História O Passo Perfeito - Capítulo 38


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Categorias A Seleção
Personagens America Singer, Eadlyn Schreave, Kile Woodwork, Personagens Originais
Tags A Coroa, A Herdeira, A Seleção, Balé, Ballet, Dança, Eadlyn, Eadlyn Schreave, Kile, Kile Woodwork, Romance
Visualizações 394
Palavras 2.671
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá queridos leitores!!

Voltei com um capítulo, e com uma novidade. Mudei a capa, gostaram?

Capítulo calminho depois daquele anterior. Espero que gostem!

Boa Leitura!
Desculpa qualquer erro!!

Capítulo 38 - Dias Chuvosos


Fanfic / Fanfiction O Passo Perfeito - Capítulo 38 - Dias Chuvosos

— Você não fez isso — nego começando a rir, esperando que ela ria junto e confesse que é uma grande brincadeira. — Ande, Eadlyn, diga...

— Dizer o quê? Que eu estraguei a vida da minha melhor amiga? Que por minha causa ela perdeu a sua grande chance? É isso que quer ouvir?

— Você não fez — repito mais uma vez, travando minha mandíbula, sentindo a raiva tentar me tomar.

— Eu fiz. E agora, Kile Woodwork? Você ainda consegue dizer que me ama sem sentir nojo de mim e de si mesmo? Você ainda acha que não sou igual a America?

— Você continua não sando ela — aviso tentando controlar a raiva em minha voz, mas minha tentativa é falha.

Por algum motivo que não sei explicar, ou melhor, por um motivo que não quero admitir, não posso mais olhar no rosto inchado de Eadlyn, não posso ver as lágrimas que se acumulam em seus olhos. Saio da minha cama e caminho devagar até a porta, assim que saio por ela e a fecho, ouço um soluço de Eadlyn, que é prosseguido por outros.

Respiro fundo, me encostando na porta, lutando contra todos meus instintos para não voltar até lá. Mas eu sou fraco, completamente fraco quando a vejo nesse estado. Não consigo deixar o que aconteceu no passado tirar a preocupação que sinto por ela, apesar de minha mente ecoar dezenas de vezes que ela magoou a minha melhor amiga, mesmo que lembre com perfeição como Bia se sentiu com tudo aquilo, não consigo a odiar. Ela está chorando... Está sozinha, sem seu pai para te abraçar, sem seu irmão, sem Bia.

Ela disse que não era a vítima de sua história, disse para eu não vê-la assim, mas mesmo com tudo que fez não consigo tirar da minha cabeça que todos seus erros foram baseados em apenas uma coisa: conquistar o afeto de America.

Céus, como eu posso odiar uma pessoa tanto assim? Como posso detestar uma pessoa com quem falei apenas algumas vezes na vida? Eadlyn é sua filha! Não consigo a entender, talvez antes de Lou até pudesse, mas agora que tenho uma filha sinto tanto repulsa de um ser como ela. Eu faço qualquer coisa por Lou, como disse dias atrás ao meu entrevistador ela é minha prioridade, eu largaria tudo por ela, minha carreira, meu sonho, abriria mão de tudo para a fazer feliz. E não importa quem ela é nem quem será. Eu apenas a amo, de uma forma que não sei explicar. Ela pode ser médica, bombeira, atriz, bailarina, não importa o que escolha, a única certeza que tenho é que o dia que ela der o primeiro passo em direção ao seu sonho eu estarei lá para aplaudir, ou melhor, para chorar de alegria. Estarei lá em todos seus passos, em todos seus momentos felizes e tristes, estarei lá quando ela estiver chorando porque a vida foi dura com ela e a acolherei em meu colo e cantarei suas músicas preferidas. Será sempre assim! É um pedaço de mim, como se minha felicidade dependesse da dela.

Jamais, nem sob tortura, diria o que America diz a Eadlyn, jamais a trataria da mesma forma. Então, como? Como a mulher que deu à luz a alguém pode tratar sua filha assim?

Bruscamente, sem dar tempo da minha consciência se opor a essa ideia, entro novamente no quarto, não olho para o rosto de Eadlyn, apenas me sento ao seu lado mantendo o olhar fixo no chão.

Eu não posso a deixar sozinha, suspiro. Cedendo ao desejo do meu coração enrosco minha mão na sua e continuo assim pelo resto daquela noite agitada, enquanto ela chora tanto ao ponto de perder ao ar por uma dezena de vezes.

∞∞Eadlyn Schreave∞∞

Eu nunca ligo o rádio da cozinha, nunca, nunca mesmo. Mas naquela manhã, onde Angeles parece ter se esquecido que estamos no verão e amanheceu com o céu completamente cinza, sinto a necessidade de algo para preencher o silêncio doloroso que há no meu apartamento.

Silêncio... A frase ecoa em minha mente, enquanto deslizo um pano branco pelas janelas de vidro acima da pia da cozinha, que têm uma ótima vista de Angeles e quando os dias estão bons suprem a necessidade das luzes artificiais. Meses atrás estava acostumada com ele, com o silêncio ensurdecedor dessa casa, eu me acostumei com ele, mas isso mudou quando Kile e Lou chegaram. Ela, com seus gritinhos alegres e empolgados. Ele, com sua aversão ao silêncio e mania de sempre cantarolar alguma música.

Mas hoje, o único som ouvido nesse lugar é a voz de Cloves, que parece atingir diretamente ao meu coração enquanto canta a canção Don’t forget about me.

Se eu cair, você pode me puxar para cima?

Ontem à noite foi mais uma noite ruim. Mais uma para coleção. Aqueles eu te amo estavam me sufocando. Ouvir aquilo e saber que não mereço, sentir que estava o enganando, estava me matando pouco a pouco. A parte que ele conhecia de mim era boa, não era perfeita, mas não era ruim. Com as luzes acesas conseguia controlar meus fantasmas, com America longe podia esquecer os danos que ela causou. Havia os dias ruins, eles existiam, mas eram poucos.

Mas ele não conhecia a Eadlyn que eu conheço. A que invejou ao seu irmão e a sua melhor amiga. A que era capaz de tudo para conquistar o que queria. A parte suja de mim. A parte que não é bonita.

É verdade, você está olhando e quando eu estiver cansada, irá se deitar comigo? 

E depois dos meses ao seu lado, depois de ver todos seus atos nobres de estar ao meu lado nos momentos mais difíceis, ao presenciar o jeito que ele ama Lou, ao escutar sobre suas preocupações com sua família e ao ver seus olhos brilharem de uma forma tão doce quando ri daquela forma tão pura dele, percebi que eu não o mereço. Não quero que pense que estou me rebaixando, é apenas a verdade. Eu não sou o que Kile Woodwork precisa, não sou o que merece.

Na minha cabeça, então eu posso dormir sem você?

A mulher que ele ama tem que o merecer, a cada dia tem que tentar ser uma pessoa melhor para ser digna de tudo aquilo que Kile tem a dar. Ele é incrível. Bem, às vezes ele realmente é insuportável, mas na maior parte das vezes é incrível. Eu o conheço desde que éramos crianças, e posso jurar que seu sorriso continua com o mesmo jeito levado, há também sua curiosidade, aquela que o faz passar uma noite em claro lendo um livro e depois parecer um zumbi por conta do sono mesmo tendo acordado após o meio-dia. E há suas manias também, a sua bagunça organizada, os seus inseparáveis óculos, o seu pijama ridículo, o Kile sem café versus o Kile com café.

Ah, e também tem que estar preparada para acabar ficando parecida com ele, adianto que tentar usar o método dele para esquecer limpando tudo não é uma boa solução. Não serve para nada, constato, quando todos os vidros estão impecáveis, mas minha cabeça continua cheia de Kile Woodwork.

Suspiro pesadamente, deixando o pano na lavanderia e logo depois volto para cozinha. Abro a geladeira e começo a separar todos ingredientes que precisarei para fazer cookies.

Enquanto misturo os ingredientes em uma vasilha, desvio meus olhos até a porta... nada. Ele ainda não chegou e pelo visto, não chegará tão cedo. Pela manhã ele saiu com Lou, não disse onde ia e eu também não perguntei. Pelo seu rosto, soube que ele não quer falar comigo. E era isso que eu queria, não é? Quer dizer, é isso que quero? Quando contei tudo aquilo a ele queria me livrar do peso de achar que estava o enganando, queria que ele notasse que não me encaixo no grupo de pessoas que ele ama e sim no que ele detesta, ou melhor, no grupo de pessoas com as quais ele não se importa. Kile não odeia ninguém, não importa o que tenha feito. Não sei se acho isso um defeito ou qualidade.

Eu sabia meses atrás que deveria me manter longe, sempre soube que Kile Woodwork era perigoso demais para mim. Mas meu idiota coração se aproximou, se apaixonou. Eu já deveria estar pronta para isso, para o momento que ele se afastaria, eu provoquei isso, mas apesar de fazer apenas algumas horas que ele está longe já me sinto diferente.

Hey, hey, sem você há buracos na minha alma

Ou melhor, me sinto como me sentia antes de ele aparecer: sozinha.

Se acontecer alguma coisa, se por acaso eu deixar essas idiotas lágrimas escorrerem mais uma vez e acabar perdendo o fôlego por conta delas, ele não estará aqui para me dizer que vai ficar tudo bem.

Hey, hey, deixe a água entrar. Para onde você foi? Como, como, como? Eu só preciso saber que você não vai esquecer de mim

Saio dos meus pensamentos em um susto ao ver a porta que minutos antes eu encarava se escancarar. O ar pesado parece sumir no exato momento que Kile Woodwork entra no apartamento, tendo o que parece ser uma crise de riso junto com Lou, enquanto encara seus sapatos ensopados pela chuva que fazem um barulho engraçado soltando água enquanto ele caminha.

— Meu Deus, Princesinha. Você viu aquilo? Nosso guarda-chuva... puff! — Ele estala a boca, o que faz Lou rir mais ainda. — Eu disse que não deveríamos ter ficado até tão tarde no parque — ele diz em tom reprovador, enquanto empurra a traseira do seu sapato usando seu pé direito, e faz o mesmo processo no outro, se livrando dos calçados encharcados e logo depois das meias molhadas também.

Lou parece completamente seca, até mesmo a touca que protege sua cabeça do vento não tem nenhum vestígio de chuva.

Kile ergue a cabeça e me pega encarando aos dois. Ao contrário do que previ ele não fecha o sorriso, apenas diz:

— Nosso guarda-chuva voou quando chegamos na porta do prédio.

— Está tudo bem? — Me ouço dizer com a voz trêmula.

— Está, apenas tive que explicar para a velhinha do 48 o porquê de Lou estar tendo a maior crise de riso do século. Aí ela me alertou dizendo que Lou é muito nova para rir tanto desse jeito, que pode ser perigoso, mas eu não sabia como a fazer parar. Fiquei tão nervoso ao ver a preocupação da mulher e não saber como fazer algo que comecei a ter uma crise junto com a Lou. Nós quase matamos a mulher, ela não aguentou e começou a rir junto a nós — ele explica falando rapidamente enquanto vem até a cozinha, coloca Lou sentada em uma parte vazia do balcão e tira seu casaco, enquanto continua a dizer: — Minha preocupação só triplicou. Já pensou o que aconteceria caso o coração da velhinha não aguentasse rir tanto e ela acabasse tendo um treco junto comigo dentro do elevador?

— Você usaria suas próprias meias para limpar o recinto onde a velhinha morreria — suponho, desviando meus olhos para a mistura marrom que se formava, tentando esconder meu sorriso por conta da tal história.

— Que horror, Eadlyn. Imagine, Lou ficaria traumatizada ao ver uma idosa morrer de tanto rir!

— Pelo menos ela morreria feliz — conto, sem conseguir deixar de rir instantes depois ao perceber o quanto minha piada foi idiota.

— Deus... você não vale nada, Schreave. Que horror, da próxima vez que Lou cismar de ter uma crise de riso vou subir pelas escadas para não ter que passar por uma situação dessas.

— Ei, princesinha — chamo fazendo Lou imediatamente olhar para mim. — Eu te amo, amo sua risada, mas tenho que dizer que ela assusta as pessoas que não estão acostumadas. Tente se conter na frente de pobres idosas.

— O que você está fazendo? — Kile pergunta curioso, encarando à massa com pedaços de chocolate.

— Cookies.

— Você sabe fazer isso? — pergunta cauteloso, erguendo uma sobrancelha.

— Quem não sabe?

— Eu! — Ergo meu rosto sem acreditar naquilo. Kile sabe cozinhar, melhor do que eu até. Como não saberia fazer cookies? — A receita é complicada, os meus nunca ficam crocantes, ficam parecendo um bolo.

— Você deve fazer a massa errada — suponho. — Ela tem que estar assim. Está vendo a textura? — pergunto, pegando a massa em uma colher e logo depois a deixo cair mostrando a massa mais firme que a de um bolo.

— Eu não acredito nisso — ele nega, balançando a cabeça. — Eu sou o recatado, eu que deveria saber fazer cookies, não você, no máximo deveria saber como fazer salada.

— Ei, é impressão minha ou você está dizendo isso só por que sou bailarina?

— Estou dizendo isso só porque você é você. Não tem cara de quem sabe fazer cookies. Eu tenho cara de quem faz cookies na manhã de natal com enfeites em verde e vermelho e também compra pijamas iguais para toda minha família. Sem contar as bengalas doces, sabia que eu não sei fazer bengalas doces? Assim minha moral de recatado já era!

— Eu sei fazer bengalas doces — conto, abrindo um sorriso ao ver sua completa indignação.

— Por que está nessa estação de rádio triste? Deus do céu, me sinto em um enterro — ele diz, colocando Lou em sua cadeira e logo depois segue pro rádio que está em cima de uma bancada lateral à pia e muda de estação. — Olha, uma das minhas músicas preferidas.

— Essa música é triste — aviso, notando qual música se inicia.

— Não é não, ela é música de dias chuvosos, combina com hoje.

— Claro — concordo, com certeza aquela música é de dias chuvosos e tristes na minha interpretação.

Coloco os pequenos montes de massa em uma assadeira enquanto Kile bate levemente ao pé acompanhando o ritmo da música e quando ele começa a cantar, não consigo me conter e sou obrigada a desviar minha total atenção para ele:

Tudo isto parece estranho e irreal e eu não vou perder nem um só momento sem você. Meus ossos doem, minha pele está fria e eu estou ficando tão cansado e velho. — Ele está encostado no balcão, os olhos fechados, enquanto Open your eyes em sua voz soa de uma forma diferente para mim agora. — A raiva me corrói por dentro e eu não vou sentir esses pedaços e cortes. Eu quero tanto abrir seus olhos porque eu preciso que você olhe dentro dos meus.

Por um breve momento desvio os olhos para Lou, ela está imóvel, assim como eu encara Kile e não parece estar disposta a desviar sua atenção dele.

Deus, como eu pude ter esquecido como ele canta bem? Quando ele canta mesmo, sem contar os momentos de lamento ou brincadeira, quando ele realmente coloca sua voz para fora, quando mostra ao mundo o talento que tem?

Me diga que você abrirá seus olhos, me diga que você abrirá seus olhos, me diga que você abrirá seus olhos, me diga que você abrirá seus olhos.

 Os movimentos dos seus pés tornam-se mais rápidos assim como o ritmo da música, sua mão entra no número e começa a batucar levemente a madeira do armário. A voz aveludada torna-se mais alta e parece acariciar minha pele, deslizando por ela até encontrar os meus ossos, depois segue até o meu coração, formando uma sensação inexplicável de segurança e conforto.

Levante, vá embora, saia de perto desses mentirosos porque eles não têm sua alma ou sua chama. Pegue minha mão, entrelace seus dedos entre os meus e nós sairemos deste quarto escuro pela última vez. — Sua voz volta a ser tranquila, soando um pouco mais baixa e os movimentos de sua mão e pé diminuem a velocidade.

Ele repete o refrão por mais duas vezes, até que encerra cantando o último trecho:

Tudo isto parece estranho e irreal e eu não vou perder um só momento sem você.

Seus olhos se abrem, não tenho tempo de desviar os meus, nossos olhares se encontram. Eu não tenho coragem de desviar. Nem ele. A música soou diferente não apenas para mim, para ele também.


Notas Finais


Até o próximo!!

Músicas citadas no capítulo:

Don't Forget About Me - Cloves: https://www.youtube.com/watch?v=kM1wb2hXLws
Open Your Eyes - Snow Patrol: https://www.youtube.com/watch?v=fk1Q9y6VVy0

"Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso
Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa
Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir
Preso em marcha ré

Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Quando você ama alguém, mas é desperdiçado
Poderia ser pior?

Luzes te guiarão até em casa
E aquecerão seus ossos
E eu tentarei consertar você" — Fix You - Coldplay


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