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História O Outro Lado - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo 3


 

O crepúsculo envolvia a Floresta de Caça perto das redondezas do povoado da Quinta Ponta. As trilhas eram consideradas perigosas para àqueles que não sabiam manejar uma espada ou usar magia.

Criaturas grotescas, irípedes sanguinários, feras animalescas, mestiços, mercenários, nômades e ladrões. Todos os tipos de criaturas malignas escondidas na escuridão, que drenavam a floresta afastando-se apenas das trilhas iluminadas nas noites pela claridade do segundo sol.

Lendas que versavam sobre histórias e contos antigos. Fábulas esgotando a energia mental daqueles que às imaginavam, que nelas esperavam. Nas Tabernas das Estradas, costumavam servir guisados de merrins, filhotes de irípedes, e outros tipos de seres e plantas de cozidos silvestres.

Na estrada retilínea para a vila de Yum, uma Taberna ficava na terceira parte, próxima à rocha que delimitava a quilometragem dos campos até à vila. Os transportes de energia conseguiam circular por aquela estrada, e espalhados em diversos cantos os autaques do reino faziam rondas com suas motomonos de energia.

Gum se apressava na estrada. Procurava manter-se sempre no caminho e evitar atalhos na escuridão. Enquanto corria, sentia olhares ocultos fitados em si, mas o medo das trevas era menor diante da missão confiada em suas mãos.

E costumava conhecer os caminhos da Quinta Ponta muito bem. Quando garoto, seu pai o levava para fazer trilhas em outras Pontas e caçar. Gum era mais velho que Lum dez anos lunares. Estava quase com quarenta anos e aparentava ser sempre a voz da razão que faltava a Lum.

Conheceram-se logo após o incidente que levou a família de seu amigo, e sua vontade de viver para sempre. No meio do caminho a chuva de pedras de gelo voltou a cair. Ouvia as pequenas pedras atingirem os galhos das árvores e rochas dentro da floresta.  Depois de correr por quase uma hora, chegou à vila de Yum.

Algumas mercearias estavam abertas com as mercadorias expostas, a Taberna de Goldar e o bordel de Madame Klinf. As ruas eram calçadas com rocha de arítio. Ao chegar à vila removeu a capa para andar pelas ruas. Algumas pessoas transitavam carregando sacos de vemíceras e carne de rilonches.

Mulheres seminuas, com tatuagens tribais ligadas dos joelhos até os seios, faziam acrobacias e revelavam partes de seus corpos para atraírem visitantes para o prostíbulo de Madame Klinf. Abriam as blusas de seda, eriçando os bicos dos seios.

Gum gostava de observar as prostitutas. Frequentava a casa de madame Klinf reiteradamente, e era conhecido pelo seu grande empenho no uso de suas garotas.

Numa rua sem saída ficava a casa de um senhor de oitenta anos lunares que fazia poções e inguentos. Ele era o sacerdote e curandeiro do povoado. As más línguas diziam que o velho podia fazer uma poção para qualquer coisa.

A casa era pequena, feita com acabamentos de uma madeira comum da Floresta de Caça. Gum bateu três vezes para sinalizar que se tratava de um amigo o visitando, e esperou debaixo da proteção de telhas barrentas para não ser atingido pelas pedras de gelo.

Um senhor abriu a porta trajando apenas ceroulas. Segurava um rabo de camundongo selvagem e um frasco contendo urina de filhote de rilonche.

 

- O que está fazendo aí fora? Foi você quem bateu, não foi?

 

- Desculpe. – Revelou-se, saindo da escuridão. - Não queria que as pedras de gelo atingissem a minha cabeça.

 

- E fez certo garoto! – Riu alto mostrando os poucos dentes que tinha. – Vai entrar ou vai ficar aí me olhando?

 

- Oh, claro!

 

Gum pediu licença e entrou na casa. A lareira estava acesa e um caldeirão pousava sobre ela. O curandeiro entrou pondo as coisas sobre a mesa de trabalho.

 

- Sopa?

 

- Não, obrigado. Vim pedir ajuda.

 

- Em que posso ser útil? Mas fique sabendo que não consigo ressuscitar mortos. Eu não já te conheço? – Espremeu os olhos tentando resgatar memórias.

 

- Sou Gum, um camponês. Venho sempre comprar sementes em suas mãos.

 

- Claro! Sei quem você é. É que com essa capa preta ficou difícil de reconhecê-lo.

 

- E Mira, está?

 

- Mira? Hunf... – Ele murmurou algo. – O que minha filha tem a ver com o seu problema?

 

- Nada meu senhor. – Reverenciou-o desculpando-se pela indiscrição. - Estamos com um visitante muito machucado na casa de meu amigo Lum. Não conhecemos muito sobre a fisiologia dele. Ele está com múltiplas fraturas, escoriações e hematomas.

 

- Uma poção Celta poderá resolver o problema. Uma ou duas gotas num chá de babosa. Tenho tudo isso em estoque.

 

- Seria melhor se o senhor o examinasse. O remédio administrado por mãos experientes poderá surtir melhor efeito.

 

O curandeiro alisou a enorme barba enigmática.

 

- Posso dar uma olhada nele, mas não agora. Infelizmente estou ocupado no momento. Tenho que terminar uma poção encomendada por um jovem muito rico. Dentro de uma hora poderei ir.

 

- É muito tempo! Não sei se ele aguentará.

 

- Então dê isto a ele até eu chegar. É extrato de morfus, atenuará as dores e evitará que ele parta para a Ilíria.

 

- Não demore!

 

- Andarei o mais rápido que puder.

 

...

 

Ao sul, depois da floresta Xéptãm, ficava a Torre Proibida, erguida antes da primeira dinastia Morgan, quando os primeiros sacerdotes se instalaram na Quinta Ponta.

A torre foi construída com rocha de pífia bem antes dos sacerdotes chegarem, com mais de dez andares. Em torno de si fora edificada uma muralha circular. Em quatro extremidades da muralha vigiavam sentinelas, que a protegiam.

As sentinelas eram sacerdotes militares e portanto não trajavam hábitos, mas sim armaduras feitas com asdro. Portavam uma espada ungida pelo próprio Eliel.

Nesse anoitecer, Filip vigiava a torre ao lado de seu amigo Caius. Estava frio, então abraçou a capa preta untada à armadura enquanto tremia. Seu hálito estava visivelmente branco em contato com o ar gélido vindo das neblinas ofuscantes da Xéptãm.

Já Caius, parecia intacto, duro e sóbrio feito uma rocha, sem piscar os olhos ou murmurar palavras depreciativas.

 

- Merda, assim não dá! Está frio demais! – Filip sussurrou esfregando uma mão na outra.

 

- Suas mãos estão cobertas por luvas. Por que raios então as esfrega uma na outra?

 

- Porque elas estão dormentes! – Retrucou aborrecido. – Eu não tenho culpa se você é uma pedra de gelo com duas pernas!

 

- Não sou uma pedra de gelo, e também não sou uma moça! – Olhou para Filip com desdém. – Um homem de verdade sabe vencer o frio, hunf!

 

- Que idiotice é essa que acabou de sair da sua boca? Não dá para conversar contigo, sua mente funciona em progressão diminuta!

 

- Shii!

 

- Não me mande calar a boca!

 

- Olha! Lá, as árvores! – Apontou.

 

Varias árvores da floresta Xéptãm tombavam ao mesmo tempo, uma deslizando sobre a outra, vindas em direção à torre.

 

- Soe a trombeta! – Ordenou Caius.

 

Filip correu até a sentinela e pegando a trombeta, soprou-a quase perdendo todo o ar de seus pulmões.

 

Um lifín molestado trazia em suas costas um autaque machucado e desmaiado.

 

- Abram os portões! – Caius ordenou.

 

Um sacerdote militar encaixou a espada numa fechadura retangular fincada numa rocha ao lado do portão, liberando o feitiço que protegia a muralha para que o lifín entrasse.

A besta correu até o pátio, onde ali parou gemendo alto e rendeu-se, ajoelhando-se de cansaço. O autaque caiu de sua sela e tombou no chão, afundando a face rasgada na areia preta.

 

- Ele entrou! – Uma sentinela vociferou avisando.

 

- Ative o feitiço novamente! – Caius ordenou.

 

Filip e Caius saltaram da muralha para o pátio do castelo. Pousaram de pé. A altura da muralha não os impedia. Sacerdotes militares podiam executar diversas manobras e exceder os limites de um criviano leigo e comum, mas não se comparavam a um autaque.

Lá estava o autaque do reino. Seu manto vinho rasgado, a maçã direita de sua bochecha completamente dilacerada e a armadura emborrachada danificada em cortes profundos.

 

- Leve-o para os sacerdotes.

 

Filip e outra sentinela arrastavam o autaque com suas pernas deixando rastros na terra negra.

 

- Mestiços... – Caius segredou para si mesmo.

 

...

 

Sentado em seu trono estava Morgan. Bebia sua sétima taça de rum. Seus cabelos negros estavam na altura dos ombros, ondulados. A barba cheia tomava sua mandíbula e bochechas.

Anéis de diferentes pedras preciosas agarravam-se aos seus dedos, e lá permaneciam. Sua túnica era tecida com o melhor linho das Cinco Pontas. Estava na idade lunar de 25 anos, e sua testa enrugada significava que estava zangado.

Naquela manhã, dois feudais foram trazidos à presença do rei. O litígio dizia a respeito de um feudal ter construído um cercado que invadiu a terra do outro. Ambos discutiam em sua presença, quando o mesmo bradou em alta voz mandando-os calar a boca.

Morgan levantou-se do trono consertando a coroa de ametistas e esmeraldas em sua cabeça. Os feudais ajoelharam-se em respeito. Na sala estava Salatiel, Auxiliar do General da Guarda Real, Hiugo. Salatiel era ambicioso, e não se poupava de cumprir qualquer um dos caprichos do rei.

 

- Pelo que entendi, construístes um cercado na terra de teu vizinho.

 

- N-Não meu senhor! Isso é um engano! – Negou, evitando olhar na face de Morgan.

 

- Me chama de mentiroso?

 

- Não meu senhor! Jamais! – O feudal baixinho negou temendo a ira do rei. 

 

- Mas ele construiu majestade! – O camponês acusador interrompeu o outro. - E jurou pelo Bendito Criador que não removeria a cerca!

 

- Vejo que é mais ambicioso do que esse pobre plebeu que ocupou a tua terra. Não temos leis que resolvem isso? Por que então importunam o rei com coisas tão insignificantes?

 

- Majestade, a lei diz que se um ocupar a terra do outro, deve morrer!

 

- Eu sei o que a lei diz seu velho decrépito! – Morgan bradou incisivo. – Fui eu que a escrevi! Trata-me feito um tolo, plebeu?!

 

- Não! Majestade, apenas estou dizendo que ele ocupou uma terra que não era dele, e que agora se recusa a sair! De certo, não sou mais ambicioso do que ele. – O camponês acusador replicou.

 

Morgan sentou-se novamente em seu trono, suspirando impaciente e  apoiando seus braços na almofada acolchoada.

 

- Tu... – Apontou para o camponês acusado. – Serás condenado à morte por invadir a terra de teu vizinho. Salatiel execute-o!

 

- Não! M-Misericórdia, meu rei!

 

O camponês acusador expressou um sorriso perverso de satisfação. Salatiel desembainhou a espada e avançou contra o camponês que ainda implorava por misericórdia agarrado aos seus pés. Arrancou-lhe a cabeça de uma vez, e o glob jorrou para todos os lados sujando as botas brancas do rei.

Outros autaques mantos verdes arrastaram o corpo do camponês executado, e também levaram sua cabeça para fora do recinto. Morgan então olhou para as botas, desaprovando a sujeira.

 

- Salatiel, devia ter executado de forma que não sujasse minhas botas! – Uma serviçal entrava com lenços entre as mãos para limpar a poça de sangue no grande salão. Ela ia se ajoelhando quando o rei a intimou. – Você, serviçal, limpe a sujeira de minhas botas, agora!

 

A senhora franzina aproximou-se com os lenços e agachou-se para remover o glob das botas do rei. Ele então a parou.

 

- Com os lenços não. – Olhou-a frio.

 

- Meu senhor?

 

- Meu senhor?! – Ele a imitou odioso. - Quero que limpe com a língua sua idiota! – Sorriu vil.

 

Morgan esticou os dois pés, e estava sentado em seu trono. A serviçal encarou Salatiel e a enorme espada que ainda empunhava prostrada no chão, com glob gotejando pela extremidade pontiaguda, com temor por sua vida.

 

- Está surda maldita?!

 

- P-Perdão, meu senhor! O farei imediatamente.

 

Ela agachou-se e esticou a língua hesitando, e lambendo o glob das botas de Morgan. O rei sorriu frio. Era seu prazer humilhar os outros.

Enquanto a serviçal lambia suas botas, ele então encarou o outro feudal.

 

- Vejo que está satisfeito com a decisão do seu rei! – Expressou-se sádico.

 

- Sim, meu senhor! – O camponês sorriu inocente.

 

- Agora tu... – Apontou para o camponês acusador. – Tens esposa? Filhos?

 

- Tenho uma esposa e duas filhas, meu rei. Uma de treze e outra de doze anos.

 

- Assim como foi feito com o teu inimigo, eu ordeno que também sejas executado!

 

- M-Mas?! Meu rei! O-O que fiz de errado para merecer esta punição?!

 

- Existiu ora! – Morgan liberou uma gargalhada sádica, engasgando-se com a própria saliva. - Tragam-me às filhas e a esposa dele. Quero as três em meus aposentos ainda esta noite. Salatiel lhe arranque a língua primeiro. Ele fala demais na presença do rei.

 

- Não! Não! – O feudal implorava. – Meu senhor! Meu rei! Misericórdia! – Chorava desesperado.

 

Salatiel ordenou aos dois autaques em guarda que segurassem o feudal e esticassem sua língua para fora da boca. Assim o fizeram. Então, cumprindo o mandado do rei, Salatiel arrancou a língua do feudal com uma adaga amolada cedida por um dos autaques. Depois, lhe rasgou a garganta com a mesma adaga e o glob espalhou-se pelas vestes surradas do feudal.

Ele morreu com os olhos arregalados, e a última coisa que viu foi a face do rei.

 

- Já chega! Levem os restos desse gumin imundo para fora! Tomem as terras dele, queimem sua casa e tragam-se suas filhas e sua esposa! Já estou irritado com tudo isso!

 

- Meu rei. – Salatiel reverenciou-o e saiu esboçando um sorriso perverso nos lábios.

 

Escondido num canto, um autaque manto vinho da guarda real observava a tudo. Seu nome era Ilí.

 

...

 

O crepúsculo desaparecera, o entardecer adormeceu e a noite surgiu vil. Gum caminhava pela trilha de volta à sua casa. A capa preta cobria-lhe as vestes, e temporariamente a chuva de pedras de gelo parou.

Cantarolava um lirismo que costumava ouvir nas tabernas de Yum. Olhou para o céu e viu a enorme bola gigantesca vermelha alaranjada gravitando sobre o mesmo. O segundo sol costumava encantá-lo.

Ao lado do segundo sol estava a lua. Era noite de Lua Nova, e a Floresta de Caça parecia mais sombria quando o ciclo das três luas se iniciava. Gum era um homem viajado, por isso sabia dos riscos de se perambular pelas estradas e trilhas das florestas à noite no ciclo das três luas.

Nessa noite, de acordo com o calendário, a Lua Nova simbolizava o primeiro renascimento de duas castas de mestiços perigosos, os Sevara e Físculos. Para quem habitava perto do oceano, o Mar Vermelho que o antecedia era o local mais perigoso.

Físculos costumavam invadir o Mar da Terceira Ponta, e muitos homicídios aconteciam. As histórias diziam que pescadores e seus barcos desapareciam sem explicação, e nunca mais retornavam. Por isso o Mar da Terceira Ponta que se conectava com o oceano recebeu o nome Mar Vermelho. 

Reza a lenda que o mar era banhado com o glob dos pescadores desaparecidos. Para se chegar à Terceira Ponta, era necessário atravessar o Mar Vermelho, depois o oceano e alcançar o continente da Terceira Ponta.

Os viajantes costumavam viajar depois do ciclo da Lua Nova, e mesmo assim era perigoso. O ciclo da Lua Nova ampliava a possibilidade de ataques em noventa por cento.

Todavia, não era apenas a casta de Leomens que amaldiçoava Crivium. Outros tipos de mestiços também eram comuns. As copas das árvores não eram locais seguros. Na Terceira Ponta, na Floresta Gélida, castas de Águilos faziam ninho nas copas das árvores e se alimentavam de carne humana.

Gum permaneceu em um ritmo uniforme até a metade do caminho. Durante o percurso passou a ouvir diferentes sons, semelhantes a sibilos, uivos e bramidos. Isso não era coisa boa, deduziu.

Decidido, passou a correr, mas o som baixo dentro da Floresta de Caça tornou-se mais grave, então compreendeu que estava sendo seguido. Tanto do lado esquerdo quanto do lado direito da floresta o som era o mesmo. Galhos sendo arrebentados por pisadas grotescas.

Da escuridão saltaram quatro sujeitos criando uma barricada e cercando-o. Os homens trajavam cinza. Tinham brincos enormes nas orelhas, colares de ossos feitos com presas de diferentes formatos e cicatrizes horrendas. Gum armou-se com sua faca de caça, mas os homens pareciam se divertir com a atitude dele.

 

- Quem são vocês? O que querem? – Questionou-lhes em tom ameaçador.

 

- Somos mercenários. – O líder do grupo tomou à frente. Carregava consigo uma espada no formato da lua crescente. No pomo da espada duas runas estavam fincadas, Crie (terra) e Tagar (madeira). – Você virá conosco. – Apontou a espada em direção a Gum. Sua voz era grave, sombria e forte, feito duas lâminas se arranhando.

 

- Não irei a lugar algum com vocês!

 

- Eu sinto o cheiro em você... – Um aproximou-se circundando Gum e farejando-o feito um cão. Sorriu, e seus dentes eram podres. Vermes rastejavam-se por entre eles.

 

A aparência dos homens o assustava. Gum de repente fugiu para a Floresta de Caça. Os quatro sujeitos gargalharam alto.

 

- O jogo ficou mais interessante. – O chefe animou-se insanamente. – Peguem o idiota.

 

Ele mergulhou na floresta se desviando das árvores. Corria tão depressa que seu coração parecia querer saltar de seu peito. Tropeçou numa das raízes  caindo, e seu punhal desapareceu por entre as folhas.

Levantando-se desengonçado voltou a correr. Um dos captores então fincou a lâmina da espada dentro da terra fofa da floresta e uma das raízes das árvores enroscou-se em um dos tornozelos de Gum, fazendo uma amarra e derrubando-o na floresta. Ele gemeu, e o eco de sua voz espalhou-se pela escuridão.

Gum virou-se zonzo. Viu os quatro homens mais perto de si do que nunca. Todos seguravam espadas, e as lâminas brilhavam em carmesim na escuridão. Provavelmente magia vinda do segundo sol.

 

- L-Liga Atai.  – Gum sussurrou para eles.

 

- Então entendeu. Agora sabe que não dá para fugir da gente.

 

O chefe pisou no joelho de Gum violentamente, quebrando-o. Ele gritou desesperado clamando por socorro. Os pés amarrados por raízes negras de uma enorme árvore ao seu lado. Sua visão ficou turva e por fim Gum desmaiou.

 

 


Notas Finais


Glossário:


Gumin: animal que se alimenta de restos de lavagem e vive afundado em lama. Sua pele é áspera com pelos grossos.

Irípedes: monstros alados bebedores de sangue.

Motomono: Transporte semelhante a uma moto. Funciona por meio de energia extraída do primeiro sol.

Arítio: mineral semelhante à brita.

Extrato de Morfus: medicamento semelhante à morfina.

Pífia: rocha mais resistente das terras de Crivium. Mineral geralmente utilizado em grandes edificações.

Feudais: são camponeses. Donos de pequenas porções de terras ao redor de Crivium.

Sevara – Casta de mestiço com mescla entre serpente e homem.

Águilos: Casta de mestiço resultante da fusão entre homem e águia.

Físculos: homens peixes. Crivianos com característica de peixes.

Liga Atai: São mercenários Conspiradores, sequestradores.


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