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História O pacto - Capítulo 14


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Capítulo 14 - A norte de Madalena


 Levir não esperou o almoço ficar pronto e saiu em busca do rancho de Luiz seu velho amigo, ele caminhou lentamente pelas ruas do vilarejo, passou pela praça e cumprimentou um pequeno grupo que jogava conversa fora, passou enfrente ao um imenso casarão de fachada azul e uma bela varanda, era a casa da cidade do velho coronel Itamar, Levir cuspiu no chão e fez uma figa quando o coronel passou por uma janela.

O vilarejo não era grande, na verdade era muito menor do que se lembrava, e não foi difícil de encontrar o sítio, ele estava no mesmo lugar onde o deixou porem desta vez esta muito mais próspero, no lugar que antes existia uma modesta plantação agora abrigava uma imensa lavoura de café, uma de milho, tinha um grande pomar e um curral repleto de gado; a casa agora era grande e rodeada por uma varanda colonial emoldurando as portas e janelas de madeira maciça pintadas de azul.

__ Oh de casa __ gritou Levir batendo palmas.

Ele repetiu o gesto por mais três vezes até que um senhorzinho de baixa estatura abriu a porta e saiu na varanda ele usava uma calça cinza segurada por um par de suspensórios vermelhos e um chapéu de palha.

__ Boa tarde __ cumprimentou Levir ao senhor __ estou procurando um homem chamado Luiz.

__ Espero que você seja amigo porque Luiz sou eu __ o velho deu-lhe um largo e belo sorriso.

__ Se o senhor ainda me considerar.

__ Quem eu devo considerar? __ perguntou Luiz.

__Eu, Levir __ ele sorriu meio sem graça.

Luiz precisou se segurar em uma grade feita de madeira para não cair, retirou o chapéu de sua cabeça e com os olhos cheios de lágrimas abriu os abraços para Levir que não perdeu tempo e correu para abraçar o velho amigo.

__ Dadá corre aqui venha ver quem voltou __ gritou Luiz.

E logo uma mulher tão velha quanto ele, porém bem mais alta, tinha os cabelos amarrados em um coque e usava óculos com formato de meia lua.

__ Olha mulher quem voltou __ ele puxou Levir pelos braços __ é o Levir.

A mulher não esboçou nenhum tipo de sentimento, apenas ficou parada ali o observando por alguns segundos.

__ Nunca desejei o mau para ninguém, mas eu queria que você tivesse morrido __ respondeu ela com a boca tremula, seu olhar bondoso perdeu a luz e uma lágrima se formou em seus grandes olhos azuis, Levir sentiu uma imensa tristeza vido daquela senhora que lhe as costas e o deixou sozinho com Luiz.

Levir ficou paralisado com a atitude daquela senhora que em outros anos o tratara como um filho e agora cultiva desprezo por ele.

__ O que aconteceu? __ perguntou Levir.

__ Dadá ficou assim depois que Madalena morreu.

__ Madalena morreu? __ Levir sentiu como se tivesse levado um soco no estômago, suas pernas ficaram bambas, o ar sumiu de seu peito e pela primeira vez em vinte anos ele não sabia o que fazer __ Como assim? O que aconteceu? Como foi que isso aconteceu?

__ Há meu amigo as coisas não foram fáceis para Madalena depois que você partiu, ela sofreu muito, entrou em um estado de dar dó, não queria mais sair da cama, mal se alimentava. Dadá e eu fizemos de tudo para reanima-la, mas nada dava certo, ela pedia pela morte todos os dias e um dia a morte veio e a levou, bem no dia do nascimento de seu filho __ Luiz sentou em uma bela cadeira de balanço e acendeu um cachimbo, deu uma longa tragada e acenou com a cabeça para Levir tomar acento ao seu lado.

__ Mas como? __ perguntou Levir com as lágrimas chegando ao pescoço.

__ Morreu no parto __ Luiz deu mais uma longa tragada em seu cachimbo, tirou um pequeno chumaço de fumo e o reabasteceu __ muitos dizem que ela morreu de tristeza.

Um pequeno filme passou pela cabeça de Levir, ele começou a se lembrar de suas vidas de como eles se conheceram de seu casamento, de todos os momentos felizes que viveram juntos, mas acima de tudo pensou em tudo o que fez em nome dela, pensou em sua alma que agora além de perdida estava só.

__ E a criança? __Levir tirou um charuto do bolso e o colocou na boca enquanto Luiz se esticou para acendê-lo __ o que foi feito dela?

__ Dele __ respondeu Luiz __ Madalena deu à luz a um menino, eu mesmo cuidei dele, como se fosse meu filho e Dadá só faltou amamenta-lo.

__ E onde ele está? _enfim um sorriso saiu de seu rosto __ Como se chama? Eu quero conhece-lo.

O sorriso de Levir foi contagiante, Luiz fechou os olhos e sorriu, sempre sorria quando falava de seu filho adotivo.

__ Ele se chama Davi, ele é um rapaz de ouro, estudioso, bonito, se parece com você meu amigo, estudou em colégio interno e agora e frei em nossa cidade.

Levir parecia ter levado outro soco no estômago, queria vomitar, tinha vendido sua alma ao diabo em troca de um dia poder se vingar e retomar para sua família e agora se via totalmente sozinho, sua mulher morta e seu filho jamais o entenderia ou pior jamais o perdoaria.



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