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História O outro lado do horizonte - Capítulo 1


Escrita por: Kamy-Matarasu e Couple_Project

Notas do Autor


Yo!
Contribuindo para mais uma fanfic do projeto Couple_Project do ciclo 03
Antes de tudo agradecendo a beta: @luuh_hatakee e a capista: @Uzumaki_Azul

Bom, baseei a história na segunda guerra mundial, um drama de um casal que luta em lados opostos de uma guerra.

Independente do ranking de quem vai ter a história premiada, sou grata por contribuir no projeto e isso já vale muito.

Espero que gostem

Boa leitura 😊

Capítulo 1 - Lados opostos



 

Naruto encostou-se em um velho pinheiro observando o céu estrelado, enquanto ouvia a água da chuva pingar nas folhas das árvores. O som de chuva geralmente acalmava seu espírito em dias difíceis. Só que dessa vez não estava funcionando. 

Kiba respirou fundo com inquietude, tocando o braço de Naruto.

— Não me aborreça — Naruto reclamou. — Voltaremos quando eu estiver pronto.

Quando saíra do campo de concentração do lado norte do Fort Worth Weiss, estava simplesmente furioso. Aquela carta devastadora deixada em sua mesa, em seu escritório particular, chegou no pior momento possível. Já tinha convencido e dado a ordem final de que sua esposa ficaria em Berlim sob vigília, — o que não aconteceu. Mas era de se esperar de uma mulher obstinada. 

De aparência frágil, Hinata mostrava ser bem mais perigosa do que a maioria daqueles soldados que cercava o Forte, cujas suas maiores características eram o domínio de espada ou qualquer arma branca que tivesse em suas mãos. Habilidosa em combate, Naruto temia que um dia ela fosse revogar. Mesmo depois de praticamente aprisioná-la em casa depois de sua partida para Guerra.

O caminho que as coisas se seguiam na aristocracia, deixava-o nervoso e preocupado.

 Quando o resultado final das nações europeias declarou a segunda guerra mundial, Naruto imaginou a reação da esposa naturalizada Alemã após o casamento, mas que originalmente era Judia. O que era um grande problema.

Naruto sabia que Hinata estava lutando pelo povo juntando-se às tropas inimigas. Tinha motivos bem diferentes dos alienados nazistas, tinha consciência do medo que corria, mesmo agora que as fronteiras estavam fechadas e o risco de imigração de estrangeiros dos países inimigos era a morte.

Ela se arriscaria, lutando sua própria guerra, escolheria o lado inimigo para proteger sua família e sua nação, mesmo que ambos estivessem em lados diferentes; mesmo que o real sentido daquela guerra dividisse o mal do bem. Se tratando de ambos os lados da guerra, não existia um lado bom ou ruim. Uma batalha sempre traria desgraça por onde passasse. Os inocentes pagariam por atos como aqueles, generalizados pelo governo.

Naruto via nos olhos de seus soldados e dos inimigos a garra patriarcal, mas acima de tudo o medo e obrigação de serem forçados a servir sua nação. Tudo seria mais simples se os aristocráticos dessem o braço a torcer ou ao menos pensassem em seu povo, que perdia suas vidas através de suas ambições e fascínios.

Ele entendia Hinata, mas de mãos atadas, não podia resgatá-la. Até porque a carta deixava claro o seu interesse. Ela o abandonou, com duas crianças, para lutar ao lado de seu maior inimigo: As potências da Aliança.

Como especialista, o que ele tinha disponível era um batalhão encaminhando-se para as trincheiras ao sul da Polônia. Ela estaria lá. Como ela esperava dirigir uma batalha tão grande como aquela? 

Afastou-se da árvore e enfiou as mãos nos bolsos, praguejando consigo. Ficar ali a noite inteira não ajudaria em nada. Precisava voltar. E se tivesse um mínimo de juízo, despedir-se de Hinata Hyuuga no minuto em que a carta foi entregue por um de seus subordinados.

No entanto, havia trabalho suficiente para cansar vários homens. O dia seguinte seria segunda-feira e ele teria várias reuniões com os líderes da aristocracia alemã. 

Voltou com Kiba em seu encalço pela trilha que conduzia ao Forte. Pelo caminho Naruto pensava muito bem o que fazer. Atacar o sul da Polônia era imprescindível. E isso, infelizmente, não levaria tanto tempo.

Então Naruto não teria tempo livre para lidar com seus problemas. 

Na tenda, ele sentou-se diante da mesa, a lâmpada a gás iluminava boa parte do aposento, o suficiente para poder escrever a carta, como resposta.

 

O que se passa em sua cabeça, mulher? Ir para Londres, se alistar no exército e servir um país contrário ao seu? 

 

Ele até imaginava a raiva da esposa quando lesse. A Alemanha nunca foi de fato seu país de origem. O que lhe passava na cabeça para escrever algo tão afrontoso assim? Só traria a ira de sua mulher.

Amassando a folha de papel, pegou outra e deu início mais uma vez:

 

Volte para casa, Hinata. O seu lugar é com seus filhos. Darei um jeito para tirar sua família dos campos de concentração em Belzec.

 

Se fosse dito em voz alta aquelas palavras soariam ruidosas até para seus próprios ouvidos. 

Nas condições da guerra, ela já estava a par da situação dos judeus aprisionados. Tirar alguém daqueles países considerados Eixos era mais difícil que entrar no inferno e salvar uma alma perdida.

Ele voltou a amassar a carta e jogá-la para um lugar qualquer, irritado. Deus! Será que não conseguia pensar com clareza?! Se não agissem depressa, sua esposa estaria correndo risco. Não só ela, mas sua família também. A possibilidade de lançar bombas não era um ato de exibicionismo dos representantes de estado, era real. Uma necessidade para parar os inimigos. Era o que diziam.

Fechando os olhos, ele pendeu a cabeça no encosto da cadeira e sua mente vagou. 

Tinha uma vida feliz e adorável ao lado da esposa e tudo para poder usufruir de tudo novamente. Se aquela maldita guerra não o incitasse a lutar. Ele mal falava com ela quando foi convocado a servir os nazistas. Nem tampouco o fato de ele ter sido muito pouco cordial nas vezes em que falara com ela. 

Precisava reparar aquele erro mesmo que corresse riscos. Mesmo sendo obrigado a dar um ponto final quando chegasse a hora. Mas ele não queria ser o responsável por isso.

Recompondo-se, pegou a caneta tinteiro e voltou a escrever a carta:

 

Não posso ir contra o meu país. Sei que você também não pretende fazer o contrário, mas peço que confie em mim. Admiro sua coragem e determinação. Não tenho intenção de pará-la, apenas que pense em nossos filhos e em mim. Encarregarei de tirar seus pais dos campos de concentração. Apenas volte para casa antes que descubram que é uma inimiga estatal. 

Por favor, Hinata.


 

****


 

Apenas volte para casa antes que descubra que é uma inimiga estatal.

Hinata assentiu relendo pela décima vez aquelas palavras com profundo desprezo, como se fosse obrigada a servi-lo naquele momento tão caótico; como se ele pudesse mesmo tirar seus pais dos campos de concentração, como havia relatado na carta. 

Ela sabia o que acontecia lá e pouquíssimas vezes alguém saia vivo para contar história. Mesmo conhecendo Naruto, não podia acreditar em suas palavras. Mas alguém lhe pararia e querendo ou não, ele não iria contra ao seu líder. 

O Reino Unido tinha intenções de infiltrar-se em Belzec, na Polônia, para resgatar o maior número de judeus possíveis. Mas para isso, teriam que entrar em combate com os Eixos das trincheiras do Sul, os quais ela finalmente enfrentaria.

 

Não me peça para parar. Pois no momento que vê-lo em batalha, não hesitarei em contra-atacar.

 

Ela escreveu na última carta secreta que enviaria para Naruto.


 

Belzec, Polônia, 1940


 

Atrás do esconderijo, Hinata olhou para o horizonte onde as montanhas solitárias banhadas de neve formavam uma muralha entre a divisão do inimigo. 

Ela percorreu até encontrar a vala das trincheiras, cujo ângulo permitiu vislumbrar a artilharia do inimigo há quase dois quilômetros. Usando a metralhadora, deitou-se na pluma macia da neve, esquecendo por completo seu corpo enrijecido pelo frio. 

Estava há dois meses em territórios congelados. Seu corpo clarividente já tinha se acostumado com o frio extremo, mesmo que ainda fosse responsável por matar alguns soldados de hipotermia.

— Os tanques estão numa distância superior aos nossos — Tenten Mitsashi falou, deitando-se ao seu lado espalhafatosa. 

— Quem poderia imaginar que aqueles desgraçados ocupariam o melhor ângulo da batalha? 

Ardilosos, os alemães destruíram com lanças chamas os esconderijos e acampamentos ingleses. Passavam por cima das pessoas como se fossem meras formigas. Desde a chegada do comandante da guarda Nazista, o território antes dominado pelos inglês agora estava devastado. 

Hinata sabia que o número de homens naquela área não surtiria efeito contra a artilharia pesada dos alemães. Tinha opinado junto ao comandante superior, mas como sempre, ele não lhe deu ouvidos. Os homens jamais davam ouvidos às mulheres, mesmo estas se comparando à força e inteligência estratégica, algumas bem semelhantes ou até mesmo superiores a deles.

Por sorte, encontrou Tenten e Ino no Forte inglês. Eram as únicas mulheres a lutar a favor do seu país de origem, embora existissem algumas espalhadas por cada grupo de batalha. No entanto, a fama de matar muitos alemães se estabeleceu por todo canto da Europa. Elas treinaram, lutaram, aprenderam arduamente com a única finalidade de combater o inimigo e surpreenderam seus superiores e colegas pelo simples fato de serem do sexo oposto.

Talvez essa fosse uma afronta para os nazistas, que sabiam muito bem que a maior parte de seus soldados foram mortos em batalhas por estratégias femininas. Hinata, Tenten e Ino formaram um trio formidável durante todo início da guerra. Porém, naquele momento depois da substituição do comandante inglês, ela via a desvantagem assolá-las.

Tinha um grupo resistente e competente, mas inferior se tratando de confronto. Hinata sabia que aquela decisão era motivo de vingança e inveja do comandante que as repudiava desde sempre.

Mesmo com número inferior, ela não se intimidou e formou uma estratégia capaz de acabar com os três principais grupos do Norte da Áustria e Leste da Polônia, chamando assim a atenção do líder Alemão, que organizou um grupo superior para tomar todo território Sul da Polônia.

Com sua equipe em menor número, ela precisava focar e pensar na melhor maneira de acabar com o inimigo à sua frente e não descartou a hipótese de usar os tanques de guerra. Só não esperava que os alemães usassem bombas de efeito venenoso.

Uma delas explodiu muito próximo a trincheira, iniciando um verdadeiro inferno. O barulho ensurdecedor das bombas destroem os tímpanos, o gás venenoso queimava a garganta e os olhos.

— Abaixem-se! — gritou ela atirando contra artilharia inimiga que se propôs atacar.

Cobrindo sua boca com um lenço e orientando os demais, incitou a batalha, fazendo sinal para que os tanques entrassem em combate.

Os grandes veículos esmagaram pela frente soldados inimigos e um verdadeiro arsenal se chocou. Sons de balas e bombas se misturavam aos gritos ou ruídos de corpos sendo dilacerados. A neve branca era tingida pelo vermelho do sangue dos soldados.

Uma bomba foi capaz de destruir um dos tanques inglês. 

— Ino — Hinata murmurou incrédula depois de identificar exatamente o tanque do qual a amiga dirigia. 

Mais uma bomba foi capaz de disseminar mais dois tanques restando apenas um, que não demorou para ter o mesmo destino.

A fumaça tomava conta e Hinata ergueu-se sem se importar em ser atingida pelo inimigo em meio ao caos. Ao seu redor, homens morriam e, pelo uniforme, tinha certeza que os ingleses estavam perdendo aquela batalha.

— Maldito seja o comandante inglês! — Exclamou lembrando-se da face miserável do superior que calculou sua morte no campo de batalha. — Maldito! 

Uma bomba explodiu muito próximo dela. 

Hinata foi arremessada a uma distância sobre-humana. Seu corpo chocou-se contra a neve, que amorteceu a queda. Sua mente entrou em confusão e um ruído agudo soou em seu ouvido ensurdecendo-a. Deitada, ela viu as luzes dos mísseis cortarem o céu nublado e explodirem sobre sua cabeça. 

Ela lutou muito para não desmaiar e, esgueirando-se na neve, tentou se levantar mais caiu de joelhos. O campo de batalha era o pior que se podia imaginar. Corpos dilacerados e gritos de soldados com metade do corpo ou com algum membro faltando rugiam feito ursos nas cordilheiras. Era o verdadeiro inferno.

Em um ponto cego, Hinata forçou-se a se arrastar. Pareceu uma eternidade alcançar aquilo que parecia ser um soldado mutilado. Quando a fumaça se dissipou um pouco, ela ficou diante do corpo mutilado de Tenten.

Então aquela bomba havia atingido-a em cheio. Seus membros inferiores e superiores tinham sido despedaçados, o cheiro de morte e de sangue emanava nela, mas incrivelmente ela ainda estava viva.

As pálpebras se abriram e Hinata conseguiu ajoelhar-se ao lado da amiga.

— Nós perdemos… 

Os olhos de Hinata turvaram-se.

— Engraçado, General… Eu nunca imaginei que pudesse chorar… — Tenten falou com um brilho divertido no olhar quase sem brilho. 

— Não fale. Você precisa descansar.

— Eu vou descansar para sempre... Satisfeita por ter lutado ao seu lado... Nosso destino não poderia ser diferente do dos nossos conterrâneos… Morrerei feliz por servir… A minha… Pat…

As palavras morreram em sua boca entreaberta.

Hinata apertou os lábios com força e fechou os olhos de Tenten.

Um silêncio dominou todo território ou ela estava surda? Não. Havia mesmo uma paz duradoura ali. Teria sido a única sobrevivente? 

Naquele caso, precisava correr de volta à central, mas como faria se suas pernas pareciam pesar duzentos quilos? 

Com um esforço sobre-humano, sua mente, com imagens de companheiros e colegas, foram suficientes para ela se erguer como uma muralha.

Hinata seguiu pela trilha dos pinheiros, mas parou quase no meio do caminho quando uma dor aguda a surpreendeu. Sangue saiu de sua boca e manchou a neve branca. Só naquele momento percebeu os pingos de sangue que marcavam seu caminho.

— Droga.

Seu corpo parecia ter adquirido dormência para fazê-la ser indiferente à sua própria dor, uma vez que havia perdido o braço esquerdo.

Se dando conta da falta do membro, ela o apalpou banhado em sangue. Rasgou uma tira do uniforme, enfiando tufos de neve e colocando no coto despedaçado. O gelo em contato com o ferimento aberto adormeceu, mas a dor sentida foi indescritível. 

Ela gritou e escorregou até o chão, antes de prender o coto firmemente no torniquete improvisado. A dor era tão gigantesca que nem se comparava aos ferimentos de bala ou de armas brancas. A pressão obscureceu sua visão, apagando-a de vez.


 

****


 

Como se estivesse em um túnel escaldante, Hinata abriu os olhos vagarosamente. O calor fez a transpiração porejar em sua testa e escorrer para os olhos. Ela enxugou com a manga da camisa direita, se dando conta da figura enorme parada em sua frente e abriu os olhos.

Estaria sonhando? Era ele mesmo? 

Hinata sorriu como se estivesse delirando.

— Veio me levar para casa, Uzumaki? 

A voz dela era de puro sarcasmo.

— Bem, talvez esse fosse um dos meus requisitos. Infelizmente, é inimiga da Alemanha e eu não posso simplesmente levá-la para casa.

— Compreendo. 

Ela então se deu conta de seu destino. Seria capturada, aprisionada e enfim levada à câmara de gás.

Aos poucos Hinata viu Naruto agachar, ficando de joelhos sobre a neve. Seus olhos azuis perscrutavam-na com intenso lampejo.

— Esse não é um olhar de um general.

— Antes de ser general, fui seu marido. O homem que seria capaz de amá-la para todo sempre.

Ela sorriu e sentiu a fisgada vindo do coto incomodá-la.

— E-eu…

— Oh, cale-se, por favor! — Naruto exclamou, tocando no local ferido e tratando de averiguar o ferimento. — Oh, meu Deus…

— Não pensei que acreditasse em Deus, Naruto…

Naruto ignorou as palavras ferinas e tratou de fazer o possível para poder estancar o sangue.

— Como pode fazer uma coisa dessas, mulher? Como foi submeter-se a tamanho perigo? 

Ela ficou paralisada. O tempo parecia ter parado. Os olhos dele eram de mera preocupação e a voz trêmula parecia prestes a se desmanchar com o pranto. Então Hinata sentiu seu coração estraçalhado por dentro.

— Eu não tive escolha — disse ela, sincera. 

Ele não disse nada.

— A minha família? Você conseguiu salvá-los? 

— Não.

— Eu sabia que não conseguiria.

— Eu tentei, Hinata…

— Eu sei que tentou. — Ela interrompeu. — Sei também que assim como eu, você está sendo obrigado por sua essência a lutar por seu país de origem. Talvez, isso faça compreender nossa devoção nessa guerra.

— A diferença é que não tenho escolha de sair. E morto não serviria para nada.

— Eu sei de suas limitações. Por isso tive que abandoná-los. — Seu peito doeu em lembrar da família feliz e dos filhos. — Eles estão bem? 

— Sim. Protegidos e bem distante da guerra. 

— Você está lutando do lado errado da guerra, Naruto — disse ela. — Quando tudo isso terminar você será morto e nossos filhos serão órfãos. Eu lhe pedi para salvar minha família, mas agora imploro para que os salve.

— Eu já disse que eles estão bem.

— Não é isso que quero dizer. — Hinata o encarou penetrante. — Volte vivo para eles. Deixe a batente, faça qualquer coisa, vá contra seu líder, mas não deixe nossos filhos sozinhos. Eles não terão uma mãe, mas terão um pai. Vai embora dessa guerra como um covarde, tendo em mente que será um excelente pai!

Naruto fitou-a por um longo tempo e levantou-se, obrigando-a a fazer o mesmo, parecia um inimigo menosprezado.

Sem aguentar mais a pressão de seu peito, ele envolveu os lábios dela em um beijo intenso e sôfrego. Quando interrompeu, olhou para o lado e voltou encara-lá incrédula.

— Saia daqui. Vai embora.

— Você…

— É, droga! Estou ajudando a fugir. E é melhor que faça depressa!

— Naruto…

— Vai logo! Vai! 

Contando com a vantagem que seu ferimento foi contido, Hinata o olhou penetrante em um agradecimento mútuo antes de virar-se e partir. A vontade de olhar para trás era tremenda, mas ela não fez. Seguiu em frente, usou toda força que restava para poder caminhar na neve espessa e alcançar o acampamento inglês mais próximo e ter a oportunidade de voltar a lutar novamente.


 

****


 

Ela sumia de seu campo de visão como numa imagem fantasmagórica. Enfrentando dores para poder se afastar e conseguir salvar a vida, ele estava prestes a perder a sua própria, se algum de seus soldados o tivessem ouvido gritar daquela maneira desesperada.

Para sua sorte, os homens chegaram uma hora depois, tempo suficiente para que Hinata fugisse e ele não ser pego como um traidor.

— Todos estão mortos, general.

— Ótimo! Vamos nos reagrupar e voltar à central.

Obedientes, os soldados os seguiram. Demorou horas para chegar à central e, no meio do caminho, um grupo de soldados alemães os esperavam, o tenente deles, com ar sério e destemido, ia de encontro a Naruto.

— General.

— Tenente.

— Os ingleses estão agrupados na parte mais baixa do sul da Polônia. Um grupo de homens cercou a área e estão apenas esperando a sua ordem para lançar a bomba HB24. 

Naruto estremeceu. 

Diabos! Hinata estava naquele acampamento! Tinha ajudado a esposa a fugir, mas descobriu que acabou mandando-a para morte.

— Não! Peça para que volte à central todos os soldados agora mesmo!

— Mas general…

— É uma ordem tenente.

Como o tenente não havia mexido um músculo sequer, Naruto o segurou pelo colarinho do colete com os olhos fervilhando.

— O que está acontecendo, homem? Pensa em desobedecer uma ordem direta de seu líder?!

— As ordens do comandante foram capturar os ingleses e levá-los à câmara de gás. Mas se conseguíssemos cercá-los, teríamos que acabar com todos lançando uma bomba.

Naruto ficou paralisado por uns instantes. 

Estava entre a cruz e a espada. Sem saída, sem escolhas, tudo levava a morte lenta ou rápida.

— Eu lhe disse para que ficasse em casa!

— Como senhor? 

— Nada!

Ele se afastou e quis chutar, esmurrar alguém e acabar com tudo aquilo. Se sentia um verdadeiro idiota. Mais do que isso, se sentia infame, cruel, digno de ser representado por ser o próprio diabo.

Deus, o que posso fazer? Estou diante da decisão mais difícil da minha vida, mesmo não sendo nenhuma surpresa e, ainda assim, não imaginei que a morte dela viria das minhas próprias mãos dessa maneira! Ajude-me a tomar uma decisão.

O rosto dele se contraiu numa momentânea expressão de dor. Em seguida, porém, ele retomou a fria determinação que o levara até ali.

Virou-se diante do tenente e disse:

— Dêem a ordem para lançar o míssil HB24.

A morte seria o destino da sua amada esposa, mas que fosse por uma morte rápida e menos dolorosa do que a câmara de gás.

Tirando a jaqueta e os pingentes que representavam sua batente, Naruto entregou-os ao tenente.

— Você é responsável para comandar as forças alemãs de agora em diante. Te nomeio como novo general da guarda nazista. 

Dito isso, seguiu em frente com o coração estraçalhado.

— General, mas para onde o senhor vai?

— Para casa — pensou ele alto, aceitando as palavras finais de Hinata. 

Depois de tanto tempo, parecia que somente naquele momento abria-se o verdadeiro sentido da vida.

Desistiria de tudo e seria um inimigo covarde declarado. Mas ao menos teria um pedaço da esposa com ele: Seus dois filhos.

 

****

 

América do Sul, 1954


 

Fechando o livro de capa dura, Naruto levantou-se e continuou olhando para lápide com profundo pesar.

 

Hinata Hyuuga

1912 - 1940. 

Esposa, mãe e General das Forças Armadas Inglesas.

 

Ele leu mais uma vez as escrituras na lápide que mandara fazer nos fundos do jardim da casa debaixo de uma macieira, a fruta favorita da esposa.

— Achei que gostasse de saber que publiquei um livro contando seus feitos. Talvez, a história o apague por ter como protagonista uma mulher, mesmo que isso venha ser verdade. Quando soube que foi uma excelente general de guerra e a melhor em combate, senti-me orgulhoso de verdade por ter tido uma mulher tão incrível em minha vida. Uma pena que não a valorizei como deveria. Por outro lado, cumpri a promessa de largar tudo e recomeçar em outro lugar com nossos filhos. E sinceramente, foi a melhor escolha. Você sempre foi uma mulher à frente de seu tempo, tão jovem e tão sábia. Neste livro, você será representada como uma das mulheres que mais matou soldados alemães durante a guerra. Será lembrada por mim e por muitos que lerão este livro.

O vento sacudiu as folhagens da árvore, Naruto olhou para o alto, o céu limpo e radiante. Depois virou-se e vislumbrou a casa de Adobe. Ela gostaria de morar ali. Pensou caminhando até a casa, onde foi recebido pelos dois filhos.















 

















 




 


Notas Finais


Obrigada por chegarem até aqui😊


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