História O Pacto - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Ino Yamanaka, Inochi Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Kidoumaru, Kimimaru, Konan, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Obito Uchiha (Tobi), Personagens Originais, Rock Lee, Sakon & Ukon, Sakura Haruno, Samui, Sasuke Uchiha, Shino Aburame, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju, Yahiko, Yugito Nii
Tags Drama, Mistério, Sasusaku, Sobrenatural, Terror
Visualizações 90
Palavras 4.064
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olar ! Depois de um bloqueio pra arrumar um capitulo já pronto eu o desenrolei hoje.
Se tem uma coisa que ajuda com falta de inspiração ou motivação é ler livros semelhantes às coisas que você escreve.

Capitulo com a abordagem parecida com a do capitulo anterior, mas com foco na Sakura.

Desculpem os errinhos de português, e boa leitura!

Capítulo 3 - Ato III : Submerso e Emergido


Konoha- Japão 25 de Maio de 2016

 

Sentou-se no divã , enquanto a poltrona ao seu lado era arrastada. Observou Tsunade sentar-se e colocar os óculos de leitura no rosto redondo e bonito, os olhos caramelo a encararam por alguns segundos para logo depois voltar à pequena caderneta que tinha em mãos.

-Você me mandou uma mensagem que me deixou um pouco aflita na noite passada- Ela disse, recostando-se na poltrona verde-musgo.- Faz um tempinho que não nos vemos.Você parou de frequentar as consultas e nem me avisou, Sakura...

-Desculpe, Tsunade- Respondeu , com um olhar culposo, enquanto apertava as mãos- Estive ocupada nos últimos dois meses, sei que foi um descaso de minha parte, mas… Estava indo tudo bem...

-Ok, eu a desculpo, mas só porque lhe tenho muito apreço!- A loira sorriu-lhe, e retribuiu com um meio sorriso agradecido. Mirou o teto branco do consultório, acima de si, sabendo que teria que colocar alguns acontecidos na mesa- Agora quero que me conte o que aconteceu para querer marcar uma consulta tão desesperadamente assim.

Tsunade recostou os braços sob a perna cruzada olhando a jovem deitada no divã escuro. Sakura parecia relutar em dizer qualquer coisa, mesmo que seus olhos mostrassem a necessidade de verbalizar o que a incomodava.

Pra Tsunade, Sakura era uma paciente muito difícil devido ao passado que tivera. Havia pontos em sua história que fazia com que uma confusão fosse estampada nas falas e no olhar da mulher.

Há dois anos, quando a jovem a procurara, Tsunade tentou adentrar nas camadas de sua vida. Depois de alguns bons meses, ela descobrira um pouco, realmente muito pouco, do que lhe acontecera quando mais nova. De certo, Sakura falava coisas que pareciam sem sentido e, muitas vezes, parecia replicar o que lhe fora falado. A jovem estivera ,por algum tempo, a cuidados de uma psicóloga que prestava serviços a polícia local. E julgava que nesse exato período, a menina passara por uma reestruturação de pensamentos que lhe provocaram uma projeção falha e confusa de suas realidades. Sakura parecia perdida, muitas vezes, ao falar de fatos que lhe ocorreram. Era como se lutasse contra o que ela sabia e com o que lhe disseram. Era complicado tratar de pacientes assim. Ela era perturbada por sua própria mente. Estava melhor atualmente, mas esses fatos ocorridos e uma negligência social a fizeram ter uma noção de realidade e fantasia que se chocavam a todo tempo.

-Lembra daquele ocorrido de minha adolescência….- Começou Sakura, de olhos fechados e mãos cruzadas sob a barriga- Que também lhe contei sobre os meninos que costumavam perseguir a mim e a meus amigos…

-Sim, lembro-me bem.

-Pois bem, ontem eu estava saindo do trabalho, um pouco mais tarde do que o habitual, às seis em ponto…

Passou pela porta dupla de madeira clara do Byakugou, o café que trabalhava desde seus vinte anos. Acenou para Lee, um dos cabeleleiros que trabalhava no salão ao lado.

-Tenha um bom final de semana, Sakura !- O rapaz de corte simetricamente redondo e olhos grandes e negros acenava animadamente- Nos vemos segunda!

-Pra você também! Mande um beijo para sua mãe por mim!

-Pode deixar!

Acenou e andou em direção à faixa de pedestre. Era um fim de tarde de sexta feira, as ruas estavam um pouco mais movimentadas, várias pessoas aproveitavam o fim do expediente para curtir a noite.

Konoha era uma cidade pequena, se comparada a de outros estados japoneses, e envolta de belas montanhas, nas quais alpinistas desfrutavam de aventuras em seus finais de semana. Além de um extenso rio que despontava uma pequena parte no sul da cidade e também no centro movimentado . Em algumas regiões, como a norte e a sul, tudo era mais calmo e tradicional, já a região leste e norte eram modernas e onde se concentrava grande parte da classe alta.

Ela morava no sul e trabalhava no centro. Sua rotina de segunda a sexta era acordar cedo, arrumar-se, e pegar o metrô até o trabalho, o que lhe tomava quase quarenta minutos todos os dias. Ela abria o café às 7:30 da manhã e assim, alguns outros funcionários chegavam. Trabalhava como balconista, mas, às vezes, ocupava o posto de garçonete. E entre as três ou quatro da tarde ela ia embora, às vezes, quando necessário, permanecia mais. Como era o caso daquele dia. Yumi, uma das garçonetes, estava adoentada. O movimento na sexta-feira era sempre mais frenético, então ela só permaneceu ali tempo o suficiente para as coisas se acalmarem mais até Akemi, que cobria o fim de tarde até a noite, chegar.

Caminhou através da pista , quando o sinal para os pedestres abriu. Cruzou um quarteirão e enquanto seguia seu habitual caminho observava a felicidade de muitos ali, que já se preparavam para passar boa parte da noite em bares, shoppings e casas de Karaokê.

Ventava forte naquele fim de tarde, e inevitavelmente um arrepio cruzou a base de seu pescoço, fazendo os pelos dos braços eriçarem. Ajeitou mais o casaco fino em frente ao corpo.

Ela morava com a irmã adotiva, Ino, num pequeno apartamento, enquanto os pais delas em Osaka. Eles nasceram em konoha também, mas, há dois anos, o Pai delas, Inoiche, fora transferido para uma outra filial da empresa de tecnologia que trabalhava .

Sua família adotiva era incrível. A mãe, Noriko, era amável e ao mesmo tempo rígida, tinha muito apreço pelos laços familiares e sempre emanava sua aura protetora sobre a família. Inoiche era um homem calmo e observador, seus trejeitos e pensamentos eram bem tradicionais. E Ino, sua irmã e melhor amiga, era a pessoa em quem mais confiava , ela era sincera e comunicativa , muito prestativa, além de ótima companhia. Costumavam se dar muito bem, mesmo quando brigavam, logo faziam as pazes. Não conseguiam ficar de cara fechada uma para a outra por muito tempo.

Esta fora a família que a acolhera num momento crítico de sua vida, que se compadeceram com a história da órfã que era perseguida e sofria problemas psicológicos causados pelo desaparecimento de uma grande amigo. Eles a aguentaram no pior momento da sua vida, e essa era uma dívida que nunca poderia pagar.

Inspirou fortemente o ar, e sentiu um cheiro maravilhoso de cachorro-quente. Olhou o comerciante ao lado, com um carrinho da comida tipicamente americana. Se ela não tivesse um jantar banhado a pizza com Ino mais tarde certamente pararia ali e compraria um.

À sua volta, reflexos das pessoas tomavam conta de sua visão periférica. Adentrou numa viela pouco movimentada, cortando caminho para o metrô.

Olhou para o lado vendo um casal seguir por onde entrou, ao mesmo tempo que alguns jovens iam mais à sua frente. Agarrou a bolsa com mais força, na lateral do corpo, enquanto apressava o passo.

Ela não poderia dizer que era desconfiada sempre. Mas lugares muito fechados e com pouca luminosidade não lhe agradavam tanto. Os prédios que a rodeavam dos dois lados ,naquele beco, a fazia sentir coisas...Coisas antigas e pesadas.

Fechou os olhos com força, tentando empurrar para longe o bonde de lembranças que sua mente parecia querer lhe jogar. Era irritante a forma como ela não conseguia conter seus pensamentos ruins. Às vezes ela estava na conversa mais trivial do mundo... ‘Bom dia, tudo bem com você?’ e então seus sentimentos mais sombrios apitavam e ela tinha que morder a língua para não soltar um ‘Quando não olho pra meu quarto como a um cemitério eu me sinto ótima’ .Tudo que ela tinha que fazer era se mostrar bem, mas muitas vezes falhava miseravelmente.

Observou o pouco do pedaço do céu a mostra ali. Estava escurecendo aos poucos.

Viu quando os jovens mais à sua frente viraram à esquerda. Sumindo de suas vistas.

Ela cruzou os braços abaixo dos seios. Enquanto uma rajada de vento balançava seus cabelos tonalizados de rosa-bebê.

Estava passando do lado de um amontoado de caixas de papelão quando o corpo foi puxado bruscamente, enquanto uma mão cobriu sua boca. Viu-se em um beco apertado, que era um fundo de um prédio, e mal iluminado. Havia uma caçamba com lixo transbordando ao seu lado.

Seu coração acelerou, ao passo que as mãos suaram.

A pessoa a prensou contra uma parede, enquanto ainda permanecia com uma mão tampando seus lábios e a outra segurava firme seu pulso.

Quando enfim pode ver o rosto de seu ofensor, seus olhos abriram-se em surpresa.

-Saudades, vadia? - A voz levemente conhecida lhe questionou, enquanto aos poucos ele relaxa a mão sobre sua boca - Vou deixá-la falar.- A mão ,que antes cobria seus lábios, foi para o bolso do blusão cinza e de lá retirou um canivete- Mas se gritar, eu te corto em pedacinhos…

Pedacinhos. Aquela velha palavra que marcara um dia perturbador de sua vida , e que agora voltava pela mesma boca de quem a proferiu muitos anos antes.

Ela engoliu em seco. Afugentou as lembranças e focou no rosto do homem que ela odiava com todas as forças. Estava tentando se manter tranquila.

‘Não se desestabilize, Sakura’. Rogou ,como um mantra, para si mesma.

-Mal pude acreditar quando te vi entrar no Byakugou , pela manhã. Você não mudou muito.Tirando esse cabelo ridículo , está com a mesma cara de puta sofrida.- Ele sorriu. Aquele tipo de sorriso que faz o estômago embrulhar e a respiração travar. -Esperei o dia todo para conseguir abordá-la.

-O que você quer?- Perguntou, tão baixo que não se surpreenderia se ele não a tivesse ouvido.

-O que eu quero?- Ele repetiu, de cenho franzido. E então puxou a gola do casaco , revelando a pele bronzeada do ombro, onde ela reparou uma cicatriz esbranquiçada, perto da base do pescoço. -Lembra-se disso aqui?- Ele apontou para o risco, enquanto os olhos pareciam a queimar viva.- Essa merda de cicatriz que você me deu anos atrás? Tudo aquilo me rendeu tempo numa sala de hospital, um processo, alguns dias na cadeia e uma surra do meu pai...Tudo por culpa de quem?

Ela mantinha-se quieta, mesmo que o medo a consumisse a raiva também a dominava aos poucos. Sentia tanto ódio de Kidomaru e do grupinho infame dele. Por culpa deles ela e os amigos de infância foram parar naquela maldita casa, onde Naruto desaparecera.

Fechou os olhos tentando limpar a mente, mas sentiu seu rosto virar ao mesmo tempo que o ardor do tapa que ganhara queimava sua maçã do rosto. Tocou a mão livre sobre a bochecha, ao mesmo tempo que o fuzilava com o olhar.

-Olhe pra mim e me responda, sua vagabunda!- Ele gritou exasperado, a mão ainda erguida perto de seu rosto. - Me responda!

-Sua! Foi sua culpa!- Acusou enraivecida, enquanto cuspia as palavras em seu rosto- Achei que você e sua corja de imundice já tinham desaparecido dessa cidade! Mas deve ser difícil fugir quando você não é bem-vindo em lugar algum, não é ?- sorriu-lhe sarcasticamente, enquanto ressoava lentamente : -Ki- do-ma-ru...

O rosto dele ficara vermelho como fogo, enquanto as narinas inflaram. Talvez não devesse tê-lo respondido. E teve certeza disso quando sentiu um choque rápido e forte contra a boca de seu estômago. Ela gritou de dor, e quando encolheu-se ele a segurou pelos cabelos compridos, fazendo-a olhá-lo.

-Não pretendia matá-la- O nariz dele quase encostava-se no seu, enquanto a respiração rápida chocava-se contra seu rosto- Mas as coisas mudaram, então… Hoje será um péssimo último dia para você, puta descarada!

Viu a mão com o canivete aproximar-se de seu rosto, ela fechou os olhos fortemente, mas antes do ato dele ter um início, uma voz esganiçada e brava fez-se presente :

-Larga essa porra ai ou eu atiro!

Olhou para cima, assim como Kidomaru. No prédio que os cercava naquele beco, numa janela, estava uma jovem ,de cabelos e olhos castanhos ,apontando uma pistola para eles. Ela parecia nervosa e indignada.

-Quem você pensa que é pra me dar ordem?- Kidomaru inflou-se, estufando o peito e a encarando como se estivesse de igual para igual, enquanto uma mão ainda segurava fortemente seu cabelo.

-Eu sou alguém que vai estourar esse enlatado que você chama de cérebro se não soltar a garota agora, seu merdinha!- Dito isso, um clic preencheu o local. Ela havia destravado a arma. Sentiu o aperto em seu cabelo afrouxar. - Solte-a, agora!

Kidomaru a olhava enrubescido. Parecia um touro enchendo o corpo de ódio, como combustível, enquanto mira o tecido vermelho nas mãos de um toureiro. A mão que segurava o canivete tremia um pouco. E ela temeu que só aquela ameaça não seria o suficiente para pará-lo.

-Você vai se ver comigo !- Ele gritou ,depois de um minuto em combustão, para a sua salvadora. E então a olhou, com reflexo de uma loucura que ela vira muito tempo atrás. Ele aproximou-se e ressoou perto de seu ouvido : - E você não viverá por muito mais tempo!- A voz era baixa, mas inegavelmente ameaçadora.

Ele lançou um olhar pesado para a morena e logo depois saiu apressadamente do beco, deixando-a sozinha.

Ela encostou-se na parede, ao mesmo tempo que ouvia o grito da jovem na janela, não entendeu o que era. Sua mente e corpo pareciam fluídos, escorregou até o chão. Sentiu a parede desnivelada arranhar suas costas no processo. Uma mão permanecia sobre a barriga, mas não doía mais tanto assim, havia outras coisas que sua mente focava.

A outra mão foi ao rosto, enquanto um choro silencioso iniciava. Todas os sentimentos que sentira no fatídico dia do desaparecimento do Naruto voltavam para feri-la novamente. Estava trêmula, ao mesmo tempo que o ar parecia mais difícil de respirar.

Recostou a cabeça sobre a parede fria tentando controlar suas lágrimas e sentimentos devastadores. Puxou o ar com força para seus pulmões.

-Ei...- A voz da jovem que a salvara estava ali, bem ao seu lado, mas seus olhos só se concentravam no céu, já escuro. Uma mão cobriu a sua. - Vai ficar tudo bem, venha comigo…

-Eu não consigo…- Disse, afundando o polegar e indicador sob os olhos, tentando segurar outro choro que ameaçava escapar- Eu estou morta!

-Não está, não! - Sentiu-se ser erguida, seu braço cruzou o ombro da mulher.- Você está viva, e vai permanecer assim! Vamos…

Lembrou-se que ficou na casa da jovem que a salvara por um tempo. Era Tenten seu nome. Ela tinha uma arma falsa, e quando pensava no quanto aquilo poderia ter dado ruim pra ambas seu estômago se contorcia.

-Ino me buscou. Fomos para casa, depois de muito agradecer a Tenten… Ela havia apontado uma arma falsa pra ele, acredita?

- Acredito.- Tsunade deixou seu ar observador de lado por alguns instante- É bom saber que há pessoas que mesmo não nos conhecendo podem se importar conosco, não é mesmo?

Sakura acenou positivamente, com um meio sorriso. Tentem parecia ser esse tipo de pessoa, mas não era um tipo comum. A maioria só observa você se foder, isso enquanto mentem pra si mesmos dizendo que não podem fazer nada a respeito.

-Você deu queixa de Kidomaru?- Tsunade cortou seus pensamentos, fazendo ela lembrar-se de algumas horas mais cedo.

-Sim... Hoje de manhã eu fui na delegacia com Tenten. Ontem não estava com cabeça para nada.

-Eu entendo , você fez o certo.- Tsunade começava a emergir na sua aura investigativa novamente, enquanto via Sakura inquieta. A jovem balançava o pé esquerdo num ritmo rápido, enquanto as mãos fechavam-se de diversas formas uma sobre a outra. Ela sabia que a paciente estava se preparando para perguntas, coisas que detestava, mas sabia que era necessário para a melhora de seu estado. - Conseguiu dormir bem?

-Não muito… Quando cheguei em casa com Ino me desvencilhei das muitas perguntas dela, alegando estar cansada, o que de fato estava, e fui deitar… Mas minha mente estava alerta, então foi difícil pregar o olhos por um longo tempo.

- E no que você pensou, neste tempo acordada?

-Muita coisa… Muita mesmo.- Suspirou pesadamente criando coragem para abrir-se tão profundamente uma vez mais- Eu sempre venho tentando esconder meu passado dentro de mim num baú a sete chaves e ontem, com a aparição de Kidomaru, tudo que me aconteceu voltou, mas de forma um pouco diferente, eu acho...

-Diferente como?

-Eu sempre estive incerta sobre o que aconteceu naquele dia, se fora minha mente deturpada que criara toda uma situação...- Sentiu o aperto no peito, enquanto abria um pouco do seu baú pessoal- Ou se, mesmo que inexplicavelmente, meus olhos realmente viram o que viram. Então Ontem, de alguma forma, eu retornei pra anos atrás, me senti com quatorze anos, desesperada, com raiva e muito sensitiva de que algo ruim estava acontecendo, mas diferente daquela época, eu me senti mais corajosa e apta para realmente enfrentar o que aconteceu e como eu sou….

-Você sente, agora, que acredita mais em si mesma do que nos outros?

-Sinto.- Olhou Tsunade que anotava algo em sua caderneta, enquanto sentia-se diferente por estar tão aberta e não estranhar isso como costumeiramente- Mas essa coragem ainda me é falha como uma pequena chama de vela, que a qualquer momento pode apagar…

-Até mesmo uma pequena chama pode causar uma mudança tremenda, então alimente-a e observe-a com o cuidado de uma mãe com seu filho- Tsunade observou a menina que estava com o olhar perdido , enquanto os braços estavam cruzados sobre o peito e as mãos cravadas na carne no antebraço- Como você se sente agora é o recomeço da sua própria verdade, então não deixe que ela se perca novamente .Se for demais conversar comigo sobre isso, ou com alguém próximo, fale pra você mesma, deixe-as vir à tona, não a enxote como se fosse um rato de esgoto...Questione-se, viva-a e encare-a como um pescador encara a tempestade no mar, com medo de sucumbir, mas, ainda assim, fazendo o possível para manter-se de pé. Você já se perguntou o porque de tudo isso ter acontecido com você?

- A resposta é tão simples… Eu era órfã, era medrosa, vivia correndo de encrencas , mas ainda assim me enfiava nelas...

-Você acha que se fosse enfrentar essa situação, como uma menina que sempre teve os pais, por exemplo, teria sido de alguma forma diferente?

-Acho que sim…

-Você teria sofrido diferente então?

-Provavelmente não.

-Sua força é baseada no que? Vem de onde?

-Eu não sei, acho que vem das circunstâncias, ou talvez das pessoas… ou ambas as coisas.

-Muitas vezes acreditamos não sermos capazes de carregar o fardo que nos foi dado, mas você está aqui hoje, e está mais por você do que por qualquer outra coisa. Só por querer estar viva e lutar pra isso mostra que não foi uma pessoa ou uma circunstância que a fez aguentar tudo. - Tsunade viu Sakura engolir a seco , e fechar os olhos enquanto o rosto corava- E se justamente por ser quem você é esse peso lhe foi entregue? Como uma forma de você se encontrar e restabelecer os alicerces de uma vida que fora atormentada por coisas que achava ser fraquezas…

-Não vejo como uma infância sem pais e a morte de meu melhor amigo pode ser algo benéfico para me fazer melhor…

-Naruto morreu? -Tsunade questionou, levemente surpresa. Sakura só o tratava como um desaparecido. Aquilo a deixou ligada para que conseguisse trazer mais da Sakura de anos atrás, envolta de uma mais corajosa.- Você nunca se referiu a ele desse jeito…

- Porque era o que eu não queria acreditar...Depois do que aconteceu, não tem como ele estar vivo. - Sakura passou ambas as mãos no rosto, enquanto as pernas tocavam o chão. Tsunade sabia que ela não falaria mais nada. Suspirou frustrada- Me desculpe, mas acho que não estou mais tão disposta a falar sobre isso. Podemos marcar para outro dia?

-Como você quiser. - Tsunade levantou, tirou os óculos e colocou sobre a mesinha ao lado da poltrona e quando menos esperava fora surpreendida com um abraço da jovem. Retribuiu, meio sem jeito, enquanto a cabeça de Sakura encaixava-se na base de seu pescoço. Sorriu enquanto observava pela grande janela de seu consultório o pôr do sol.- Sabe, uma vez quando eu era jovem meu gato,Helice, que eu tinha desde meus três anos, morrera atropelado. Eu tinha onze anos na época, estava numa fase difícil com as garotas do meu colégio. Lembro que elas usaram isso pra me atingir, costumavam falar “Nem o gato dela aguentou ficar perto, tadinho, teve que se matar!”, e eu sempre encarava aquilo como uma provocação que não valia a pena. Até que um dia a Aiko, uma garota tímida e que era mais pertubada do que qualquer um naquele lugar, tinha sofrido a mesma perda que eu, e aquelas garotas más passaram a provocá-la. Eu via que aquilo surtia muito efeito nela do que em mim. Numa tarde, enquanto caminhava pra casa, vi aquelas meninas do colégio, elas riam enquanto Aiko estava na caixa de areia das crianças, no parquinho, comia areia como se fosse salgadinho, empurrava a mão cheia na boca, enquanto vários farelos caiam sobre o colo. Tinha lágrimas nos olhos. - Sakura desencostou-se dela e a olhou profundamente, via o balançar de águas nas íris esverdeadas da jovem - Sakura, ou você é subjugada pelos seus problemas a comer areia, ou você enfia a mão na cara deles. Foi o que eu fiz naquele dia, por mim e pela menina. Quando eu digo que você é uma mulher forte, você é! Talvez alguém no seu lugar não teria conseguido lidar com tudo isso. Algumas coisas, algumas péssimas coisas podem nos dar forças pra fazer algo extraordinário. Você só precisa acreditar nisso.

 

* * *

 

O vento batia forte contra o rosto. Os cabelos não paravam um segundo sobre as costas.

Ascendia um cigarro, a mão curva em frente aos lábios tentando manter a chama do isqueiro distante do vento. Viu a ponta alaranjar-se vibrante e consumir um pouco do papel e do tabaco. Tragou, a fumaça escapou pelo nariz.

Observou dali, no terraço do prédio em que morava, a rua calma a vinte metros abaixo de si. Os olhos verdes percorreram o horizonte, as casas tradicionais, alguns prédios baixos. Carros estacionados, uma pessoa ou outra vagando. Era nove horas da noite. O céu escuro, bonito, com nuvens acinzentadas e pontos brilhantes no céu. Uma lua cheia e amarelada. Ela lembrou-se da pintura que havia na casa da floresta.

Ouviu o som pesado da porta de metal alguns metros atrás de si. Alguns segundos depois uma presença, um pouco mais alta que ela, se prostrou ao seu lado.

-Está tudo bem contigo?

-Sim.

-Achei que tinha parado de fumar…

-Também achei.

Sentiu o cigarro escapar de seus dedos quando Ino o puxou delicadamente e levou aos lábios, dando uma tragada, enquanto os olhos azuis pareciam querer descascá-la, como a uma tangerina, ansiando por todo seu conteúdo.

-Seu olhar esta diferente. - Ino falava com seu tom sério e levemente triste. Algo que não combinava com ela.

E ela não podia deixar de se sentir culpada, já que Ino era sempre muito receptiva a todo o emaranhado de sentimentos que a encobria.

-Eu me sinto diferente, mas pra melhor posso dizer. - Tomou o cigarro das mãos da loira, enquanto uma fumaça rala cruzava entre elas. -Pedi demissão do meu emprego hoje. Yoki lamentou muito.

-Claro que sim, você estava lá a tanto tempo, ele gosta muito de você. - Encostou o cigarro nos lábios e puxou todo aquele conteúdo tóxico para seus pulmões. Odiava cigarros, mas as vezes lhe parecia um mal necessário. Na verdade, qualquer coisa que lhe acalmava os ânimos parecia. Ino tocou sua mão sobre o parapeito.- Ele deve entender que seria perigoso pra você continuar lá, ao menos enquanto Kidomaru não é achado.

-Sim, ele compreendeu.

-Você vai ficar bem, ainda tem a faculdade pra terminar, pode arrumar outro emprego se quiser. Ou poderia ate ir passar um tempo na casa da mãe e do pai, eles ficariam menos preocupados.

-Fugir e me esconder não é algo que eu queira agora.

-E o que é que você quer fazer?

- Sinceramente?- Passou o cigarro pra Ino e observou o céu escuro acima, tão escuro quanto coisas medonhas poderiam ser. - Queria ser coberta com toda a coragem do mundo e dar um murro na cara do meu mais tenebroso e implacável problema…

 


Notas Finais


Bom, é isso.
A calmaria ira perdurar por mais alguns capítulos, o desenrolar vai ser um pouco lento minha gente. E mais uma vez, eu tenho capítulos prontos que precisam de correções e inserções de novas coisas. Confesso que estou um pouco desanimada e a coisa n ta fluindo muito do jeito que eu gostaria. Mas to fazendo o melhor que posso com as ideias que tenho.

Até o próximo! : *


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