História O Novo Império - Capítulo 73


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Capítulo Especial!🌚 Parte 1

Capítulo 73 - O Sonho de Nabucodonosor II - Parte 1


Fanfic / Fanfiction O Novo Império - Capítulo 73 - O Sonho de Nabucodonosor II - Parte 1

O general Arioque entrou novamente na sala do trono, mas agora acompanhado pelos quatro cativos que eram acusados pelo sacerdote Beroso:

- O sacerdote Beroso os acusou de terem cometido adultério com filhas de alguns dos meus nobres que vieram aqui durante o período da festa de Akitu. – Explicou o rei. – Isso é verdade?

- De maneira alguma faríamos isso, senhor. – Respondeu Mesaque, que estava espantado com a situação.

- Na ocasião referida, meu rei, estávamos na sala dos sábios, estudando sobre a interpretação de sonhos. – Garantiu Sadraque. – Nossa lei ainda proíbe o adultério.

- Pois bem, o sacerdote Beroso veio a minha presença trazendo essas acusações, que por sinal são gravíssimas!

- E com toda razão. Trouxe algumas testemunhas para comprovarem o que eu digo. – Informou o sacerdote, que havia comprado alguns homens para testemunharem falsamente contra os hebreus.

- Que sejam tragos a minha presença.

- Imediatamente, senhor. – O sacerdote deu as ordens e os soldados abriram os portões, entraram dois homens.

- Quem são esses?

- As testemunhas, senhor. – Respondeu Beroso. – Viram quando tudo aconteceu.

- Está bem, podem falar. – Autorizou o rei.

- Foi no último festival de Ano-novo a uns dois meses, quando as estátuas de Nabu foram levadas para Esagila. – Aproximou-se um dos dois homens. – Foi quando eu caminhava pelo corredor e vi esses quatro homens abusando de uma mulher. Quando me dei por conta, era filha de Nergal-Sham-Usur, um nobre vindo de Lagash, meu rei.

- Hum... E quanto a você? – O rei se virou para o outro homem.

- Eu caminhei pelos corredores e vi os mesmos quatro homens, pareciam embriagados com vinho.

- Justo os hebreus, que se acham tão santos e retos! – Ironizou o sacerdote. – São piores que a mais pior das espécies de cobras.

- A acusação que o sumo-sacerdote fez a vocês é muito grave. Vocês sabem que tal ato pode levar a morte, não sabem? – O rei se virou para os quatro cativos.

- Tenho minha consciência limpa, soberano. - Respondeu Beltessazar. - Não fiz nem jamais faria algo que traísse a sua confiança.

- E como o rei poderia ter certeza? Já não está claro pelas testemunhas que mandei trazer, de que Sadraque, Mesaque, Abede-Nabu e Beltessazar são adúlteros e imorais?

- O Deus a qual eu sirvo, deixa bem claro que devemos permanecer fiéis e leais ao rei e ao reino de Babilônia, enquanto permanecermos aqui como cativos. - Respondeu Beltessazar.

- Beltessazar, a fé no seu Deus é inquestionável, eu sou convicto disso. Mas as acusações do sacerdote Beroso e suas testemunhas também é inquestionável.

- Pois então, eu e meus amigos nos livraremos de nossos órgãos reprodutores, na sua presença, ó rei. - Afirmou Beltessazar.

- Estão indo longe demais... Só para não admitirem o que está claro. - Respondeu o sacerdote.

- V-vocês se farão eunucos!? - Espantou-se o rei.

- Se assim é necessário para que o rei acredite em nossas palavras, assim será. - Respondeu decidido, o cativo hebreu.

- Que assim seja. - Respondeu o rei.

- Mas senhor, tenho testemunhas de que Beltessazar e seus amigos foram responsáveis por esse crime imoral! - Insistiu o sacerdote.

- Chega, sacerdote Beroso! Chega. Por que os mais sábios dentre os sábios da Babilônia cometeriam tal ato vil e cruel? E ainda assim, para provarem sua inocência, sacrificariam sua capacidade de reprodução? - Respondeu o monarca. - Arioque! Tragam a eles a faca.

- Sim, meu rei. - O general se retirou da sala do trono, entretanto, depois de alguns minutos de espera, retornou.

O general Arioque entregou a Beltessazar e aos seus amigos, quatro facas para que cortassem seus genitais:

- Isso é para provar que nada temos culpa. - Ao dizer essas palavras, Beltessazar cortou seu genital e seguiram-se a ele, seus amigos.

- Realmente, se fizeram eunucos... - Espantou-se o chefe da guarda real.

- O caso está decidido! - Nabucodonosor levantou o cetro. - Estão inocentados.

Ao escutar a ordem do rei, o sacerdote Beroso se irou, porém, se manteve calmo por fora. Mesmo assim, insistiu:

- Mas senhor!

- Chega, Beroso! Já está decidido! - Esbravejou o rei. - Se continuar insistindo comigo, esquecerei que é o futuro sumo-sacerdote.

- Que Mesaque, Sadraque, Abede-Nabu e Beltessazar sejam imediatamente tratados para que não pereçam por hemorragia. – Ordenou o rei Nabucodonosor.

A rainha, que estava ao lado do rei também estava impressionada:

- Eles abriram mão da reprodução, apenas para provar que eram leais ao reino... – A rainha se impressionou.

- Esses quatro hebreus sempre me pareceram diferentes dos demais.

Adramelec, chefe da guarda real, se aproximou:

- Sempre percebi neles algo diferente também. Quando Aspenaz estava os alimentando, pediram para que comessem apenas vegetais. Em dez dias já estavam bem mais saudáveis e corados que todos os outros cativos, sejam hebreus ou filisteus.

- Aspenaz nem Beroso haviam me contado sobre isso... É mais um motivo desses quatro jovens serem diferentes serem... serem especiais.

***

Anoitecia na cidade de Babilônia. No palácio, as velas e tochas iluminavam a escuridão que rodeava os corredores e as colunas. O rei da Babilônia e sua rainha se preparavam para adormecer:

- Ainda estou impressionado com aqueles jovens cativos... Tão fiéis a sua divindade. Tão fiéis aos seus costumes. – Desabafava o rei para sua esposa. – Me arrisco a dizer até que os admiro. Nós babilônios também poderíamos ser assim com nossos deuses.

- Como assim, meu amor? – Perguntou a rainha da Babilônia. – Não está pensando em deixar nossos deuses de lado, não é mesmo?

- Não claro que não. Isso não interfere que Marduk continua sendo o deus dos deuses. – Garantiu o rei Nabucodonosor II. – Apenas acho que se esse Deus é tão fiel ao seu povo, também poderíamos ser com os nossos afinal, sejamos francos, milhares de divindades são adoradas em nossa cidade e muitas vezes, sacerdotes que deveriam ser responsáveis pela adoração de nossos deuses, se dedicam a adorar divindades estrangeiras.

- Sim, isso eu tenho que admitir. – Respondeu Amitis. – Bem, hoje foi um dia de grandes acontecimentos, mas já está na hora de dormirmos meu amor.

- Sim, minha flor da Média. – O rei sorriu. – É sempre bom ter você ao meu lado nesses momentos. Me sinto confortável.

- Eu também. – A rainha sorriu.

Na sala dos sábios, os quatro sábios hebreus ainda pensavam no que havia acontecido na sala do trono aquele dia:

- Por que será que Beroso fez aquelas falsas acusações contra nós? – Perguntava-se Sadraque. – O que fizemos para isso?

- O sacerdote Beroso não simpatiza conosco e isso já não é novidade. – Respondeu Abede-Nabu.

- Temos muitos inimigos aqui em Babilônia, meus amigos. – Declarou Beltessazar. – E parece que o sacerdote Beroso é um alvo em potencial para ser um deles.

- Não entendo. Pelos menos pra mim ele sempre pareceu tão simpático. – Questionava-se Mesaque. – E agora... Vocês acham que ele pode ter sido responsável pela acusação?

- Ainda duvidas, Mesaque? – Respondeu Sadraque. – Os sábios da Babilônia não devem estar muito contentes com hebreus tomando o seu lugar.

Labashi-Nergal entrou em meio a conversa, juntamente dele, o irmão do rei, Nabusumalisir:

- Labashi-Nergal, a que nos deve a honra, meu amigo? – Beltessazar reverenciou-o.

Labashi-Nergal assentiu:

- Fiquei sabendo do que aconteceu hoje. Como Beroso teve coragem?

- Príncipe Nabusumalisir. – Beltessazar e seus amigos o reverenciaram.

- Não precisam de tanta formalidade. – O príncipe gargalhou. – Faz pouco tempo que virei príncipe mesmo. Eu vim mais por causa de Labashi-Nergal. – Nabusumalisir já era um grande amigo de Labashi-Nergal.

- Bem, não vim falar sobre Beroso, e sim dos planos de construção que o rei me encubiu de realizar. – Informou Labashi-Nergal. – E como vocês são sábios, especialistas no assunto, pensei que vocês poderiam me ajudar.

- Mas é claro, meu amigo. – Disse Sadraque. – Será uma grande honra contribuir para os projetos do rei Nabucodonosor.

- Então ótimo! Irei trazer as plantas e os mapas dos projetos imediatamente! – O servo de Tiglath-Dumuzi sorriu.

O príncipe se assentou em uma cadeira:

- Gostaria de ver como é ser um sábio da Babilônia. Se me permitem, vou observar vocês estudando.

- Será uma honra, meu príncipe. – Respondeu Beltessazar.

Os seis passaram a noite na sala dos sábios, estudando, conversando, elaborando projetos e claro, com muita diversão e amizade. Quem diria que hebreus e babilônios um dia poderiam ser amigos?

***

O rei dormia tranquilamente em seus aposentos, ao lado de sua esposa, foi quando seus pensamentos começaram a se embaraçar em sua mente e ele teve um sonho:

O rei caminhava por um imenso campo, parecia muito algumas das grandes regiões rurais que cercavam a cidade de Babilônia. Entretanto, o rei caminhava admirado, ele ia em direção a grande, gloriosa e esplendorosa estátua que via a sua frente, ao lado de uma grande montanha. Ela era imensa e quase tocava aos céus. A cabeça da estátua era de ouro, o tórax e os braços eram de prata, o ventre e os quadris de bronze, as pernas eram de ferro e os pés eram de uma mistura de ferro com barro.

- Q-que estátua imensa! – O rei disse admirado, enquanto se aproximava da sombra do grande objeto. – Barro, ferro, bronze, prata e ouro...

Nabucodonosor continuou se aproximando, admirado:

- Que obra dos deuses...

Ele se virou para o lado, e viu uma grande avalanche surgir ao lado da grande montanha. Entre os imensos detritos que se formavam, um enorme rochedo despencou. A primeira reação do rei da Babilônia foi correr o mais rápido possível, a fim de se livrar da morte. Entretanto, a pedra atingiu os pés da estátua, despedaçando todo o corpo da grande escultura.

Nabucodonosor se espantou ao ver o que havia acontecido com a estátua e ao longe, observando tudo atrás de uma pedra, se lamentou, havia sobrado apenas as cinzas da estátua. Entretanto, uma intensa ventania teve início e levou as cinzas da estátua para longe.

- Não... – O rei da Babilônia lamentou-se. – Por que?

A pedra que havia sido responsável pela destruição da estátua começou a crescer, até se equiparar ao tamanho de uma grande montanha. Mas ela não parou por aí, continuou a crescer até cobrir toda a Terra.

O rei despertou, desesperado. O monarca se virou para o lado e viu Amitis, que continuava a dormir, tranquilamente. Ele tomou uma taça de água para si e foi ao terraço, observar a cidade de Babilônia.

***

No dia seguinte, quando o sol amanhecia em Babilônia, na sala do trono, o rei Nabucodonosor havia convocado o sacerdote Beroso. O monarca supremo da Babilônia ainda estava traumatizado com o sonho que, por sinal, não se lembrava direito:

- Necessito imediatamente do sumo-sacerdote, Beroso. - Ordenou o rei ao sacerdote. - É um caso de extrema urgência e importância.

- Creio que não será possível, soberano... - Respondeu Beroso.

- Como não será possível!?

- O sumo-sacerdote está indisposto. - Respondeu Beroso.

- Como assim o sumo-sacerdote está indisposto!? - Indagou-se o rei da Babilônia.

- Ah... Infelizmente, meu senhor, uma grave enfermidade tomou conta de seu corpo. - Respondeu o sacerdote Beroso.

- Pois traga ele, amarrado se assim necessário for. Eu preciso de seus préstimos agora! - Impôs o monarca.

- Se esse é o seu desejo, soberano. Mas devo informar que o sumo-sacerdote tem o ventre prejudicado.

- Ele come demais, isso sim. - Respondeu o rei. - Se empanturra com as ofertas aos templos.

- Mas senhor, será que eu, não poderia ajudá-lo em seu lugar? - Perguntou Beroso, enquanto subia as escadas e se aproximava do trono do rei.

- Tive uma noite intranquila. Um sonho tão real e... E terrível, que me senti como se estivesse desperto. Essas lembranças me assombram, preciso que me diga com urgência a interpretação do meu sonho.

- Bem, meu rei, sonhos não são de minha especialidade. - O sacerdote respondeu. - Mas com certeza em todo o reino existem sábios especialistas no sonhar!

- Pois então reúna esses magos, bruxos, encantadores, feiticeiros e estudiosos caldeus, os mestres do invisível! E os traga para minha presença. Que a sabedoria babilônica se reúna para interpretar meu sonho!

- Sim, grande Nabucodonosor! - Beroso sorriu. - Voltarei o mais rápido possível.

- Que tipo de sonho foi este que o deixou tão perturbado, meu senhor? - O general Arioque perguntou ao monarca babilônio. - Acha que pode ser uma mensagem enviada pelos deuses?

- Quando acordei, não me lembrava de mais nada que havia sonhado. Meu espírito se apavorou e perdi o sono pelo resto da noite. - Respondeu o rei. - Não foi um sonho comum general, é a minha única certeza.

***

O sacerdote Beroso caminhava pela sala dos sábios, acompanhado por magos, encantadores, feiticeiros, caldeus estudiosos e sábios de todas as partes da Babilônia:

- O grande rei Nabucodonosor II exigiu a presença de todos. - Explicou o sacerdote para os sábios que o seguia. - Ele foi assaltado por um terrível pesadelo e conta com os vossos conhecimentos para decifrar o enigma que os deuses plantaram em sua mente. Daqui, seguiremos para a sala do trono, aonde poderão decifrar o dilema.

Beltessazar e seus amigos observaram o anúncio do sacerdote Beroso e se aproximaram do mesmo:

- N-nós também vamos, sacerdote? - Perguntou Mesaque.

- Claro que não. Por acaso vocês são grandes sábios? - Indagou-se Beroso.

- Não pode negar que estamos nos esforçando. - Justificou Sadraque.

- Em nossos encontros com o rei, conseguimos sua aprovação. - Exclamou Beltessazar.

- Apenas porquê responderam algumas perguntinhas inúteis e salvaram a vida de uma pobre criatura infeliz, já se consideram grandes sábios? Que prepotência.

- Nós só pensamos em ajudar. - Justificou Abede-Nabu. - Eu já li um estudo egípcio sobre a difícil arte da interpretação dos sonhos.

- O soberano mandou chamar os maiores! Os mais talentosos. - O sacerdote gargalhou, juntamente com os sábios que estavam com ele. Os hebreus ficaram envergonhados e humilhados. O príncipe Nabusumalisir observou tudo, calado. - Vocês hebreus ainda terão de comer muita lentilha para chegarem aos nossos pés!

- Vamos... - O sacerdote se virou.

- Que pena não poder ir... - Lamentou Abede-Nabu.

- Eu fiquei aliviado. - Respondeu Mesaque. - O rei me enche de medo.

- Vai que a gente interpreta o sonho errado. - Temia Sadraque.

- Espero que esses sábios tenham a resposta para a angústia de Nabucodonosor. - Aproximou-se Beltessazar. - Ou enfrentarão sua ira.

- Afinal, o que o rei sonhou para ficar tão assim apavorado? - Questionava-se Mesaque.

***

- Aqui estão eles, meu rei. - O sacerdote Beroso entrou pelos portões da sala do trono e, junto a ele, magos, sábios, feiticeiros, estudiosos caldeus, bruxos, encantadores. - Toda a sabedoria da Babilônia presente em um lugar.

- Maravilhoso. - Contentou-se o rei. - Obrigado, Beroso. Pode se retirar.

O sacerdote não gostou:

- M-mas senhor eu...

- Saia! Quero ficar a sós com os sábios de meu reino! - Ordenou o rei novamente, mas com voz mais forte e rígida.

- Como ordenar, grande rei. - Beroso, contra sua vontade, reverenciou o monarca e se retirou de sua presença.

- Grande rei Nabucodonosor II! No que seus humildes servos poderiam ser úteis? - Um mago se aproximou.

O rei deixou seu cetro ao lado do trono e desceu as escadas do trono. Ele se aproximou dos sábios e explicou a todos eles, que estavam a sua frente:

- Tive um sonho que me perturba e quero saber o que significa.

- Ó rei, vive para sempre! Conta o que sonhou aos teus servos, e nós o interpretaremos. - Responderam os sábios.

- Hum... Por acaso me toma por algum tolo? - Ponderou-se o rei.

- Evidente que não, glorioso. - Respondeu um dos magos, que estavam espantados.

- Não são magos? Feiticeiros? Encantadores? Detentores dos segredos e mistérios? Pois então me digam o que eu sonhei e qual o sentido desse pesadelo. - Exigiu o rei Nabucodonosor.

- Mas senhor, como podemos ajudá-lo se não nos disser o que sonhou?

- Por acaso isso é impossível aos maiores sábios da Babilônia? Nenhum de vocês é capaz de decifrar a mensagem dos deuses, sem que eu tenha que facilitar!?

O rei subiu as escadas novamente e tomou o cetro real em mãos:.

- Esta é a minha decisão: Se vocês não me disserem qual foi o meu sonho e não o interpretarem, farei que vocês sejam cortados em pedaços e que as suas casas se tornem montes de entulho.

Ao escutarem a ordem do rei, os sábios ficaram aterrorizados.

- Mas, se me revelarem o sonho e o interpretarem, eu lhes darei presentes e recompensas e grandes honrarias. Por isso, revelem-me o sonho e a sua interpretação. - Completou o rei.

Os sábios se reuniram entre si e começaram a sussurrar, uns para os outros:

- Mas o que ele pede é um absurdo! - Afirmou um sábio.

- Perdão, Favorito de Nabu, mas o que nos pede é impossível. Nenhum rei nunca pediu algo assim dos seus sábios, magos, encantadores, astrólogos e feiticeiros! - Afirmou o outro. - Desvendar um sonho sem saber nem mesmo o que o rei sonhou!?

- Vamos morrer! - Um outro disse desesperado.

- Veja só que situação o sacerdote Beroso nos colocou! Agora só sairemos dessa sala quando a carnificina brutal de Nabucodonosor tiver sido saciada. - Temeu um encantador. - Não temos saída.

- Já sei! Vamos insistir com o rei para que ele revele o seu sonho, assim ganharemos tempo e, quem sabe, ele não mude de ideia. - Sugeriu um mago.

Os sábios aceitaram e logo em seguida, se viraram para o rei:

- Ó rei, vive para sempre! Conta o sonho aos teus servos, e nós o interpretaremos.

Nabucodonosor se levantou do seu trono e disse:

- Já descobri que vocês estão tentando ganhar tempo, pois sabem da minha decisão.

- Não soberano, jamais fariamos isso! - Mentiu um mago.

- O Favorito de Nabu tem que entender que isso que exige é impossível! - Desesperou-se outro.

Mas o rei se manteve em sua decisão:

- Se não me contarem o sonho, todos vocês receberão a mesma sentença; pois vocês combinaram enganar-me com mentiras, esperando que a situação mudasse.

- Mas por que, senhor!? Por que devemos adivinhar sobre o que sonhou? Não é mais fácil o senhor nos contar o que sonhou!? - Perguntou um dos sábios.

- Contem-me o sonho, e saberei que vocês são capazes de interpretá-lo para mim. - O rei da Babilônia respondeu.

Em seguida, os sábios ficaram calados, não sabiam o que responder. Nesse silêncio, um astrólogo se aproximou da presença do rei:

- Não há homem na terra que possa fazer o que o rei está pedindo! Nenhum rei, por maior e mais poderoso que tenha sido, chegou a pedir uma coisa dessas a nenhum mago, encantador ou astrólogo.

- Exatamente! O que o senhor pede é impossível! Somos sábios, não adivinhadores! - Respondeu um dos sábios.

- O que o rei está pedindo é difícil demais; ninguém pode revelar isso ao rei, senão os deuses, e eles não vivem entre nós, uns meros mortais. - Completou outro astrólogo.

O rei Nabucodonosor II ficou furioso:

- Bando de inúteis! Imprestáveis! Não reúno sábios de todas as regiões do mundo para ajuntar sabedoria em Babilônia? Como agora podem me dizer que vocês, sábios cadeus! Não podem me contar sobre o que eu sonhei?

- Senhor, mas por que não nos conta o sonho?

- Quando acordei, não me lembrava de mais nada que havia sonhado. Meu espírito se apavorou e perdi o sono pelo resto da noite! Isso só deixa ainda mais claro o quanto inúteis vocês são!

- Senhor, somos sábios, não somos adivinhos! - Um se exaltou, deixando o rei ainda mais nervoso.

- Basta! Basta de tanta incompetência em um lugar só! - Nabucodonosor II levantou o seu cetro real e deu a seguinte ordem:

- Se os mais sábios dentre os sábios da Babilônia não são capazes de tal proeza, não me resta escolha não ser trucida-los, um a um.

- O quê!? Piedade, grande Nabucodonosor! - Os sábios se prostraram apavorados.

- General Arioque traga para a sala do trono, todos os sábios do reino, incluindo os cativos que estão em treinamento. Quero que todos sejam mortos e despedaçados! Um por um!

Arioque espantou:

- M-meu rei, matar todos os sábios do reino!? Acha isso realmente necessário?

- Eu sou o rei. Ouviu bem, Arioque.

Sem escolha, o general Arioque revenrenciou o monarca e se retirou. Os guardas se aproximaram e mantiveram os sábios na sala do trono, a fim de esperarem que a execução fosse cumprida.

***

O general Arioque e o chefe da guarda real Adramelec, adentraram a sala dos sábios em busca dos sábios que seriam executados por ordem real:

- Beltessazar e os outros, venham comigo. - Exclamou o general babilônico.

- O que houve, general? - Perguntou Beltessazar.

- São ordens do rei.

- M-mas o sacerdote falou para esperarmos aqui. - Explicou Mesaque.

O general Arioque levantou sua espada contra Mesaque.

- Arioque, abaixe sua espada! - Ordenou o príncipe Nabusumalisir. - Exijo saber o que está acontecendo.

- O rei decretou a morte de todos os vamos de Babilônia. - Respondeu o general. - Os quatro me acompanham, ou terei de levar suas cabeças.

- Não acho isso necessário, Arioque. - Afirmou Beltessazar. - Com a ajuda de meu Deus, posso revelar ao rei o sonho que teve.

- V-você pode? - Arioque se espantou. - Como, se nem os mais sábios de todo o reino de Babilônia não foram capazes?

- O Deus a quem eu sirvo é poderoso e pode interpretar sonhos. Mas por favor, me leve até o rei, para que eu possa revelar-lhe o sonho.

Arioque ficou indeciso:

- Não sei... Se bem que, vocês surpreenderam a todos nos últimos dois anos. Se mostraram dez vezes mais sábios que todo os sábios da Babilônia...

- Por favor, nos dê pelo menos uma chance. - Pediu Beltessazar.

- Está bem, vamos.

- Boa sorte, Beltessazar. - Desejou o príncipe Nabusumalisir.

- Boa sorte. - Também desejou Labashi-Nergal.

- Obrigado... - O cativo sorriu.

***

Na sala do trono, o clima era de completa tensão. Foi nesse momento que o general Arioque adentrou-a acompanhado dos quatro hebreus:

- Não trouxe o resto, por que Arioque? - Perguntou o rei.

- Eles afirmam que podem desvendar o seu sonho, grande rei. - Informou o general.

- Ah, podem?

- Eu não posso, meu rei. Mas meu Deus, a quem entrego minha vida e meus caminhos, esse sim é poderoso e pode revelar o seu sonho, ó rei da Babilônia.

- Pois ótimo. Revele-me o seu significado!

- Peço um tempo, para que meu Deus diga a mim, o significado do seu sonho, ó rei. Prometo que, amanhã, ao amanhecer, serei capaz de deixar os pensamentos no lugar e, revelar o seu sonho, na frente de todos.

- Que assim seja. - O rei levantou o cetro. - Amanhã, quando Shamash aparecer no horizonte: Que Beltessazar seja trazido a minha presença pelo general Arioque e que me revele o sonho! Se me revelar e interpretar o sonho com exatidão, terá recompensas, prêmios e regalias. Mas caso contrário, será a última vez que verá a luz de Shamash brilhar no céu.

- Eu, meus amigos e todos os sábios aqui presentes... - Pediu Beltessazar.

- Se acha superior, Beltessazar? Entendo que quer salvar seus amigos, mas quer parecer um herói que salvou os sábios da morte?

- De forma alguma, senhor. Entretanto, o soberano tem grandes magos e estudiosos ao seu dispor. Apesar de não poderem interpretar o tal sonho nesse momento, sempre foram e continuarão sendo sábios eficientes em suas funções. Não se livre deles assim, estará se autoprejudicando. - Pediu o hebreu, usando calmamente, as palavras certas para dialogar com o soberano da Babilônia.

- Como sempre me surpreendendo, Beltessazar... - O rei novamente extendeu o cetro - Que assim seja: Caso Beltessazar saiba interpretar o meu sonho, receberá regalias. Pouparei sua vida, a de seus amigos e a de todos os sábios da Babilônia.


Notas Finais


Nesse capítulo especial, cumpriu-se uma lenda rabínica que afirma que Daniel ( Chamado Beltessazar pelos babilônios ) e seus amigos se fizeram eunucos.l😱 Também tivemos o primeiro sonho enigmático do reinado de Nabucodonosor II, rei da Babilônia.🌚😏 Quem quiser saber mais sobre o assunto, leia o capítulo 2 de Daniel, mas já aviso, tem spoilers ksksks🌚😏💙💙💙💙


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