilo, de fato, seria um problema.

_______

Após o parabéns, Hitch entregou um saco com alguns doces e salgadinhos e todos começaram a ir embora. Levi e Eren não demoraram para sair também e conversavam despreocupadamente, como se todos os acontecimentos daquelas pequenas horas tivessem quebrado a barreira que construíram nesses meses com incertezas e dúvidas.

Logo, estavam no loft de Eren, mas antes o Ackerman havia passado em sua casa para pegar algumas roupas e algumas partituras para o dia seguinte. Estavam acomodados no sofá, Eren abriu o saquinho e comia o que havia dentro e olhou para Levi encostado do outro lado do sofá, vendo o que passava na televisão despreocupadamente. Aquela cena também há muitas semanas não acontecia e não pôde deixar de sorrir com aquilo.

— Ei, Vi — chamou Eren. — Precisamos conversar.

— Claro, estava esperando você terminar aí — apontou para o pacote e Eren torceu a boca.

— Eu consigo fazer os dois, tá bem? — fez um muxoxo.

— Eu sei que sim — Levi se aproximou, ficando ao lado do namorado e sentando-se de frente a ele. — Quer começar?

— Uhum — Eren disse. — Eu queria muito saber o que tá acontecendo entre nós dois. Não agüento mais essa situação, me sufoca ficar longe de você e não saber o motivo disso, sabe? Eu estou tão confuso.

Levi suspirou fundo. Também estava se sentindo daquela mesma forma e sentiu-se culpado por tudo aquilo. Foi abrir a boca para falar, mas Eren continuou.

— Se é sobre a minha mudança repentina, me fala. Se não está te agradando ou qualquer coisa, me fala. Se é sobre a distância, vem comigo, vamos morar juntos! Mas, por favor, não se afasta mais — disse rápido demais, fazendo os olhos de Levi se arregalarem com as últimas palavras. — Eu não suporto a ideia de te perder de novo.

Levi soltou um riso abafado, ainda sem acreditar que Eren estava dizendo tudo aquilo. Seu maior medo foi retirado pelo pirralho a sua frente apenas com palavras rápidas e desajeitadas que saíram da boca dele e sentiu-se muito infantil por simplesmente não ter conversado antes com ele sobre o que estava o afligindo. Levou as mãos nos fios negros, bagunçando-os e suspirou mais uma vez.

— A verdade, Eren, é que eu não soube bem como reagir — começou. — Estávamos tão bem e veio essa notícia de que você teria que ficar um ano longe e querendo ou não a cidade não é tão perto. Eu iria propor de morarmos juntos, já que tenho uma proposta na orquestra regional onde a sede é em Shiganshina, uniria o útil ao agradável — falou e deixou Eren surpreso, viu que ele falaria algo, mas prosseguiu. — Meu medo era invadir seu espaço, tirar a sua liberdade de morar sozinho em uma fase nova onde, talvez, você queira aproveitar sozinho e colher frutos de algo totalmente novo na sua vida. Você sabe que eu nunca, jamais, invadiria o seu espaço e talvez propor isso seria avançar ou correr com as coisas e eu realmente não... — Levi se atrapalhou um pouco, mas foi interrompido.

— Ei, calma — Eren sorriu, acariciando o rosto do Ackerman. — Era isso?

Levi assentiu com a cabeça.

— Eu não quero nunca ser uma pedra no seu caminho, pelo contrário, quero ser quem impulsiona você para frente. Quero estar ao seu lado nas suas conquistas e também quando as coisas não derem muito certo. Desculpa ter me afastado, mas eu realmente não sabia como reagir ou como dizer, com medo de você interpretar de forma errada ou se sentir pressionado de alguma forma. Eu jamais iria querer isso.

Eren ouvia tudo atentamente e procurou a mão de Levi, enlaçando-a logo após. Como o Ackerman poderia ser agradável daquela forma? Esse tempo todo estava pensando apenas no mais novo, não sendo egoísta em colocar as próprias vontades em primeiro lugar e dar espaço para que ele pudesse pensar sobre aquela escolha.

— Levi... — Eren sussurrou. — Eu entendo como você se sentiu. Eu entendo, mesmo, mas quero que saiba que você jamais irá me forçar a alguma coisa. As coisas acontecem de forma tão natural entre nós que eu não consigo imaginar algo assim acontecendo, sério — foi sincero, vendo os olhos estreitos o encarar com atenção. — Você é a luz que me guiou para o lugar onde eu encontrei paz novamente — confessou, sentindo as bochechas ficarem vermelhas. Esse novo Levi o ajudou em tantos aspectos, principalmente quanto a relacionamentos e confiança.

Levi o encarava, surpreso. Seu coração começou a bater aceleradamente, mas não soube quando isso começou. A conexão tão presente e familiar os deixou submersos em uma sintonia única e exclusiva deles e era incrível como aquilo parecia conectá-los ao ponto de saberem o que pensavam ou sentiam.

— Levi, você me dá uma força incrível e me deixa mais confiante do que nunca, sendo uma esperança de dias melhores após anos de uma tempestade turbulenta e agitada — continuou. — É como se eu sentisse o que você sente. Como se sua vida fosse a minha e isso corre pelas minhas veias de uma forma sensacional. Você, agora, é o meu destino e tudo para mim. Não pense que você irá tirar a minha liberdade ou me privar de algo, pois se for com você tá tudo bem e sei que será calmo e leve, como um arco-íris aparecendo junto com o sol após as nuvens cinzentas irem embora. Eu te amo.

 Levi suspirou fundo e Eren encostou as testas, ficando próximos. As mãos foram apertadas de forma mais forte, como uma confirmação de tudo aquilo que o mais novo disse.

— Me desculpe por tudo isso, eu fui muito infantil em não ter simplesmente conversado... — Levi sussurrou.

— Ei, tá tudo bem. Eu também não conversei com você. Nós dois somos culpados — Eren sussurrou de volta.

— Sabe, Eren — Levi começou. — Você sempre acalmou as minhas tempestades e sempre me deu repouso e seus olhos me deram o refúgio que eu nunca tive... E sei que você jamais me deixará cair como eu caí há anos atrás... — confessou. — Você roubou meu coração com o seu jeito e me deixa sem fôlego toda vez que descubro algo novo sobre você ou quando sorri com esse jeito único seu — sentia as borboletas dançarem de forma gostosa no estômago, mas ignorou. — Eu também sinto essa ligação e essa conexão, você me atrai a cada dia mais como um imã e eu não tenho controle algum sobre isso, mas não é algo ruim, no entanto — olhou para as esmeraldas brilhantes e sorriu. Aqueles olhos sempre foram e sempre seriam sua salvação, não importava a época. — Me diz, Eren. Como eu posso ficar contigo e não ser movido por você? Você conseguiria me dizer como qualquer coisa no mundo poderia ser melhor do que isso? Eu não consigo sequer comparar. Você é tudo o que eu quero e tudo o que eu preciso, Eren. Eu amo você.

Eren sorriu. Estava sem palavras. Levi sempre o deixaria sem palavras, não importaria a época. Seu coração estava acelerado e a conexão de antes estava mais forte do que nunca e não somente isso, como a atmosfera os cercava de uma forma aconchegante e agradável.

— Eu nunca mais irei me afastar de você. É uma promessa. Desculpe por tudo isso — Levi disse, fazendo um carinho no rosto de Eren, que ainda permanecia sem palavras.

Um sentimento bom e único crescia de uma forma gostosa e borbulhava sua alma, transbordando sensações e emoções únicas. Agora a certeza era única e certeira: seria sempre Levi. Não importaria o tempo, as circunstâncias ou o lugar, sempre seria ele. Não conseguia mais imaginar sua vida longe do baixinho ranzinza e nem queria, na verdade. Ele o fazia feliz, ele o transbordava e se sentia a pessoa mais amada e protegida do mundo ao seu lado, pois Levi era seu porto seguro.

Quando as coisas evoluíram assim entre eles e dentro de si não sabia dizer, mas estava feliz que a ficha caiu para algumas coisas e para alguns sentimentos e não foi lerdo o suficiente para não percebê-las.

— Casa comigo, Levi?

O Ackerman arregalou os olhos com aquelas três palavras, sentindo as borboletas dançarem fervorosamente no seu estômago. A boca secou e o coração se acelerou mais ainda. Eren disse aquilo mesmo? Era real ou era um sonho? A mente de Levi estava em branco total e um maldito sorriso brotou em seus lábios, fazendo Eren sorrir também.

— Isso é sério, piralho? — Levi arqueou as sobrancelhas.

— É claro, eu não brincaria com algo sério assim — Eren estava envergonhado. O rosto moreno avermelhado com o pedido repentino e o coração quase saltando pela boca eram apenas uma das características que o acometiam naquele momento. — Já vamos morar juntos, não vejo o porquê não. É um passo longo, claro, mas eu te amo e você me ama. Por que não? — disse de forma simples e sem rodeios.

Olympia havia aberto uma porta em sua cabeça que jamais pensou que teria: a vontade de construir uma família e casar-se com Levi. Elevar o nível do relacionamento e formar raízes grandes e duradouras. Não iriam se separar, nunca mais. A união seria selada de uma vez por todas.

Não havia mais dúvidas, incertezas ou confusão.

Não tinha mais nada daquilo entre eles. Se amavam perdidamente e grandemente, qualquer um poderia ver aquilo e, agora, estavam bem. O respeito, a lealdade e a confiança eram alicerces grandes e fortes na relação de ambos que foram construindo aos poucos e moldando de acordo com o tempo – rachaduras de um passado cruel eram sempre um empecilho para Eren, mas Levi sempre teve a paciência para compreender e esperar Eren quantas vezes fossem necessárias.

Levi parecia absorver toda aquela informação e levou a mão até a boca, abafando o riso que saía teimoso ali, ainda sem acreditar. Os olhos azuis brilharam e tentou – com sucesso – segurar algumas lágrimas pequenas de felicidade que queriam sair diante daquele pedido repentino.

O sonho de construir uma família iria acontecer, mesmo. Teria uma família ao lado de Eren. O garoto de olhos esmeralda seria sua família. Compartilhariam o mesmo lar, a mesma cama e as mesmas lembranças para sempre. Isso ainda parecia surreal de alguma forma.

— Sim... — sussurrou, segurando de forma forte a mão do, agora, noivo. — Sim, Eren... Sim, sim e sim — viu Eren abrir um sorriso enorme e sorriu mais ainda.

— Eu já estava preparado para o toco... — Eren fez um biquinho divertido, deixando vários selinhos em Levi logo após, pegando o saquinho e olhando dentro, procurando uma coisa que havia visto ali mais cedo. — Estende a mão.

Levi o encarou confuso, mas o fez. Viu Eren tirar duas rosquinhas pequenas de chocolate do saquinho e sorrir largo logo após.

— Não são alianças de verdade, mas prometo comprar as de ouro quando der — Eren disse e colocou a pequena rosquinha no dedo anelar de Levi e deixou um beijo singelo nas costas da mão do Ackerman.

— É ótimo para mim — Levi sorriu, olhando para a rosquinha no seu dedo e rindo logo após. Aquilo era simplesmente a cara de Eren. — Minha vez.

Pegou a mão de Eren e colocou a rosquinha em seu dedo e ambos sorriram.

— Isso é sério mesmo, não é? — Levi perguntou uma última vez e Eren assentiu sorrindo.

— É claro, me leve a sério! Iremos nos casar. Eu terei o seu sobrenome e você terá o meu. Eren Jaeger Ackerman é bonito, não é? — sorriu e Levi concordou, sorrindo também.

— Hum, Levi Ackerman Jaeger não me parece ruim... — e sorriram juntos mais uma vez.

— Agora é a parte em que a gente come a rosquinha — Eren disse, levando o dedo ate a altura da boca e mordendo um pedaço.

Levi riu abafado mais uma vez, imitando o que o namorado fez.

_____

— Eu te amo. Obrigado por tudo isso... — Levi sussurrou, ambos já deitados na cama após um banho necessitado depois de fazerem amor por algumas horas a fio.

— Estamos bem agora, fique tranqüilo. Amanhã vou começar a procurar um lugar maior para duas pessoas, então e vou dizer para Eld que eu irei para Shiganshina — Eren sorriu, acariciando os fios negros com zelo. — Eu também te amo.

— Ainda não consigo acreditar — Levi sussurrou e Eren sorriu.

— Bom, nem eu. Minha mãe vai ficar louca, aposto — soltou um riso e Levi concordou.

— Erwin e Hange, então... Nem se fala — imaginou os amigos fazendo um alvoroço com a notícia.

— Eu imagino que sim... — Eren sorriu. — Eu já falei que gosto de como as coisas acontecem de forma natural entre a gente?

— Uhum. Eu também acho e aprecio isso. São momentos únicos e que sei que ninguém mais terá, só nós dois — o baixinho confessou.

— Que bom que você quem foi comprar o buquê de aniversário da Hange aquele dia.

— Que bom que sua mãe ainda não tinha instalado as escadas na floricultura e gritou você.

Eren riu se lembrando do dia.

— Eu acho que se nós nos tivéssemos nos conhecido aquele dia, teria acontecido de outra forma. Eu tenho essa certeza no meu coração — sussurrou e Levi o encarou.

— O destino foi bom conosco, Eren — acariciou o rosto moreno e viu a pulseira vermelha ali. — As pulseiras também.

— E como foram — Eren sorriu. — Agora dorme, amor. Você tem que acordar bem cedo amanhã — deixou um beijo no rosto do namorado. — Boa noite, Vi.

— Boa noite, Eren.

_____

No dia seguinte, Eren acordou e não viu mais Levi ao seu lado. Lembrou-se que o namorado viajaria bem cedo para outra cidade e provavelmente não o acordou para que deixasse descansar por mais tempo.

Sentou-se na cama, o choque em seu quadril se fazendo presente e se perguntou se Levi também estava sentindo dores. Foi pegar o celular na mesinha de cabeceira e viu um bilhete.

“Amor, não te acordei porque você estava com um sono profundo e sei que se te acordasse você não voltaria a dormir de novo. Usei um sache de chá preto e seu banheiro, mas para recompensar comprei algumas coisas na mercearia aqui perto para você tomar café da manhã e estão em cima da bancada. Tenha um bom dia de trabalho, quando eu chegar na cidade eu te ligo ou mando uma mensagem. Amo você, pirralho.”

Sorriu ao ler aquilo e mais ainda quando viu que Levi se esforçou para desenhar um anel de rosquinha no fim do bilhete. Sorriu bobo com aquilo e se levantou, indo fazer sua rotina matinal.

Foi para o serviço comendo as coisas que Levi havia comprado e estavam muito boas por sinal. Amava quando era mimado pelo namorado – agora noivo, tinha que lembrar-se disso – e Levi sabia exatamente como fazê-lo.

Não iria falar para ninguém sobre o noivado inesperado sem a presença dele, foi uma coisa que acordaram na noite anterior. Mas quem quer que o olhasse, veria que estava prestes a flutuar de tão feliz que estava e cumprimentava até o vento de forma boba e alegre.

Entrou na sala de Eld, gritando um bom dia alto o suficiente para os setores vizinhos escutarem e o loiro arqueou uma sobrancelha, tentando entender o motivo de toda a alegria.

— Eld, tenho minha resposta — disse, indo se sentar em sua mesa.

— Se decidiu? E então? — o loiro parou o que fazia para encará-lo atento.

— Eu irei. Me diga quando começo, estou procurando alguns lugares para morar lá já. Vi que a empresa paga até certo preço, então vou me ajeitar diante os critérios impostos.

— Ótimo, Eren! Irei repassar imediatamente para o meu superior. Fico feliz que tenha aceitado — o loiro sorriu, indo escrever algo no computador. — Aliás, aconteceu alguma coisa?

— Hum, por quê? — Eren respondeu com um sorriso gigante no rosto.

— Hum, você está muito alegre e animado. É só por causa da resposta?

— Ah... É sim... — sorriu para o nada, se escorando na cadeira e Eld soltou um riso.

Sabia que não era somente aquilo, mas resolveu não retrucar.

Eren começou a trabalhar, olhando para o celular a todo instante e estranhando o fato de Levi não ter enviado nenhuma mensagem ou ligado. Já fazia um tempo desde que o baixinho havia saído da cidade, tempo o suficiente para ele ter chegado até seu destino final.

Seu coração se apertou de uma forma estranha, mas ignorou. Estava feliz demais para se preocupar.

Não demorou muito e o celular de Eren vibrou. Era uma ligação. Parou o que estava fazendo no mesmo momento e olhou para o aparelho, vendo um número diferente que não estava salvo em sua agenda chamar. Deslizou o dedo e atendeu.

— Alô? Procuro por Eren Jaeger.

— Alô. É ele, quem é?

— Sr. Jaeger, qual o seu parentesco com o Sr. Levi Ackerman?

— Somos namorados, por quê?

— Vimos seu número no celular dele nos contatos favoritos. Há algum parente próximo?

— Não, não tem ninguém. Sou uma das pessoas mais próximas. Quem é? O que aconteceu?

Eren sentia o coração falhar algumas batidas. Um sentimento péssimo passou por todo seu corpo, sentindo o peito apertar e o que ouviu em seguida fez seu mundo desabar e desespero invadiu seu interior, levantando-se no mesmo momento com um olhar aterrorizado e Eld se assustou, olhando para o funcionário que parecia desnorteado e baqueado com a notícia que estava tendo no telefone.

— Sr. Jaeger, aqui é do Hospital Central da cidade. O Sr. Ackerman sofreu um acidente enquanto estava saindo da rodovia, bateu de frente com um caminhão e está na sala de cirurgia. Precisamos de alguém próximo para preencher a ficha dele, já que ele estava desacordado e perdendo muito sangue quando a ambulância chegou ao local. Sinto muito, mas os médicos acham que ele não passará de hoje.


Notas Finais


GENTE NINGUEM ESPERAVA POR ESSE FINAL to boba aksaksnaksnaks n me matem amo vcs
YMIR ANDANDO E FALANDO GENTE EU VOU MORRER DE AMORRRR AFFFFFFFFFFFFFF
hange e erwin esperando um nenem de novo, quem amou? <3 eles merecem o mundo de coisas boas
O PEDIDO DE CASAMENTO DOS ERERI EU VOU MORRER QUE INFERNOOOOOOOOOOOO pfv me mate agora ELES SAO MT ASASANHISUHAQUIHSQ PITICOS E NENEMS E BOIOLAS E GAYS AFFFFFF EU QUERO CASAMENTO NESSE MOMENTOOOOO
e ai pessoal, palpites? o que será que vai acontecer? pq o levi sofreu o acidente? sera que o trio chernobyl tem algo a ver com tudo isso? MISTERIOSSSSSS
mais uma vez, quero agradecer a todos que comentam, leem e favoritam a historia! mtmtmttm obrigada, de coração! amo cada um de vocês!
até o próximo capítulo, pessoal ♥


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