História O Passo Perfeito - Capítulo 77


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Categorias A Seleção
Personagens America Singer, Eadlyn Schreave, Kile Woodwork, Personagens Originais
Tags A Coroa, A Herdeira, A Seleção, Balé, Ballet, Dança, Eadlyn, Eadlyn Schreave, Kile, Kile Woodwork, Romance
Visualizações 125
Palavras 1.757
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá queridos leitores!!

Espero que gostem.

Boa leitura!!
Desculpa qualquer erro!

Capítulo 77 - "Legal"


Fanfic / Fanfiction O Passo Perfeito - Capítulo 77 - "Legal"

Eu perdi as contas de quantas vezes reli essa carta, quer dizer, quantas vezes repeti para mim mesmo aquelas palavras, palavras as quais minha melhor amiga escreveu especialmente para mim, para me confortar após sua partida. Mas, ao contrário do efeito esperado, aquelas palavras não eram capazes de amenizar nem ao menos dez por cento da minha dor.

Ela morreu. Eu repetia. Repeti dezenas de vezes. Mas isso não entra na minha mente, de forma nenhuma. E talvez, nunca entre.

Seu enterro ocorreu há duas semanas, Eadlyn foi, eu não. Eu segui seu desejo, lembrarei apenas de como ela era, incrível, com os olhos cheios de brilho, os cabelos balançando sem parar porque ela não conseguia me contar algo sem se empolgar demais e mexer compulsivamente suas mãos e cabeça.

Eadlyn tentou me animar. Inúmeras vezes. Procurou receitas diferentes de café, um com menta, um gelado, e um cappuccino capaz de superar qualquer um encontrado nas cafeterias de toda Angeles. Além disso, tinha uma ajudante especial, Lou deixou de lado todas suas bonecas e comprou peças de madeira com estampa de tijolos para que pudéssemos construir casas. Eu brinquei com ela, dei o meu máximo para ser um pai bom, mas... pelos seus olhos azuis preocupados que desviavam das peças às vezes e as falhas no sorriso que ela tentou manter para me alegrar, sabia que não, eu não estava fazendo um bom papel.

— Adam ligou — Eadlyn diz, chegando em casa após ir ao mercado. Ela está vestindo um suéter bonito, eu amo quando ela usa suéteres, acompanhado por um cachecol verde-escuro e por cima de tudo um sobretudo preto aberto que deixa sua barriga levemente saliente amostra. Ela está linda, inegavelmente linda, mas mesmo que deva isso a ela, mesmo que sinta que é minha obrigação sair desse mar escuro que me encontro, e como Bia me pediu, elogiá-la e estar ao seu lado nesse momento especial, eu simplesmente não consigo.

Eu estou triste, completamente deprimido, do tipo de tristeza que nos faz querer gritar com nós mesmos coisas do tipo “ei, sai daí. É um lugar perigoso, você não pode ficar aí”, mas, ao mesmo tempo nos falta energia para lutar e sair. Simplesmente deixo o tempo passar, o luto resolver ir embora sozinho, para que assim eu possa voltar a ser eu novamente.

— Mandou chocolates, o entregador deixou na portaria já que você não atendia o interfone — ela diz, erguendo a mão com uma sacola.

— Obrigado — respondo, no automático, desviando o olhar para a tevê ligada. Puxo mais a coberta para cima, cobrindo até ao meu pescoço.

— Você poderia buscar Lou na escola hoje... por favor.

— Eadlyn.... — iria dizer que não, que não sinto um pingo de vontade de sair desse sofá, mas sua voz me interrompe.

— Eu não estou me sentindo bem... mas, se você não puder ir, eu vou. Tudo bem...

— Você está bem? — pergunto, desviando meus olhos para seu rosto.

— Sim! Está tudo bem — ela diz, forçando um sorriso, parada ainda ao lado da porta, no mesmo lugar que ela está desde que chegou.

Eu respiro fundo. Uma. Duas. Três vezes.

Eu jogo a coberta para longe de mim, minhas pernas doem, todo o meu corpo na verdade, mas eu o obrigo a se erguer.

— Eu vou, está tudo bem. Você precisa descansar! — digo, pegando minhas chaves e desviando dela, saindo pela porta antes que a melancolia aconchegante do sofá me sugasse de volta para ele.

Eadlyn Schreave

Eu tive que encostar três vezes o carro no acostamento para vomitar. Três vezes. Sem contar o fato que após vomitar tudo, absolutamente tudo que havia dentro do meu estomago, eu precisava de alguns longos minutos para me recuperar da insistente tontura.

Eu demorei o triplo, ou melhor, o quádruplo de tempo, já que Angeles está sem nada de trânsito hoje, para chegar em casa após fazer compras no mercado. Não consegui tirar as compras do porta-malas. E ele? Ele nem percebeu. Eu poderia ter morrido na rua, que ele nem notaria. Os policiais ligariam dezenas de vezes para ele, porém, ele não atenderia ao telefone. Depois, ligariam para o celular de Bia, e também ninguém atenderia. Eu morreria como indigente. Sem ninguém. E talvez, ele só notaria que não voltei do mercado após cinco dias, quando percebesse que não há mais comida na geladeira. E Lou? Pobre Lou, viveria para sempre na escola.

Okay, talvez seja exagerado, mas os meus malditos hormônios da gravidez fazem isso tornar-se uma possibilidade tão real que assim que Kile fecha a porta de saída, eu começo a desabar em lágrimas.

Ele está mal, okay. A melhor amiga dele morreu. Mas, também, ela era a minha melhor amiga. E todos, absolutamente todos meus sentimentos estão à flor da pele. Mas, eu simplesmente não posso sentar no sofá com ele e viver meu luto, viver o luto também de uma mais o menos mãe que está meio-viva-meio-morta. Porque, eu tenho uma filha, de cinco anos, que precisa ir à escola, que precisa do meu apoio e explicação do porquê de seu pai não ser mais o mesmo. E, de brinde, um bebê dentro de mim que precisa de mim para se desenvolver.

Eu tenho trinta minutos, na verdade, tinha, pois perdi vinte deles parada em meu quarto em frente ao espelho, sem meu casaco ou suéter, observando minha barriga nua que já tem uma curva perceptível.

Ele sequer encostou na minha barriga ainda. Não tocou no assunto bebê. Mesmo que eu tenha contado naquele péssimo dia, ele age como se não soubesse. Evita olhar em meu rosto. Evita olhar para mim. E, de certa forma, sinto como se não me amasse mais, como se seu coração tivesse morrido junto com a Bia. É estranho. A mínima parte de mim não tomada por hormônios insiste em dizer que é loucura de grávida, que essa ideia não tem nada a ver, mas... a outra parte é bem mais forte e criativa, insiste em listar motivos, alguns bem fantasiosos admito, para afirmar que ele não me ama mais.

O tempo acabou. Ouço a porta de entrada lá embaixo e corro para meu banheiro e enfio meu rosto embaixo da torneira que libera água gelada.

— Mãe, mãe... — ouço Lou gritar, subindo correndo às escadas. — Você não vai acreditar!!

Seco ao meu rosto com uma toalha de mão rapidamente, e me resta alguns segundos para colocar um sorriso no rosto e abrir aos braços para Lou pular neles.

— O que foi, meu amor? — pergunto, a abraçando forte. — O que aconteceu hoje na escola? Pintou algum desenho novo...

— Estava com saudade, mais tanta!!

— Sério? — pergunto, sentindo meus olhos molharem novamente. — Qual foi o motivo de tanta saudade?

— É um segredo, Julie pediu para eu não contar, mas não sei se posso contar para você, mas é um segredo bem triste.

— Conte, amor. Juro que não falo para ninguém, manterei o segredo de Julie.

— A mãe dela... foi para o céu, que nem a tia Bia. Ela está tão triste, hoje quando estávamos brincando de boneca ela até chorou, de verdade, com lágrimas. — Sinto uma pontada em meu coração. Eu sei quem é Julie, e sei também quem é sua mãe. Ela tinha câncer, há algum tempo, mas estava fazendo o tratamento, parecia bem. — Foi tão triste! Eu disse que dividia você com ela, mas... ela queria a mãe dela mesmo.

Eu começo a chorar, não consigo segurar e deixo as lágrimas escaparem na frente de Lou mesmo. Julie tem a mesma idade de Lou, dói imaginar como ela deve estar. E, inegavelmente, dói lembrar o quão imprevisível a vida é, inevitavelmente pensamentos como e se tivesse acontecido comigo, e se fosse a Lou a coleguinha que perdeu a mãe? invadem a minha mente.

— Ei, você está bem? Eu não deveria ter contado! Agora você está triste também, me desculpe... eu... eu não quis fazer você chorar.

— Estou bem, amor. Eu estou bem, só preciso de um abraço, bem forte... — a minha voz falha completamente, eu me obrigo a deslizar minhas mãos pelo meu rosto, secando aos vestígios de lágrimas.

Lou também perdeu aos pais, os dois de uma vez, mas ela era apenas um bebê, não entendia a situação. Já Julie tem total consciência do que aconteceu, e eu me sinto tão triste por isso, por uma criança como ela ter que lidar com a morte da mãe tão cedo.

— Ei, o que acha de fazermos biscoitos? Para você levar amanhã para escola e dar para Julie? Biscoitos sempre me deixam melhor quando estou triste.

— Com chocolate? — Eu concordo com a cabeça. — Biscoitos com chocolate também me deixam feliz, talvez deixem Julie também! — Eu concordo mais uma vez. Eu sabia que biscoitos nem de longe amenizariam minimamente a dor que Julie deve estar sentindo, mas talvez, saber que há amigos como Lou que se importam com ela deve ser algo legal.

Passamos o resto da tarde fazendo biscoitos, Lou os cortou em forma de coração, colocou em um saquinho transparente e prendeu a ponta com um laço rosa. Com cuidado, guardou em sua mochila e não via a hora de entregar logo para Julie, tanto que até preferiu dormir mais cedo. Ela acabou adormecendo no meu colo, e eu não quis leva-la para seu quarto, a deixei deitada ao meu lado na minha cama, que anda vazia demais já que Kile nunca está aqui.

— Ei — chamo a atenção dele, quando por cerca das nove horas ele entrou no nosso quarto apenas para pegar um pijama limpo em seu armário.

Ele para no meio do caminho até a porta, mas não me encara, apenas faz um barulho com a boca para provar que está ouvindo.

— A mãe da amiga de Lou morreu, Kile. Ela me disse que te contou — digo, sentada na minha cama, com as costas apoiadas em meus travesseiros —, e você simplesmente respondeu legal. Legal, Kile?!

— Eu não disse legal! Eu jamais faria isso! — Se defende, agora desviando os olhos para mim.

— Não, eu sei que você não disse legal para o fato da mãe da amiguinha dela ter morrido, aposto que você sequer escutou. Mas, algo que eu acho com toda certeza é que ultimamente você responde a tudo que ela diz com um legal, sei que está mal, mas talvez devesse ao menos escutar à sua filha.

Uma expressão culpada e levemente contrariada surge em seu rosto antes dele dizer:

— Desculpa, eu sei que ando sendo um péssimo pai!

— Legal! — respondo, do mesmo jeito desinteressado que ele vem respondendo a tudo que Lou e eu dizemos nos últimos tempos.


Notas Finais


Obrigada por lerem!!

"Eu vou lutar
Vou lutar por você
Eu sempre lutarei até meu coração ficar vazio e triste

Eu vou ficar
Eu vou ficar com você
Nós vamos chegar ao outro lado como os amantes fazem

Eu vou esticar as minhas mãos no escuro
E esperar as suas para interligarem com as minhas
Eu vou esperar por você
Eu vou esperar por você

Porque eu não vou desistir
Eu não vou desistir, desistir, não, ainda não (ainda não)
Mesmo quando estiver no meu último suspiro (último suspiro)
Mesmo quando disserem que não há mais nada (mais nada)
Então, não desista" — Don't Give Up on Me - Andy Grammer


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