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História O Olhar - Capítulo 3


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Gente espero que vocês gostem!
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Capítulo 3 - Parte 3


Fanfic / Fanfiction O Olhar - Capítulo 3 - Parte 3

[Narradora]

- como assim? Vocês já sabiam disso em cruz do sul? – perguntou a loira confusa

- desde quando você ta dando satisfação? – Saray encarou a irmã mais velha, que revirava os olhos ao ver a birra infantil.

- não fode Saray. – desviou os olhos para a loira que estava atrás dela – não, ficamos sabendo depois, quando minha mãe veio me visitar, pra falar sobre minha filha.

- fátima? – a loira perguntou com a intenção de confirmar o nome da jovem falecida.

- esse nunca foi o nome de verdade dela, mas sim – respondeu Zulema, se dirigindo ao sofá e largando seu corpo lá, sabendo que aquela noite seria exaustiva com as duas, Saray e Macarena, respirando o mesmo ar. – além de me dar um puta sermão desnecessário, a minha querida e amada mãezinha me contou que eu tinha uma irmã biológica dentro da prisão. Meu pai tinha tido um caso com uma cigana, ele tentou convertê-la ao Islã ao descobrir a gravidez, mas da primeira vez que ela apanhou dele, a cigana fugiu – dessa vez a árabe virou os olhos pra irmã – levando minha irmã junto na barriga – completou.

- e como caralhos vocês ficaram sabendo que era uma menina, e que essa menina é a Saray? – a explicação só tinha deixado Macarena mais confusa ainda – afinal, a mulher ainda estava grávida quando fugiu, não foi isso? – a loira sentou ao lado da árabe que estava claramente com preguiça de contar a história de vida alheia.

Antes mesmo que Zulema começasse a falar novamente, Saray se intromete. Sentou-se no chão enquanto começava a dissertar sobre sua vida.

- não sei se a sua namoradinha aí te contou – Zulema revirou os olhos ao ouvir a frase da irmã – mas o nosso papai é um homem, não só extremamente rico, mas ele também é poderoso, tem olhos e ouvidos em toda a Marrocos, não demorou muito pra acharem a coitada da minha mãe quando tentava fugir, ela passou a vida assim, fugindo – terminou Saray.

- como eu – sinalizou a morena.

O silêncio se instaurou na sala. Uma pensava no próximo passo do seu plano, não podia mais esperar, as coisas estavam quase fugindo do seu controle. A outra estava começando a ficar com medo de onde tinha se metido, mas não tinha mais saída. E a terceira tentava convencer primeira e desistir de toda aquela loucura.

- zulema... – Saray ia continuar.

- ele pode ter feito o que fez comigo, mas não vou permitir que ele fique vivo depois de repetir tudo com a minha filha – Zulema agora tinha ódio nos olhos, o tom de voz era baixo, encarava o tapete no chão, não conseguia encarar os olhos de ninguém quando falava de sua filha, o bebê que lhe foi arrancado no nascimento.

- zule... – a cigana começou a compreender os motivos da árabe, mas ainda assim não estava convencida a permiti-la seguir com isso.

- eu não posso, Saray – os olhos verdes da árabe, agora inundados de dor e lágrimas encaravam a receptora da mensagem – Lana era a única coisa boa que eu fiz na vida, deixa-la nascer foi o que me motivou a continuar vivendo, ele arrancou a minha filha dos meus braços, e repetiu todas as atrocidades que fez comigo, com ela. – limpou com força a lágrima solitária que escorreu pela sua bochecha.

- então esse era o nome dela – Macarena põe a mão em cima da de Zulema em solidariedade a sua dor, a eletricidade quase foi sentida fisicamente pelas duas que se encararam na mesma hora, a morena moveu a mão, desvencilhando-se daquela sensação tão boa que não aceitava receber e continuou.

- é pela memória dela – respirou fundo, finalmente expondo o que ela estava prestes a fazer. – e sim, esse era o nome que eu tinha escolhido pra ela.

- se é pela minha sobrinha, e se eu não tenho como fazer você desistir disso, eu vou com você – encarou a morena nos olhos e afirmou.

- só se eu estivesse louca, você tem Estrella! Não vai arriscar sua vida nisso – Zulema foi firme.

- sua puta! Quer levar a oxigenada prenha, mas eu não posso? Joder - constatou a cigana – ter esse homem morto, também faz da minha filha, sua afilhada – deu ênfase no parentesco - mais segura – Saray se aproximou – faremos por elas, o que nossas mães não fizeram por nós – a cigana que estava agachada na frente de zulema, se põe de pé, e estica a mão afim de firmar o pacto. Alguns segundos se passam até que a árabe aperte a mão da irmã mais nova, e usado-a como apoio, se coloca de pé, logo a abraçando forte. Palavras não foram necessárias.

****************

[Zulema]

Meus pés descalços no gramado, podia sentir o pano fino que cobria meu corpo voando com o vento quente do deserto, olhava para aquela infinidade de areia na minha frente, até o horizonte parecia igual,     quando eu vou ser livre?    ergui meu rosto sentindo o calor do sol aquecendo minha pele, fechei os olhos para senti-lo mais perto de mim, respirei fundo aquele ar do deserto, o cheiro específico não me trouxe paz, arrepiou-me de medo, abri meus olhos para conferir se eu realmente estava onde estava, olhei para trás ao ouvir passos na areia.

- Zulema! – a voz odiosa chama meu nome – eu já falei que você não pode sair sem me pedir permissão – disse o homem que me colocou no mundo ao acertar um tapa no meu rosto.

E como sempre fiz, me calei, apenas o encarei sem chorar, ele odiava saber que não me causava medo, e era assim que eu me impunha.

- volte agora, você tem que fazer seu ritual! – pegou no meu braço e me puxou enquanto eu gritava por socorro, o vestido longo que eu tanto gostava arrastava na areia, rasgando-se, assim como estava a minha alma ao saber que eu teria que me casar com um homem mais velho que o meu próprio progenitor. Minhas súplicas árabes não me ajudavam em nada, as poucas pessoas que me davam atenção, não surpreendentemente mulheres, apenas me olhavam, acho que se enxergavam em mim, ou desejavam ter a força descomunal que eu estava tendo naquele momento para pedir socorro, mesmo que não levasse a nada.

- você é uma vergonha – disse ao me atirar no chão de pedra da casa em que cresci. Me apoiei com as mãos, sentindo a textura dura e fria, e me levantei, suas palavras ainda me atingiam como um tiro. Porque eu ainda queria sua aprovação? Porque eu ainda queria seu amor?

O homem mais velho, olhou para a minha mãe, culpando-a pelo meu comportamento reativo, ergui meu queixo.

- eu faço o que eu quero! – minhas palavras causaram retaliação na minha mãe dessa vez, que foi empurrada na minha direção para que ela me aprontasse para o meu tão odiado casamento. Não culpo minha mãe, caso ela tenha ódio de mim, talvez ela merecesse uma filha que aceitasse o que eu repudio e recuso, mas eu não posso viver a minha vida em função de ninguém, eu simplesmente não consigo.

Durante o meu ritual, era como eu me sentisse fora do meu corpo, não respondia a nenhuma pergunta que me era feita, meu olhar estava distante, eu tinha medo, nunca tive tanto em toda a minha vida. Afinal, sou uma menina de 14 anos de idade casando-se. Esse é o normal da minha cultura, eu deveria estar acostumada, eu deveria aceitar, mas eu não sou assim    porque?  Minha mente dava voltas, minha mãe viu a lágrima escorrer pelo meu rosto, ela acreditava fazer o melhor para mim.

- filha, ele vai te dar muito ouro, sua família vai melhorar por você – ela dizia com um sorriso no rosto, eu apenas olhei para ela, e tudo o que eu podia sentir era ódio, de tudo. Dela, do meu pai, do meu futuro marido, de mim.

E num instante eu já estava deitada na cama coberta com edredons brancos, propositalmente, para que houvesse a comprovação da minha virgindade, olhei para a porta de madeira, que eu sabia que estava trancada, mas eu não ia desistir, apoiei meus braços na cama mole para me levantar, logo senti uma pressão nos meus pulsos, ele me segurava, não conseguia ver o seu rosto, era uma enorme sombra, não tinha feições, eu chorava em silêncio, queria gritar mas minha voz não saia, apenas um sussurro desesperado e fraco, não parava de lutar contra aquela força que parecia não fazer esforço para me manter ali, era como se fosse duas vezes maior que eu, o desespero tomava conta do meu corpo, como uma onda de eletricidade, o grito não saia da minha garganta. Tudo virou escuridão.

- Zulema! – a voz assustada da loira me acordou, eu estava assustada, minha respiração acelerada, me sentei na cama num rompante, ela estava ao meu lado com a mão no meu ombro, do lado de fora da cama, a porta aberta. – você estava gritando.

- voltar para esse lugar foi um erro – constatei

- o que você quer dizer? Quer desistir? – me perguntou Maca.

- quero resolver tudo o mais rápido possível. 


Notas Finais


SAL ( Serviço de Atentimento ao Leitor)
Twitter: @urrutikoetxeah


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