História O Novo Império - Capítulo 92


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 92 - Uma punição a altura


Fanfic / Fanfiction O Novo Império - Capítulo 92 - Uma punição a altura

Daniel estava na sala dos sábios, selando alguns documentos oficiais, mesmo assim o sentimento de preocupação para com Judá era contínua.

Abede-Nabu percebeu a preocupação que o amigo sentia, seu semblante estava em completo medo e anseio. Ele se aproximou do governador:

- Daniel, está tudo bem? - Perguntou ele, se assentando ao lado do governador, em sua mesa.

- As profecias sempre anunciaram que Judá seria destruída. Mas agora...

- Sei bem... Só de imaginar que a esse ponto Jerusalém deve estar em ruínas... O Templo queimado e saqueado...

- Deus nos incubiu de uma grande missão na Babilônia, Abede-Nabu. Mas é muito difícil aceitar que a terra aonde nascemos, crescemos, aonde conhecemos sobre o Deus único, agora não existe mais.

- Isso tirando o fato de que os babilônios quando invadem algum reino não tem piedade de ninguém. - Lembrou ele. - Matam homens, mulheres, crianças inocentes a sangue frio. Tudo isso por causa da irresponsabilidade de um único homem. - Disse ele, se referindo ao rei de Judá.

- Zedequias tão certo estou de que também não há de escapar das mãos de Nabucodonosor II, Abede-Nabu. Durante onze anos que ele reinou em Judá, se recusou a escutar os avisos dados pelo profeta Jeremias e pelo profeta Ezequiel, agora está pagando pelo o que ele plantou.

- E como nós sabemos, os reis babilônios não costumam ser muito benevolentes com os reis derrotados...

- Zedequias traiu a confiança do rei, quebrou um acordo de lealdade que ele jurou em nome de Deus, creio que sua sentença será pior... Será bem pior.

- Disso não tenho dúvidas, Daniel. Disso não tenho dúvidas.

- E Mesaque, aonde foi? Não o vi hoje. - Perguntou o governador da Babilônia.

- Está em Dura, fiscalizando as obras finais para a conclusão do ídolo de Nabucodonosor. - Explicou Abede-Nabu.

- É realmente lamentável. Os escravos, principalmente os cativos, são tratados como animais. - Lamentou Daniel. - Impostos abusivos apenas para a construção dessa estátua em honra ao deus Merodaque.

- Sabe como é o imperador da Babilônia... Adora ostentar seu poder diante das demais nações. - Lembrou Abede-Nabu, se levantando para pegar uma tabuleta cuneiforme. - Nem mesmo o príncipe-regente faz algo contra os abusos feitos para a construção dessa estátua. - Suspirou. - Ela é toda feita de ouro, Daniel... Quarenta metros de puro ouro.

- Ouro esse que poderia ser usado para melhores condições aos escravos da Babilônia, trabalhariam com mais força e vontade e isso beneficiaria o reino. - Lembrava Daniel. - Mas infelizmente já tentei várias vezes apresentar essa proposta para o rei, mas parece estar mais interessado em ostentar seu poder pela força. Nem mesmo Mushezib toma partido.

- É realmente lamentável, meu amigo. - Abede-Nabu se sentou novamente. - Bem, mas vamos mudar de conversa, temos muito trabalho a fazer, um reino para administrar!

- Está certo, tem uma tabuinha aqui que eu queria se mostrar... - Daniel se levantou.

***

A sacerdotisa de Ishtar, Sammu-ramat, estava na rua do comércio comprando algumas estátuas pagãs para colocar em seus aposentos, ela costumava fazer isso todos os anos, para renovar as imagens.

Beroso estava à procura da sacerdotisa e a encontrou em uma das vendas:

- Ah, sumo-sacerdote. - Cumprimentou ela, carregando com sigo algumas estátuas. - Estava me procurando, creio eu.

- Sim, Sammu-ramat. - Respondeu ele. - Estive pensando em formas de nos livrarmos dos quatro hebreus da corte, e tive uma idéia que pode funcionar.

- E o que seria? Sabe que por mais eficientes as poções possam ser, elas nunca conseguem apagar todos os vestígios, ainda mais num caso de assassinato de um membro da corte.

- Sim, eu sei. É por isso que tive outra idéia, e me parece perfeita. - Beroso sorriu. - E... Posso afirmar, Marduk é quem irá nos ajudar dessa vez... Literalmente.

A sacerdotisa também sorriu:

- Pois bem, vamos aos meus aposentos no palácio. A rua não é um lugar adequado para falarmos sobre isso. - Aconselhou ela.

***

Para garantir que ninguém os escutaria, Sammu-ramat fez questão de trancar as portas de seus aposentos.

- E então? - Ela perguntou. - Como vamos nos livrar do governador e de seus amigos?

- Veja bem, desde que a Babilônia existe, e desde que Marduk é o campeão dos deuses, o rei deve reverenciá-lo como senhor de todo o universo, provando assim sua legitimidade, não é mesmo?

- Sim, mas... Aonde quer chegar?

- Vamos aproveitar a cerimônia de inauguração da estátua de Marduk para nos livrarmos dos quatro hebreus palacianos! - Ele riu. - Se até o rei deve se curvar diante de Marduk, todos na Babilônia também devem se curvar, certo?

- Sim. Mas como pretende fazer o rei assinar tal decreto? O soberano é bem arbitrário quando a questão são religiões estrangeiras.

- Convenhamos, Nabucodonosor é um rei vaidoso, orgulhoso de seus feitos. Se ele aprovou a construção da estátua foi pela sua própria glória. Se os quatro hebreus não se prostrarem diante do feito de Nabucodonosor, o nosso soberano irá entender isso como uma afronta... Sadraque, Mesaque, Abede-Nabu e Beltessazar estarão condenados!

- Beroso... Sua inteligência estratégica é realmente impressionante. - Elogiou a sacerdotisa. - Irá usar o rei para derrubar os hebreus... Sua idéia é brilhante!

- Não tem como nada dar errado, sacerdotisa. - Comemorou ele. - Em breve, Beltessazar e seus três amigos estarão condenados à morte, pelo rei da Babilônia.

- A divindade de Beltessazar pode representar uma ameaça, não acha? - Sugeriu a sacerdotisa. - Se foi capaz de revelar um sonho que nem os maiores sábios no passado não souberam responder...

Beroso demonstrou completo desprezo:

- É apenas um deus de camponeses... Nada demais. Os deuses não nos favoreceram naquele momento, simplesmente isso. Mas agora, Marduk irá nos ajudar, Sammu-ramat. Será o nosso deus supremo contra o Deus deles.

***

Deserto da Arábia, Império NeoBabilônico

Já faziam dias que os músicos hebreus, ao som da voz do povo, cantavam músicas em lamento a queda de Jerusalém e seu exílio para a Babilônia. Os oficiais babilônios que eram responsáveis por guiarem a deportação já não aguentavam mais ouvir o som daquelas melodias, alguns até mesmo choravam em alguns casos, tamanha era a tristeza que era passada pelos hebreus:

- Basta. - Exclamou Sangar-Nabu. - Já não aguento ouvir essas lamúrias e lamentos. Essa viagem de volta a Babilônia parece ter se transformado num mártir.

- Alguns soldados choram ao escutar isso. - Afirmou Nebusazbã. - Basta! - Ordenou o oficial aos músicos, imediatamente cessaram a música.

- Basta de ter que ouvir lamentos dos cativos! - Continuou Nebusazbã. - Melhor continuarmos a jornada sem música.

Alguns soldados se aproximaram:

- Senhor, há alguns sacerdotes levitas de idade, e eles não estão conseguindo ter forças para continuar, o que fazemos!?

- Como assim “o que fazemos”!? Deixem-os morrer no caminho, não vamos parar uma viagem que já é longa por causa de um bando de decrépitos. - Respondeu Sangar-Nabu.

Um dos dois soldados se virou para Sangar:

- Mas senhor... As famílias dos sacerdotes...

- Dane-se as famílias, soldado! Cumpram minha ordem! - Ordenou rígido.

Os dois soldados obedeceram e se retiraram, após uma reverência.

- Aonde deve estar Nebuzaradã, Nergal-Sarezer e Nabu-sarsequim, em?

- Provavelmente estão a caminho de Ribla, na Síria, aonde o rei está instalado em seu acampamento militar, coletando tributos de Damasco e dos reinos da Palestina.

- O futuro de Zedequias não é nada bom...

***

Meses depois...

Ribla, Síria

Entre as planícies de território sírio, dominado pelos caldeus, as tropas de Nebuzaradã notaram o acampamento de Nabucodonosor II estabelecido na cidade de Damasco, capital do reino de Aram-Damasco ou Damasco.

- Nem acredito que chegamos... Depois de tanto tempo. - Comemorou Nabu-sarsequim. - Não vejo a hora de rever o soberano.

- Eis aqui a condenação de Zedequias e de todos os hebreus que se revoltaram contra a Babilônia. - Proclamou Nebuzaradã, avistando do horizonte as tendas dos soldados sob comando do rei babilônico.

- Vamos. - Ordenou Nergal-Sarezer para seus oficiais. - Mantenham-nos amarrados. - Disse ele se referindo aos filhos de Zedequias.

As tropas do chefe da guarda real desceram a planície síria rumo a cidade de Damasco, aonde o rei Nabucodonosor II residia, a esperada da chegada de suas forças militares. Zedequias, seus nobres e filhos continuavam como reféns, sob o domínio dos soldados de Nebuzaradã. O fim para eles era certo, mas Zedequias pretendia tentar pela última vez... Ele não queria morrer.

***

Babilônia, Capital do Império NeoBabilônico

- Obrigada, Adadenirari, ficou ótimo. - Agradeceu a rainha Amitis ao penteado feito pela dama. - Chame Gadise para mim, quero ter uma conversa séria com ela.

- Sim, senhora. - Ela reverenciou e saiu. Nesse mesmo tempo, a sacerdotisa Sammu-ramat adentrou os aposentos reais.

- Sammu-ramat. - Amitis assustou com a sua presença. - Posso ajudá-la?

- Grande rainha. - Ela reverenciou. - O que vim lhe informar é algo de extrema importância, e pode significar o futuro do reino da Babilônia, senhora.

- E o que houve, sacerdotisa? - A rainha descansou o espelha na qual via seu penteado numa mesinha. - Por acaso são mais intrigas palacianas para resolver?

- Longe disso soberana. Tem a ver com o príncipe herdeiro do trono, Nabusumaukin.

- O que tem meu filho? - Ela se aproximou da sacerdotisa.

- Soberana, creio que a aproximação do governador hebreu ao príncipe possa se tornar um tanto... prejudicial. - Sammu-ramat estava com o puro intuito de destruir Daniel. - Nabusumaukin pode se tornar fraco, indeciso e temeroso, e esses sentimentos podem evoluir quando se tornar rei. O menino passa mais tempo com hebreus do que deveria.

- Beltessazar?

- O próprio. - Ela mentiu. - Ele está enraizando na cabeça do pequeno príncipe as ideias e costumes hebreus. Está se aproveitando de uma criança para influencia-la e no futuro, transformá-la em um rei completamente incapaz. Isso é muito perigoso senhora. Tanto para o príncipe, quanto ao futuro do império erguido por Nabopolassar e Nabucodonosor II.

- Ótimo, sacerdotisa. Fez muito bem em ter me informado sobre isso. - Respondeu a esposa do rei.

- Não poderia ter feito diferente, soberana. É meu dever zelar pelo bem-estar de todos, e assegurar a proteção da família real. - Sammu fingiu humildade.

- Assim que meu marido retornar de suas campanhas em Canaã e na Síria, irei informá-lo sobre isso. - Garantiu a rainha. - Se esse hebreu pensa que vai conseguir usar o meu filho para seus intuitos maléficos, está muito enganado! Essa história não vai ficar assim!

Com seu “trabalho” concluído, a sacerdotisa se retirou:

- Fico feliz em saber que tudo irá se resolver e que os hebreus ficarão em seus devidos lugares. - Disse a sacerdotisa. - Se me dá licença, tenho um compromisso importante no Templo de Shamash esta tarde. Com sua licença.

- Toda sacerdotisa, toda. - Autorizou a rainha.

***

Campo de Dura, Império NeoBabilônico

- Como pode ver, senhor Mesaque, a estátua está praticamente concluída. Tudo o que os escravos estão fazendo agora é preparar a cerimônia de inauguração. - Informou Larsa, que era o feitor responsável pelos escravos das obras. - Em breve todos que passarem pelas rotas comerciais que ligam Dura na Babilônia para Canaã, Egito, Assíria, Fenícia, Acádia, Suméria, Média, Cilícia, Pérsia e todos os demais reinos irão contemplar a grandiosidade da estátua do Grande Senhor da Babilônia! - Ele sorriu, orgulhoso.

- Hum... - Mesaque observou a grandiosidade da estátua de Marduk, completamente reluzente em meio a luz do sol. Uma estátua maciça que se tinha a impressão de chegar aos céus, uma imagem idólatra nunca feita antes pelo homem em toda a história.

Mesaque entretanto, voltou sua atenção para o tratamento dos escravos:

- E os escravos das obras? Continuam recebendo o alimento necessário estabelecido pelo governador-geral? - Perguntou ele.

- Claro, senhor. Os escravos recebem uma média de três pães por dia. - Explicou Larsa. - Mais que o suficiente para que trabalhem na construção da estátua de ouro.

- Sim... Claro. - Mesaque anotava tudo em uma tabuleta. - Gostaria de ver a situação dos alojamentos, posso ir vê-los?

- Mas é claro, senhor. Venha comigo. - Pediu Larsa, que não estava nada contente com aquela situação, para ele, os escravos só trabalhavam com a força do chicote.

***

Ribla, Síria

- Vejo que retornaram sãos e salvos. - Disse o rei Nabucodonosor ao perceber a entrada de seus alto-oficiais ao seu palácio-sede em Damasco. - Trouxeram cativo Zedequias, creio eu. Não é?

- Sim, soberano. - Respondeu Nebuzaradã. - Zedequias, seus nobres e seus filhos estão sob o nosso domínio.

- E quanto a Jerusalém, capital de Judá? Sucumbiu?

- Caiu diante das nossas tropas, soberano. Pagaram caro por terem ousado enfrentar a temida Babilônia. O Templo de Salomão foi queimado e seus objetos serão instalados na Babilônia, no grande Etemenanki de Marduk. - Respondeu Nebuzaradã. - Nabu-sarsequim será responsável por isso.

- E você, Nergal-Sarezer... - O rei sorriu. - Cumpriu bem o nosso acordo, imagino eu. Sendo assim, tomará oficialmente a posição de príncipe da família real da Babilônia e marido de minha filha.

- Foi uma honra lutar pela Babilônia contra o Egito e contra Judá, meu rei. - Respondeu Nergal-Sarezer.

- Ótimo. - O monarca estava bem-humorado. - Você e seu irmão permanecerão nos cargos de Rabe-Mague e Rabe-Sáris.

- Como ordenou, soberano, Jeremias foi liberto, entretando decidiu permanecer em Judá, sua terra natal. Não lhe fizemos nenhum mal, e, aliás, lhe dei um presente. - Informou o chefe da guarda.

- Ótimo, chefe da guarda. Jeremias predisse minha vitória contra Judá, e eu o admiro muito como profeta. - Revelou o monarca.

- Realmente, um homem intrigante esse Jeremias. - Concordou Nabu-sarsequim.

- E quanto a Zedequias senhor? - Manifestou-se o chefe da guarda. - O que pretende fazer com ele?

- Traga-o até mim, Nebuzaradã. Darei a ele uma punição a altura de sua traição.



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