História O Outro Lado de Pan - Capítulo 37


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Capítulo 37 - A Outra


FILHA!? Meus ouvidos escutaram, mas eu não quis acreditar no que me revelavam. Filha! James Gancho, o pirata frio e sanguinário que só se importava em derrotar Peter Pan, tinha uma filha! E ao que tudo indicava, Peter a sequestrou e isso... acabou a levando pra morte. Céus! Minhas pernas deixaram de resistir a gravidade e desabei.

- Não! - soltei breve e atordoada, o que despertou o capitão – Não, não, não… NÃO! - repetia pra mim mesma negando com a cabeça – E-Ele trouxe ELA pra cá e-e, a-agora, ele ME trouxe pra cá! Isso significa que...não! Isso não pode estar acontecendo!

Chocado com o meu estado o pirata tentou me levantar, mas eu comecei a atacá-lo com tapas e socos desregrados.

- EU NÃO ACREDITO EM VOCÊ!! SEU MENTIROSO DE UMA FIGA! SEU HIPÓCRITA!

- SE ACALME KATHERINE! AAARGH! PARE COM ISSO!- dizia tentando me segurar.

- ME SOLTA! ME SOLTA SEU MENTIROSO! PETER NÃO FEZ ISSO! PETER NÃO É COMO VOCÊ! ELE NÃO TRARIA ALGUÉM PRA MORAR COM ELE, CUIDAR DELE, AMAR ELE, PRA DEPOIS MATAR E SUBSTITUIR POR OUTRA! AINDA MAIS POR UMA BRINCADEIRA IDIOTA! ISSO NÃO FAZ SENTIDO!- Gancho consegue me segurar pelos braços e cansada eu desisto de lutar.

Eu não queria crer naquilo. Se ele trouxe uma garota pra cá eu não era a primeira, eu não era a única menina perdida. Será que ele prometeu as mesmas coisas pra ela? Será que ele ensinou ela a voar!? Ele também mostrou as sereias pra ela? E a dança...o beijo, tudo foi planejado? Ele fez isso com outras!? NÃO e NÃO! Então...eu era só mais uma? Mais uma que ele enganou com promessas bonitas de um futuro juntos e agora abandonava em alto-mar. Aquilo doía tanto!

As lágrimas começaram a escorrer, uma por uma, foram caindo e manchando o tecido de linho da camisa do pirata, foi bem ali, diante do olhos piedosos e do peito de James que deitei minha cabeça, eu não olhei pra ter certeza, mas senti quando gotas úmidas e salgadas, pingaram sobre a minha bochecha se juntando as minhas.

- Ele não se importa com ninguém, não é?- falei embargada.

- Oh minha querida! Eu sinto tanto em te dizer isso, mas pra ele é tudo uma grande brincadeira. Peter é amaldiçoado. Quando sua alma ficou presa a Ilha, ele deixou de crescer, vive em um limbo entre o que sua mente antiga quer e seu corpo de criança suporta. Ele não pode amá-la, ele se quer sabe o que é isso. Mas confesso, não esperava que isso fosse mexer tanto com você. Achei que...estava superando o garoto.

- Eu ainda tinha esperança no amor.- falei me afastando e enxugando as lágrimas.

- Eu já fui como você. Mas quanto antes perceber, melhor será. A felicidade que criam sobre o amor é uma ilusão, não digo que ele não exista, ó ele existe sim, mas só serve para te deixar vulnerável. Sabe, você deve encontrar aquilo que realmente te deixa feliz, em vez de ficar criando expectativas em cima de algo que é inviável.

- E você, encontrou o que te deixa feliz?

- Claro!

- O que?

Gancho foi fechando o semblante e permaneceu quieto.

- Bela resposta – provoquei.

- Ora, quer mesmo saber!? Ouro e rum, é isso que me deixa feliz! Pegar o meu navio e sair explorando os 7 mares, sentindo a brisa de Calipso a cada fim de tarde. Arrancar as tripas da marinha britânica e ver aqueles engomadinhos de joelhos, implorando em vão pela vida inútil. Ar! Como isso é bom!

Mas apesar do sorriso, o olhar dele era vazio. Gancho era mesmo um baita mentiroso afinal, mas a melhor de suas mentiras, era aquela que contava a si mesmo.

- Capitão, eu sinto muito por sua filha. - fui sincera.

- Eu sei que sente, você ainda é uma menina pura, é diferente.

- Olhe eu vou te ajudar, já disse isso, tenho até um plano, mas eu preciso de força e coragem pra enfrentar Peter. Ele ainda mexe muito comigo, como pôde ver. Eu preciso que devolva meu colar.

- Bucaneira, eu já disse…

- Olhe para mim! - falei pegando em seu rosto com cuidado e fazendo ele me olhar nos olhos - Eu estou sendo sincera, não há razões para mentir! Ganhei o relicário das mãos da minha mãe e preciso dele para que eu me lembre do por quê sou digna dessa joia, ele me faz lembrar de quem eu sou. E eu sou Katherine Darling, a Bucaneira Dill e a garota que vai ensinar Peter Pan que o mundo não é feito só de jogos e brincadeiras! Vou ensinar Peter como a vida adulta pode ser divertida, pelo menos pra mim!

Gancho deu um longo suspiro, foi até a gaveta de sua mesa e tirou outra joia de lá, um apito dourado. Entregou em minhas mãos e disse:

- Você não precisa de um colar pra se lembrar de quem você é. Eu não posso te entregar a sua joia milady, não até que eu possa confiar realmente em você, mas enquanto isso, se é de um objeto que precisa,  te empresto o meu amuleto da sorte. Foi o meu primeiro tesouro! Eu ainda era bosun do Barba Negra, mas consegui roubá-lo da cabine do velho quando fui limpar. O primeiro roubo você nunca esquece hahaha!

- Está bem então, vou provar que sou digna da sua confiança!

- Tenho certeza que sim e quando tiver conseguir completar seu plano, é só...soar...o apito, e eu vou saber.

- Como?

- Mágica. - respondeu sorrindo.

Então peguei o pequeno apito e saí da cabine.



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