1. Spirit Fanfics >
  2. O Olhar >
  3. Parte 6

História O Olhar - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Veio aí mais uma vez aí hein
to no aguardo dos comentários, sugestões e xingamentos kkk <3

Capítulo 6 - Parte 6


Fanfic / Fanfiction O Olhar - Capítulo 6 - Parte 6

 

[POV Zulema]

Eu não sei quantos cigarros eu já fumei. E ainda não era nem 15h da tarde. A loira já tinha horas que não saia da casa, eu estava sentada na varanda casa, nem sequer entrei depois daquele beijo. Suspiro ao lembrar. Minha perna não parava de balançar, claramente eu estava ansiosa.   Por causa do beijo dela? Ou porque em algumas horas eu vou sequestrar meu irmão caçula? Puta que pariu.   Mais uma tragada.

[POV Macarena]

Deitada na cama, encarando o teto, há horas, minha respiração já estava bem mais leve, minha mão em cima da minha barriga, eu acariciava meu bebê pela minha pele, pisco várias vezes. Eu estou mesmo agindo racionalmente me jogando na vida da Zulema desse jeito? Ou estou só ouvindo meu estúpido coração que nunca, absolutamente nunca, me mostrou o caminho certo? Suspiro, passo os dedos sobre a pele de novo, sorrio de leve, já conseguia ver minha barriga começar a apontar.

- você ta aqui mesmo né? – falo com aquela coisinha pequena que se formava.

Me sento na cama, me empurrando para fora dela, reviro o guarda roupa por alguns segundos, pego um vestido branco solto, coloco no corpo, nem me incomodei de vestir nenhuma lingerie, afinal eu estava em casa mesmo.

Desço as escadas devagar. Ao mesmo tempo que queria encontra-la, tinha medo do que aconteceria. Chego no corredor, viro o rosto para a esquerda e vejo a sala de estar vazia, para a direita, Saray na cozinha bebericando algo numa xícara, e atrás de mim a escada. Encarei a porta, era o único lugar que ela poderia estar.    Ainda?

- se eu fosse você, não iria atrás dela agora – diz Saray, sem sequer me olhar, e toma mais um gole do que quer que seja.

- porque não? – pergunto me aproximando e logo puxando uma cadeira para me sentar junto com ela na mesa.

- porque você confundiu a cabeça da mulher, rubia – me respondeu como se fosse tão lógico.

- você acha que eu não estou confusa? – confrontei.

- não – ela parou de olhar o líquido na xícara, que agora já posso identificar como café – você já sabe que é bissexual, mas ela ta descobrindo isso agora com você, logo hoje? Não podia ter esperado?

- não, não podia! – fui direta – e como você sabe?

- eu vi né, fui procurar vocês duas, pensei que tinham se matado, queria saber quem venceu – ela ri – ai quando abri a porta, vocês estavam se agarrando...

- eu não sei o que sentir, sinceramente, é como se eu e Zulema... a história que vivemos na cadeira, tivesse sido em outra vida, de tão distante que me parece, sabe? – desabafei.

- sei, eu também me sinto assim... – ela suspira – mas o caso de vocês é diferente, vocês se odiavam, e agora...

- e agora, não sabemos. – interrompi, como se a resposta fosse lógica.

- você não sabe! – uma resposta que eu não esperava.

- do que você ta falando, Saray?

- eu conheço a Zulema como ninguém na vida, ela está apaixonada por você – toma mais um gole do café.

Fico paralisada, a frase “ela está apaixonada por você” rodou em looping na minha cabeça, isso não faz sentido nenhum. Eu não conseguir emitir nenhuma palavra para rebater aquela informação que tinha recebido.

Me levantei, respirei fundo e com uma coragem que nem eu sabia que tinha, fui me dirigindo para fora da casa, minhas pernas não me obedeciam mais, meu corpo estava agindo sozinho.

- onde você vai? – perguntou Saray enquanto eu abria a porta e encontrava Zulema sentada em uma das poltronas brancas.

Me coloquei de pé em sua frente, meu coração batia tão forte que eu podia sentir a pulsação no meu corpo inteiro, minhas mãos e minha respiração estavam trêmulas, as pontas dos meus dedos geladas.

- precisamos conversar, não dá pra fingir que não aconteceu nada – ela finalmente levanta os olhos para mim, até então ignorava a minha presença.

- eu não quero conversar sobre nada agora – sua voz fria me atinge, mas não ia me fazer desistir, ela olha o relógio, e depois me olha novamente – daqui há duas horas eu tenho que ir, tenho que estar concentrada.

- eu sei que você está com medo – digo.

- não é a primeira pessoa que eu sequestro – ela ri, e dá mais um trago no cigarro entre seus dedos.

- eu estou falando de mim

- Macarena...

- não adianta dizer que não sentiu nada – me sento na poltrona do seu lado e inclino meu corpo, para que ela me dê a atenção devida.

- tudo bem se não quiser falar sobre isso agora, eu só preciso que você saiba, que também é estranho pra mim – tento me colocar no mesmo patamar que ela.

- ah é? – senti a ironia

- a nossa relação é a coisa mais louca que eu já vivi na vida, pensei que te odiava, todo esse tempo, mas só agora eu consigo entender o que eu senti quando te vi toda fodida naquele banheiro – consegui atrair sua atenção, ela me olha de novo.

- como é? – parecia confusa

- no dia que você me entregou o chip para me comunicar com Karim e negociar a nossa vida – ela balançou a cabeça se recordando – Zulema, eu não entendi porque eu queria tanto me vingar das pessoas que fizeram isso com você – respirei fundo me lembrando da sensação agoniante – hoje eu entendo.

Arrisco tocar sua mão, ficamos alguns segundos com aquele contato, a eletricidade era real, eu não estava sentindo sozinha, a mão dela também estava gelada, mas num rompante ela se levanta.

- eu vou me arrumar – Diz Zulema, e a vejo entrar na casa, passo a mão nos meus cabelos frustrada. Não esperava uma declaração, mas pelo menos que ela se abrisse um pouco mais pra mim, isso não vai ser fácil.

­­­­­­­­­­­­­­­­[POV Zulema]

A declaração da rubia, a missão que eu tenho que realizar, e o resto do plano, tudo isso está me deixando fora do eixo, eu não posso falhar, se eu falhar agora, tudo vai ter sido em vão.

Fico repassando cada passo que tenho que realizar na minha mente enquanto espero a minha “carona” chegar, já estava pronta, andava de um lado pro outro dentro do meu quarto, quando ouço o barulho de moto do lado de fora. Respiro fundo, estava concentrada, desço as escadas correndo, não queria que ele visse nenhuma das meninas, para os meus informantes, eu estava sozinha naquela casa, e permaneceria assim até onde eu conseguisse escondê-las. Atravessei a porta, fechando-a atrás de mim. A primeira coisa que senti foi o vendo frio da noite do deserto, segui em direção ao homem sentado na moto, ele retirou o capacete para confirmar sua identidade.

- Zulema Zahir – sorriu ele ao me ver aproximar – nunca pensei que fosse realmente voltar a Marrocos – fala comigo em árabe, e eu faço o mesmo.

- de fato não estava nos meus planos ter que ver a sua cara de novo – digo seriamente, encaro seus olhos pretos profundos, que já me fizeram tão mal.

- ainda guarda rancor? – seu sorriso cínico fazia meu estômago revirar – que isso?! Eu te dei a nossa filha, não dei?

- cala a porra da sua boca, e faz o que tem que fazer – ele coloca o capacete, subo na moto fazendo o mesmo, antes de ir, observo que na janela estava Macarena, escondida atrás da cortina, logo sinto a moto arrancar e seguir caminho em meio ao amontoado de areia, em direção à cidade.

[POV Macarena]

Um homem aparentemente atraente, esperava Zulema subir na moto enquanto conversavam sobre alguma coisa, fico observando escondida atrás dos panos da cortina, até os dois saírem, respiro fundo, tentando engolir o meu incômodo, viro de costas e lá está Saray sentada na escada, comendo uma maçã, me julgando com o olhar.

- que foi? – pergunto me encostando na parede e cruzando os braços.

- não deveria ter ciúmes desse aí – ela diz enquanto mastiga um pedaço da fruta.

- e porquê não?

- é o pai da filha da Zulema – descruzo os braços, chocada.

- e você me diz que eu não deveria ter ciúmes?

- ele é um estuprador, rubia – ela se levanta – você realmente não sabe da vida dessa mulher né? Dios! – e vai em direção á cozinha me deixando pensativa.

 

 


Notas Finais


SAL (Serviço de atendimento ao Leitor)
Twitter: @urrutikoetxeah


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...