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História O novo Morgenstern (Shadowhunters) - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Vamos pra casa


Acordar não é a palavra certa pra quem mal dormiu, o barulho dos mortos começa a ficar irritante depois das primeiras horas, olheiras fundas circulam meus olhos como um enfeite. Me levanto quando um Irmão do Silêncio vem me trazer café, pelo menos não vou morrer de fome, mas acho que existem formas piores de matar aqui. Uma bandeja de prata oxidada com uma xícara de café sem açúcar, uma maçã e um pedaço de pão duro sobre ela. Devoro tudo em poucos instantes enquanto o Irmão observava, não podia ver sua expressão por causa dos olhos e boca costurado, mas provavelmente estava sentindo pena ou repulsão.

Me levanto rapidamente para entregar a bandeja a ele e pego nas barras com força, o olho com dor e sofrimento fingido, cara de coitadinho sempre foi meu forte.

- Quando vou poder sair dessa espelunca? - murmuro coma voz aveludada - Não aguento mais olhar para o mesmo corredor vazio por três horas até vocês me trazerem comida.

Uma pontada atinge meu cérebro e uma respiração funda é produzida no interior do meu crânio, ele estava na minha cabeça. Não tenho autoridade para revelar isso, sairá daqui quando a Clave permitir. Um impulso percorre meu corpo e eu agarro o mato dele, apertando com força e puxando para as barras.

- Seu desgraçado - rosno para ele e deixo meus olhos ficarem negros, aprendi a controlar isso enquanto não dormia, ficava assustador quando fazia por vontade própria - Eu não me importo com o que a Clave pensa, não me importo com nada, eu juro que quando sair daqui...

Minha frase é interrompida por uma onda de dor, não dor física mas dor mental, a pontada que sentia aumentava cada vez mais, esmagando meus miolos, meus músculos fraquejavam e eu soltei o manto dele que saiu sem fazer ou murmurar nada.

 

Estava encostado na parede no fundo da cela quando alguém chegou, não era um Irmão do Silêncio mas sim um Shadowhunter, um amontoado de fios ruivos e os olhos verdes que nem a tristeza e solidão podiam desbotar. A pele vermelha e o rosto inchado.

- Christopher? - murmura se aproximando das barras - Sou eu Clary.

Me arrasto até as grades olhando para ela, eu achava que tinha noção da minha aparência, mas pela reação dela eu estava muito pior, a expressão estava surpresa que parecia que tinha visto um monstro. 

- Não é tão ruim quanto parece - levanto os olhos - Eu já passei por coisa pior, você sabe.

- Você sabe que não deveria estar aqui - agarra minha mão - O que perguntaram no julgamento? Machucaram você? 

- Não - respondo - Eles perguntaram se eu sabia sobre tudo isso antes e em resumo, eu estou aqui por ter matado uma mundana sem razões aparentes.

- É claro - revira os olhos - Eu vou te tirar daqui.

Antes que ela decida fazer alguma besteira, um contraste de vermelho, beje e azul vem na direção da cela e Clarissa afasta as mãos da grade, a Consulesa vadia e o Inquisidor filho da puta se aproximam e sorriem, eles estavam gostando do meu estado.

- Sr. Morgenstern - a Consulesa esbraveja - O Conselho decidiu que você vai sair da Cidade do Silêncio e voltará a atuar no Instituto de Nova Iorque.

- E algum motivo para isso? - cruzo os braços - Não que eu não queira sair daqui, mas se tiver condições eu quero saber logo.

- A família Lightwood e Herondale testemunhou ao seu favor - o Irmão do Silêncio abre a cela enquanto o Inquisidor falava - A mulher era uma vampira, e de fato ameaçou o sr. e a srta. Lightwood e Herondale além de ter enterrado a lâmina no seu tórax.

- Por ordem da Clave, você está livre, porém deverá ser treinado pelo feiticeiro Magnus Bane e a Nephilim Clarissa Herondale para ter controle sobre seus poderes - a Consulesa fala.

A cela foi aberta, outro Irmão do Silêncio trazia minhas roupas pretas, olho para Clarissa que balança a cabeça levemente, visto a jaqueta e sinto o peso familiar do couro. 

Subimos as escadarias até o térreo da Cidade dos Ossos, o sol estava se pondo, o céu em amplos tons de roxo, azul e laranja. O sol se escondendo entre o horizonte. Uma brisa passa pelo meu rosto sujo, fecho os olhos por um segundo para sentir aquilo, quando abro todos já haviam ido, só restava Clarissa e eu.

- Vamos pra casa Christopher - afaga meu cabelo imundo e duro pela sujeira - Vamos para casa.

Suspiro fundo, finalmente saí de lá, foram apenas 24 horas, mas senti que fiquei anos, aproveito todos os pequenos detalhes, o vento, a vista, Clarissa, a liberdade, minha mente limpa, nenhum murmúrio dos mortos na minha cabeça, nenhum Irmão do Silêncio, apenas eu, Clarissa e Nova Iorque. Vamos pra casa.



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