História O Pecado dos Anjos - Capítulo 16


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Categorias Once Upon a Time
Personagens August Wayne Booth (Pinóquio), Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Elsa, Emma Swan, Hades, Lacey (Belle), Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Peter Pan, Princesa Aurora, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Reginamills Emmaswan Swen
Visualizações 57
Palavras 4.799
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Ficção, LGBT, Orange, Romance e Novela, Slash, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá!
Aqui vai mais um capítulo e espero mesmo que gostem. Não vejo a hora da Emma voltar e a história ganhar um rumo diferente, minha mente está a mil com tantas ideias. Sobre a Robin, há uma parte em que eu digo que a sua primeira palavra foi aos seis meses de vida. Antes que fiquem espantados eu gostaria de deixar claro que isso realmente acontece em casos de crianças superdotadas. Podem pesquisar se acharem necessário, assim podem conhecer mais de nossa personagem também. Bem, eu não sei se essa história é boa mas vou continuar. Obrigada a vocês que vêm acompanhando capítulo por cap e peço encarecidamente que me ajudem a divulgar ( caso queiram, é claro. ) Isso seria importante pra mim porque essa história é bem pessoal e eu adoraria compartilhar um pouco de mim com as pessoas. Obrigada desde já áqueles que irão me ajudar e tenham uma ótima leitura.

Capítulo 16 - Capítulo 16


"Sabe aquele momento em que achamos que nada pode piorar e nos vemos redondamente enganados? Pois é. Naquela mesma semana minha casa virou um caos. Brigas haviam se tornado mais comum do que respirar. Zelena discutia com Ruby por qualquer coisa, mamãe e Grany discordavam de absolutamente tudo e reclamavam de tudo o que eu fazia - o que gerava ainda mais discussão - e Robin... bem, Robin estava sendo a mais atingida no meio daquilo tudo. O mais engraçado, é que eu, sua melhor amiga, demorei para perceber. E me senti tão mal quando a ficha finalmente caiu. Me senti pior do que já estava com tudo o que estava acontecendo. Às vezes tudo resolve desabar de apenas vez, não é? Dói tanto. Eu já não estava mais aguentando toda a pressão psicológica que eu estava sofrendo, os meus próprios conflitos internos e ver toda a família se desfazer aos poucos. Eu juro, que por um momento apenas eu pude sentir que enlouqueceria. Oh, e aquele momento em que você sente a necessidade de se agarrar a alguém para sobreviver naquele mar de gente, só que... não há ninguém? Dói ainda mais, eu sei. Mas assim como eu sobrevivi, você irá sobreviver também."

Sexta-feira, 19:20 PM.

A noite daquela sexta-feira estava linda. O céu parecia Noite estrelada, de Van Gogh. Regina estava sentada na janela com o braço esquerdo apoiado sobre o joelho do mesmo lado enquanto a perna direita balançava inconscientemente do lado de dentro. A morena tinha os fios negros presos em um rabo de cavalo baixo e alguns fios caíam em sua testa, vestia uma camiseta branca com os botões abertos e uma regata da mesma cor por baixo e um short jeans. Havia adquirido de volta o hábito de fumar e estava neste exato momento com um Gold Flake entre os dedos da mão esquerda.

Tragava a cada cinco minutos com força e fraqueza ao mesmo tempo, vez ou outra olhava para o céu na esperança de que Emma a estivesse observando. O quarto que antes vivia iluminado e levemente bagunçado agora estava totalmente organizado. Não havia um pelinho que fosse fora do lugar. Os livros em sua estante no quarto dentro do closet estavam todos ordenados por cor ordem alfabética, os papéis em cima da escrivaninha ao lado do notebook estavam todos juntos e empilhados, os travesseiros e a colcha estavam ajeitados, as roupas no closet todas dobradas e penduradas. Aquela velha mania de organização havia voltado, assim como a mania de fumar, estralar os dedos e caminhar do nada. Estranho, não? Mas essa era Regina.

A morena estava dispersa em seus pensamentos quando ouviu pela terceira vez desde que chegou Cora discutir com Zelena. Respirou fundo, tragou mais uma vez deixando o cigarro entre os lábios e tampou os ouvidos com as mãos. Agora tudo o que ouvia era seu coração batendo repetidamente, e tudo o que enxergava era o escuro. Depois que percebeu a poeira baixar apagou o cigarro e deixou o quarto, receosa, com medo de ouvir mais alguma discussão, passou pela porta do quarto de Robin e ouviu um som parecido com choro. Primeiro achou que fosse impressão sua mas depois que percebeu que ainda não estava louca, bateu levemente na porta a abrindo lentamente em seguida. Ao colocar a cabeça para dentro não encontrou a sobrinha, porém ainda ouvia seu choro que se tornava cada vez mais dolorido. Aquele som… ah, não tinha palavras para descrever a tristeza e a pontada de culpa que brotaram em seu peito.

- Robin? - caminhou mais para dentro e encostou a porta.

Vagou o olhar pelo quarto e viu um retrato encostado ao pé da parede - perto do armário - uma pintura. Se aproximou lentamente e se abaixou para pegar, quando o fez não pôde evitar o sorriso que se desenhou sem sua permissão em seu rosto. Era uma pintura sua.

"O trabalho…" pensou enquanto se lembrava. "Emma…" Com certeza tinha pinceladas da loira ali. Não era uma obra prima mas estava ótimo e dava sim para se reconhecer. Neste momento, volta a si quando ouve um soluço vindo de dentro do armário, se aproxima e abre a porta lentamente dando de cara com uma loirinha toda vermelha e de olhos inundados.

- Ôh, meu amor, o que houve? - franziu o cenho com dor no olhar e levou sua mão ao rosto da menina que desabou ainda mais a chorar com o toque. - Quer me contar? T-talvez eu possa ajudar, hm?!

- Tia, por que todo mundo está se afastando? Por que as minhas mães brigam tanto? E por que a vovó Grany e a vovó Cora brigam com todas vocês? - dispara, soluçante. - Elas vão brigar comigo também? É por minha causa que estão sempre brigando?

Pela primeira vez - em uma situação delicada - Robin agiu como qualquer outra criança de sua idade agiria e isso assustou Regina. Jamais vira a sobrinha tão frágil, tão criança.

- Meu amor, não estamos nos afastando é só que há momentos em que as coisas não são certo, entende? - puxa a menina para seu colo e inicia um cafuné nos cachos loiros. - Isso não quer dizer que vamos nos afastar ou que não nos amamos mais. Só quer dizer que… - não sabia o que dizer, sua cabeça estava tão confusa quanto a da sobrinha. - Bem, apenas tenha paciência, meu anjo. E sobre suas mães, todo casal briga.

- Você e a tia Emma não brigavam.

Regina permaneceu em silêncio por alguns segundos formulando alguma resposta.

- Robin, acha que a tia Emma foi embora porque? Justamente porquê algo não estava dando certo.

Capisci?

- Capisci, eu acho. - diz com um tom de voz mais tranquilo. - Você anda fumando novamente, não é?

E a versão adulta estava de volta.

- Sim. - respira fundo deixando um beijo no topo da cabeça de Robin. - Eu não consigo mais ficar sem. Voltou com tudo.

- É uma coisa da sua cabeça e você sabe disso, não?

- Sim, eu sei. Eu juro que tento parar mais uma vez, okay? Por você.

Robin se endireita para fitar os castanhos da tia e lhe lança um sorriso contido, e lhe toca o rosto com calma. Regina olha no fundo dos olhos da menina e por um milésimo de segundo sente o amor por aquela menina crescer ainda mais em seu peito. Era tanto que quase não cabia. Eram lindas juntas, uma amizade incrível.

- Eu te amo, tia. A Emma tem sorte de ser seu anjo. Cuide para não perdê-la.

Realmente não sabia o que queria dizer com aquilo mas estava tão perdida naquele carinho que sequer deu ouvidos.

- Eu te amo muito mais, minha princesa favorita do mundo inteiro! - puxou a menina fazendo cócegas, a fazendo gargalhar. - Hey! - para as cócegas. - Me desculpe pela forma como te tratei naquele dia?

- Tudo bem. Já tinha até esquecido. - sorri se jogando nos braços da morena mais uma vez.

- Então, aquele era o trabalho da escola? - mudou de assunto para descontrair o momento.

- É, sim. - sorriu e foi pegar. - A tia Emma que me ajudou. - disse orgulhosa.

- Por que me pintou?

- Porque o objetivo era pintar alguém por quem temos muita admiração. E eu te admiro.

Regina permaneceu em silêncio por alguns segundos e não conteve o sorriso que foi se formando lentamente em seu rosto. Ambas se abraçaram novamente e iniciaram um assunto totalmente aleatório. A loirinha já estava bem mais descontraída com a tia, e esta estava matando um pouco da saudade que estava de ter momentos como aquele com a menina. Depois de tudo virar de ponta cabeça na vida da morena, acabou se afastando até da sobrinha pois necessitava muito de um tempo apenas para si. Sua sorte era que Robin não era rancorosa e a desculpou pela ausência, pois sentia tanta falta daquilo quanto Regina.

"Não sei dizer com exatidão o que senti no momento em que adentrei o quarto e encontrei Robin chorando dentro daquele armário. Por que dentro do armário? Estava tão assustada, seu olhar estava visivelmente confuso, aturdido, jamais a tinha visto de tal forma. Mesmo sendo apenas uma criança de sete anos, Robin era a pessoa mais forte que já vi. Aprendi tantas coisas com essa garota; aprendi a ter paciência; a confiar; a devolver o carinho recebido. Zelena não poderia ter me dado melhor presente do que esse, com certeza. Falando em Zelena, naquela mesma noite a procurei em missão de paz. Realmente fiquei muito preocupada com o estado em que encontrei Robin mas não era apenas sobre isso que queria conversar."

- Zel? Posso entrar? - bateu na porta levemente, receosa.

- O quê quer? - indagou do lado de dentro com frieza.

- Conversar, apenas.

Zelena abre a porta com uma cara nada amigável e não pôde perder a oportunidade de soltar suas farpas.

- Você sabe conversar? Uau! - deu espaço sendo fuzilada com o olhar da morena.

- Como eu disse, apenas conversar. Não pense que suas provocações vão me atingir. - entrou e caminhou até a janela.

- Bem, sou toda ouvidos. - se sentou na beirada da cama e cruzou as pernas deixando as mãos sobre os joelhos.

Regina se aproxima lentamente e se senta ao lado da irmã a olhando nos olhos. Se sentia terrivelmente culpada por tudo o que estava fazendo nos últimos dias. Tentou inúmeras vezes mudar essa mania horrível de descontar nas pessoas seus problemas pessoais, mas nunca obteve sucesso. Sempre foi prazeroso, porém se sentia pior ainda quando as pessoas em que descontava isso era Zelena e Robin, suas pedras preciosas da vida toda.

- Primeiramente eu gostaria de me desculpar pela forma como venho te tratando. - Zelena a ouve atentamente sem pronunciar uma palavra. - Eu… está sendo muito difícil pra mim ter que ficar longe da Emma. Está sendo difícil lutar contra meus demônios, minha própria mente. Eu não consigo arranjar outra forma de colocar tudo pra fora senão dessa, ou no cigarro e nas bebidas. - se aproxima mais da ruiva sem desfazer o contato visual. Zelena a observa com o coração disparado, sentia muito medo quando Regina falava daquela forma. - Se eu não descontar nessas coisas eu vou acabar descontando em mim e eu tenho medo do que eu posso fazer, e você sabe muito bem o que eu posso fazer. - sua voz soava baixa, porém desesperada. - Zelena, eu não consigo me reerguer. Sinto cada vez mais que estou afundando e eu não consigo achar uma saída, é tudo muito estranho, diferente e escuro. É um labirinto. Me sinto em um lugar desconhecido, sinto a necessidade de me afastar de todo mundo ou ferir e isso é o que eu menos quero, porém não consigo controlar. Por favor, me perdoe por isso, me perdoe!

Zelena não deixou que a irmã terminasse de falar, apenas a puxou para um abraço apertado permitindo que esse contato fosse mais do que físico despertando assim a incessante vontade de chorar na morena, mais uma vez. Regina chorava de medo e arrependimento. O medo era que algum dia essa sua arrogância diante dos problemas afastasse sua irmã e sobrinha de si mesma, era o medo de afundar mais e não ter ninguém para resgatá-la, medo de si mesma. Como é possível uma pessoa sentir medo de si mesma?

- Regina… - a voz da ruiva soou rouca devido ao choro. - Eu te amo e não me importa quantas vezes você vai me tratar feito cachorro, - riu acariciando os fios negros. - eu sempre vou te perdoar. É o que os irmãos de verdade fazem, não é? - sente a cabeça da morena menear que sim sobre seu peito. - Então pronto! Está tudo bem! E olha, sempre que precisar eu estou aqui. Você sabe que sempre que se sentir da forma como está se sentindo, pode vir até mim e vamos passar por isso juntas.

- Obrigada! - sorriu em meio ao choro ao se afastar para fitar os azuis da irmã. - Eu também te amo.

- Ah, vem cá maninha! - riu e beijou a testa de Regina que riu envergonhada. - Pronto? Mais calma? - observa Regina assentir. - Então, o que mais tem pra me falar? Sinto que ainda não terminou.

Regina explicou sobre Robin e como estava preocupada com a menina por longos minutos enquanto Zelena ouvia a tudo atentamente e com uma pitada de preocupação que crescia mais e mais. Pensava que era bom Robin ser uma criança superdotada, porém era tão ruim quanto. Crianças assim são muito maduras em todos os sentidos, exceto emocionalmente. Enquanto Regina falava, se lembrou da primeira vez que Robin disse "mamãe" aos seis meses de idade. Pensou mais um pouco e se tocou de que a menina passava muito tempo em casa lendo ao invés de brincar como qualquer outra criança de sua idade, não que fosse ruim pois dessa forma teria um futuro brilhante, porém havia se lembrado de um artigo em que leu que crianças superdotadas tinham tendência à depressão e isso era o que menos queria para a filha, embora não pudesse fazer muito para evitar caso viesse a acontecer.

- Regina, isso é muito sério! - se levantou com as mãos na testa. - Como não percebi antes? Eu sou mãe dela, poxa!

- Zel, não fique se culpando por isso! Só porque você é a mãe dela não significa que tenha que saber exatamente tudo sobre ela. - disse enquanto soltou os cabelos massageando o couro dolorido.

- Quer dizer sim! - observa Regina negar com a cabeça. - Bem, o que sugere que façamos?

- Eu acho que não podemos fazer muita coisa. É parte dela ser assim, não podemos simplesmente obrigá-la a brincar e se divertir como as outras crianças. Ler, estudar e obter cada vez mais conhecimento é a diversão dela. No mínimo acho que deva ter acompanhamento psicológico para lidar com as emoções, já que é o único caso que ela não sabe resolver. - diz com pesar.

- Okay. O doutor Hopper! O que acha?

- Ótimo! Ele é realmente bom no que faz.

- Sinto tanto por nossos problemas estarem afetando ela. - se senta no chão com o olhar perdido em um ponto fixo no chão a sua frente.

- Eu também. - respira fundo. - Ela me perguntou sobre os cigarros. Me senti culpada. Queria ser forte pelo menos por ela.

- Vamos dar um jeito. - lança um sorriso para a morena que retribui sem demora.

Após aquela conversa com Zelena, Regina se sentiu muito melhor. Não suportava a ideia de ferir as duas pessoas que mais amava na vida, não que não amasse o resto da família, porém era com aquelas duas que tinha uma melhor conexão.

Sábado, 13:35 PM.

- Perua, eu achei que não fosse aceitar meu convite! - diz Killian todo eufórico carregando algumas sacolas nas mãos, todas com roupas de Regina.

A morena pediu, praticamente implorou para que ele não comprasse nada para ela mas não adiantou. O rapaz de olhos claros e sorriso encantador decidiu por ela mesma que estava na hora de dar um upgrade no visual.

- Me arrependo amargamente de ter aceitado. - diz friamente enquanto caminha ao lado do moreno que dá de ombros.

- Se arrepende nada! - joga o cabelo imaginário fazendo Regina rir. Adorava quando ele fazia isso. - Aposto que está se divertindo pacas e não quer dar o braço a torcer.

Regina não responde e sorve um pouco do suco em seu copo com um canudo todo retorcido e estampa infantil. Uma cena cômica dado o fato de que se portava e se vestia como adulta, de saltos e tudo enquanto era acompanhada de uma bicha escandalosa e metida.

- Ain, não Regina! Parou, hein! - diz de forma "feminina" fazendo a mulher rir mais ainda. Achava uma graça. - Cadê a animação? Quero ver, anda! - gestucula com as mãos, impaciente.

- Êeee!! - diz com ironia erguendo as mãos e as chacoalhando.

- Eita! Tive uma ideia antes de ir pro salão. - segura o rosto da mulher entre as mãos, animado.

- Primeiro: nós não vamos no salão, eu já disse! E segundo: não quero ouvir!

Killian deu de ombros como sempre e pegou Regina pela mão a arrastando por todo o shopping até chegar a um estúdio de tatuagem. Ao parar em frente a porta de forma brusca, Regina solta uma gargalhada deixando Killian confuso.

- Killian Jones! Você vai fazer uma tatuagem? Essa eu pago pra ver! - ri mais ainda ao imaginar o escândalo que o homem faria ao sentir a agulha entrar e sair de sua pele centenas de vezes por milésimos de segundo.

- Ah, não amore! Não precisa pagar, eu pago! E é você quem irá fazer a tattoo, mas acabou de me dar uma ideia e farei uma também. - diz ajeitando o topete.

- O que? - o encara, séria. - Kill…

- Para de falar e entra logo! Cruzes, tem mesmo que contestar em tudo? Apenas aceite mulher! Que isso?. Af... - rola os olhos adentrando ao local com as sacolas e nariz empinado.

Regina observava a cena e ria internamente. Ao entrar passeou o olhar pelo local, reparou em algumas fotos de tatuagens nas paredes e gostou de algumas. Logo apareceu a atendente, uma mulher linda, ruiva, com algumas tatuagens pelos braços e pescoço e um piercing no septo.

- Olá! Me chamo Killian e minha amiga e

Regina aqui, está doida por uma tatuagem, pode fazer a mágica? - Killian puxa Regina para mais perto.

- Mérida. - lhes lança um sorriso divertido. - Claro! O que vai ser? - indaga para a morena indicando com a mão a cadeira para sentar.

- Eu não vou fazer! - diz olhando nos olhos de Killian que rolava os olhos. - Vamos, agora!

- Nada disso! Senta logo e para de show!

- Olha, se a moça não quer eu não vou fazer.

Killian bufa e vai saindo do ambiente quando Regina o interrompe.

- Espere, Kill! Eu vou fazer, sim.

Jones dá pulinhos de felicidade e se senta rapidamente no sofá preto ao lado da porta e pega uma revista qualquer para ler animado arrancando risos das duas.

- Não está fazendo isso só porque ele quer, está? - indaga Mérida ao pegar os equipamentos necessários.

- Não, estou fazendo porque... - pensa por alguns segundos. - digamos que hoje será uma repaginada.

- Oh, sim. Isso é ótimo! Onde vai ser? - observa Regina indicar o pulso direito. - Tudo bem e o quê quer que eu desenhe ou escreva?

- Quero que desenhe… uma pena. - sorri ao pensar na referência.

- E esse sorriso? Tem a ver com a pena? - limpa a região onde será aplicado.

- Sim. - sorri ainda mais.

Mérida vai formando o desenho a medida que conversa sobre coisas aleatórias com Regina. Killian, intrometido que só ele, resolve cair de paraquedas na conversa ao ouvir a palavra "gay". Na mente dele, era especialista no assunto. Sempre dizia que seu gaydar apitava e nunca errava. Mérida adorou os clientes daquela tarde. Após alguns minutos e muita conversa, finalmente estava pronto.

- O que achou? - indaga Mérida ao cruzar os braços satisfeita com o trabalho.

- Está lindo! Por Zeus, você manda muito bem! - estava visivelmente animada e feliz com a tattoo. - O que acha, Kill? - estende o braço para o amigo ver.

- Está um luxo! Emma vai adorar! - sorri animado. - Aqui, querida. Seu trabalho é ótimo! - estende algumas notas.

- Oh, não. É por conta da casa. - sorri amigável.

Regina e Killian lhe sorri de volta, se despedem agradecendo e deixam o local. A morena ouvia Jones tagarelar sobre qualquer coisa enquanto caminhavam pelo shopping, provavelmente sobre a tatuagem, porém não entendia nada, sua mente estava longe, muito longe. Ainda sentia uma saudade absurda do anjo, porém estava mais conformada e mesmo sendo tão doloroso conseguia se sentir bem pois sabia que a outra estava bem. Adoraria ver a reação da loira quando flora lhe entregasse a carta. Que coisa louca! Se sentia em um daqueles filmes românticos onde há pombos correios e finais felizes, só estava faltando o seu final feliz. Chegaria ou era apenas uma realidade cinematográfica como todos dizem?

Em algum lugar do céu

Emma vibrava com a carta de Regina, e se derretia mais a cada linha terminada. Passou voando em uma velocidade absurda por todos no jardim a procura de David e Mary. Bagunçava cabelos, espanava algumas flores, atraía olhares. Que graça era Emma. Seu sorriso tão grande fazia seus olhos ficarem tão pequenos; as covinhas tão nítidas e as bochechas rosadas lhe deixavam ainda mais graciosa diante de tanta animação. Flora - tadinha - tentava acompanhar a loira, porém suas asas eram pequenas demais para atingir tanta velocidade.

- Mary! David! Ela respondeu! - pousou com força fazendo os dois fecharem os olhos por causa do vento. - Estou tão feliz!

- Estamos vendo! - diz David arrancando risos das duas mulheres. - Como ela está?

- Ahm… bem, não muito mas bem e vai ficar melhor. - sorri. - Vou cuidar direitinho dela. Não parece muita coisa para vocês mas só d'ela ter me respondido já me deixa muito mais aliviada. - ri. - E, aaa ela foi tão fofa!

- Quero conhecê-la! - diz Mary animada.

- Estamos muito, muito felizes por vocês, Emma. - diz David bagunçando seus cachos como se fosse um irmão mais velho.

- Vai lá! Ela é incrível e vai te adorar, com certeza. - sugere.

- Oh, não eu não posso, Emma! Essa missão é sua e não posso sair daqui sem uma missão. Minha missão ainda está para nascer e não vejo a hora! - sorri animada e da pulinhos em seguida. - Falando nisso, eu já sei o nome do meu humano! Hermes me passou os dados ontem a tarde.

- E quem será o sortudo? - brinca David.

- Henry. Oh, eu estou tão ansiosa! - era notória a animação em sua voz. - Passei centenas de anos esperando esse garoto e finalmente o momento chegou!

- E o seu, David? Já está a caminho também?

- Sim! Na verdade já chegou tem uns anos, porém ainda não sei o nome mas Hermes me assegurou que me dirá hoje e estou muito ansioso também. É de uma garotinha, o anjo dela não quis prosseguir com a missão. Deveria estar com medo do mundão lá embaixo e desistiu, então passaram o cargo para mim.

- Isso é ótimo e estou torcendo por você. - Emma o abraça e lhe sorri em seguida.

Quando um anjo é destinado a uma pessoa mas não está pronto para lhe ajudar em todos os sentidos, volta para sua base como um soldado e volta ao treinamento para que possa melhorar. Era um trabalho sério demais e requeria muito esforço e preparo pois a partir do momento em que a criança nasce, é responsável para todo o sempre por aquela vida. Uma vida é muita coisa para carregar e poucos são os bravos guerreiros que exercem seu trabalho com sucesso. David era ótimo, e era perfeito para substituir o outro nessa missão. Mary era um grande anjo também. Desde sempre, quando olhava lá de cima as crianças aqui embaixo, sentia seu coração derreter com tanto amor que sentia ao vê-las brincando, sorrindo e quase morria de tristeza ao ver outras sofrendo com a fome, violência ou qualquer coisa do tipo. Não entendia como os seres humanos poderiam ser tão ruins a ponto de fazer mal a uma simples e inocente criança. Crianças essas que tinham o coração tão puro quanto o dos anjos. A mulher de cabelos negros e curtos estava transbordando de felicidade por saber que sua missão estava prestes a começar.

***

Um mês depois…

POV> Regina

Se eu disser que estão sendo fáceis os dias sem Emma estarei mentindo. Todos os dias ao acordar eu desejo - antes de abrir os olhos - que quando os abra a encontre ao meu lado com aquele leve sorriso que apenas ela sabe dar; com aquele olhar arrebatador que pertence somente a ela. Saudade é muito pouco para definir o que eu sinto. A própria palavra em si não é suficiente. Mas mesmo sentindo tanta falta do seu cheiro e de sua voz sigo os meus dias da forma menos dolorosa possível.

Acordo todos os dias para trabalhar, deixo Robin no colégio e sigo para a empresa. Fico lá sentada naquela mesa de escritório quase dez horas por dia, mas até que não é tão ruim, ocupo minha mente com o trabalho e adianto o serviço para o dia seguinte. Chego em casa a noite e descanso para começar novamente no dia seguinte. Saio apenas nos fins de semana com Killian, Zelena e Ruby. As duas estão se dando melhor agora, estão fazendo terapia de casal, é. Robin começou um acompanhamento psicológico também. No início me contou que sentiu receio, mas depois viu que era tranquilo e comentou que adorava conversar com o Dr. Hopper. Mamãe e Grany estão mais tranquilas também, aliás, todos estamos - ao menos em casa.

Acho que melhorei bastante nas últimas semanas. Sabe aquele upgrade que Killian me indicou? Resolvi dar início realmente semana passada. Depois da tatuagem cortei o cabelo que agora está acima dos ombros, comprei livros novos, segui as regras da carta de Emma e peguei um pergaminho por dia, continuei a escrever meu livro nas horas vagas, mudei minha playlist, estou reduzindo o cigarro aos poucos e caminho toda manhã no parque. Inclusive, estou indo para casa neste momento mas com uma nova amiguinha.

- Bom dia gente! - cumprimentei a todos que estavam na sala conversando e os ouvi cumprimentar de volta em uníssono. - Quero que conheçam minha filha, Lola. - abri a porta e deixei uma bolinha de pelos marrom entrar timidamente pelo meio das minhas pernas.

- Aaawn, que gracinha! Onde arranjou? - perguntou Ruby ao se levantar do sofá e caminhar até Lola para pegá-la.

- No parque. Estava lá para adoção e não resisti. - respondi orgulhosa de mim mesma.

- E onde ela vai ficar? - dona Cora me perguntou com um ar de "se você pensa que vai ficar aqui dentro está enganada!"

- Onde ela quiser ir. - mamãe respirou fundo mas conteve a bronca ao ver a graça que Lola era.

A pequenina era mesmo uma figura! Mal havia chegado e já estava totalmente confortável com o ambiente e familiares. Agora está toda eufórica correndo de um lado ao outro sem motivo algum. Lola… não tinha nome melhor.

*

Os conflitos internos da morena ainda estavam ali, mas agora estavam bem menos gritantes e isso a deixava quase completamente relaxada com exceção de apenas um fato, uma pergunta que não desgrudava de sua mente há dias: Quando Emma voltaria?

- Hey, como anda a terapia? - indaga Regina ao se sentar próxima a sobrinha na mesa da cozinha onde lia um livro.

- Bem. O Dr. Hopper é bom.

- E como se sente com relação às perguntas e tudo mais?

Robin permanece alguns segundos em silêncio.

- Fazem eu me conhecer melhor, estou bem. Ele me faz pensar muito e às vezes cansa. - sorri fraco. - Mas e você, como está? Vejo que está mudando.

- É. - sorri. - Pretendo mudar ainda mais e … ah, veja só o que eu comprei. - se anima e retira do bolso da blusa moletom cinza uma caixinha preta de veludo.

- Tia, Isso é o que estou pensando? Vai pedir a Emma em namoro quando ela voltar? - fecha o livro apressadamente, interessada.

Regina meneia que sim com a cabeça e, sorridente, abre a caixinha revelando um anel de ouro branco com uma pedrinha de diamante. Realmente caro e incrivelmente lindo. Trabalhado delicadamente e especialmente para Emma, consequentemente havia feito o seu também e do lado de dentro de cada um havia seus nomes gravados. Era perfeito.

- Acha que ela vai gostar, ou… aceitar? - indaga incerta.

- Ela vai amar e com certeza aceitar! - sorri largamente.

"Eu estava tão animada para poder me declarar toda para Emma e finalmente lhe pedir em namoro sem medo, mas principalmente para me jogar em seus braços e senti-la mais uma vez. A saudade me devorava e seus lábios, seu sabor ainda estavam gravados em minha mente… Os dias pareciam passar se arrastando e aquilo estava me matando, porém eu sabia que toda a espera valeria a pena no fim."


Notas Finais


O que estão achando até aqui? Está dando pra entender, tudo certinho? Está muito chato? Preciso muito saber... Deixo aqui meu user novamente se quiserem me conhecer >P4rrillaEvil< e até o próximo capítulo. Xx ♡


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