História O Pecado dos Anjos - Capítulo 15


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Elsa, Emma Swan, Hades, Lacey (Belle), Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Peter Pan, Princesa Aurora, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Reginamills Emmaswan Swen
Visualizações 135
Palavras 4.918
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Ficção, LGBT, Orange, Romance e Novela, Slash, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite gente! Acabei agorinha mesmo esse capítulo. Espero que esteja ao gosto de vocês e espero que entendam a Regina. Meio complicada mas, quem não é né?! KKK ahm, só acho que vou ter mais um tempinho pra postar os capítulos pq estou me afastando um pouco das redes sociais por motivos pessoais e pq amanhã será a prova e já estudei, terei mais um tempinho pra vocês. ( Assim espero ) Me perdoem qualquer erro ou confusão no desenvolver da história. Acho que não tem mas, né... enfim. Tenham uma ótima leitura ♡
Ouçam a música do cap e se acabar ouçam de novo kkkkk

Capítulo 15 - Capítulo 15


"Não brigue comigo! Eu ainda estava cheia de medos. Medo de voltar e nada ser como era antes; medo de voltar e ser rejeitada porque ela conheceu outra pessoa melhor que eu… medo de continuar fazendo-a sofrer. Não é isso que sempre fazemos? Fugir dos medos, das inseguranças e dos problemas ao invés de infrentá-los? Sempre será assim enquanto a humanidade existir. E mais uma vez você não pode me julgar. Até me sinto bem com isso. Uma coisa amenos como motivo de ser apedrejada. Mas, vamos ao que interessa."

"Não existe amor impossível, existem pessoas imcapazes de lutar por aquilo que chamam de amor..."

POV> Regina

Sempre tive problemas em aceitar situações novas ou dores novas. Nunca consegui enfrentar meus medos de cabeça erguida, tampouco vencê-los. Sempre foi mais fácil fugir de tudo e sempre será assim. E agora, novamente, cá estou eu, sentada na mesa de um pub sozinha com um Gold Flake entre os dedos enquanto observo o fumaça cinzenta subir pelo ar misturando-se aos mais variados tipos de perfumes e bebidas por aqui. Ah, como minha cabeça insiste em doer. Já tomei dois comprimidos em menos de três horas e mesmo assim está aqui, latejante, dolorida, irritante. Dizem que tomar remédios seguidamente faz mal, mas foda-se. Que diferença fará eu bem ou mal? Morta? Neste momento apenas existo. Ninguém nota minha presença, não tenho quem eu queria comigo e não tenho a força que preciso pra largar tudo isso porque minha força é ela. Resolveria eu ter dito isso antes de tê-la deixado ir? Agora já não importa mais, ela se foi e algo me diz para não esperá-la retornar. Mas mesmo assim vou esperar, é o que eu faço. Espero por coisas e pessoas que não virão. Idiota!.

A mesa a minha frente está com duas garrafas de Martini vazias e mais uma está chegando.

- Obrigada. - digo sem esboça a menor expressão.

Eu adoraria sair daqui, mas quando sair não encontrarei Emma a minha espera. Emma, Emma, Emma! Oh, como estou cansada de me sentir dependente dela mas, como amo ser dependente dela. Isso terá fim algum dia? Se sim, será um alívio, se não, será terrível. Eu queria não estar sentindo tudo isso. É pedir muito? Todo esse tempo mantive minha cabeça baixa, agora levantei e olhei para a porta ao ouvir uma leve batida. É Killian. Ele passa o olhar por todo o ambiente, parece procurar alguém. Ah, me achou. Sorri fraco e caminha até minha mesa com a barba por fazer. Andou deprimido?

- Regina... - seu tom saiu em piedade e isso me irritou.

- Killian… - digo com um leve desgosto. - Que bom te ver...

- O que faz aqui, criatura? - sentou e colocou as mãos sobre a mesa de madeira.

- Caçando sapos, não está vendo? - dou uma tragada deliciosa. - E você?

- Atrás de você como já deve ter percebido.- sorri irritantemente me fazendo rolar os olhos. - Vamos pra casa, Regina! Por favor. - quase me convenceu.

- Se veio para tentar me tirar daqui, perdeu seu tempo. - derrubei algumas cinzas no cinzeiro. - Foi Zelena, não foi?

- Foi, sim. E ela só quer seu bem, você sabe.

- Se ela quer meu bem, porque não me deixa em paz? Se é o que todo mundo quer, porque não me deixam em paz? - elevei o tom de voz sem querer.

- E desde quando beber até de madrugada faz bem? - me olhou fundo nos olhos. - Você está se afundando cada vez mais, não percebe?

Eu sei que estou, mas ultimamente me prender à uma âncora têm sido minha única saída para esquecer os últimos quatro meses. Sim, eu estou tentando esquecê-la, embora saiba que talvez seja impossível. Não, eu não segui nada do que estava escrito naquela maldita carta! Cada palavra ainda flutua pela minha mente embriagada, mas não vou deixá-las ter contato comigo. Não foi justo o que ela fez. O que a havia feito pensar que me fazia mal? Emma foi o que me mudou; foi o que me manteve de pé todos os dias após sua chegada, como não foi capaz de enxergar isso? Eu deveria ter dito? Se tivesse, ela teria ficado? Onde estaríamos agora? Enquanto eu penso nisso tudo, uma lágrima quente escorreu pela minha face sem que eu tivesse percebido. Enxuguei com raiva e virei um gole do doce Martini guela a baixo. Ardeu, amargou.

- Droga, Killian! Eu estou cansada disso tudo, não percebe? Estou cansada de mim mesma, de ficar triste pelos cantos, de não ser forte para esperá-la, para fazer a coisa certa e você não percebe que é quase uma tortura psicológica ficar jogando tudo isso na minha cara? - meu rosto esquentou a medida que aumentei o tom de voz e com certeza avermelhou ao tentar conter o choro. - Eu sou fraca! Sempre fui, e você sabe! Porque está fazendo isso comigo? Droga! - bati o copo na mesa e me levantei bruscamente deixando algumas notas em cima da mesa.

Caminhei a passos tortos e largos até a porta e a abri sentindo um vendo gelado e úmido bater contra minha pele. Que horas começou a chover? Ah, não importa! Só quero sair daqui. Me pûs a caminhar sem olhar para trás. A chuva estava forte e fria, e aparentemente - devido ao estresse que acabei de passar - esqueci meu casaco na droga do banco almofadado. Merda! Não vou voltar pra pegar! A chuva gelada pinga violentamente sobre minha pele e me causa fortes arrepios, meus cabelos já estão encharcados e a maquiagem com certeza está borrada. A rua está vazia, as luzes brancas iluminam um pouco o asfalto negro e bem de vagar vai me mostrando o caminho a frente. Então, uma pena branca cai a minha frente sendo derrubada rapidamente por uma gota. Não pode ser! Ergui os olhos para o negro do céu e algumas gotas inundaram meus olhos se misturando às minhas lágrimas.

- Emma? - gritei. - Emma, responde! Emma! - minha voz saiu o mais alto que consegui.

Cruzei os braços e abaixei a cabeça me sentindo uma louca, talvez idiota. As lágrimas quentes escorrem grossas pelo meu rosto e meus soluços se misturam ao forte som da chuva chamando a atenção de um rapaz alto que passou ao meu lado com um guarda-chuva.

- Está tudo bem, senhorita? - parecia realmente preocupado.

- Está, sim. Obrigada. - me encolhi ainda mais.

A chuva estava realmente gelada.

- Aceite, por favor. - retirou o casaco e colocou sobre meus ombros.

- Obrigada. - sussurrei e o vi caminhar para o escuro da rua com seu guarda-chuva negro.

Quem era? Eu não faço a mínima ideia. Quero apenas chegar em casa e me jogar na cama. Maldito dia em que resolvi sair sem o carro; que resolvi sair pra beber. Amanhã tenho que trabalhar e estou neste estado deplorável. Que ódio! Qual a probabilidade de um avião cair aqui agora?

"Oh, não! Não ache Regina uma exagerada! Cada um tem sua forma de lidar com a dor e ninguém tem nada com isso, hm? Se você perdeu sua mãe e sente vontade de berrar, então berre! Se você apenas perdeu a tampa da sua caneta favorita e quer chorar, então chore! Chore até não dar mais! Cada um sabe a importância que as pessoas, ou as situações tem na sua vida. Não se importe se as pessoas vão te taxar como "fresca, idiota, ou do tipo que quer chamar atenção", se importe apenas com o que você sente. Não tiro a razão de Regina ter preferido se afundar nos prazeres mundanos. Sentimento é sentimento, não se explica. Eu realmente não sei o que faria no lugar dela. Talvez eu tivesse aceitado a mortalidade apenas para morrer. Por que? Porque não faria sentido nenhum viver em um mundo onde não há a pessoa que eu amo, onde há crueldade, onde eu não amo mais ninguém além dela. É tão grande tudo o que eu sinto. Não imagino que o que ela sente seja menor. Amor não se quantifica, assim como a dor. Jamais diminua a dor de alguém por mais insignificante que você ache. E sabe onde aprendi isso? Não foi no céu, foi aqui mesmo neste mundo com iluminação de abajur."

***

Em algum lugar do céu

POV> Emma

Conversei com David sobre o que fiz. Ele disse que não posso prometer uma coisa e não cumprir e realmente tem razão. Mesmo que eu esteja com medo vou voltar, está decidido! Tenho que me colocar no lugar de Regina. Como eu ficaria se fosse o contrário? Realmente nada bem. Falando nisso, como ela está? Não a observei quase a semana inteira. Que tipo de anjo sou eu? Resolvi abrir as nuvens para verificar e… Céus, Regina! Porque está fazendo isso? Ela jurou que não me esqueceria! Droga, eu quero chorar mas não consigo! Essa alegria do céu... Caminho pelas nuvens de um lado ao outro em busca de uma solução, mas não a encontro. Passo as mãos pelos cabelos e respiro fundo. O que devo fazer? Devo voltar? Não, eu não posso! Não estou pronta, mas também não posso deixá-la pensando que me esqueci dela. Assobiei e esperei que viesse, logo surgiu voando por todos os lados até pousar em meu ombro que quase não senti, a tão delicada Flora, a minha pombinha correio. Em apenas um gesto com a mão direita, fiz com que aparecesse um papel em minha mão. Só que não era um papel qualquer, era um papel feito com o orvalho da noite, um pouco de luz do dia e um pouco do luar. Na outra mão, fiz surgir um potinho de tinta de ouro e uma pena, me sentei e me pus a rabiscar coisas que fluem na minha mente com facilidade. Flora não saiu de meu ombro ainda e arrulha parecendo ansiosa para que eu termine de escrever.

Alguns minutos depois, finalmente terminei. Não sei se está tudo aqui, mas é assim que vou mandar!

- Flora, leve até Regina o mais rápido possível e só volte quando ela responder. - sorri para a penosa que levanta vôo sumindo na imensidão que são as nuvens brancas.

Amor é tão complicado. Como os humanos vivem com isso desde que nascem? Amam a tudo. Amam animais, pessoas, personagens de uma história que não existe, objetos. Qual a necessidade de amar? Por que? Ninguém jamais saberá a resposta. Não existe ninguém que seja capaz de respondê-la.

***

Flora voôu o mais rápido que pode assim como Emma havia lhe pedido. Passou como um foguete por várias casas e prédios até chegar a janela da casa da família Mills. Regina acabou de sair do banho, vestida em um roupão creme e passando uma base no rosto para disfarçar as olheiras na frente da família. Havia chegado há pelo menos duas horas atrás com o corpo gelado e encharcado pela chuva. Espirrou algumas vezes e pensou que a gripe a pegaria de jeito, mas após um chá de maçã com canela bem quentinho se sentiu melhor.

A pombinha solta um arrulho e chama a atenção de Regina que fica estática a observando, caminha até a pombinha e tenta espantá-la mas a mesma voa para dentro do quarto irritando a morena.

- Saia daqui seu bicho nojento! Droga! - tentou capiturá-la sobre a cama mas escapa. - Se você fizer cocô em algum móvel ou no carpete eu juro que vou te depenar inteira pra comer assada! - segue a pombinha que voa afoita por todo o cômodo.

A pomba Flora deixa o papel cair chamando a atenção de Regina que caminha lentamente para pegar. Acha estranho e olha para a pomba com os olhos semicerrados em desconfiança de algo que nem sabia o que era. Regina se senta sobre a cama e desenrola o papel cuidadosamente até que repara no nas letras em dourado e as reconhece, sente seu coração acelerar e apressadamente tenta desenrolar mais para que leia. Não viu as letras da loira muitas vezes mas nas pouquíssimas que viu gravou em sua mente. Tão delicadas, pareciam até de princesas.

Já inicio com minhas sinceras desculpas. Me perdoe por não está aí para te socorrer, deixar você chorar no meu colo ao invés de ir beber. Me perdoe por ter fugido. Quando eu parti, que não tenha mais se lamentado. Pode chorar, mas não desperdice muitas lágrimas. Guarde nossos sorrisos. Guarde nossos abraços, os momentos que pareceram eternos.

Lembre-se do Eu te Amo. Sorria das piadas que fiz e esqueça das lágrimas que te fiz derramar. Deseje novamente meus carinhos. Mas esqueça das feridas que abri em você. Lembre-se dos sorrisos espontâneos. Lembre-se que em algum momento fui humana. Amo-te humanamente o quanto posso. Vivo humanamente enquanto posso. E erro mais do que gostaria. Bem, trouxe pedaços de você comigo. Deixei pedaços meus com você. E quando quiser me encontrar, olhe pro céu. Procure-me entre as nuvens. Você não me verá. Mas eu te verei.

O simples fato de você me procurar, fará minh'alma mais feliz. E se em algum momento uma chuva fina vier a banhar teu semblante, saiba que será Deus atendendo um pedido meu, derramando em você todo o amor de meu coração pra sussurrar discretamente:

- Estarei sempre contigo.

Regina sentiu raiva por um breve momento, mas a amava tanto, de uma forma tão louca e avassaladora, e estas palavras… ah, como a pegaram em cheio! Tão delicadas e aparentemente sinceras que essa raiva sequer durou mais que dez segundos. Quase no mesmo instante um sorriso fraco e esperançoso surgiu nos lábios vermelhos e carnudos de Regina Mills.

PS: A Flora só irá embora quando me responder.

Regina olha para a pombinha pousada sobre sua cama e rola os olhos. "Sério isso? Minha vida agora é um conto de fadas? Só se for o da rainha má que nunca tem um final feliz." Rola os olhos com o próprio pensamento.

- Não vou escrever droga de carta nenhuma! - diz e joga o papel sobre a cama.

Isso mesmo! Queria se fazer de durona mas sabia que a qualquer momento debruçaria sobre a escrivaninha e deixaria seus pensamentos fluírem pela ponta da caneta.

"Como assim vai embora destruindo meu coração e depois manda uma carta toda fofinha?"

Realmente era difícil entender Emma às vezes. Como assim saía fazendo um estrago em seu coração e depois mandava uma carta de desculpas? Estava muito nervosa sim. E não, não responderia. A pomba? Assada ficaria ótima com certeza.

- Xô! Xô! Suma daqui! - balança as mãos na direção do animal mas o bichinho nem se mexe e a encara como se não fosse nada. - Muito insistente, você. Igualzinho a sua dona. - cruza os braços bufando.

Porque tudo tinha que lembrar Emma, até mesmo um simples pombo correio? Regina sentia vontade de fugir, de esquecer tudo o que estava acontecendo, jogar tudo para o alto e deixar o vento levar pra onde quiser. Mas não tinha como, ela tinha que resolver. Mas quando?

Domingo, 08:20 AM.

A chuva da noite anterior ainda não cessou, porém se acalmou. O som estridente das gotas no telhado se tornaram suaves e davam uma sensação de paz, ao invés de que o mundo está caindo do lado de fora. O céu cinzento e o som da cidade do lado de fora pela primeira vez agradou os ouvidos de Regina, que acabou de abrir os olhos e respirou fundo antes de mover qualquer músculo. Qual era a sensação daquela manhã? Era a sensação de nada. O cheiro da chuva que antes lhe dava a sensação de paz, tranquilidade, agora nem fazia diferença. Ora, só haviam passado pouco mais de vinte e quatro horas sem Emma e já estava assim? Exatamente. Regina era perdidamente apaixonada por uma loira e vê-la ir embora, deixar tudo para trás mesmo que tivesse prometido voltar, tinha acabado com seu coração. Depois que Henry se foi, se tornou ainda mais difícil deixar as pessoas irem então procurou não sentir, não se aproximar tanto justamente para não sofrer no final porque sempre seria assim em sua cabeça. As pessoas sempre chegariam como quem não quer nada, não pediriam licença e fariam morada no seu coração e então, em um dia qualquer, apenas sumiram com desculpas de todos os tipos para não ter que voltar. Mentiria se dissesse já ter se acostumado, pois sempre doeria independente de quem fosse. Por um momento acreditou de verdade que Emma não a deixaria, no entanto estava enganada mais uma vez.

Regina se sentou na cama e observou as cortinas paradas na frente da janela entreaberta, Flora estava pousada sobre o batente toda fofinha, como se estivesse se protegendo do frio que entrava pela brecha. A morena deu de ombros e se virou para pegar um enfeite de metal que estava sobre o criado mudo, o derrubou de propósito no chão e riu ao ver a pombinha acordar assustada. O peitinho subia e descia acelerado e as penas se arrepiaram no pescoço.

Coitadinha!

Regina riu da reação do bichinho e se levantou indo em direção ao banheiro, fez sua higiene matinal e logo saiu indo até o closet. Pegou um jeans rasgado nos joelhos, um moletom cinza e um par de all star - o mesmo de sempre. Pegou um elástico de cabelo preto e prendeu os cabelos que só agora reparou que estavam passando dos ombros, e fez nota mental de ir ao cabeleireiro ainda naquela semana. Não tinha maquiagem nenhuma no rosto, estava totalmente natural e despojada. Ao sair do quarto, deixa a porta aberta e Flora vai atrás pousando em seu ombro.

- Ora, o que você quer? - resmunga enquanto desce os degraus e Flora solta um arrulho. - Está com fome também? - conversa como se Flora entendesse, e entendia mas não sabia. - O que você come? Alpiste? - flora solta um arrulho novamente. - Cev… cevada! Olha, eu queria você assada mas você é da Emma então não farei isso. Vou sair e compro algo pra você, o que acha?

- Anda falando sozinha de novo, Regina? - implica Ruby enquanto ajuda Robin com o dever de casa.

- Não, estou falando com a Flora. Não está vendo?

- Santa grosseria, hein! - reclama rolando os olhos tirando um leve sorriso de Regina.

É isso mesmo. Quando não estava bem, fosse apenas triste ou deprimida, Regina sentia prazer em maltratar as pessoas a sua volta sabe-se lá porque mas adorava e não fazia questão de parar.

- É a pomba da Emma! - diz Robin alegremente.

- Como sabe? - franze o cenho.

- Ela me contou dela. - sorri para a tia que não esboça o mínimo sorriso em retribuição. - Deixe eu ficar com ela um pouco?

- Tome! - entrega o pássaro. - Faça o que quiser com ela. Se quiser depenar, matar, fazer purê… Faça! Só tire de perto de mim. - diz e caminha até a cozinha.

- Uau… - diz Robin pensando nas palavras da tia.

- Bom dia, Regina! - grita Zelena animada como sempre.

- Pare de gritar! Que inferno! - procura por algo na geladeira. - Logo cedo essa animação, a troco de quê?

- Oras, apenas estou feliz, Regina. Posso?

- Pode! Mas bem longe de mim, hm? - pega um iogurte, pensa em abrir mas não o faz, apenas o devolve para a geladeira e deixa a cozinha.

- Não pode tratar as pessoas dessa forma e acabar com a alegria delas só porque a sua via não é como você quer! - esbraveja indo atrás. - Você ainda vai se arrepender muito por tudo o que fez e faz, Regina Mills.

- E você acha que eu já não me arrependi por tudo? Acha que eu não me arrependo todos os dias? Tratar as pessoas dessa forma têm sido uma fuga pra mim, Zelena! - sente o nó se formar em sua garganta. Quando não estava bem emocionalmente qualquer "a" era motivo para grosserias e choros.

- Me deixe em paz! Se vocês não vão fazer nada pra me ajudar, para que eu mude ou melhore, então me deixem em paz!

- Está querendo dizer que a culpa por você ser esse nojo é nossa? É isso mesmo? - eleva o tom de voz assustando Robin que jamais vira a mãe tão nervosa assim. Zelena tinha o rosto vermelho e os olhos azuis ganharam um olhar raivoso, cansado, impaciente.

- Não, Zelena! - diz em tom baixo, dolorido. - Eu sei que a culpa é minha, mas tem sim, um pouco do dedo de vocês nisso. Pare pra pensar. Agora vou indo. - se vira para Robin. - Me dê a Flora.

- Mas tia…

- Anda, Robin! - diz num tom levemente descontrolado e pega o pássaro deixando a casa.

Ruby se aproxima de Zelena e passa as mãos por seus ombros ainda pensando nas últimas palavras da morena.

- Sabe que um pelo menos um pouco da razão é dela, não sabe?

- É. Eu sei. - passa as mãos pelos cabelos e se senta fitando os olhos da filha que se controlava para não chorar pela forma como Regina a tratou.

"Eu saí naquela manhã com um peso enorme sobre minhas costas. Porque que pra eu me sentir melhor eu tinha que maltratar a todos? Eu nunca soube o porquê mas, realmente me fazia bem. Talvez porque eu soubesse que aquela pessoa ficaria mal como eu. Kits, entende? Não ter Emma ali comigo parecia ser um pesadelo sem fim. Ah, como senti falta dessa loira nos meses em que ficamos separadas. Oh, é isso mesmo! Me esqueci de dizer. Foram três meses angustiantes em que as horas se tornaram dias, os dias em semanas, as semanas em meses e os meses em anos. Bom, vou continuar a história."

Regina caminhou por alguns minutos até que involuntariamente foi parar no parque. Ah, sim. O parque, onde tudo começou. Seus pés a levaram para lá, de alguma forma, era lá que queria estar mesmo querendo negar. Regina parou na frente do portão de entrada e sentiu o coração esquentar em seu peito, Flora levantou vôo e seguiu para dentro do local. Não tinha muitas pessoas, mas o suficiente para notar sua presença e estranhar sua expressão confusa e levemente perdida, como se soubesse onde estava mas não soubesse ao mesmo tempo.

Essa mente humana…

A morena seguiu a pombinha até uma grande árvore com um banco em baixo. Por apenas um momento, pensou que encontraria a loira ali a sua espera, mas assim como em tudo em sua vida, havia se enganado mais uma vez. Porque ainda fazia questão de esperá-la se acreditava que não voltaria? Se você pensou em "Porque ela a amava" acertou na mosca! E era tão bom amá-la, mas era tão ruim ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo em que queria tê-la em seus braços novamente, e sentir seu cheiro, sua pele e abraçar até não poder mais, queria dizê-la para não voltar mais. Queria se livrar daquela confusão em sua mente, droga! Era tão simples, então porque não conseguia?

Regina sentiu os olhos inundarem e não quis conter o choro, desabou ali mesmo, debruçada naquele banco e soluçando continuamente em um choro angustiante, daqueles de quando a gente não sabe o que fazer, o que pensar ou sentir. A dor era tanta que parecia infindável. Merda! Como odiava amar. Se lembrou das vezes que se apaixonou e sofreu por aquilo, mas que depois superou. Iria superar Emma? Queria superar, ou queria se afundar cada vez mais?

Mil vezes, droga!

Flora soltou um arrulho e passou a cabecinha pelo cotovelo da morena, que quase não sentiu por causa da blusa. As gotas caíam finas por toda nova Orleans, um vento começava a se fazer presente e tudo o que Regina queria naquele momento era um abraço. Após mais algumas lágrimas, se sentou no banco e deixou que flora se aconchegasse em seu colo quentinho. Sorriu ao pensar em Emma e como estaria feliz agora no lugar onde sempre viveu.

***

Os dias se arrastavam aos olhos de Regina. Naquela manhã de quarta-feira, o sol entrava pela enorme janela de vidro duplo que tomava conta da parede. A morena estava sentada em sua escrivaninha organizando alguns projetos e planilhas enquanto uma música suave tocava em seus fones de ouvido. Estava concentrada, porém logo desviaria seus pensamentos novamente. Já haviam alguns dias que não conseguia se atentar a nada do que fazia, inclusive dirigir. Nesta manhã fresca por exemplo, às 06:30 enquanto estava a caminho da empresa se perdeu em seus pensamentos; em seus conflitos internos e na saudade que estava cada vez mais presente de um anjo, e quase bateu o carro com outro ao passar no sinal vermelho. Ao frear bruscamente sentiu seu coração disparar e seu corpo bater contra o volante causando um ematoma leve na costela. Não era a primeira vez, ontem mesmo ao fazer sua caminhada no fim da tarde - costume que se obrigou a aderir para ocupar a mente - quase foi atropelada ao ir para o meio da rua inconscientemente e quase ser atropelada por um ciclista que não fosse sua habilidade e um anjo lhe protegendo de algum lugar do céu, teria atropelado a morena e se esfolado inteiro no asfalto.

A música terminou, retirou os fones e cansada de ter todos os pensamentos voltados para a loira, decidiu em fim escrever a carta. Pegou sua caneta preta preferida - no pote de canetas pretas - e procurou por um papel limpo em sua mesa. Não achou. Procurou na gaveta e... acabaram. Pegou então um folheto qualquer em sua mesa e iniciou suas palavras no verso.

Primeiro: não acreditei quando vi uma carta sua ali, em minhas mãos. Segundo: não tive coragem para lhe responder antes, me perdoe por isso assim como te perdôo por ter fugido. Sabe como me deixou com sua partida? Sabe o quanto doeu? Eu tento, juro que tento ser melhor do isso; ser maior do que essa saudade incontrolável que estou sentindo mas às vezes tenho a sensação de que o chão vai sumir sob meus pés a qualquer momento. Mas eu sei que não vai. Sei também que você me prometeu que voltaria e então serei paciente e lhe aguardarei ansiosa. Mas não demore, por favor. Eu preciso de você. Você é tudo o que ainda me mantém viva, sã. É o único motivo pelo qual ainda não desisti de tudo. Estou com tanta saudade e lhe confesso, senti raiva de você em alguns momentos mas logo passou porque meu amor por você é maior do que meu orgulho, minha ira sem necessidade. Assim como me pediu, me lembrarei de nossos momentos; de seus sorrisos; das suas piadas. Quero manter o melhor de nós vivo neste tempo que não sei quanto vai durar. Me esforçarei pra isso e me perdoe pelas vezes que fraquejei e ainda irei fraquejar por que eu sei que vou. Meu coração ainda dói por não te ter aqui mas você precisa do seu tempo e te darei. Já não vejo a hora de sua chegada. Não me aguento em ansiedade. Eu te amo tanto, e me desculpe ser ridícula a ponto de pensar apenas em mim. Tentarei te sentir nas suas roupas que ainda ocupam espaço no meu armário; tentarei te sentir ao meu lado na hora de dormir e irei áquele café onde paramos para conversar pela primeira vez. Quero manter tudo vivo. Cada detalhe. E quando retornar, terá uma surpresa. Eu te amo, Emma. Simplesmente te amo como nunca amei ninguém.

"Quando há amor e principalmente reciprocidade em um relacionamento, seja ele de namoro ou amizade, tudo funciona perfeitamente. Não importa as dificuldades, os erros, as fugas, as covardias, tudo há sempre de ser perdoado. Porque um não vive sem o outro. Tão louco, não? Tudo tão exagerado quando se trata de amor e paixão. A gente fica tão besta, tão medroso. Não tente fugir disto. Se nunca amou, uma hora irá amar e se já amou, sabe perfeitamente do que estou falando. Éramos a personificação do verdadeiro amor. Havia reciprocidade, paciência, cuidado, carinho, erros ridículos, medos bobos, paixão incessante, alegria no triste. Éramos assim. Espera… somos assim. Há uma frase que eu amo e digo sempre: "Todas as paixões nos levam a cometer erros, mas o amor nos faz cometer os mais ridículos."

Hoje ao lado da pessoa que mais me faz feliz no mundo, que me deu uma família eu vejo que cada loucura, cada exagero meu valeu a pena. Lutar pelo que amamos é o que vale. Foi tudo tão difícil sem Emma naquela época, me lembro tão bem de cada lágrima antes de dormir, cada dor. Eram lágrimas de dor e de medo; e eu sabia e tinha certeza de ela voltaria pra mim pois ela prometeu mas de alguma forma meu cérebro não me deixou processar aquela informação. Sofri tantas perdas de tantas promessas que ficou difícil depositar toda a minha confiança em alguém, mesmo que esse alguém fosse Emma, a dona do meu coração. Não se sinta culpado por não confiar em quem deveria. A culpa não é sua é sim dessa loucura que chamamos de vida. E tenha paciência, uma hora achará a pessoa certa para confiar e quando achar vai saber que é ela, não terá dúvidas.

Hey, não fuja nunca mais ouviu, Emma?

Ouvi sim, rainha.

Rainha… ( uma doce risada infantil invade a sala )

Seu bobo. ( Regina ri. )"


Notas Finais


O que acharam? Eu aguardo os comentários ^_^
Não sei ainda o que vou fazer no próximo capítulo e aceito sugestões. Até a próxima! Xx. ♡♡


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