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História O Outro lado da Lei - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Sancho Pança


Fanfic / Fanfiction O Outro lado da Lei - Capítulo 5 - Sancho Pança









Elas são lindas, cheirosas e delicadas, mas sua melhor qualidade, com certeza, é sua força! Flores desabrocham em lugares inesperados e mesmo em meio as dificuldades da natureza, se esforçam para continuar de pé. Donnie tinha muito o que aprender com a natureza, e também a gostar dela. 

 Ele estava farto de flores, desejava perder o olfato para nunca mais sentir o cheiro das malditas lavandas. Estava lá há pouco mais de um mês e sabia que nunca se acostumaria, tampouco as coisas eram como ele imaginava. Nos dias que se passaram, ele realmente chegou a acreditar que o seu chefe o odiava, e que ele estava pagando o preso por seus pecados, tendo uma vida que ele julgava ser miserável. 

Enfornados nas baixas colinas ondulantes, Sault se encontrava. Era um lugar calmo e silencioso, mas um pouco ameaçador, repleto de superstições locais. Era uma tarde preguiçosa de primavera, onde as pessoas estavam se reunindo em casas ou espaços públicos para celebrar o dia 21 de maio, feriado cristão, chamado, Ascensão de Jesus. Ele ocorre 40 dias após a Páscoa. Não haviam motivos para Donnie e Lupita celebrarem, eles acreditavam nos seus próprios potenciais e em nenhuma crença em específico, acreditavam que a religião está diretamente ligada à sensação de fraqueza e desamparo do indivíduo.

Os dois então decidiram ter uma caminhada vagarosa até a cidade para comprar o que talvez nunca usariam, mas não sabiam exatamente se existia jeito melhor para administrar o seu dinheiro. Eles estavam gratos por ter a companhia um do outro e a confiança ser alcançada em tão pouco tempo. Passavam por um bosque claro, cheio de flores azuis, Lupita estava segurando o braço de Donnie enquanto Mildred seguia alguns metros a frente deles. Ela achava excecional o modo como Donnie lidava com certos motivos, por mais que respondesse a cada pergunta, não tirava os olhos da pequena.

— Eu não sei se você já se sentiu assim. Querendo dormir por mil anos. Ou simplesmente não existir. Ou apenas não estar ciente da sua existência. _ Lupita dividia o seu olhar entre Donnie e o ambiente em que estavam, enquanto segurava uma sombrinha acima da cabeça.

— Eu acho que querer algo assim é muito mórbido, mas eu acabo tendo esse tipo de desejo quando estou mal. 

A vida pode ser realmente desanimadora as vezes. Talvez você deve-se encontrar algo que te traga paz de espírito. E nem pense em perguntar-me sobre isso, pois você quase nunca se abre com as pessoas. diga-me Lerner do que tanto você tenta fugir? 

Sabe Lupita, só não jogo tudo pro alto, porque depois vou ter que catar. 

Preguiçoso, você precisa aprender uma lição com as formigas! 

 Não eram bons tempos para os sorridentes, mas as pessoas costumam fazer as pessoas sorrirem, para tentar sorrir também. Foi a primeira vez em meses que Lerner se divertiu com uma simples frase, pequenas coisas nos mostram o que realmente importa, e são por elas que encontramos por quem realmente vale a pena se importar.

Não demorou para que chegassem a pequena cidade. Céu claro, ruas cheias era o que caracteriza o lugar, as ruas eram estreitas e as casas feitas de pedras de cores neutras, as mais diversas flores pendiam sobre as janelas até mesmo daqueles que se diziam mal-humorados. O dia está lindo, ensolarado e tudo mais. É daqueles dias em que você acha que tudo vai dar certo. 

 São tempos de fome, depois da Guerra Franco Turca. A vida era muito difícil em tempos como estes, eles trabalhavam de sol a sol no campo, nas montanhas, com os animais. O trabalho foi compensado com feriados e reuniões, como as feiras, o padeiro vende moletes sob os talheres, os ceramistas as suas peças de cerâmica, artistas vendiam as suas incomparáveis pinturas as quais não lhe rendiam muitos olhares. Também vendem legumes, batatas, queijos dos mais variados, animais de fazenda são um investimento preciso, porcos, galinhas, bezerros. O violino do cego que conta, histórias soa. A feira é uma festa de verdade!

Não era um ambiente em que ele se sentia a vontade, anos numa cela minúscula e a convivência com aqueles cuja sociedade reprimia devido a seus atos o fizeram ficar um pouco recluso socialmente. Francamente? Foi em meio a uma multidão que descobriu logo cedo a diferença entre ser antissocial e ser seletivo.

 Mildred seguia saltitante a frente dos dois que insistiam em continuar com passos lentos enquanto observavam as mercadorias das diversas barracas que iam até o fim da longa rua. Donnie sorriu balançando a cabeça sobre aquele ato tão infantil, se lembrando que fazia a mesma coisa na idade dela. Lupita havia fechado a sua sombrinha, mas permanecia segurando o braço de Donnie, logo os seus olhos saltaram para uma barraca onde um homem baixo vendia as mais variadas joias.

— My lady nunca me contou sobre esse gosto particular para diamantes. _ Ele ajeitava o chapéu.

Oh! Por favor, Lerner. Todas as mulheres querem se sentir poderosas enquanto usam um colar incrustado de diamantes. Não me diga que nunca presenteou Madeleine com uma joia além do anel do seu casamento? 

Mas nem fui eu quem comprou as alianças. Sabe, as vezes ela era bem mais homem que eu. _ ele não estava confortável com a pergunta, mas sempre que se sentia assim disfarçava com o seu sorriso de canto que havia se tornado a sua marca.

— Nunca a deu um presente? Isso é espantoso devo admitir, quando te conheci pensei que seria alguém poético e cheio de sentimentos por quem ama. Mas para ela ter uma família com você mesmo sem receber nada em troca ela realmente amava-te.

Como você levanta a minha moral e, ao mesmo tempo faz o meu arrependimento transbordar no meu peito?

Bom Deus, desculpe-me Donnie, não foi a minha intenção. _ ela segurava o braço do seu amigo com as duas mãos e um semblante arrependido.

O passado é uma roupa que não nos serve mais e o futuro tem muito espaço para mudar. _ dizia ele dando o seu melhor sorriso a ela. 

 Aquilo o chateou, porém, jamais demonstraria na frente dela e se perguntava como poderia estar criando sentimentos por alguém tão tagarela e impulsiva. Não se conformava nas vezes estar preso no passado. O processo para seguir em frente, deixar certas coisas para trás, tem sido longo e cansativo. Embora ele saiba que é preciso mudar, por as coisas no lugar, às vezes sentia que não iria conseguir e o medo o, trava as pernas.

— As vezes pergunto-me quanto tempo leva para um joalheiro fazer algo tão belo como isso. _ dizia ela levantando um colar com várias pedras brilhantes a cima da cabeça. 

É pequeno e pesado, não é bem uma joia adequada para quem quer se sentir imponente. Experimente este aqui Posso? 

 Lupita permitiu que Donnie colocasse um colar com uma pedra de rubi azul pendurado como pingente, e vários cristais brancos como cordões ao redor do seu pescoço. Então se olhando num pequeno espelho ela passava delicadamente os seus dedos pela joia se admirando com um suspiro. Mas a alegria logo foi trocada por desânimo ao ver o rosto incomodado do vendedor e o preço do objeto.

Você realmente tem um gosto peculiar por objetos de valor, mas os pobres não têm vez aqui. _ ainda cabisbaixa ela retira o colar o colocando de volta no seu lugar.

Que pena _ ele não se referia a Lupita não poder ter a joia e sim não poder colocar as mãos em todas aquelas na mesa, no momento os seus olhos brilhavam enquanto olhava para todas aquelas joias.

Donnie onde está a Mildred? 

 Olhando para os lados um tanto quanto preocupada ela balançava os ombros de Donnie, que quase instantaneamente entrava em pânico. A garota não estava no seu lado e nem mesmo próxima, onde olhava não era possível encontra-la, o lugar era grande e todos ali eram desconhecidos, tudo poderia acontecer.

 Os dois logo começaram a correr entre as pessoas olhando para todas as direções enquanto Donnie gritava por seu nome, com tamanho desespero não se importava se estava esbarrando nas pessoas pois a sua única preocupação no momento era encontra-la. Não foi preciso andarem muito para ver a garota a frente do velho cego que tocava o violino. Fechando os olhos e respirando o mais fundo que pode, Donnie deu graças aos céus e foi até a criança.

— Mildred Lerner, eu disse para não sair da minha vista! Não imagina como eu fiquei preocupado. _ aumentando o tom da sua voz, Lerner se abaixou colocando as mãos nos ombros da garota a encarando. 

Desculpa pai, ouvi a música e vim até aqui pensando que estava atrás de mim. Não quis deixar-te preocupado, eu só 

Aposto que se fosse uma procurada seria a melhor em fuga. _ dando a resposta tão inusitada ele deu-a um sorriso passando a mão nos seus cabelos. 

Aquelas palavras fizeram com que Mildred olhasse confusa para o pai, pois sempre que fazia algo errado na presença da mãe levaria um carão, além de ser castigada. Trocando olhares confusos com Lupita, a menina sorri feliz por sair impune. Se colocando de pé ele enfiava a mão dentro do bolso, entregando uma certa quantia em dinheiro para Lupita, que inclinava a cabeça tentando entender o motivo.

— Sei que não deveria pedir isso a você, mas poderia tomar conta dela por uma hora? Este dinheiro é um pagamento pelo seu trabalho e para comprar algo que ela queira. Prometo que não demorarei mais de uma hora. 

Não precisaria pagar-me, Lerner, apesar de ser uma criança é uma companhia melhor que a de certos adultos. Mas se me permite perguntar o que o senhor pretende fazer nesse meio tempo? _ estreitando os olhos e sorrindo de canto ela aproximava o seu rosto do dele tentando obter alguma resposta. 

Hey, Hey Só irei comprar algo que me chamou atenção quando li no jornal. _ sorrindo para ela, ele olha para baixo para encontrar o rosto da sua filha que segurava a manga do seu paletó. 

Você prometeu que me levaria para ver os cavalos e está indo embora de novo. 

 Com a boca entreaberta ele dividia o seu olhar entre Mildred e lugar nenhum, respirando fundo o seu olhar foi para a tagarela amiga, que pensou rápido o tirando de tal situação.

— Querida, cavalos são animais grandes e perigosos como os búfalos. Não acha melhor ver os cisnes? E eu tenho certeza que podemos encontrar alguma loja de vestidos em algum lugar. _ colocando as mãos nas pernas e se abaixando um pouco conseguiu convencer a criança, que correu segurando a sua mão, as duas então se perderam em meio a multidão. 

 Andando calmamente observando as pessoas comprando coisas inúteis e pagando cada centavo por cada uma delas, moradores do interior eram honestos, e pessoas honestas levam bem a sério a questão de cumprir a própria, palavras. Ele refletia se teria que ser feliz por viver a vida que as pessoas a sua volta querem e ser um ser honesto, como estes aos quais ele não conseguia desviar o olhar. 

 Não demorou para que saísse dos arredores da cidade e chegasse a uma espécie de leilão barato, porém com animais magníficos. Havia poucos homens presentes, então pode dar um lance e fazer negócio por um belo alazão, pagando o que julgava ser um valor justo. Cavalos eram sua paixão desde menino, o fazia lembrar dos tempos em que vivia em harmonia com o pai, o velho Wilson Lerner era um homem amargo e de poucas palavras, porém se alegrava em cavalgar com o filho em tardes preguiçosas de domingo.

Não era exatamente o motivo em que ele gostaria tanto de comprar um cavalo, mas encontrava nobreza sem arrogância, amizade sem inveja e beleza sem vaidade nos impotentes animais. Seguia agora por uma estrada solitária puxando o seu novo amigo por uma corda longa, o cavalo possuía uma cor escura de marrom, mas com detalhes em brancos, o que mais chamou a sua atenção fora a mancha branca que possuía no seu rosto. 

 Novamente de volta a feira, percebeu que o fluxo de pessoas agora havia diminuído e o sol logo iria adormecer. O dia havia sido exaustivo e agora puxava a corda com apenas uma mão enquanto olhava os seus passos e pela incontável vez naquele dia ajeitava os seus óculos que insistiam em cair como se não quisessem estar sendo usados por ele. E foi então que não ouviu mais o som do violino do velho cego enquanto passava por ele, ouvindo uma voz trémula e ofegante.

Ladrão!

Instantaneamente suas pernas travaram e os seus olhos se arregalaram, com um rosto pálido e preocupado ele encarava os olhos totalmente brancos e assustadores do velho. 

Como disse? Não existem ladrões em Saul, meu senhor. 

Meu bom rapaz, não são cegos os deficientes visuais, mas sim todos aqueles que não são capazes de enxergar o mundo interno. As suas poucas e voraz palavras a pequenina foram o suficiente para estes ouvidos cansados. Não prenda no seu peito aquilo que te sufoca criança, o pior cego é aquele que escolhe não enxergar. 

 Apontando um dedo esquelético a ele e com um grande sorriso banguela o velho começa a rir pausadamente, um arrepio subiu por sua espinha. Aos poucos pode sentir as pernas e começar a andar como um verdadeiro bêbado puxando aquele cavalo, segurava agora o seu chapéu e olhava para o chão. Quando finalmente olhou para frente, viu a sua doce menininha correr até ele como se não o visse há anos.

— Um cavalo! De onde ele veio? _ impressionada, ela abraçava um urso de pelúcia olhando o animal com tamanha admiração como se estivesse hipnotizada. 

Bem prometi que você iria ver um cavalo hoje, não prometi? Mas pensei que a minha menininha merecia mais que só olhar um, ele é seu meu amor. 

 Reluzindo imensa felicidade e pulando nos braços do pai, amor era a única forma de agradecimento que ela poderia dar-lhe. A segurando nos seus braços, Lerner a deixava passar a mão pela crina e rosto do animal, que inesperadamente para ele era tão dócil quanto um cão. Ao longe, Lupita segurava algumas caixas e admirava a cena entre pai e filha, então quando Donnie a olhou agradecidamente ela desejou ser parte daquela família. 

 Mildred agora havia adormecido nas costas do animal no caminho de volta para casa, Lerner andava ao lado do cavalo segurando a menina para que não caísse, estava tão empolgada com o presente que não se importou com o cheiro de suor do cavalo. Lupita andava a seu lado segurando o que havia comprado e vez ou outra olhava para ele de canto.

— Por que comprou o corcel

Aprendi com o meu velho que quando monto no meu cavalo, esqueço-me de tudo. Galopando sem um rumo, com vento batendo forte, os pensamentos ficam mudos! 

Não sabia que estava com os pensamentos atónitos. Sabe que receberá menos para mante-ló na fazenda?

É um preso a se pagar, não irei abrir mão dele. 

Ah! Sim. E posso saber qual será o nome da majestosa criatura? 

Sancho Pança.



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