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História O Olhar - Capítulo 9


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Notas do Autor


gente, minha faculdade voltou, então a frquencia de postagem de fato vai diminuir um pouco
preciso me formar né mores.
mas não vou deixar de mimar voces com cap novos.
então pra me incentivar deixa o comentário <3

Capítulo 9 - Parte 9


Fanfic / Fanfiction O Olhar - Capítulo 9 - Parte 9

 

[POV Zulema]

Minha cabeça dava voltas, enquanto meu irmão caçula desenfreado, não parava de contar a minha própria história para mim, só que dessa vez o roteiro estava bem diferente. Meu irmão me contava a visão que ele tinha em mente sobre o que tinha acontecido comigo, e nada daquilo era realidade.

- assim que você se casou – continuou ele – o pai chegou em casa dizendo que estava orgulhoso e que finalmente tinha conseguido domar você, e que tinha te transformado numa mulher de família...

- imbecil – falei para mim mesma, mas pelo olhar que recebi do homem à minha frente, fui ouvida.

- logo surgiram rumores que você teria fugido da casa do seu marido, que ele queria te devolver, nosso pai quase não saiu na rua naquela semana de tanta vergonha, a mãe que recebeu todos os castigos né, como você pode imaginar – suspirei, posso imaginar o que ela passou nas mãos daquele homem – não demorou muito para recebermos a notícia que Alá tinha te dado o último castigo, o engraçado é, que agora eu percebo que nem a mãe nem o pai choraram naquele dia.

- é claro imbecil! Eles sabiam que eu não estava morta, eles roubaram minha filha e... – fui interrompida.

- eles não roubaram a pequena fátima, você estava morta, eles criaram como se ela fosse pura – ele disse, fazendo questão de enfatizar que sabia que minha filha era fruto de um estupro.

- EU NÃO ESTOU MORTA – ele se assustou e focou os olhos em mim – eles roubaram a minha filha, eu não consegui amamentar minha aibnatu (filha) – as vezes as palavras em árabe saem de mim sem que eu mesma perceba.

O silêncio se instaurou no local, eu estava revoltada, o meu pai não teve o mínimo de coragem de assumir o que fez, ele simplesmente me deu como morta e me substituiu pela minha filha para praticar suas atrocidades.

- ele até tratava a Fátima como da família, como pura! Não fazíamos diferença dela, como deveria ser feito.

- se você insinuar mais uma vez que minha filha era impura... – eu disse aproximando a lâmina mais uma vez do seu pescoço e dessa vez eu queria muito finalizar.

- o que você vai fazer? Me matar? Eu sei que vocês precisam de mim para alguma coisa, se quisesse me matar já teria feito! – ele me encarava cheio de certeza, e foi a primeira vez que eu ri.

- você é muito ingênuo, você não faz ideia de quem eu sou. Você vai descobrir a sua função aqui, mas não agora, ainda não.

Retirei meu revólver da cintura, logo após guardar a faca, olhei para a peça, desviei meu olhar para meu irmão caçula e foi a primeira vez que eu o vi amedrontado de verdade, senti meus lábios se curvarem num sorriso simples, fui me aproximando do rapaz acorrentado, e ele começou a implorar pela própria vida.

- eu tenho filhos, sua família, seus sobrinhos – os olhos já estavam inundados e apavorados, isso me trazia um conforto delicioso.

- vocês não são minha família, e aqui está a diferença – ele continuou me olhando calado – eu nunca imploro, vocês são fracos e fáceis de domar – acerto a nuca do rapaz com o cabo do revólver e vejo sua cabeça tombar para o lado, ele estava desmaiado. – finalmente calou a porra da boca.

Respirei fundo e comecei a fazer o que eu tinha que fazer, retirei-o da cadeira, deitando-o de qualquer jeito no chão gelado, deixei o prato de comida e o copo de água perto dele, soltei seus braços e pés, dando-lhe a falsa sensação de liberdade, a mesma que eu tinha ao estar dentro de cruz do sul. Tirei as fotos que eu precisava, e sai daquele espaço pequeno trancando a porta grossa de ferro, entrei no espaço um pouco maior, virei de costas e o observei pela abertura da primeira porta, ainda desacordado, para mim não fazia a menor diferença, fechei a abertura e saí de vez do buncker, trancando a segunda porta que dava acesso ao deserto, coloquei as chaves no meu bolso e iniciei a caminhada em direção a casa.

[POV Macarena]

Eu estava tentando ser o mais tranquila possível sobre o que aconteceu entre mim e Zulema, mas não sei se estava conseguindo. Ela passou a tarde inteira longe de casa, tinha ido ao buncker para levar o almoço do Samir. Enquanto isso eu tinha passado a tarde inteira sentada na varanda, aguardando o pôr do sol, e evitando a inquisição de Saray, não aguentava mais a cigana me fazendo perguntas do tipo “quem é ativa” ... pelo amor de Deus. Finalmente o sol começou a se pôr, sorri ao perceber a tonalidade laranja e avermelhada que os raios de sol estavam tomando, sinceramente o que eu mais sinto falta hoje é de fumar, mas eu estava fazendo o melhor para minha gravidez, respirei fundo sentindo o frio do deserto começar a se aproximar, encolhi minhas pernas na cadeira acolchoada, me sentindo praticamente abraçada por aquela poltrona.

- Ei Rubia – reconheci a voz a árabe, virei meu rosto e zulema estava em pé ao meu lado.

- hey – respondo sorrindo tranquila.

- observando o pôr do sol de novo – ela constata ao se sentar ao meu lado.

- você sabe que é o que eu mais gosto, o nascer e o pôr do sol – digo olhando pra frente, e ela afirma com a cabeça.

- não vai adiantar a gente ficar se estranhando o tempo todo não é? – ela toma a atitude de começar a conversar sobre nossa situação, isso sim era uma surpresa.

- você sabe muito bem que não – disse, observando-a acender um cigarro.

- mas você concorda comigo que nada disso... entre nós duas é normal né? – ela diz rindo

- me fala o que foi normal todo esse tempo? – eu disse ainda rindo.

- mas e então? O que somos de verdade? – a pergunta que eu mais estava me fazendo esse tempo que ela estava fora.

- será mesmo que a gente precisa rotular? – vejo a morena ao meu lado dar de ombros – se continuarmos do jeito que estamos e nos tratando só um pouco melhor....

- você me irrita rubia – ela diz tranquila, soltando a fumaça.

- vamos pelo menos tentar? Não é como se você fosse a pessoa mais fácil do mundo de lidar Zulema – só disse a verdade, ela não teve outra opção a não ser concordar.

E ali ficamos, observando o pôr do sol até tudo se tornar iluminado apenas pela lua. nós não fazíamos ideia como seria daqui pra frente, mas estaríamos mais juntas e unidas do que nunca, não só nos planos dessa vez. Eu sei que existe muita coisa em jogo, a necessidade de zulema de viver em adrenalina, a minha gravidez, o pai maluco dela, a minha vontade de morar num lugar mais quieto, somos opostos, eu sei, isso tem tudo para dar errado, mas eu não vou parar de tentar até finalmente chegar ao final. Foi então que eu percebi que eu estava olhando muito mais para ela do que para o céu.

- ei lésbicas – Saray sai da casa e senta na pequena mesa de centro á nossa frente – temos que seguir com o plano, vocês já ficaram de casalzinho o suficiente, não?

- cala a boca, cigana – responde Zulema tirando o celular do próprio bolso e digitando alguma coisa.

- conseguiu as fotos não foi? – perguntou Saray, ela afirma com a cabeça sem tirar os olhos do aparelho.

- ele não pode rastrear o celular facilmente? – perguntei com medo.

- estamos usando bloqueadores, o sinal passa por inúmeros satélites antes de chegar na gente, ele nunca vai ter a tecnologia pra chegar aqui – responde Saray.

- mas a rubia está certa, a gente tem que ficar atenta, não podemos vacilar nem por um segundo cigana – zulema coloca o celular em cima do colo de Saray – ele vai ligar e Maca vai fazer a negociação

- mas o que exatamente vamos pedir? – perguntei.

- pois é, você não falou ainda Zule, e sinceramente eu to com medo – disse Saray.


Notas Finais


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twitter: @urrutikoetxeah


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